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Tópico: Bloodtrip

  1. #101
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    Cara, impressionante a evolução que a história teve nos últimos capítulos; aliás, não só a história, sua escrita também. Digo isso porque reli alguns capítulos mais antigos pra me situar novamente, e esse avanço foi notável. Meus parabéns!

    Tanta coisa que eu nem sei por onde começar, de verdade.

    Foi tanta tragédia junta que desconfio que seu nome seja Carlos R.R. Martin. Três personagens importantíssimos pra vala e os outros ficando na rabeira, inclusive o Crawler... Realmente complicado de digerir (tô falando de vc, Borges, sdds). Mas, ao mesmo tempo, a carga de dramaticidade que isso deu pra história foi enorme e deixou a batalha que se seguiu muito mais legal. Somando isso à revelação sobre o pacto do Suzio e como ele demonstrou seu lado, digamos, mais humano nesse final de capítulo, o resultado foi excelente. Sempre gostei mais do Dartaul do que do Crawler e, apesar de manter minha opinião, com certeza vou relativizar mais as ações dos dois depois de tudo isso. É sempre interessante ver protagonistas que oscilam o tempo todo entre o lado do "bem" e do "mal", afinal, humanos são assim mesmo (o que me lembra muito tbm esse rapaz da minha assinatura).

    Bom, peço perdão pelo sumiço. Aos poucos vou voltando ao meu ritmo normal de leitura e escrita por aqui. Aguardo bastante pela sequência!

    Abraço!

    Publicidade:
    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  2. #102
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    Padrão Capítulo 22 - Nightcrawler II

    Citação Postado originalmente por Iridium Ver Post
    Saudações!

    Porra, Dartaul! HAUEHAUEHAUEHUHE

    Brincadeiras à parte, é bom ver um retcom na morte dele ehueheuheuehueh

    Ver ambos no limite, tanto Nightcrawler quanto ele, causa muito mais aperto no peito para o cenário como um todo. Tudo está caminhando para o final, Redchain se fodeu (aleluia, senhor), mas mexeu com o emocional do Suzio (curiosa para ver do que se trata isso aí. Memórias falsas? Quem é o responsável, se é que há algum?). Também quero saber do(a) capeta Varmuda... Você tem certo gosto e carinho pelos capetas aheuaehueh

    Apesar de que, de certa forma, Demônios e Dragões são o coração de Tibia. Independente do update, isso não parece mudar.

    De qualquer maneira, muito bom capítulo! Ainda estranho um pouco a narrativa no presente, mas sei que te deixa infinitamente mais confortável; aguardo o próximo capítulo!



    Abraço,
    Iridium.
    Diga aí Iridium, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Estive pensando há muito tempo como dar procedência nessa parte, e é bom que estejam sentindo a pressão que os protagonistas estão sentindo.

    Btw, realmente, dragões e demônios compõem o universo tibiano. Quando não é um, é outro. E eu prefiro os demônios por serem mais assustadores e menos místicos e fantasiosos.

    E eu espero que goste deste capítulo!

    Citação Postado originalmente por Neal Caffrey Ver Post
    Pontuando uma coisa que acho necessária: Nightcrawler é um personagem, digamos, interessante. As duplas interpretações que ele oferta a respeito dos mesmos fatos são importantes pra fins de se analisar ambos os lados. Sou um entusiasta desse personagem, acho que você o trabalhou com perfeição.

    Outro ponto: sua escrita, Carlos, o modo como você desenvolve suas narrações, tudo é muito inspirador. A perfeição no uso do vernáculo só contrasta com a sua habilidade de criar coisas novas e interessantes a todo tempo, tudo sempre muito linear, tudo sempre muito pé por pé, passo por passo, cena por cena. Uma vez mais, porque elogios não precisam ser repetidos, mas devem: você é uma inspiração.

    Keep going. Sempre que houver tempo e possibilidade, estarei aqui. Mas, de cara, já digo que Bloodtrip é uma das histórias inspiradoras da seção.
    Grande Neal, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Nightcrawler é um dos personagens que mais me dediquei nos últimos anos. Ele é um protagonista que sempre quis fazer em uma história, e quando tive a ideia de Bloodtrip, foi perfeito colocá-lo nela. Sinto que é o lugar dele e onde certamente iriam gostar dele.

    Agradeço mesmo pelos elogios à minha escrita. Usei Bloodtrip para aprimorá-la. Eu fico feliz que até mesmo você, um dos escritores de mão mais caprichosa dessa seção, esteja elogiando ela. Meu esforço na narrativa daqui foi torná-la realista, jogando os lances parte por parte e te afundando na história pouco a pouco. Foi algo que aprendi com o mesmo cara que me incentivou a começar nessa seção, e estou tentando botar em prática aqui. Sinto-me feliz por estar funcionando.

    Obrigado por tudo, Neal! Estou feliz que eu seja uma inspiração para os outros.

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí!

    Cara, impressionante a evolução que a história teve nos últimos capítulos; aliás, não só a história, sua escrita também. Digo isso porque reli alguns capítulos mais antigos pra me situar novamente, e esse avanço foi notável. Meus parabéns!

    Tanta coisa que eu nem sei por onde começar, de verdade.

    Foi tanta tragédia junta que desconfio que seu nome seja Carlos R.R. Martin. Três personagens importantíssimos pra vala e os outros ficando na rabeira, inclusive o Crawler... Realmente complicado de digerir (tô falando de vc, Borges, sdds). Mas, ao mesmo tempo, a carga de dramaticidade que isso deu pra história foi enorme e deixou a batalha que se seguiu muito mais legal. Somando isso à revelação sobre o pacto do Suzio e como ele demonstrou seu lado, digamos, mais humano nesse final de capítulo, o resultado foi excelente. Sempre gostei mais do Dartaul do que do Crawler e, apesar de manter minha opinião, com certeza vou relativizar mais as ações dos dois depois de tudo isso. É sempre interessante ver protagonistas que oscilam o tempo todo entre o lado do "bem" e do "mal", afinal, humanos são assim mesmo (o que me lembra muito tbm esse rapaz da minha assinatura).

    Bom, peço perdão pelo sumiço. Aos poucos vou voltando ao meu ritmo normal de leitura e escrita por aqui. Aguardo bastante pela sequência!

    Abraço!
    Diga aí Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.

    Já era chamado de discípulo de Martin antes mesmo dessa história. Aqui eu botei pra trabalhar essa "matança de personagens" e funcionou bem.

    E sim, realmente quis jogar um monte de coisas pra cima dos leitores aqui, e como eu disse antes, eu ia fazer isso. E era pra vocês se prepararem, então, considerei que todos estavam prontos pra receber a enxurrada. E eu inclusive me perguntei como você reagiria ao ver esse lado humano de Nightcrawler. Você pode tentar vê-lo como o Itachi, por exemplo. Pode ter feito um monte de merda, mas sempre há motivos. Há muitos motivos para o fato dele ser daquele jeito. Assim como Nightcrawler. Ou você pode usar o próprio Lelouch, como você disse. Nesses quesitos, acho que o Lelouch se aproxima mais do Nightcrawler. Ambos usam máscara, ambos são estrategistas geniais e ambos tem grandes problemas pessoais. (E prometidas dos quais eles não ligam )

    Sumiço perdoado. Espero que goste do próximo capítulo!







    Perdão pela demora galera, coisas aconteceram e esse capítulo exigiu um trabalho mais dedicado. O motivo é que ele originalmente seria um conto longo, mas depois de chegar na décima quarta página do Word, notei que não dava pra postar. Parti em dois novamente. Mas a próxima parte sairá logo na semana que vem.

    E eu me tornei um jornalista, deixem seus foda-se parabéns nos comentários!

    E esse é inclusive meu primeiro capítulo publicado como alguém da equipe TBR. Estou feliz por isso, de verdade.


    Bem, espero que gostem desse capítulo!





    No capítulo anterior:
    Nightcrawler revela poderes ocultos e usa-os para matar Redchain. Esses são descobertos por Dartaul, que questiona-o sobre, mas Nightcrawler responde-o de forma muito inesperada. Sem falar que o corpo de Redchain é, na verdade, o da rainha Eloise.




    Capítulo 22 – Nightcrawler
    Parte 2 – As Plataformas para o Nada





    Por que um dos mais geniais feiticeiros de Thais veio até a mim?...

    Será que sua ânsia por poder era maior que seu orgulho como alguém... Bom?


    04 de Agosto de 466


    Suzio vê a si mesmo mais novo. É dia, e o pântano de Green Claw, mesmo distante, enche seu nariz com um péssimo cheiro. E naquele lugar, no limite para as Planícies do Horror, ele aguarda, abaixo de uma árvore, alguém importante.

    Seus olhos pousam em um grupo vindo rápido. Composto por seis pessoas, quatro delas chegam em cavalos, uma numa Pantera da Meia Noite* e a última num Lagarto de Lata**. Essa última parece a melhor equipada do grupo, usando uma roupa de membro da Irmandade dos Ossos, versão feminina.

    Suzio levanta-se enquanto seus companheiros se aproximam. Ele passa a mão por onde sentou, visando limpar um pouco o lugar, e dá alguns passos pra frente. O grupo para.

    — Finalmente! Já estava criando raízes de tanto esperar! — Grita Suzio, sorrindo.
    — Ah, cala a boca, Suzio. Você que é muito ligeirinho. Por isso está sozinho. — Diz a membro da Irmandade dos Ossos. Ela retira o capuz e mostra um rosto que vê o caminho da meia-idade, portando cabelos ruivos, quase vermelhos, e nenhum detalhe a mais no rosto, senão seus olhos negros e seu nariz fino.
    — Não sou ligeirinho, e sim pontual. Deveriam ser assim também!

    A mulher sorri. O grupo ameaça descer das montarias, mas Suzio age mais rápido.

    — Não saiam daí! O outro grupo já está na entrada e limpou o caminho pra gente! Vamos logo!
    — Já? — Disse um dos aventureiros do grupo. Este está num cavalo cinza e possui um visual completo de caçador. — Achei que iam demorar mais, por isso fomos buscar mais suprimentos!
    — Bem, então não há tempo. Vamos indo, pessoal! — Disse outro aventureiro, usando um visual completo de cavaleiro, montado num cavalo marrom. Ele parece mais velho que o restante e também parece o líder.

