Página 16 de 19 PrimeiroPrimeiro ... 61415161718 ... ÚltimoÚltimo
Resultados 151 a 160 de 185

Tópico: Bloodtrip

  1. #151
    Avatar de Sombra de Izan
    Registro
    09-01-2011
    Localização
    Santa Catarina
    Idade
    32
    Posts
    3.357
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenMain CitizenAdepto do OffCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Bom lá venho eu para um comentário gigantesco: Tá ótima a história. Pensou que era só isso???????



































    kkkkkkkkk
    Lá vai um trolar a história, poxa a história é muito interessante, no geral assim, especificar um ponto ou outro fica complicado que seria mais fácil comentar capítulo a capítulo como nosso amigos botas ali, mas cada capítulo vale como se fosse uma história roleplaying das competições de tão grande e tão complexa, Vamos ao princípio; guerras e mortes, tem coisa mais misteriosa que um assassino desconhecido? Claro que tem, a forma com que encontram ele, a morte de uma rainha, como pode, será verdade?

    Vou indo devagar até atualizar na história, mas só uma questão, joguei a muitos séculos atrás um jogo chamado Brigantine de PS1, nele uma das evoluções do ghoul é vampire e depois lord vampire pelo que me recordo, bom jogo pra quem gosta de rpg por turno e pode encaixar na citação dele em seu capítulo. Sucesso e acompanho na medida do possível.

    Publicidade:

  2. #152
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.199
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 31 - Resmonogatari VII

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, lá vamos nós comentar os próximos capítulos.

    Ler sua história por si só é uma grande inspiração. Mas não uma "inspiração" geral, mas uma deveras "melancólica". Desespero, medo, melancolia, tristeza... Sério, o tanto de depressão que você consegue colocar nas personagens, mesmo em "partes filler", pra desenvolver a personalidade de algumas personagens, como Nuito, quando descreveu a história de Agal. É legal que não só com o Borges e o Richard, que presenciaram incesto/estupro/abusos, mas esse tema voltou, mesmo que sucintamente. E pelo visto isso é o suficiente pra causar muita, mas muita m*rda ;x

    No mais, que capítulo. O poder do Akanancore, p*ta merda HUEHUEUE. Criou um bioma digno de Roshamul, e o que mais me surpreende... O FUCKIN NUITO FICOU TODO ESSE TEMPO LÁ. Sério, o cara viu o que parecia ser um vampiro, e mesmo assim prosseguiu. Se Redchain chamou o Nightcrawler de Nuito, com toda certeza é porquê o Nightcrawler no mínimo tem toda essa determinação do Nuito, embora seja mais poderoso e tenha o demonho do lado.

    De resto, que desenvolvimento. Estou curioso para saber da forma que o Akanancore criou... E o que está para ocorrer. Ainda acho que Ember se envolverá de um jeito, e te conhecendo, todos terão uma morte terrível...


    E por fim, encerro dizendo o seguinte: não desista! Por mais desanimador que seja ter poucos comentários, o número de visitantes no tópico não mente, e se há uma brava alma que conseguirá ler e acompanhar tudo até o final, como eu, com toda certeza esta alma sentir-se-há lisonjeada por ler algo tão delicioso, e por conhecer um pouco desse íntimo mal humorado, mas com uma vontade ferrenha, desse Carlos... Lendário.

    Deveras Lendário.

    Ok, desativei o meu modo gay.
    Fala Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios e PARA DE CHAMAR O DARTAUL DE RICHARD PORRA


    Cara, já ouviu falar que, as vezes, o clima de uma história depende do ponto de vista que um autor tem sobre a vida? É mais ou menos assim que lido com Bloodtrip. O Mundo Perdido é bem diferente, é um clima mais épico e heroico, não há tantas reproduções de dificuldades que as pessoas tenham que lidar, mas essa história foi ótima pra eu me arriscar a fazer isso. De certa forma, Bloodtrip foi uma saída da minha zona de conforto, e acabou dando certo (Pois essa virou minha nova zona de conforto ). É legal que você veja tudo isso e capte como uma inspiração, só não vá ter a mesma visão da vida que a minha. Ser pessimista não é saudável.

    Devo dizer, o poder do Akonancore não tá 100% demonstrado ainda, mas isso porque não estamos no tempo atual da história ainda. Logo você entenderá. E Nuito é bem corajoso mesmo, mas se levar em conta que ele ficou matutando Tiquanda por 10-11 anos sem cansar, e levando em conta o quão chato é andar por lá mesmo no Tibia (Caralho, eu tenho um ódio COLOSSAL pelas Carniphilas, bicho chato da porra), ficar perto desse bioma nem é algo tão grande. E isso que ele tá crescendo ainda hein, não tá 100% também não. Btw, nem só de mortes terríveis eu vivo, então fica tranquilo.


    Obrigado pelas suas palavras encorajadoras cara, eu passei a ver que nem todo mundo tem paciência pra ler todos os dias (Eu tinha começado a ler de novo O Hobbit já tem mais de um ano e não terminei até hoje, pra você ter uma noção) e isso é compreensível levando em conta o que precisam lidar diariamente. As pessoas que leem minha história são adultas e tem responsabilidades. Mas Bloodtrip é uma responsabilidade minha. Então, não posso mais esperar alguém comentar pra postar um capítulo. Eu preciso terminar essa história, sério. Eu já planejei tanta coisa pra esse universo novo tibiano que criei, mas ainda não tive a chance de botar tudo no papel. E pra tal, eu preciso terminar Bloodtrip.

    Já não sou mais lendário, então me chame de Cavaleiro Carlos.
    seu viadinho

    Citação Postado originalmente por Sombra de Izan Ver Post
    Bom lá venho eu para um comentário gigantesco: Tá ótima a história. Pensou que era só isso???????























    kkkkkkkkk
    Lá vai um trolar a história, poxa a história é muito interessante, no geral assim, especificar um ponto ou outro fica complicado que seria mais fácil comentar capítulo a capítulo como nosso amigos botas ali, mas cada capítulo vale como se fosse uma história roleplaying das competições de tão grande e tão complexa, Vamos ao princípio; guerras e mortes, tem coisa mais misteriosa que um assassino desconhecido? Claro que tem, a forma com que encontram ele, a morte de uma rainha, como pode, será verdade?

    Vou indo devagar até atualizar na história, mas só uma questão, joguei a muitos séculos atrás um jogo chamado Brigantine de PS1, nele uma das evoluções do ghoul é vampire e depois lord vampire pelo que me recordo, bom jogo pra quem gosta de rpg por turno e pode encaixar na citação dele em seu capítulo. Sucesso e acompanho na medida do possível.
    Caralho, olha só quem veio ler minha história, bicho.

    Grande Sombra de Izan, muito grato pela sua presença aqui. Não imaginei que Bloodtrip estivesse sendo tão complicado pra você, eu mesmo imagino que não seja lá tão fácil ler cada capítulo, visto que eles cresceram muito desde a época em que você estava na seção. Tornar as coisas mais complexas, mais misteriosas e estranhas é uma tendência que tenho tido, e essa história tem muito disso, como pode ver.

    Btw, é boa sua referência a esse jogo, mas a questão de ghouls e vampiros vai mais de área e cultura dentro de Tibia, como não é comum encontrar clãs de vampiros no deserto, também não é fácil achar famílias de ghouls em Edron, por exemplo. Basicamente, nenhum é evolução do outro.

    Espero que a história continue sendo do seu agrado, Izan. Grande consideração por ti, mano.










    Teve um dia que eu falei "O capitulo 20 de Bloodtrip foi feito para ser o maior capítulo da história".

    Jokes on you, Carlinhos do passado. Sabe de nada.



    O capítulo 31 acabou ultrapassando minhas expectativas, e a história das origens de Senzo acabou sendo a maior da história. Encerro esse capítulo com sete partes e parto para outro. Com isso, acredito que o fim será alcançado no capítulo 35.

    Enfim, vamos continuando!





    No capítulo anterior:
    Nuito se aposenta da vida de biólogo e explorador e viaja para Edron para testar o que o Akonancore pode fazer na terra. No fim, ele gerou um bioma extremamente perigoso e desconhecido do qual ele tenta desbravar. Mas uma de suas tentativas dá errado e ele é salvo por Ember.




    Capítulo 31 – Resmonogatari
    Parte 7





    — Ember!

    Nuito está feliz em vê-la. Ela está usando uma armadura, calças e capa élficas e esverdeadas, além de um cachecol púrpuro no pescoço, que antes protegia sua boca e seu nariz, mas ela o abaixou para ser reconhecida. Embora faça um tempo que eles não se veem, ela não sorri. Sua seriedade dá um banho de água fria em Nuito.

    — Há muito que preciso te perguntar, mas é melhor sairmos daqui primeiro.
    — Concordo plenamente. Mas antes...

    Nuito pega seu arco, a flecha e a corda e dispara em pouquíssimo tempo contra a água. Ele puxa a flecha de volta e revela o peixe de antes, debatendo-se, mas parando de se mover seis segundos após ser retirado da água. Mais ou menos o tempo que levou para ele conseguir pegá-lo em suas mãos. Ember impressiona-se com o quanto ele melhorou com o arco, mas não comenta nada.

    Os dois saem da área e correm para a cabana de madeira. Nuito fecha a porta e coloca vários reforços de madeira nela. Ele entra na sala com a moça, e põe o arco e a aljava ao lado do único sofá do recinto, levando o peixe agora com as duas mãos. Ele aproxima-se do pequeno quarto onde guarda várias coisas que recolheu na área do Akonancore para guardá-lo, enquanto Ember observa um pouco a casa.

    Não há realmente nada demais ali. Nuito a construiu sozinho, e ela é pequena, acomodando um pequeno quarto onde há apenas uma cama de solteiro e uma cômoda pequena para algumas roupas. No quarto ao lado, ele mantém um pouco de comida em potes no lado direito e tudo relacionado a área infectada fica bem trancada e selada com magia no lado esquerdo. Provavelmente ele cozinha tudo no lado de trás e traz para a casa para comer no sofá. Os móveis obviamente foram conseguidos em Stonehome e trazidos para lá com a ajuda de alguém.

    Ember normalmente ficaria tímida sozinha numa casa com Nuito, mas dadas as circunstancias, não sente mais nada. Somente mantém-se preocupada com o estado que aquela terra encontrava-se. Elfos são muito conectados a terra, então ver algo daquele nível acontecendo com parte do corpo de Tibiasula toma-lhe mais a preocupação do que um amor a confessar.

    — Comece a me explicar. Do começo. — Cobra Ember, de braços cruzados.

    Ao invés de Nuito abrir o jogo, ele simplesmente chama-a para o local onde guarda amostras da área infectada. Ele põe a mão sobre um dos armários por algum tempo, até que ele trema levemente. Em seguida, abre-o, recolhe um dos potes de vidro e mostra para ela um dos vermes que recolheu. Ele ainda está vivo, mesmo sem comer, sem beber, sem ver a luz do dia. Ele parece uma lagarta na parte inferior, mas a superior lembra mais um olho enorme. Ele tem uma coloração de tons de amarelo para o laranja, parecendo um dos destaques daquela área. Além disso, ele tem inúmeros olhos pequenos na região inferior.

    — Isso é uma das coisas que surgiram ali?
    — Exatamente. Batizei ele de Oliphila. Encontrei um monte de outras coisas esquisitas lá, mas isso tudo é parte do motivo do qual vim aqui.

    Ele encosta a porta do armário e abre o do lado, recolhendo um outro pote com água normal. Seria a água purificada do lago quando ele não foi alterado.

    — Vim aqui há quatro anos pois recebi uma carta de um pesquisador que a área estava sendo alterada por algo artificial. Quando cheguei aqui, só notei a diferença escavando a terra, e ainda conseguia recolher água do lago onde estava há pouco. A terra estava viscosa, demorava pra sair das mãos, diferente do barro. Com o tempo, as alterações foram surgindo, e comecei a minha pesquisa. Mas logo percebi que esse lugar estava ficando hostil e precisei me armar. Foi estranhamente rápido. Um dia, eu estava começando a pegar grama vermelha no meio da verde, no outro eu já via aqueles humanoides andando sobre a terra.
    — Isso é horrível.
    — Recolhi essa água antes de tudo acontecer. Ela não foi alterada, porém. Parece que foi algo realmente plantado lá.
    — Uma planta?
    — Não faço ideia. Talvez uma poção que deu errado.

    Nuito não queria dizer a verdade. Seria problemático demais se o fizesse. Como Ember o olharia depois de saber que foi ele quem destruiu aquela área ao redor do lago? Se ela realmente gostasse dele tanto quanto ele pensava, esse amor todo desapareceria e seus instintos élficos agiriam em alta velocidade. Ela começaria xingando-o, e logo estaria enterrando uma adaga em seu peito. Por isso, não quer arriscar.

    — Eu aproveitei e tomei a liberdade de dar um nome para o bioma: Muzonsentouki. Retirado do hanrajiinês.
    — O idioma dos lagartos de Chor?
    — Exatamente. Mas nas últimas semanas, simplifiquei a palavra para Musenki. A tradução literal é Carmesim Lutador. Não sei se preciso explicar melhor isso, mas...
    — Tudo bem, entendi sua intenção. O nome não ficou ruim. — Disse Ember, descruzando os braços — Então... Musenki é algo artificial. Bom, é o que eu esperava, após ouvir os rumores.
    — Rumores?
    — Nuito, você está começando a se tornar suspeito em Edron. O povo já notou essa coisa vermelha crescendo, a terra mudando. Você deve estar afastando todos e contando o que tem visto, mas é mais que natural que o que você conte acabe se espalhando, não acha?
    — Bem... Isso é inevitável. É melhor um rumor bobo do que uma pessoa morta.
    — Ainda assim Nuito, as pessoas suspeitam que você tenha algo a ver com o que está acontecendo naquela região. As mais inteligentes sabem que você é um biólogo e está pesquisando e tentando descobrir o que tem causado aquela mutação, mas sabe que inteligência não é um primor de todo humano comum, não é?
    — Até concordo, mas não vou me intimidar com isso.
    — Pois deveria. O povo é uma arma poderosa. De greve a guerra, o governo perceberá em breve que a hora de intervir nessa região chegou, graças a população. Quando isso acontecer, você terá de ir embora. Ou melhor, seria melhor se você já fosse, pois não demorará mais que um ano para aventureiros e exploradores chegarem aqui para ver com os próprios olhos o que está acontecendo com esta terra. E esse é o pior cenário possível.
    — Sim. Se houver doenças lá...
    — Se espalharão para outras partes de Tibia e ninguém saberá como curá-las. Fora as pessoas que morrerão para aqueles monstros.

