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Tópico: O mal se levanta novamente

  1. #21
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    alguma previsao de novo capitulo?

    esta eh uma das historias que eu gosto por favor nao nos esqueca continue:'(

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  2. #22
    Avatar de Larius
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    Avaliando o que já foi postado, tenho a dizer que estou interessado no desfecho dessa história, principalmente se for levar em conta que não aconteceu nada espetacular ainda e já estou gostando de acompanhar.

    Concordo quando disseram sobre sua formatação do texto, de vez em quando acabo me enrolando na diferenciação entre diálogo e narrativa.

    Espero não precisar mais 2 anos para poder ler a próxima parte.
    http://imageshack.com/a/img537/4372/jO8x2b.png


  3. #23
    desespero full Avatar de Iridium
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    Citação Postado originalmente por Larius Ver Post
    Avaliando o que já foi postado, tenho a dizer que estou interessado no desfecho dessa história, principalmente se for levar em conta que não aconteceu nada espetacular ainda e já estou gostando de acompanhar.

    Concordo quando disseram sobre sua formatação do texto, de vez em quando acabo me enrolando na diferenciação entre diálogo e narrativa.

    Espero não precisar mais 2 anos para poder ler a próxima parte.

    Disse tudo, Larius.

    Japixek, cade vc rapaz?

  4. #24
    Avatar de Japixek
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    Prezados frequentadores do Fórum Roleplaying,

    Segue neste post a continuação da narrativa. O intervalo de postagem diminuiu mas ainda é longo. Vou tentar torná-lo cada vez menor. Este arco que se inicia neste post, por ser muito grande, foi dividido em cinco capítulos menores, que já estão prontos. Incialmente pretendia postá-lo inteiro, mas temo que o fórum não comporte uma postagem tão grande. O capítulo inteiro é praticamente cinco vezes maior do que o capítulo anterior. Então, por segurança, e para que a leitura não se torne enfadonha, fica portanto o capítulo dividido em cinco partes. Pretendo enviá-las em intervalos de uma semana, para não ficarem caracterizadas como "double post".

    Àqueles que porventura continuam acompanhando, e aos que se interessarem em acompanhar, espero que gostem.

    Agradeço muitíssimo aos que se dispuseram a comentar. Antes do capítulo propriamente dito, seguem as respostas aos comentários.

    Um grande abraço a todos!

    Spoiler: Respostas aos comentários



    Capítulo 3 – Um tratado histórico - Primeira parte.

    Marta termina de colocar a mesa para o café. Enzo vem correndo e se senta antes de todos na mesa. Em seguida, Hanna e Augustus sentam-se um ao lado do outro,

    Hanna repreende seu irmão caçula: __Enzo, tenha modos. Não precisa vir correndo para a mesa desse jeito.

    __Eheheh, crianças são assim mesmo. Tenta contemporizar Augustus.

    __Ah, mas não se pode deixar que façam o que querem. Ainda mais quando temos convidados em casa. Diz Hanna, fitando seu pequeno e levado irmão com um olhar severo.

    Sam desce as escadas e se senta a mesa: _Bom dia, bom dia...

    __Bom dia , Senhor Sam. E está mesmo um belíssimo dia lá fora. Diz Augustus

    __É...este tem sido um inverno atípico, parece mais uma primavera, até hoje não houve um dia sequer com neve...

    Addae também desce para a sala e cumprimenta a todos: __Bom dia, bom dia...

    __Bom dia, filho. Responde Sam.

    __Bom dia. Diz Hanna.

    __Hummm...yum...yum... Respode Enzo, mastigando um pedaço de pão.

    __Bom dia, Addae. Obrigado por ceder seu quarto. Me desculpe por estar lhe causando este incômodo. Diz Augustus __Dentro de 3 dias estarei embarcando no navio de volta para Venore e seu quarto estará liberado.

    __O Addae não se incomoda, Augustus. Diz Hanna __Sempre que vier a Thais, fazemos questão que fique hospedado conosco.

    Addae reage ao que Hanna acabara de dizer, baixinho, rangendo os dentes, falando para dentro, para si mesmo, de modo que todos os demais não possam ouvir:__Queria ver você ter que dormir com o Enzo...pimenta nos olhos dos outros...

    Enzo cutuca Addae discretamente e por sinais, pede que ele olhe por debaixo da mesa, na direção das cadeiras de Augustus e de Hanna. Addae finge que deixa cair uma colher no chão. Se abaixa para pegá-la e então vê que Augustus segura a mão de Hanna, por debaixo da mesa.

    __É...a coisa está ficando séria. Diz Addae, bem baixo, para si mesmo

    __Eu soube da grande venda que o senhor realizou ontem, senhor Sam. Diz Augustos.

    __É...Responde Sam. __Não é sempre que um cliente entra na loja e arremata quase oitenta por cento do seu estoque. Há meses nos quais não chego a faturar metade do que vendi ontem. O cavalheiro que fez a aquisição também comercializa armas e pretende revendê-las em Rookgaard. Empreenderá a viagem no mesmo navio onde irão Addae e Cadi, para a Academia.

    __Coincidentemente, eu e Hanna também fizemos uma grande venda ontem, na joalheria, senhor Sam. Curioso...eram dois funcionários do Palácio Real, muito bem vestidos, pareciam diplomatas. Estavam escoltados por quatro soldados do Rei. Levaram várias jóias, algumas caríssimas...só não pagaram à vista, nos deram um vale com o símbolo da Coroa para que fôssemos receber no Palácio daqui a dois dias...Diz Augustus

    __Mesmo? Hummmm...Reage Sam. __Então as coisas devem estar caminhando bem, conforme Tim me disse ontem à noite. Quando estava voltando para casa, eu o encontrei saindo da guarnição leste e viemos caminhando e conversando. Essa venda que vocês fizeram é um bom sinal.

    __Como assim, pai? O que o capitão Tim lhe disse? Pergunta Addae.

    __Bem. Responde Sam. __Isso o que vou dizer não é nenhum segredo de estado. Você se recorda, Addae, na caçada que fizemos, que Tim dissera que Tibianus estava tentando fazer um acordo de mútua defesa com os elfos e com o anões...

    __Sim, pai, me lembro. O Capitão disse que os elfos e os anões estavam um pouco reticentes...

    __Exato, Addae. Mas chegaram notícias animadoras ontem ao Palácio, do serviço diplomático. Tim me disse que é possível que uma delegação de Ab’Dendriel e outra, de Kazordoon , cheguem hoje, ainda na parte da manhã, a Thais.

    __Uau, serio, pai??? Seria um dia histórico. Nunca elfos e anões puseram os pés em Thais.

    __Sem dúvida. Aliás, provavelmente você, Cadi e aquela menina de Greenshore não vão poder se aproximar do Palácio Real. A guarda vai interditar as ruas próximas ao Palácio e o acesso ao Portão Norte de Thais, caso os batedores do Rei confirmem daqui a pouco que as delegações estão mesmo vindo para a Capital.

    __Poxa, essa seria a parte ruim. O Palácio do Tibianus é uma das maiores atrações da cidade...

    __Mas vocês podem contemplar o Palácio por trás do cordão de isolamento. E há outras atrações, a Torre de Observação, o majestoso Templo de Thais...

    Marta, que acabara de se sentar à mesa, intervém: __Não sei como alguém tem coragem de matricular uma menina em uma academia militar, como Rookgaard. E uma camponesa. Pobrezinha. Deveria aprender outros ofícios mais próprios a uma jovem, como tecer, artes culinárias...