    Suzio também possui sua montaria, que ele invoca com magia: Um urso. Ele o acaricia, monta-o e avança para o sul, junto do grupo.

    O rapaz, tendo apenas vinte e seis anos nessa época, era um mago prodígio. Usava um chapéu e uma capa roxa, cujos são mágicos; além deles, usava botas com reproduções de asas no tornozelo e uma calça azul e leve. Na cintura, levava sua Varinha de Vodu, além de runas essenciais em seu cinto e uma mochila cheia delas, bem como poções e uma varinha reserva. Levava consigo um Holy Tible, um livro sagrado tibiano que possui um símbolo de um T dourado no centro, e este se encontra numa sacola branca reserva na sua cintura. Havia mais poções e runas numa mochila presa na sela da sua montaria. Estava preparado para o que quer que venha naquela missão, apesar de que ele não sabia dizer o mesmo do seu estado mental.

    O grupo, enquanto anda pelas planícies, percebe que há várias aranhas gigantes mortas, bem como mortos-vivos, ciclopes, minotauros e orcs, assim como algumas criaturas menores.

    — Eles sabem fazer mesmo um bom trabalho... — Disse um dos aventureiros. Este usa uma roupa de Cavaleiro do Pesadelo, faltando apenas o escudo e a lança.
    — Bem, eles também esperam uma boa ajuda nossa para chegar até a recompensa, então isso foi o mínimo que deveriam fazer por nós. — Comenta o cavaleiro, não deixando de observar a quantidade de corpos no caminho.

    Suzio observa o céu, com um sol quase coberto por nuvens, mas ainda iluminando aquele terreno decrépito. Ao olhar para ele, seu olhar fraqueja um pouco e ele abaixa a cabeça, pondo seus olhos sobre alguém que está perigosamente próximo dele. A pessoa montada na pantera, uma moça de pelo menos vinte e três anos, de cabelos loiros, com sardas levemente escuras pelo rosto, uma pequena cicatriz abaixo do nariz indo até seu lábio superior, e olhos intensamente verdes. Ela também olha para ele, e cora ao notar que ele percebeu um pouco de sua admiração.

    — Ah... Suzio... Você está um pouco distraído, não? — Questiona a moça, tentando desviar o fato de que estava observando o mago.
    — Você também, Estella. — Responde o rapaz, com um meio-sorriso irônico. Ela desvia o olhar com um pequeno sorriso. — E eu mesmo não imagino o porquê de eu estar chamando a atenção de alguém tão forte como você.
    — Oh não, que isso! Não sou tão forte assim. Você tem potencial para me deixar comendo poeira, mas eu não. É só questão de tempo até que me supere.
    — Você é muito humilde...

    A druidesa abaixa a cabeça, envergonhada. Ela usa uma roupa de druida, usando também as luvas de lobo, mas não possui o capuz característico. Para Suzio, ela parece mais bonita dessa forma.

    O grupo passa por uma casa em ruínas e então chega até outra menor, ao sul, ao lado de um rio. Ao entrarem, notam que o grupo amigo já estava ali, esperando. Há seis membros neste grupo, enquanto o outro possui sete. Treze tibianos prontos para enfrentar o inferno.

    O líder deles se aproxima, e é uma mulher alta, aparentemente com bom físico, usando uma armadura completa dos Cavaleiros do Pesadelo, levando o grande escudo deles em uma das mãos, mas com a lança nas costas. A maior parte da armadura é negra, com algumas áreas tingidas de azul escuro. Há um buraco atrás dela, cercado pelos membros do grupo. O cavaleiro, líder do grupo de Suzio, toma a frente.

    — Fizeram um bom trabalho lá atrás. Só podia ser seu grupo mesmo, Brelda.
    — Aquilo não foi nada, Zack. Verá muito mais lá embaixo. E eu espero ver o mesmo do seu grupo, também. — Disse Brelda, com uma voz forte e intimidadora. Seu respeito é transmitido pelos olhos de todos ali, que possuem certo medo de terem suas cabeças esmagadas pelos pés enormes dela.
    — Vai ver. Vamos indo!

    O grupo todo desce o buraco e os magos se apressam em iluminar o caminho com magias fortes de luz, revelando paredes feitas de pedra, bastante antigas visualmente. Eles seguem o caminho para o nordeste, onde encontram outra pessoa, esta com um visual de Wizard completo. Há uma pequena luz vermelha saindo de cada um de seus olhos, também intimidando os outros membros. Ele está sentado em cima de uma tumba, reforçando sua aparência.

    — Laghoris. Tudo certo por aqui? — Pergunta Brelda, aproximando-se do rapaz. Ele assente com a cabeça.

    Todos do grupo puxam frascos com sangue de suas mochilas. Laghoris é o primeiro, derramando-o sobre a tumba de Goshnar e desaparecendo logo em seguida. O grupo rapidamente faz uma fila, como planejado anteriormente, e em sequência, cada um derrama o frasco sobre a tumba, sendo levados para uma sala logo abaixo.

    Em três minutos, todos estão lá embaixo. Aparentemente, havia alguns mortos-vivos ali, mas foram rapidamente mortos por Laghoris. A presença deste feiticeiro, bem como de Brelda, Suzio, Zack e Estella, parecem acalmar o restante do grupo, que normalmente ficaria mais tenso ao entrar naquele lugar. Em silencio, eles se dirigem ao norte, até a direção de uma parede mágica. Ao chegarem à frente dela, eles são levados para outra sala. O feiticeiro novamente guia o grupo até um buraco, este todo feito de terra, do chão ao teto.

    Logo adiante, está uma fonte brilhante, de porte médio e funcionando, com água fluindo. O grupo parece ignorá-la, mas Suzio se aproxima dela por curiosidade.

    — Ei, Suzio. Sem desvios. Qualquer erro nessa missão significa nosso fim. — Disse Zack, notando o que Suzio está fazendo. Ele o surpreende, bem como o resto do grupo, ao beber da água dessa fonte.

    Após alguns instantes, ele parece normal, sem algo diferente na sua aparência.

    — Ora. Me sinto melhor até.
    — Não ouviu, feiticeiro? Sem desvios! — Vocifera Brelda, já incomodada. Suzio dá de ombros e volta à formação do grupo.

    O grupo passa por uma porta à direita da fonte, cercada por um pouco de grama, levemente escura e curiosa. Após a porta, há um buraco, por onde o time todo desce. Na sala abaixo, há uma ponte retraída, com uma alavanca e um corpo próximos. Esse corpo pertence a uma mulher, e este desperta tensão em quem está ali. Os cavaleiros ignoram e vão arrumar a ponte, que pelo que foi dito, está com sua alavanca enferrujada.

    Estella fica próxima de Suzio durante esse tempo. Ele nota isso e não consegue deixar de reparar num sorriso tímido em seu rosto.

    — Ei, Estella. — Chama Suzio, dando um susto leve na moça. O sorriso tímido volta ao seu rosto. — Você não me parece tão atenta a missão...
    — M-Mas eu estou! Sou uma druida, tenho uma grande importância para o time.
    — Sim, é uma das melhores. Mas parece estar te faltando atenção...

    O olhar daquele Suzio mais jovem não é sombrio, tampouco vazio, mas vivo e penetrante. Aquilo faz Estella virar o rosto, com as faces coradas.

    — Desculpe. Vamos indo...

    Os dois continuam andando junto com o time após eles terem trazido de volta a ponte. Pensativo, Suzio segue rápido até uma sala com poças de lava em vários lados, com alguns locais frágeis, onde podem haver buracos. É justamente ali onde a visão do mago começa a falhar e ficar turva, e sua mente parece estar processando rápido as coisas, ao ponto dele não acompanhar o que está acontecendo perto dele. Apesar disso, ele continua andando e seguindo o time, apesar de meio cambaleante. Ele só volta ao normal quando o grupo entra na sala de vocações, um local com corredores cobertos por chamas púrpuras.

    O modo de andar confuso de Suzio havia despertado a preocupação tanto da mulher da Irmandade quanto de Estella. A primeira decide fazer alguma coisa.

    — Suzio, sente alguma coisa? — Questiona a mulher. Sua preocupação é visível em seu rosto.
    — Não, estou bem, sério. Só minha visão que estava um pouco estranha, acho que tem algo a ver com o lugar, não é?
    — Não... — Murmura pesadamente Estella — Minha visão está normal desde quando eu cheguei aqui.
    — A minha também.

    Suzio fecha a cara. Percebe que Brelda está fitando-o.

    — Suzio, sei que você é um bom partido para Estella e Stercha, mas este não é o momento.

    Estella cora e se afasta com a cabeça baixa. Já Stercha parece olhar para a cavaleira com reprovação.

    — É o meu dever checar se todos do grupo estão bem. Não me veja como uma oferecida, Brelda.
    — Que seja. Estou dando explicações importantes, então preste atenção.

    Stercha se afasta. O mago já parece irritado.

    — Muito bem, vou explicar de novo! As chamas que estão em cada um destes caminhos não irão machucar quem for da vocação correta exigida para passar por estes lugares. Se algum engraçadinho tentar ir para o lado errado, certamente será morto pelas chamas a cada passo que der. Portanto, cavaleiros, organizem-se em fila para ir ao corredor norte, druidas para o corredor ao lado do norte, feiticeiros para o corredor ao sul e paladinos para o corredor ao lado do sul. Vão!

    O grupo rapidamente forma filas e devagar entra nas chamas, devido ao receio de se queimarem. Mas elas não fazem mal algum a eles, pois estão seguindo corretamente as instruções. No corredor dos feiticeiros, Laghoris guia todos pelo caminho, Brelda guia os cavaleiros e Stercha os druidas. Os paladinos são guiados por uma figura num visual de Assassino completo.

    O grupo de feiticeiros sobe em uma caverna usando uma corda. Laghoris foi o primeiro, e Suzio, como vinha em segundo, pôde ver o rapaz destroçando um espectro com uma única magia e dois Pesadelos presos num circulo pequeno feito de fogo. O mago derrota os dois Pesadelos, mas o feiticeiro mais forte não se importa com isso.