    Nuito sente-se horrível. Apesar de ter conseguido o que queria, sua atitude não fora louvável. Ele destruiu aquela região e aquilo pode muito bem se espalhar para o resto de Edron em algumas décadas. Tudo por causa dele. Mas se o peixe que ele conseguiu lhe der o que precisa, a cura para aquele lugar virá em breve.

    — Bem, de qualquer maneira, aquela região me deu algo que eu realmente estava precisando. E isso ajudará a parar Senzo.
    — Como?
    — Olhe. — Nuito coloca o peixe negro que pegou sobre um balcão. Ele pega uma das lamparinas do quarto e a coloca perto do peixe, mostrando a camada dura que possui sobre o corpo, bem como as placas visivelmente duras próximas da cabeça — Não dei um nome para isso ainda, mas o fenômeno se chama Alterorganis. Trata-se da teoria que todo bioma possui um organismo vivo totalmente diferente do clima onde ele se encontra. Em Tiquanda, no passado, encontramos a Pantera da Meia-Noite, mas mesmo que rapidamente, notamos que ela possuía uma pelagem muito semelhante a de animais que vivem em locais frios, contrariando o clima tropical daquele lugar. Ela é um Alterorganis. E esse peixe é o Alterorganis daquele lugar.
    — A Teoria do Organismo Alternativo que você criou, não é?
    — É, mas eu simplifiquei o nome.
    — Ficou uma bosta.
    — Enfim... — Nuito pigarreia e volta a falar — Essa Alterorganis pode, de alguma maneira, parar o Akonancore que Senzo desenvolveu. Recolhi outro material semelhante à natureza do Alterorganis a partir de uma lula que cresceu naquele lago, então acredito que posso desenvolver o que chamo de Aço Negro.
    — Aço? Bem, esse peixe parece bem duro olhando de perto... — Disse Ember, enquanto toca o peixe. Mas ao sentir sua textura, acaba tirando o dedo rapidamente — Credo! L-Lembra mais a textura do cérebro de algum animal!
    — As aparências confundem — Ri Nuito, mais uma vez achando graça de certas bobagens pouco inteligentes que Ember faz, irritando-a no processo. Ember fica um tanto envergonhada, não só por isso lembrar as aventuras dos dois em Tiquanda como por também lembrar o tempo que tiveram na academia.

    Isso ajuda Ember a se lembrar de algo importante. E, abruptamente, as peças se encaixam.

    — Disse que servirá para parar o Akonancore de Senzo, não é? Mas como isso funcionará?
    — Irei desenvolver algum corpo resistente que leve o Aço Negro de forma que me permita despejar sobre a criação dele, ou lutar contra. Pode ser uma espada mesmo. Embora eu acredite que esse aço não será melhor que o que já conhecemos, será extremamente eficiente contra o Akonancore.
    — E como você tem certeza disso?
    — Pois o Aço Negro é o Alterorganis do Ak-

    Nuito para de falar, e no exato momento em que ele se interrompe, Ember muda sua expressão. Não era necessário falar mais nada.

    Com isso, Ember sai andando rapidamente do quarto, levando Nuito a perceber que deixou seu segredo escapar graças a lábia quase invisível da elfa, algo natural de um elfo tibiano. Ele mal percebeu que estava contando, pouco a pouco, que ele foi o responsável por destruir aquela terra.

    Ele vai atrás da elfa apenas para perceber que ela parou a sete passos da porta. Adiante, uma figura encapuzada está no caminho para a porta.

    — É, concordo contigo, Ember. Como alguém como Nuito, tão apaixonado pela natureza, teria coragem de destruí-la?

    É a voz de Senzo.

    Em instantes, as lamparinas posicionadas em alguns locais da casa acendem sozinhas. Algumas nem mesmo tinham óleo, mas ainda assim estão acesas naquele momento, e com óleo. Nuito deixou sua lança e seu arco e flechas próximo da porta. Só Ember tem armas em mãos. Sente-se azarado por isso, afinal, Senzo aparecer na sua casa daquele jeito é a última coisa da qual ele esperava.

    — Como você veio parar aqui, Senzo?
    — Sou o papai noel. Estava de férias e voltando para Vega.
    — Esses tipos de piada não caem bem em você.
    — Mas estou falando a verdade. Quem disse que vocês terão natal esse ano?

    Senzo está realmente de vermelho. Ele está usando um gibão um pouco grosso de mangas longas de cor vermelha, calças vermelhas e botas vermelho-escuras. Está com uma ombreira de aço no ombro esquerdo. Ember recua para perto da porta do quarto, com arco em mãos.

    — Brincadeira. Vim apenas parabenizá-lo, Nuito. Você fez algo genial, como sempre. Nem eu havia pensado nisso ainda.
    — Do que está falando?
    — Lançar Akonancore sobre a terra sem nenhum desejo. Cara, sério? Nem eu sei direito do que o Akonancore é feito, afinal, sempre uso muitos materiais diferentes para alcançar a forma original do primeiro Nancore, então nem sempre sei no que aquilo pode terminar, mas você... Você simplesmente ignorou tudo isso e jogou sobre a terra para ver o que aquilo ia fazer por conta própria. E veja só, você criou algo novo. Um lugar novo, um bioma novo! E então, como é a sensação de ser um deus?

    Nuito engole em seco e não responde. Sabia que, um dia ou outro, Senzo acabaria referindo-se ao uso do Akonancore como algo divino.

    — No mais, eu tenho focado demais em quaisquer outras coisas além do Akonancore. Vamos lá, eu já atingi a perfeição. Quero que as outras coisas que possuo tenham a mesma perfeição. Por exemplo...

    A manga direita de seu gibão, mesmo sendo grossa, desaparece em instantes, virando pó. No lugar, surge um braço mecânico, com uma textura lembrando prata. Há uma corrente ao redor dele, e no seu pulso, logo abaixo da palma de sua mão, está uma ponta de lança, igual as que ele usava na Célula de Ferro.

    — Incrível, não é? E nem precisei perder o braço para cobri-lo com isso!
    — Senzo... — Murmura Ember, um pouco irritada.
    — Cala a boca, Ember.
    — Cale você a sua boca! — Disse Ember, colocando uma flecha em seu arco em menos de um segundo. Ela dispara rapidamente, mas ao invés dele desviar, ele simplesmente estala os dedos. A flecha para em alguma coisa criada na sua frente.

    Era a cabeça de um Ordinário. Ela cai no chão logo atrás de Senzo.

    — Há mais um motivo para eu querer parabenizá-lo, Nuito. Você criou o ambiente perfeito pra mim! Ora, para eu conseguir criar coisas simples, tive que literalmente engolir minha criação. Mas agora você jogou minha criação sobre a terra, justamente quando eu lhe dei buscando ajudá-lo. E no fim, você foi quem acabou me ajudando! Sempre pensando nos outros no fim, não é mesmo, Nuito?
    — O que, por todos os deuses, você está falando? Eu não consigo mais te entender, Senzo. Você nem parece mais... Você. O que aconteceu?
    — Eu finalmente encontrei o caminho. Agora, eu tenho uma razão para viver. E eu quero que você me ajude, Nuito. Você também pode, Ember. Como nos velhos tempos! Talvez eu até consiga trazer Norbron de volta, e faremos tudo como antigamente. Experimentos são divertidos, não é?
    — Inferno! Senzo, cala a boca! Você é inacreditavelmente irritante agora, céus! Não consigo sentir nada senão ódio de você! Por mim, você poderia morrer! — Vocifera Ember, apertando bastante seu arco.
    — Ah, nesse caso, vamos exclui-la. Ela não é tão importante assim, não é? Qual é, Nuito. Vamos! Me ajude, como sempre me ajudou. Você sempre me apoiou! E eu fui muito, muito longe, graças a você. Se eu não tivesse um amigo como você, eu estaria em apuros.

    Nuito entende bem agora o que Ember quis dizer, no passado. Mas não entende porque Senzo o admirava tanto, considerando que ambos são inteligentes ao mesmo nível. Ao menos no seu ponto de vista.

    — Eu não te entendo... O que você quer?
    — Quero mudar o mundo com o Akonancore. Posso criar coisas melhores que aquilo que você fez, mudar Tibia. Desafiar os deuses e mostrar que os humanos também são capazes de milagres. Que tal? Preciso de seu altíssimo conhecimento sobre geografia e biologia. Você é um gênio sobre a natureza tibiana. Você me seria útil de tal maneira que-
    — Senzo, pelo amor dos deuses, cala a boca.

    O alquimista está chocado.

    Nunca antes Nuito mandou ele se calar de forma séria. E ele parecia bem sério, além de perplexo.

    — Eu disse antes, você não parece com você mesmo. O que está dizendo? Desafiar os deuses? Está doente? Darashia queimou seus miolos?
    — Como eu disse... Eu encontrei meu caminho. E tudo bem se não quiser me ajudar. Você já me foi de grande ajuda.

    Senzo bate palmas duas vezes e no instante seguinte, vários Ordinários preenchem a sala. As mesmas criaturas que lembram cogumelos, mas dessa vez, eles pareciam ter vários olhos na parte inferior, além de tentáculos curtos nos braços. Evoluíram mais uma vez.

    — Eu sou o deus dessa terra, e dela tomo posse. Desapareçam.
    — Corre, Nuito! — Grita Ember, enquanto coloca duas flechas explosivas sobre seu arco e as dispara contra os seres fantasmagóricos, criando uma forte área de efeito sobre eles e dando tempo para escapar.

    Nuito pega o peixe negro e arromba uma porta do armário a direita. Ele pega dois potes com um liquido laranja-claro e coloca sobre os braços. Em seguida, ele pula e soca o teto, fazendo uma portinhola se abrir e uma escada cair. Ele começa a subi-la, enquanto Ember lhe dá cobertura. Ela o leva até o teto, e lá em cima, no telhado, ele acha uma bolsa laranja no chão e coloca os frascos e o peixe lá dentro. Acha outro arco, outra aljava com flechas explosivas, pega-as e corre para a ponte. Ember aparece logo depois ali, disparando uma flecha explosiva contra a escada, fazendo-a cair. Ambos correm até o monte.

    Após descerem o monte, ambos passaram horas correndo pelo bosque até chegarem na montanha dos wyverns, e só param de noite no outro lado, em Stonehome. Cansados e frustrados, eles caminham vila adentro, buscando abrigo.

    Mal perceberam que ela está sem um resquício de luz sequer.

    Nuito acaba parando antes de Ember, e ela sem querer tropeça em alguma coisa e cai no chão. Seria motivo para ele dar risada se não fosse a situação em que se encontram.

    — Merda! O que foi isso?
    — Não sei, não vejo nada, esse lugar está um breu. Consegue iluminar o lugar?
    — Sim... Utevo Gran Lux.

    Com a iluminação, Ember assusta-se com o que tropeçou, principalmente com os arredores. Pois, na sua frente, está um corpo de um habitante do vilarejo. E há vários outros corpos ao redor. Feridos por lanças e facas, todas de cor carmesim, geradas do Akonancore.

    Nuito ajoelha-se e soca o chão. Criou uma conexão com os habitantes dali, pois eles sempre o ajudaram. Na visão deles, ele estava evitando que uma praga se espalhasse. No fim, acabou dando a eles sua ruína. Por isso, ele está quase chorando, enquanto continua socando o chão. Ember senta-se e olha para o horizonte, evitando olhar para os cadáveres. E especialmente para Nuito.

    — Nuito, não importa o que você diga. Não é culpa sua. É daquele miserável do Senzo. Ele nos traiu. E acabaremos com ele.
    — Você não entende... Fui eu quem começou essa ideia. Se essas pessoas estão aqui, mortas, a culpa é minha. Você sabe disso. Além disso, eu maculei um lago e a região ao redor dele... Eu sou horrível.
    — Chega, Nuito... — Ember pede, mas não consegue nem mesmo manter sua firmeza e seriedade frente a um Nuito tão desabado. — Por favor, pare. Eu entendo o que você fez agora. Você queria evitar que Senzo destruísse Tibia do jeito do que aconteceu no lago. Seu plano foi muito bem pensado, e agora temos uma chance de pará-lo. Por que está assim?
    — Isso não os trará de volta, Ember. Eu trai o povo de Stonehome. Os edronianos estavam certos. Eu traria ruína para eles.

    Ember respira fundo. Ela levanta-se e vai até Nuito, ajoelha-se na sua frente e levanta seu rosto. Ao encará-lo tão de perto pela primeira vez, sente uma enorme vontade de recuar, mas ao invés disso, ela lhe dá o mais honesto dos beijos. Um que durou pouco mais de dez segundos.

    Ao deixá-lo, Nuito parece melhor, mas bem surpreso.

    — Mesmo que eles tenham morrido por causa daquele lugar infectado e da obsessão de Senzo, você pode vingá-los e fazer com que a morte deles não tenha sido em vão! Você tem o necessário para anular os poderes do Akonancore, não é? Então pare de choramingar e comece a trabalhar! — Disse Ember, puxando-o para mais perto ainda de seu rosto. Ela pousa sua testa sobre a dele, enquanto uma solitária lágrima cai do olho de um Nuito incrédulo. — Salve Tibia, Nuito. Lute. Por mim. Por Tibiasula. Por todos os deuses. Pelos mortais que caminham por esse mundo.

    O homem respira fundo e tenta se acalmar.

    — Tudo bem. Irei lutar.

    Ember sorri e o abraça. Mesmo cercada pela morte e pelo horror, ela ainda conseguiu a chance que tanto esperou de poder mostrar ao menos um pouco do que sentia pelo rapaz. Depois de vinte e dois anos.

    Ainda assim, a espera valeu a pena.








    Próximo: Capítulo 32 – Re:Bloodtrip



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  3. #153
    Avatar de Senhor das Botas
    Registro
    14-02-2011
    Posts
    2.321
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas CríticoEscritorSagaz CitizenMain Citizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Bom, vamos ao capítulo.

