Boa tarde amigos do TibiaBR.
Estou trazendo para vocês uma história que eu criei para participar de um concurso em um outro servidor onde eu jogo.
Espero que gostem!
Spoiler: O mistério de AnkrahmunNinguém na majestosa cidade de Thais parecia saber explicar o repentino paradeiro dos jovens Paul e Mark. Há quem diga que eles foram trancafiados pelo Ferumbras pessoalmente, sem falar dos cânticos exaltantes de alguns músicos que dizem até que os Ruthless Seven estão envolvidos. A verdade, incontestável e pura, é que ninguém sabe o que realmente aconteceu. Todas essas histórias são apenas suposições de mentes delirantes que, talvez com alguma ajuda do álcool, encontraram inspiração no acontecido para criar contos de fadas, ou de demônios.
“Desaparecidos: Mark e Paul” – lia-se em um cartaz na parede do depot de Thais, juntamente com as fotos de dois jovens rapazes: Mark, o mais velho, possuía olhos com sobrancelhas fortes e grossas, queixo e nariz pontudos e olhos escuros que miravam ao vazio por entre seus cabelos castanho-avermelhados. Paul, por outro lado, parecia ser apenas um garoto com médios cabelos dourados, olhos azuis brilhantes e um sorriso de menino que acaba de receber de seu pai sua primeira espada.
E as suposições de o que poderia ter acontecido apenas aumentavam e começavam a ficar cada vez mais delirantes e absurdas.
Eis então eu, Ractan Norus, quem irá lhes contar o que realmente aconteceu naqueles dias obscuros.
Era muito comum avistarmos Mark andando de um lado para o outro da cidade fazendo as missões do nosso conhecido caçador de recompensas, o velho senhor Grizzly Addams. Mas tamanha era a dedicação e o talento do jovem para com as suas missões que em pouco tempo ele conquistou não apenas a confiança, mas também a amizade de seu orientador. E digamos que Mark gostava de se vangloriar por isso. Era muito orgulhoso esse rapaz.
Em um determinado dia, Grizzly Addams – aquele velho insano! – ficou sabendo, através de outros discípulos, do aparecimento de uma estranha força próxima a Ankrahmun, força essa cuja tamanha magnitude fazia com o que os escaravelhos (Scarabs) emergissem das areias escaldantes do deserto. Curioso para saber do que se tratava, enviou seu mais fiel aluno com o intuito de adquirir um pouco mais de conhecimento a respeito do misterioso fenômeno.
A cidade parecia estar vazia, pois poucos eram destemidos o bastante para sair as ruas. Era notável o clima de tensão e a sensação de uma energia estranha mesmo durante a forte e quente luz do dia. Sem demora, Mark foi em direção ao deserto onde pretendia encontrar a fonte dessa energia maligna.
O deserto, o grande mar escaldante de areia, se estendia até onde a vista podia alcançar. Suas dumas gigantescas lembravam mais montanhas do que qualquer coisa, e a cada passo que Mark dava, mais difícil ficava a caminhada. Os reservatórios de agua estavam quase pela metade e, se ele continuasse a prosseguir inutilmente, faltaria agua para o seu retorno a cidade.
O dia passou com um arrastar interminável, mas quando a noite finalmente caiu, e junto com ela, a temperatura, Mark pegou seu cobertor e, cansado da longa caminhada, adormeceu sob as luzes das estrelas. Em seus sonhos encontrou-se em um navio, seguindo rumo ao desconhecido quando uma tempestade os atingiu. Ondas gigantes afundaram o navio e Mark foi lançado ao mar, mas não sabia nadar e começou a afundar... afundar... afundar... até que levantou-se assustado em um pulo e viu-se cercado de areia. Ainda era madrugada e Mark não conseguia enxergar muito adiante, mas sentia os grãos de areia batendo em seu rosto com força.
- Mas o que é isso!?? – gritou Mark quando viu uma onda de areia se erguer e cair sobre ele. Então, tudo ficou escuro.
Foi acordado por um homem, outro aventureiro curioso, que por sorte estava passando alí. Seu nome era Thanzor e foi ele quem achou Mark e o levou de volta a superfície. Thanzor aparentava ter cerca de 25 anos, com olhos escuros e uma imensa cicatriz em seu rosto que seguia até metade de seu couro cabeludo, que já não tinha mais tanto cabelo assim. Thanzor ostentava um escudo com um imenso pentagrama (mastermind shield) que reluzia na forte luz do sol que estava nascendo.
