
Postado originalmente por
GrYllO
E, falando em merda, é algo que Bolsonaro faz com alguma regularidade (além de bravateiro, sua retórica muitas vezes é horrível), mas confundir isso com ações concretas é coisa, no mínimo, de uma pessoa ignorante - quero acreditar que há boa fé em seus argumentos.
Achei esse trecho interessante por dois motivos: primeiro, porque é a primeira vez que você fala abertamente mal do Bolsonaro (sem aquele recurso retórico cristão de "todo homem é falho"). Apesar da amaciada de dizer que "AS VEZES" o Bolsonaro tem uma retórica ruim, quando qualquer um que acompanha as entrevistas diárias do jumento sabe que isso tem uma frequência preocupante, até mesmo patológica. Mas já é um avanço, a algum tempo atrás era de "melhor Jair de acostumando" pra baixo e muito bordão de militante idealista.
O segundo motivo é a reprodução da narrativa bem comum dos grupos mais intelectualizados que ainda tentam defender o presidente, de que o que o Bolsonaro
fala e o que ele
faz talvez sejam coisas distintas. O que é curioso, já que isso tem vários nomes e nenhum deles é particularmente elogioso ou isenta o presidente de responsabilidade. Até porque, em muitos casos, ninguém quer ficar esperando para ver se ele vai realmente fazer o que ameaça, que é o caso das declarações abertas de possível golpe. Quando ele fizer, já vai ser tarde.
Decoro de cargo, moralidade e ética do serviço público ou simplesmente bom senso e inteligência são exigências legais em cargos públicos e existem motivos para isso. Um presidente que gera crises reais só com as merdas que fala não deveria ter gente passando a mão na cabeça, deveria ter gente alertando o cara. Mas enfim, isso é assunto para o outro tópico.
Olha, eu realmente não acho que o Bolsonaro seja a principal figura para o fim da Lava-Jato, falei aqui nesse tópico inclusive (a poucos posts atrás mas tem um certo tempo). O presidente, mais ainda agora que é abertamente parte do centrão, está inserido em um contexto político onde os que estão lá fizeram claramente um acordo para minar qualquer iniciativa de combate à corrupção. Começou lá atrás, ainda no governo Temer, com a desfiguração completa do "10 medidas contra a corrupção", a
PL 27/2017, no Congresso. Essa desfiguração teve ampla participação da base governista e pouca ou nenhuma interferência do governo federal (vale lembrar que o relator do projeto no Senado era o Rodrigo Pacheco).
A indicação do Aras também foi um chute no cu da Lava-Jato. Só lembrar quem é o Aras, como ele foi indicado (sem respeitar a lista tríplice do MPF) e a quem ele respondia antes de assumir a PGR. Bem como todas as ações do procurador contra a operação, como por exemplo, a política de por fim às forças-tarefas, pedra fundamental da operação. A retirada do COAF do Ministério da Justiça também foi citada pelos procurados da Lava-Jato e parte dos policiais federais como um grande revés à operação.
As decisões recentes do STF foram só a pá de cal, muito movida e motivada pela parte da esquerda que sempre teve a operação como inimiga do PT e do Lula.
O fato é que existe amplo apoio da classe política e de parte da classe jurídica para por fim a Lava-Jato. Arrisco, inclusive, que em Brasília nada tem mais apoio do que isso. E não existe qualquer apoio ao contrário do Governo Federal. Por ação e/ou por omissão, todos tem culpa no fim da operação. E isso é um aprendizado para qualquer cidadão que gosta de mamar político: ninguém está nem aí para a corrupção. Quem votou no Bolsonaro por questões de moralidade, foi enganado. Eu troco o ponto:
não existiu nenhuma medida efetiva do governo Bolsonaro contra a corrupção e de apoio à Lava-Jato.