    Não há muito o que acrescentar. Ok, p*tas revelações, Senzo aparecendo maluco querendo o Nuito( provavelmente foi a figura sombria que brincou com o nosso biólogo). Ember firme e forte com o Nuito, e incrivelmente, você não matou nenhum dos dois, lol. Matou uma vila inteira no lugar, mas o que é uma vila perto desse casal que daria inveja até no Ratinho

    No mais, estou MUITO ansioso pelo que vai ocorrer. Provavelmente os dois morrerão, mas deixarão um p*ta legado que permitirá certas pessoas, no futuro, combater o Akanancore... E a Irmandade.

    E na boa, mal vejo a hora de voltar pro presente. Não que esteja ruim o passado do Senzo, muito longe disso( foi a personagem na qual você mais trabalhou e encaixou o passado e background). Mas simplesmente eu quero ver a mente por trás de tudo, que aproveitou-se do Akanancore...

    Sério, te conhecendo, vou tomar um verdadeiro Mindblast em breve.

    EDIT

    O próximo capítulo tem o nome da história. Naun faz içu comigo não, nem JoJo nem One Punch Man conseguem criar tanto hype assim.
    Última edição por Senhor das Botas; 25-01-2018 às 23:29.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  4. #154
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    2.998
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Missão dada é missão cumprida, parceiro.

    Concordo em partes com a opinião do @Senhor das Botas. Com um quê de apreensão, estava aguardando pela morte de Ember no decorrer do capítulo, e acho engraçado que tenha não somente poupado o personagem, como tenha decidido criar tanta destruição neste capítulo. Esses flashbacks são interessantes pra qualquer história, também. Já disse isso em outras oportunidades, mas não custa reforçar: o personagem de Senzo é peculiar, e até agradável, mesmo que seja meio mal educado. Me lembra um pouco de Leonard, se quer saber.

    Pegando o gancho no comentário do colega: causa-me certa apreensão o fato de que o próximo capítulo tenha o nome da história. Espero que você não seja um vacilão de encerrá-la agora, sob pena de ter seu rosto desfigurado. Não me importa onde você mora. Eu farei esse deslocamento.

    No mais, Carlos, peço perdão pela ausência constante. Se pá que você percebeu os problemas recentes que enfrentei aqui, mas isso fica no passado. Aproveitei a oportunidade pra colocar em dia a leitura de Bloodtrip e não me arrependi; os últimos episódios foram cintilantes, e gosto muito dessa viagem para trás e para frente na história. Não deixa de ser um primor, como sempre foi.

    Um abraço!
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  5. #155
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.199
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 32 - Re:Bloodtrip

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Bom, vamos ao capítulo.

    Não há muito o que acrescentar. Ok, p*tas revelações, Senzo aparecendo maluco querendo o Nuito( provavelmente foi a figura sombria que brincou com o nosso biólogo). Ember firme e forte com o Nuito, e incrivelmente, você não matou nenhum dos dois, lol. Matou uma vila inteira no lugar, mas o que é uma vila perto desse casal que daria inveja até no Ratinho

    No mais, estou MUITO ansioso pelo que vai ocorrer. Provavelmente os dois morrerão, mas deixarão um p*ta legado que permitirá certas pessoas, no futuro, combater o Akanancore... E a Irmandade.

    E na boa, mal vejo a hora de voltar pro presente. Não que esteja ruim o passado do Senzo, muito longe disso( foi a personagem na qual você mais trabalhou e encaixou o passado e background). Mas simplesmente eu quero ver a mente por trás de tudo, que aproveitou-se do Akanancore...

    Sério, te conhecendo, vou tomar um verdadeiro Mindblast em breve.

    EDIT

    O próximo capítulo tem o nome da história. Naun faz içu comigo não, nem JoJo nem One Punch Man conseguem criar tanto hype assim.
    Opa Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Cara, não matei a Ember pois não vi necessidade, juro mesmo. Todas as mortes até então tiveram um motivo e elas influenciaram diretamente na história e nos personagens. Por exemplo, a morte de Borges tornou Dartaul mais maduro e sério, a da Zoe (Que nem chegou a ser uma morte mesmo, futuramente vou explicar o que aconteceu com ela) também chocou o time todo e os desanimou mais, já que né, é a Zoe. Eu queria poder ilustrá-la, ela foi criada pra ser aquele tipo de pessoa que você olha quando tá frustrado e toda a sua frustração vai embora, só de ver ela sendo ela mesma. Enfim, todas as mortes tiveram algum sentido nessa história, logo, nem só de mortes vive sr. carlos.

    Há diversas coisas a se explicar sobre como esse poder caiu nas mãos da Irmandade, mas já estamos chegando lá; Logo as explicações serão postas na mesa. Acredito que depois do 32 já chegaremos no presente de novo, para dar resumo a história. E provavelmente te dar um mindblast, mesmo. Ao menos, é o que eu espero.


    Agradeço a presença frequente, Botas.

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Missão dada é missão cumprida, parceiro.

    Concordo em partes com a opinião do @Senhor das Botas. Com um quê de apreensão, estava aguardando pela morte de Ember no decorrer do capítulo, e acho engraçado que tenha não somente poupado o personagem, como tenha decidido criar tanta destruição neste capítulo. Esses flashbacks são interessantes pra qualquer história, também. Já disse isso em outras oportunidades, mas não custa reforçar: o personagem de Senzo é peculiar, e até agradável, mesmo que seja meio mal educado. Me lembra um pouco de Leonard, se quer saber.

    Pegando o gancho no comentário do colega: causa-me certa apreensão o fato de que o próximo capítulo tenha o nome da história. Espero que você não seja um vacilão de encerrá-la agora, sob pena de ter seu rosto desfigurado. Não me importa onde você mora. Eu farei esse deslocamento.

    No mais, Carlos, peço perdão pela ausência constante. Se pá que você percebeu os problemas recentes que enfrentei aqui, mas isso fica no passado. Aproveitei a oportunidade pra colocar em dia a leitura de Bloodtrip e não me arrependi; os últimos episódios foram cintilantes, e gosto muito dessa viagem para trás e para frente na história. Não deixa de ser um primor, como sempre foi.

    Um abraço!
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Mas e aí, vocês pensam que eu só mato meus personagens a toa? Como eu disse pro Botas, todas as mortes tem sentido, e mesmo que eu ache interessante me comportar como um Martin da vida de vez em quando, não posso ser assim o tempo todo, até porque não escrevo nada semelhante a um Game of Thrones. Mas, como eu disse, é interessante me comportar como ele, então se não matei nenhum deles agora, não significa que eles não vão se fuder gostoso no futuro, né?

    Sobre o título desse capítulo, não é nada tão grandioso assim. Conforme o capítulo avança, vocês vão entender a escolha desse título.

    E sim, percebi os problemas e já comentei sobre lá na sua história. Novamente, cuidado na próxima.


    E agradeço a presença, Neal!













    Esse capítulo servirá para finalmente entendermos melhor a Irmandade. Esse primeiro aqui é meio grande, mas o próximo será bem maior, com o objetivo de conseguir chegar logo no presente. Estive planejando a sequência de Bloodtrip há tempos e estou ansioso para começar a escrevê-la logo. Planejei inúmeras coisas boas que espero que vocês gostem! Por enquanto, vamos continuar desvendando o passado de Senzo.





    No capítulo anterior:
    Nuito encontra Ember e explica o que o levou para Edron e o que estava acontecendo com aquele lugar infectado, mas sem querer acaba revelando que foi ele que infectou aquele lugar com o Akonancore que Senzo lhe deu no passado. Ember ia se preparar para deixá-lo para sempre, quando Senzo surge e tenta atrair ambos para seu plano insano. Sem sucesso, ele tenta matá-los, mas ambos fogem para Stonehome, onde encontram todos os aldeões mortos.






    Capítulo 32 – Re: Bloodtrip
    Parte 1






    Não há lugar em Edron para alguém que cometeu crimes contra a segurança da ilha. Por isso, Nuito e Ember foram para Cormaya.

    Uma ilha pequena, mas nem um pouco pacata; Assim era o lar dos anões, que possivelmente vieram do continente principal, sendo descendentes de uma das famílias da época de Durin. Trabalhando ativamente nas minas do sul, a aldeia na ponta do norte serve mais como um local para os anões dormirem e se alimentarem, já que eles não possuíam tantas noções de higiene, e consideravam as minas os seus lares. Dessa forma, as tardes naquele lugar eram tranquilas o suficiente para Nuito se concentrar.

    Os dois conseguiram uma casa razoável, no oeste da aldeia, onde não há tantos anões. Ainda assim, Ember ocupa suas tardes vigiando acima do telhado qualquer atividade suspeita. Isso porque ela não consegue ficar muito tempo dentro de uma habitação, devido aos seus instintos élficos que buscam liberdade a todo custo; e aos seus instintos femininos, que sentem constrangimento quando ela pensa em ficar sobre o mesmo teto que Nuito.

    Bobagens a parte, Nuito concentrou-se na sua pesquisa sobre o peixe Alterorganis que encontrou no lago do terreno Musenki. O peixe negro possui também um sangue negro, e de forma chocante, ele notou que o peixe possuía escamas feitas do próprio sangue, e que o resto do corpo era formado pelo seu próprio sangue endurecido de alguma forma pelo lago. O peixe parece estar lá há menos de um ano, alimentando-se de larvas, afastado dos outros e da luz. Ele não parecia ser rápido, mas não havia necessidade para ser, já que ele vivia em um lago. Além disso, mesmo que ele tenha sido criado dentro do Musenki em pouquíssimo tempo, seus órgãos são bem desenvolvidos. Ele parece ter nascido de outro peixe, porém, algum que por algum milagre não foi atingido pela maldição do Akonancore.

    Nuito passou seis meses fazendo testes com seus órgãos ou ao menos tentando reproduzir o que o peixe fez para transformar seu sangue em sua pele e escamas. Seu objetivo era criar uma mistura que tivesse uma leitura semelhante a um Alteroganis artificial, algo totalmente oposto a um Akonancore. E que conseguisse espalhar suas células pelo elemento oposto, com o objetivo de destruí-lo. Ele só conseguiu um resultado satisfatório após esses exatos seis meses.

    No fim, lá estava, na sua frente, uma caixa contendo vários blocos diferentes com um líquido misturado a um líquido que ele recolheu de uma lula mutante do Musenki, que mais parecia um polvo. O líquido é absolutamente escuro. Nada que ele tentou misturar, sendo água ou tinta, conseguiu mudar a cor. Simplesmente o fazia aumentar sua massa.

    É quase como o Nancore, mas a única coisa que aquilo faz é destruir o Nancore.

    Ember está ao seu lado, impressionada. A caixa de madeira pintada de azul e branco parece ter um objetivo claro.

    — Eu irei levar isso para um lugar bem frio. E sei de alguém que pode me ajudar com isso.
    — Planeja congelar o que criou?
    — É. Deixarei ela lá por um ano. É minha melhor previsão para que todos os blocos com o líquido Alterorganis sejam congelados com sucesso.
    — E se não congelar?

    A expressão de Nuito muda um pouco por um tempo.

    — Vai congelar, não se preocupe. O lugar que levarei é bem frio.
    — Certo... E quem irá levar?
    — Uma amiga minha que está em Edron.

    As palavras “Edron” e “amiga” incomodam Ember, quase trazendo calafrios para ela.

    — Eu irei com você. E não adianta protestar.
    — Tudo bem. Estava esperando te chamar, de qualquer maneira.

    A elfa fica mais tranquila ao ouvir isso.


    ~*~


    Nuito e Ember entram disfarçados em Edron. Nuito mais parece um mercante gordo e moribundo e Ember parece exatamente o que deve parecer: Um guarda-costas. Está usando uma armadura para paladinos e um capacete de aço, bem como um arco diferente nas costas, e lutando tanto para se acostumar tanto com aquela armadura quanto com o fato de que ela precisa parecer um homem. Um mudo, por sinal.

    O disfarce recebeu ajuda de alguns anões de Cormaya para ser realizado, inclusive a barriga parece perfeitamente real, bem como a aparência gorda dele.

    A dupla entra na Academia Noodles de Magia de Edron, já que é o ponto de encontro deles. Ember leva a caixa com os blocos – só para piorar sua situação. E enquanto avançam pelas pontes das torres de mármore brancas, esforçando-se em seus papéis, observam diversos magos diferentes andando aqui e ali, eventualmente pousando seus olhares nos dois. Mas Ember não responde a nenhum dos olhares, e Nuito parece perfeitamente normal, eventualmente cumprimentando as pessoas que passam por ele, tentando ser mais simpático do que costuma ser.

    Ao chegarem ao seu destino, a torre central, notam um mago iniciante, um possível aspirante a bibliotecário, conversando com uma mulher mais velha, que já parece estar na casa dos quarenta anos. O rapaz de cabelos negros tem três livros debaixo do braço e usa um longo robe azul claro com losangos cinza próximo do pescoço e nos braços. A mulher está com um vestido branco, com um grosso cinto vermelho. Usa um chapéu pontudo de mago de cor roxa, com alguns rubis presos nele, e seus cabelos são negros como os do rapaz.

    Ao notar Nuito aproximando-se com o desconhecido guarda-costas logo atrás, ela cessa a conversa e coloca sua atenção nos dois.

    — Bem vindos. Precisam de alguma coisa?

    Nuito prepara-se para a voz mais ridícula que usará na sua vida.

    — Negócios com a Academia, madame. Gostaria de conversar a sós, já que é a mestra desta associação, presumo? — Responde Nuito, com uma voz mais parecida com a de alguém inchado, com um forte sotaque darashiano.
    — Ora, entendo. Imagino que trouxe algo do nosso interesse. — Disse a moça, virando-se para o rapaz ao seu lado e pondo a mão em seu ombro — Wyrdin, poderia vir mais tarde? Isso me manterá ocupada por algum tempo.
    — Se assim quiser, senhora. Tenham uma boa tarde!
    — Igualmente.

    O jovem Wyrdin sai de cena alegremente, indo para a ponte branca à direita. Aquela parece ter sido uma das únicas vezes que a mulher o tocou, o que o deixou bem feliz.

