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Tópico: O mal se levanta novamente

  1. #51
    Avatar de Ze Tibiano
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    Que bom constatar o advento de um novo capítulo. Gostei muito da abordagem deste último, mostrando uma realidade mais bruta ou crua da sociedade de Thais, consubstanciada nas circunstâncias da vida de Aruda e no ambiente da prisão. E também na introdução dos quatro novos personagens, componentes de um bando. A perspectiva de haver um assalto no próximo capítulo aguça ainda mais a minha curiosidade.

    Mas o lado mais ameno do capítulo - girando em torno dos diálogos protagonizados por Addae, tanto na armearia como no castelo - também teve o seu encanto. Os seus diálogos deixam antever situações futuras e prováveis muito interessantes.

    Enfim - agradeço os minutos prazerosos de leitura. Torço para que o nobre não perca o interesse no desenvolvimento e na atualização de tão encantador e criativo enredo.

    Fique bem.

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  2. #52
    Avatar de Japixek
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    Caríssimos frequentadores da seção Roleplaying,


    Retomo aqui as postagens desta narrativa. Não posso deixar de pedir desculpas por mais um enorme hiato entre as postagens. Mas pelas próximas semanas haverá o envio de seis ou mais partes de um único e grande arco, já praticamente todo redigido.


    Aos que porventura ainda acompanham e aos que se dispuserem a ler a partir de agora, espero que gostem.


    Um grande abraço a todos.



    Spoiler: Respostas aos comentários




    Capítulo 10 - O Assalto - Primeira parte



    A jovem caminha pela Sorcere’s Avenue, na direção da Praça Julius IV, absorta em seus pensamentos. O dia está um pouco nublado e alguns montículos de neve se acumulam aqui e ali, produtos da precipitação durante a noite.


    Da varanda de um prédio próximo, uma senhora, que varre o assoalho, a interpela: __Bom dia, Suzy. Não me diga que vai trabalhar no Die Eru...


    __Oh, bom dia Senhora Phebbles... na verdade só vou concluir alguns lançamentos bancários, a agência não abrirá para o público.


    __Entendo...
    Responde a senhora. __Será que eu conseguiria conversar com você amanhã pela manhã, na agência? Eu estava precisando de um pequeno empréstimo... para umas reformas aqui em casa...


    __Mas é claro, Senhora Phebbles. Terei prazer em recebê-la. Procure-me na agência amanhã e conversaremos. Verei no que posso ajudá-la...


    __Obrigada, querida. Eu a procurarei amanhã, então.



    Após despedir-se, Suzy continua seu trajeto até alcançar a pequena e bela pracinha, ao lado de onde se situa a agência e filial do Banco de Venore, em Thais. Nota, mas sem que isso lhe chame muito a atenção, quatro cavalos amarrados a um poste da praça, com homens montados em dois dos animais.


    A bancária segura uma chave metálica, presa a um molho ligado a seu cinto. Assim que abre a porta, sente que uma mão aperta fortemente seu braço e o fio frio e afiado de uma adaga encosta em seu pescoço.


    __Fique calma, não chame a atenção das pessoas ao redor e entre normalmente... Um homem, usando um chapéu de abas largas e um lenço sobre a boca, empurra Suzy, discretamente, para dentro da agência.


    Outro homem, também com o rosto encoberto por um lenço, próximo ao casal, entra em seguida, carregando quatro mochilas vazias e dobradas, olhando ao redor para se certificar que a cena não chamara a atenção de transeuntes eventuais. Nos chamados Die Eru, as ruas de Thais estão mais vazias, normalmente. O homem fecha a porta da agência.


    Suzy começa a tremer, surpresa e apavorada: __M-mas o que é isso? O –o que está acontecendo?


    O homem que porta a adaga pega as mochilas que o outro carrega e estende uma das mãos, instando Suzy a pegá-las: __Rápido, moça, abra o cofre mais a esquerda, atrás do balcão e encha essas mochilas com moedas de cristal. Não tente me enganar ou enrolar, eu estudei sua rotina e as características dessa agência, sei o que cada cofre contém. Vamos, rápido!


    Mas Suzy, apavorada e tremendo, sequer consegue se mover: __C-céus... isto n-não pode estar acontecendo...


    __Merda! Vamos logo, moça!
    O homem da adaga grita impaciente.


    O outro homem tenta acalmar Suzy: __Calma, moça, nós não vamos lhe fazer mal. Apenas abra o cofre e encha as mochilas.


    Mas Suzy permanece estática, em uma espécie de choque e não consegue esboçar reação.


    O homem que pedira a Suzy que se acalmasse, ao constatar que dificilmente ela conseguiria fazer o que lhe estava sendo pedido, toma das mãos dela as mochilas e diz: __Apenas me dê o molho de chaves e diga qual é a chave correta. Eu abrirei o cofre e pegarei o dinheiro.


    Suzi, tremendo muito, pega o molho de chaves que estava preso a seu cinto, mas, nervosa, o deixa cair no chão.


    O homem se agacha e pega o molho: __Me mostre a chave correta, moça.


    Suzy, ainda tremendo muito, indica uma chave metálica de cor avermelhada.


    O homem pula o balcão, abre um dos cofres e começa a jogar moedas e mais moedas de cristal nas mochilas.


    No lado de fora, Tomazzo e Pierre, os homens montados em dois dos quatro cavalos amarrados ao poste, na praça ao lado, descem de suas montarias e se postam ao lado da porta da agência.


    Nisso, uma senhora baixa e gorda vem caminhando pela pracinha, na direção da agência. Ao ver Tomazzo e Pierre parados ao lado da porta, indaga: __Sabem me dizer se a Suzy está aí dentro? Precisava conversar com ela...


    __A agência está fechada, senhora.
    Responde Pierre.


    Mas a senhora ouve alguns ruídos vindos de dentro da agência. __Mas tem alguém aí dentro.


    Tomazzo se destempera: __Cai fora, gorducha. Não ouviu? A agência está fechada!


    Pierre fica perplexo com o que Tomazzo diz e reage: __Que isso, Tomazzo? Calma...


    Antes que Pierre consiga se dirigir à senhora para tentar consertar o que Tomazzo acabara de fazer, a assustada thaiana sai correndo pela praça gritando: __Socorro!!! Ladrões!!! Estão assaltando o banco!!!


    Tomazzo olha a mulher com raiva e coloca a mão em seu alforje na intenção de pegar uma runa.


    Mas Pierre o segura: __O que há com você, cara? Ficou louco?


    Das janelas ao redor várias pessoas observam o que acontece e logo algumas começam a ecoar e a reverberar o pedido de socorro da senhora: __Guardas!!!... Guardas!!!... Socorro!!!... Assalto!!!...


    Diante da situação, Pierre abre a porta da agência e grita para os dois comparsas que ainda estavam dentro do banco: __ Vamos!!! Rápido!!! Deram o alarme e os guardas vão chegar logo!!!


    O homem que segura a adaga no interior do banco diz ao que enche as mochilas com moedas: __Vamos logo com isso, Willborn!!!


    Willborn, ainda enchendo a última mochila, resmunga para si: __O idiota pronuncia o meu nome diante da funcionária...


    Em seguida, constatando que a última mochila já está suficientemente carregada de moedas, Willborn pula o balcão e, seguindo Cardomius, sai apressado da agência.


    Suzy permanece parada, em choque, em pé ao lado do balcão e apenas observa os dois guildanos fugirem.


    Já na praça, os quatro assaltantes se dirigem rápido para suas montarias, desamarram-nas e sobem nas celas.


    Willborn joga uma mochila para cada um dos parceiros, retendo a sua.


    Subitamente, objetos tais como panelas, pratos e rolos de massas são arremessados contra os cavaleiros, vindos das janelas ao redor, seguidos de imprecações proferidas pelos moradores das casas: __Ladrões!... Safados!... Guardas!!!... Guardas!!!


    Os quatro guildanos defendem seus rostos contra os objetos lançados, com os braços, e conseguem se desviar de vários deles.


    Cardomius diz, se dirigindo a Willborn e a Pierre: __Vamos nos separar! Eu e Tomazzo tentaremos fugir pelo Portão Sul, vocês tentam pelo Portão Norte! Se não pudermos nos encontrar nas imediações da cidade, esperamos vocês na taverna do Snake!


    Após dizer isso, Cardomius, seguido por Tomazzo, sai em disparada em seu cavalo.


    Pierre diz, nervoso, a Willborn: __Portão Norte??? Mas que Filho de uma @#*$!!! O Portão Norte está apinhado de soldados, pela proximidade do Palácio Real e devido à presença das delegações estrangeiras!


    Os dois guildanos notam que grupos de guardas se aproximam rápido da praça, uns vindos pela Sorcerer´s desde o Portão Oeste, outros pela rua que conduz à praia próxima à região do Cais.


    __Vamos tentar o Portão Leste!!! Grita Willborn, que, em seguida, insta seu cavalo, com uma das mãos e as pernas, a sair em disparada. __Iááááááá´!!!


    Pierre o segue: __Iááááá´!!!


    Cardomius e Tomazzo entram em disparada na Harbour e tomam o sentido sul.


    Segundos depois, Pierre e Willborn também alcançam a esquina da Sorcerer’s com a Harbour e seguem rumo ao norte.


    Quando se aproximam do Portão Sul, Cardomius e Tomazzo se deparam com uma aglomeração de carroças. Uma caravana de comerciantes é fiscalizada e revistada pelos guardas da guarnição.


    Os guardas que se situam no nível do solo e os que estão em cima da murada têm sua atenção chamada pelos dois cavaleiros que se aproximam em disparada, na direção do portão. Atrás dos guildanos, os guardas percebem grupos de cidadãos correndo e gesticulando para a guarnição, como a pedir aos soldados que detenham os homens em fuga.


    O Capitão Walter, de cima da murada, grita aos soldados no nível do solo, ordenando que invistam contra os dois cavaleiros. Os soldados, cerca de dez, com suas lanças em riste, partem na direção dos guildanos.


    As pessoas que viajam na caravana e aguardam a revista e liberação por parte dos guardas se assustam com o tumulto.


    Ao ver os soldados investindo contra ele e contra Tomazzo, Cardomius puxa com força as rédeas de seu cavalo.


    Tomazzo faz o mesmo.


    __Vamos tentar o Portão Leste!!! Não vamos conseguir passar por aqui!!! Grita Cardomius.


    Fugindo dos soldados, a dupla vira bruscamente à esquerda, passando diante da Torre de Observação de Thais e imprimindo mais velocidade aos cavalos.


    Diante da Torre de Observação, os visitantes em fila se assustam e correm para o interior da torre, no andar térreo, procurando se proteger do tumulto.


    Alguns arqueiros postados em cima da murada apontam suas flechas contra os dois guildanos, mas o Capitão Walter, também em cima da murada, ordena aos arqueiros que não disparem, temendo pela segurança das pessoas que estavam na fila. O Capitão grita para dois soldados no nível do solo, apontando para dois cavalos da Guarda presos junto ao Portão Sul: __Vão atrás deles!!!


    Cardomius e Tomazzo penetram em um beco ao lado da torre, que conduz à Lower Swamp Lane.


    Os dois soldados que, ao comando do Capitão Walter, montaram nos dois cavalos da Guarda junto ao portão, vão em perseguição aos guildanos, penetrando em disparada no beco.


    Atrás deles, vários lanceiros a pé, da guarnição do Portão Sul, partem também no encalço dos dois fugitivos, através do beco.


    Cardomius e Tomazzo saem do beco e ganham a Lower Swamp Lane cavalgando em grande velocidade, assustando os transeuntes, que saem rápidos da frente dos cavalos, temendo ser atropelados e gritando imprecações contra os dois fugitivos.


    Logo em seguida entram na Lower, também vindos do beco, os dois cavalos montados pelos soldados da guarnição do Portão Sul, seguidos pelos lanceiros a pé, mas estes últimos logo vão ficando mais para trás.


    Os dois guildanos alcançam a curva da Lower, que direciona a rua para norte, para a esquina com a Upper Swamp Lane.


    Por sua vez, Pierre e Willborn, simultaneamente, cavalgam rápidos pela Harbour na direção da esquina com a Main Street, também assustando os transeuntes que pulam e se desviam como podem dos cavalos.


    Um grupo de mais de dez guardas somados a mais de vinte cidadãos vem subindo correndo a Harbour no encalço de Willborn e de Pierre, mas vão ficando muito para trás por não poderem competir com os cavalos. Então gritam e gesticulam para as pessoas que se encontram na esquina no sentido de que tentem deter os dois cavaleiros.


