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Tópico: Precisamos falar sobre a PEC do Teto de Gastos (241/55)

  1. #21
    Avatar de Leon
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    Poderiam começar cortando parte dos seus altíssimos salários. Um valor tão alto é realmente necessário, visto o valor que o trabalhador em geral recebe c suas necessidades?

    @edit
    Só p vcs terem noção, o professor concursado do estado, mtas vezes recebe seu aumento parcelado (E mtas vezes atrasado).

    Mexer na previdência, ou na saúde e educação? Ql escolher p ficar ainda pior?
    Sinceramente, n sei cmo alguém consegue ver isso como positivo. Se voltarmos um pouco no tempo, isso me lembra bem o congelamento da poupança no governo de Collor. Tem gente que até hj n viu seu dinheiro.

    Se pensarmos um pouquinho, veremos que o problema financeiro do Brasil n é seu "alto gasto" em investimentos, e mto menos cortá-los seria uma forma de resolução.

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    Última edição por Leon; 12-10-2016 às 09:00.

  2. #22
    Avatar de Shizzle Nizzle
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    Não é preciso ser nenhum economista, advogado ou político, você aí, sentado no conforto do seu lar já deve ter notado as consequências da inflação no volume de compras de sua casa, em uma analogia mais simples, quanto tempo faz que você não come Kinder Ovo?
    Tanto o vídeo quanto o link anexado expõem que a má gestão do recursos públicos (aqui pode-se contar desde incompetência até corrupção), é o fator principal da crise atual e apontam a PEC 241 como solução, tratando-se de uma medida que se preste a controlar os gastos públicos futuros, diminuindo consequentemente o crescimento exponencial da dívida, mantendo uma baixa taxa de juros permitindo assim o encorajamento de investimentos.

    Se entendi corretamente, esse foi um resumo do que se destina a PEC 241, parece-me uma medida viável e muito mais promissora que o "simples" aumento dos impostos. Fico apenas com receio sobre a extensão do poder executivo sobre os outros e até gostaria que alguém pudesse discorrer sobre isso, se possível .

    Vou deixar um pensamento que pode servir como análogo à complicação da situação atual e que muitos não enxergam e por tanto criticam qualquer medida que aparece pois esperam por um milagre:
    "Não tem como aumentar consideravelmente a massa muscular e diminuir o percentual de gordura ao mesmo tempo, é necessário fazer uma coisa de cada vez."

  3. #23
    Avatar de Emiz
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    Essa PEC deve ser vista e discutida com calma. A primeira pergunta é: onde serão reduzidos os gastos? quais setores?

    Temer quer introduzir a escola integral para todos. Ele está ciente que a escola integral custa duas vezes mais? O atual presidente também criou um novo programa social "Criança feliz" que vai custar inicialmente, se não me engano, 500 milhões. Porque ele, ao mesmo tempo de querer implementar a PEC, tem a intenção de criar novos gastos tão grandes?

    Não tenho opinião formada ainda sobre. Que os gastos devem diminuir é um fato. De qual maneira, não sei.
    Aprendi com os piores!

  4. #24
    Avatar de GrYllO
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    Acho que há muito material de pesquisa na internet para que cada um chegue às suas próprias conclusões.
    Citação Postado originalmente por Ricardo Amorim, Economista
    A PEC e as mentiras

    Para variar, os que têm interesse que o atual governo dê errado ou querem manter as mamatas e a corrupção e, para isso precisam de dinheiro escorrendo pelas mãos do governo, estão espalhando uma série de mentiras a respeito da PEC241.

    Alguns esclarecimentos:

    1. A PEC não pune os mais necessitados. Ao contrário, ela os protege. Ela não requer nenhum corte em nenhum gasto social e, ao reduzir as preocupações com a solvência do setor público brasileiro colabora para o crescimento dos investimentos das empresas e a geração de empregos. Como o desemprego é mais alto exatamente entre os mais necessitados, eles serão os maiores beneficiados pela medida.