    De volta aos assuntos principais, a mulher fita Nuito sabendo perfeitamente de quem se trata. Mas não consegue identificar o guarda-costas.

    — Sigam-me.

    Os três se dirigem até a escada de mármore que leva ao andar superior, onde se localiza a biblioteca do mestre da Academia. Ember demora um pouco para subir devido ao peso da armadura e da caixa. Ao chegar lá, ela deixa a caixa sobre a mesa do centro da sala e fica próxima dela, fitando com olhos ativos Nuito e a tal mestra da Academia.

    — Você realmente merece meus parabéns por vir com um disfarce mágico de baixo nível para a Academia e ainda conseguir enganar todos que passaram por você.
    — E como anda, Morgana? — Pergunta Nuito, com um sorriso.
    — Com os pés. Mas se pergunta se estou bem, sim, estou.

    Morgana aproxima-se da caixa que fora trazida por Nuito, na tentativa de tentar identificar a figura que está com ele, mas sem sucesso.

    — Então era isso que você queria que eu cuidasse?
    — Sim. Ou melhor, é o que eu quero que você leve para Svargrond. Pro lugar mais frio que você souber de lá.
    — Eu?
    — É uma das poucas pessoas que confio agora, Morgana. Sei que tem as habilidades para isso.
    — De fato, tenho. Exceto a paciência de enfrentar o frio daquele lugar.
    — Pense, Morgana. Isso lhe livrará dos problemas e denuncias a respeito do-
    — Eu sei, eu sei. Se quer que eu leve pessoalmente, eu levarei. Mas tem certeza que conseguirá o que precisa a tempo?
    — O que quer dizer?
    — Como você ficou um bom tempo afastado da civilização, irei te informar das novidades: Edron esteve movendo tropas para um acampamento ao lado do que você nomeou como “Musenki”. Há generais e capitães do regimento Steelsoul e aventureiros nesse acampamento, tibianos de todos os níveis, interessados nas centenas de criaturas que estão andando por aquela região. Aparentemente, desde que Senzo chegou lá, quase todo o noroeste de Edron foi consumido pela maldição do Akonancore. Ouso dizer que há milhares de criaturas naquele lugar, não só na superfície, como também nas cavernas ao redor, e dentro das colinas e montes da região.

    Nuito põe a mão no rosto, incrédulo.

    — Será questão de tempo até eles começarem a invadir aquele lugar e irem atrás de Senzo, não importa quantas criaturas estiverem na frente deles. Mas, claro, Senzo também está movendo suas peças. Há urros sendo ouvidos do subterrâneo o tempo inteiro e a terra parece se mover todas as noites. O formato da terra ficou tão agressivo que até as árvores estão saindo do lugar e começando a andar sobre a terra maculada, com bocas gigantes nos troncos e milhares de insetos e vermes entre o que eram as suas folhas, provavelmente com doenças. Já tem inúmeros soldados sendo trazidos para Edron com doenças que nunca vimos antes.
    — Então a situação atual é essa?
    — É, meu caro Nuito. O que fará? Esperará um ano ou fará o possível para congelar em pouco tempo essa mistura que criou?
    — É impossível congelar ela com magia! O processo precisa ser natural!
    — Aria Ahrabaal virá para cá em dois meses.

    Nuito engole em seco.

    — Eu... Não tenho opções... — Balbucia Nuito, lutando contra a pressão e a ansiedade — Só eu posso salvar meu amigo. Eu tenho o necessário para pará-lo. Precisam deixar isso para mim!
    — Acontece que ninguém irá esperar a boa vontade da sua coisa congelar, Nuito Resgakr. É isso que precisa entender.
    — Morgana, se for preciso, eu mesmo paro Aria. Ela irá entender.

    Morgana respira fundo.

    — Tudo bem, não irei mais argumentar contigo a respeito. Levarei o Alterorganis do Akonancore para Helheim, a ilha mais gelada de Svargrond. Em um ano, recolherei eu mesma e deixarei na sua casa em Cormaya. Enquanto isso, mexa suas peças para evitar que Senzo seja morto.
    — Muito obrigado, Morgana. De verdade.
    — Irá me agradecer quando eu mesmo convencer Aria a deixar a minha ilha. Pode ser que os magos pensem que o apocalipse começou quando nós duas começarmos a discutir, mas não será nada parecido. — Disse, sorrindo e dando alguns leves tapas no braço direito de Nuito.
    — Então estou indo. Até a próxima, Morgana.
    — Fique bem, Nuito Resgakr. A Academia pode não estar de braços abertos para você, mas eu estou. Mas sem segundas intenções.

    Nuito ri e vai embora do andar. O guarda-costas segue ele, ainda sem falar uma palavra sequer. Apenas quando ele vira de costas para seguir o falso mercante que ela finalmente reconhece quem está seguindo ele.

    Guarda nenhum teria um bumbum tão redondo e feminino.



    ~*~



    A terra maculada pelo Akonancore recebe seu quarto contingente de soldados edronianos em um mês. Senzo e seus Inexpressivos e Ordinários derrotam eles em pouco tempo. Os inúmeros besouros e mariposas enormes que caçam carne humana também ajudaram bastante, mesmo que Senzo fosse capaz de cuidar sozinho com seus poderes de criação e sua Célula de Ferro que agora reforça inteiramente seu braço esquerdo.

    Há vinte Inexpressivos próximos dele e cinquenta Ordinários cercando os arredores. De cima de um monte, acompanhada de inúmeras mariposas, e usando correntes feitas de carne que ajudam a proteger seus braços e pernas, Miraya observa os movimentos das fronteiras. Desde que absorveu o Akonancore, ela focou em melhorar sua visão, com o objetivo de dar suporte ao seu marido. Suas habilidades físicas melhoraram, mas ela não é tão experiente com combates ainda.

    Ela salta de cima do monte e pousa com o auxilio das mariposas gigantes, com corpos carmesins, mas asas brancas e extremamente pálidas. Para ao lado de Senzo, que observa os inúmeros corpos ao seu redor. Mas antes que ele começasse a se incomodar, bocas monstruosas surgem do chão e tragam os corpos para dentro de sua imensidão, limpando a terra para seu mestre e deus. Ele sorri, satisfeito.

    — É uma pena que vidas que viveram tantas histórias, tiveram tantos sentimentos e ideias, que tanto lutaram e se esforçaram, tenham esse fim deplorável. — Disse Miraya, melancólica.
    — Elas automaticamente se tornam vazias quando obedecem a comandantes covardes. — Responde Senzo, sem alterar sua expressão. — Além disso, eu lhes dei o mesmo fim que teriam em circunstâncias comuns. Enterrados debaixo da terra, devorados por ela a cada ano, até não sobrar mais nada de sua carne e dos seus ossos.
    — Isso foi profundo.

    Senzo não tem tempo para elogios. Um Ordinário começou a lutar com alguém próximo de um amontoado de pedras que lembram apenas órgãos atualmente. Ele lança sua Célula de Ferro adiante, na direção da luta, e acerta aquele que tentou atacar sua criação. Ele o traz até a sua frente sem esforço, levando nada mais do que alguns segundos.

    Na sua frente, está um jovem, de talvez vinte anos. Um Cavaleiro, usando uma cota de malha escura com bordas laranja, assim como a calça. Usa um Machado Nobre como arma, e está sem capacete, o que revela seu rosto aterrorizado. Seus cabelos são ruivos e não há nada que se destaque no seu rosto, que parece normal para um edroniano.

    — Por favor, não me mate! E-Eu não tinha a intenção de vir matar você ou qualquer uma de suas criações! Me escute, por favor!

    Senzo parecia estar mais ouvindo grunhidos de dor de um porco que não foi abatido corretamente. Entretanto, para a sorte do rapaz, Miraya parece ter tido sua atenção atraída. Seu marido cria uma lança com uma ponta bem afiada para matá-lo e a joga direto para o peito do cavaleiro, mas uma mariposa gigante surge na frente e leva o golpe no lugar dele.

    — Ora ora, Senzo. Parece que você matou uma das minhas queridas. Isso certamente terá volta.
    — ...Mas o que diabo você está fazendo?
    — Pense. Com mais jovens como esse do nosso lado, contendo Akonancore em seus corpos, formaremos nosso próprio reino. Teremos gente mais que o suficiente para tomar essa ilha inteira. Nosso sonho será concluído com mais rapidez. Poucos serão os que conseguirão fazer frente contra nós.

    Por um momento, parece realmente uma boa ideia. O Akonancore que ele possui é exagerado. Há muito escondido nas profundezas de Edron, e bastante no norte de Darashia, embora a terra não tenha sido maculada ainda, e estes reservas podem ser usados. Isso inclusive traz de volta a memória de ver vários navios lotados de minotauros atacando o vilarejo no norte de Darashia, o que obrigou ambos a correrem, pois, na condição em que estavam, jamais montariam defesas rápido o suficiente para conter as criaturas, que já se apossaram do lugar, e transformaram-no em ruínas.

    Isso lembra perfeitamente de como seres vivos são. A sobrevivência sempre será seu maior objetivo, sua diretriz. Frente a perigos que consigam lhes dirigir ao fim de suas vidas, eles lutam para continuarem vivos, não importa em quem tenham que pisar para tal. Mas Senzo não era assim. Ao invés de sua diretriz ser sua sobrevivência, ela era cumprir seu objetivo. Não importava em quem tivesse que pisar para tal.

    E vendo que aquele jovem não era daquele jeito, e que eventualmente poderia desertar, trair, ou até mesmo revelar aos inimigos a sua fraqueza, apenas para continuar vivo e não ser morto pelos inimigos por algo que ele praticamente não entende, Senzo percebe que a ideia é boa apenas por um momento.

    O chão se abre, acompanhado dos numerosos dentes afiados, que devoram o pobre jovem cavaleiro. Este, que se vai berrando aos prantos, mostra a Miraya que Senzo não tinha a intenção de ter amigos ao seu lado. Afinal, os únicos que ele tinha o traíram. Quem mais entenderia seus planos senão ele mesmo e sua esposa, aquela que o entendia desde o começo? Eles estavam sozinhos. Mas, ainda assim, isso não deixa de ser atraente.

    O céu está escurecendo a cada dia que se passa. Os desafios para que seu sonho se realize estão apenas começando.



    No porto de Edron, Aria Ahrabaal acaba de chegar num navio especial, cuja madeira fora pintada com cores semelhantes ao azul e as velas com algo parecido com verde. Junto a ela, cinquenta magos thaianos e venorianos a seguem.

    Não tão longe do portão principal para dentro da cidade, Morgana, junto de cento e vinte magos edronianos, aguarda para dar as boas vindas. E, com alguma sorte, firmar um acordo.






    Próximo: Capítulo 32 – Re:Bloodtrip II








    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  6. #156
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    2.998
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Nightcrawler <3

    Referências a parte, gostaria de destacar esse trecho:

    — Você realmente merece meus parabéns por vir com um disfarce mágico de baixo nível para a Academia e ainda conseguir enganar todos que passaram por você.
    Rapaz, isso me lembrou alguma coisa interessante lá no fundo da minha mente, mas não consigo me recordar exatamente do quê. Li um conto aqui certa feita chamado "Como Anões e Elfos", algo do gênero, e esse foi um trecho que me fez me lembrar de algo que li nele, embora não consiga reconstruir exatamente o quê.

    O capítulo foi interessante para um capítulo de transição, e não se parece nada com um capítulo finalizador, para a sua sorte. Sua integridade física agradece.

    Sobre Ember, comecei a dar certo valor para o personagem só agora, se me permite. Gosto da forma como ela vem assumindo as rédeas de determinadas situações, ainda que pareçam maiores do que ela. Não é uma coisa que se diga "nossa, Nightcrawler", ou "nossa, Dartaul", mas o espaço dela está muito bem reservado. Provavelmente já devo ter dito isso antes.

    Aliás, excelente a sacada da Academia de Magia. Lembro-me de você ter comentado que ela assumiria um certo papel em Bloodtrip, e acho que há mais o que se extrair dela, além do que você já conseguiu fazer até agora.

    Embora seja um personagem que eu ame, devo advertir a Senzo que sua ambição pode acabar se tornando sua ruína. Espero que não seja simplesmente o caso, mas estou de olho nele (como sempre).

    No mais, excelente trabalho, como de regra, Carlos. Ansioso pela segunda parte do capítulo.

    Abraços!
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  7. #157
    Avatar de Senhor das Botas
    Registro
    14-02-2011
    Posts
    2.321
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas CríticoEscritorSagaz CitizenMain Citizen
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Novo capítulo, e boatos de um GIGANTESCO de 16 páginas... Enfim, vamos ao comentário.

    Btw, estou apreciando o desenvolvimento dos dois, Nuito e Ember. Os pequenos detalhes aqui e ali, aquele ciumezinho, e trechos como o abaixo mostram o quão bem você vem desenvolvendo as personagens.

    Guarda nenhum teria um bumbum tão redondo e feminino.
    Embora talvez haja, sim, espaço para melhora (você desenvolveu as outras personagens da história "melhor", eu diria), com o espaço que você está trabalhando, que seria alguns capítulos, você criou... Bem, meu "afeto" por Nuito e Ember. Mesmo já sabendo do que irá ocorrer, quero ver COMO você vai conduzir o desfecho e a morte d...

    Não pera, não te conheço direito. Tudo o que posso fazer é aguardar este próximo capítulo GIGANTESCO do qual você me falou sobre. Sério, o hype ta grande aqui.


    Não espere algo bem elaborado e feito. De resto...

  8. #158
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.199
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 32 - Re:Bloodtrip II

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Nightcrawler <3

    Referências a parte, gostaria de destacar esse trecho:



    Rapaz, isso me lembrou alguma coisa interessante lá no fundo da minha mente, mas não consigo me recordar exatamente do quê. Li um conto aqui certa feita chamado "Como Anões e Elfos", algo do gênero, e esse foi um trecho que me fez me lembrar de algo que li nele, embora não consiga reconstruir exatamente o quê.

    O capítulo foi interessante para um capítulo de transição, e não se parece nada com um capítulo finalizador, para a sua sorte. Sua integridade física agradece.