    Por ser Die Eru o Depot se encontra fechado, razão pela qual não há tantas pessoas circulando na esquina, como de costume. Mas várias pessoas tentam se aproximar dos cavalos para segurá-los ou derrubar os cavaleiros. Willborn e Pierre jogam as montarias contra os transeuntes mais ousados, derrubando-os ou fazendo-os se afastarem.


    Os dois conseguem se desvencilhar das pessoas na esquina e ganham a Main, galopando na direção da esquina com a Temple. Atrás deles, uma multidão composta de cidadãos e guardas.


    Cardomius e Tomazzo, por seu turno, entram em veloz galope na Upper Swamp Lane, causando tumulto na rua, com as pessoas saindo da frente, assustadas.


    Os dois guardas montados do Portão Sul, que vem no encalço dos dois guildanos, também entram velozes na Upper e ameaçam se aproximar perigosamente dos fugitivos.


    Os lanceiros a pé e alguns cidadãos que se puseram em perseguição aos fugitivos, vão ficando muito para trás, ainda na Lower.


    Na altura da esquina com a Farm Lane, Tomazzo retira de seu alforje uma runa de cor vermelha, com quatro pontos cavados em sua face, e a arremessa para trás. A runa, ao atingir o pavimento da rua, se desintegra e em seu lugar surgem nove pequenas mas potentes explosões de fogo.


    Os dois guardas a cavalo que vem no encalço e em veloz galope são surpreendidos com as explosões. Não tem tempo de frear os cavalos e penetram nas chamas.


    Um deles tem sua capa tomada pelo fogo e se desespera. Ao tentar apagar as chamas acaba caindo de sua montaria.


    O outro soldado tem as mangas de sua camisa chamuscadas mas o deslocamento do cavalo faz com que o vento acabe por apagar as chamas. O soldado continua em perseguição aos guildanos.


    Os lanceiros e cidadãos que perseguem os assaltantes a pé procuram contornar as chamas. Alguns deles tentam ajudar o soldado que caira do cavalo.


    Cardomius e Tomazzo prosseguem em rápido galope na direção da esquina com a The City Wall, na esperança de saírem de Thais pelo Portão Leste.


    No Portão Leste, cujo comando da guarnição está nas mãos de um jovem tenente, que substitui o Capitão Tim, temporariamente, enquanto Tim assessora o Rei e seus auxiliares nas conversações com os soberanos estrangeiros, os soldados ouvem, ao longe, as explosões causadas pela runa de Tomazzo e observam a fumaça que se ergue sobre a Upper.


    Um soldado adentra a sala de comando e diz ao tenente: __ Tenente, algo está acontecendo na Upper Swamp Lane.


    O tenente ergue os olhos da papelada que lia, franze a testa e responde: __ Ora, as duplas de ronda podem resolver isso. Se fosse aqui diante do Portão...


    __Mas foram explosões bem fortes, senhor.
    Retruca o soldado.


    __Aff... O tenente dá um supiro, se levanta e se dirige à parte externa da Murada. Chega a tempo de ver uma coluna de fumaça se erguendo, mas perdendo força. __Bem, se é um incêndio a Brigada Contra Incêndios tem que ser acionada. O tenente se dirige a um soldado postado diante do Portão, mas no nível da rua. __ Olaf... vá até a esquina com a Upper e tente ver o que está acontecendo por lá.


    __Sim, tenente.
    Responde o guarda, se dirigindo rápido na direção da esquina da The City Wall com a Upper Swamp Lane, para o Sul.


    Quando o soldado consegue se aproximar da esquina, é surpreendido por dois cavaleiros em veloz galope, dobrando a mesma esquina, vindos da Upper. O soldado se atira para o lado para não ser atropelado.


    Da Murada alguns soldados observam, de longe, a cena. Chamam a atenção do tenente.


    O oficial fica surpreso ao ver os dois cavaleiros vindos rápidos para o Portão Leste, através da The City Wall. Quando o soldado que vem em perseguição aos dois dobra a esquina, o tenente compreende finalmente o que ocorre. Grita para o interior da Murada, no andar de baixo: __Baixem as grades!!! Baixem as grades!!!


    Cinco soldados, atendendo as ordens do oficial, passam a mover a enorme polia que movimenta as grades. Lentamente, o pesado obstáculo de metal começa a descer.


    Cardomius e Tomazzo, à medida que se aproximam do Portão Leste, observam que se encontra tão ou mais congestionado do que o Portão Sul. Há também carroças sendo fiscalizadas, vários soldados no nível do solo e mesmo vários cavalos da Guarda amarrados um pouco além do portão, mais para o norte.


    O tenente que comanda a guarnição chama os arqueiros do destacamento e ordena: __Arqueiros! Em formação! Abatam aqueles cavaleiros! Em seguida grita para os soldados que estão no nível do solo: __Detenham aqueles dois da maneira que puderem!


    Os soldados que estão no nível do solo, partem em direção aos dois cavaleiros.


    Naquele momento, os soldados e transeuntes que perseguem a pé os guildanos, começam a dobrar a esquina da Upper e a entrar na The City Wall.


    Tomazzo grita para Cardomius: __Eu vou arremessar mais runas. Jogue o cavalo na direção daquela carroça mais à direita, a menor. Pule a carroça e tente atravessar o Portão antes que a grade baixe demais!


    Cardomius faz um sinal com a cabeça, concordando.


    Tomazzo, então, apanha mais três runas de seu alforje e as arremessa com força na direção do Portão Leste, em relação ao qual ele e Cardomius se aproximam velozmente.


    O que acontece em seguida é um verdadeiro pandemônio, diante do Portão. Várias explosões de fogo irrompem do solo. Alguns dos soldados que vinham contra os dois fugitivos são tomados pelas chamas e gritam desesperados. Os arqueiros que, em cima da Murada, se preparavam para disparar suas flechas contra os dois guildanos, ficam confusos, pois todos, fugitivos e soldados, desaparecem em meio ao fogo. Os comerciantes e condutores das carroças, assustados, saem correndo na direção norte, tentando fugir das explosões incandescentes que fazem tremer o solo e mesmo a Muralha Leste. Alguns cavalos que puxam as carroças saem em disparada pela The City Wall, fazendo com que os respectivos carregamentos caiam sobre o pavimento.


    Cardomius e Tomazzo, de maneira audaciosa, entram com seus cavalos dentro das chamas e mesmo com a visibilidade prejudicada, saltam por sobre a carroça indicada por Tomazzo momentos antes. Após os saltos, procuram atravessar o Portão antes que as grades estejam baixadas demasiadamente, a ponto de impedi-los. Inclinado-se sobre os respectivos cavalos o máximo que conseguem, os dois guildanos passam por debaixo das grades, ainda que sejam atingidos de raspão nas costas pelas pontas metálicas da parte inferior dos obstáculos que baixavam em direção ao solo.


    O tenente, em cima da Murada, fica desnorteado com a confusão causada pelas explosões das runas e pelas chamas decorrentes das mesmas explosões. Procura enxergar o que de fato acontece, tentando ver se os dois fugitivos foram impedidos de atravessar o Portão Leste, para fora da cidade.


    Um dos arqueiros chama a atenção do oficial, apontando para o lado de fora do Grande Muro: __Tenente! Eles conseguiram passar! Estão fugindo!


    Os soldados da guarnição que ficam postados do lado de fora do Portão, cerca de sete homens, naquele momento, ficam surpresos quando veem os dois cavaleiros passarem por debaixo da grade e em seguida ganharem velocidade sobre suas montarias. Depois de uns segundos de hesitação arremessam suas lanças contra os dois guildanos. As lanças passam de raspão entre os dois cavaleiros e nos lados esquerdo e direito da dupla, mas não os acertam.


    O Tenente se desespera ao ver os dois guildanos se afastando rápido da cidade, livres e ilesos: __Arqueiros!!! Acertem-nos!!! Disparem!!!


    Os arqueiros posicionados acima da Murada disparam uma grande quantidade de flechas, mas Cardomius e Tomazzo, galopando muito rapidamente, já se encontram a uma distância segura e fora do alcance dos paladinos reais. Algumas flechas passam zunindo por suas cabeças e ao lado dos cavalos mas acabam por se cravarem no solo.


    Na fazenda e nos estábulos de Palomino, não muito longe dos portões, vários súditos que ali compram, vendem ou alugam montarias, se surpreendem e se assustam com as explosões causadas por Tomazzo, próximas ao Portão. E mais ainda com o surgimento dos dois cavaleiros vindo rápidos a partir do mesmo Portão, escapando das lanças e das flechas disparadas pela guarnição. Todos procuram sair do caminho e entram rápido na propriedade de Palomino, fugindo com medo e procurando se abrigar.


    Cardomius e Tomazzo passam em grande velocidade diante dos estábulos de Palomino.


    O próprio Palomino que, diferentemente de seus fregueses, permaneceu parado diante de sua propriedade, aparentemente sem medo algum, após ver os dois guildanos passarem rápido por ele, diz para si mesmo: __Mas que belos cavalos... se aqueles dois quisessem vendê-los, eu pagaria um bom preço...


    No Portão Leste, o tenente, ainda beirando o desespero por não ter conseguido deter os fugitivos, grita, descontrolado, para os soldados da guarnição na parte interior: __Montem em seus cavalos!!! Vão em perseguição àqueles dois!!!


    Um sargento e mais seis soldados montam nos sete cavalos da Guarda amarrados próximos ao Portão. Os animais ainda estão assustados devido às explosões e a toda confusão gerada.


    O tenente olha desesperado para os dois guildanos se afastando dos muros da cidade. Então percebe que os cavaleiros da guarnição ainda não estão galopando no encalço dos dois. Nesse momento ouve vozes chamando-o a partir da rua, da parte interna do Portão.


    __Tenente!!! As grades!!! Suspenda as grades!!! Gritam os cavaleiros da Guarda.


    O tenente mais uma vez assume uma expressão de desespero: __Merda!!! As grades, eu mandei que fossem baixadas... Então grita para os soldados que movimentam a polia e as roldanas responsáveis pelo deslocamento das grades: __Subam as grades!!! Subam as grades!!!


    Por angustiantes minutos, as grades são vagarosamente levantadas. Finalmente, após isso, os cavaleiros do Exército saem em disparada no encalço de Cardomius e de Tomazzo. O cavaleiro que vinha perseguindo os assaltantes desde o Portão Sul, junta-se ao grupo, composto agora por oito militares montados.


    Os soldados e transeuntes a pé que vinham perseguindo Cardomus e Tomazzo, também desde o Portão Sul, procuram acudir e ajudar os soldados da guarnição leste vitimados pelas explosões e as chamas. Alguns estão feridos com gravidade.


    Os dois guildanos, após terem passado pelos estábulos de Palomino, tomam o rumo norte, através da verde planície que domina o lado leste de Thais, e já vão longe.


    Os fregueses de Palomino, mais uma vez buscam abrigo dentro da propriedade do fazendeiro, desta vez para dar passagem ao grupo de soldados que vai no encalço dos assaltantes.


    Palomino, após a passagem destes últimos, diz, novamente para si mesmo: __ Não vão pegá-los. Aqueles dois cavalos são diferenciados. Conheço campeões quando os vejo...


    No alto do Muro, o tenente toca a testa contra uma das defesas da Muralha, fechando os olhos e lamentando: __Droga, se aqueles dois escaparem o Alto-Comando vai me crucificar...


    Um dos arqueiros procura consolar o oficial, dando uns tapinhas em suas costas: __Calma, tenente, os cavaleiros pegarão aqueles dois...


    Um pouco distantes do tenente, dois arqueiros conversam e um deles diz ao outro, discretamente, para que o tenente não o escute: __Se o Capitão Tim estivesse aqui, aqueles dois não teriam escapado...


    O outro arqueiro concorda, fazendo um movimento com a cabeça.


    Momentos antes, Pierre e Willborn, após adentrarem na Main Street, vindos da esquina com a Harbour e sendo perseguidos por soldados a pé e por cidadãos thaianos, observam que, diante da alameda que leva ao Grande Templo, na Temple, há uma grande concentração de pessoas, provavelmente devido ao fato de ser Die Eru e consequentemente haver celebração de cultos e outras cerimônias de natureza religiosa.


    Mesmo após a esquina com a Temple, há muitas pessoas na rua, na altura da Arena dos Cavaleiros.