    — E agora? — Pergunta Suzio, após todos os feiticeiros subirem. O mascarado vai até uma alavanca na ponta da sala e puxa-a, depois vai em direção dos feiticeiros, intimidando-os.
    — Vamos voltar.

    O grupo passa pelo corredor em chamas de novo e reencontra a equipe inteira. Tudo foi feito em sincronia.

    — Ótimo. — Disse Brelda. — Vamos pelo caminho principal agora.

    O time segue pelo corredor central, antes coberto por chamas, agora limpo. Ele possui algumas extremidades com estátuas semelhantes a de oráculos, com um metro e meio de altura, com uma tocha sempre na mão direita. As paredes são feitas por pedras de argila clara, tendo uma coloração amarelo-escuro. E no final deste corredor curioso, está dois buracos. Suzio ainda não parece ter uma visão cem por cento.

    Ao descer, uma grande sala de terra é revelada. O grupo de druidas joga bolas de cristal com luz dentro, apenas para revelar dezenas de demônios escondendo-se no escuro.

    —Preparem-se para o combate! — Grita Zack, tomando a frente ao lado de Brelda e de um outro cavaleiro do pesadelo. Os outros cavaleiros tomam frente, os feiticeiros e druidas ficam atrás, e os paladinos posicionam-se para dar cobertura.

    Os demônios avançam. Uma chuva de flechas, projeteis de elementos e magias são disparados na direção dos inimigos. Stercha foca na regeneração dos aliados ao lado de alguns druidas. Os escudos dos cavaleiros conseguem segurar os demônios mais agressivos, estes são verdes, possuem uma estrutura do tronco desforme e levam martelos; também há homens esqueléticos, com as mãos e a cabeça presos por uma tábua de madeira; há outros que não possuem pernas, apenas o tronco para cima, reforçados por uma armadura, além de serem bem musculosos.

    Outros ficam à distância. Espectros, demônios obesos com tridentes, gosmas gigantes que berram e seres gigantes feitas de fogo. Estas atacam os paladinos e os feiticeiros, que são auxiliados pelos druidas. O combate leva algum tempo, mas é decidido graças ao poder mágico esmagador dos feiticeiros, principalmente vindo de Laghoris e Suzio.

    Um último espectro avança sobre o grupo. Suzio toma a frente.

    Exevo Vis Hur!

    Uma onda de eletricidade atinge o inimigo, mas não parece o suficiente para derrubá-lo. O rapaz lança uma magia de energia comum, mas, surpreendentemente, o espectro segura ela com as mãos e joga ela de volta para o mago, atingindo-o em cheio na cabeça. Suzio é derrubado enquanto a criatura é destroçada por uma magia vinda de um outro feiticeiro.

    Suzio volta a si numa sala estranha, feita de pisos amarelos. Está sozinho, com dor de cabeça e com uma mochila preta com uma caveira no centro, com ossos cruzados em volta. Ele senta-se devagar e pega a mochila para ver o que tem dentro dela. Narra para si mesmo o que tem nela.

    — Um Ankh cerimonial, um anel da morte e um da vida, três pérolas de orichalcum, cinco pérolas brancas, dois orbes de alma, runas de Morte Súbita, de Cura Imediata*** e brancas, uma poção de mana comum e onze moedas de platina...?

    Suzio olha para frente. Há uma placa virada para frente e um corpo atrás dela. Há algumas áreas com fogo iluminando levemente o local, além da luz dos portais, que possuem estátuas de gárgula na frente de cada um. A área ao redor do cadáver e dos portais é preenchida por pisos brancos, e o restante por pisos negros.

    A iluminação não revela só um corpo humano na frente da placa, mas também inúmeros demônios e mortos-vivos já perecidos, além de líquidos e restos verdes em vários cantos. Aquela é a sala que leva aos tronos de cada Implacável.

    — Fui deixado pra trás?... Por quê?

    Suzio se levanta devagar, e deixa a mochila para trás. Ele caminha devagar até o corpo humano, onde percebe um livro entre seus braços. Ele está vestido de uma camisa bege comum e uma calça negra, parecia um escrivão. O livro talvez tenha sido escrito por ele. Suzio abre-o e tenta ler o conteúdo.

    ”Nós falhamos!!!

    Nós nos achamos com sorte, que não teríamos que enfrentar os Sete Implacáveis cara a cara, mas suas armadilhas e agentes mataram quase todos os cavaleiros de nosso esquadrão. Nós não alcançamos nenhum dos tronos. Eu mandei os sobreviventes para um de nossos castelos restantes para salvarem a chave. Eu ordenei a eles que me deixassem morrer aqui em desonra, já que falhei com a minha ordem!

    Taciror, o último Alto Lorde dos Cavaleiros do Pesadelo.”


    A escrita apressada, de uma língua desconhecida, quase o confunde. Mas Suzio não entende como ele é capaz de ler aquilo. Nem mesmo como o escrivão se tornou alguém com uma armadura completa dos cavaleiros do pesadelo, com cores claras, porém, cobertas em várias áreas por sangue.

    Suzio se ajoelha. Sente algo espetá-lo por trás. Um papel. Ele pega-o, abre e lê o conteúdo.

    “Desculpe, Suzio, mas precisamos que fique aqui para impedir que os demônios apareçam de novo. Fique bem e acorde logo, por favor.”

    Ele nota que há um pequeno anexo nesse papel. Ele desdobra-o para ler o que há ali.

    ”Eu também preciso que você acorde. Pois quero você na minha vida. Preciso de você. Voltarei logo.

    Estella.”


    Suzio cora, mesmo que não haja ninguém vivo ali para brincar com o que acabara de ler. O jovem realmente não havia reparado que a druidesa tem sentimentos por ele. Parece sentir-se mais motivado – o amor de uma mulher pode realmente dar forças desconhecidas a um homem. Sua visão está totalmente normal e ele não sente mais dor de cabeça.

    Entretanto, ele precisa lidar com o cheiro forte de podridão da sala que começa a subir e tomar conta do seu nariz. E fez isso por alguns minutos, enquanto sentado ao lado de uma estátua de gárgula. De repente, o grupo reaparece no centro da sala. Alguns estão feridos e sendo tratados pelos druidas, mas todos estão igualmente cheirando mal, com restos de sangue e gosma pelo corpo, além de resíduos de pó e queimados. Suzio rapidamente percebe que alguém não está ali.

    — Onde está aquele caçador?

    Os aventureiros parecem evitar falar alguma coisa e viram o rosto. Mas Brelda fita-o com um olhar sério e irritado.

    — Morto.

    Suzio arregala os olhos, mas não parece tão surpreso. Já esperava algo assim. Estella e Stercha vão até o rapaz ver se ele está bem.

    — Ei, ligeirinho! Você realmente nos assustou ali atrás. Zack te carregou até aqui, mas tome mais cuidado na próxima vez. Não quer ser carregado pela missão inteira, quer? — Disse Stercha, com um sorriso, porém, um pouco preocupada. Ela está ajoelhada e checando os pontos vitais do rapaz.
    — Bem, eu nunca vi aqueles demônios se comportarem daquela maneira...
    — E desde quando você caça demônios com frequência? É preciso ter cuidado sempre. Além disso, aquilo não era um demônio, e sim uma aparição, o que já muda as coisas.

    Suzio assente e fica calado. Estella está olhando para o time, mas é como se ela estivesse evitando um contato direto com o mago. Ele sorri, mas entende que ainda não é o momento. Ou talvez fosse. Ele não tem experiência com essas coisas. O mago fica levemente confuso.

    — Muito bem! Se tudo estiver de acordo, vamos para o trono de Infernatil! Sem demora! — Grita Brelda, preparando sua grande lança para mais um combate. O restante do grupo se prepara.

    Suzio se levanta junto de Stercha. Ela está visivelmente preocupada e com medo.

    — Você quer mesmo continuar? Deixamos você aqui pra impedir que os monstros retornem, mas não acho que isso vá acontecer tão logo...
    — Preciso ir. Quero lidar com o inferno com minhas próprias mãos.

    Estella abre um sorriso, não tímido, mas de admiração. ”Quanta coragem... E ousadia.” pensa ela.

    O grupo prepara-se para a próxima fase. Em trinta segundos, todos caminham na direção do grande orbe azul que os levaria direto para o trono ardente de Infernatil.





    Próximo: Capítulo 22 – Nightcrawler III


    Notas:

    *: Tradução livre para Midnight Panther.
    **: Tradução livre para Tin Lizzard.
    ***: Tradução livre para Ultimate Healing.


    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  3. #103
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    E aí!

    Primeiramente, parabéns pela promoção! Torço para que a experiência como jornalista daqui seja positiva e edificante pra você xD

    Quanto ao capítulo, foi uma pausa bem-vinda depois de toda a ação dos últimos. É bastante curioso ver o Nightcrawler dessa forma, muito diferente do que você nos mostrou desde o começo da história; ele jovem até parecia ser um cara legal

    Gostei da ambientação do capítulo também. Mesmo eu nunca tendo feito essa quest, não fiquei perdido nos cenários e consegui acompanhar tranquilamente a narração.

    Bom, o próximo capítulo tem tudo pra ser bem movimentado e provavelmente nos trará alguns dos fatos que transformaram a aparência e personalidade do Suzio tão radicalmente. Tô bastante curioso por isso.

    Abraço!
    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  4. #104
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    Padrão Capítulo 22 - Nightcrawler III

    Citação Postado originalmente por Edge Fencer Ver Post
    E aí!

    Primeiramente, parabéns pela promoção! Torço para que a experiência como jornalista daqui seja positiva e edificante pra você xD

    Quanto ao capítulo, foi uma pausa bem-vinda depois de toda a ação dos últimos. É bastante curioso ver o Nightcrawler dessa forma, muito diferente do que você nos mostrou desde o começo da história; ele jovem até parecia ser um cara legal

    Gostei da ambientação do capítulo também. Mesmo eu nunca tendo feito essa quest, não fiquei perdido nos cenários e consegui acompanhar tranquilamente a narração.