    Sobre Ember, comecei a dar certo valor para o personagem só agora, se me permite. Gosto da forma como ela vem assumindo as rédeas de determinadas situações, ainda que pareçam maiores do que ela. Não é uma coisa que se diga "nossa, Nightcrawler", ou "nossa, Dartaul", mas o espaço dela está muito bem reservado. Provavelmente já devo ter dito isso antes.

    Aliás, excelente a sacada da Academia de Magia. Lembro-me de você ter comentado que ela assumiria um certo papel em Bloodtrip, e acho que há mais o que se extrair dela, além do que você já conseguiu fazer até agora.

    Embora seja um personagem que eu ame, devo advertir a Senzo que sua ambição pode acabar se tornando sua ruína. Espero que não seja simplesmente o caso, mas estou de olho nele (como sempre).

    No mais, excelente trabalho, como de regra, Carlos. Ansioso pela segunda parte do capítulo.

    Abraços!
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Eu tinha dito que não ia terminar nesse capítulo o nome foi pra mostrar que é não seria o fim, mas o começo. A parte fatídica que mostra como tudo começou. "Re" geralmente quer dizer reinicio, e é usado em vários animes com temas semelhantes: Em Re:Zero, o protagonista é um rapaz de 16 anos, japonês, comum, que do nada aparece num mundo de fantasia sem saber nada sobre ele, e é obrigado a recomeçar sua vida do zero naquele mundo que ele não conhece. Em Re:Life, o protagonista é um cara de uns 26 anos que faz parte de um experimento de um remédio rejuvenescedor, que faz ele voltar a ter 16 anos e voltar a frequentar a escola. Tokyo Ghoul:re é também um recomeço para a história depois de muitos eventos da história anterior, uma sequência perfeita, onde tudo começa do zero pro protagonista e para os seus amigos. É por isso que dei esse nome pra esse capítulo. Não tinha nada a ver com o fim

    Ember fará mais coisas futuramente, algumas podem prejudicar Senzo e até pesar no presente da história. É também uma personagem importante, como um todo. Já Senzo, bom, espere coisas surpreendentes dele. Acho que você ainda vai gostar mais ainda dele, mas não do mesmo jeito que Nightcrawler (Que logo tá voltando)

    Obrigado pela presença constante, Neal. Espero de verdade que esse capítulo aqui seja do seu agrado, apesar de ser gigante.

    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    Novo capítulo, e boatos de um GIGANTESCO de 16 páginas... Enfim, vamos ao comentário.

    Btw, estou apreciando o desenvolvimento dos dois, Nuito e Ember. Os pequenos detalhes aqui e ali, aquele ciumezinho, e trechos como o abaixo mostram o quão bem você vem desenvolvendo as personagens.



    Embora talvez haja, sim, espaço para melhora (você desenvolveu as outras personagens da história "melhor", eu diria), com o espaço que você está trabalhando, que seria alguns capítulos, você criou... Bem, meu "afeto" por Nuito e Ember. Mesmo já sabendo do que irá ocorrer, quero ver COMO você vai conduzir o desfecho e a morte d...

    Não pera, não te conheço direito. Tudo o que posso fazer é aguardar este próximo capítulo GIGANTESCO do qual você me falou sobre. Sério, o hype ta grande aqui.
    Diga aí Botas, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Esse trecho aí parece me dar a impressão de que o desenvolvimento que eu dei foi na bunda da Ember

    Eu devo dizer que o desenvolvimento dos personagens atuais não é algo que eu conseguiria fazer parecer algo do mesmo nível que os do presente, afinal, eles tiveram muitos capítulos para serem trabalhados, e esses tiveram uns 8 ou 9. Fiz o possível para não desviar o rumo da história do passado e ficar chato demais. Já tava até me incomodando o quanto que eu estava estendendo essa história.

    Não aguarde mortes, Botas. Você sabe que, em Bloodtrip, tudo pode acontecer. Não há clichê de história de herói. Há um ceifador escolhendo aleatoriamente quem deve morrer. eu mesmo, evaristo costa

    Espero que goste do capítulo gigantesco!









    E sim, esse capítulo é gigante mesmo. Não quis dividir em partes, pois tudo aí é importante pra um capítulo só. O desenvolvimento construído ao longo de 8 capítulos deve chegar a um fim digno. E estou dando ele para vocês.

    Antes de irmos para o "primeiro" fim, vamos para algumas coisas:

    Devem ter percebido que Nuito criará uma arma. Essa é a arma em questão:

    Sim, a criação da Blacksteel Sword é atribuída a Nuito nesse mundo. De certa forma, ela é fraca no geral, mas pode ser usada para acabar com qualquer coisa do Akonancore. É é a base usada para criar as armas que podem ser encantadas. Já quis explicar isso de forma prévia pro capítulo ficar ainda mais interessante.

    E eu escrevi esse capítulo escutando esses dois mixes. Sei que não é um tipo de música que agrada todo mundo, mas se quiserem dar uma imergida na coisa do mesmo jeito que eu fiz, tá aí a recomendação. Na batalha final de fato, também deixarei outras recomendações parecidas. O tipo de música é eletrônica, "Chill Trap", um mais específico porém popular. Não é como "Dubstep" no entanto.


    Enfim, espero que gostem! O capítulo é realmente grande, mas tem a vantagem de você ler até uma parte antes do início da batalha, dar uma pausa e depois retomar. Ou ler tudo de uma vez mesmo. Aí é com vocês.





    No capítulo anterior:
    Nuito cria o Aço Negro, capaz de contra-atacar o Akonancore e o Musenki. Ele pede a ajuda da líder da Academia Noodles de Magia de Edron, Morgana, para ajudar com o plano, levando o que criou para Helheim. Enquanto isso, Senzo se recusa a trabalhar em equipe e decide agir apenas com Miraya no Musenki.






    Capítulo 32 – Re:Bloodtrip
    Parte 2






    347 é o ano fatídico.


    Inúmeras discussões, reuniões e assembleias foram feitas ao longo do período de um ano, isso desde que Nuito entregou a primeira forma do Aço Negro para Morgana, que tem feito o possível para segurar as forças continentais de atacar Senzo no norte. Toda a área de Edron ao noroeste está vermelha, e essa doença sobre o solo tem avançado devagar, obrigando os acampamentos próximos a se afastarem mais e mais, algo que tem sido usado como um argumento poderoso para atacar logo o local.

    Mas o argumento de Morgana tem sido melhor: Como pararão o Akonancore de continuar infectando o chão após matar Senzo?

    Sem encontrar soluções, a situação se arrasta e piora a cada dia. Nuito, que tem ficado mais ansioso a cada mês em Cormaya, recebe vez ou outra uma visita de Morgana. Ember no começo não confiava na feiticeira, mas rapidamente ela percebeu a falta de interesse amoroso de qualquer tipo da mulher, e notou os motivos técnicos dos quais motivava ela a aparecer na casa. Ainda assim, não parece ser uma boa ideia a líder dos magos edronianos abandonar a Academia em Edron para ir para Cormaya sem motivos claros.

    Nuito também pediu para ela manter segredo, mas ela já esclareceu que não há mais como manter as coisas assim. Dessa forma, ofensivas tem acontecido vez ou outra contra o Musenki.


    Há um mês, Nuito recebeu a última visita de Morgana. Ela trouxe a caixa num espaço mágico dentro de uma bolsa, para não atrair suspeitas. A caixa, bem congelada, precisou ser aberta com um pé-de-cabra recentemente feito e com materiais decentes, para não quebrar nada lá dentro, inclusive a ferramenta. Estava verdadeiramente congelado. Helheim não decepciona.

    Feito o processo, Nuito começou a usar o Aço Negro na forja. Derretendo-o com esforço na fornalha, mais do que com ferro ou outro minério, não demorou tanto para ele finalmente conseguir forjar uma espada negra que, no dia seguinte, ficou clara de novo.

    Nuito engoliu em seco. Para saber se iria funcionar ou não, ele precisa visitar o Musenki. Mas se ele fizer a grama desaparecer, Senzo perceberá, pois ele está diretamente conectado com tudo no Musenki. Dessa forma, ele novamente pede a ajuda de Morgana para obter algum material do local, pois o medo de sua invenção não dar certo está começando a engoli-lo.

    Mas, ao invés dela aparecer, outra pessoa apareceu. Um homem velho, de vestimentas de mago, com cabelo e barba longos, um chapéu vermelho na cabeça e um robe branco. Usa um cachecol vermelho, e leva uma bolsa verde consigo, bem como um longo cajado de carvalho negro. Embora pareça totalmente com um mago, não é um.

    É apenas o inventor maluco, Spectulus.

    Nuito, que tem sempre andado com uma camisa verde e calças negras, não parece muito feliz com a escolha de Morgana em confiar em alguém notavelmente estranho, mas decide dar um voto de confiança. Ela não o trairia nessa altura do campeonato.

    Ele recebe o velho em sua casa, deixando-o no sofá com um chá de camomila. No fundo, próximo da escada para o andar acima, Ember interroga Nuito.

    — Tá bom, Ember. Se um dia minha confiança nas pessoas acabar me matando, pode você mesma atirar uma flecha na minha cabeça. É melhor você me matando do que qualquer outra pessoa.
    — O-O que diabos está dizendo? Prefere morrer pela mão da pessoa que ama?
    — Não vejo problema nisso.

    Ember acaba de perceber que Nuito falou indiretamente que a ama. Isso ainda a deixa muito sem jeito, apesar do longo ano que compartilharam juntos. Por isso, ela acaba ficando quieta.

    — Olha, veja bem — Disse Nuito, pegando as mãos da elfa — Spectulus não é lá um cara muito normal, mas ele é um dos inventores mais geniais que passaram por Edron. Se Morgana confia nele, eu confio também. E ele já se aposentou da vida de mago tem anos, eu não acredito que ele consiga matar a nós dois dentro da nossa casa.
    — Mas... Se ele já foi um mago...
    — Ele sempre será um? Não duvido, mas também não acredito que ele vai convocar um tornado de fogo sobre as nossas cabeças. Vamos ver o que ele tem a dizer, e então tiraremos as nossas conclusões.

    Ember respira fundo e concorda. Dito isso, ambos aproximam-se da sala novamente e sentam-se no sofá do outro lado, com apenas uma mesinha os separando. Spectulus, com as mãos levemente trêmulas, põe a xícara de chá junto do pires sobre a mesa.

    — Nuito Resgakr, não é? — Pergunta Spectulus, pacientemente, mas um pouco devagar. Nuito faz que sim com a cabeça — Morgana Val Gerturias me pediu para vir e trazer o que requisitava para sua invenção dar certo. E para ser honesto, estou bem curioso a respeito dela.
    — Agradeço muito, Spectulus. Você é um inventor admirável. Eu gostaria de mostrar o que criei, mas infelizmente, o tempo urge. Garanto que farei isso quando tiver o tempo necessário.
    — Oh, tudo bem, tudo bem. Inventar e criar toma muito tempo, não é? Eu entendo perfeitamente. Há alguns dias, tenho traçado planos para uma invenção minha, algo parecido com um meio de transporte eficiente. Ela tem um formato ambicioso, e pode correr por debaixo da terra ou acima do chão. É algo para deixar os yalahari babando! Há mais algumas coisas...

    Por alguns minutos, Spectulus ficou contando sobre diversas coisas que tem trabalhado, com sua voz lenta e envelhecida. Ember pensa que está sendo punida pelos deuses, mas Nuito pensa que está sendo um pouco interessante ouvir o velho. Talvez ele fosse um pouco solitário demais e não conseguisse compartilhar o que cria com alguém, mesmo que tivesse assistentes, e que aquela era uma oportunidade rara.

    Finalmente, Spectulus abre a bolsa e mostra para Nuito. Numa vista superficial, pareceriam órgãos, mas eram apenas as pedras estranhamente parecidas com carne que compõem o Musenki.

    — Teste sobre elas. Tenho certeza que você está criando algo pra parar aquela doença. Pois bem, desejo-lhe sorte.
    — Muito obrigado, Spectulus.
    — Bem, estou indo. Aproveite a chance que tem, jovem Nuito. — Disse Spectulus, levantando-se — Revolucione o mundo. Salve-o.

    Nuito assente e acompanha o inventor até a saída. Após o homem finalmente partir, Nuito olha com mais esperança para Ember. A hora está chegando.


    Após algum tempo, Nuito levou a bolsa para o quarto onde ele esteve trabalhando. Colocou as pedras sobre um balcão e pegou a espada feita de Aço Negro. Ao colocar ela sobre as pedras, não demorou mais do que dez segundos para elas voltarem a ser pedras comuns.

    Ember, que estava ao seu lado, pula em sua direção e o abraça. A cura foi finalizada.



    ~*~



    — O que diabos você quer fazer?! — Pergunta Morgana, praticamente gritando.
    — É isso. Eu preciso entrar no Musenki sozinho. Tem que convencer os Steelsoul a deixarem aquele lugar.
    — Mas nem morta! Tá pensando o quê? Você não é nenhum Astronis*pra superar tudo que tem lá sozinho!
    — Não dificulte pra mim, Morgana. Ember já concordou, então por que você concorda?
    — A sua namorada concordar em jogar você no meio do inferno não muda em nada a minha opinião, Nuito!

    A discussão acalorada frente a decisão arriscada de Nuito de entrar no Musenki ocorre no topo da torre principal da Academia Noodles de Magia, ao lado do Globo de Detecção de Magias Destrutivas**, um dos objetos mágicos de maior orgulho da academia. Há treze meses, Nuito conseguiu desenvolver o Aço Negro, e durante esse tempo, todo tipo de disputa e discussão ocorreu em Edron para atacar o Musenki. A verdade é que ninguém tinha coragem suficiente de entrar lá dentro, e Aria Ahrabaal, uma das poucas pessoas capazes de subjugar o poder de Senzo, está constantemente sendo impedida pelos edronianos.

    Nessa situação de impasse, Nuito teve uma sorte colossal pelo fato da existência do Aço Negro não ter sido revelada ainda. Apenas Morgana e Spectulus conheciam aquilo, além de Ember. Mas apenas Ember sabe como aquilo foi criado. E ainda assim, houve formas de parar tanto Morgana quanto os thaianos, ansiosos para atacar o território de Senzo, deixando até mesmo 20 navios ancorados próximo da baía que leva a região contaminada.

