Bem, vamos ao próximo capítulo.
EsSe capítulo é curto, ou pelo menos, menor que os outros.
Vale saber que ele é escrito por Iregarn, mas resolvi colocá-lo na historia por ser uma espécie de passagem para uma nova era nao-introdutoria no cólera e filosofia. Aqui voces poderão acompanharo desfecho da jornada de Iregarn na sua busca pelo ser humano. Enjoy!
Capítulo V – Sobre a terra, os meus pés
(por Iregarn)
Estou entre os limites do infinito agora, vagando sobre o inesperado da maldição divina. Apesar disso, trato isso como uma bênção, daquelas que buscam afortunar seus indivíduos de glória e paixão. Faz algumas luas que eu estou na estrada, mas luas não são para mim coisas significativas, pois vejo no sol o queijo que me alimenta. A lua não é um queijo, a lua é uma mancha de luz no meio da escuridão. Levo comigo um livro. Sim, em um livro escrevo todas as afirmações e dúvidas de vida, servo da doutrina suprema dos meus velhos mestres: O Mooh’Tah. A cada página folheada, vejo a lembrança dos duros dias de treinamentos árduo em Folda, onde me inspirava nas flores de cerejeira que nasciam no branco eterno. Não que me pareça comum, mas não mais sinto falta de Tra’kull e Akkor, meus mestres. Sinto como se eles tivessem sido mais dois... Até parece que jamais existiu aquela minha obsessão terrível por Mestre Tra’kull, meu general na época das guerras minotáureas, onde eu idolatrava a fúria. Acho que meu coração começou a ver o mundo com outros olhos, acho que eu vejo fogo ao invés de cinzas. Ainda há chance de ser apagado.
Claro que, falando sobre mim, venho a ressaltar meu objetivo complexo em meio a essa grande planície que vem a ser o aglomerado vivo. Talvez possa parecer bobagem de minha pacóvia parte, mas algo me mostrou que os deuses se enganaram ao me parir em forma de minotauro. Acho que as sensações em meu corpo estão se misturando em muito, tudo a ponto de me deixar de certa forma extremamente desconfortável. No fundo sei que não deveria ser um touro, mas sim: um humano, o homem que eu queria ser. Olho hoje para minha mão e não me sinto satisfeito, vejo um vazio. Vejo para o ser humano e enxergo o que eu realmente deveria ser... Aquela forma não me inveja, como você pensa. Ela apenas me desperta sentimentos sedentos, apenas me transmitindo a energia do corpo que eu deveria ter nascido. Em humildade eu digo: Se fosse um homem, seria o mais forte e o mais bonito de todos eles, isso eu lhes garanto. Eu, Iregarn, nunca vou aceitar essa desavença do destino. Tudo o que ele fez de errado deve ser corrigido. Indo ao que mais te aguarda, estava a um caminho cruzado, procurando o que eu queria, ser homem. Se os deuses me fizeram assim, digo eu, assim eles podem me transformar em qualquer outra coisa. Simplesmente, era fácil encontrar o Deus que poderia mudar, mas dentre os milhares, apenas um controla o destino das coisas vivas e mortas. Seu nome é Nornur, Deus de éter e vento, ar e vazio, puro fantasma, nada mais do que alma. Há alguns trechos de histórias órquicas que narram sua presença no cotidiano além-céu, assim como há o trecho dos gêneses que narra a sua origem:
“Então Fardos uniu-se com o ar, e ele criou Nornur, o Deus do Destino. Nornur invejou a magnífica forma de Crunor porque ele havia herdado a forma frágil e delicada de sua mãe, e de fato seu corpo tinha pouco mais substância do que uma nuvem passageira ou uma canção no vento. Ele pediu ao seu criativo primo para ajudá-lo a conseguir um corpo sólido para si, mas não importa quão duro os primos tentaram, eles não encontraram uma solução. Nornur sempre era o que tinha sido em primeiro lugar: um deus etéreo, a sombra de uma sombra. Para consolar seu triste primo, Crunor sugeriu a Nornur que ele deveria pelo menos criar algum ser vivo que pertenceria a ele, então ele poderia se manifestar em seus servos. E então veio a acontecer que as aranhas vieram ao mundo, elegantes e lúgubres criaturas que podiam tecer tênues teias de grande beleza. Frágeis e fugazes, essas delicadas teias assemelhavam-se a efêmera forma de Nornur.”
Nornur, além de sua descrição, poderia me transformar em pele de humano, em carne de humano. Mas difícil seria encontrar sua resolução, achá-lo em sua forma física na Tibia para poder pedir-lhe que venha a obedecer meu pedido.