    Bom, o próximo capítulo tem tudo pra ser bem movimentado e provavelmente nos trará alguns dos fatos que transformaram a aparência e personalidade do Suzio tão radicalmente. Tô bastante curioso por isso.

    Abraço!
    Opa Edge, obrigado pelo comentário e pelos elogios.


    Nightcrawler, como havia dito, tinha seus motivos, e estive curioso para finalmente escrever esse capítulo. Digo isso porque todos os personagens dessa história já foram humanos como nós e já agiram como nós, se eles se tornaram algo um tanto irreal ou absurdo, foi porque algo ruim aconteceu em suas vidas. Então, talvez você goste um pouco mais do Nightcrawler depois disso.

    Também nunca fiz a PoI, me guiei pelo TibiaWiki. Felizmente, consegui me conduzir bem escrevendo e parece que teve um efeito positivo.

    Por fim, espero que entenda depois desse capítulo a mudança da personalidade de Suzio, e como ele ficou do jeito que ele está no tempo atual.

    E eu também espero que o tempo de jornalista aqui seja bom






    E aí, pessoal. Já agilizei essa nova parte pois quero terminar logo esse capítulo. Não era pra ser dividido, mas não imaginei que iria ficar tão grande. Tenho que me planejar melhor nos próximos.

    Por fim, queria mostrar um desenho que fiz do Nightcrawler. Não sei desenhar direito, mas eu tentei:



    É como imagino ele. Não fiz de corpo todo pois não tenho toda essa habilidade desenhística. Mas dá pra ter uma noção.

    No mais, agradeço por quem continua acompanhando esta história e espero que continuem até o final!




    No capítulo anterior:
    Suzio reune-se com o grupo que irá partir para as Plataformas do Inferno, uma das missões lendárias de Tibia. Eles passam por todas as tarefas até chegar nos tronos, mas Suzio por pouco não se dá mal em uma delas. Agora, o grupo enfrentará o trono de Infernatil.




    Capítulo 22 – Nightcrawler
    Parte 3 – As Plataformas para o Nada II





    Ao chegar, todos deparam-se com um local ardendo em chamas e preenchido por pisos negros. Há pontes e cruzamentos que levam devagar e sempre um grupo determinado a tocar o trono. Com isso, o time segue andando.

    — Formação! — Ordena Zack, fazendo os cavaleiros tomarem a frente, os feiticeiros ficarem no meio, os druidas atrás e os paladinos dando cobertura pelos lados. O grupo segue dessa forma até o outro lado da primeira ponte.

    Ali, o desafio começa. Demônios e mais demônios vão vindo até o grupo, mas são alvejados pouco a pouco pela formação eficiente organizada por Zack. Seja os vermelhos, os grandiosos cães do inferno, os dark torturers. Variados demônios tentam pará-los, sem êxito. Suzio, que estava no meio do grupo, fica impressionado com o que estão fazendo.

    Um grupo de quatro cães do inferno vem direto para o grupo. Dois ficam para trás e o restante avança contra a parede de escudos dos cavaleiros. Os paladinos avançam e atiram, combinando seus ataques com magias santas. Os feiticeiros bloqueiam o caminho de volta e usam suas melhores magias, e os druidas finalizam com runas de avalanche ou icicle. Ao dissipar das paredes mágicas, os cães avançam, mas são contidos por ondas de magias dos magos logo atrás. Perfeito.

    Essa formação consegue seguir com sucesso pelo lugar. Mesmo que ele seja incrivelmente quente, que as lacunas ao lado dos pisos sejam preenchidas por lava, e que o vapor muitas vezes complique a visão, o grupo segue perfeitamente, sem rodeios ou recuos. E é assim que eles chegam até próximo do trono do Implacável. Cinco demônios vermelhos, quatro cães do inferno e dois dark torturers os cumprimentam. O grupo divide-se para atacar os inimigos na esquerda e na direita, usando as mais variadas magias, combinadas com suas habilidades.

    Suzio é responsável por conter os dois últimos. Estava finalizado. Bastava ir para o trono.

    Os cavaleiros vão primeiro. Mas logo quando eles se veem a seis metros do trono, tudo começa a tremer. A lava começa a borbulhar com urgência. O chão parece até que vai ceder. O grupo retorna a sua formação novamente, para lidar com o que poderia estar vindo até eles.

    Um sino sombrio e hipnotizante toca ao fundo. Em seguida, dezenas de demônios pulam da lava e pousam na plataforma. Uma grande mistura de sentimentos inicia-se entre os integrantes do grupo. Surpresa. Dúvida. Medo. Terror. Talvez outras coisas pudessem ser sentidas, mas não é como se eles tivessem tempo para saber o que estão sentido. Estão cercados.

    Brelda grita para manterem a formação – e a coragem. Mas torna-se imensamente difícil fazer isso quando eles avançam e quebram a formação com chutes e pontapés. Agora, era cada um por si.

    Primeira badalada. Dos treze, três – contando o caçador morto no trono de Verminor – já foram mortos. Suzio afasta-se de Estella e de Stercha e começa a lutar sozinho. Vai para perto do trono e coloca paredes mágicas perto de si e coloca as poções para flutuarem ao seu lado. Começa a disparar magias e runas para todos os monstros que tentam atacar seu espaço. Ele grita pelo nome de suas amigas.

    Segunda badalada. Quatro mortos. Explosões épicas cortam o ar e eletrocutam ou congelam os demônios. Suzio revela suas habilidades de druida e começa a disparar magias de gelo sem se importar com sua mana, com seus braços, com sua voz. Conta cinquenta demônios ali.

    Terceira badalada. Seis mortos. Muitos demônios caídos no chão, alguns novos vieram novamente da lava. Suzio foca nesses. Derruba-os de volta na lava com magias poderosas. Bebe frascos de mana em alta velocidade. Renova suas paredes. Vê os cavaleiros cortando e enchendo-se de sangue demoníaco. Vê um paladino sendo atirado direto para a lava e urrando em resposta. Dezenas de gritos. Um festival de berros desesperados e dolorosos ajudavam a compor os inúmeros sons que podiam ser ouvidos naquele lugar.

    Quarta badalada. Nove mortos. Muito mais demônios estão caídos. Suzio para de prestar atenção nos membros para pensar em si mesmo. Lança mais uma explosão épica de gelo. Lança esferas de gelo, de energia, renova suas paredes, aumenta sua mana. Seus dentes estão cerrados, a adrenalina perambulando como um animal livre pelo seu corpo, as veias saltando de sangue correndo, o cérebro pesando. Sente que não vai aguentar por muito mais tempo.

    Quinta badalada. Mortos? Suzio se importa agora apenas com os demônios mortos. Contou quarenta corpos. Logo acabará. Ele conseguirá. Ele sente isso. Uma explosão épica de gelo nova. O local já fede a sangue e queimado há tempos. Sua visão está concentrada nos demônios que tentam matá-lo. O mundo ao seu redor morreu. Ele deve proteger o dele.

    Sexta badalada.

    Um Dark Torturer cai na lava sem a cabeça. É o último. Suzio mal consegue acreditar no seu poder, na sua determinação. Não sabe o que responder diante daquilo. E quando as paredes cessam, seus joelhos falham. Ele ofega. Muito. Sua mente está em branco, tentando se recuperar da ação exagerada.

    Um minuto se passa. Ele regenera-se usando duas magias de cura. Sente algumas veias queimarem ao fazer isso. Certamente seus circuitos mágicos já estavam no limite. Talvez ele não seja mais capaz de lutar como sempre lutou. Seu rosto arde muito, pois foi golpeado algumas vezes no rosto, então provavelmente há muitas queimaduras. Ele só consegue enxergar de um olho. Seu estado está lamentável.

    Apesar de tudo, ele se levanta, apenas para perceber que é o único de pé.

    — Ei... Pessoal?

    Sem resposta.

    — Pessoal... — Suzio engole em seco com o que vai falar. — Tem alguém... Vivo?

    A voz de Suzio está um pouco rouca. A quantidade de pronuncias que fez naquele ataque foi sem igual, até mesmo pra ele. Mesmo fraco e esgotado, ele anda pelos corpos, e observa a situação pós-batalha.

    Ele vê o corpo de Zack. Metade dele pra baixo está embaixo de um cão do inferno. Depois, de Brelda. As três garras enormes de um demônio vermelho estão nas suas costas. Vê mais alguns esmagados, outros queimados, outros com cortes enormes, membros faltando, buracos e rasgos feitos na carne de vários membros com alta profundidade, atingindo até mesmo seus órgãos.

    Olha para o lado. Vê o corpo de Stercha. Suas pernas não estão mais lá. Seu robe está bem rasgado e chamuscado. O olhar morto dela expressa um terror jamais visto antes pelo mago. Ele quase vomita. Mas sente algo pior ao ver um corpo familiar próximo da lava. Vestido de druida.

    —...Estella?

    Ele fita o corpo que está em parte oculto pelo pé de um demônio vermelho. Com esforço, ele tira o pé, e antes que o corpo deslize direto para a lava, ele o puxa.

    Péssimo ato.

    É o corpo de Estella. Suas costas e metade das suas pernas estão esmagadas, sua perna direita tem uma fratura exposta: O fêmur quebrado atravessa as costas de sua coxa. Mas não se compara com o que está acima. Sua cabeça estava mergulhada na lava. Agora, só resta alguns fios resistentes de cabelo e uma caveira queimada.

    Suzio solta o corpo e senta no chão, afastando-se. Mil pensamentos golpeiam a sua cabeça. As mais variadas imagens. As mais variadas cenas. Sente que aquilo pode ter sido culpa dele, ou o destino realmente conspirou contra ele. Mas logo ele não sabe o que pensar ou dizer. Aquilo está o enlouquecendo. Seu desespero está muito além do que um humano normal é capaz de suportar. Está ficando catatônico. Suas mãos esmagam sua própria cabeça. O grito está vindo.

    — Ah... Então é assim que os humanos ficam quando o desespero os consome por completo.