    O termo “Musenki”, tão equivalente a “Selva” ou “Deserto” já é popular e oficial para se referir ao bioma que Senzo supostamente criou. O assunto ainda não é popular em Tibia, mas quem vive em Edron apenas discute a respeito disso e teme que Senzo comece seu contra-ataque.

    Em meio a essa situação, Nuito quer se arriscar sozinho pelo bem de todos. É claro, ele não pensa que é um herói, ele apenas pensa em salvar o seu melhor amigo de sua própria ilusão. Mesmo que morra no processo. Além disso, de alguma forma, Ember concordou com a decisão do ex-biólogo, embora ela não acredite que vá conseguir se segurar por muito tempo.

    Nuito respira fundo. Ele está diferente naquele dia. Usa uma Armadura Cristalina, que é uma grande proteção para o peito que, mesmo um pouco pesada, o protege muito bem. Usa um capuz laranja, carrega um escudo alto com uma imagem de um dragão nele nas costas e veste calças azuladas, compradas de um mercador de Darashia, além de Botas de Velocidade. A espada que elimina Akonancore está embainhada na sua cintura. Está totalmente preparado para lutar.

    Morgana sabe que ele tem treinado muito no ano que se seguiu para combater com a voracidade, força e equilíbrio de um cavaleiro, mas ainda não confia nele. Pois, até então, ele não passava de um biólogo. Mas é simplesmente muito difícil convencê-lo.

    — Pense bem, Nuito. Não posso simplesmente chamar todos de volta e dizer que um homem sozinho vai destruir tudo de ruim que há naquele lugar. Por mais que eu seja a líder da maior organização de Edron, eles não irão se convencer.
    — Então eu tenho uma ideia melhor.

    Morgana cerra o cenho.



    ~*~



    Lá está Morgana, junto de alguns magos que trouxe da Academia, no principal acampamento formado para impedir o avanço de Senzo. Ela atraiu todos os guerreiros, magos, feiticeiros e druidas da região, bem como Aria Ahrabaal e o general de Edron, David Steelsoul.

    Ao lado de Morgana, está Nuito. Sua espada está desembainhada. A líder dos magos está visivelmente nervosa. Ela não para de pensar que aquilo é uma má ideia. Ember está observando ao longe, vestida até a cabeça de equipamentos e proteções élficas, com medo das mariposas gigantes que estão voando perto dos limites do Musenki. O acampamento originalmente foi construído a 300 metros de distância, mas agora a grama vermelha está a apenas 100 metros, junto das criaturas características da região.

    Nuito avança. Seu caminhar determinado entre as inúmeras pessoas do acampamento as deixa impressionadas. Nunca viram um guerreiro com tamanha determinação antes. Ele simplesmente não demonstrava medo. Até porque ele não tem medo do seu amigo. Na sua mão, está algo que vai acabar com todo aquele terror, e na sua mente, a maior parte da personalidade de Senzo, que conhecia muito bem.

    Quando começou a pisar na grama vermelha, os protestos começaram. Aria parecia já se preparar para ir atrás dele e impedi-lo, mas Morgana se mete na sua frente. Ambas se encaram. A tensão aumenta a níveis astronômicos.

    — Observe. — Disse Morgana, com um sorriso.

    Aria vê Nuito parado, em frente a várias mariposas e besouros enormes, com aparência esquisita. Há alguns Ordinários se aproximando. Ele levanta sua espada.

    Exori: Buster! — Grita Nuito, fazendo a espada começar a agir, com choques totalmente brancos e sombrios começando a surgir em volta da arma.

    Em pouco tempo, um estrondoso som de um estouro surge. Uma longa onda de força se inicia a partir de Nuito e se espalha para o resto do Musenki, atingindo as criaturas também. Em instantes, elas acabam voltando ao normal, e os Ordinários se transformam em simples cogumelos pequenos, caindo no chão. A grama ao redor fica verde, mas menor. As pedras também voltam ao normal.

    Mesmo o Aço Negro tem sua energia própria, que pode ser desbloqueado através de pronúncias, como as magias e habilidades comuns de um cavaleiro. Do mesmo jeito que Nuito fez.

    Todos do acampamento testemunharam aquele milagre, inclusive Aria, que há anos não esboça surpresa. Morgana e Ember sorriem, orgulhosas.

    Nuito vira-se para o acampamento, seu semblante jamais tão valente e corajoso em sua vida. As pessoas o olham com surpresa e, como esperado, esperança.

    — Daqui em diante, eu sigo sozinho! — Grita Nuito para a multidão no acampamento — Senzo é meu melhor amigo, e se ele fez isso a essa terra, se ele matou tantas pessoas, a culpa é minha, eu mereço ser punido pelo o que eu fiz! Resolverei isso por conta própria, e ninguém deve me seguir! E se pensarem em ir e se virem em problemas... — Nuito pensa um pouco melhor antes de falar isso, mas se vê sem opções — Eu os deixarei morrer!

    Protestos são audíveis ao longe. Mas muitas das pessoas no acampamento entendem o que ele quer dizer, mesmo que a ideia seja uma loucura sem tamanho. Morgana também se convence, embora não queira deixar o homem ir sozinho. Ainda assim, ele se vira e vai, sem hesitar.

    No meio de todas essas pessoas, quem mais sofre é Ember. Ela está no limite do acampamento à direita, observando ao longe Nuito partir. Sente uma dor horrível cobrindo seu peito, e uma culpa imensa em deixa-lo sozinho.

    — Você não tem culpa de nada, imbecil... — Sussurra Ember, sozinha e triste.


    Ember se lembra de algo que aconteceu há quase um ano.

    Era uma manhã. Nuito fita seu próprio rosto no espelho, com um semblante melancólico, no quarto onde dormia. Ember aparece de repente, apoiando sua cabeça sobre o ombro esquerdo dele e deixando seu braço direito sobre o ombro livre dele. Ela fita-o também, com um sorriso. Ele está usando uma regata cinza cheia de pequenos furos, e seu longo cabelo castanho-escuro está bagunçado. Acordou há pouco tempo, mas Ember já está acordada há um bom tempo.

    — Eu pareço mais acabado do que o normal. — Disse Nuito, um pouco desanimado.
    — Pra mim, você parece o mesmo de sempre.
    — Impossível. Tenho 35 anos agora. Estou envelhecendo um pouco mais rápido do que o normal, tanto que não ficaria surpreso em achar fios brancos no meu cabelo. — Disse, coçando o queixo. Está barbeado desde que chegou em Cormaya.
    — Há! 35 anos para mim não é nada.

    Ember solta-o e anda aleatoriamente pelo quarto, com as mãos nas costas. Nuito observa-a.

    — Acho que nunca te perguntei, mas quantos anos você tem?
    — 76 anos. Estou na adolescência élfica ainda.
    — Por Nornur...

    Ember abre um sorriso bem animado ao ver a reação dele, mas logo fica uma expressão triste. Parece estar lembrando-se de algo importante. Nuito acaba reparando nisso.

    — O que foi?
    — Todo esse tempo, eu queria te contar algo muito importante a respeito de eu ser uma elfa. Mas nunca tive coragem.
    — Elfos não aceitam relações com humanos?
    — Não, isso é outro assunto... — Balbucia Ember, de forma triste. Ela passa a mão sobre os longos cabelos ruivos, que estão soltos, cobrindo suas orelhas pontudas. Contrasta de forma excelente com sua túnica verde que vai até a cintura, junto de calças de mesma cor, mas bem mais escuras.

    Do ponto de vista de Nuito, mesmo que ela estivesse um pouco mal cuidada, ela está linda.

    — O que é, então?
    — Nuito... Elfos vivem muito mais do que humanos. Meu desejo mais forte é me casar com você, ter um ou dois filhos, ensiná-los milhares de coisas e brincar o quanto pudéssemos com eles... Mas eu não os assistirei enquanto envelheço contigo. Eu simplesmente assistirei você envelhecer, enquanto eu continuarei jovem. Eu verei você morrer nos meus braços. Eu... Verei meus filhos envelhecerem também... E morrerem nos meus braços também... E talvez até mesmo os netos... — Ember fraqueja a cada frase. No final, ela já está chorando, se sustentando em suas pernas por um fio. — E finalmente morrerei, pois eu sou de uma maldita família élfica de Ab’Dendriel capaz de viver até 5 séculos! Eu assistirei tantas pessoas morrendo que eu sinto vontade de tirar meu coração com as minhas próprias mãos, Nuito... Só pra não ver isso... Só para não t-testemunhar...

    Nuito respira fundo. Ele sabia que, uma hora ou outra, ela diria isso. Não conhece a família que ela pertence, mas sabe que ela teria que vê-lo morrer velho e moribundo. De certa forma, foi por isso que ele demorou tanto para corresponder aos sentimentos dela.

    Ele vai até ela e segura seu rosto com ambas as mãos. Olhar seu rosto choroso de tão perto é pior que olhar para pilhas de cadáveres. Para tentar solucionar isso, ele a beija. De forma bem diferente de quando o mesmo ocorreu em Stonehome.

    O homem finalmente para depois de quase dois minutos e afasta seu rosto. Ember está com uma expressão diferente. Suas mãos segurando forte a sua camisa pelas costas expressam bem o que ela está sentindo agora.

    — Pare de pensar no futuro. Não lembre do passado. Fique apenas no presente, pois ele é uma dádiva.

    As mãos de Nuito vão até a sua cintura e avançam delicadamente para dentro da túnica.

    — E vou te ajudar agora a se lembrar disso.



    ~*~



    Ember lembra de tudo isso com as mãos sobre a barriga e reflete sobre. Chegou muito perto de dar errado.

    Mas bem que podia ter dado errado mesmo.

    Nuito continua caminhando Musenki adentro, enquanto o dia parece ficar mais escuro conforme ele vai mais fundo. Tudo que entrou em seu caminho, ou foi destruído, ou foi curado. Ele vai em direção do lago onde tudo começou, ignorando principalmente a visão persistente de Miraya à distância.

    Ele lembra de uma doença esquisita que a própria Miraya criou: A Maldição da Mariposa é o nome dado para ela. Aparentemente, ela cria uma mutação que deixa os humanos com uma aparência próxima de uma mariposa, e nos estágios finais, patas nascem do tronco e ambas as pernas e braços caem para dar uma semelhança maior a uma mariposa, que seria o processo onde todos morrem. Ninguém sobreviveu a isso ainda. Nuito tem tomado cuidado redobrado com as mariposas por causa disso, pois elas são obviamente os transmissores.

    Levou pouco mais de vinte minutos para chegar até lá caminhando. Ele não pode correr, ou o chão se abrirá para devorá-lo, ou então os insetos e vermes ficarão mais agressivos. Cauteloso, ele para em frente ao lago, onde ele nota pouco a pouco que está sendo cercado por inúmeras criaturas do Akonancore.

    Eventualmente, Senzo aparece também. Ele caminha no meio das criaturas e para a uma boa distância. Nuito afasta-se do lago, por notar a presença de criaturas agressivas lá também.

    Eles se encaram por um longo tempo.

    — Isso acaba hoje.
    — Não, Nuito. Isso nunca vai acabar. Pois, veja bem, até então, você nunca se importou com o quão longe os alquimistas vão para cumprir seus objetivos. Pois era tudo em nome do progresso, não é? Você também concordava! Nós, alquimistas, somos movidos por nós mesmos, e não só pelo progresso, nem pela ciência. Não há nada de errado nisso, pois tudo que vier não passa de consequência.
    — Vai pro inferno. Eu nunca concordei em matar gente inocente pra cumprir objetivos.
    — Mas você admirava até mesmo aqueles que foram acusados de acabar com a vidas inocentes, não? Tipo Ferumbras.
    — Eu o admiro pelo o que ele fez enquanto não estava louco!
    — Mas ainda assim, você o admirava. É o suficiente.
    — É, Senzo. É o suficiente pra mim, também. Até porque eu não vim aqui pra negociar ou papear.
    — Última chance de se unir a mim! Nós vamos mudar o mundo juntos ou não?
    — Não.

    Senzo, que ainda conta com o mesmo visual de um ano atrás, na cabana, se entristece. Mas não o suficiente pra impedi-lo de fazer alguma coisa.

    — Que seja.

    Senzo salta em sua direção com inúmeras correntes com lâminas pontudas cercando seu corpo. Seu impulso é sustentado pela força imensa que o Akonancore lhe deu. Junto ao seu salto, ele cria um número assustador de lanças para acertar Nuito.

    Sem sair do lugar, Nuito contra-ataca.

    Exori: Buster!

    A mesma onda de choque faz as lanças desaparecerem e se choca com mais força que o normal contra Senzo, jogando-o longe. Quando ele cai no chão, ele levanta sua mão direita, criando dezenas de Inexpressivos ao redor de Nuito. Mas eles aparecem fracos e menores, devido ao chão estar gramíneo novamente e sem influência do Akonancore.

    Exori: Burst!

    Nuito carrega de eletricidade branca sua lâmina e atira ela contra um grupo de Inexpressivos a sua direita. Ela estoura, joga uma onda de choque e volta novamente para a mão de Nuito, fazendo as criaturas sumirem logo depois. Ele repete o processo várias vezes, matando em pouco tempo as criaturas ao seu redor.

    Mais mariposas gigantes e besouros vem na sua direção, mas ele mata-as com golpes de espada comuns. As bolas de carne flutuantes com olhos que voam perto do lago também avançam com velocidade estrondosa contra Nuito, mas ele simplesmente faz o mesmo que fez contra o avanço de Senzo.

    Atualmente, parece impossível atacar Nuito de frente. Ele é rápido e sua espada também, mesmo que ela leve alguns segundos para criar a onda de choque. Senzo não é tão rápido.

    O dia já é noite, embora seja pouco mais de 5 horas da tarde. Ainda assim, há muitas luzes vindo de todas as pedras e rochas ao redor. Nuito continua lutando da mesma maneira, até Senzo notar que nada que seja feito do Akonancore funciona contra ele. Isso depois de quase vinte minutos.

    Dessa forma, o alquimista avança sozinho, sem criar nada.

    — Finalmente!

    Nuito avança também, a armadura dificultando levemente seu andar. Ele não corre pelo mesmo motivo, mas precisa agir com velocidade se quiser vencer.