    2. A PEC não só não força o governo a cortar gasto nenhum, como ainda permite que os gastos totais cresçam de acordo com a inflação. A grande sacada da PEC é que, ao colaborar para a retomada da confiança no país, ela permite que o país volte a crescer - coisa que não acontece há 3 anos - e com isso, a arrecadação de impostos cresça mais do que os gastos, o que faz com que o desequilíbrio entre gastos e receitas do governo diminua ao longo do tempo. Isto é necessário porque, neste ano, o governo federal gastará R$170 bilhões a mais do que arrecadará, excluindo gastos com juros da dívida.

    3. O prazo de 20 anos da PEC é sinal de leniência, não de dureza. O ideal seria que as contas públicas fossem reequilibradas já, com um corte dos gastos públicos de R$170 bilhões. A PEC existe para evitar efeitos traumáticos que este tratamento de choque acarretaria em alguns setores da população, diluindo o ajuste que deveria acontecer agora para um período de 20 anos.

    4. A PEC não exige redução de gastos com saúde e educação pelos próximos 20 anos. Aliás, a PEC não impede que os gastos com saúde e educação ou quaisquer outros gastos dupliquem, tripliquem ou cresçam dez vezes ou mais ao longo deste período. Tudo que ela exige é que os gastos totais do governo não cresçam mais do que a inflação. Na prática, ela força o governo a se aproximar um pouquinho da disciplina que toda família tem de ter em casa: não gastar mais do que ganha. Sem a PEC, o governo não prioriza nem controla gastos, ele aumenta seus gastos totais acima da inflação constantemente e passa a conta à população com cada vez mais e maiores impostos.

    Em resumo, a PEC é necessária para impedir que todos os brasileiros continuem sendo penalizados com impostos que não param de subir, enquanto os brasileiros recebem serviços públicos de péssima qualidade.

    Para quem quiser conferir com os próprios olhos:
    http://www.camara.gov.br/proposicoes...=PEC241%2F2016
    Alias, basta-se ater ao conteúdo da PEC em si.
    Att,
    GrYllO.

    Precisa de suporte? Crie um tópico público! Sua dúvida pode ser a de outra pessoa. Pesquise se por um acaso a sua dúvida já não foi solucionada antes e, em caso negativo, abra um novo tópico no Suporte ou mesmo em Tecnologia (pro caso de uma dúvida técnica não relacionada ao jogo). Beleza?
    Meu coração pertence à Valéria Freitas.

  5. #25
    Avatar de Gatorade
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    Citação Postado originalmente por GrYllO Ver Post
    Acho que há muito material de pesquisa na internet para que cada um chegue às suas próprias conclusões.Alias, basta-se ater ao conteúdo da PEC em si.
    Não dá Gryllo, não dá.
    A galera não quer saber de se informar. Já falamos aqui que se ler a PEC, você consegue entender, mas é mais fácil reclamar e falar mal do que se informar decentemente. A galera anti-Temer não tá nem aí, qualquer coisa que dê brecha vai ser crucificada. E bom, eu já sabia que isso ia acontecer: o país PRECISA de medidas duríssimas pra voltar a crescer. Tem outras medidas aí que precisam ser tomadas (alô previdência), mas que muita gente é contra porque foi manobrado pra pensar que é ruim, que "vão mexer nos direitos".

    Não.
    Adianta.

    Uma tristeza saber que uma parte do povo tem político de estimação e não consegue perceber que PRECISAMOS de medidas duras pra que voltemos a crescer ou iremos ladeira abaixo, no matter what. Ainda temos chance de frear, mas se ficarem com essa putaria, logo menos o freio quebra e já era.




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  6. #26
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    Existem algumas considerações à serem feitas sobre essa PEC que poucas pessoas tem notado.

    > A PEC considera como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano anterior, que é o referêncial para a inflação do consumo doméstico, ou seja, não faz muito sentido relacioná-lo com gastos públicos, principalmente nas questões estruturais que variam muito acima dessa média.

    > Congelamento em um setor como a saúde é extremamente perigoso, se o preço de um remédio na indústria mundial sobe acima da inflação brasileira, o que o governo faz? Compra menos? Prejudica outra área remanejando o montante necessário para suprir essas necessidades?