    Suzio acorda. Devagar, ele olha para trás. Um demônio vermelho, deitado no chão, quase morto. Seus olhos não eram verdes, e sim alaranjados. O mago já pensa que está louco.

    — Ora... Demônios também sabem falar, seu animalzinho de quinta. Você perdeu tudo aqui, não é?

    Suzio não responde. Apenas abaixa sua cabeça para o chão. Há sangue ali.

    — É... Você destruiu a companhia onde eu lutava... Junto dos seus amigos. Mas só você sobreviveu, pois você foi mais... Esperto. Mas não me importo. Você fez um favor para mim.

    Suzio permanece sem responder.

    — Argh... Que merda. Muito bem... Mago. Aceite a realidade. Veja bem, sua amiga ali foi morta graças a um de seus companheiros. Ele a empurrou no chão e ela foi esmagada sem querer pelo meu primo, que também lutava comigo. A cabeça dela acabou caindo na lava e ela não conseguia se levantar, tampouco sua cabeça... E quando ele finalmente morreu, ela já estava morta. Ficou agonizando por vinte segundos, apenas.
    “Sua amiga da Irmandade dos Ossos morreu tendo as pernas comidas por um cão infernal e levando um rombo no peito com uma magia de um torturador. E aquela mulher bruta que comandava vocês foi socada e chutada pelos demônios até que sua cabeça fosse chutada em direção das garras de um deles. Depois, ele a pregou no chão com as próprias, antes de acabar morrendo pra uma magia sua.”
    “O feiticeiro mais poderoso daqui foi atirado em direção da lava. Morte humilhante. Na verdade, a de todos aqui foi mais que humilhante. Foi ridícula. Não sei direito o que aconteceu, mas sei de uma coisa: Você sobreviveu. É o único do seu grupo vivo. Se quiser vingá-los, se quiser honrar a morte deles e fazer jus as vidas que eles deram aqui, me cure e eu te ajudarei a sair daqui. Isso é uma promessa.”

    Suzio olha por alguns instantes na direção do demônio. Ele falava tudo de forma convincente. Persuasiva. De certa forma, ele falava a verdade. E não havia opção para ele, pois sabia que se fosse sozinho para outro trono, morreria em vão. Há um motivo para ele ter sobrevivido, e ele deve encontrá-lo, em nome de quem morreu.

    Apesar das dúvidas, Suzio atende o pedido do demônio. Cura somente uma ferida grande na região de uma costela da criatura e se afasta.

    — Tsc. Francamente... Mas vamos lá.

    Os olhos do demônio são preenchidos por losangos negros e por uma esfera laranja no centro. Eles começam a girar, ao mesmo tempo que a cabeça de Suzio também girava.

    Suzio acorda de novo. Está em um quarto, onde há um tapete de estilo veneziano abaixo de seus pés, pisos de madeira maciça e paredes feitas de tijolos marrons. Também há uma escrivaninha atrás dele, onde se encontra seus itens.

    E de repente, um conjunto de bordas brilhantes surge no fundo do quarto iluminado apenas por dois candelabros em cima da escrivaninha. O demônio de antes. Ele está sentado, apenas uma das pernas está no chão, a outra sustenta um braço seu.

    — Bem vindo a minha dimensão... Suzio.

    Ele engole em seco.

    — Como... Sabe o meu nome?
    —Ah, o ratinho sabe falar. Bem, ouvi as pessoas te chamando por esse nome, então imaginei que fosse este. Meu nome é Varmuda, a propósito. Irei te contar um pouco da minha história, então sente-se.

    Suzio se vê sentado numa cadeira, apesar de não ter se movido desde que chegou naquele lugar.

    — Bem, você também deve se perguntar no fundo por que eu te trouxe para uma dimensão, ao invés de te tirar do inferno. Pra falar a verdade, tenho meus motivos, mas para chegar neles, preciso contar o que já vivi. Tudo que ouvirá aqui é informação valiosa, ninguém no seu mundo humano, nem mesmo élfico, anão, minoico*, tampouco ogro ou morto-vivo sabe como funciona o inferno. Até porque, quem foi parar lá, nunca mais irá sair. É a regra.
    — E o que eu significo para você pra saber sobre essas coisas?
    — Muito. Logo você entenderá.

    Varmuda pigarreia.

    — Bem, eu venho de um clã que vive isoladamente no inferno. Nosso castelo é habitado apenas por demônios como eu, os vermelhos. Caso não saiba, todos os vermelhos são nobres no inferno, possuem direito a propriedades, a formar clãs e famílias, criar sua própria linhagem e ter até mesmo seu exército e influência política. Mas, para esses últimos, é necessário ter uma cabala. É a única dificuldade de um demônio vermelho. É necessário ter dinheiro e renome. Mesmo dentro do inferno, você precisa ter renome para ser reconhecido. Não tem jeito.
    “Meu pai era dono de uma cabala pequena. Poucos demônios trabalhavam para ele, mas serviam só para proteger nossa casa. Esses demônios podiam ser qualquer tipo, exceto os de classe mais baixa. Todos eram bem treinados, e por consequência, bem remunerados. Meus irmãos e meus primos faziam parte do exército do inferno, que era dividido em 76 classes. Meus parentes eram das vinte primeiras. As habilidades deles eram incomparáveis.”
    “O mais complicado dali era certamente eu. Não sei se você reparou, mas Varmuda é um nome feminino. Sou uma fêmea, com habilidades um pouco distintas. Eu era mais inteligente que meus irmãos, mas não tinha a mesma força. Também nasci com uma habilidade esquisita, que escondo desde que a descobri, e por sorte, ninguém da minha família descobriu. Seria uma desgraça se soubessem. Quem tem habilidades diferentes demais no inferno recebem destinos horríveis até mesmo para um demônio. E pra mim, bastava a vergonha de ser uma demônio fraca, incapaz até mesmo de fazer uma explosão, do que ser um monstro para demônios.”
    — Essa habilidade... O que é? — Questiona Suzio, com uma voz desmotivada.
    — Manipulação de Almas. Há várias coisas que posso fazer com isso, mas a principal é pular de dimensão em dimensão. É conveniente. Tanto que tenho a minha própria. Uso-a desde que era uma jovenzinha.
    “Apesar disso, meus pais estavam perdendo a paciência com meu poder fraco. Para não ser atirada na rua, tive que buscar auxílio nas minhas habilidades. Deu certo por um tempo, até eu notar que eu não conseguia mais controlar meu olho laranja. Estava ardendo e ficando nessa cor do nada, sem meu controle. Fiquei com medo e fugi de casa. Percebi que tinha que lidar com o inferno frente a frente.”
    “O inferno é jus ao seu nome. O verdadeiro, onde os demônios moram, está abaixo das plataformas, onde vocês andavam. Há grandes planícies, planaltos, montanhas, colinas e cavernas, assim como no seu mundo. A diferença é que não há grama, e se tem, ela é bem escura e chamuscada. Ela existe em palácios ou castelos, em cores escuras. Mas onde eu vivia, às costas de uma cidade, chamada de Vile, a grama era vermelha. E bem, quando fugi de lá, nunca mais vi grama. Passei a perambular por campos cobertos de terra avermelhada, pulando de poços de lava, evitando árvores caçadoras ou demônios que perderam a noção mental. Existe até mesmo estupro lá embaixo. Mas, por sorte, nunca fui estuprada.”
    “Existem muitas cidades lá embaixo. Eu evitei a minha para viver nas mais baixas, onde não iriam reparar nos meus olhos laranja. E eu já tinha perdido o controle. Vivi nas ruas, fiz pequenos trabalhos, solucionei problemas. Eu era inteligente, e fui ganhando destaque. Mas chamei a atenção de gente errada, pois fui parar no exército pouco tempo depois. Um demônio da nobreza não deveria ficar vivendo nas ruas, trabalhando pra outros inferiores.”
    “Fui parar na quadragésima classe. Terceiro esquadrão. Não era alto, nem baixo. Fui um demônio comum trabalhando dentro das instalações do exército do inferno. Era melhor do que viver na rua, onde você não podia dormir, ou certamente não acordaria no dia seguinte. Além disso, o exército comentava sobre como os tibianos profanaram várias vezes os tronos, e como os demônios enviados para lá nunca paravam eles. Diziam que logo a quadragésima classe começaria a ser enviada. Logo eu lutaria.”
    “Não era para ser hoje. Eu trabalhava organizando papeladas, mas ainda ia entrar no processo de “treinamento perfeito” para ser uma militar genuína. Foi organizando papeladas que eu comecei a entender meus verdadeiros sentimentos. De destruir as estruturas do inferno, de derrubar os Implacáveis e me tornar a rainha do inferno. Eu daria mais orgulho para Zathroth do que aquele Apocalypse. Eu não tinha medo de nenhum Implacável, nem dos seus servos menores ou dos seus lordes da destruição. Mas eu tinha medo de ter que defender as plataformas dos tibianos. Era como se eles, juntos, pudessem eliminar qualquer coisa”
    “No fim, os sinos soaram e o chão tremeu. Não entendi o que aconteceu, mas fomos rapidamente enviados para defender centenas de regiões do inferno. Os tronos foram um deles. Me jogaram para o meio da roda. Fui parar aqui, sem saber o porquê. Meu poder cresceu de forma incontrolável, como se as almas estivessem berrando e sendo sugadas aos milhões. Ainda assim, quase fui morta, sem um motivo especifico. Mas você, Suzio, você me salvou. E eu estou pronta para recompensá-lo.”

    Varmuda coça o pescoço, na região da garganta. Falar tanto não deve ser algo usual dela. Já Suzio não sabe como reagir. Simplesmente abaixa a cabeça e começa a pensar.

    Logo, ele sabe o que propor.

    — Pode me dizer onde meus amigos estão?
    — Bem, parece que alguns foram para o inferno e alguns para o paraíso. Mas não é como se eu tivesse liberdade para tirá-los de lá. Já disse. Sou da nobreza, mas fui tecnicamente expulsa. E sou um demônio comum.
    — E como espera se tornar uma rainha? — Disse Suzio, levantando o rosto. Sua feição parece mais séria.
    — Toda a nobreza tem direito de governar. E eu já estou construindo meu caminho até lá. Começou no exército. E agora está continuando a seguir, pois encontrei você.