    Exori Gran: Buster!

    Uma onda de choque ainda maior que as de antes cobre dezenas de metros ao seu redor. A grama atingida volta a ficar verde de novo, dando espaço para ele correr. Senzo se enfurece, e avança de novo, jogando a Célula de Ferro adiante. Nuito a defende duas vezes antes de Senzo aparecer na sua frente e ambos começarem a digladiar como heróis de lendas num confronto final, ignorando qualquer relação entre si.

    Senzo eventualmente pula para trás e cria paredes de arenito aqui e ali, defendendo-se dos golpes mortais de Nuito. Senzo aproveita para criar mais e mais paredes e confundir o oponente, como se estivesse criando um labirinto. Mas ele não pode ser enganado dessa maneira.

    Buster!

    Uma gigantesca e poderosa onda de choque faz todas elas desaparecerem. Antes que Senzo pudesse recuar um pouco e ganhar espaço, ele é atingido no braço direito. Felizmente, a proteção de prata apara o golpe, e seu dono responde lançando a corrente dela em linha reta, por pouco não acertando a cabeça do guerreiro.

    Nuito agora está usando seu escudo. Com técnicas de defesa e ataque seguidas, ele torna a Célula de Ferro inútil para combater. Dessa forma, Senzo cria uma maça de prata para tentar destruir tanto o escudo quanto a armadura, mas ela desaparece ao entrar em contato com a espada de Aço Negro. Nuito chuta-o na barriga em resposta e abre um corte grotesco à direita do queixo do homem pálido.

    — Seu merda! — Vocifera Senzo, afastando-se e colocando vários Ordinários para lutar em seu lugar, mas eles são eliminados em pouco tempo — Você me apoiava! Queria que eu fosse como Ferumbras! Por que quer que eu pare agora?
    — EU NUNCA QUIS ISSO! Eu não apoio nenhuma loucura sua! — Berra com uma fúria incontrolável em resposta a Senzo, avançando novamente — Exori: Burst!

    Nuito atira sua espada contra Senzo, mas ele desvia. Ele aparece num instante em frente dele e soca seu rosto com muita força, bem onde está o corte. O guerreiro continua socando-o, acertando sua barriga, seu peito, seus olhos, suas têmporas e por fim chutando seu calcanhar. Ele atira a espada de novo como antes, mas, de alguma forma, Senzo se desfaz em Akonancore e aparece logo atrás dele. Porém, Nuito se abaixa e a espada volta, atingindo o lado direito do tórax do alquimista.

    Nuito puxa a espada num frenesi e soca seu rosto novamente. Em seguida, ele levanta ela em direção do céu.

    Unlimited Burst!

    Trovões sacodem os céus e um relâmpago atormenta até quem está a quilômetros dali. Em seguida, um raio branco como a lua desce em direção de Nuito, que dá um giro rápido e rebate o raio com a espada na direção de Senzo, bem a tempo. O golpe atinge o inimigo em cheio.

    Ele fica algum tempo sendo vítima daquele poderoso raio, até que, por algum milagre, ele consegue pegá-lo com sua mão de prata, afastá-lo e jogar sua energia contra o chão. O chão literalmente sacode, indo para cima e atirando ambos para o alto. Nuito percebe buracos surgindo do chão e dezenas de criaturas saindo de dentro dele, e do meio da onda de choque debaixo do chão, uma criatura nova surge: É literalmente um cérebro gigante, com dois olhos, um de cada lado, totalmente humanos. Há tentáculos perto da região do cerebelo, conduzindo os mesmos raios que Nuito criou. Ela lança aos céus o mesmo berro que todos tem escutado há meses naquele lugar.

    — Impossível... — Sussurra Nuito, assustado. Ele está voltando para o chão, junto com o próprio chão, e nota que será vítima daquela coisa esquisita e gigante.

    Buscando correr do destino, ele junta a espada próxima a seu corpo, e fecha os olhos. Tem mais uma habilidade criada junto com a espada para usar.

    Millenium Buster!

    Uma onda de choque ainda mais poderosa que as outras e extremamente maior começa a partir da espada de Nuito, que treme bastante. Senzo será atirado contra o chão, pressionado e provavelmente esmagado e morto se aquilo o atingir. Precisa agir a altura.

    Nuito cria sua própria onda de choque, mas essa é feita de algo igual a sangue. Ela corre em direção da onda criada pelo seu oponente, e ambas se chocam. Não demora muito para elas explodirem pelo atrito extremamente poderoso, gerando uma explosão tão poderosa que faz todo o norte de Edron tremer.

    Tremores são sentidos na cidade de Edron. A população se desespera. Todos os acampamentos se desesperam. Eles pensam que o plano não deu certo, ou que estão tendo a batalha do século logo adiante. Morgana está bastante apreensiva, e volta a pensar se deixá-lo ir sozinho foi uma boa ideia.


    Quando o pó começa a deixar a terra e é possível enxergar de novo, Nuito se vê de pé, e vê Senzo igualmente confuso. Abaixo deles, há areia. Muita areia. E existem ruínas por todos os lados.

    Eles estão no norte de Darashia, no vilarejo saqueado, de alguma forma.

    Os antigos amigos se encaram com ódio. Nuito não sabe como aquilo aconteceu, mas Senzo sabe. Ele pensou naquele lugar antes de usar quase todo o seu poder para criar uma onda de choque à altura. Nuito também usou. A espada já mostra inúmeras marcas, algumas regiões rachadas e até manchadas.

    — Não vamos conseguir lutar mais, Nuito. No próximo golpe, nossas armas se quebrarão. Sabe bem disso.
    — Eu não me importo. Continuarei até o fim.
    — Pra você, o que é o mundo correto? Pois eu estava querendo criar algo parecido, Nuito. Eu queria dar o poder de criar tudo para os humanos, para eles não sofrerem mais necessidades. Se eles precisarem comer, eles criarão sua própria comida. Se eles precisarem se entreter, eles criarão alguma coisa do tipo, seja um tabuleiro de xadrez, um baralho de cartas, até um cavalo. Se precisarem se defender, criarão armas. O que há de errado nisso, Nuito? O que há de errado em querer facilitar a vida do nosso mundo?
    — Os humanos não tem maturidade para ter poderes assim, Senzo. Esse poder é dos deuses, e eles sabem o que fazer com ele. Nós não.
    — Então... Não há trégua para nós, não é?
    — Sinto em dizer que não, amigo.

    Nuito e Senzo dão sorrisos tristes.

    Em seguida, levantam cada um as suas armas. Senzo levanta sua Célula de Ferro, e Nuito levanta sua Espada de Aço Negro. Em instantes, eles cercam-se do poder de cada um. Há muito Akonancore correndo ao redor de Senzo, e faíscas claras ao redor de Nuito. É o último choque deles.

    — Acabou! — Senzo grita, enquanto salta em alta velocidade contra ele.
    Unlimited Ico! — Nuito também salta em sua direção, coberto por raios extremamente claros.

    Ambos se chocam. O chão treme novamente. E uma explosão enorme acompanha o choque.


    Quando a poeira baixa, já é possível notar o vencedor.

    O céu de Darashia estava claro antes de chegarem ali. Quando trouxeram a explosão de Edron junto, o céu estava escuro. Já é de manhã, as horas passaram rápido, principalmente porque ambos estiveram no chão o tempo todo.

    Entretanto, Nuito consegue se levantar para encarar o que era seu amigo. Ele está de costas para o chão, sem o braço de prata, sem uma das pernas e sem um dos olhos. Há uma pequena bola de luz girando em volta do guerreiro, que perdeu o capuz, a parte direita da armadura e as asas das suas botas. Sua espada está em pedaços.

    Mas ele venceu.

    Nuito sai andando, em direção de Darashia, abandonando seu amigo. O céu ainda está escuro, mas logo ele irá se iluminar de novo. Pois é impossível que Senzo levante de novo e use seus poderes. Todo o Akonancore do seu corpo sumiu, e ele não passa de um humano normal que em breve irá morrer.


    E no fim...

    Eu nunca o superei.







    Próximo: Capítulo 32.5 – Falso Epilogo



    Notas:

    *: Astronis é uma das lendas do Tibia. Ele, em 2006, numa época em que nem havia hotkeys, solou a Annihilator e sobreviveu. Ele é um mito pra quem joga em Astera, como eu, então decidi fazer ao menos uma menção à ele.
    **: É aquele globo estranho no topo da torre central da Academia Noodles de Magia em Edron. Não sei qual é a utilidade dele, então decidi dar uma a ele.
    Última edição por CarlosLendario; 07-02-2018 às 14:41.



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉

  9. #159
    Avatar de Neal Caffrey
    Registro
    27-06-2006
    Idade
    26
    Posts
    2.998
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Adepto do OffSagaz CitizenMain CitizenCrítico
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão

    Para tudo.

    Nuito e Senzo, num combate violento. Quem diria que Nuito o venceria. Agora, fica o questionamento: Senzo morreu? Depois de tudo que foi capaz de fazer, depois de um vilarejo ser levado abaixo pra mantê-lo vivo, Nuito, sozinho, o teria vencido e matado? E mais: amigos brigando entre si, arrancando pedaços uns dos outros, bah. Goku vs Vegeta feelings. Nada pode ser melhor.

    O final do capítulo ficou sensacional, e criou um gatilho interessante pro próximo. Se o que você me disse pelo whats é verdade, então os próximos episódios de Blood Trip têm uma tendência de serem melhores do que nunca. Especialmente, não esperava que Senzo morresse agora; afinal, como Nigthcrawler, é um personagem presente há tanto tempo... espero que você seja capaz de mitigar isso, ou nos dar algo semelhante em troca.

    Aliás, tiradinha de sarro do dia:

    *: Astronis é uma das lendas do Tibia. Ele, em 2006, numa época em que nem havia hotkeys, solou sozinho a Annihilator e sobreviveu. Ele é um mito pra quem joga em Astera, como eu, então decidi fazer ao menos uma menção à ele.
    Rapaz, acho difícil alguém "solar" sem que seja "sozinho", certo, Carlos?

    Tô brincando. Astronis e Arieswar são os jogadores antigos mais inspiradores, sem dúvidas.

    Valeu, Carlão! Excelente capítulo, como de praxe. Aguardo pelo próximo.

    []'s
    O Exorcismo de Alyssa Amber
    Acompanhe o piloto do thriller mais recente da seção Roleplay!

    Jason Walker e o Patrono do Apocalipse

    Acompanhe a quinta e última história de Jason Walker na seção Roleplay!

  10. #160
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
    Registro
    23-03-2012
    Localização
    São Paulo
    Posts
    2.199
    Conquistas / PrêmiosAtividadeCurtidas / Tagging InfoPersonagem - TibiaPersonagem - TibiaME
    Conquistas Sagaz CitizenAdepto do OffCríticoDebatedor
    Peso da Avaliação
    0

    Padrão Capítulo 32.5 - Falso Epílogo

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Para tudo.

    Nuito e Senzo, num combate violento. Quem diria que Nuito o venceria. Agora, fica o questionamento: Senzo morreu? Depois de tudo que foi capaz de fazer, depois de um vilarejo ser levado abaixo pra mantê-lo vivo, Nuito, sozinho, o teria vencido e matado? E mais: amigos brigando entre si, arrancando pedaços uns dos outros, bah. Goku vs Vegeta feelings. Nada pode ser melhor.

    O final do capítulo ficou sensacional, e criou um gatilho interessante pro próximo. Se o que você me disse pelo whats é verdade, então os próximos episódios de Blood Trip têm uma tendência de serem melhores do que nunca. Especialmente, não esperava que Senzo morresse agora; afinal, como Nigthcrawler, é um personagem presente há tanto tempo... espero que você seja capaz de mitigar isso, ou nos dar algo semelhante em troca.

    Aliás, tiradinha de sarro do dia:



    Rapaz, acho difícil alguém "solar" sem que seja "sozinho", certo, Carlos?

    Tô brincando. Astronis e Arieswar são os jogadores antigos mais inspiradores, sem dúvidas.

    Valeu, Carlão! Excelente capítulo, como de praxe. Aguardo pelo próximo.

    []'s
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Cara, eu achei que essa batalha entre amigos foi mais parecida com Hashirama x Madara

    Suas dúvidas serão respondidas aqui neste capítulos. Deixei bastante mistério mesmo, até porque tem mais coisas a serem explicadas antes do gran finale, algumas podem ajudar a colocar os primeiros trilhos para a sequência, que eu infelizmente não sei quando darei início. E sim, os próximos serão excelentes, que espero que seja não só do seu agrado como de todos que estão lendo ou irão ler.

    Btw, quando escrevi isso aí eu tava tão empolgado que nem percebi já corrigi, agradeço.


    Agradeço a presença constante e que goste do capítulo!














    Atenção: Esse aqui é o epílogo da história do Senzo, mas não de Bloodtrip. Calmem aí que teremos mais alguns capítulos antes do fim, revelando tudo a respeito da Irmandade. Também irá revelar mais coisas sobre a história do Senzo.

    Espero que gostem!




    No capítulo anterior:
    Nuito forja uma espada a partir do Aço Negro, entregue em sua forma plena por Morgana. Ela funciona perfeitamente, e ele a usa para combater Senzo no Musenki, alheio aos avisos de que é loucura entrar lá sozinho. Após uma luta ferrenha contra seu amigo, ele o abandona no deserto e volta para Edron, vitorioso.





    Capítulo 32.5 – Falso Epílogo



    Nuito chegou em Edron do mesmo jeito que saiu do combate, usando o tapete mágico de Darashia. Ele caminhou no meio da cidade com a espada quebrada em mãos, atraindo todo tipo de olhar. Ele andou até o acampamento principal, passou por todos, que o encaravam com expressões ainda piores, e chegou até o Musenki. Sem olhar pros lados, nem para trás.

    Desde a noite passada que os edronianos estão procurando por Nuito e Senzo. Após a explosão, tudo que se ouviu foi silêncio. Morgana e Aria, junto do general David Steelsoul, avançaram na direção daquele lugar contaminado, e para a surpresa deles, uma grande área daquele lugar estava curada. Pouco do bioma esquisito sobrou.

