Bem, eu parto da seguinte linha de raciocínio. Deus nos deu a dádiva da existência, nos deu a vida. E quando falo de vida aqui, não me refiro apenas às condições fisiologicas. Me refiro ao gosto de viver, àquilo que nos motiva a continuar nossas vidas. Dificilmente uma pessoa não terá nada pelo que viver, mas é plenamente possível de ocorrer. Me diga, o que motiva um cidadão sem expectativas ou esperança prosseguir em sua vida? Eu diria nada. A realidade atual é nua e crua, aliás, desde a Revolução Industrial o lado material se sobressaiu ao lado espiritual. De forma alguma menosprezo a capacidade humana, mas como qualquer ser, temos nossas limitações. Milagres não são coisas corriqueiras, infelizmente. Esperança é outra coisa que não afeta de forma alguma nossas vidas. Esperança não tem nenhum efeito sobre algo que queremos, ele ocorre devido ao acaso e às circunstâncias. Não adianta dizer "Ah, tenho esperanças em passar no vestibular!" se você não estudou PN. Nem reza braba resolve teu caso. Por isso mesmo, um suicida geralmente é realista, pé no chão. Preve seu futuro sem maiores complicações. Mas como eu disse, dificilmente uma pessoa não terá uma razão para viver. Se sua vida se arruinou irremediavelmente, pense naqueles ao seu redor, que poderão sofrer com sua perca. Agora, se nada, absolutamente nada lhe propelir a viver, para que prosseguir em uma vida regida pelo mecanismo fisiológico? Por que não arriscar uma nova realidade pós - morte? Afinal de contas, o que está além é uma icógnita e tanto pode ser tanto algo melhor quanto pior. Mas é aquela velha frase "Quem arrisca não petisca.". A crença religiosa também é algo que da um empurrãozinho na hora de se matar. Deus é benevolente e compreende a cituação de mortais como nós. Conquanto, ainda existem pessoas que agem por instinto, a cituação o compele a cometer esses atos, seria um meio de defesa contra o que vem pela frente. Fazendo uma breve alegoria, posso citar o exemplo de um torturado. Ele é tão torturado que a única escapatória que vê é a morte. No caso do suicida é a emocional. Um exemplo notório é o saudoso presidente Vargas. Suicidou-se de forma insensata, a cituação dele não estava completamente perdida. Aliás, só o fato de termos por quem viver, já é suficiente para impedirmos a dor da perca em essas pessoas e a alteração de suas vidas para sempre. Pode ser que nossa existência possa não ser de nosso usufruto, mas com certeza poderá ser de usufruto alheio. Suicidar-se dessa forma é insensatez e atitude instintiva que irá gerar muito mal para outras pessoas ou até mesmo para o próprio suicida, que ainda poderia ter um caminho para sair do labirinto do desespero.
Quando não se tem mais nada para viver, absolutamente nada, ou seja, família, bens, amores, amizade, convivência, apoio, expectativa, quando a vida se resume a seus impulsos cerebrais e as batidas cardíacas, ela não pode mais ser chamada de vida. Você se resume a uma massa orgânica viva e ambulante. Nessas condições, sou a favor do suicídio. Deus compreendera o descarte da dádiva que ele deu, não por culpa dele mas por culpa do meio social e às circunstâncias a qual todos estão condicionados.
O suicídio é a chave para abrir um portal desconhecido que transcede a realidade humana. As vezes o medo de se deparar com algo pior, se sobressai à vontade de morrer para viver uma vida melhor. Apartir daí, é sobre sua conta e risco. Eu não arriscaria, viveria de forma natural até que minha própria condição humana se encarregasse de me levar daqui para outra.