    Pierre e Willborn cavalgam até a esquina com a Temple e, a um comando de Willborn, a dupla entra na mesma Temple Street, seguindo rápido rumo ao norte.


    As pessoas aglomeradas diante da alameda que leva ao Templo se assustam com o galope apressado dos dois guildanos. Alguns entram na alameda, com medo. Outros, ao perceberem a posterior aproximação dos soldados e cidadãos, vindos da esquina com a Harbour e em perseguição aos assaltantes, entendem o que acontece e se juntam àqueles, no encalço dos cavaleiros, ainda que, do mesmo modo, a pé.


    Minutos antes de tudo isso começar, no Grande Templo, o Monge Quentin terminava a última prédica do primeiro culto dentre os vários que ocorrem no Die Eru, a chamada Liturgia da Aurora. O Templo, como de costume, estava lotado no dia de descanso e sagrado para os thaianos.


    __Lembrem-se filhos de Banor, o que colhemos advém do que plantamos. Querem que ao redor floresça um ambiente de compaixão e misericórdia? Plantem compaixão e misericórdia. Antes de exigirem amor e compreensão, amem e compreendam. A colheita depende da semeadura. Vão em paz, caríssimos, que as Benções de Eru, o único, caiam sobre vocês como chuva benfazeja, e os favores dos Valar Fardos e Uman, como também dos demais Valar benevolentes, os acompanhem no dia a dia. Conclui o monge.


    __Assim Seja!!!
    Responde a multidão, em uníssono.


    As pessoas vão se dirigindo aos poucos e devagar para a saída do Templo. Muitos permanecem conversando em pequenos grupos. Alguns dos fiéis se aglomeram em torno do Monge Quentin, para se despedirem ou conversar um pouco com o sacerdote.


    Continua...

  3. #53
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    E eis que o "Mal..." volta com estilo à essas terras! Adorei o capítulo @Japixek! Que bom que eu tirei um tempo para reler tudo, senão teria ficado MUITO perdida SHAUSHASAHSUASHAUAUSAHUS

    Eu mal posso esperar pela continuação! É muito bom ver esse cenário ativo e de volta aos trilhos!




    Abraço,
    Iridium.

  4. #54
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    yeeei milagre capitulo novo

    ate q enfim

    gostei bagarai dessa perseguicao parecia um filme de faroeste eu so queria que o cardomus e o tomazo se dessem mal conseguiram escapar sacanagem

    fiquei com pena do tenente

    meu palpite o pierre e o outro vao fugir pelo esgoto so podem nao tem mais portao pra fugir

    se ja tem muita coisa pronta nao tem desculpa pra demorar tanto

    to esperano mais capitulo rapido com isso

  5. #55
    Avatar de Kerrod
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    Champz

    Que belo thriller de perseguição esse ein digno de um filme de Jack Shen ou de um Mad Max

    Mode applause on 0/

    Finalmente essa fic volta a dar sinal de vida long live for “the evil..”

    Gostei de saber que já tem mais capitulo pronto vindo ai to no aguardo champz 0/

    Me surpreenda me surpreenda





    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  6. #56
    Avatar de Japixek
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    Caros amigos da seção,

    Segue mais uma parte deste arco. Em breve outras serão postadas. Espero que gostem.

    Um forte abraço a todos.


    Spoiler: Respostas aos comentários




    Capítulo 11 - O Assalto - Segunda parte




    Perto de uma das fontes, Sam e Marta, juntos a Hanna, Addae e Enzo, se preparam para sair, quando Rosa, mãe de Cadi, juntamente com seu filho e suas duas filhas gêmeas, Tabata e Talita, se aproxima.


    __Olá Marta, oi Sam. Bonita a prédica do Monge Quentin, não? Indaga Rosa.


    __Oh, olá Rosa. Responde Marta. __Sim, muito bonita. Faz-me tão bem ouvi-lo. Ele nos enche de esperança e ânimo, sempre. Todos os problemas parecem perfeitamente contornáveis, para mim, depois de ouvir o Monge Quentin.


    __Olá, Rosa. Tudo bem?
    Pergunta Sam. __E Tim, mandou alguma notícia lá do Palácio?


    __Ainda não, Sam.
    Responde Rosa. __As negociações com os estrangeiros devem estar sendo difíceis. Sinto falta de Tim, em casa. Espero que tudo se conclua antes da partida dos meninos para Rook.


    __Tudo vai dar certo, Rosa.
    Diz Sam. __Acredito que os negociadores já devem estar com as bases do acordo acertadas. Tim logo estará “livre”, hehe. Completa Sam, tentando animar Rosa.


    __Tomara, Sam, tomara. Responde Rosa. Então se volta para Hanna. __Olá, Hanna. Você está tão bonita. Como tem sido o trabalho na joalheria? Vendendo muito?


    __Obrigada, Dona Rosa.
    Responde Hanna, um pouco ruborizada mas feliz com o elogio. __Bem, as vendas caminham razoavelmente. É que trabalho com produtos caros, sabe? Nem todo mundo em Thais pode comprar joias...


    __Ah claro, eu entendo, Hanna. É verdade. Mas eu vou dar uma passadinha na joalheira um dia desses. Quero ver alguns brincos ou broches...
    Diz Rosa.


    __Ah, passa sim Dona Rosa. Tenho um par de brincos que, tenho certeza, ficarão ótimos na senhora. E posso fazer um precinho especial... Responde Hanna.


    Marta então diz: __Sabe Rosa, o que você falou, sobre Hanna estar tão bonita... é o amor, sabe? A paixão deixa as pessoas bonitas. Conclui Marta em um tom de brincadeira.


    __Hum, entendo. Diz Rosa, entrando no clima. __Quer dizer que a coisa com o Augustus está ficando séria? Quando vai ser o casório?



    __Ah... ainda não marcamos... quando Augustus voltar de Venore, vamos ver uma data...
    Responde Hanna, não escondendo um misto de ansiedade e alegria.


    Sam, ao ouvir isso, olha para os lados, coçando a cabeça, fingindo não estar prestando atenção.


    Nesse momento, Enzo começa a correr pelo Templo, no que as irmãs gêmeas de Cadi vão atrás dele, também correndo.


    __Enzo! Não corra pelo Templo! Grita Marta.


    Cadi diz para Addae: __Fala Bro !!!


    No que Addae responde: __E aí, Bro!!!


    Os dois amigos apertam as mãos no alto, em um cumprimento invertido.


    __E então, vamos com o Struggle lá na Prisão, para receber a Aruda? Indaga Cadi, ao mesmo tempo em que puxa Addae um pouco para longe dos pais de seu amigo e de sua mãe, para que não ouçam o diálogo.


    __Claro, vamos sim. Responde Addae. __Vamos dar uma força para o Struggle e para a Aruda, neste momento difícil.


    __E o passeio depois está de pé, né?
    Pergunta Cadi.


    __Lógico, está firme. Ontem o Senhor Tokel liberou a Genevieve e o Senhor Frodo deixou o Tatius ir. Die Eru é mais fácil de todo mundo ir. Meu pai não abre a Armearia e o Senhor Frodo não abre a Taverna, embora a Estalagem continue a funcionar, por causa dos hóspedes. E como o Struggle já não trabalha mais no Porto... só falta convidar a Aruda... a gente fala com ela quando ela sair hoje da Prisão... Diz Addae.


    Nisso, se aproximam da fonte e dos pais de Addae, Dona Inge, mãe de Struggle, com o próprio Struggle a seu lado. Dona Inge cumprimenta a todos: __Bom dia Senhora Smith, Senhor Smith. Olá Hanna. Dona Inge também acena para Addae e Cadi, um pouco afastados.


    __Bom dia Dona Inge. Como vai a senhora? Indaga Sam.


    __Vou bem Senhor Smith, obrigada. E o senhor?


    __Tudo ótimo.
    Responde Sam. Em seguida se dirige a Struggle: __E aí, Struggle. Animado com a ida para Rookgaard?


    __Bom dia, Senhor Sam. Estou sim. Por mim partia hoje mesmo, hehe.


    __Se empenhe lá, porque o curso é puxado.


    __Não, pode deixar. Vou dar o meu melhor. Quero aproveitar bem a Academia.


    __Dona Inge, conhece a Rosa? Uma grande amiga nossa.
    Pergunta Marta, apresentando Rosa.


    __Oh, a mãe de Cadi... Muito prazer Senhora Bellator. Cadi levou a roupa anteontem. Obrigada por contratar os meus serviços. Espero que fique satisfeita. Toda roupa estará pronta no Die Sula...


    __Que bom, Dona Inge. Prazer em conhecê-la. Se Cadi já tiver partido para Rook nesse dia, eu mesma irei pegar a roupa.
    Responde Rosa.


    __E sua roupa já estará pronta amanhã, Senhora Smith. Diz Dona Inge para a mãe de Addae.


    __Addae passará lá para pegar, Dona Inge. Responde Marta.


    Dona Inge apresenta seu filho à mãe de Cadi: __Senhora Bellator, este é o Phineas, meu filho. Ele e eu estamos muito gratos ao que seu marido e seu filho fizeram, ao ajudá-lo na inscrição para Rookgaard.


    __Muito prazer, Phineas. Cadi me falou de você. Ele está feliz com sua ida a Rookgaard. Quantos mais amigos por lá, melhor.
    Diz Rosa.


    __É um grande prazer conhecê-la, Senhora Bellator. Cadi e o Capitão Tim sempre terão um lugar especial no meu coração, pelo que fizeram por mim.


    Rosa sorri e diz: __Eles também gostaram muito de você, Phineas. Que você e os outros jovens sejam felizes durante e depois do curso na Academia. Que tudo corra bem.


    __Obrigado, senhora.
    Responde Struggle. Em seguida se dirige à mãe de Addae: __Dona Marta, pode deixar que eu mesmo levo as roupas de sua casa. Desliguei-me do trabalho do Porto por causa da viagem e terei tempo amanhã para fazer isso. Deixa comigo.


    __Mesmo? Então está bem, Struggle.
    Sorri Marta.


    Cadi e Addae, um pouco afastados, conversando, fazem gestos para Struggle, pedindo que se aproxime.


    Struggle vem para perto dos dois amigos. __E aí, caras? Diz, apertando as mãos dos dois jovens, no alto. __Olha, não precisam ir comigo receber a Aruda quando ela sair da prisão. Aquele prédio é uma visão muito triste. Podem deixar que eu vou sozinho.


    __Que isso, Struggle.
    Rebate Addae. __Claro que nós vamos com você, cara.


    __Lógico.
    Completa Cadi. __Vamos lá dar uma força, para você e para a Aruda. “Brothers” são para isso.


    __Tudo bem, então.
    Responde um resignado Struggle. __Preciso convencê-la a ir comigo conversar com o Luke


    __Ela vai, Struggle. Pensa positivo.
    Diz Addae.


    Os três jovens observam, então, que um grupo grande de pessoas se aproxima dos pais de Addae, e das mães de Cadi e de Struggle. O grupo é composto por Frodo, Tatius, Tokel, Genevieve e um casal acompanhado de um jovem adulto.


    O casal parece familiar a Addae, mas ele julga não conhecer o jovem adulto, embora o ache parecido com Tatius.


    __Frodo... não pensei que você viesse à Liturgia da Aurora. Você sempre vem mais tarde ao Templo, nos Die Eru. Diz Sam.


    __Pois é, Sam. Responde Frodo. __Mas meus hóspedes aqui fizeram questão de vir cedo ao Templo. Resolvi acompanhá-los. Acho que você já conhece meu irmão, Frederico, de Fibula, e sua esposa, minha cunhada Soraya. São os pais de Tatius.


    __Mas é claro. Lembro-me da última vez que vieram a Thais, há uns três anos. Como vão?
    Indaga Sam ao casal.


    __Prazer em revê-lo Senhor Sam. Responde Frederico. __O senhor foi muito gentil nos mostrando a cidade, na última vez que visitamos a capital.


    __Que bom revê-lo. Senhor Smith.
    Diz, por sua vez, Soraya. A esposa de Frederico se dirige a Marta, também: __Sempre me lembro daquele almoço que vocês fizeram e nos convidaram, Senhora Smith. Foi tão agradável.


    __Senhora Smith, não. Apenas Marta.
    Responde a mãe de Addae, de modo simpático. __E mais uma vez faço questão de convidá-los, desta vez para o jantar de despedida que daremos para os meninos que vão a Rookgaard. Vocês estão todos convidados. Será no próximo Die Sula.


