"On-On-Onde... Onde estou? Algo deve ter dado errado. Este não é o lugar que eu deveria estar..." Ele deveria ter chegado em um antigo templo, no entanto, o lugar em que ele apareceu se parecia com tudo, exceto isso. Burchan explorou a área ao redor. Ele se encontrou dentro de uma pequena caverna. À segunda vista, parecia não ser uma caverna, mas sim um porão. Um porão velho e depravado.

"Tenho que me concentrar... Não há necessidade de pânico. Onde está esse pedaço de papel...?" Ele procurou nos bolsos e pegou um velho pedaço do bolso esquerdo. Algumas letras estavam desbotadas, ele teve que se esforçar para entender as palavras.


"Que excelente começo..." ele pensou, enquanto subia algumas escadas até o andar superior, de onde ele tinha ouvido vozes e risos. Quando chegou ao topo, ele estava no meio de um posto avançado de aventureiros, com vários humanos correndo através de diferentes saídas, trocando rapidamente de roupas cada vez que deixavam o prédio. Resmungando algo sobre magias, runas e vocações para escolher. Essas palavras não faziam muito sentido para Burchan. Quando olhou ao redor, ele viu um homem em um balcão chamado Inigo. Enquanto ele se aproximava dele, Inigo encarou Burchan como se ele já soubesse quem ele era e o que ele queria. Burchan precisava de ajuda e este homem parecia ser o tipo certo de pessoa para fornecer alguma informação sobre o lugar. Inigo o cumprimentou e ofereceu sua assistência, o que ajudou Burchan a reunir um monte de pistas. Ele estava em Dawnport, um local onde os humanos aprendem a lutar e se preparar para uma dura jornada em um mundo cheio de perigos e brutalidade.

Burchan lembrou das palavras no velho pedaço de papel. Dawnport definitivamente não foi mencionada nele. "Eu preciso ir a um lugar chamado Riotguard ou algo parecido. Alguma vez você já ouviu falar sobre uma ilha com esse nome ou um nome semelhante? Por favor me diga." Inigo não parecia reconhecer nenhum lugar como esse, enquanto ele susurrava o nome repetidamente. De repente, seus olhos se arregalaram quando ele constatou: "Rookgaard! Há uma ilha chamada Rookgard. Eu costumava visitá-la há muito tempo."

Burchan ficou aliviado e satisfeito. Rookgaard. Era uma ilha e combinava com a maioria das letras que ele foi capaz de decifrar. Era a sua melhor chance. Era o lugar que ele precisava ir. É o lugar onde sua jornada começaria. "Sim, eu suponho que essa é a ilha que eu estou procurando! Você pode me levar lá?" Assim que ele declarou suas intenções, Inigo abriu um portal e um momento depois Burchan estava dentro de um pequeno templo longe de sua localização anterior. Olhando para trás através do portal que estava se fechando, ele acenou para o seu novo amigo, a quem ele provavelmente nunca mais veria novamente.

Ao se virar, ele quase trombou com um monge. O idoso amigável, que vestia um hábito marrom, se apresentou como Cipfried. Ele disse a Burchan para vir até ele sempre que estivesse em apuros. Uma vez que Rookgaard é um local perigoso, suas habilidades de cura poderiam vir a calhar. Quando o monge trouxe animais e feras selvagens, Burchan decidiu conferir seu equipamento. Uma clava, uma jaqueta comum, algumas tochas e uma corda foi tudo que ele encontrou em sua mochila. Ele também encontrou três moedas em seu bolso, além de uma maça vermelha. Não era muito, mas melhor do que nada. "Talvez eu possa abastecer meu inventário na próxima cidade", ele pensou enquanto rumava para o norte, para encontrar Vascalir.

A cidade encontrada era pequena. Ainda assim, um prédio gigante dominava o ambiente. A "Royal Tibian Adventurers Academy". Burchan conferiu as anotações em seu bolso. Ele se lembrou corretamente: uma academia era mencionada. Ele entrou no prédio e viu um homem ruivo trajando uma armadura verde. O homem era Vascalir. Ele parecia cansado. "Rookgaard está em apuros" disse ele a Burchan. Sua voz soava fraca e desesperada. Este homem devia ter visto coisas horríveis, seus olhos pareciam vazios e sem esperança. Ele soluçou tristemente antes de começar a contar sua história: Kraknaknork, uma besta poderosa originada dos orcs, estava aterrorizando a cidade e nenhum humano havia sido capaz de enfrentá-lo.