- Você está bem, rapaz? – perguntou Thanzor com sua voz áspera – consegue ficar de pé?
- Sim, - respondeu Mark, confuso – mas o que aconteceu?
- Você foi atingido por uma tempestade de areia, garoto. Te encontrei soterrado com apenas dois dedos para fora a areia. Foi muita sorte você ter sobrevivido. – Disse o homem com uma voz sarcástica.
E essa foi a primeira vez que Mark olhou ao seu redor. Onde estava? Tudo estava diferente.
A tempestade removeu a enorme duna de que Mark se lembrava, e na sua frente ele pôde ver uma grande planície de areia. Lá na frente, pequena como uma formiga, podia-se ver alguma coisa. Algo que com certeza não era areia, mas o que poderia ser?
Mark agradeceu e logo foi em direção ao tal objeto avistado. Thanzor, curioso, o seguiu. Ao chegar no local, avistaram um tipo de sino. Mas o que um sino estaria fazendo no meio do deserto? O sino era dourado, talvez feito de ouro, e com escritas feitas em um prateado característico. A escrita dizia “quem ouvir o meu som será enviado pelas areias, não sou do mar, mas assim como nele são as sereias. Levarei para o fundo quem ouvir o meu cantar”.
- O que será que isso significa? – perguntou Mark, que já sabia a resposta.
- Nada! É besteira! Não existe isso... sereias! – gargalhou Thanzor pegando o sino na mão.
- Cuidado com isso! – explodiu Mark – não deixa ele tocar!
- Não me diga que você acreditou nisso, garoto – disse Thanzor com tom de decepção – nada vai acontecer e eu vou provar.
E então Thanzor tocou o sino e... nada aconteceu.
- Eu não falei? – Disse Thanzor com tom de extrema superioridade – você tem que aprender a diferenciar a realidade dos contos de fadas...
E então, em um piscar de olhos, tudo tremeu. Não havia como escapar, o chão que estava sobre os pés dos rapazes se desfez e eles caíram dezenas de metros, rolando na areia, até o que parecia ser uma caverna subterrânea.
- Mas o que? – falou Thanzor, lentamente.
E a resposta veio em sua mente assim que viu o olhar furioso de Mark em sua direção.
- Calma, garoto. Com certeza isso foi apenas coincidência. – falou Thanzor, dando alguns passos à frente, em direção a um dos lados da caverna.
- O que vamos fazer? – questionou Mark – não tem como a gente subir, e é muito improvável encontrarmos ajuda porque estamos no meio do deserto.
- É óbvio, não é garoto? Temos que seguir em frente.
Na medida em que foram se afastando de onde caíram, a caverna foi ficando cada vez mais escura. Lado a lado, seguiram em frente acompanhando as paredes até um momento em que sentiram o chão ficar duro, não pisavam mais em areia, mas em pedra. Um pouco mais adiante, havia uma luz, aparentemente flutuando. Essa luz encontrava-se no teto da caverna e, a força que ela tinha era tanta que ao ultrapassá-la, tudo ficou claro.
Era a primeira vez que Mark presenciava algo daquele tipo, mesmo com sua vasta experiência adquirida nas missões do seu orientador. Com medo de emitir qualquer som, fez gesto para que Thanzor também manter-se em silencio. O homem concordou.
Ao andarem o que parecia ser meio quilômetro à frente, Mark seguiu adiante enquanto Thanzor foi ficando cada vez mais para trás, andando lentamente. Demorou alguns minutos antes que Mark percebesse e, quando o fez, fez gesto para que o homem se apressasse.
Nisso, Thanzor começou a rir. Mas não foi uma risada silenciosa ou tímida, mas uma gargalhada crescente e pesada com maldade. Antes que Mark pudesse fazer qualquer coisa, não havia mais Thanzor à sua frente, mas um homem alto com um cajado e um roupão negro. Suas feições eram perversas e seus olhos e longos cabelos eram de um branco ofuscante. O homem fez um movimento com o cajado e uma bola de energia negra, semelhante a aquela que iluminou o caminho, surgiu. Mark pôde sentir a energia e percebeu enfim qual era a fonte de toda tensão que estava ocorrendo em Ankrahmun.
- Você me engan...
- Silencio! – explodiu o novo Thanzor, e com um movimento do cajado, Mark sentiu suas bocas se fecharem contra a sua vontade – você é realmente muito tolo, garoto! Vou deixar que vagueie por ai, mas saiba que eu tenho planos para você. – E soltou uma intensa gargalhada.