    __Oh, mas que honra, Marta.
    Responde Soraya. __Vamos sim, com certeza.


    Frodo ao ouvir isso, meio que cochicha para Sam: __Opa, boca livre, Sam? Que beleza...


    __Hehehe...
    Ri Sam. __É, boca livre, Frodo, e quero vocês todos lá; leve a Lana, também.


    Frederico e Soraya são apresentados a Rosa e a Dona Inge, mãe de Struggle, como também a Hanna.


    Frederico apresenta a todos o jovem que o acompanha, e que é bem parecido com Tatius. Apenas um pouco mais alto. __Este é meu filho Tito, irmão mais velho de Tatius. Veio conosco para presenciar a partida do caçula.


    __Muito prazer, Tito. Samuel Smith. Mas pode me chamar de Sam.
    Diz Sam, tentando deixar Tito à vontade.


    __O prazer é meu, Senhor Sam... Responde Tito. __Meu tio sempre fala no senhor, quando vai a Fibula.


    __É que o Sam aqui é um velho chapa meu.
    Brinca Frodo, enquanto dá uns tapinhas no ombro de Sam.


    Todos ao redor riem.


    Tito é apresentado aos demais e Marta diz: __Muito prazer Tito. Já ouvi muito falar do seu irmão, embora não o conheça pessoalmente. Meu filho Addae sempre me fala muito, e bem, dele.


    Tatius, que estava um pouco atrás de Tito, conversando com Genevieve e aguardando para cumprimentar a todos após seu irmão, ao ouvir o que Marta dissera, se adianta e diz: __ Muito prazer, Dona Marta. Sou o Tatius. Queria muito conhecer as famílias do Addae e do Cadi. Mesmo não os conhecendo há muito tempo, já os considero grandes amigos meus.


    __O prazer é meu, Tatius. Quero ver você no jantar de despedida que vamos fazer para os meninos.
    Diz Marta que, em seguida, apresenta Rosa: __Esta é a mãe de Cadi, Rosa.


    __É um grande prazer conhecê-la, Dona Rosa.
    Diz Tatius. __Foi muito bom conhecer seu filho, e mais ainda saber que ele vai a Rookgaard, comigo e com os outros.


    __Cadi também ficou feliz ao conhecer mais um futuro colega de Academia, Tatius. Ele acha importante ter um grupo de amigos em Rookgaard, para que se ajudem durante os treinamentos e os estudos.
    Diz Rosa.


    Na sequência, Marta apresenta Tatius a Dona Inge e a Hanna. Em seguida, olha para Genevieve, que estava, naquele momento, um pouco atrás de Tatius, ao lado de Tokel, aguardando a oportunidade para cumprimentar a todos, e diz. __Hum, essa linda jovem eu acho que sei quem é... a Genevieve, não? Brinca Marta, querendo ser simpática.


    Genevieve fica um pouco ruborizada, mas abre um belo sorriso. __Estava ansiosa para conhecer a senhora, Dona Marta.E olhando para Rosa, diz: __E a senhora também, Dona Rosa. Queria muito conhecer as mães de Addae e de Cadi.


    __Cadi também fala muito de você, Genevieve.
    Diz Rosa. __Da mesma forma em relação ao Tatius, ele está muito feliz por tê-la como colega, futuramente, em Rookgaard.


    __Eu antes estava muito receosa em relação à Rookgaard, Dona Rosa, mas depois que conheci o Cadi, o Addae, como também o Tatius, ganhei um pouco mais de confiança.
    Diz Genevieve.


    __Se ajudem em Rook, Genevieve. Intervém Sam. __Formem, sempre que puderem, um grupo de estudos e de treinamentos, e verão que as coisas ficam mais fáceis.


    __Ah, sem dúvida, Senhor Sam. Conto com os meninos para me ajudarem, e eu os ajudarei em tudo o que eu puder. Apesar de eu acreditar que não possa muito.
    Responde Genevieve.


    __Poderá sim, Genevieve. Você tem um grande dom em relação ao mana. Se desenvolver esse talento apropriadamente, terá como ajudar muitas pessoas. Diz Sam.


    Tokel, aguardando ansioso a vez de falar, ao lado de Genevieve, termina por intervir. __Senhora Smith... Senhora Bellator... é um grande prazer poder finalmente conhecer as mães de Addae e de Cadi. Diz o fazendeiro, cumprimentando Marta e Rosa. __Tokel Paysan ao seu dispor. Graças a seus filhos, eu e Genevieve ficamos mais tranquilos em relação a Rookgaard...


    __Ah, sim.
    Responde Marta. __Sam havia me falado a seu respeito, Senhor Tokel. O pai de Genevieve... que está hospedado na estalagem de Frodo... é um grande prazer conhecê-lo.


    __Muito prazer Senhor Tokel.
    Responde, por seu turno, Rosa. __Fique tranquilo. Tenho certeza que tudo correrá bem com Genevieve, durante o curso na Academia.


    Obrigado por tentar tranquilizar-me, Senhora Bellator. Já não estou tão apreensivo como antes.
    Voltando-se então para Marta, Tokel diz: __Tenho uma enorme dívida de gratidão para com seu marido, Senhora Smith. Foi ele quem, durante a última grande guerra, em Greenshore, salvou a mim e a minha família daquelas criaturas desgraçadas, os orcs.


    __Ele me contou a respeito desse episódio, Senhor Tokel. Fiquei muito feliz ao saber do ocorrido. Guerras são acontecimentos horríveis, mas mesmo nelas há histórias de esperança e superação. Me alegra muito saber que sua família sobreviveu graças à intervenção de Sam.


    __Senhor Tokel.
    Intervém Frodo, apontando para Dona Inge. __Esta é a Dona Inge, a senhora que fez aqueles biscoitos deliciosos, que provamos outro dia na taverna. Cadi me levou a resposta positiva dela a respeito de minha proposta; a de comercializar os biscoitos na taverna...


    __Ah, claro! Muito prazer, senhora. Seus biscoitos são deliciosos. Como eu disse naquele dia ao Senhor Frodo aqui: para um morador de Greenshore, como eu, afirmar isso, é porque são muito bons mesmo, Em Greenshore temos muitas doceiras de mão cheia...


    __Oh, obrigada Senhor Tokel. Espero que os fregueses do Senhor Frodo gostem, e que os biscoitos vendam bem.
    Responde Dona Inge.


    __Se vão gostar? Vão ficar malucos pelos biscoitos! Responde um entusiasmado Frodo. __Vamos fazer uns bons trocados com a venda deles, Dona Inge.


    Marta apresenta Tokel a Hanna. __Esta é minha filha Hanna, Senhor Tokel. Genevieve já a conhece. Os meninos estiveram na joalheria onde ela trabalha, quando fizeram aquele passeio pela cidade...


    __Oh, claro. Muito prazer, senhorita. Sabe... fiquei um pouco assustado com a joia dada a Genevieve, em sua joalheira... até pensei em ir lá e pagar. Mas também não queria fazer nenhuma desfeita, já que foi um presente...


    __Muito prazer, Senhor Tokel...
    Responde Hanna. __E-eu também fiquei um pouco surpresa com a generosidade de Augustus, meu gerente... mas ele quis presentear Genenieve devido à ida dela a Rookgaard. Addae e Cadi também receberam presentes...


    __O senhor também estará no jantar de despedida que daremos para os meninos, no próximo Die Sula, Senhor Tokel, não é?
    Intervém Marta. __Genevieve já está convidada e contamos com a presença do senhor também.


    __Não perderia isso por nada, Senhora Smith. Genevieve, e mesmo seu marido, já haviam me falado a respeito. Pode contar com a minha presença e a de Genevieve.


    Neste momento, Addae, um pouco afastado do grupo principal, juntamente com Cadi e Struggle, faz um gesto para Genevieve, como a pedir que ela, e também Tatius, se aproximem. Genevieve puxa Tatius pelo braço e o conduz para perto dos três rapazes.


    Assim que o jovem casal se aproxima do trio, Addae indaga a Genevieve: __E então. Gê? Tudo certo para hoje à tarde?


    __Tudo certo, Addae. Meu pai me liberou para sair com vocês à tarde. E o Senhor Frodo liberou o Tatius também. Ainda mais porque os pais do Tatius chegaram ontem à cidade.


    __Beleza, Gê. Ah, Tatius, quero te apresentar mais um colega nosso em Rook, o Struggle aqui. Ele é um amigo meu de longo tempo.
    Diz Addae.


    Tatius estende a mão para Struggle: __Prazer, cara. A Genevieve me falou de você. Você trabalha no Porto, não?


    __Sim...
    Responde Struggle, apertando a mão de Tatius. __Na verdade posso dizer que trabalhava. Como tenho que fazer os preparativos para a viagem a Rook, me desliguei já do trabalho no Porto. Poxa, você é alto, hein, cara. Aposto que vai se especializar em combate físico de aproximação.


    __S-sim..
    Responde um surpreso Tatius. __Gostaria de me especializar no uso de maças ou clavas. Acho uma arma com grande poder de destruição.


    __Olhem só.
    Interfere Cadi. __No nosso grupo aqui já temos dois paladinos, eu e o Struggle, quer dizer, isso se o Struggle se especializar em luta à distância...


    __Cara, é quase certo que sim.
    Responde Struggle. __Acho legal confronto físico direto mas arremessar coisas sempre foi minha maior habilidade...


    __Então...
    Continua Cadi. __Temos dois paladinos. Temos também dois cavaleiros, o Addae e o Tatius. O Addae deve se especializar em luta com espadas e o Tatius com maças. E temos a nossa druidesa, a Gê. Falta só um mago ou uma maga.


    __É...
    Concorda Addae. __Pode ser que em Rook algum aluno interessado em obter o grau de mago queira se juntar à nossa “quadrilha”...


    Os demais riem com o que Addae acabara de dizer.


    Em seguida, Cadi chama a atenção de Addae para um grupo de pessoas que vai saindo do Templo e se aproxima do grupo maior formado pelos pais dos dois jovens e os demais, na bela alameda que conduz ao mesmo Templo. Notam a presença de Gorn, ladeado por um jovem casal. A moça segura um bebê praticamente recém-nascido. Junto ao pequeno grupo, Cadi e Addae reconhecem um jovem adolescente.


    __É o Felix! Diz Addae.


    __Quem é esse tal de Felix? Pergunta Genevieve, curiosa.


    __É um ex-colega e amigo da escola, meu e do Cadi. Responde Addae. __Da nossa turma. Gente boa prá caramba. É filho do Senhor Gorn, ali, que tem aquela loja de equipamentos, do outro lado da rua, em frente à armearia do meu pai.. Ele vai para Rook por uma guilda... os Cavaleiros de Banor.


    __Como é que é???
    Surpreende-se Cadi. __O Felix vai prá Rook pelos Cavaleiros de Banor??? Como você soube disso, Addae?


    __O Senhor Gorn disse isso ontem, na armearia.
    Responde Addae.


    __Caramba... “chama ele” aqui prá perto, Addae. Ele tem que nos contar essa história. Diz Cadi.


    Antes que Addae possa acenar para Felix, ele tem sua atenção voltada para um outro casal que vai deixando o Templo. O casal é acompanhado por uma jovem adolescente, como também por duas meninas com não mais do que dez anos. A jovem adolescente, ao perceber a presença de Felix junto ao grupo maior, composto pelos pais de Addae e pelas demais pessoas que os cercam, fala algo para o casal, que Addae julga serem os pais da jovem, e em seguida dirige-se para o local onde se encontra Felix. O casal e as duas meninas seguem seu caminho pela alameda em direção à Main Street.


    __Addae... Cadi cutuca seu amigo no braço. __Aquela ali não é a Lara?


    __Ela mesma.
    Responde Addae. __Falou algo para os pais, que seguiram para a Main, e foi para perto do Felix.


    __Me lembro do Felix, na escola.
    Diz Struggle. __Não éramos assim, amigos, mas ele participava do joguinho de bola no recreio. Joguei com ele algumas vezes. Sempre me pareceu um cara legal. E essa Lara... me lembro bem dela. Continua gatinha, talvez ainda mais. Tinha uma legião de caras querendo namorar com ela.


    Tatius e Genevieve ficam curiosos a respeito das observações dos três jovens thaianos. Por não serem de Thais, não conhecem os demais jovens da cidade. Genevieve fica um pouco ruborizada com as últimas declarações de Struggle.


    Addae pega o gancho da observação de Struggle e diz: __Cadi Bellator aqui fazia parte dessa legião. Diz, em tom de brincadeira.