    __Marta, se você algum dia tivesse visto uma amazona em combate, mudaria os seus conceitos. Podem não ter a força física de um homem, mas compensam isso com agilidade, astúcia e uma grande habilidade no manuseio de armas. E várias turmas já se formaram tendo garotas como integrantes. Na época em que eu e Tim fizemos a Academia somente homens eram admitidos. Mas isso mudou. E as mulheres costumam ser mais poderosas nas chamadas artes manais, as que dependem da utilização do mana, essa energia que habita as mentes e corpos dos humanos e outras criaturas em Tibia, e que são utilizadas principalmente por magos e druidas. Diz Sam.

    __Pai, mas não há mulheres no exército do Rei. Onde estão as mulheres que se formaram em Rook?

    __Bem, as garotas que vão para Rook com uma bolsa do Rei, só podem se especializar nas chamadas classes manais, druidas e magos, ou, no caso delas, druidesas e magas. Tibianus não as admite nas carreiras ligadas aos combates físicos, mesmo a distância, como os chamados cavaleiros e paladinos. Isso é uma tradição no exército thaiano, além de ser, de certa forma, uma provocação a Carlin, que só admite mulheres em suas forças armadas.

    __E onde estão as magas e druidesas do exército do Rei, pai? Nunca as vi por aí.

    __Ah, elas existem, Addae. Mas só que paralelamente exercem algumas funções. Quando terminam seus estudos em Rook, geralmente as magas seguem para Edron, para se aperfeiçoarem em seu, digamos, ofício, na academia para magos que existe por lá. As druidesas passam um tempo estudando e se aperfeiçoando no Conselho Druídico do Reino, aqui mesmo em Thais, sob os auspícios do venerável druida Marvik, o atual Druida Supremo do Rei. Essa menina que você e Cadi levarão para conhecer a cidade, hoje, qual o nome dela mesmo?

    __Genevieve...

    __Pois bem, Genevieve, após concluir seus estudos e treinamentos em Rook, estudará por mais uns três anos com Marvik. É considerado pelos iniciados como um druida poderosíssimo. Pelo que você me contou ontem a respeito das habilidades dela, deve ser seu caminho. Mas você mesmo já conheceu uma druidesa, Addae, embora não soubesse disso.

    __Quem, pai???
    Pergunta Addae surpreso.

    __A sacerdotisa Lynda, daquele pequeno templo próximo ao Palácio Real. Ela é também uma druidesa. Formou-se em Rook e foi uma discípula de Marvik. Hoje integra o Conselho de Magos e Druidas do Rei, presidido por Trimegis.

    __Sério? A professora Lynda é uma druidesa??? Caramba, nunca soube. Ela nos dava aulas a respeito do Gênesis de Tibia, na escola...

    __Pois é. A maga Lungelen, que preside o Conselho Real de Magos, também integra o conselho presidido por Trimegis, e assim vai...há outras por aí, que nem eu conheço, afinal no meu tempo não havia garotas estudando em Rookgaard....

    __E os alunos que são financiados pelas guildas, pai? É a mesma coisa?

    __Bem, as guildas tem um posicionamento mais liberal. As alunas que vão a Rook através das guildas, podem se especializar nas carreiras de combate mais físicas, se tornando amazonas e paladinas. Nas guildas oficiais e autorizadas pelo Rei as coisas são um pouco diferentes do Exército Real. Mulheres não são obrigadas a apenas serem druidesas e magas.

    __Mas por que os soldados e oficiais do Rei não são comumente chamados de cavaleiros e paladinos? Não tem a mesma formação em Rook dos alunos enviados pelas Guildas?

    __É só uma questão de tradição. De nomenclatura. Mas evidentemente os militares que tem uma especialização tanto em combate direto como a distância são, a rigor, cavaleiros e paladinos. Mas por uma questão de tradição, assim são chamados os membros das guildas.


    __Senhor Sam. Indaga Augustus. __Por que o senhor ligou a venda de jóias que fizemos ontem aos esforços diplomáticos empreendidos pelo Rei, com vistas a conseguir um acordo com elfos e anões?

    __Pelo seguinte, Augustus. É uma tradição presentear dignitários estrangeiros com jóias e outros presentes valiosos. Como você disse que os compradores eram funcionários do Palácio Real escoltados por guardas, este fato pode significar que efetivamente delegações de elfos e anões estão vindo para Thais...

    __Ah, sim, compreendo...é...faz sentido.
    Diz Augustus. __ Mas e você, Addae...quando embarca mesmo para Rookgaard?

    __Bom.
    Responde Addae. __O navio do capitão Bluebear deve chegar de Port Hope dentro de uns 5 ou 7 dias, por aí...dizem que deve ficar ancorado em Thais por mais uns 3 ou 5 dias...acho que entre 8 e 12 dias, mais ou menos, os alunos devem estar zarpando para Rook...

    __Minha criança...Choraminga Marta. __Não me conformo que só o verei de novo quando tiver dezoito anos...

    __Mas ele não virá para casa nas férias, Dona Marta?
    Indaga Augustus.

    __Férias? Sem férias. Responde Addae, por sua mãe. __Os alunos ficam em Rook quatro anos sem intervalos. Podem no máximo escrever para suas famílias. Voltando-se para sua mãe, Addae diz: __Eu prometo que escrevo, Mãe. Todo navio que partir de Rook vindo para Thais terá uma carta minha para a senhora e para todos aqui. Não fica triste. Quatro anos passam rápidos.

    __Você não me esperou por quatro anos, Marta? Então...
    Sam tenta consolá-la.

    __Você não era meu filho, Samuel Smith. Era meu namorado. Era diferente...Responde Marta.

    __Pai, o senhor já namorava a mamãe antes de ir para Rook??? Pergunta, surpreso, Addae

    __Errr...sim, Addae, já namorávamos, namoro de adolescente...em uma árvore perto do Portão Norte, na floresta, há um coração esculpido, com nossas iniciais. Eu que esculpi, como um compromisso de que voltaria para Marta, e ela esperou, apesar de alguns outros pretendentes. Sam pousa sua mão sobre a mão de sua esposa.

    __Que romântico... Diz Hanna, segurando novamente a mão de Augustus por debaixo da mesa.

    __Eu também quero ir para Rook! Diz Enzo.

    __Ah não, meu bebê não. Não suportaria ficar sem ver outro filho meu por quatro anos. Protesta Marta.

    __Você não disse que queria trabalhar com o Palomino, leque? Rebate Addae.

    __Agora quero ir para Rook, também! Insiste Enzo.

    __Enzo, ainda tem muita água para passar por debaixo da ponte, antes que você decida o que gostaria de fazer da vida. Se ocupe em tirar boas notas na escola. Não coloque a carroça na frente dos bois. Diz Sam. __E Addae, quero você de volta à loja depois do almoço, após mostrar a cidade à...como é mesmo o nome dela?

    __Genevieve, pai...

    __Certo...bem, vou indo..até mais, pessoal...
    Sam se levanta, dá um beijo em sua esposa e se dirige à porta. __Addae, você ficou de passar na casa do Struggle, para levar as roupas para a mãe dele, não?

    __Sim, pai, vou passar na casa do Cadi, depois vamos à casa do Struggle, e depois vamos para a taberna do senhor Frodo, encontrar a Genevieve...

    __Você e Cadi fiquem de olho no Struggle, antes da partida para Rook. Ele é um bom rapaz, mas tem um talento especial para se meter em confusão...