    Suzio fica em silêncio.

    — O motivo de você ser tão importante é porque você é um prodígio. Sabe usar habilidades de duas vocações. São bem poucos os tibianos capazes de fazer isso. Nem mesmo os elfos são capazes de tal artimanha. Está muito mais propicio a receber o que irei lhe dar.
    — E se eu não quiser?
    — Tá aí a questão. Você quer. Deve saber que demônios são capazes de ver os sentimentos de um ser humano. Os mais profundos. E eu vejo que, no fundo, você quer poder. Quer principalmente para destruir os demônios. Eu tenho, mas você terá que se esforçar para aprender a usá-lo.

    Novamente, Suzio fica em silencio. Começa a ficar complicado manter sua sanidade. Muita informação está sendo jogada para ele num curto espaço de tempo. E ele faz o melhor de si para absorvê-la, mesmo que isso significasse perder seu próprio eu.

    — Suzio, eu estou para lhe oferecer algo muito melhor do que a oportunidade de matar os demônios. Eu irei lhe oferecer a oportunidade de destruir a primeira cabala: Os Sete Implacáveis. Destruir o inferno e reconstruí-lo das cinzas. Isso será muito melhor do que matar simples demônios.

    A proposta começa a parecer tentadora.

    — Mas terá que viver uma vida normal em Tibia.

    E agora parece incerta.

    — Por quê?
    — Pois se você estiver comigo no inferno, não conseguirei fazer nada. Tentarão te matar a todo instante. E o seu lugar não é lá. Não se preocupe, na hora certa, você eliminará os cuzões ao meu lado. Mas não posso garantir que verá todos os seus amigos, pois como eu disse, alguns estão no inferno e outros no paraíso. Aquela Estella está no céu, apesar do sofrimento que teve. E é melhor que continue lá.

    Suzio assente com a cabeça. Seu olhar é baixo e seu semblante esgotado. Sente um enorme vazio dentro de si.

    — Amor é a última prioridade para todo este plano, Suzio. Eu nunca tive um. Também não tive experiências carnais. Se eu tivesse, eu viraria uma Fúria ou um súcubo, e eu não quero isso. Nossa prioridade será mudar as estruturas do inferno.
    — Tanto faz.

    Varmuda parece surpresa.

    — Desculpe, o quê?
    — Disse que tanto faz. Desde que eu possa me vingar de quem tenha sido o responsável por aqueles sinos e por ter feito seu grupo vir para os tronos, não importa o que eu terei que deixar de mão. — Disse Suzio, levantando-se. Seu olhar já é vazio, ao ponto dele não conseguir mostrar raiva, determinação, nada. — Estou preparado para o que tiver que fazer.

    Suzio dá alguns passos para frente e fita a demônio.

    — Dê-me poder, Varmuda.

    A criatura sorri como nunca antes em toda a sua vida.


    ~*~


    Suzio emerge do chão. Dessa vez, está usando uma Máscara Yalahari, dada por Varmuda. Ainda usa sua varinha, e está com sua mochila nas costas. Tudo ainda nos conformes. Ele olha para os lados e vê as Planícies do Horror praticamente vazias. Terras fantasmas, habitadas por ninguém. O mago caminha por essas terras, priorizando retornar para Venore.

    Ele sobe a escada da entrada e passa pelo guarda, chamando um pouco a atenção do mesmo. Suzio está totalmente revigorado, apesar de ter perdido boa parte das suas habilidades mágicas combatendo nas plataformas. Enxerga dos dois olhos, apesar da íris do olho ferido quase não existir mais. Ele evita o depósito principal, pois sabe que há pessoas ali que desejaram-lhe sorte, assim como para a sua companhia, para que ele conseguisse a recompensa por passar pelos tronos.

    Ele vai até o segundo depósito, no andar de baixo, na última cabine. Ele a abre e vê. Como prometido, Varmuda lhe garantiu as recompensas das plataformas, como um Par de Botas Macias** e um Bastão Arcano, como pedido por ele. Também lhe deixou alguns livros especiais. Ele pega um deles.

    Primeiro Volume de Perícia Investigativa: Básico.

    Versão Yalahari.

    Para futuros investigadores de Yalahar.


    Ele toma esse livro para si. Depois disso, ele continua investigando as recompensas. Um raríssimo Casaco do Caçador de Bruxas***, talvez o único do Tibia. Ele não se importa com a sua raridade ou o quão valioso ele é; apenas veste-o no lugar da capa anterior. Também toma um chapéu negro, coloca as botas na mochila e fecha o baú.

    Ele dirige-se ao andar de cima e conversa com o banqueiro para retirar uma quantia de moedas de platina.

    — Muito bem, aqui estão... É... Não me lembro muito bem de você, acho que é a primeira vez que te vejo. Qual é o seu nome?
    — Me chame de Nightcrawler.





    Próximo: Capítulo 23 – Negado




    Notas:

    *: É uma forma que encontrei de me referir aos minotauros, apesar de ser a palavra para se referir ao povo que habitava Cretas e de onde surgiu o mito do minotauro.
    **: Tradução livre para Pair of Soft Boots.
    ***: Tradução livre para Witchhunter’s Coat. É inclusive a jaqueta que o Nightcrawler usa no flashback de 10 capítulos atrás.


    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  5. #105
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    Salve Carlão.

    Bons últimos capítulos, como sempre

    Primeiramente, gostaria de apontar alguns erros. Pequenos, que foram sendo corrigidos com o passar do tempo, mas que aparecem aqui e acolá; começando pelo tempo verbal:

    Levava consigo um Holy Tible, um livro sagrado tibiano que possui um símbolo de um T dourado no centro, e este se encontra numa sacola branca reserva na sua cintura
    .

    Há uma certa dissonância na frase. O "levava" e "este se encontra" estão em tempos verbais diferentes. Embora o texto todo do capítulo estivesse no presente, eu consegui intender o motive de você colocar este "levava". Enfim, mudar a frase para algo como:


    Levava consigo um Holy Tible, <wild vocativo appears>, que encontrava-se numa sacola branca...
    OU( 'combinando' mais com o resto do texto)

    *Trazia consigo um Holy Tible..., Que se encontrava em sua*...
    *Sim, eu fiz alterações a meu bel prazer, pois achei melhor; mas é uma questão de gosto, e vc sabe o quanto eu sou viadão nesse quesito


    Porém, há um padrão de erros que venho notando nestes últimos capítulos( embora não a primeira vez que aparecem). É o emprego do pronome cujo...

    Usava um chapéu e uma capa roxa, cujos são mágicos
    Preguiça de pesquisar e falar "certinho" o porquê deste cujo estar errado... Mas está. Um simples "ambos mágicos", ou qualquer outra coisa sem o cujo, bastaria para retirar o problema da frase.



    De resto, não muito a apontar de errado neste capítulo. Nota-se a sua grande melhora, e seus diálogos fluindo MUITO BEM. Sério, até mesmo pra coisas simples como Nightcrawler e a Estella conversando... Você colocou UM CONTEXTO para eles iniciarem a conversa, algo de 2 linhas, e foi natural.

    BTW:

    O olhar daquele Suzio mais jovem não é sombrio, tampouco vazio, mas vivo e penetrante. Aquilo faz Estella virar o rosto, com as faces coradas.
    Animes de romance lhe fazendo bem no final xD.

    Enfim, não muito mais a acrescentar sobre este capítulo. O próximo capítulo ou editarei este comentário, ou farei um novo post sobre o próximo capítulo, que ja está pronto pelo que intendi, e que logo será solto.

    É isso aí. Abração Carlão.






  6. #106
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    Saudações!

    Vim comentar atrasada sobre o capítulo passado: primeiro, a tradução de Tin é Estanho, e não Lata. Segundo, a descrição que você fez da PoI eu achei um pouco fraca, mesmo se guiando pelo TibiaWiki. Minha sugestão é que você veja vídeos da PoI para ter uma noção real de como é o interior, onde ficam os demônios e a dificuldade real do trajeto em si.

    Outra coisa: de novo você tornou a errar tensões verbais, como o @Senhor das Botas já pontuou. Atente-se a isso, além das outras correções que ele já falou. Sobre esse de agora: por conta da falta de vivência do local em si, as descrições estão fracas. Mesmo. Olha, o mesmo puxão de orelha que o @Gabriellk~ me deu quando eu fiz a primeira versão da batalha contra o Morgaroth lá em A Voz do Vento, em 2012-2013 (tempo pra caralho), é o que você vai receber: está "Tibiano" demais, cara.

    Sejam o Nightcrawler e os demais fodões ou não, respeite a quest. Faça-me sentir a agonia e o pesadelo que é o labirinto de alavancas e que matar o pequeno Nightmare Scion não fora nem o começo dos meus horrores. Faça-me lembrar o quão difícil era chegar nos corredores que levam aos tronos e a tremedeira persistente que senti, além do suor frio que me percorreu o corpo ao lembrar que havia Hellfire Fighters ao sul do salão e que um esquadrão deles poderia conduzir dezenas de aventureiros à morte. Foque no cenário, na ambientação; veja vídeos, colete referências. Use a história do @Neal Caffrey como referencial, por exemplo ("Jason Walker e os Poços do Inferno"), ainda que a abordagem dele tenha sido diferente.

    Cada trono é único assim como seu Implacável, que rege um aspecto do mal; faça-me ver isso e não OUSE mudar o gênero da Tafariel. Não ouse. Que a sua descrição me faça enxergar o mundo como deveria ser segundo aquele implacável, seja ele Verminor com as suas doenças, Apocalypse com a destruição e tudo reduzido a pó e infertilidade ou até mesmo Bazir e o mundo que existe, não existe e que as dúvidas e a desconfiança permeiam o mandar e desmandar nas raças que sobrarem. Os Poços do Inferno são tudo aquilo que não queremos, e não apenas um combate entre forças malignas desocupadas que não tem nada melhor a fazer do que matar gente por que sim.