    __Vai dizer que você também não era a fim da Lara? Devolve Cadi.


    __Bom, a fim a fim mesmo acho que não. Sempre a achei gatinha, mas quem levou mesmo um não rotundo pela frente quando a pediu para namorar foi “você sabe quem”. Rebate Addae.


    __Cara... Continua Cadi. __Você não está sabendo da história toda, entendeu? Logo depois dela dizer não, uma amiga dela veio me procurar, meio que tentando me passar um recado, no sentido de que se eu insistisse mais um pouco de repente podia rolar, entendeu?


    Tatius e Genevieve ouvem atentos a conversa dos jovens de Thais, se divertindo com as reminiscências de escola de Cadi, Addae e Struggle.


    Struggle brinca e diz: __Chamem a Lara aqui pra gente confirmar essa história do Cadi.


    __Não!!! Não chama não!!!
    Rebate Cadi. __Quer dizer... chama, mas não falem sobre isso, não. Isso é passado, nada a ver relembrar isso agora.


    Addae, Tartius e Genevieve riem e parecem se divertir com a reação de Cadi.


    Mas Struggle, com uma expressão um pouco séria e apontando na direção de Felix e de Lara, diz: __É... não é uma boa ideia falar a respeito disso com a Lara. E mesmo com o Felix. Olhem para as mãos deles.


    Os amigos reparam que Felix e Lara, parados um pouco atrás de Gorn e do jovem casal que leva o bebê e escutando a conversa dos três com Sam e os demais, estão com as mãos dadas.


    __Parece que o Felix e a Lara estão... vocês sabem. Diz Addae, esfregando os dois dedos indicadores.


    __Caramba, o Felix começou ou mantém um namoro justamente quando está indo para Rookgaard... Diz Cadi. __A Lara vai esperar por ele pelos próximos quatro anos... ou não...


    __Posso chamá-los para junto de nós, Cadi? Se você não quiser eu não chamo... claro que se o Felix ou a Lara nos virem aqui é capaz de se aproximarem por eles mesmos...
    Diz Addae.


    __Não... tudo bem, que isso. Pode chamá-los sim. E afinal eu quero muito ouvir essa história do Felix ir por uma guilda, mas contada por ele mesmo. Responde Cadi.


    Como Addae dissera momentos antes, o próprio Felix avista o grupinho de jovens mais afastado e, abrindo um sorriso, insta Lara a acompanhá-lo até o local onde estão Addae e os outros.


    __E aí, Addae??? Fala Cadi! Quanto tempo... estava mesmo querendo falar com vocês! Diz um expansivo e simpático Felix, ao chegar ao local onde está o grupo de adolescentes.


    Felix tem os cabelos castanhos escuros lisos e um pouco compridos, chegando a cobrir o pescoço na parte traseira, além de um proeminente topete jogado para o lado direito. Olhos negros e expressivos. É um jovem bem apessoado, com uma expressão alegre. Lara, que o acompanha, é uma moça muito bonita, com cabelos castanhos um pouco mais claros do que os de Felix, escorridos e que despencam pelas costas até quase atingirem a cintura. Sobrancelhas espessas e bem desenhadas, compondo um belo conjunto com os olhos castanhos claros repuxados. Exibe um sorriso contido por não conhecer alguns dos jovens ali presentes e um olhar vívido, quase ansioso.


    Felix reconhece Struggle e diz: __Cara... você fazia parte da galera que batia uma bolinha no recreio, na escola. Struggle, né? Mas esse era o seu apelido, não? Não me recordo é do seu nome...


    __Phineas.
    Responde Struggle. __Mas tranquilo... a maioria das pessoas que conheço me chama pelo apelido mesmo.


    Lara se dirige a Addae e a Cadi. __Oi Addae... oi Cadi. Quanto tempo, não? Sinto saudades do tempo de escola. Sempre me pego pensando em vocês dois. Depois da escola as pessoas seguem a sua vida, e não se procuram mais, infelizmente...


    __Pois é...
    Responde Addae, coçando a cabeça. __Eu ajudo meu pai na armearia, sabe como é né? Sobra pouco tempo...


    __Ah, isso não é desculpa, Addae.
    Rebate Lara, meio em tom de brincadeira e de suave repreensão. __Não devemos nos afastar dos amigos e das pessoas queridas. Em seguida a jovem olha para Cadi e, demonstrando uma certa ansiedade, pergunta: [i]__E você Cadi, o que tem feito?


    __Bom... fora ajudar minha mãe nas tarefas domésticas e tentar impedir minhas irmãs de invadirem o meu quarto, o que eu mais tenho feito ultimamente é me preparar para a viagem a Rook...


    Todos riem, um pouco surpresos com a resposta de Cadi.


    Felix intervém: __Sempre soube que você acabaria indo para Rook, Cadi. Você sempre falava nisso na escola e sendo filho de oficial...


    __É. Mas você também sempre dizia isso. Só que manifestava a vontade de ir pelo Exército.
    Responde Cadi. __Fiquei surpreso ao saber que você vai por uma guilda...


    __Caramba.
    Surpreende-se Felix. __Você já está sabendo? As notícias se espalham rápido.


    __Fui eu quem contou ao Cadi, Felix.
    Diz Addae. __Seu pai me disse ontem, lá na armearia.


    __Ah, tá. Meu pai me disse que esteve na armearia do seu pai. Ele me falou que você vai para Rook, também.
    Diz Felix.


    Lara olha para Struggle e diz: __Me lembro de você na escola. Mas você não era da minha turma.


    __É, eu me atrasei uns dois anos...
    Responde Struggle. __Eu também me lembro e bem de você. Acho que quase toda a escola se lembra de você. Difícil esquecer...


    Lara fica enrubescida com a resposta de Struggle. Felix também fica um pouco sem graça.


    Mas Struggle continua: __E pelo que observei daqui, parece que vocês dois resolveram ser assim, mais do que amigos, só que depois de terminada a escola... Diz, se referindo a Felix e a Lara.


    Felix e Lara ficam ainda mais surpresos com a pequena ousadia de Struggle. Addae, e mesmo Cadi, também assumem uma expressão de perplexidade. Genevieve fica bem ruborizada e Tatius, com sua proverbial timidez, olha nervosamente para Felix e para Lara, aguardando a reação do jovem casal.


    Mas Felix, assumindo uma atitude aparentemente tranquila, procura falar com serenidade: __É... nós estamos namorando. Depois da escola ficamos um tempo sem nos ver. Nos reencontramos recentemente e então... bom... é isso o que você provavelmente viu, Struggle. Estávamos de mãos dadas ali perto do grupo onde estão os pais de Addae... e os demais...


    Cadi, uma vez que Felix assume o namoro com Lara, diz: __Bem, então Lara vai ficar esperando sua volta de Rook, né? Quatro anos...


    É Lara quem responde: __Não será preciso esperar, Cadi. Eu estou indo para Rookgaard também.


    __Sério???
    Espanta-se Cadi. __Mas você nunca disse, na escola, que queria ir para Rook um dia. Pelo menos não que eu me lembre. Vai pelos Cavaleiros também???


    __Sim. De fato, Cadi, até algum tempo após o término da escola eu sequer pensava em fazer a Academia, em Rook. Mas, e eu nunca disse isso, a irmã mais nova de minha mãe, minha tia, fez o curso em Rook e hoje é maga dos Cavaleiros. Um dia ela me falou que pressentia uma forte emanação de mana em meu corpo. Disse que isso significava que eu tenho o dom, entende? Disse que eu deveria ir a Rook para aperfeiçoar e desenvolver esse poder... lógico que a partir daí se estabeleceu uma guerra entre eu e meus pais. Não queriam que eu fosse para Rook de jeito algum. Minha mãe chegou quase a cortar relações com minha tia, por causa disso. Meu pai queria que eu o ajudasse na tecelagem... até que Mestre Valdemar, membro do Conselho dos Cavaleiros e mago supremo da guilda resolveu fazer uma visita a meus pais, a pedido de minha tia. Ele explicou que se a pessoa tem um poder em potencial relacionado ao mana em seu corpo, precisa aprender a controlá-lo, caso contrário, com o passar do tempo, esse poder pode se manifestar de maneira desordenada, causando problemas à pessoa e aos demais... acabou convencendo meus pais, embora eles ainda demonstrem uma certa contrariedade em relação à minha ida a Rook...
    Explica Lara.


    __Foi um pouco como o meu caso. Mestre Trimegis convenceu meu pai de que eu precisava ir a Rook... Interfere Genevieve.


    Lara e Felix ficam surpresos com a manifestação de Genevieve. Tanto os dois jovens de Thais como Tatius e Genevieve demonstravam, mutuamente, curiosidade em relação ao outro casal, desde o início da conversa, mas como não tinham ainda sido apresentados, Tatius e Genevieve, camponeses que são, pessoas simples, permaneciam calados e só ouvindo.

    Addae, percebendo o ocorrido, se apressa em apresentar os jovens camponeses a seus ex-colegas de escola: __Poxa, desculpem, falha minha... Felix, Lara... estes são Tatius e Genevieve. Tatius é de Fibula e sobrinho do Senhor Frodo, da taverna e da estalagem. Ele está ajudando o tio até sua partida para Rook. Genevieve é de Greenshore. O pai da Genevieve a trouxe a Thais para uma audiência com o Mestre Trimegis, que identificou nela uma grande emanação de mana, como no seu caso, Lara. E a aconselhou a ir para Rook, também... ela está hospedada na estalagem do Senhor Frodo, com seu pai, até o dia da partida para a Academia...


    Os dois casais de jovens se cumprimentam com simpatia mútua.


    Felix, do mesmo modo que Struggle, nota o porte físico e a altura de Tatius e diz: __Aposto que você vai se especializar em combate físico direto, não?


    __Sim...
    Responde Tatius. __Quando conheci Struggle, hoje mesmo, ele me fez a mesma pergunta... Algumas pessoas acham que devido ao meu porte eu necessariamente deveria me especializar em combate físico direto. Mas é verdade, hehe, pretendo adquirir uma boa habilidade com o manuseio de maças...


    __Hehe...
    Reage Felix. __Certo, Tatius. Eu também pretendo me especializar em combate físico direto, mas gosto das espadas como arma...


    Lara, muito interessada em Genevieve, após a intervenção da jovem de Greenshore, pergunta: __Você pretende obter o grau de maga, Genevieve? O que o Mestre Trimegis sugeriu?


    __Eu acho que serei uma druidesa..
    Responde Genevieve. __Porque eu sempre tive uma habilidade assim de curar pessoas e mesmo animais... acho que tem mais a ver com a maneira de manipular o mana dos druidas, pelo que já ouvi falar... Mestre Trimegis, Mestre Eclesius e a Sacerdotisa Lynda me deram a entender que eu poderia até obter o grau de maga, se eu quisesse, mas acho que prefiro ser uma druidesa...


    __Nossa...
    Espanta-se Lara. __Todos esses sábios disseram isso do seu nível de mana???


    __Lara...
    Diz Cadi. __Se sua tia ficou impressionada com a sua emanação de mana, caso ela analisasse a Genevieve aqui, cairia prá trás... A Gê é uma usina de mana...


    Genevieve se assusta com o que Cadi acabara de dizer. Dirige o olhar para o jovem, como a pedir que não entre em detalhes a respeito de seu nível de mana, diante de Lara.


    Mas já era tarde. Repentinamente Lara segura os pulsos de Genevive e fecha os olhos, tentando sentir alguma coisa, algo que lhe permitisse aferir a quantidade de mana emitida pelo corpo da jovem de Greenshore.


    Segundos depois Lara exclama: __Poderoso Eru! O–o que é isso??? A jovem começa a tremer e solta os pulsos de Genevieve, sentindo-se tonta e precisando ser amparada por Felix, para não cair. __C-céus... Balbucia Lara. __Um forte calor seguido de um tremor tomou conta de meu corpo. Depois uma tonteira... se eu não soltasse os pulsos dela com certeza teria desmaiado... incrível... que mana impressionante!


    Genevieve direciona o olhar para o chão, bastante ruborizada.


    __Poxa... me perdoe Gê, eu deveria ter ficado calado. Balbucia um desconcertado Cadi.


    __Não... tudo bem, Cadi. Reage Genevieve. __Fui eu quem citou Mestre Trimegis e os outros sábios. É natural que Lara ficasse curiosa...


    Tatius segura os ombros de Genevieve, tentando confortá-la.