    __Pode deixar, pai. O Struggle está ligado e não quer decepcionar o Capitão Tim.

    __Até logo, então.
    Sam se dirige à porta da rua.

    __Até logo senhor Sam. Diz Augustus.

    __Tchau, pai. Diz Hanna.

    __Tchaaaaaaaauuuu. Diz Enzo, acenando para Sam.

    Após Sam sair, Marta diz a Addae: __Foi um gesto bonito de Cadi, ao pedir por Struggle. E Tim tem um coração de ouro. Curioso que Struggle sempre dizia que queria seguir os passos do pai e ingressar na marinha mercante...

    __Ele queria mesmo, mãe, mas sendo um oficial da Guarda ele pode se fixar em uma cidade e assim cuidar melhor da mãe dele e da avó dele. Embarcado ele ficaria sempre viajando.E se alistando como um soldado raso ele serviria como soldado por uns três anos e depois seria dispensado. Rook é o melhor caminho para ele. Além disso eu e o Cadi ganhamos um amigo a mais em Rook. Isso é importante para a gente.

    __Entendo, espero que você e Cadi o ajudem na Academia. Você sabe que ele sempre teve dificuldades nos estudos.

    __Pode deixar, mãe. A gente vai ajudar o Struggle lá. E ele está muito agradecido ao Cadi e ao Capitão Tim. Não quer mesmo decepcioná-los. Prometeu dar o seu melhor em Rook.

    __Que bom...Addae, a trouxa com roupas para a Dona Inge está sobre a mesa da cozinha. Junto tem um saquinho com algumas moedas de ouro. É o pagamento dela. Diga que não precisa ter pressa. Ela pode devolver as roupas na semana que vem. Mas é bom você ir logo, para não se atrasar para o compromisso com aquela moça.

    __Tá bom.
    Responde Addae indo para a cozinha. Em seguida retorna com a trouxa. __Tchau, mãe, tchau senhor Augustus, tchau Hanna, tchau leque. Diz Addae bagunçando o cabelo de seu irmão caçula.

    __Até logo, Addae. Responde Augustus. __Se puder, leve a jovem de Greenshore até a joalheria. Ela vai se encantar com a beleza das joias. Quem sabe ela não ganha um pequeno souvenir? Pisca Augustus para Addae.

    __Se der, levo sim, Senhor Augustus.

    Addae beija sua mãe e ganha a rua, levando a trouxa de roupas nas costas. Desce a The City Wall até alcançar a Upper Swamp Lane. O dia estava magnífico. Um friozinho agradável, o que tornava os raios de Fafnar aconchegantes. O céu de Tibia com um tom de azul profundo, algumas nuvens em formatos curiosos, parecendo pedaços de algodão de um branco resplandecente.

    Depois de caminhar alguns minutos, Addae ouve atrás de si o barulho de galopes, se aproximando. Olha para trás e vê um grupo de cavaleiros vindo em sua direção. O líder do grupo, uma cavaleiro vestido com um belíssimo traje de dor marrom, como o de um mosqueteiro, com luvas e botas de couro muito elegantes, um chapéu de abas largas com um penacho cor de laranja caindo para trás, grita para as pessoas na rua: __Alôôô...saiam da frente.. abram alas!!!

    Addae se afasta para o lado da rua, para dar passagem aos cavaleiros, não sem ficar um pouco irritado com o ar pedante do líder da tropa. Quando a tropa, composta de cerca de uma dúzia de cavaleiros passa por Addae, ele nota que, fora o líder, um adulto de cerca de vinte e poucos anos, os demais cavaleiros eram adolescentes aparentando ter a idade de Addae. Todos com vestimentas parecidas com a do líder, muito elegantes e caras. Alguns dos cavaleiros eram na verdade, amazonas. Os cavalos, magníficos, alguns negros, alazões, brancos. Addae fica impressionado com o grupo. Vão em direção a Harbour Street.

    __Caramba...Pensa Addae. __Quem são esses caras? Que uniformes massa. Que cavalos....só podem ser de alguma guilda...e rica, pelo jeito. Mas aqueles leques não tem idade para serem cavaleiros ou paladinos. Então Addae tem um estalo: __Será que são alunos que vão para Rook, financiados por uma guilda? Só pode ser isso!


    Addae continua caminhando pensativo. Finalmente chega à casa de Cadi e bate na porta. Rosa, a mãe de Cadi, vem atendê-lo:

    __Olá, Addae, como vai?

    __Tudo ótimo, Dona Rosa, e com a senhora?

    __Tudo ótimo, Addae. Sua mãe, seus irmãos? Não quer entrar um pouco? Cadi já está descendo.


    Addae entra na sala da casa de Cadi: _Com licença...tá tudo bem com o pessoal lá em casa, Dona Rosa. Addae pousa a trouxa com roupas no assoalho, para descansar um pouco do peso.

    __E então...ansioso para embarcar para Rook?

    __Muito...mal consigo pregar os olhos a noite, de tanta ansiedade. Não vejo a hora de embarcar...

    __Cadi também está assim, é o grande sonho dele, agora seu também...não deve ter sido fácil para Marta concordar com sua ida, Addae...eu também fico um pouco apreensiva por Cadi.

    __Não foi, não. Mas ela finalmente cedeu. Vai dar tudo certo. Quatro anos passam rápidos...


    Nesse momento as duas irmãs gêmeas de Cadi, de sete anos, vêm para a sala, se escondem um pouco atrás da saia de Rosa, e com uma expressão sapeca, dizem juntas: __Oi Addae!!!!

    __Oiiii Talita, oiii Tabata...ou Tabata e Talita...nunca sei bem qual é uma e qual é outra ahahahah. Addae se agacha um pouco para ficar na altura das meninas e faz uma expressão divertida pois as acha muito engraçadas.

    Então Cadi vem pulando os degraus para o andar de baixo, segurando duas maçãs. Joga uma para Addae: __Pensa rápido, bro...

    Addae se assusta com o arremesso repentino. Quase deixa a maçã cair mas finalmente consegue segurá-la.

    As irmãs de Cadi se esbaldam de rir com a cena.

    Cadi dá um beijo em sua mãe, afaga os cabelos de suas irmãs e diz em um tom meio jocoso, meio sério: __Tchau suas espoletas...acho bom não chegarem perto do meu quarto...senão....

    As duas mostram a língua para Cadi, em resposta.

    Addae ri com da careta das meninas: __Tchau Dona Rosa, tchau meninas. Diz, pegando novamente a trouxa de roupas.

    __Tchau Addae. Dê lembranças a Marta...ah, será que essa senhora que lava e passa para vocês aceitaria mais uma freguesa? Estou com muita roupa acumulada aqui em casa.

    __Eu pergunto a ela, Dona Rosa.
    Diz Addae. __Eu acredito que ela gostaria sim, de mais uma freguesa. Ela muitas vezes pergunta à minha mãe se ela não conhece alguém que esteja precisando dos serviços dela. A Dona Inge lava e passa que é uma beleza. A roupa fica um brinco.

    __Obrigada, Addae. Depois o Cadi me traz a resposta dela. E tragam um dia essa moça de Greenshore aqui, para que a conheçamos. Afinal vai ser colega de vocês em Rook.

    __Traremos sim, Dona Rosa.

    __Tchaaaaaaaaaaaaaau Addae!!
    As gêmeas acenam para Addae, um pouco escondidas atrás da saia de Rosa. E mais uma vez mostram a língua para Cadi.

    Seu irmão aponta para elas como a ratificar o que dissera, para que não mexam em seu quarto.

    Addae dá uma gargalhada diante do pequeno entrevero familiar de Cadi. Os dois amigos finalmente se põem a caminho da casa de Struggle.