    > Se por ventura o Brasil crescer e a inflação baixar (Sim, parece um pouco otimista considerando o cenário atual, mas vinte anos é muito tempo e essa se torna uma possibilidade real ao passar dos anos), o investimento público fica estagnado mesmo com o crescimento econômico? O que sobrar vai pra uma dívida que já deve ter sido paga pelo menos umas dez vezes? Isso é uma sandice. Por que caralhos ninguém fala em fazer uma auditoria dessa dívida? Ninguém tem peito pra ir contra os abusos de especuladores internacionais?

    > Algumas considerações demográficas devem ser feitas também, daqui para 2020 em apenas 4 anos, o IBGE estima que a população seja de 212 milhões, a população tende a crescer progressivamente menos, porém, ainda assim cresce, o aumento do teto previsto na PEC para o próximo ano (10 bilhões na saúde, por exemplo) será suficiente para dar conta das necessidades desses novos brasileiros? (20 anos é uma geração inteira). Isso sem considerar a inversão da pirâmide etária que se mantidos os mesmos padrões fariam um rombo na previdência, e, ainda que seja prevista uma reforma previdenciária ela deveria ocorrer antes da PEC para que a PEC pudesse se adequar à ela, não o contrário.

    > Vocês confiam tanto assim nos políticos? Não há nada que contingencie rigidamente os gastos com eles próprios, vocês acham que eles vão manter os mesmos salários apenas com o reajuste da inflação pelos próximos vinte anos? Desculpe, eu tenho convicção de que não pensariam duas vezes em remanejar recursos de qualquer outra área nos fudendo para que mantivessem a boa vida.


    Percebam, não quero entrar nessa discussão raza de direita x esquerda, concordo que reformas precisam ser feitas, mas esse documento está muito cru e parece estar colocando a carroça na frente dos bois para possivelmente beneficiar interesses espúrios. Como falei em algum desses pontos, na minha perspectiva, o mais urgente a ser feito é uma auditoria da dívida pública, que é o maior esquema de corrupção institucionalizado desse país. O Equador teve uma experiência muito positiva com isso, após a auditoria pôde triplicar o investimento social no país.

    Enfim, espero que alguém que esteja por dentro das nuances dessa PEC e que a defenda possa esclarecer os pontos que coloquei.
    Última edição por Boomer DeLonge; 13-10-2016 às 17:46.



    The Road goes ever on and on down from the door where it began. Now far ahead the Road has gone,
    and I must follow, if I can, pursuing it with eager feet, until it joins some larger way where many paths and errands meet.

  7. #27
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    Auditoria da dívida pública que é bom...
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    As vezes eu streamo, siga!

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  8. #28
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    "Organizei 10 perguntas e respostas sobre a PEC 241, com base na minha apresentação de ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Espero que ajude aqueles que estão sendo convencidos pelo senso comum. Lembrem-se: o orçamento público é muito diferente do orçamento doméstico.

    1. A PEC serve para estabilizar a dívida pública?

    Não. A crise fiscal brasileira é sobretudo uma crise de arrecadação. As despesas primárias, que estão sujeitas ao teto, cresceram menos no governo Dilma do que nos dois governos Lula e no segundo mandato de FHC. O problema é que as receitas também cresceram muito menos -- 2,2% no primeiro mandato de Dilma, 6,5% no segundo mandato de FHC, já descontada a inflação. No ano passado, as despesas caíram mais de 2% em termos reais, mas a arrecadação caiu 6%. Esse ano, a previsão é que as despesas subam 2% e a arrecadação caia mais 4,8%.

    A falta de receitas é explicada pela própria crise econômica e as desonerações fiscais sem contrapartida concedidas pelo governo e ampliadas pelo Congresso. Um teto que congele as despesas por 20 anos nega essa origem pois não garante receitas, e serve para afastar alternativas que estavam na mesa no ano passado, como o fim da isenção de 1995 sobre tributação de dividendos, o fim das desonerações e o combate à sonegação. A PEC garante apenas que a discussão seja somente sobre as despesas.