    Lara, já refeita, diz, demonstrando entusiasmo. __Que pena que você pretende obter o grau druídico, Genevieve. Seria demais estudar e treinar com você em Rook, caso você optasse pela obtenção do grau de maga.


    __Mas mesmo que vocês tentem especialidades diferentes, acho que ainda assim estudarão muita coisa em comum e farão muitos treinos e tarefas conjuntas.
    Diz Felix. __Pelo que pude depreender das palestras ministradas na guilda, a especialização só se torna mais diferenciada mesmo no último semestre, quando os estudos serão complementados na Ilha do Destino.


    __Isso é verdade.
    Diz Cadi. __Na Ilha do Destino é que a escolha mesmo é feita e os treinos e estudos são bem direcionados para cada especialização ou vocação, como dizem alguns, específica... Cadi então indaga a Felix: __Vocês assistem muitas palestras na guilda?


    __Muitas...
    Responde Felix. __Desde que tive meu pedido de admissão à guilda aceito e, logo depois, minha matrícula em Rook confirmada pelo Alto- Comando Thaiano, já assisti umas dez palestras. Muito interessantes. Algumas sobre o que nos aguarda em Rook, outras sobre as atividades da guilda. Também houve uma sobre a História de Thais... uma sobre os outros reinos existentes...


    __Poxa...
    Diz Cadi. __Essa guilda de vocês é boa, hein. No dia da chegada dos alunos das outras cidades, no Porto, o Tenente Leroy me disse que poderiam ser ministradas palestras no Palácio, para a galera que vai pela Coroa, mas que provavelmente elas, mais as aulas, treinos e tarefas só aconteceriam em Rook, mesmo...


    __Ah... você esteve no Porto, quando chegaram os alunos das outras cidades???
    Pergunta Felix. __Da nossa guilda, todos que vão são de Thais...


    __Sim...
    Responde Cadi. __Eu, o Addae, a Gê e o Struggle. Confirmamos nossos dados para o Tenente Leroy e de quebra, ainda conseguimos ver os alunos de outras cidades.


    Felix se mostra surpreso: __Struggle? Como assim? Struggle vai também para Rook?


    __Claro, fio.
    Responde, por sua vez, Struggle, parecendo se divertir com a surpresa de Felix. __Está falando com o futuro Tenente Phineas Saylor. Depois capitão... major... e por aí vai.


    Addae e Cadi riem da resposta de Struggle, e da cara de espanto de Felix.


    __P-poxa, Struggle, que legal, cara. Estou feliz por saber disso. Vai ser bom ter você por lá. Responde um ainda surpreso Felix.


    Addae indaga a Felix: __Vão cinco alunos pelos Cavaleiros, não?


    __S-sim...
    Responde um Felix ainda tomado pela surpresa. __Como você sabe disso, Addae? Meu pai falou na armearia?


    __Não...
    Responde Addae. __No dia da chegada dos alunos de outros ducados, eu, o Cadi e a Genevieve estávamos dando um passeio pela cidade... eu e o Cadi mostramos alguns dos pontos mais conhecidos de Thais para a Gê... nesse dia encontramos e conversamos com alguns cavaleiros de guildas, além do Tenente Leroy no Porto... ficamos sabendo que a sua guilda vai enviar cinco alunos e, se não me falha a memória, os Filhos de Thais vão enviar quatro e os Leões vão enviar sete alunos... ou algo próximo disso, todos daqui de Thais... depois a gente vai saber com precisão. Isso foi há três dias.


    __Ah... certo...
    Responde Felix. __Poxa, eu gostaria realmente de ter estado no Porto quando da chegada desse pessoal de fora. Perdi isso. Mas eu nesse dia eu e a Lara, como também os outros três alunos dos Cavaleiros, estávamos assistindo palestras lá na sede da guilda.


    __Eu também gostaria de ter estado no Porto, naquele dia.
    Diz Tatius. __Mas não podia sair da taverna e deixar meu tio na mão.


    __Nossa, a turma este semestre vai ser grande.
    Diz Genevieve. __Sei lá, tinha uns 50 alunos no cais, do exército e das guildas...


    __Sério?
    Espanta-se Felix.. __Caramba... a coisa vai ser animada lá em Rook...


    __E além disso...
    Continua Genevieve. __ Quando estivemos no Palácio vendo a recepção às delegações estrangeiras, soubemos que o Rei convidou alunos elfos, anões e de Carlin para irem a Rook... três alunos de cada reino desses...


    __Vocês estiveram no Palácio, na recepção? Caramba, eu cortaria um dedo para poder ver isso.
    Exclama Felix. __Eu e o pessoal da guilda só pudemos ver a delegação de Carlin entrando na cidade, nas ruas... e mesmo só vendo isso, ainda assim foi sensacional! Essa é a vantagem de ir pela Coroa... vocês tem mais facilidade de acesso ao Palácio...


    __A gente tem que agradecer à Gê, aqui. O Trimegis a colocou para dentro do Palácio e eu e o Addae fomos de carona... porque pelo número de pessoas aglomeradas perto do Pálacio, mesmo a gente indo pela Coroa, nunca que a gente conseguiria entrar com todo aquele esquema de segurança e aquele tumulto...
    Diz Cadi.


    Lara reage à última intervenção de Genevieve: __Gente... é sério isso??? Haverá alunos anões e de Carlin em Rook??? E elfos??? Não acredito... terei colegas elfos???? Mas isso é um sonho!!!


    __Ihhh...
    Rebate Cadi __ Já vi que a Genevieve não é a única a ter paixonite pelos orelhudos...


    Genevieve fica entusiasmada com a reação de Lara: __É verdade, Lara! E a delegação dos elfos, tanto ao entrar na cidade, como já no Palácio, é um verdadeiro espetáculo. São Lindos. Uma mistura de príncipes com ainur.


    __Ahhh... e eu não pude ver isso...
    Lamenta-se Lara.


    __Linda mesmo era a delegação da Eloise. Cada amazonona ali de tirar o fôlego, fio... Brinca Cadi.


    __Taí uma coisa que eu também fiquei admirado. Complementa Struggle, também em tom de brincadeira. __A galera da Eloise bate um bolão... não concorda, Felix?


    Felix, meio sem graça, devido à presença de Lara, balbucia uma resposta, coçando a cabeça: __Errr... sim, claro... são muitas bonitas... é verdade...


    __Não, não concorda, não.
    Intervém Lara, segurando o braço de Felix com um pouco de força. __O Felix nem conseguiu ver as amazonas direito, tinha muita gente na frente, na rua...


    __E nem precisa perguntar para o Tatius, ele ficou na taverna ajudando o tio.
    Diz Genevieve, jà se adiantando a uma possível indagação ao jovem de Fibula.


    Cadi, Struggle e Addae se divertem com a reação das duas jovens.


    Mas em seguida, procurando mudar de assunto, Addae pergunta, para Felix e Lara: __E como é essa galera que vai pelos Cavaleiros? Se dão bem com vocês?


    __Muito.
    Intervém Lara. __Vocês também vão gostar deles, quando os conhecerem. São super gente boa. Tem o Agapito, um loirinho baixinho e espoleta, hehe. Vai se especializar nas artes magais, como eu. Mestre Valdemar diz que o nível natural de mana dele é impressionante. Mas eu acho que não chega perto da Genevieve...


    Genevieve se ruboriza um pouquinho com a menção feita por Lara. Mas mantém uma expressão de interesse em relação ao que o jovem casal dos Cavaleiros diz.


    __Tem também o Sordius. Diz Felix. __Um cara muito forte, com um porte tipo assim do Tatius. Quer ser o rei do machado na guilda, hehe... e a Michaela. Quer ser espadachim. Como não vai pela Coroa pode se especializar em combate físico. E... bem... err... ela é objeto assim... err... sonho de consumo e motivo de disputa entre o Agapito e o Sordius... se é que vocês me entendem.


    __Mesmo, cara? Poxa, conta mais desses babados aí da guilda de vocês.
    Diz Cadi.


    __Ah, não tem babado algum... Intervém Lara, em tom de brincadeira. __É só isso. Está muito curioso, Cadi. O único babado além desse é que eu já tenho o meu sonho de consumo aqui comigo. Ao dizer isso, Lara enrosca seus braços no braço direito de Felix e estala um beijo na bochecha de seu namorado.


    Cadi, pego de surpresa pela cena, fica um pouco sem graça. Genevieve e Tatius acabam olhando um para o outro. Struggle exibe um pequeno sorriso no canto da boca.


    Mas Addae pergunta: __Vocês dois só se reencontraram na guilda ou antes disso já estavam se vendo?


    __Nos reencontramos na guilda, Addae.
    Responde Felix. __Assim que fui pedir admissão nos Cavaleiros, com intenção de ir a Rook, me surpreendi ao encontrar a Lara já frequentando a guilda. Isso foi no ano passado.


    Cadi então diz: __Olha, cuidado com o namoro lá em Rook. Não é proibido, mas eles não gostam que isso atrapalhe o estudo.


    __Estamos sabendo, Cadi.
    Responde Felix. __Já nos explicaram isso na guilda. Nas horas de estudos e de treinos nem pensar. Mas nas horas de descanso... Ao falar isso, Felix olha nos olhos de Lara, que devolve o olhar com um sorriso matreiro.


    Genevieve e Tatius também se entreolham discretamente.


    __Se vocês quiserem conhecer a sede da guilda, a gente pede permissão ao Mestre Valdemar. Diz Lara. __Mestre Jansen, que é o Grande Mestre, teve que viajar para Venore, para tratar de uns assuntos de interesse da guilda por lá. Assim Mestre Valdemar está no “comando” aqui na sede... tem umas coisitas legais lá para ver.


    __Até que eu gostaria sim.
    Responde Addae. __Podíamos ver um dia desses antes do embarque. Por falar nisso, nós aqui vamos dar um passeio pela cidade, hoje à tarde. Vocês dois não gostariam de ir conosco?


    __Poxa, eu gostaria muito, Addae. Mas apesar de ser Die Eru, haverá uma série de palestras hoje à tarde na guilda e a gente não pode faltar. Fazem parte dos preparativos para a viagem.
    Diz Felix.


    __Se a gente conseguir marcar um dia para vocês visitarem a sede da guilda, antes da viagem para Rook, quem sabe não podemos dar umas voltas pela cidade nesse mesmo dia... Sugere Lara. __Acho que as palestras de hoje serão as últimas e então estaremos mais livres...


    __Entendo...
    Diz Addae. __Tudo bem, vamos ver e...


    __Pega!!! Pega ladrão!!! Pega!!!


    Addae é interrompido por gritos e tumultos vindos da Main Street, perto da esquina com a alameda que conduz ao Templo e que é uma continuação da Temple Street.


    Algumas pessoas e grupos que tinham acabado de sair do Templo e se encontravam próximos da esquina com a Main Street, diante do tumulto voltam atrás e entram novamente na Temple. Outras pessoas que estavam na Main também entram na alameda, fugindo da confusão.


    Naquele exato momento, Pierre e Willborn, em fuga, passavam pela esquina da Main com a Temple, buscando alcançar o Portão Leste, para sair da cidade e escapar de seus perseguidores. Os dois guildanos procuram entrar na Temple Street, no sentido norte, para se desviarem do grande número de pessoas que se aglomeravam diante da alameda do Templo e mesmo na altura da Arena dos Cavaleiros.


    Mas mesmo já na Temple Street, alguns transeuntes procuram interceptar os dois fugitivos, se colocando na frente dos cavalos ou tentando seguras as rédeas. Pierre e Willborn jogam os cavalos ameaçadoramente sobre os que se atrevem a tentar pará-los e mesmo chutam e socam os cidadãos mais ousados, conseguindo se desvencilhar.


    __Pierre, não é boa idéia tentar fugir pela Mill. Teremos que passar nas proximidades do Portão Norte e está apinhado de soldados por lá por causa dos estrangeiros! Grita Willborn.


    __Me segue, pegaremos um atalho! Responde Pierre que, em seguida, conduz sua montaria para uma espécie de beco gramado no lado direito de quem sobe a rua, logo após a sequência de lojas, mas antes das instalações militares que cercam o Portão Norte.


    Os dois guildanos fazem suas montarias saltarem sobre alguns arbustos no beco gramado, atingindo uma pequena praça fechada ao lado da Arena dos Cavaleiros. Em seguida saltam sobre uma nova fileira de arbustos e finalmente se veem na Mill Avenue.


    Na alameda do Templo, Addae e os demais jovens tem sua atenção voltada para o tumulto que acontece em torno da esquina. __Caramba!!! Parece que estão perseguindo alguns bandidos!!! Diz Addae.