    __Yum...Cadi morde a sua maçã. __E ae, cara? Aonde a gente vai levar a Genevieve?

    __Yum...
    Addae enfia os dentes em sua maçã. __Bom, eu estava pensando em levá-la à Torre de Observação de Thais...quem sabe depois ao Grande Templo. A gente podia também dar uma passada no porto, ver o Struggle sofren...quer dizer, trabalhando na estiva...

    __Yum...Tá sabendo que a Guarda deve interditar as cercanias do Palácio, né?

    __Yum...pois é, meu pai me disse...mas será que a gente não consegue romper o cerco por algum lugar e chegar perto? Nunca vi um elfo ou um anão na minha vida. Se é que eles vão vir mesmo.

    __Yum....cara, quase certo que virão. Meu pai disse que as delegações já devem estar próximas a Thais. Vai ser engraçado se as duas delegações se encontrarem no caminho. Você sabe que elfos e anões não se bicam...

    __Yum...sério? Bom, mas se assinarem um tratado com Thais, vão ter que ser aliados ...

    __Yum...ah claro, vão ter que se aturar...

    __Yum...cara, quando eu estava vindo pela rua, mais lá prá baixo, antes de chegar na sua casa, passou por mim uma verdadeira cavalaria, mais de dez cavaleiros e amazonas, tudo assim da nossa idade, menos o comandante deles, que era um adulto. Todos usando um uniforme maneiro, de tons* marrom e laranja, caiam uns penachos dos chapéus. Cada cavalo mais bonito do que o outro...

    __Yum...sério?...Cara, quase certo que são iniciantes de uma guilda...devem estar indo para a Rook, como a gente...marrom e laranja...hum...a guilda que eu saiba que tem essas cores é a Guilda dos Aventureiros...uma das mais ricas do Reino e que tem um relacionamento muito próximo com a Casa Real. É a Guilda na qual Tibianus mais confia. Tanto que cedeu uma ilha para eles construírem a sede da Guilda...

    __Yum...que maneiro...quem sabe a gente não faz umas amizades com alguns deles em Rook...

    __Yum ...pode até ser, mas esses caras de guildas costumam ser meio bestas...yum...mas nas cidades do Rei eles tem que andar pianinho, senão a guarda arrepia em cima deles...poxa não vejo uma lata de lixo próxima para jogar este resto de maçã, o administrador real tem que ver isso, a gente não tem onde jogar o lixo...

    __Yum...yum...é...a gente podia jogar esses restos em algum bueiro...não, má idéia, não posso ver um bueiro agora que me vem à mente aquela imagem do cara morto lá embaixo, sendo devorado pelos ratões....aliás você falou com o seu pai, para ele mandar um destacamento recolher os restos mortais do infeliz?

    __Ainda não, não tive coragem de dizer que a gente desceu às galerias para matar rato e morcego, e ainda tirar dinheiro e queijos das barrigas dos roedores...mas eu vou contar, só que aquela versão que eu disse ao guarda, que a gente foi pegar umas moedas que rolaram pela rua e caíram no bueiro, aí a gente viu o defunto lá...

    __Isso...ele não precisa saber da verdade, não iria gostar nem um pouco. E os soldados precisam recolher o morto, pode ter parentes desesperados sem saber o que aconteceu com o cara...olha lá uma lixeira...Diz Addae quando chegam na esquina com a Harbour Street..
    .

    Quando os dois amigos alcançam a Sorcerer’s Avenue, a rua de Struggle, Addae diz: __Cara, até que essa parte da cidade onde o Struggle mora é legalzinha, tem umas praças maneiras...

    __É...
    Concorda Cadi. __ Mas tem muito prédio e pouca casa unifamiliar. Morar em prédio é uma droga, tem que aturar os vizinhos dos outros apartamentos...

    Ao se aproximarem do prédio de Struggle, Addae aponta para a frente do mesmo prédio e diz: __Cara, olha só quanto cavalo parado na frente do prédio...ei! São os cavalos daqueles membros da guilda, que passaram por mim lá perto da sua casa...tem alguns cavaleiros tirando uns alforjes de cima dos cavalos...

    __É...é a Guilda dos Aventureiros, mesmo...é aquele mesmo o uniforme dela...acho que vão ficar alojados em apartamentos do prédio do Struggle...devem ter alugado alguns até o dia da partida para Rook, devem ser residentes em outra cidade, provavelmente Venore...
    Diz Cadi. __Espero que coloquem os cavalos em algum estábulo, senão vai ser um mar de bosta na frente do edifício, aquele fedor...fora as moscas...

    Addae e Cadi passam pelos cavalos e entram no prédio. No andar de baixo, vários jovens uniformizados carregando sacos e mochilas ouvem algumas instruções do líder.

    __Liam, Mel e Cassius...apartamento 1... Chiara, Gina e Lais...apartamento 2...

    Addae e Cadi pedem licença para passar pelo espaço congestionado, e alcançarem a escada, para o segundo andar. Os jovens aprendizes da guilda olham para eles com um olhar de empáfia, como se os dois estivessem incomodando-os, mas vão abrindo espaço para os dois amigos passarem.

    Addae e Cadi sobem os degraus para o segundo andar.

    __Sujeitos metidos a besta, esses caras aí embaixo. Quero ver olharem para mim assim quando eu for oficial do Rei. Alias quero ver olharem para mim assim, quando estivermos em Rook. Diz Cadi.

    __Deixa prá lá, Cadi. Pode ser só uma impressão nossa. Podem até ser caras legais, no fundo. Não vamos arranjar confusão na Ilha. E mais importante, não vamos deixar o Struggle se meter em confusão...

    Addae e Cadi batem à porta de Dona Inge. Ela logo vem atender.

    __Oh...Addae...e Cadi...entrem, entrem, por favor...

    __Trouxe as roupas lá de casa, Dona Inge.
    Diz Addae, pousando a trouxa sobre a mesa da sala.

    __Muito obrigada, Addae. E muito obrigada a você também, Cadi, pelo que fez pelo meu Phineas. Ele está tão feliz com a matrícula da Academia. Voltou radiante de alegria ontem, para casa. Não sei como agradecer a você e a seu pai.

    __Foi um prazer poder ajudar o Stru..o Phineas, Dona Inge. Não precisa agradecer. Sabe, é bom para mim e para o Addae que tenhamos mais um amigo em Rook. Assim a gente se ajuda durante o curso e facilita as coisas...
    Diz Cadi. __E além disso, a Casa Real deve isso a ele. Afinal seu finado marido morreu lutando pelo Rei e protegendo seus súditos.

    __Esperem aqui, tenho algo para vocês.
    Dona Inge vai até a cozinha e retorna trazendo dois pequenos sacos de pano. __Peguem, espero que gostem.

    Addae e Cadi abrem os saquinhos e constatam que estão cheios de uns biscoitos amanteigados, que exalam um cheiro delicioso.

    __Por Banor...isso aqui parece estar absurdamente gostoso. Diz Cadi, pegando um biscoito e levando-o à boca. __Crunch...nuuuuuuuussa, sem brincadeira, é o biscoito amanteigado mais gostoso que já provei na minha vida...

    __A Dona Inge é uma doceira de mão cheia, Cadi. Seus doces e biscoitos são famosos entre seus fregueses...Crunch...hummmm...bom demais...obrigado Dona Inge...ah, a mãe do Cadi aqui pediu que perguntássemos à senhora se a senhora tem condições de tê-la como freguesa, também, ela está com muita roupa acumulada em casa...