    A PEC também desvia o foco do debate sobre a origem da nossa alta taxa de juros -- que explica uma parte muito maior do crescimento da dívida, já que refere-se apenas às despesas primárias federais. Uma elevação da taxa de juros pelo Banco Central tem efeito direto sobre o pagamento de juros sobre os títulos indexados à própria taxa SELIC, por exemplo -- uma jabuticaba brasileira.

    A PEC é frouxa no curto prazo, pois reajusta o valor das despesas pela inflaçã o do ano anterior. Com a inflação em queda, pode haver crescimento real das despesas por alguns anos (não é o governo Temer que terá de fazer o ajuste). No longo prazo, quando a arrecadação e o PIB voltarem a crescer, a PEC passa a ser rígida demais e desnecessária para controlar a dívida.

    2. A PEC é necessária no combate à inflação?

    Também não. De acordo com o Banco Central, mais de 40% da inflação do ano passado foi causada pelo reajuste brusco dos preços administrados que estavam represados (combustíveis, energia elétrica...). Hoje, a inflação já está em queda e converge para a meta. Ainda mais com o desemprego aumentando e a indústria com cada vez mais capacidade ociosa, como apontam as atas do BC.

    3. A PEC garante a retomada da confiança e do crescimento?

    O que estamos vendo é que o corte de despesas de 2015 não gerou uma retomada. As empresas estão endividadas, têm capacidade ociosa crescente e não conseguem vender nem o que são capazes de produzir. Os indicadores de confiança da indústria, que aumentaram após o impeachment, não se converteram em melhora real. Os últimos dados de produção industrial apontam queda em mais de 20 setores. A massa de desempregados não contribui em nada para uma retomada do consumo. Que empresa irá investir nesse cenário?

    Uma PEC que levará a uma estagnação ou queda dos investimentos públicos em infraestrutura física e social durante 20 anos em nada contribui para reverter esse quadro, podendo até agravá-lo.

    4. A PEC garante maior eficiência na gestão do dinheiro público?

    Para melhorar a eficiência é necessário vontade e capacidade. Não se define isso por uma lei que limite os gastos. A PEC apenas perpetua os conflitos atuais sobre um total de despesas já reduzido. Tais conflitos costumam ser vencidos pelos que têm maior poder econômico e político. Alguns setores podem conquistar reajustes acima da inflação, e outros pagarão o preço.

    5. A PEC preserva gastos com saúde e educação?

    Não, estas áreas tinham um mínimo de despesas dado como um percentual da arrecadação de impostos. Quando a arrecadação crescia, o mínimo crescia. Esse mínimo passa a ser reajustado apenas pela inflação do ano anterior. Claro que como o teto é para o total de despesas de cada Poder, o governo poderia potencialmente gastar acima do mínimo. No entanto, os benefícios previdenciários, por exemplo, continuarão crescendo acima da inflação por muitos anos, mesmo se aprovarem outra reforma da Previdência (mudanças demoram a ter impacto). Isso significa que o conjunto das outras despesas ficará cada vez mais comprimido.

    O governo não terá espaço para gastar mais que o mínimo em saúde e educação (como faz hoje, aliás). Gastos congelados significam queda vertiginosa das despesas federais com educação por aluno e saúde por idoso, por exemplo, pois a população cresce.

    Outras despesas importantes para o desenvolvimento, que sequer têm mínimo definido, podem cair em termos reais: cultura, ciência e tecnologia, assistência social, investimentos em infraestrutura, etc. Mesmo se o país crescer...

    6. Essa regra obteve sucesso em outros países?

    Nenhum país aplica uma regra assim, não por 20 anos. Alguns países têm regra para crescimento de despesas. Em geral, são estipuladas para alguns anos e a partir do crescimento do PIB, e combinadas a outros indicadores. Além disso, nenhum país tem uma regra para gastos em sua Constituição.