Quando Burchan mostrou ao homem o pedaço de papel que levava consigo, Vascalir perdeu o fôlego por um momento. Ele permaneceu apoiado em uma prateleira. "Você... você não é deste mundo, é? Eu enviei esta a muito tempo através de um portal para outra dimensão. Nossos melhores magos foram capazes de mantê-lo aberto por um curto período de tempo. Pareceu ser nossa única chance. Eu não tinha certeza se a mensagem chegaria a alguém. Saudações a Fardos e Uman por trazê-lo até aqui!" Burchan não sabia como conduzir a situação. Sim, ele fora enviado para esta dimensão por seu avô. Havia lhe parecido uma boa ideia, viajar até este mundo chamado Tibia. Burchan era um homem jovem e inexperiente e precisava de treinamento para se tornar um verdadeiro guerreiro, mas enfrentar um poderoso orc? Isso parecia muito para sua cabeça. Ele suava enquanto encarava Vascalir: "Caramba, no que eu fui me meter?" Vascalir, por outro lado, estava extasiado. A palidez deixou seu rosto e ele agora estava lívido. Um minuto atrás, na frente de Burchan, havia um homem devastado e esgotado. Quase pronto para desistir. Agora havia um guerreiro, recuperando suas forças e esperanças para o futuro. E ele era a razão para essa transformação. Não, ele não podia voltar atrás. "Vamos nessa!" ele disse.

"Mas eu devo confessar, Vascalir. Eu não sou o herói que você espera que eu seja. Eu não possuo equipamentos e nem força para enfrentar um orc no momento." Burchan teve de dizer a ele, ainda que isso estragasse os ânimos. "Entendo." disse Vascalir. "Bem, de qualquer forma, há um enorme potencial em você, eu posso sentir. De início, vou lhe dar algumas tarefas simples que irão ajudá-lo a se tornar forte e, quem sabe, adquirir melhores equipamentos."

Nos dias e semanas que seguiram, Burchan passou a maior parte do tempo carregando pesadas pedras para as catapultas e caçando ratos pelos cantos da cidade. Após concluir com sucesso as tarefas que lhe foram atribuídas, ele foi recompensado com um escudo e um sabre. Ele causou uma impressão tão boa que seus serviços foram requisitados para além da cidade. A cada tarefa que concluía, ele se sentia mais forte. Logo, ele estava apto a enfrentar pequenos insetos e serpentes. A cada abate, suas habilidades cresciam. Cipfried se tornou uma excelente ajuda nos retornos de suas caçadas. Ele estava lá quando Burchan retornou de uma caverna de aranhas, envenenado por uma perigosa aranha rainha, a beira da morte. Ele passou semanas em uma agonia mortal, mas conseguiu sobreviver graças as habilidades curandeiras do monge. Cipfried removeu incontáveis presas de lobos de seus ossos e costurou suas feridas após Burchan ser perseguido por uma matilha. Muitas vezes Burchan viu a luz no fim do túnel no último momento, quando estava prestes a ser abraçado pela morte.


Ainda que Burchan melhorasse dia após dia, a situação da cidade piorava. Trolls conseguiram construir um túnel e invadir o porão da academia, onde atearam fogo em qualquer coisa que lhes pareceu inflamável. Se não fosse pelo heroismo de Burchan, um precioso e importante livro sobre o idioma dos orcs estaria perdido para sempre. Chegara a hora de retaliar. Burchan se tornara tão poderoso que facilmente eliminou os trolls percorrendo seu covil e destruiu o túnel que dava acesso a academia. Junto com Vascalir, ele planejou se infiltrar na fortaleza dos orcs e envenenar Kraknaknork para, finalmente, restaurar a paz na cidade. Após adquirir o veneno de vespas letais e enfrentar mortos vivos pelas criptas, afim de obter ossos carnudos, tudo estava pronto para sua grande batalha. Burchan sabia que a hora de selar seu destino havia chegado. Ele estava fadado a morrer ou a libertar a cidade da opressão dos orcs.

via Tibia.com