    __Vamos lá ver!!! De repente acontece um linchamento!!! Diz Cadi. __Vamos Struggle! Vamos galera! Cadi insta os demais jovens a seguí-lo e a Addae.


    Struggle se junta a seus dois amigos.


    __Espera aqui, Lara. Vou lá ver o que está acontecendo. Diz Felix a sua namorada.


    __Eu vou com você! Rebate Lara.


    Sam e os demais do grupo de adultos também se assustam com o tumulto e com o barulho vindo da Main Street.


    Marta, ao perceber o movimento de Addae e dos demais jovens na direção da esquina, grita: __Addae!!! Espere!!! Não vá lá!!! Pode ser perigoso!!!


    Rosa e Dona Inge também expressam preocupação em relação a seus filhos.


    Sam, por sua vez, tenta gritar algo para Addae, mas seu filho, como também os outros jovens que se puseram a caminho da esquina, já estava longe.


    Tatius faz menção de seguir Addae e os outros mas Genevieve segura seu braço esquerdo e suplica: __Não vai lá não, Tatius... fica aqui comigo...


    O jovem de Fibula, por uns segundos, fica indeciso quanto ao que fazer, mas acaba cedendo aos apelos de Genevieve e permanece na alameda ao seu lado.


    Addae e os demais se juntam ao grande grupo de cidadãos e soldados que corre em direção à Mill, em perseguição a Pierre e a Willborn.


    Continua...
    Última edição por Japixek; 04-01-2018 às 14:31.

  7. #57
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    Saudações!

    Nossa, quando eu li "Cavaleiros de Banor", meu coração se aqueceu e apertou um pouquinho... Era o nome da guilda que eu pertenci em Luminera uns anos atrás, saudades daquele povo...

    Enfim, eu adorei o capítulo! Realmente estava com saudades dessa história e vamos ver até onde ela vai! Abraço forte, Japixek, fica ligado no evento e é nois que voa!


    Abraço,
    Iridium.

  8. #58
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    Caríssimos,


    Segue mais um capítulo ou parte deste arco maior.


    Espero que gostem.


    Um abraço.


    Spoiler: Respostas aos comentários





    Capítulo 12 - O Assalto - Terceira parte




    Os dois assaltantes galopam rápidos pela Mill, assustando os transeuntes surpresos, que pulam e saltam para os cantos da rua, para não serem atropelados ou atingidos.


    Subitamente, os dois cavalos param e refugam, ficando sobre as patas traseiras e se recusando a seguir adiante.


    Diante dos animais vários círculos de energia brilhante pulsam sobre o pavimento da Mill, soltando faíscas e pequenos raios nas direções ao redor.


    __Uoooooooooouuu... uooooooooooou... calma!!! Calma!!! Pierre, e também Willborn, tentam controlar suas montarias, mas os animais ficam cada vez mais assustados com os campos de energia e acabam por derrubar os cavaleiros.


    Pierre e Willborn desabam contra o pavimento. Não só eles. Suas mochilas, repletas de moedas de cristal, ainda que presas às selas, também caem contra o solo. A mochila de Pierre ainda permanece fechada, mas a de Willborn se abre, derramando centenas, quiçá milhares de moedas azuladas na rua.


    Willborn, percebendo a aproximação dos perseguidores, tanto guardas como transeuntes, se levanta rapidamente e, notando que sua mochila se abrira, espalhando o conteúdo pela rua, pega a mochila de Pierre e corre na direção de um beco localizado na calçada da Mill, no lado sul da rua.


    Pierre, deitado no chão e ainda um pouco atordoado, percebe a fuga de Willborn, levando sua mochila. O assaltante tenta balbuciar algumas palavras para o seu comparsa: __Will... espere...


    Como Willborn acaba por desaparecer através do beco, levando sua mochila, Pierre tenta se levantar, mas sente um objeto pontiagudo e frio pressionando sua garganta e um peso sobre seu peito, como se alguém apoiasse o pé sobre ele.


    __Na, na, ni, na, não... tsc, tsc... quietinho aí no chão.


    Pierre olha para cima e para frente e vê uma bela e jovem guerreira de pé, apoiando a bota direta sobre seu peito e forçando a ponta de um florete contra sua garganta.


    Pierre, apesar da situação, ainda consegue brincar, ao observar, deitado no chão, as pernas torneadas da jovem, cujas formas se deixam mostrar através de uma apertada calça de veludo: __Bem, pelo menos a vista daqui é interessante...



    __Engraçadinho...
    Responde a jovem, demonstrando até se divertir com a espécie de galanteio de Pierre. Mas depois continua, em um tom um pouco mais sério: __Para onde você vai, não sei se manterá esse senso de humor... Neste instante a jovem parece reconhecer seu prisioneiro: __N-não p-pode ser... Pierre...


    Pierre, deitado, ainda não consegue observar detalhadamente o rosto da jovem, devido também à claridade do céu por detrás de sua captora, Reconhece então a voz. Cerra os olhos um pouco e consegue divisar as feições da guerreira: __T-Turvy...


    Ao lado do casal, outra jovem, idêntica à que mantém Pierre cativo, tenta acalmar os cavalos assustados com os campos de energia, segurando suas rédeas e acariciando seus pescoços: __Oooou... calma cavalinhos, calma... não tenham medo... Na medida em que os campos de energia perdem força, os animais se acalmam.


    __T-Topsy... Balbucia Pierre, após conseguir direcionar o olhar para o lado, apesar da presença da ponta do florete de Turvy, pressionando sua garganta. __F-foi você quem gerou esses campos de energia?


    __Pierre???
    Surpreende-se Topsy. __M-mas o que você...


    Pierre então suplica a Turvy: __Turvy... ajude-me, deixe-me ir, por favor...


    A jovem se perturba com a súplica e não sabe o que responder: __E-eu...


    Mas não há mais tempo algum. Uma multidão composta de soldados, transeuntes e mesmo um destacamento montado de guardas do Portão Norte, que se somaram aos perseguidores, chega ao local, cercando as duas guerreiras e Pierre, que permanece deitado, sob a ponta do florete de Turvy.


    __Muito bem, moças!!! Diz um sargento corpulento. __Podem deixar que nós cuidamos dele, a partir de agora.


    Vários guardas levantam Pierre do chão, de modo brusco, o desarmam, estendem seus braços para os lados e os amarram a uma lança, dando ao corpo do guildano um formato de cruz. Um outro guarda amarra uma corda no pescoço do agora prisioneiro.


    __Aaai... geme o assaltante, sentindo dores devidas aos modos brutos com que os guardas o movimentam.


    __P-por favor, não o machuquem. Diz uma perplexa Turvy.


    Um guarda toma as rédeas das mãos de Topsy: __Pode deixar que nós cuidamos das montarias dos assaltantes; obrigado moça.


    A multidão que se aglomera ao redor da cena começa a perceber as moedas de cristal espalhadas pelo chão, provenientes da mochila de Willborn, que se abrira devido à queda dos cavaleiros.


    __Não toquem nessas moedas!!! Elas pertencem ao Banco de Venore!!! Quem pegar umazinha apenas será indiciado como cúmplice de assalto!!! Se afastem das moedas!!! Grita o sargento para a multidão. Em seguida dá ordem aos soldados para que procedam ao recolhimento do dinheiro. O sargento também recolhe, do chão, a mochila de Willborn, que ainda contém um bom número de moedas em seu interior.


    Turvy e Topsy conversam discretamente, um pouco atônitas. __O que fizemos, Topsy? Ajudamos a prender um amigo...


    __Como poderíamos saber, Turvy?
    Indaga Topsy. __Para nós eram apenas dois assaltantes em fuga, vindo em nossa direção... por isso gerei os campos de energia, para assustar e parar os cavalos...


    Nesse ínterim, Willborn tenta atravessar o beco no qual se encontra, em direção a uma espécie de largo gramado, que conduziria, como um atalho, para a The City Wall. Para por alguns segundos, atraído por enormes explosões que parecem ecoar desde o Portão Leste. Naquele exato momento Cardomius e Tomazzo tentavam ultrapassar a guarnição do Portão para se evadirem da cidade.


    Refeito após alguns momentos de indecisão e nervoso com a possibilidade dos perseguidores entrarem no beco, Willborn tenta se movimentar novamente, mas escuta um baque surdo contra uma das paredes que delimitam o beco, e sente a manga de seu sobretudo puxá-lo contra a mesma parede. Isso faz com que deixe a mochila de moedas cair contra o solo.


    __Mas que raios... Indaga-se, nervoso, o arqueiro. Ele percebe que uma flecha atingira de modo preciso a manga de seu sobretudo, na altura do pulso esquerdo, prendendo-o contra a parede.Tenta retirar a flecha com a mão direita mas um segundo disparo prende agora a outra manga do sobretudo. Preso pelos dois braços, Willborn se volta para ver quem o aprisionara daquele jeito.


    René Lisek vem caminhando no beco, com sua besta na mão. Quando chega perto do infeliz assaltante, seu rosto é tomado por uma expressão de perplexidade, e o jovem paladino da Adaga balbucia: __Will... m-mas o que você está... v-você, você...


    Willborn reconhece seu captor e suplica: __René... me ajuda, cara... me solta. Há muito dinheiro nessa mochila... eu divido com você! Diz um desesperado Willborn, olhando para a mochila caída na grama.


    René não sabe como reagir, apenas olha, perplexo, para a mochila. A recolhe, abre e observa a enorme quantidade de moedas dentro do recipiente.


    __Pelos velhos tempos, René! Me ajuda, por favor! Implora um cada vez mais desesperado Willborn.


    Mas não há nada mais a fazer. Nesse exato instante mais de vinte soldados irrompem no beco, vindos da Mill e do largo ao sul. Um sargento, que os lidera, retira bruscamente a mochila das mãos de René: __Nós ficamos com isso, arqueiro. Obrigado por deter o assaltante.


    Os soldados retiram as flechas que prendem Willborn contra a parede e, do mesmo modo como os outros guardas fizeram em relação a Pierre, prendem os braços estendidos do arqueiro a uma lança e amarram uma corda em torno de seu pescoço. Em seguida o conduzem para a Mill, para perto de onde se encontra Pierre.


    René permanece parado no beco, observando tudo, ainda perplexo e sem saber o que fazer ou o que dizer.


    Willborn é trazido para junto de Pierre, na Mill. A multidão se aglomera ao redor dos soldados e dos prisioneiros. Mais e mais transeuntes e perseguidores vão chegando ao local da captura. Com eles chegam também Addae e os outros jovens. Um burburinho começa a reverberar entre os cidadãos ali presentes até alcançar o tom de gritos: __Lincha!!! Lincha!!! Enforquem-nos aqui mesmo!!! Algumas pedras e objetos são lançados contra os dois assaltantes.


    Felix embarca na onda e grita: __Lincha!!! Lincha!!!


    Cadi, por sua vez, também grita: __Lincha!!! Lincha!!!


    Addae e Struggle sentem um certo desconforto com os pedidos da multidão e de seus amigos, e não se manifestam.


    É Lara quem intervém: __Felix! Cadi! Estão malucos? O que deu em vocês? Não fiquem incentivando essa barbárie e essa covardia! Eles já estão imobilizados e presos. Parem de gritar essas coisas!


    Felix e Cadi ficam um pouco constrangidos, até mesmo um pouco envergonhados com a descompostura passada por Lara, e se calam.


    Turvy e Topsy, aflitas com a situação dos dois assaltantes, por elas conhecidos e por elas detidos, tentam censurar e calar os transeuntes que pedem o linchamento, sem muito sucesso, no entanto, pois são muitos os que pedem o justiçamento.


    Como boa parte da multidão continua pedindo o linchamento dos dois guildanos presos, um dos sargentos presentes, um homem alto e forte, enfrenta os populares com coragem e grita: __Estes homens estão sob a custódia da Guarda Real! Serão levados ao Xerife! Quem quer que fique incentivando o justiçamento será levado preso também! Fui bem claro?


    O sargento consegue se impor e os cidadãos que pedem o linchamento momentaneamente se calam.


    Os guardas, com lanças em riste, formam um cordão de isolamento ao redor dos prisioneiros. Os guardas montados que vieram do Portão Norte abrem caminho entre a multidão na Mill e a escolta começa a se movimentar na direção da esquina com a Temple, com Willborn e Pierre sendo puxados pelas cordas atadas a seus pescoços.