    7. Essa regra aumenta a transparência?

    Um Staff Note do FMI de 2012 mostra que países com regras fiscais muito rígidas tendem a sofrer com manobras fiscais de seus governantes. Gastos realizados por fora da regra pelo uso de contabilidade criativa podem acabar ocorrendo com mais frequência.

    O país já tem instrumentos de fiscalização, controle e planejamento do orçamento, além de metas fiscais anuais. Não basta baixar uma lei sobre teto de despesas, é preciso que haja o desejo por parte dos governos de fortalecer esses mecanismos e o realismo/transparência da política fiscal.

    8. A regra protege os mais pobres?

    Não mesmo! Não só comprime despesas essenciais e diminui a provisão de serviços públicos, como inclui sanções em caso de descumprimento que seriam pagas por todos os assalariados. Se o governo gastar mais que o teto, fica impedido de elevar suas despesas obrigatórias além da inflação. Como boa parte das despesas obrigatórias é indexada ao salário mínimo, a regra atropelaria a lei de reajuste do salário mínimo impedindo sua valorização real -- mesmo se a economia estiver crescendo.

    O sistema político tende a privilegiar os que mais têm poder. Reajusta salários de magistrados no meio da recessão, mas corta programas sociais e investimentos. Se nem quando a economia crescer, há algum alívio nessa disputa (pois o bolo continua igual), é difícil imaginar que os mais vulneráveis fiquem com a fatia maior.

    9. A PEC retira o orçamento da mão de políticos corruptos?

    Não. Apesar de limitar o tamanho, são eles que vão definir as prioridades no orçamento. O Congresso pode continuar realizando emendas parlamentares clientelistas. No entanto, o Ministério da Fazenda e do Planejamento perdem a capacidade de determinar quando é possível ampliar investimentos e gastos como forma de combate à crise, por exemplo. Imagina se a PEC 241 valesse durante a crise de 2008 e 2009?

    10. É a única alternativa?

    Não. Há muitas outras, que passam pela elevação de impostos sobre os que hoje quase não pagam (os mais ricos têm mais de 60% de seus rendimentos isentos de tributação segundo dados da Receita Federal), o fim das desonerações fiscais que até hoje vigoram e a garantia de espaço para investimentos públicos em infraestrutura para dinamizar uma retomada do crescimento. Com o crescimento maior, a arrecadação volta a subir."

    Laura Carvalho

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas...-a-crise.shtml

  9. #29
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    Citação Postado originalmente por Venosa Ver Post
    "Organizei 10 perguntas e respostas sobre a PEC 241, com base na minha apresentação de ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Espero que ajude aqueles que estão sendo convencidos pelo senso comum. Lembrem-se: o orçamento público é muito diferente do orçamento doméstico.

    1. A PEC serve para estabilizar a dívida pública?

    Não. A crise fiscal brasileira é sobretudo uma crise de arrecadação. As despesas primárias, que estão sujeitas ao teto, cresceram menos no governo Dilma do que nos dois governos Lula e no segundo mandato de FHC. O problema é que as receitas também cresceram muito menos -- 2,2% no primeiro mandato de Dilma, 6,5% no segundo mandato de FHC, já descontada a inflação. No ano passado, as despesas caíram mais de 2% em termos reais, mas a arrecadação caiu 6%. Esse ano, a previsão é que as despesas subam 2% e a arrecadação caia mais 4,8%.

    A falta de receitas é explicada pela própria crise econômica e as desonerações fiscais sem contrapartida concedidas pelo governo e ampliadas pelo Congresso. Um teto que congele as despesas por 20 anos nega essa origem pois não garante receitas, e serve para afastar alternativas que estavam na mesa no ano passado, como o fim da isenção de 1995 sobre tributação de dividendos, o fim das desonerações e o combate à sonegação. A PEC garante apenas que a discussão seja somente sobre as despesas.

    A PEC também desvia o foco do debate sobre a origem da nossa alta taxa de juros -- que explica uma parte muito maior do crescimento da dívida, já que refere-se apenas às despesas primárias federais. Uma elevação da taxa de juros pelo Banco Central tem efeito direto sobre o pagamento de juros sobre os títulos indexados à própria taxa SELIC, por exemplo -- uma jabuticaba brasileira.