    E Carlos... A wall of text, Carlos. Um dos trechos finais está completamente embolado e eu sei claramente que são parágrafos diferentes. Tenha mais atenção com a revisão, pois foi a coisa mais desagradável do mundo ter que reler esse final para entender.

    E para se referir aos minotauros sem o uso da palavra, te sugiro "taurinos", "homens-touro" (ainda que isso seja em parte adotado para descrever Behemots no lore tibiano), "homens-vaca" (se o intuito for ofensivo), "povo Mooh'tah" (se o personagem mostrar maior conhecimento do lore dos Minotauros), e "bestas ruminantes". Minoico (acentos caíram para ditongos abertos, viu?) não ficou bom. Te juro, eu fiquei achando que era uma raça de sua autoria, não os minotauros per se.

    Lamento (mas não me desculpo por) ter que pegar no teu pé, mas você tem tempo de casa e não tem a menor desculpa para eu pegar leve nas críticas. Antes de postar e sair agilizando as coisas, pare, pense, revise, releia e pesquise referências daquilo que você quer incluir na história antes de escrever. No mais, espero os próximos.




    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 09-05-2017 às 09:29.

  7. #107
    Avatar de Neal Caffrey
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    O que já foi pontuado pelos colegas @Senhor das Botas e @Iridium são suficientemente elucidativos a respeito da questão gramatical, apesar de tê-los considerado rígidos demais, em que pese o fato de que estão absolutamente certos. Creio que você esteja sendo mais pressionado do que o comum nesta história justamente em função da sua importância pra seção. Faço isso com meu estagiário, a quem enxergo como um potencial sucessor.

    No mais, no que toca ao desenvolvimento da história em si, continuo gostando igualmente. Sou fã confesso de Nightcrawler e espero ver esse personagem por muito tempo aqui ainda.

    Abraços!
    Kniss & Lorenski - Sociedade de Advogados em Curitiba/PR

    Jason Walker e a Relíquia do Tempo
    Acompanhe a terceira história de Jason Walker na seção Roleplay!

  8. #108
    Avatar de Skirt Underdome
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    Charles, meu garoto

    Não fique chateado com as críticas. Procure tirar proveito delas e melhorar seu estilo e sua escrita, na questão do rigor gramatical.

    Os grandes escritores, artistas e pensadores também receberam pesadas críticas em alguma fase de sua vida produtiva. E mesmo assim foram em frente.

    Faça aquilo que eu disse uma vez. Respire. Antes de postar um texto faça uma boa revisão. Controle a ansiedade de enviar logo um novo capítulo, antes de dar uma boa verificada.


    E vamos em frente, porque além dos negões a galera tá pegando pesado.

  9. #109
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí, Carlos!

    Os outros comentários já foram bem... Contundentes em relação aos deslizes do capítulo, então não vou chover no molhado sobre isso. Só reitero a dica do Skirt: tenha mais calma pra escrever e postar o capítulo. Eu também fico ansioso pra postar logo quando escrevo, mas é essencial que você releia uma, duas, três, dez vezes antes de publicar, pra ter certeza que tudo saiu como você planejou.

    Falando da história, o capítulo foi bem legal. Não posso opinar muito sobre a ambientação porque, como disse antes, não conheço a quest; porém, eu gostei da forma como você descreveu as batalhas. Além da carnificina que já é sua marca, o jeito que o Suzio ficou cego para o que acontecia em volta e focou apenas em matar os demônios foi muito interessante, além do paralelo com as badaladas e as mortes dos outros humanos. Deu pra ver agora porque o Nightcrawler é daquele jeito, foi uma situação pesadíssima; ainda não posso dizer que simpatizo com ele, mas compreendo muito mais suas ações.

    Minha parte favorita foi, sem dúvidas, o monólogo da demônia. Achei bacana demais você imaginar o inferno como um local organizado, com instituições, influências políticas, divisão por classes... Deu um ar muito diferente do que costumamos ver sobre o inferno (caos total, basicamente). Não sei se você ainda vai explorar mais isso, mas só esse pedaço já enriqueceu bastante a história, ao meu ver.

    Enfim, gostei demais do capítulo. Pena que ele foi ofuscado pelos vacilos apontados pelo pessoal, mas espero que você não desanime com isso e use as críticas para melhorar mais a cada dia

    Abraço!
    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  10. #110
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Padrão Capítulo 23 - Negado

    Spoiler: Respostas aos Comentários




    Botei os comentários num Spoiler de novo. Parabéns aos envolvidos. E eu acho é pouco.



    Agradeço por todo o apoio do pessoal. Estou continuando a história mesmo com meus deveres de jornalista. Espero que não surta nenhum efeito negativo nela.

    E se tudo correr nos conformes, falta 10 capítulos (sem contar partes) pra terminar a história. Então, daqui em diante, a história só ficará mais interessante.


    Espero que gostem!




    No capítulo anterior:
    No flashbeck de Suzio, ele e seu grupo entram no trono de Infernatil, e passam sem grandes problemas; porém, algo parece dar errado no trono, um sino começa a tocar no fundo e demônios novos entram na sala para atacar os aventureiros. Todos eles são mortos exceto Suzio. Os únicos vivos ali eram ele e um demônio, que é salvo pelo rapaz. O demônio, então, leva-o para outra dimensão usando poderes desconhecidos, explica sua história, como o inferno é e dá uma proposta ao mago. Ele aceita, firmando um pacto com Varmuda.




    Capítulo 23 – Negado




    Fafnar sumiu no horizonte e a noite veio sombria e penetrante. Após alguma indagação enquanto andavam pelo comércio local, Trevor e Alayen, assim como Dartaul, que chegara há pouco tempo no alto da colina do distrito, decidiram partir para o Arsenal de Ratos.

    Ao entrarem, pegam o elevador para ir para o andar dos documentos. A estrutura daquela torre é estranha; a parte da entrada só possui a prisão e o elevador que vai para os outros andares, e nos outros andares, há escadarias que levam para outros cantos da torre, inclusive a sala das plataformas, onde o trio dirige-se. Ao chegarem, não veem ninguém na sala dos documentos, que estava estranhamente arrumada. E a sala também está arrumada. Sem corpos, sem sangue, nem rastros de queimado. Tudo limpo.

    Notam passos numa plataforma acima, e estes são de Nightcrawler. Parece ter ficado ocupado nas últimas horas.

    — Nightcrawler... — Disse Dartaul, adiantando-se — Parece que não deixei você nas melhores condições, não é? Eu peç-
    — Cala a boca e vá preparar suas coisas. Temos que sair de Yalahar. Eu tenho um plano.

    Novamente Dartaul se impressiona com a sua frieza, mas concorda. Afinal, ele próprio adotou um pouco dela também.


    ~*~


    Ao saírem do Quarteirão 04, notam que a cidade está bastante turbulenta. No entanto, a atividade é militar. As pessoas parecem já ter sido mandadas para as suas casas, uma vez que é mais seguro que ficar nas ruas após o que aconteceu. A Irmandade também pode ter atacado durante esse meio tempo. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, até porque o responsável por aquilo tudo ainda está indo para o palácio do governador.

    Nightcrawler e os outros se esgueiram pelas ruelas e esquinas da cidade para chegar até o palácio. A atividade militar na cidade está imensa. Se os lagartos de Zao tentassem atacar Yalahar de novo, conseguiriam, já que não há soldados no distrito com acesso mais rápido à cidade. Mas o fato de que vários assassinos de vermelho estão escondidos na cidade para matar pessoas e usar o coração delas para rituais parece ser bem mais assustador, mesmo para o evoluído e pensador povo yalahari.

    O palácio está próximo. O trio vê o banco e o ferreiro ao longe. O ciclope que acompanhava o anão na loja está do lado de fora, morto e estirado no chão. Até seu martelo fora roubado. Há lixo pelas ruas e sangue.

    Finalmente, no palácio, eles veem o que já esperavam: Dezenas de soldados ao redor da construção, armados com escudos dourados e lanças, justamente para conter qualquer avanço. Os soldados usam capacetes com máscaras douradas e armaduras e calças brancas com linhas e traços de cor de ouro. Todos parecem atentos a qualquer coisa que venha a acontecer.

    — E aí, já planejou como vamos passar ou não esperava por isso também? — Questiona Alayen, inquieto.
    — Lógico que já. Até parece que não me conhece, moleque.
    — Então vamos logo! O que temos que fazer?
    — Fica tranquilo. Já providenciei.

    Uma dúzia de explosões em sequência cercam Yalahar e assustam os soldados. Eles correm para saber o que aconteceu e se há feridos. No fim, grande parte deles foi embora, deixando a entrada livre.

    — Como você fez aquilo? — Pergunta Trevor, perplexo.
    — Contatos.
    — Desse mundo? — Pergunta Dartaul, de forma provocativa. O homem ignora.
    — Certo. Alayen, sabe o que fazer.
    — Aham... Que chatice.

    Nightcrawler se lança em direção da entrada, correndo o mais rápido que pode. Os outros o acompanham no susto, ficando um pouco pra trás, e Alayen toma o caminho contrário, indo em direção de outro distrito. Eles passam pela recepção, onde não há ninguém, e vão até o pátio, do outro lado. Também não veem ninguém, apesar da bagunça. Ainda há lixo por todo o chão, sapatos, bolsas, carteiras, chapéus, rastros de queimado e sangue. As amuradas são iluminadas por tochas e os cantos do térreo por archotes. Eles andam a passos lentos por ali.

    — Não me conformo que essa merda de plano não deu certo. — Comenta Nightcrawler, olhando para os lados com frustração. — Estive planejando ele há anos. Não foi fácil.
    — Devia ter feito num lugar menos movimentado, como te sugeri. Fazer isso no meio do dia do governador seria uma loucura sem precedentes. E foi. — Disse Trevor.
    — Meh. De qualquer maneira, se a Irmandade não conseguiu chegar até aqui, significa que os malucos que eu prendi estão lá ainda. Devemos ir.
    — Ainda não entendi direito porque estamos fugindo direto para a toca do lobo. Pode me explicar de novo, Nightcrawler? — Questiona Dartaul, com os braços cruzados.
    — Se nos verem, nos levarão para a cadeia. O exército não é conectado ao governador, é independente. É uma decisão tomada pelo próprio Conselho Militar há mais de cinquenta anos. Ir direto para os governantes não nos dará cadeia, mas sim questionamentos que terminarão com um simples pedido de desculpas e uma passagem pra casa.
    — Não acha que a culpa de estarmos assim é sua?
    — Claro que acho. Mas iremos resolver isso.