    O cortejo avança sob os olhares da população aglomerada na rua. Aqui e ali um ou outro transeunte ainda ensaia um pedido de linchamento, mas a atitude resoluta da guarda desencoraja qualquer movimento nesse sentido. Uma senhora, perto de Addae e de seus amigos, lamenta o ocorrrido: __Justamente quando Thais recebe as delegações estrangeiras para as negociações de um tratado, isso acontece. Que vergonha para a capital...


    Turvy e Topsy permanecem paradas em frente à loja, com semblantes tristes, olhando a multidão se afastar. René vem caminhando para junto delas, com sua besta na mão.


    __Olá meninas... Diz o arqueiro, em um tom melancólico. __Simplesmente acabei de ajudar a prender um velho amigo. Só percebi que era o Will depois de “grampeá-lo” à parede do beco ali...


    __René...
    Responde Turvy, ainda bem triste. __Soube através de Mestre Arturos que você estava na cidade... o outro assaltante era o Pierre... Topsy deteve os cavalos com campos de energia e eu o imobilizei no chão.


    __O outro era o Pierre???
    Espanta-se René. __Mas o que deu naqueles dois?? Nunca os imaginaria cometendo um assalto...


    __Nem eu...
    Diz Topsy. __Os mesmos Pierre e Will que sempre se sentavam à nossa mesa na taverna de Maria, em Venore... apesar de pertencerem a outra guilda...


    __Segundo me disse um senhor ali atrás, eles não estavam sozinhos nessa. Parece que tinham mais dois cúmplices que acabaram conseguindo fugir pelo Portão Leste.
    Diz René.


    Um outro senhor, que trabalha na loja juntamente com Turvy e Topsy, vendendo móveis, intervém: __Por que estão tão tristes, meninas? Vocês fizeram o certo. Ajudaram a prender aqueles vagabundos.


    Turvy, ao ouvir isso, fuzila o comerciante com o olhar, mas não responde, apenas vai andando para o interior da loja, um pouco cabisbaixa.


    __O que eu disse de errado??? Indaga o comerciante a Topsy e a René.


    __Você não sabe quem são aqueles “vagabundos”, Gammy. Não diga besteiras. Responde Topsy, também se encaminhando para a loja.


    __Eles são velhos amigos nossos de Venore, Gammy. Responde René. __Não foi propriamente uma situação agradável vê-los assaltando e sendo presos.


    __Ah... puxa... eu não sabia...
    Responde o vendedor.. __Bem, de qualquer maneira vão receber o que merecem, conhecidos ou não... mas que bom revê-lo, René. Não sabia que estava em Thais. Quando tiver um tempinho venha ver as novidades em termos de mobília. Tem umas cadeiras novas que são um charme só... e as escrivaninhas então... aliás, se quiser dar uma olhada agora mesmo...


    __Uma outra hora, Gammy... uma outra hora...
    Responde um ainda melancólico René, se encaminhando para o outro lado da rua.


    Já perto da esquina com a Temple, o cortejo para a condução dos prisioneiros vai atraindo um número cada vez maior de curiosos. Os guardas montados do Portão Norte que tinham se juntado à perseguição, retornam à sua guarnição, deixando aos soldados do Portão Sul e a outros pertencentes às rondas ordinárias a tarefa de levar os dois assaltantes até o Xerife.


    Quando os militares, os prisioneiros e os transeuntes passam defronte à Alameda do Templo, Sam, Marta, Rosa e os outros adultos chamam Addae, Cadi e os demais jovens.


    Addae, tomando a frente, responde de longe por ele e por seus amigos, dirigindo-se a sua mãe: __Está tudo bem, mãe. Não tem perigo algum. Só vamos seguir os guardas até a Prisão e já voltamos.


    Marta. Sam, Rosa, Dona Inge e Gorn fazem expressões de preocupação mas acabam aceitando e deixam os jovens seguirem o cortejo. Genevieve e Tatius observam da alameda curiosos, mas permancem junto aos adultos.


    Passando em frente ao Depot, contornando a esquina da Main com a Harbour, Pierre e Willborn são puxados pelas cordas, seus braços estendidos e presos às lanças, como condenados crucificados. Da multidão de vez em quando ainda ecoam pedidos de linchamento e mais objetos são lançados contra os dois assaltantes presos.


    Os soldados, apressados, finalmente alcançam as imediações do Portão Sul e entram na rua sem saída que conduz à Prisão. Levam os prisioneiros para o interior do prédio. Os militares que costumam guarnecer a Prisão fazem uma espécie de cordão de isolamento para não permitir a aproximação da multidão que vem seguindo o cortejo.


    Dentro do prédio, o Xerife Wyat já aguardava a chegada da escolta com os prisioneiros, estando de pé, atrás do balcão. O recinto se enche de soldados em torno de Pierre e Willborn.


    Wyat encara os dois guildanos, com uma expressão não de ira, mas quase de tristeza, melancólica, se poderia dizer. Pierre e Willborn não tem coragem de encarar o Xerife e direcionam seus olhares para o chão.


    O Xerife de Thais então diz secamente ao soldado Sewell, postado à sua direita, ao lado do balcão: __Ponha-os a ferros.


    __Sim, Xerife.
    Responde Sewell, acenando a seguir para os guardas da escolta, no sentido de que o acompanhem, trazendo os prisioneiros.


    Os soldados conduzem os prisioneiros para a sala posterior à do Xerife, tendo o cuidado de colocar Pierre e Willborn em uma posição na qual pudessem transpor a porta, já que seus braços permaneciam amarrados às lanças e estendidos.


    O cortejo desce então para o subsolo, onde ficam localizadas as celas.


    No andar de baixo, o tumulto e a agitação causados pela chegada dos guardas com os dois assaltantes faz com que os demais prisioneiros nas celas tenham sua atenção desperta. Alguns, que dormiam, acordam. Outros vêm para junto das grades tentando divisar o que ocorre.


    Sewell orienta alguns soldados da escolta para que conduzam Willborn ao corredor à direta de quem desce as escadas. Lá, o guildano tem os braços desamarrados da lança e a corda em torno do pescoço retirada. Os soldados o conduzem para o fundo da cela escolhida por Sewell, a última do corredor, no lado esquerdo de quem caminha no sentido do fim do mesmo corredor. Na parede posterior da cela, Willborn tem os braços esticados e presos a duas correntes que pendem do teto. O assaltante emite um gemido de dor e desconforto.


    Em seguida, Pierre é conduzido para a cela por ele ocupada até o dia anterior, no corredor da cela de Partos e defronte à cela de Aruda.


    Partos coloca o rosto entre as grades e dirige um gracejo a Pierre: __Eu sabia que você acabaria voltando para a pensão do Xerife Wyat... eu sabia...


    Pierre, cabisbaixo, parece sequer ouvir a provocação. Sewell dirige um olhar de repreensão a Partos, que se cala, mas exibe um sorriso sarcástico, como se saboreasse aquele momento, devido à resposta agressiva dada por Pierre, quando saia da prisão no dia anterior.


    Aruda também se posiciona junto às grades de sua cela, procurando ver o que se passa.


    Após Sewell abrir a cela, os soldados da escolta, junto a outros da guarnição da Prisão, colocam Pierre no fundo da cela, pendurado pelos pulsos em correntes que pendem do teto. Do mesmo modo como no caso de Willborn, Pierre emite murmúrios e gemidos de incômodo e sofrimento..


    Aruda, observando tudo de sua cela, no lado oposto do corredor, protesta, indagando a Sewell. __Por que atá-lo às correntes??? Não basta confiná-lo na cela???


    Sewell, de modo ríspido, responde: __Não se meta nisto, Aruda. Não é da sua conta. Levante as mãos para os céus e agradeça pelo fato do Xerife ter te dado uma pena leve e decidido te liberar hoje lá pelo meio-dia. Fique quietinha aí.


    Aruda, com uma expressão de inconformismo, abaixa os olhos devido à reprimenda de Sewell. Mas em seguida, segurando as grades e com um olhar de tristeza e compaixão, passa a observar, entre os soldados que enchem o corredor à frente, a figura de Pierre, cabisbaixo e pendurado às correntes no fundo de sua cela.


    No lado de fora da prisão, a multidão começa a se dispersar, percebendo que nada de notável ou diferente acontecerá, após a condução dos assaltantes para o interior da Prisão. A única “atração” é o grande número de soldados e alguns oficiais da guarnição do Portão Sul, misturados aos guardas da mesma Prisão, diante do prédio.


    __Vamos, gente. Não há mais nada para ver. Os assaltantes já estão presos. Diz Lara para Felix e para os demais jovens do grupo.


    Os cinco, juntamente com parte dos transeuntes, seguem para a esquina com a Harbour, pegando em seguida o sentido para a Main Street.


    __Voces não reconheceram aquele assaltante louro de bigode? Pergunta Addae para Cadi e para Struggle.


    __Sim. Responde Struggle. __Ele é um daqueles três que ficaram nos encarando com ar de deboche aqui na esquina com a Harbour. Bem feito, tomara que apodreça na Prisão.


    __E não só isso.
    Continua Addae. __O outro assaltante é o que estava preso ontem na cela em frente à da... da... na cela em frente, vocês sabem... Addae, em função da presença de Felix e de Lara, não quer citar Aruda.


    __Como você sabe, Addae? Indaga Cadi. __O cara estava na cama com um chapéu escondendo o rosto.


    __Pela roupa.
    Responde Addae. __A roupa era idêntica, não repararam?


    __Do que vocês estão falando?
    Pergunta, curioso, Felix. __Vocês estiveram na prisão, ontem? Foram fazer o quê lá?


    __Err... sabe, o Xerife Wyat é amigo do meu pai e a gente tinha combinado com ele uma visita à Prisão, para conhecer por dentro... curiosidade, entende? Essa visita foi ontem...
    Responde Cadi


    __Ah... tá...Reage Felix, ainda que com um ar um pouco surpreso.


    Lara também fica um pouco intrigada com a conversa de Addae, Cadi e Struggle, mas muda de assunto: __Bom, gente, eu vou tentar marcar uma visita de vocês três à sede da nossa guilda, por esses dias, antes do embarque. Vou falar com Mestre Valdemar e depois eu procuro vocês. Quero também que a Genevieve e o Tatius participem da visita....


    __Tudo bem.
    Responde Addae. __Qualquer coisa me procura na armearia, durante a semana. Aí eu falo com o resto da galera. Quero muito conhecer a sede dos Cavaleiros de Banor.


    Os cinco jovens vão subindo a Harbour em direção à esquina com a Main, para em seguida rumarem para a Alameda do Templo, e reencontrarem o resto do grupo maior, com os adultos.


    Neste exato momento, na estrada para Thais, um grande cortejo composto por dez soldados montados, fortemente armados, que acompanham e escoltam um grupo formado por dois oficiais do Exército, um sábio de barba e cabelos brancos com uma túnica cinza que o identificam provavelmente como mago ou mesmo um druida, dois adolescentes com indumentárias e capas caras, de ótimo nível, e um homem alto e forte, semblante resoluto e cabelos castanhos claros um pouco grisalhos, cujas vestes indicam ser de linhagem nobre ou ocupante de alguma função de alta responsabilidade no Reino, se aproxima da agência postal que fica no caminho para a Capital.


    (Continua...)
    Última edição por Japixek; 11-01-2018 às 23:14.

  9. #59
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    caraca comi mosca ja ta na terceira parte


    achei fodassa essa perseguicao toda depois do assalto muito bom isso ai


    so nao gostei que o tomaszo e o cardomus sao dois fdps e conseguiram fugir quando o pierre e o wilbonr sao mais gente boa e se estrumbicaram fiquei pistola com isso


    manda mais ai vo ficar ligado

  10. #60
    Avatar de Kerrod
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    Champz

    Tambem comi mosca pensei que ainda estava na segunda parte.

    Na 2ª houve tipo uma interrupção naquela perseguição frenética. Gostei desse encontro com os leques da guilda muita informação interessante foi passada ali, sobre o backgroud dos personagens tanto os conhecidos como os novos . Alias a fic esta repleta de personagens muito legais

    Na 3ª o thriller foi retomado. Fiquei surpreso com o fim dos dois malucos que ainda estavam na cidade, pensei que conseguiram escapar de qualquer forma. Mas essa alternancia funfou legal esse enredo me intriga essa variação de coisas mais frugais com cenas um pouco mais hardcore esta ficando ótimo. Gostei da escovada que a mina deu nos dois leques que pediam o linchamento aheuhaiuhaue

    Go champz GO send me more 0/

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    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira





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