    A PEC é frouxa no curto prazo, pois reajusta o valor das despesas pela inflaçã o do ano anterior. Com a inflação em queda, pode haver crescimento real das despesas por alguns anos (não é o governo Temer que terá de fazer o ajuste). No longo prazo, quando a arrecadação e o PIB voltarem a crescer, a PEC passa a ser rígida demais e desnecessária para controlar a dívida.

    2. A PEC é necessária no combate à inflação?

    Também não. De acordo com o Banco Central, mais de 40% da inflação do ano passado foi causada pelo reajuste brusco dos preços administrados que estavam represados (combustíveis, energia elétrica...). Hoje, a inflação já está em queda e converge para a meta. Ainda mais com o desemprego aumentando e a indústria com cada vez mais capacidade ociosa, como apontam as atas do BC.

    3. A PEC garante a retomada da confiança e do crescimento?

    O que estamos vendo é que o corte de despesas de 2015 não gerou uma retomada. As empresas estão endividadas, têm capacidade ociosa crescente e não conseguem vender nem o que são capazes de produzir. Os indicadores de confiança da indústria, que aumentaram após o impeachment, não se converteram em melhora real. Os últimos dados de produção industrial apontam queda em mais de 20 setores. A massa de desempregados não contribui em nada para uma retomada do consumo. Que empresa irá investir nesse cenário?

    Uma PEC que levará a uma estagnação ou queda dos investimentos públicos em infraestrutura física e social durante 20 anos em nada contribui para reverter esse quadro, podendo até agravá-lo.

    4. A PEC garante maior eficiência na gestão do dinheiro público?

    Para melhorar a eficiência é necessário vontade e capacidade. Não se define isso por uma lei que limite os gastos. A PEC apenas perpetua os conflitos atuais sobre um total de despesas já reduzido. Tais conflitos costumam ser vencidos pelos que têm maior poder econômico e político. Alguns setores podem conquistar reajustes acima da inflação, e outros pagarão o preço.

    5. A PEC preserva gastos com saúde e educação?

    Não, estas áreas tinham um mínimo de despesas dado como um percentual da arrecadação de impostos. Quando a arrecadação crescia, o mínimo crescia. Esse mínimo passa a ser reajustado apenas pela inflação do ano anterior. Claro que como o teto é para o total de despesas de cada Poder, o governo poderia potencialmente gastar acima do mínimo. No entanto, os benefícios previdenciários, por exemplo, continuarão crescendo acima da inflação por muitos anos, mesmo se aprovarem outra reforma da Previdência (mudanças demoram a ter impacto). Isso significa que o conjunto das outras despesas ficará cada vez mais comprimido.

    O governo não terá espaço para gastar mais que o mínimo em saúde e educação (como faz hoje, aliás). Gastos congelados significam queda vertiginosa das despesas federais com educação por aluno e saúde por idoso, por exemplo, pois a população cresce.

    Outras despesas importantes para o desenvolvimento, que sequer têm mínimo definido, podem cair em termos reais: cultura, ciência e tecnologia, assistência social, investimentos em infraestrutura, etc. Mesmo se o país crescer...

    6. Essa regra obteve sucesso em outros países?

    Nenhum país aplica uma regra assim, não por 20 anos. Alguns países têm regra para crescimento de despesas. Em geral, são estipuladas para alguns anos e a partir do crescimento do PIB, e combinadas a outros indicadores. Além disso, nenhum país tem uma regra para gastos em sua Constituição.

    7. Essa regra aumenta a transparência?

    Um Staff Note do FMI de 2012 mostra que países com regras fiscais muito rígidas tendem a sofrer com manobras fiscais de seus governantes. Gastos realizados por fora da regra pelo uso de contabilidade criativa podem acabar ocorrendo com mais frequência.

    O país já tem instrumentos de fiscalização, controle e planejamento do orçamento, além de metas fiscais anuais. Não basta baixar uma lei sobre teto de despesas, é preciso que haja o desejo por parte dos governos de fortalecer esses mecanismos e o realismo/transparência da política fiscal.