Nisso, Thanzor foi flutuando à frente enquanto a energia maligna se movimentava em direção a Mark. A sombra que vinha em sua direção quase o tocou, passando velozmente pelo lado de sua cabeça. A sensação gelada que ela emitia o dominou tal como um grande banho de agua fria nas caichoeiras de Port Hope.
Sem querer ser feito de bobo por Thanzor, o seguiu para mostrar que não teria sido passado para trás tão facilmente. Seguiu o corredor – “vou para a esquerda ou para a direita?” – pensou quando se deparou com uma bifurcação. Um corredor que se dividia em dois lados, cada um levando a um caminho completamente distinto.
Mark sabia que deveria sair dali, mas sabia também que Thanzor era o único que conhecia a saída. Então ele teria que dizer, seja por bem ou por mal. Mas Mark também sabia que o homem era poderoso e que isso seria muito perigoso. Mas parecia que ele não tinha escolhas.
“eu tenho planos para você”, lembrou, o que poderia significar isso? Que planos são esses?
Um jogo, um jogo demoníaco, uma espécie de quebra cabeça, um cubo mágico das trevas onde o todo o tempo era essencial. Mark seguiu para a direita e pôde ouvir em sua cabeça as rizadas maléficas de Thanzor. Correu, cada passo mais veloz que o anterior.
Em um dado momento, Mark percebeu que o cenário havia mudado. Haviam marcas nas paredes e o chão foi ficando escorregadio. Vendo isso, ele achou melhor ir devagar e em silencio porque não sabia o que poderia ser encontrado alí.
Seguindo um pouco por esse estranho corredor, Mark começou a sentir um cheiro forte. As marcas nas paredes começaram a expelir um gás, provavelmente tóxico, então ele começou a correr de volta quando escorregou e caiu ao chão. Infelizmente a queda foi maior que o chão. O piso onde Mark havia caído se abriu, fazendo-o descer mais em um túnel. Uma vez chegado novamente no chão, Mark abriu seus olhos e percebeu que se encontrava em uma sala com uma bandeira, uma bancada e ossos, muitos ossos espalhados no lugar.
- Hahahahaha! – Gargalhou uma conhecida voz rouca e áspera. Thanzor havia retornado – Que bom ver que você caiu em minha armadilha, menino tolo!
A primeira reação de Mark foi tentar se levantar e correr para atacar seu inimigo mas...
-Opa! Pera aí, por que a pressa? – disse Thanzor com um movimento no cajado, imobilizando Mark com magia – você acabou de chegar. Eu insisto que você fique até o jantar. – Gargalhou de novo. Nisso, uma grade se materializou, prendendo Mark no canto daquela sala, ao lado da bandeira.
- Me deixa sair! – berrou Mark.
Foi completamente ignorado.
Thanzor foi até a bancada onde um livro havia se materializado. Folheou suas sujas páginas e parou na que procurava.
- Mark, você deveria se sentir orgulhoso! Está prestes a me dar a sua energia para que eu possa continuar aumentando minhas forças. Eu sou Thanzor, o espectro. Eu sugo a vida dos outros para continuar vivo, e hoje você é quem vai servir ao meu nobre propósito.
- Nunca! – berrou novamente Mark.
- Akwamattum Sugartenvitus! – pronunciou Thanzor, e de seu cajado saiu uma corda vermelha que se enrolou ao pescoço de Mark. Que teve sua energia sugada e pereceu alí mesmo, enjaulado.
Paul era filho de um nobre cavaleiro do império e era constantemente criticado por julgar não receber seu devivo valor. Todos, inclusive seu irmão, Lock, o julgavam incapaz de resolver mistérios ou lutar em batalhas. Mas até então, Paul nunca tinha perdido a cabeça. Até então...
Isso aconteceu uma semana após o desaparecimento de Mark. Paul, cansado de ser tratado como criança, saiu de casa e decidiu fazer uma busca secretamente. Para isso, ele foi até o velho Hunters Boss saber onde ele havia enviado o rapaz.
- Ahkrahmun, meu jovem. Mark foi resolver uma coisa para mim. – respondeu o velho.
Uma vez em Ankrahmun, Paul, que também conseguia sentir a energia negativa do lugar, seguiu-a procurando sua origem. Ele sabia que Mark teria feito o mesmo.
- “utani gran hur” – conjurou Paul, para acelerar seus passos.
Ele andou por cerca de duas horas, sem descanso, em um ritmo muito acelerado. Percorreu quilômetros, subindo e descendo dunas até encontrar um buraco no meio do deserto.
- Não entre aí! – berrou um homem que se encontrava ali. Era Thanzor, novamente disfarçado. Há energia das trevas nesse lugar!
- Estou procurando uma pessoa: Mark de Enigma. O senhor o viu passar?
- Mark? Sim, eu conheci um Mark alguns dias atrás.
- Onde foi isso? – perguntou Paul, ansioso pela resposta.
- Sinto dizer que... eu o vi caindo lá em baixo. - Thanzor apontou para baixo, indicando o fundo do buraco.
Sem pensar no que poderia acontecer, Paul se lançou ao buraco e desceu até o corredor, onde logo seguiu o caminho, visto que havia pegadas no chão apontando a direção.
“são duas pegadas... quem estava com ele?”, pensou quando seguia o túnel escuro.
Encontrou também a luz flutuante e o corredor de pedra. Seguiu seu caminho indistinto até que apareceu em suas costas um homem alto, cabelos e olhos brancos. Era Thanzor, em sua verdadeira forma.
- O que o trás aqui, criança? – perguntou, dando uma gargalhada pesada e maléfica.
- Estou procurando um amigo.
- Encontrou?
- Ainda não...
- Que pena. – cortou Thanzor.
E com um movimento, Thanzor enviou uma bola de energia em direção a Paul que rapidamente reagiu.
- utana vid! – conjurou Paul, desaparecendo completamente.
Thanzor, surpreso, conjurou paredes de energia impedindo que o garoto retornasse para onde veio. Dando a Paul apenas um caminho: o corredor adiante. A verdade é que o ataque de Thanzor acertou o braço de Paul, que se encontrava bastante machucado.
Seguindo o caminho que lhe fora proposto, com o chão de Pedra, fazia barulhos ao andar. Thanzor ouviu e voou em sua direção velozmente com as mãos estendidas agarrando o pescoço, ainda invisível do garoto. Thanzor o levantou e o levou adiante atravessando vários corredores com os mais variados tipos de demônios até que chegassem em uma sala escura, com uma bandeira, uma grade e muitos ossos. Foi alí que Thanzor o soltou.
“Aquele é Mark? Está morto?” pensou Paul quando avistou o corpo enjaulado.
- Obrigado por comparecer em minha festinha – disse Thanzor sarcasticamente – seja bem vindo.
- O que você fez com Mark? – berrou Paul.
- Digamos que ele está mais vivo agora – respondeu, aos risos.
Quando Paul foi se levantar, Thanzor o imobilizou e o lanço para outro canto ao lado da bandeira, onde uma nova grade apareceu, prendendo Paul ao lado do corpo de Mark.
Thanzor ficou radiante porque mais uma vitima entrara em sua armadilha com tanta facilidade. Foi direto procurar as palavras para conjurar o feitiço.
- Akwamattum Sugartenvitus!
A corda que saiu de seu cajado foi lançada ao pescoço de Paul, que rapidamente sentiu sua energia sendo sugada.
Em meio a sufocante pressão em seu pescoço, Paul estava sentindo a consciência ir embora, mas aguentou o máximo que pôde até pronunciar três pequenas palavras. Sua única saída.
- Exevo gran mas flam! – berrou.
Com isso, uma grande explosão partiu através de si mesmo, acertando Thanzor, que não estava prevenido. O espectro, recebeu toda a energia e teve seu corpo todo queimado com o calor.
Após isso, a corda havia desaparecido e Paul ainda estava vivo.
Thanzor encontrava-se de joelho, todo queimado, e seu corpo parecia estar se desfazendo aos poucos.
- O que você fez, maldito!
Essas foram suas ultimas palavras porque após isso seu corpo desapareceu, sendo transformado em pó, e apenas pó.
Paul, que havia sobrevivido ao pior, ainda continuava preso dentro da jaula e encontrava-se muito ferido.
Viu que não tinha opção, não havia como sair, então conjurou um pombo e enviou uma mensagem ao seu irmão.
“Irmão, eu falhei. Saí de casa escondido e me dirigi a Ankrahmun para tentar encontrar o desparecido Mark. Bem, eu o achei, mas ele havia sido morto por um Espectro, com quem eu batalhei e venci. Sim, eu venci! Mas creio que não tenho forças para sair daqui. Venham me buscar, o pombo indicará o caminho.”
O irmão de Paul criou um grupo e todos foram fazer a busca, mas quando chegaram, era tarde demais. Paul não resistiu e faleceu alí, naquela sala escura, ao lado de Mark.
FIM.
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