    Holofotes ofuscam a visão do grupo. Quando conseguem olhar de novo, percebem que estão cercados por dezenas de inquisidores thaianos, que estão em cima das amuradas. Duas figuras aproximam-se do centro, sendo uma vestida como um nobre yalahari, vestindo um culote branco, um casaco branco com oito botões dourados com apenas um desabotoado e usando uma faixa amarela no braço direito, contendo um símbolo semelhante ao rosto de Yalahari em preto e branco, além de uma capa amarela. Ao lado, uma mulher, com um chapéu negro, um casaco pequeno que vai até alguns centímetros abaixo do busto e uma blusa, de cores igualmente negras. Um ministro e uma inquisidora.

    Os inquisidores apontam suas arbalests* na direção do trio. Eles não esboçam reação; já esperavam isso.

    — Ora, ora. Se o coelhinho não foi direto pra arapuca. — Disse o ministro, com as mãos na cintura.
    — Não sei o que pensa que está fazendo, mas não sou um criminoso.
    — HÁ! Você realmente disse isso? Que nunca cometeu um crime sequer?
    — É inegável que eu tenha cometido. Mas-
    — Exato! E você cometeu um hoje! Ou melhor, já tem mais de anos desde o inicio desse crime! Manipulou toda a classe política yalahari para que acreditassem que seu plano daria certo! Pelos antigos, quem em sã consciência pensaria em colocar quase metade da população de Yalahar no meio do fogo cruzado como você fez?!
    — Não seja estúpido. Tudo estava planejado. Cada uma das armas foi projetada de forma a acertar apenas seres manipulando sangue. E foi o que aconteceu. Senão, me diga quantas baixas de civis tivemos hoje.
    — 137 baixas.

    Nightcrawler parece surpreso.

    — De onde tirou esse número?
    — Das guarnições que mandaram o número para cá, e aparentemente ele cresce a cada hora que passa! Pessoas pisoteadas, assassinadas, atingidas no fogo cruzado fora do palácio, ataques de fúria! Tudo que você pode imaginar aconteceu hoje e foi graças a você e ao seu plano mal feito!

    O detetive não responde. O buraco que ele sentia estar presente no seu plano era esse.

    — Mostrou-se ineficiente no final então, Nightcrawler. Como esperado. — Disse a inquisidora, com um sorriso maldoso.
    — Magalea... — Murmura Nightcrawler, com ódio visível.
    — Não adianta se fazer de cãozinho raivoso. Sabe do que fez. E vai parar, pois você, Nightcrawler, está preso por ser o cérebro por trás do caso da “Arapuca de Yalahar”.

    Os guardas que vigiavam a entrada antes voltaram, e mostraram seu retorno batendo seus escudos no chão. Como voltaram tão rápido? Pensa o detetive.

    — Além disso, irá passar seus últimos dias na prisão sozinho. Não terá companheiros para compartilhar suas dores.
    — Irá livrar os dois?
    — Não é necessário.

    Trevor desembainha sua espada e Dartaul tira sua kukri de dentro do casaco, e ambos apontam para o pescoço do detetive. Ele se assusta com essa atitude.

    — Desculpe, Crawler. — Disse Trevor, com o olhar baixo.
    — Traidores do caralho!

    Magalea gargalha. As mãos do detetive estão cerradas. Sua expressão é de ódio, apesar da máscara sorridente.

    — Ir contra um inquisidor, para um militar thaiano, é suicídio! Todos eles sabem que os inquisidores tem informações de cada soldado ou perito do reino, e se algum deles foder com a gente, podemos ir atrás deles ou de quem for próximo deles pra acertar as contas. E ainda são expurgados pelo templo do reino. Parece ruim, não? E eles não querem isso. Por isso você está vendo essa cena neste exato momento.

    Nightcrawler abaixa a cabeça. Ainda não sabe como irá fugir sem usar coisas desnecessárias.

    — Você é o rei das fugas, mascarado. A Irmandade jamais te pegou. Mas isso porque eles não conhecem sua personalidade. Sua arrogância. Sua confiança no governador o levou a essa situação. Veja onde você está agora. No fim, meros humanos tiraram sua liberdade! E este é o final de qualquer indivíduo heroico demais. Ele sempre tem o fim mais humilhante.

    Ou faz parecer que não sabe.

    — A corte de Yalahar irá te julgar e te executar. Mas antes, faremos questão de tirar essa máscara e ver como seu rosto é. Sempre tive curiosidade em saber o que tem atrás dessa máscara de teatro barata.
    — Vai continuar sem saber.

    Nightcrawler dá um passo pra trás e puxa o braço de Dartaul para o lado direito, em seguida conseguindo envolver seu pescoço com seu braço esquerdo. Na mão direita, está uma faca. Tudo isso foi feito em menos de um segundo, sem que Trevor ou os inquisidores conseguissem reagir a tempo.

    Os olhos do detetive escurecem aos poucos. A expressão de Dartaul é de medo.

    — Sabe por que não saberá o que está atrás dessa máscara? Pois eu sou Nightcrawler! Não existe alguém por trás dela, existe uma personalidade mesquinha, arrogante e orgulhosa, mas plenamente capaz de virar o mundo de cabeça pra baixo pra conseguir o que quer!

    Um braço etéreo e transparente, de cor alaranjada, vai até Trevor, agarra-o e puxa pra trás, jogando ele no chão. O braço transforma-se numa lâmina bastante afiada, assustando não só o capitão como também os inquisidores. Magalea olha para aquilo sem entender, assim como o ministro.

    —Entenda, sua vadia desgraçada. Não há nada capaz de me capturar nesse mundo. O próprio demônio me garantiu que eu jamais seria capturado. E assim será!

    Uma explosão cerca o trio. Algum tempo depois, os guardas do lado de fora vão verificar, mas não havia mais ninguém ali.

    — Pelos Yalahari! O que aconteceu aqui? — Grita o ministro, crendo que Magalea soubesse de algo.
    — Não sei de nada, Sr. Yaredal. — Disse ela, ajeitando o chapéu — Mas de algo eu sei: Nightcrawler agora é um alvo oficial da Inquisição Thaiana. Ele fugiu pra algum lugar, precisamos ir atrás.
    — Certo, então peça para os seus soldados fecharem o porto principal e o Arsenal dos Ratos! Impeça que alguém entre ou saia de lá e mande os inquisidores invadirem em seguida!
    — Considere feito. Ele não vai escapar de Yalahar!



    ~*~



    Nightcrawler observa o mar a partir de um navio. Ainda é noite, e está longe de amanhecer. Atrás dele, está o porto do Quarteirão de Comércio, onde há um navio ancorado do outro lado.

    O capitão Harlow está próximo do mastro, aguardando as coisas do detetive serem trazidas para o navio. Dartaul, Trevor, Alayen e Lucius ajudam os marujos.

    — Mais uma vez você faz outro plano arriscado. Agora você definitivamente não pode mais pisar em Thais. — Disse Lucius, levando uma caixa marrom com ele. Ele a deixa no convés e volta para ouvir o detetive.
    — Mas deu certo, no fim. Contento-me com a perca do meu esconderijo aqui, mas não faz diferença. Nunca vão conseguir entrar nele, e também não é uma opção derrubá-lo. Vai ficar lá até que eu consiga voltar algum dia.
    — Então você acredita que voltará aqui quando destruir a Irmandade?

    Nightcrawler demora mais para responder. Parece pensar mais sobre a sua resposta.

    — Bem, já me disseram que a esperança é a última que morre. Mas no caso, a minha esperança já morreu. Apenas a loucura e a insanidade restam. E é por isso que estamos indo para Carlin, e depois para Thais.
    — É, você disse que achou o corpo da rainha. Isso vai ser turbulento, ainda mais que a nova rainha foi coroada tem duas semanas. Uma das três herdeiras dela, a mais próxima de Carlin, que vivia em Ab’Dendriel. Seria até bom se você a conhecesse, quem sabe você não justificaria seus atos a tempo. — Disse Lucius, parando perto do mastro. Parece que Dartaul e Trevor terminaram.
    — Também espero que você baixe mais a bola na próxima. Quase quebra minha armadura, retardado. — Comenta Trevor, cruzando os braços.
    — É, mas o plano deu certo. Agora, só nos resta partir e ver o que fazer. Espero que aqueles dois membros consigam se matar.

    Lucius vai até a saída do mastro e puxa a pequena ponte de volta para a mureta. Nightcrawler fita-o com desdém.

    — Desejo sorte, Crawler. Espero que consiga, ao menos, voltar. Caso seja louco o bastante.
    — Pode apostar que voltarei. E tomaremos uma juntos, como nos velhos tempos.
    — É isso aí. Até mais, parceiro.

    Harlow e os seis marujos que estavam no convés preparam o navio para a viagem. Puxam a ancora, içam as velas e atentam-se ao vento. O capitão toma o mastro. E as preocupações tomam o grupo. Conforme o navio se afasta do porto, Suzio sente um aperto em seu peito. Não sente que está fazendo a coisa certa, apesar de tudo. Apenas sente que está fugindo, como sempre sentiu.

    A embarcação afasta-se de Yalahar. O aperto torna-se uma preocupação. Realmente, algo está errado para o detetive. Algo naquela situação. Na forma de como saíram. Eles enganaram os inquisidores e os militares, de fato, mas parece que não enganaram todo mundo.

    Algo está errado no navio. Duas movimentações estranhas são sentidas embaixo de seus pés.

    — Merda.







    Próximo: Capítulo 24 – Decadência



    Notas:

    *: Decidi manter a versão em inglês pois não tem uma tradução correta pro português que fale exatamente do que se trata a arma.

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    Última edição por CarlosLendario; 19-05-2017 às 17:12.


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