    8. A regra protege os mais pobres?

    Não mesmo! Não só comprime despesas essenciais e diminui a provisão de serviços públicos, como inclui sanções em caso de descumprimento que seriam pagas por todos os assalariados. Se o governo gastar mais que o teto, fica impedido de elevar suas despesas obrigatórias além da inflação. Como boa parte das despesas obrigatórias é indexada ao salário mínimo, a regra atropelaria a lei de reajuste do salário mínimo impedindo sua valorização real -- mesmo se a economia estiver crescendo.

    O sistema político tende a privilegiar os que mais têm poder. Reajusta salários de magistrados no meio da recessão, mas corta programas sociais e investimentos. Se nem quando a economia crescer, há algum alívio nessa disputa (pois o bolo continua igual), é difícil imaginar que os mais vulneráveis fiquem com a fatia maior.

    9. A PEC retira o orçamento da mão de políticos corruptos?

    Não. Apesar de limitar o tamanho, são eles que vão definir as prioridades no orçamento. O Congresso pode continuar realizando emendas parlamentares clientelistas. No entanto, o Ministério da Fazenda e do Planejamento perdem a capacidade de determinar quando é possível ampliar investimentos e gastos como forma de combate à crise, por exemplo. Imagina se a PEC 241 valesse durante a crise de 2008 e 2009?

    10. É a única alternativa?

    Não. Há muitas outras, que passam pela elevação de impostos sobre os que hoje quase não pagam (os mais ricos têm mais de 60% de seus rendimentos isentos de tributação segundo dados da Receita Federal), o fim das desonerações fiscais que até hoje vigoram e a garantia de espaço para investimentos públicos em infraestrutura para dinamizar uma retomada do crescimento. Com o crescimento maior, a arrecadação volta a subir."

    Laura Carvalho

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas...-a-crise.shtml


    "Laura quer tributar dividendos. Dividendos são o que sobra do lucro DEPOIS da tributação. Laura quer bitributação. Laura sugere uma medida anticonstitucional. Laura quer penalizar quem investe no mercado de capitais. Laura joga pra torcida socialista. Laura fala em juros altos, mas não fala dos juros forçados para baixo artificialmente por Dilma que causaram todo o estrago e a disparada da inflação. Laura acredita em Papai Noel."

    Há tanta falácia e distorções nesse texto que dá até preguiça refutar tudo. Vou pegar 1 ponto só pra começar (além da citação acima):

    6. Essa regra obteve sucesso em outros países?

    Nenhum país aplica uma regra assim, não por 20 anos. Alguns países têm regra para crescimento de despesas. Em geral, são estipuladas para alguns anos e a partir do crescimento do PIB, e combinadas a outros indicadores. Além disso, nenhum país tem uma regra para gastos em sua Constituição.
    http://spotniks.com/7-fatos-que-cont...obre-a-suecia/

    O resto eu deixo por conta de quem tiver saco pra isso.
    Att,
    GrYllO.

    Precisa de suporte? Crie um tópico público! Sua dúvida pode ser a de outra pessoa. Pesquise se por um acaso a sua dúvida já não foi solucionada antes e, em caso negativo, abra um novo tópico no Suporte ou mesmo em Tecnologia (pro caso de uma dúvida técnica não relacionada ao jogo). Beleza?
    Meu coração pertence à Valéria Freitas.

  10. #30
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    Só eu acho desrespeitoso alguém se propor a debater e fazer um texto apontando as suas opiniões e outra pessoa fazer ironia e responder com um link? (Entendo que para o caso da postagem acima é elas por elas por que o cara também copiou e colou um texto, mas vejo você fazendo muito isso, é chato pra caramba).

    Estou esperando ter um debate saudável sobre o tópico que você levantou, Gryllo, quando você puder responder as indagações que fiz acerca disso que você está defendendo, eu agradeço.

    Publicidade:


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    The Road goes ever on and on down from the door where it began. Now far ahead the Road has gone,
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