    Quando Nuito apareceu, Ember, que estava junto das patrulhas, foi a primeira a notá-lo. Ela correu na sua direção e o abraçou, mas logo em seguida, ele caiu no chão junto com ela, desmaiado. Só voltou a consciência quando estava na cidade, onde na entrada, junto da maior parte do acampamento, fora consagrado o herói que destruiu Senzo e seu maligno Akonancore. A partir daí, ele foi consagrado como um herói, e as pessoas comemoraram e gritaram seu nome, aliviados e muito animados.

    Internaram o rapaz no melhor hospital da cidade para recuperá-lo o quanto antes. Ele ficou sob a vigia atenta de Ember, e passou cinco dias lá. Quando finalmente se recuperou, recebeu até mesmo sua armadura, devidamente recuperada, junto da sua espada, mas ela ficou mais como um espólio de guerra ou algo parecido, uma vez que o tipo de material que ele usou não podia ser encontrado em qualquer lugar de Tibia para recuperá-la. Afinal, é a criação de Nuito.

    Sua fama correu por Edron, atraindo a atenção até mesmo do governador, que veio até o seu quarto para conversar com ele quando este recebeu alta. Mas as questões dele foram rápidas e simples. Ele, Charles Steelsoul, e a nobreza de Thais, que assume grande influência sobre a ilha, precisa saber sobre onde Senzo está e o que aconteceu. Nuito hesitou em dizer, mas acabou explicando que Senzo usou alguma espécie de teletransporte que o levou até Darashia, onde Nuito conseguiu derrotá-lo. Fazia sentido, afinal, no dia anterior, o governador fora informado de rumores a respeito de explosões ocorrendo ao norte de Darashia graças ao mestre de tapete no topo do Centro Comercial Edroniano.

    Mas Nuito não falou se ele matou o criador do Akonancore ou não. Simplesmente falou que o derrotou. Embora todos tivessem acreditado no que Nuito disse, o governador não.

    Charles Steelsoul não era nem um pouco parecido com os governadores poderosos que já assumiram Edron no passado. Ele era medroso. Temia espíritos e coisas do tipo. E temia que Senzo retornasse para se vingar da cidade e terminar o que começou. Por isso, ele queria que Nuito fosse franco e dissesse ao menos onde ele o viu pela última vez. Nuito acabou se irritando, não contando. Era óbvio que o último lugar que o viu foi em Darashia.

    O governador irritou-se. Iniciou uma discussão com Nuito, cujo não aceitava que Charles falasse o que bem pensasse daquele que um dia foi seu amigo. As palavras daquele homem foram tão ofensivas e danosas quanto aço. E ainda estressado com tudo que lidou, ele socou o rosto de Charles, num acesso de fúria que não durou mais que dez segundos. Bastou ele olhar para Ember, logo ao lado dele, para entender o que fez.

    Nuito foi preso pelo seu ato estúpido e ofensivo. Do trono, Charles Steelsoul ordenava sua execução imediata. Mas um herói recém-criado não podia ser morto assim sem mais nem menos. Todos falavam do quão heroico Nuito fora. Então, seria mais difícil do que parece.

    No fim, Nuito acabou caindo num julgamento dentro do próprio palácio, numa grande sala reservada para discussões sobre o futuro da nação – reformada para parecer uma casa da lei. Ember assistia com muita apreensão as perguntas direcionadas ao réu, mas este simplesmente não contribuía como deveria. Ele não sabia como Senzo estava, então não há resposta clara. O julgamento se arrastava entre acusações e provas vazias. Nem as autoridades que foram para Darashia encontraram algo. Mas o governador apenas gritava “matem-no!” “executem esse infeliz!”, o que levou o julgamento a ser direcionado apenas ao ato de agressão contra seu líder e monarca.

    O resultado foi a vida na prisão. Nuito não achava tão ruim, mas sabia o que aconteceria. Ember viria salvá-lo, eles fugiriam, provavelmente a elfa mataria alguém no processo. Seriam caçados em Edron, então fugiriam para o continente ou para Yalahar. Mesmo que conseguissem viver em paz, formando uma família, eventualmente descobririam quem Nuito era, e enviariam mercenários ou caçadores de recompensa para complicar suas vidas e os obrigarem a continuar fugindo. Nuito não queria isso, pois sabe que uma hora ou outra veria Ember ou ele sendo mortos, ou até mesmo seus filhos. Seria o pior cenário possível.

    E ele não conseguiria viver por muito tempo com o pecado que cometeu. A criação do Musenki é coisa dele. Ele sabia bem disso. Então não podia manter aquilo como segredo para sempre. Dessa forma, ele inverteu totalmente o julgamento, assumindo o que fez. O resultado mudou. Todos ficaram em choque.

    A condenação de Nuito foi revogada e a decisão final foi adiada para mais algum tempo, pois o lugar virou um verdadeiro dilúvio de xingamentos, ofensas, acusações e toda e qualquer coisa que ajudasse o clima a virar um verdadeiro caos. Dois lados foram criados: Aqueles que entendiam o que Nuito fizera, que foi necessário para derrotar Senzo, e os outros que queriam que ele fosse punido por ter maculado a terra de forma que um alto número de pessoas morreram só de pisar nela, e que o que fez para curá-la não foi o suficiente.

    Ember apareceu um dia para tentar tirá-lo da prisão antes que o julgamento fosse resumido, mas Nuito foi previsível: Ele a mandou embora. Pediu para que ela fosse embora para Yalahar para criar o filho que teriam, e que vendesse o aço que criou para levantar fundos. Desejava que a gravidez desse certo para que então um gracioso meio-elfo nascesse e levasse seu legado adiante. Levou um tempo até Ember concordar com aquele absurdo, e dar adeus ao seu amado, de forma muito dolorosa.

    Após uma semana, Nuito foi condenado a morte por causa das 552 mortes causadas pelo Musenki, o bioma que ele criou, o que inspirou a criação de leis de proteção ambiental mais tarde. Apesar dele ter ajudado a curar a terra, era necessária uma punição. E Nuito a aceitou de bom grado, sendo executado dias mais tarde em praça pública, com um sorriso. Não tinha certeza se seu amigo estava salvo, mas ao menos evitou que mais mortes ocorressem. Ele se foi sabendo que salvou o mundo, mesmo que ao custo da família que formaria com Ember, e da amizade com a pessoa mais peculiar que conheceu.

    Senzo assistiu a distância com Miraya, e logo os dois sumiram tão abruptamente quanto apareceram. O alquimista, que recebeu os membros perdidos de volta graças a sua parceira, passou a viver em Darashia, nas ruínas daquele vilarejo, na sua antiga casa. Ele tentava, a todo custo, melhorar o Akonancore, mas não havia mais nada a ser feito. Um dia, entretanto, ele conseguiu algo diferente: Ele uniu a forma original do Nancore com o Akonancore, e criou algo novo. Um líquido verde, bem mais gosmento do que de costume, mas que não criava nada. Senzo nem sabia para o quê aquilo servia, então pegou tudo que criou e atirou no mar dentro de potes, irritado e frustrado.

    As coisas pioraram com o tempo. Havia sempre a necessidade de ir para a cidade pra buscar suprimentos, o que Miraya fazia, mas isso deixava Senzo paranoico, chegando perto de uma crise de pânico. Ele chegava a abraçar Miraya e se ajoelhar em frente dela quando ela voltava, tamanho o desespero que sentia. Ele não conseguia progresso. Estava estagnado, sem opções.

    Um dia, entretanto, Miraya foi para a cidade, mas não voltou. Senzo desesperou-se de tal forma que bebeu o Akonancore novamente, quase morrendo no processo, e correu para o deserto, vagando por quase um dia. Encontrou Miraya estirada no chão, numa noite, sem os braços e as pernas, pois estes se transformaram em mariposas para perseguir alguém. O mesmo alguém que enterrou uma flecha de forma certeira na cabeça dela.

    Era óbvio quem atirou a flecha.

    Senzo, irritado, até então esteve vivendo com a perna, o braço e o olho recuperados pelo poder de criação que ainda sobrou em Miraya, mas após ela morrer, estas coisas que foram criadas por ela estavam começando a perder sua força e rigidez, virando asas de mariposa pouco a pouco. Por isso, ele não tinha tempo para perder. Ele avançou até Darashia, e simplesmente começou a fazer um estardalhaço neurótico logo quando chegou no centro da cidade. Quando ele viu guardas edronianos e darashitas indo até a sua direção para calá-lo, ele criou algo que nunca criou até então: Agulhas. Ele criou mil delas, a partir do céu, e jogou sobre todos que estavam por perto.

    Ninguém sabe até hoje quantas pessoas morreram em Darashia naquele dia. Sabe-se apenas que um mago de batalha estranho, com um colar com um losango verde, surgiu da entrada sul, defendeu todas as agulhas e decapitou Senzo quando este não estava vendo. Um fim miserável para alguém que terminou miserável. Depois de ter feito algo tão revolucionário como o Nancore, aquele fim parecia totalmente deplorável para alguém como ele.

    O grupo peculiar formado no Centro das Almas de Ferro agora se resumia apenas a Ember. Ela de fato foi para Yalahar, mas não conseguiu se manter lá. Resolveu alguns assuntos após sair da cidade e sumiu. Dizem que ela pegou um barco de vela e rumou em direção ao leste, para nunca mais voltar. O destino de sua gravidez é desconhecido.

    — É... Repassando toda essa história agora que eu a falei, ela parece completamente miserável e estúpida. Uma história recheada de drama desnecessário. Horrível até o âmago. Que, por sinal, é a sua história, não é?

    “Que ridículo... E pensar que, um dia, você realmente queria me desafiar. ‘Me assista’, não é? Eu estive assistindo. E como você pode ver, você não venceu. Agora, está caído na minha frente, esperando que o seu fim não seja como acabamos de ver, não é mesmo? “

    “Você é um imbecil, um monte de lixo respirando e andando. Desde o começo, teimava em superar seu amigo, enquanto seu amigo só queria que você fosse você mesmo. Mas o que esperar de um miserável que só viveu do amor dos pais e jamais teve alguém pra chamar de melhor amigo até Nuito aparecer? O pior é você ter se relado apenas nele e em Miraya, acreditando que eles e o Nancore era tudo que precisava para ser um gênio que mudaria o mundo.”

    “Acontece que gênios não morrem decapitados. Gênios morrem de alguma doença ou algo do tipo, mas seus nomes ficam gravados na história. E o seu? Será proibida a menção pelo resto da dinastia Steelsoul, que eu duvido que acabe tão rápido. Mas isso não é o pior. É que, enquanto você se manteve com sua massinha de brincar, Nuito explorou e mapeou a maior parte de Tiquanda, encontrou inúmeras criaturas, flora e fauna inexploradas, estabeleceu um contato mais avançado com os macacos de Banuta e os lagartos de Chor, e encontrou uma via de Porto Esperança para Ankrahmun totalmente segura. Isso foi extremamente útil e conveniente para os humanos daquele continente.

    “Ele entrou pra história. Principalmente porque o mapeamento da fauna que ele fez ajudou a encontrar plantas que ajudaram a criar as poções mais avançadas até então da história de Tibia. A recentemente criada Poção do Espírito Grande* é diretamente atribuída a exploração do sul de Tiquanda, feita por ele. E pra terminar, ele ainda conseguiu criar algo pra destruir suas criações, sendo que ele nem mesmo é um alquimista. HAHAHAH! Em tantos milênios de existência, eu nunca vi alguém tão fracassado igual a você. Tanto que você nem mesmo conseguiu lutar contra Nuito direito quando viu ele destruindo cada uma das coisas criadas pelo Akonancore. Estava em choque, eu vi.”

    “Mas, contudo... Será que eu seria cruel o suficiente para não lhe dar o que você precisa, depois de tudo que passou? Ah, mas eu acho que sim. Não lhe devo nada, Senzo Saisho Damasukas. Mas você deve a mim. Parte do Nancore foi criada usando algo que me pertence. Então, você tem o dever de continuar esse legado, para a sua alegria. Ou tristeza.”

    “É isso mesmo. Eu estou lhe dando uma nova chance, Senzo. Você vai abraçar essa chance e se jogar no abismo de futilidade e desgraça que Tibia é, mais uma vez, pois é o que gente do seu tipo merece. Esse é o meu desejo, e se você falhar mais uma vez, farei questão de limpar você da própria existência, e seu espírito jamais será encontrado de novo para que você veja a luz mais uma vez. Pois não existe paraíso ou inferno para vermes como você. Você, uma cria ínfera como é, tem apenas o dever de me obedecer, se quiser ver seu sonho de domínio tibiano virando realidade.”

    “Isso. Eu lhe darei o que tanto buscava conseguir com o Akonancore. E então, você finalmente conseguirá o que quer. Mas lembre-se bem, Senzo. Sozinho, não conseguirá nada. Mas criando seguidores, você conseguirá tudo.”

    “Faça o desejo de Machina ser real. Eu sou a única coisa que você precisa, por agora.”

    — Eu não temo você. Mas farei o que quer. Pelo bem de Tibia.
    — Pelo bem de mim mesmo, então. E dessa vez, você será conhecido como Senzo Niban, e apenas isso. Trace seu caminho até o momento fatídico. Depois, eu tomarei as rédeas.
    — Posso ao menos trazer alguém de volta comigo para me ajudar? Tenho certeza que ele servirá bem para o seu... Caso.
    — Se espera trazer Nuito de volta, isso não irá acontecer.
    — É outra pessoa. Que sofreu um fim injusto.
    — Entendo...

    No meio daquele imenso vazio, aquele campo claro, branco e colossal, o miserável homem pálido, sentado no chão com dificuldade, sem uma perna e um braço, busca tirar algo do vazio. E, aparentemente, ele está conseguindo.

    — Pois bem. Vamos começar nosso plano, Senzo Niban.







    Próximo: Capítulo 32.5.5 – Monólogo







    Notas:


    *: Tradução livre para Great Spirit Potion.







    O próximo sai essa semana mesmo, fiquem ligados.

    Publicidade:



    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~ Bloodoath ~ ◉ ~~ ◉



Permissões de Postagem

  • Você não pode iniciar novos tópicos
  • Você não pode enviar respostas
  • Você não pode enviar anexos
  • Você não pode editar suas mensagens
  •