    __Mas é claro, ficaria muito feliz em ter a família de Cadi entre os meus fregueses. Aliás chegaria em boa hora, uma das famílias para as quais passo e lavo, está de mudança para Edron. Eu vou justamente precisar de mais serviço, para manter a renda...
    Dona Inge diz a Cadi: __Se sua mãe quiser que eu passe em sua casa para pegar a roupa, Cadi...

    __Não precisa se incomodar, Dona Inge. Eu vou dizer a ela que a senhora aceitou pegar o serviço, e amanhã mesmo eu venho trazer a roupa para a senhora...deixa comigo...
    Responde Cadi.

    __Então tá, Cadi, muito obrigada...

    __Dona Inge, minha mãe disse que a senhora não precisa ter pressa com essa trouxa aqui. Pode ficar para a semana que vem....e aqui está o pagamento adiantado...
    Addae retira de um dos bolsos um pequeno saco com moedas dentro e o entrega à mãe de Struggle.

    __Diga a ela que no primeiro dia da semana que vem tudo já estará lavado, passado e engomado, Addae...sem falta.

    __Beleza, Dona Inge...e a vovó Uda? Ela está sempre aqui na sala tricotando...

    __Ah...mamãe está um pouco gripadinha...fiz uma sopa para ela e a coloquei na cama, para descansar.

    __Ah tá...bom, melhoras para ela. Nós vamos indo, Dona Inge, temos um compromisso lá perto da loja do meu pai...na taberna do senhor Frodo....

    __Muito obrigado pelos biscoitos, Dona Inge. Estão tão gostosos que dá vontade de chorar de apetite...
    Diz Cadi.

    __Eu que agradeço a vocês, meninos, por tudo, principalmente pelo que fizeram pelo meu Phineas.

    __Não tem de quê, Dona Inge, até logo. Amanhã de manhã trago as roupas.
    Diz Cadi.

    __Até logo, Dona Inge e dê um alô a Vovó Uda por mim. Diz Addae.

    Addae e Cadi saem do apartamento e quando vão descer as escadas, ouvem um diálogo , entre o líder e comandante do grupo de aspirantes da guilda, e um senhor que não conhecem,vindo do andar de baixo, do corredor defronte aos apartamentos ocupados pelos jovens membros da guilda. O líder do grupo parece estar muito nervoso.Cadi faz um sinal para Addae parar e não descer, para que possam ouvir, do andar de cima, à discussão.

    __A maneira como senhor conserva este prédio é uma vergonha. Esta á primeira e última vez que alojo meus aspirantes nessa espelunca! Portas e janelas rangendo. Um rato acaba de ser visto pelas meninas que estão no apartamento 4. Estão aterrorizadas!

    __M-mas senhor Grosvenor, eu procuro envernizar e pintar tudo de seis em seis meses. Mês passado contratei um caçador para exterminar os ratos que porventura estivessem rondando a habitação...

    __Humpft, ainda bem que ficaremos pouco tempo e partiremos amanhã para Dawnport...


    Ao ouvir isso, Cadi repete baixinho: __Dawnport...Dawnport...hummmm...vamos, Addae, vamos descer...

    Os dois descem as escadas, e ao passarem pela dupla que discutia, Cadi diz, meio em tom de deboche __Tenham um bom dia, senhores...

    __Humpft...
    Reage com certo desprezo, o líder dos jovens aspirantes da guilda. E volta a esculachar com o proprietário do prédio, que, suando em bicas, continua tentando se explicar, constrangido.

    __Sujeitinho desagradável esse tal de Grosvenor. Diz Cadi.

    __É...não precisava esculachar o pobre senhor daquela maneira. Ratos circulam por Thais todos os dias. Por isso eles engolem aquelas moedas de ouro...e o queijo, obviamente. E o prédio do Struggle não está tão mal conservado assim. Mas você ficou repetindo aquela palavra, Cadi...Dawnport...e ficou matutando alguma coisa. ..Dawnport não é uma ilha deserta, recentemente descoberta?

    __É...mais ou menos...não está mais tão deserta assim . O Rei arrendou a ilha para a Guilda dos Aventureiros. Meu pai me disse que a Guilda pretendia construir uma academia própria na ilha, para enviar seus aspirantes para lá. Já tinham inclusive erguido algumas fortificações e outras benfeitorias. Eles tem muito dinheiro. Só estavam dependendo de uma autorização de Tibianus para a Academia começar a funcionar. Pelo jeito o Rei autorizou....esses caras aí não vão para Rook, Addae...eles vão para Dawnport...

    __Sério? Será que no futuro os aspirantes das guildas irão todos para Dawnport, ficando Rook apenas para a formação dos cadetes do Exército Real?

    __Humm...acho difícil, cara...pode até ser, mas caso isso ocorra um dia, ainda vai demorar muito. Primeiro que a Guilda dos Aventureiros ainda vai levar algum tempo para construir a fama dessa academia deles, que está começando agora, pelo que podemos constantar a partir do que aquele tal de Grosvenor disse lá no prédio do Struggle. Isso se conseguirem construir uma reputação boa para essa academia aí. Segundo, e mais importante, nem todas as guildas oficiais se dão bem, Addae. Pelo menos três das guildas fundadas e sediadas aqui em Thais não se dão bem com a Guilda dos Aventureiros. Os Cavaleiros de Banor, por exemplo. Os Filhos de Thais são outra. Os Leões Thaianos, também. Questão de rivalidades antigas, sabe? Já houve até conflitos entre elas. Isso é uma dor de cabeça para o Rei e para o Exército Real. Então, é certo que muitas guildas muito dificilmente enviariam seus aspirantes para estudar em Dawnport...claro que a Guilda dos Aventureiros deve formar seus aspirantes em Dawnport, a partir de agora...e talvez algumas guidas que tem boas relações com eles...mas Rook tem uma fama muito forte entre as guildas, de formar bem seus aspirantes....

    __Existe uma maneira de se entrar para as guildas sem fazer a Academia, não é? Você me disse isso outro dia...

    __Exato...o cara pode ser discípulo ou escudeiro de um cavaleiro ou paladino. Aí vai seguindo o cavaleiro e paladino em missões, auxiliando-os...até que um dia receba o grau de cavaleiro ou paladino oficial da guilda em questão...mas isso pode demorar ate uns oito ou dez anos. Já o aspirante que faz Rookgaard, ao conseguir terminar o curso, recebe automaticante o grau de cavaleiro ou paladino da guilda...crunch...hmmm...esses biscoitos da Dona Inge são de outro mundo...

    __Crunch...só são...e os aspirantes a magos e a druidas, nas guildas, também ficam anos como discípulos?


    __Crunch...se não me engano, meu pai me disse uma vez que sim. Até receberem o grau de mago ou de druida...crunch...

    __Crunch...saquei...

    Addae e Cadi vão subindo a Harbour Street quando um bando de soldados, sem trajar armaduras, apenas com camisas e calças, comandados por outro militar, à frente do batalhão, descem correndo a rua, entoando cantos e frases de incentivo. Addae e Cadi se deslocam para a esquerda da rua, para dar passagem ao batalhão.

    __Eta...olha a soldadesca ralando ae...crunch...diz Cadi.

    __O comandante ali é um tenente? Crunch.

    __Não..crunch..é um sargento...

    __Sargentos vão para Rook? Crunch...

    __Não...crunch...sargentos são selecionados entre os soldados rasos...os que mais se destacam...para Rook só vão os oficiais...ou futuros oficiais...como “nozes”...crunch...


    Os dois amigos alcançam a Main Street, dobram a esquina do depósito e vão em direção à Temple Street.