Fui para uma floresta, uma floresta onde as árvores eram tão altas quanto às montanhas, onde os brilhos dos raios da lua não podiam ser vistos. Comecei a andar durante dias no meio daquela vegetação infinita, o que só me levava a uma única opção: perdido, assim estaria eu? Procurei no meu instinto e na minha meditação a vaga chama de uma bússola espiritual, ato fútil. Era como se estivesse preso em uma cúpula maligna e algo me absorvesse os poderes que eu tinha que me ligavam com o exterior. Coisa que eu achava estranho era o fato de parecer que há dias eu caminhava, mas a noite escura nunca acabava. As folhas das plantas não balançavam mais com o movimento do vento. O tempo havia parado para mim, eu sentia isso na pele e na alma. Olhei para meu lado direito, astuto com qualquer movimento vindo de um inimigo que eu, aliás, sentia que estava próximo. Tentava, mas sabia que as coisas fugiam aos meus olhos. Tudo girava em colapso, até que algum ser apareceu na minha frente. Depois de uma rápida esquiva, não vi mais o vulto. Era como se ele tivesse evaporado.
– Quem está aí? – Perguntei eu ao vazio. Olhava para os lados, mas não via ninguém. Sentia que tinha uma pessoa... Localizada em toda aquela área, me observando de todos os ângulos.
– Sou aquele que procuras? – Disse uma rouca voz, que surgia falando em tom estrondoso, como se a floresta inteira ecoasse seu som.
– Isso depende de quem és! Quem tu és? – Perguntei eu.
A resposta demorou a chegar. Como o tempo parecia inexistente naquele momento, tudo era uma eternidade, ou simplesmente não era nada a mais que vida, sentia a lentidão. Foi então que uma rajada de vento começou a sobrar de todos os cantos, fundindo-se em um furacão bem no meu centro. Gozei do ato, mas não sabia onde iria parar. Em um súbito, o vento me levou da terra aos céus, onde eu pude ver toda a floresta, cercada por uma espécie de barreira energética, que continha os poderes do que parecia um Deus.
– Eu sou Nornur, o destino! – Assim disse o nada enquanto eu estava lá no alto. Ao dizer isso, o vento cessou e eu fui a baixo, caindo na terra boa e me esfolando das pedras.
– Nornur? – Perguntei eu, confuso com a afirmação, apesar de, pela demonstração de poder, não restar dúvidas que aquilo era um Deus.
– Sim, eu sou Nornur, o éter, o vento, a sombra das criaturas e dos seres vivos alheios! O destino! – E ao ressoar dessa última palavra, fui novamente tragado por uma outra série de ventos cândidos, sendo lançado alguns metros de distância.
Não restava dúvidas que aquele era um Deus legítimo. Pela sua força e sua aura divina, as características se tornavam óbvias. E o melhor ponto de todos os fatos: Era esse aquele que podia me transformar no que eu tanto queria, um homem. Um impulso, uma espécie de magnetização por essa forma viva que eu sinto ter algo próximo a mim. É o destino mal cruzado, que agora será concertado.
– Nornur, o Deus que a tanto aclamo! – Exaltei glória eu, indo de joelhos ao chão.
– Eu sei o que queres, reles minotauro. Mas quero ver isso saindo da tua boca fétida. O que veio fazer aqui? – Indagou a sua voz.
– Eu... – Não podia falar daquela forma ordenada – Eu vim aqui lhe pedir que mudasse meu corpo, nobre divindade que a tanto venero.
– Sei... E por que eu faria isso para um mero mortal como você? O que devo a ti? – Ele perguntou, vindo assim minhas dúvidas em minha cabeça.
– Porque... Se você me transformar em homem – As reticências estavam me denunciando, mas tudo eu podia fazer para ser o que eu queria – Eu serei seu servo eternamente!
Unicamente, eu seria com todo orgulho. Assim sendo, um vento me envolveu novamente e nele eu me senti como jamais tinha ficado. Minhas mãos se suavizaram e eu estava como que preso em uma bolha de felicidade. Nada vi desde então. Quando acordei, eu estava em um deserto, a aurora no horizonte despertava. Levantei e andei dois passos, cambaleando na areia de lado. Abri um pouco meus olhos e notei minha pegada ao chão. Era a minha. Pés humanos agora. Sorri um pouco e vi algo ao horizonte. Parecia como uma caravana, cheia de cavalos. Estava fraco, fechei os olhos e cai desacordado. O resto já não me lembro mais.
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Como voces puderam ver, dei nesse capítulo uma resolução maior ao Deus um tanto "esquecido", Nornur. Coloquei algo como suas habilidades e tal, afinal, ele não era apenas éter e vento... Era algo mais e tinha suas habilidades, ou não seria chamado também de "destino".
Está aí. Prometo um capítulo VI muito melhor que todos os outros, por isso aguardem! A verdadeira história mal começou...
Obrigado por ter lido e volte sempre.
Caboom
:mad2::mad2::mad2: