Areias e Jarros
Horestis foi realmente um grande faraó, apesar de poucos relatos sobre sua história devo afirmar que talvez tenha sido o maior senhor daquela terra quente. Como um feiticeiro negro, passei dias tentando desvendar os mistérios ocultos de Ankrahmun. Suas tumbas mais conhecidas foram decifradas com facilidade, seus tesouros e objetos sagrados um dia estiveram em minhas mãos, doce passado.
Lembro-me de ouvir o nome deste importante faraó alguns anos antes de meu tempo no abismo negro do esquecimento e da morte, porém na época poucas coisas eram conhecidas, e tudo era tratado como uma lenda. Horestis foi sepultado em uma cripta gingante, dentro de um sarcófago e um pouco distante do vale dos faraós, e os detalhes daquele local nos fazem dizer que realmente estamos falando de alguém importante. Outro ponto que me chamou a atenção é sobre a entrada do sarcófago, esta a um nível acima dos demais, assim cogito que Horestis é superior a todos.
Os antigos faraós possuíam a importância de serem espíritos guiados pelo supremo faraó Arkhothep, e nisto eram somente vassalos deste poderoso faraó, suas almas estavam presas a um contrato eterno de servidão, porém Horestis repousa distante da maldição que prende estes faraós antigos.
Poucos detalhes são conhecidos sobre Horestis, por esta razão muitas histórias se tornaram lendas e assuntos para bardos e bêbados. Um bardo me confidenciou que Horestis poderia ser um faraó inimigo de Arkhothep, e que seus vassalos tetaram tomar Ankrahmun no passado. Há quem diga que na realidade os dois faraós eram irmãos sendo Arkhothep o sucessor de seu pai, e Horestis um possível usurpador.
Como informei há diversas histórias, muitas fantasiosas e nada pode ser dito como real, apenas asseguro que Horestis foi poderoso, rico e um grande feiticeiro.
A morte me deixou sinais visíveis, porém minha capacidade de pensamento continua forte, e quando ela entrou em meu quarto senti que algo estava diferente. Sattamini queixava-se que um antigo papiro de Ankrahmun havia sumido, sendo este muito antigo e possuía segredos obscuros. Se não me engano, estava escrito que, “Quando seu corpo estiver seguro, haverá paz na sobre a areia. Mas se algo ocorrer com seu corpo, criaturas viriam das trevas e pisariam todo o deserto.” Somente com estas palavras, nunca ao certo soubemos de quem se tratava.
Olhando dentro dos lindos olhos verdes de Sattamini, pude me encantar novamente por aquela jovem guerreira escandinava. Sattamini era uma jovem mulher que qualquer homem se encantaria, ainda mais um homem que se julgava poderoso. Recordo-me de quando a conheci, estava em busca de alimento no lar dos dragões de Yalahar, e a sua habilidade com uma espada me chamou a atenção. Eu um poderoso feiticeiro encantado por uma jovem guerreira, mas apenas a observei de longe, cada golpe, cada movimento, o perfume de seu corpo estava mais forte que o odor de sangue do local. Não sei se foi encantamento, mas as paredes daquele local pareciam brilhar com sua sombra. Sai rapidamente do local, passando as pressas por dois elfos e mal sabia que novamente a encontraria. Mas deixaremos o momento de nosso encontro para outra ocasião, vamos apenas ressaltar que nos tornamos amigos.
Sou Wicked Spidey, feiticeiro negro e servo de meus desejos, o principal é o poder arcano, e o sangue de criaturas repugnantes. E naquele dia as palavras de Sattamini me trouxeram a certeza que algo valioso e mortalmente perigoso estava em jogo.
Enquanto minha doce guerreira falava sobre o significado dos astros, da posição das pirâmides e do alinhamento da nova cripta descoberta, senti que algum espírito antigo havia retornado, ou estava a vias de retornar. Meu corpo foi tomado por um frio intenso e um arrepio, sentei-me e pude escutar: – Wick, esta tudo meu? – Mas não pude responder, neste momento trevas me cercaram, pude claramente observar um ferrão grande e maligno, como de um grande e temível escorpião, neste instante apaguei.
O despertar foi de dor e náuseas, meu corpo se comportava como que envenenado, conseguia sentir um sabor de sangue com ervas em meus lábios, consegui ver o sol brilhar pela janela de meu pequeno quarto retangular, porém meu corpo estava frio como se estivesse na mais fria montanha.
Com meu súbito despertar escutei uma voz calorosa, – Seu malando, pensando que nos deixaria novamente? – ao olhar avistei meu amigo Fari Syll, sorrindo e gesticulando como um louco. – Fico feliz em ver que esta bem, filho de Ferumbras – sempre me dizia isto, pois sabia do ódio eterno que eu sentia pelo velho mago. Nada pude responder, meus lábios ainda não tinham força para pronunciar palavras. Mas com alguns instantes meu velho amigo me deixou informado sobre os últimos acontecimentos, e as notícias não eram nada boas.
Uma força até aquele momento desconhecida parecia estar invadindo a região de Ankrahmun, as criaturas daquelas regiões não se comportavam como antes, viajantes informavam que até pequenos grupos nômades da região estavam procurando abrigo em outros locais. Algo estava sendo realizado naquela terra antiga, as tumbas já descobertas estavam com suas estruturas abaladas, as criaturas malignas das tumbas mudando constantemente de comportamento, e há quem diga que o poderoso faraó Arkhothep se movimentava de maneira obscura em seu templo.
O mais surpreendente foi descoberto próximo ao lar de terríveis dragões, eis que surge um novo sarcófago, realmente gigantesco e magnífico, totalmente ornamentado. Foi descoberto seis níveis abaixo de sua entrada principal, pelo mapa que me foi apresentado o projeto deste tumba faraônica foi realmente trabalho de um grande engenheiro e arquiteto.
Modelado como um gigantesco quadrado, seus pavilhões apresentam formas e desenhos, que para alguns ocultistas são formas malignas, ou quem sabe mensagens. Pelos relatos que recebi as criaturas não são dignas deste poderoso local, são criaturas fracas e frágeis que guardam este magnífico templo da morte. Fari Syll ainda pode me informar que dentro do último pavimento há um local trancando, uma sala totalmente gigante, porém não há pistas do que pode ser escondido neste local.
Ao escutar cada detalhe daquele local tive um desejo imenso de viajar para lá, porém tive que aguardar dois dias para meu corpo voltar ao normal. E durante estes dois dias, passei a analisar tudo o que conhecia sobre as tumbas antigas de Ankrahmun e os seres que ali viviam.
Na manhã em que me senti fortalecido para a viagem fui até o estábulo e lá o mestre de cavalaria, Palomino, me informou que meu cavalo estava preparado para a viagem distante e que me cederia mais 4 cavalos para a expedição.
Ainda me informou que alguns guerreiros haviam procurado seus serviços para procurar informações de camelos para carregar as bagagens. Com este alerta percebi que talvez meus cavalos não seriam uma boa escolha para o deserto, então tentei me informar sobre como me sair bem na terra arenosa. Palomino me disse que meu cavalo era preparado para todos os terrenos, porém seria interessante eu manter animais mais preparados para o deserto como apoio.
Ainda em minha amada Thais fui em busca de mais suprimentos para a expedição e a procura de Sattamini, já que fazia dias que não tinha notícias da mesma. Encontrei a procura de livros e pergaminhos sobre Ankrahmun, fui recebi com um belo e malicioso sorriso e entre as palavras percebi um sarcasmo – Tão poderoso com a manipulação dos elementos, mas tão fraco fisicamente, será que conseguirá se reestabelecer? – Após estas palavras sorri retrucando – Meu doce amor, mesmo morrendo consigo matar muitos, meu poder estar com o uso da mente e não somente do meu físico. – Após nossas palavras iniciais, passamos a montar estratégias e analisar o que poderia estar ocorrendo com Ankramun.
Naquele mesmo dia andando pelo porto de Thais, encontrei um marujo que levaria nosso pessoal para ankrahmun, lembro-me que seu nome era Yasir um majestoso comerciante. Yasir como um lobo velho tanto sabia sobre as terras tibianas, e em particular sobre Ankrahmun, me disse mais precisamente o que estava acontecendo naquela distante terra. Disse-me ainda – Sábio amigo, as águas muito falam sobre a terra, posso sentir o sopro do ar da terra e o tremer da água batendo no casco de meu belo navio e ultimamente as águas tem mudado constantemente, e os ventos nos feito perder muitas rotas. – Sorrindo continuou – Estou atrasado para chegar na distante Ankrahmun, não tenho como rota comercial passar por Thais, porém um vento forte me desviou assim que sai de Liberty Bay. Como tenho clientes a minha espera em Ankrahmun e preciso partir sem muita carga, sei de um amigo que poderá te auxiliar com toda esta sua viagem.
Desta maneira acabei conhecendo capitão Lauro Mercante, e nesta primeira viagem o mesmo me cobrou um fortuna, nada mais nada menos que 100 lingotes de ouro. Depois de tudo preparado içamos vela e partimos rumo ao porto de Ankrahmun, chegamos três dias depois e como fomos alertados, os ventos tentavam nos afastar daquele local, porém nosso capitão conseguiu navegar mais próximo da costa, fugindo do vento forte do mar aberto. Ao avistar de longe as pontas das pirâmides, algo em mim disse que talvez a posição de cara pirâmide poderia nos trazer novidades.
Ao pisar no porto de Ankrahmun e avistar o capitão Sinbeard sabia que estava no local correto.
Continua...







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