    __Como o depósito vive cheio. Diz Addae. __E a essa hora da manhã...

    __É...além de depósito, aí dentro funciona uma agência do Correio Real e do Banco de Thais...é um mundaréu de gente que circula aí, todo dia...


    Addae e Cadi dobram a esquina para a Temple Street e então já podem divisar a taberna de Frodo.

    __Espero que a Genevieve não esteja esperando por nós há muito tempo. Diz Addae.

    __Ah, tá limpo, chegamos cedo. Diz Cadi.

    Os dois rapazes entram na taberna de Frodo. Estava cheia, como de costume, mas mais tranquila. A maioria das pessoas, naquele momento, de manhã, eram hóspedes da estalagem ou pessoas tomando a primeira refeição do dia. Então Addae e Frodo percebem que em uma mesa, junto à parede à esquerda de quem entra, Tokel e Frodo estavam sentados. O fazendeiro de Greenshore tomava seu café da manhã, enquanto Frodo parecia conversar com ele. Frodo percebe a presença de Addae e de Cadi e os chama para perto da mesa, com um gesto da mão.

    __Bom dia garotos. Diz Frodo. __Vieram buscar a filha do senhor Tokel aqui para um passeio por Thais, não?

    __Bom dia, meninos.
    Diz Tokel enquanto saboreia um pedaço de pão com manteiga. __Querem se sentar e me acompanhar no café da manhã? Genevieve já tomou seu café da manhã e subiu para se arrumar. Deve descer logo...

    __Bom dia senhor Frodo, bom dia senhor Tokel.
    Responde Addae.

    __Bom dia senhor Frodo, bom dia senhor Tokel. Repete, por sua vês, Cadi. Então responde a Tokel: __Não, obrigado, senhor Tokel, já tivemos nosso dejejum em casa...bom apetite.

    __O que vocês têm nesses saquinhos aí?
    Pergunta Frodo, curioso, aos dois amigos.

    __São biscoitos amanteigados, senhor Frodo...feitos pela mãe de um amigo nosso...Respode Addae. __Pegue alguns...Diz Addae, aproximando de Frodo o saquinho com os biscoitos.
    __Só vou provar unzinho, Addae...Frodo leva um biscoito à boca:__Crunch....Frodo arregala os olhos e faz uma expressão de deleite: __Mas o que é isto??? Que delícia!!! Se eu vendesse esses biscoitos aqui na taberna, ou os servisse para os hóspedes da estalagem, fariam um sucesso incrível!!! Prove um, senhor Tokel. Diz Frodo apontando para o saquinho de biscoitos nas mãos de Addae.

    Addae aproxima o saquinho de Tokel para que ele alcance os bicoitos.

    Tokel leva um biscoito à boca e se surpreende: __Crunch...hmmm...realmente...muito bom...e olha que lá em Greenshore há umas doceiras que fazem coisas muito gostosas...mas este aqui não fica atrás...crunch...

    __Há alguma maneira de eu falar com a mãe desse amigo de vocês, Addae?
    Pergunta Frodo. __Se ela achar interessante, eu poderia vender aqui na taberna esses biscoitos amanteigados e dividiria o lucro com ela...

    __Bom, eu posso falar com ela a respeito, senhor Frodo...
    Responde Addae

    __Deixa que eu falo com a Dona Inge, Addae...amanhã eu vou levar a roupa lá de casa para ela...Diz Cadi. __Depois eu trago a resposta dela para a proposta do senhor Frodo...

    __Obrigado, Cadi.
    Diz Frodo. __Temos que aproveitar boas oportunidades de negócios. Por exemplo, acabei de fechar com o senhor Tokel, aqui, o fornecimento, por parte dele, de produtos agrícolas da fazenda de sua propiedade em Greenshore. Ele consegue garantir preços melhores do que os que o MacRonald, aqui mesmo de Thais, pratica. Isso incluído o transporte de Grenshore até aqui...

    __O MacRonald pratica esses preços porque ele não tem concorrência...agora vai ter.
    Diz Tokel.

    Então Addae toca elevemente no braço de Cadi e aponta para a escada que leva à estalagem, no andar de cima da taberna de Frodo.

    No alto da escada, surge Genevieve, que vem descendo devagar. Traja um belo vestido branco, de duas peças, com estampas vermelhas de motivos florais. Seus cabelos dourados, presos por duas tranças que se entrelaçam na parte de trás, exibem uma pequenina rosa vemelha, que serve de adorno, um pouco acima da orelha esquerda da jovem. Sua pele, rosada , a demonstrar a ação do sol na pele originariamente clara da camponesa, contrasta graciosamente com seus belos olhos azuis. Já não parece a jovem tímida e assustada que adentrara a taberna com seu pai, no dia anterior. Genevieve atrai olhares das pessoas presentes na taberna. Percebe isso e fica um pouco ruborizada, enquanto desce os degraus.

    __Rapaz...que isso...olha a Genevieve. Diz Cadi em um tom um pouco baixo, para Addae, de modo que Tokel não possa ouvir. __A baixinha está linda. Não deu para perceber, ontem, que ela é tão bonita...

    __É...ela vai fazer sucesso com os caras lá em Rook.
    Responde Addae.

    Então, quando Genevieve desce os últimos degraus, Tatius sai da cozinha carregando uma bandeja, para servir aos fregueses, nas mesas. Quando vê Genevieve, pára e começa a conversar animadamente com ela. Genevieve demonstra ter gostado muito de encontrar Tatius naquele momento, no sopé da escada. Exibe um sorriso que poder-se-ia dizer radiante.

    __Hmmmm...olha o Tatius. Diz Cadi, ainda em um tom bem baixo, para Addae: __Nesse mato tem coelho. Os dois parecem ser bem “amiguinhos”, já...

    __É...essa taberna do senhor Frodo bem poderia se chamar a “Taberna do Amor”. Ontem foi aquele senhor Lisek paquerando a Lana. Agora, parece que o Tatius tá de olho na Genevieve....
    Diz Addae em um tom que denota brincadeira.

    __É....Responde Cadi meio lacônico, devido à menção que Addae fez sobre Lana.

    __Tatius!!!! Os fregueses estão esperando nas mesas!!!! Berra Frodo para seu sobrinho.

    Addae e Cadi franzem suas testas mostrando desconforto com o berro de Frodo.

    __O senhor Frodo tem pulmões poderosos. Brinca Addae.

    __É....Responde Cadi sussurrando para Addae, de modo que Frodo e Token não possam ouvir: __O Tatius deve sofrer com esses berros...

    Tatius, devido ao berro do tio, encerra a conversa com Genevieve e vai servir aos fregueses, nas mesas.

    Genevieve toca no braço de Tatius, como se compreendesse a situação dele, e se dirige para a mesa onde estão Frodo e Tokel, como também, em pé, ao lado, Addae e Cadi.

    __Oi..Addae e Cadi...bom dia...desculpem a demora...Diz Genevieve para os dois jovens amigos.

    __Que isso, Genevieve...demora alguma...nós dois acabamos de chegar, também. Responde Addae.

    __Errr...bonito esse seu vestido, Genevieve. Cadi tenta elogiar a aparência de Geneviveve, mas não sabe muito o que dizer.

    __Obrigada...Cadi. Genevieve ainda mantém um jeito um pouco retraído, mas se mostra mais solta e confiante em relação ao dia anterior.

    __Com todo o respeito, senhorita, e com todo o respeito ao seu pai, aqui presente....a senhorita está realmente muito bonita. Diz Frodo, com seu jeito extrovertido e expansivo.

    __Oh, muto obrigada, senhor Frodo. Responde Genevieve, um pouco ruborizada, mas transparece ter gostado do elogio.

    __Humpft...bonita até demais...poderia vestir algo mais discreto. Diz Tokel, meio que murmurando. __Pois bem, garotos, tragam minha filha de volta na hora do almoço. Estou confiando-a aos seus cuidados.

    __Pode deixar, senhor Tokel. Vamos mostrar alguns pontos turísticos de Thais, para Genevieve. E lá pelo meio-dia a traremos de volta.
    Responde Addae.

    Tatius, após servir aos hóspedes e fregueses nas mesas, se aproxima da mesa de Tokel, trazendo uma bandeija vazia embaixo do braço e trajando um avental branco um pouco manchado. Se dirige a Addae e a Cadi: __Olá, caras. Estou com inveja de vocês. Gostaria de poder levar a Genevieve para conhecer a cidade. Mas além de não conhecer Thais tão bem quanto vocês, não posso deixar meu tio aqui sozinho, com a taberna tão cheia. Tatius faz um gesto com o braço como que para evidenciar o fato da taberna estar cheia.

    __É uma pena que você não possa vir conosco, Tatius. Responde Addae. __Mas podemos marcar outro dia, no qual você não esteja tão ocupado, para que você possa conhecer melhor a cidade.

    __Isso aí...
    Completa Cadi. __ Ainda dá tempo antes do embarque para Rook.

    __Por falar nisso....
    Interrompe Frodo. __Onde está sua prima, Tatius? Frodo olha ao redor dentro da taberna, tentando localizar ou ver Lana.


    __Ela estava conversando com aquele hóspede...o senhor Lizek...há uns 20 minutos atrás, Tio. Naquela mesa lá no outro lado do salão, junto à saída. Responde Tatius. __Mas depois não a vi mais.

    __Hummm..
    . Resmunga Frodo. __Este tal de Lizek anda se engraçando muito para o lado dela... e ela está dando bola demais....e ela tem que te ajudar no serviço. Preciso ter uma conversinha com ela.

    Cadi e Addae se entreolham, ao ouvirem isso.

    __Filhas são um problema...Diz Tokel. __Ainda mais quando chegam na idade em que querem namorar.

    Genevieve fica um pouco ruborizada ao ouvir o que seu pai acabara de dizer. Dirige discretamente o olhar para Tatius.

    Tatius também olha para Genevieve, discretamente, e depois dirige o olhar para o chão, meio envergonhado.

    Addae e Cadi percebem e se entreolham, exibindo ambos pequenos risos no canto da boca.

    Addae então se drige a Geneviveve: __Vamos indo, Genevieve? Assim podemos aproveitar o tempo e dará para ver mais lugares....

    __Vamos sim.
    Responde a jovem. __Até logo, pai...senhor Frodo...tchau Tatius, na hora do almoço estou de volta e te conto sobe tudo o que tiver visto na cidade...

    __Ah, claro... aguardarei ansioso. E no próximo passeio você mesma me mostra....
    Responde Tatius.

    O jovem casal troca olhares que denotam timidez mas ao mesmo tempo ansiedade.

    __Até logo senhor Frodo, senhor Tokel, Tatius... Diz Addae. __Fique tranquilo senhor Tokel, Genevieve estará de volta para o almoço. Eu também tenho que vir, por essa hora, para a loja do meu pai, aqui ao lado.

    __Tomem cuidado pois há uns rumores de que haverá uma aglomeração em torno do Palácio Real. Estão dizendo por aí que há anões e elfos vindo para Thais, a convite do bode velho.
    Diz Frodo. __Os tempos estão mudados. Onde já se viu criaturas como essas no interior das muralhas da capital? As muralhas são justamente para mantê-las no lado de fora.

    Cadi fala discretamente para Addae: __Caramba, a notícia já se espalhou entre a população...

    __É...também estou surpreso...
    Responde Addae.

    Cadi também se despede de Frodo, Tokel e Tatius.

    O jovem trio sai da taberna para a Temple Street.

    Addae pergunta a Genevieve: __Genevieve, quer conhecer meu pai? A loja dele fica aí ao lado da taberna.

    __Ah, mas é claro, Addae! Gostaria muito de conhecer seu pai! Vamos!
    Responde, animada, Genevieve.

    Os três jovens adentram a loja de Sam. O pai de Addae atende a dois clientes no balcão. Sam percebe a entrada do trio e acena para os jovens, como a pedir que aguardem um pouco.

    __Nossa! Quanta arma! Exclama Genevieve, observando as armas penduradas nas paredes.

    Cadi vai falando a respeito das armas para Genevieve, dizendo os nomes e como são usadas.

    Addae, por sua vez, tem sua atenção chamada para os dois homens que são atendidos por seu pai, no balcão. Trajam um hábito parecido com o dos monges. Mas com um tom esverdeado escuro. Por baixo dos hábitos pode-se perceber que usam armaduras, de um tom de cor acinzentado. Os homens colocam no balcão duas armas e duas armaduras que aparentam ser bem sofisticadas, e bem caras. Sam mostra-se interessado nas armas e nas armaduras e negocia com os dois cavaleiros o preço. Após Sam e os cavaleros pechincharem um pouco, chegam a um acordo. Sam lhes paga com algumas moedas de platinum. Os cavaleiros agradedem, se despedem e deixam as armaduras e armas sobre o balcão.

    Sam então se volta para os três jovens, se dirigindo especificamente para Genevieve: __Você deve ser Genevieve. Meu filho me falou a seu respeito.Seja bem-vinda a Thais e a minha loja. Chamo-me Samuel, mas pode me chamar de Sam. Sam fala em um tom que denota simpatia e afabilidade, tentando deixar Genevieve à vontade.

    __Muito prazer senhor Sam. Responde Genevieve. __Sua loja é impressionante. Nunca vi tanta arma junta assim. Genevieve instintivamente oferece a mão para Sam, mas em seguida tanta recolhê-la, para que a energia que comumente emana de seu corpo não assuste o pai de Addae.

    Mas Sam estende sua mão e diz: __Não se preocupe, Genevieve. Addae já me falou a respeito de suas habilidades especiais. Há muitos anos, em Rookgaard, convivi com jovens que tinham dons parecidos com o seu.

    Genevieve, diante do que Sam acabara de falar, sente-se mais confiante e aperta a mão do armeiro.

    Sam parece tentar sentir e avaliar a forte energia que Genevieve emite. __Hummm... realmente... o mana é forte em você, Genevieve... muito forte... você tem todas as possiblidades de se tornar uma druidesa ou mesmo uma maga muito poderosa, se se dedicar em seus estudos e treinamentos...

    __Sim, foi o que o Mestre Trimegis me disse, quando vim com meu pai a Thais na primeira vez....
    Responde Genevieve. __Por isso ele me aconselhou a ir para Rookgaard.

    __É de fato o caminho que você deve trilhar, Genevieve. Você tem um dom especial e deve desenvolvê-lo. E Rookgaard é o melhor lugar para isso.
    Diz Sam.

    __Ela tem habilidades curativas, senhor Sam. Tornar-se uma druidesa seria o caminho natural para ela. Diz Cadi.

    __É... a princípio, sim. Mas no fim ela mesma terá que fazer a escolha. Poderia ser uma maga, se quisesse. O Nível de mana que emana dela é impressionante...Diz Sam.

    __Pai...Interrompe Addae. __Aqueles dois cavaleiros que estavam vendendo essas armas ao senhor...são de alguma guilda, não?

    __Sim, Addae. Pertencem a uma gulda que tem sua sede em Edron. Designam-se a si mesmos como os Falcões de Edron.

    __Os Falcões...
    Repete Cadi, ao ouvir Sam. __Esses caras são sinistros. São conhecidos como matadores de demônios.

    __É verdade, Cadi. Essa guilda tem a fama de ter entre seus membros guerreiros muito fortes. Dois colegas meus do tempo de Rookgaard eram aspirantes enviados pelos Falcões. Alunos excelentes. Soube depois que se tornaram guerreiros extraordinários. Infelizmente um deles morreu pelas mãos do próprio Ferumbras, na última grande guerra. Ele e alguns companheiros tentaram invadir um dos esconderijos do mago perverso. Foram surpreendidos por Ferumbras e por um bando de demônos que o seguiam. Apenas dois guerreiros conseguiram fugir com vida para contar a história.


    __Nossa, que assustador. Quando eu me formar em Rookgaar também vou ter que enfrentar demônios? Eu desmaiaria se visse um pela frente.
    Diz Genevieve.

    __Ehehe, não fique preocupada, Genevieve. Diz Sam. __Você vai receber treinamento militar em Rook. Vai se sentir segura caso tenha que entrar em combate com alguma criatura. Claro que pertencendo ao Exército Real eventualmente você pode ter que lutar. Mas uma druidesa, caso seja esta vocação ou especialização que você escolha, luta mais em uma posição de apoio, ajudando a curar e a recuperar as forças dos guerreiros. Muito dificilmente você sequer vai ver um demônio. Eles vivem em esconderijos e cavernas profundas. Raramente aparecem na superfície de Tibia.

    __Ah, eu quero viver dentro do Castelo Real, ou dentro de alguma cidade protegida, curando as pessoas. Não quero enfrentar esses bichos feios que tem ai nesse mundão lá fora.
    Diz Genevieve.

    Cadi ri diante do que Genvieve diz: __ Ahaha, fica sussa Genevieve. Provavelmente será essa mesma a vida que você terá como druidesa do Rei. O Exército Real atua mais na defesa das cidades. Quem fica invadindo cavernas e esconderijos de monstro são os caras das guildas.

    __Ah bom, melhor assim.
    Diz Genevieve colocando a mão no peito e fazendo uma expressão de alívio.

    Sam e Cadi riem.

    Addae examina as armas e as armaduras que seu pai acabara de comprar: __Que tipo de armas são essas, pai? Nunca vi nada parecido.

    __Bem, essas armaduras são conhecidas como couraças ou armaduras de chapas. São muito usadas pelos tenentes do Exército Real. Eu as usei quando estava na Guarda. Dão uma boa proteção.Esta espécie de maça ou clava atada a corrente é conhecida como estrela da manhã. Quando uma estiver voando perto de vocês é melhor abaixarem a cabeça ou podem ficar sem ela, E esta espada é conhecida como espada de duas mãos. Deve ser segura e manuseada com as duas mãos ao mesmo tempo. É uma arma bem forte em termos de ataque. O único problema é que ao ser usada, não permite ao guerreiro utlilizar seu escudo.

    __Coisa boa.
    Diz Cadi batendo com a mão fechada em uma das armaduras: Toc, toc, toc...

    __Eu acho que não tenho forças nem para levantar uma dessas armas.
    Diz Genevieve.

    __Você vai ganhar força ao longo dos treinamentos, Genevieve. Será capaz de levantar e usar armas como essas. Não se preocupe. Embora você provavelmente vá se dedicar mais ao desenvolvimento de suas habilidades ligadas ao mana que reside em sua mente e em seu corpo. Diz Sam.

    __Bom gente, acho melhor irmos andando. Diz Addae. __O tempo passa rápido e ainda temos que mostrar muita coisa à Genevieve.

    Genevieve se despede de Sam: __Foi um grande prazer conhecê-lo, senhor Sam. Uma pessoa tão boa como o Addae tinha mesmo que ter um pai tão legal como o senhor.

    __Oh, obrigado pela gentileza, Genevieve. Addae falou muito bem de você lá em casa e ele tinha razão. Você é uma jovem muito especial. Se você e seu pai precisarem de qualquer coisa enquanto estiverem em Thais aguardando o embarque, não hesitem em vir aqui na loja. Estou ao seu dispor.
    Diz Sam.

    __Muito obrigada, senhor Sam. Responde Genevieve.

    __Falou, pai. Lá pela hora do almoço estou de volta. Diz Addae.

    __Até mais, senhor Sam. Diz Cadi.

    __Tchau meninos. Bom passeio. Diz Sam.

    Quando o trio retorna para a Temple Street, Genevieve diz a Addae: __Nossa, amei seu pai, Addae. Como ele é bacana. Me deixou mais tranquila quanto a Rookgaad e quanto ao futuro...depois de Rookgaard.

    __Ele também gostou muito de você, Genevieve. Se bem que não é nem um pouco difícil gostar de você.
    Responde Addae.

    __Poxa, obrigada, Addae. Diz Genevieve um pouco ruborizada.

    Então Cadi aproveita e diz para Genevieve:__Deu para perceber que você e o Tatius já são bons amigos,
    hein?


    Ao ouvir Cadi dizer isso, Addae faz força para não rir e não constranger Genevieve.

    __Ah, o Tatius. Nossa. Responde Genevieve. __Como ele é legal. Conversamos muito ontem à noite na hora do jantar e hoje de manhã antes de você chegarem. Ele disse que vai me ajudar e proteger em Rook. Engraçado que ele tem 3 irmãos em Fibula. E eu tenho 3 irmãs em Greenshore. Coincidência, né?

    __Sério? Você tem 3 irmãs? Mais novas ou mais velhas do que você?
    Pergunta Addae. __Onde você se situa aí na escadinha?

    _Ah eu sou a caçula. As duas irmãs mais velhas já são casadas e a terceira é noiva.
    Responde Genevieve.

    __Humm, legal. Diz Cadi. __Mas e você? Tem namorado? Pergunta Cadi.

    Addae arregala os olhos, espantado com a ousadia de Cadi.

    Genevieve fica um pouco ruborizada: __É...não...quer dizer...tem um garoto lá em Greenshore que quer me namorar. Mas eu não gosto dele, não. Ele disse que ia pedir permissão para o meu pai. Para a gente namorar. Mas eu disse para o meu pai que se ele pedisse, era para o meu pai não deixar.

    Addae e Cadi riem.

    Cadi então emenda: __Mas se fosse o Tatius que pedisse ao seu pai, você também pediria para seu pai não deixar?

    Addae mais uma vez se surpreende com a ousadia e impertinência de Cadi.

    __Ah o Tatius... Diz Genevieve. __O Tatius seria diferente, né. Ele é tão legal, fala coisas interessantes...é bonitão...Então Genevieve se dá conta que está falando demais, fica ruborizada novamente, coloca as duas mãos na boca e diz: __Por favor meninos, não digam ao Tatius que eu falei isso, por favor...isso de bonitão...

    Cadi dá uma gargalhada: __Tá limpo Genevieve, isso fica entre nós, ahahahahaha.

    Addae lança um olhar de reprovação para Cadi, sem que Genevieve perceba. Como a pedir que Cadi pare de tentar deixar Genevieve em situação embaraçosa.

    Cadi responde com gestos que vai parar.

    Então Addae, ao perceber que o trio já caminhava na direção sul, na Temple Street, sugere:__Gente, vamos até a Torre de Observação de Thais. A vista lá de cima é impressionante. Dá para ter uma visão privilegiada de toda a cidade e arredores.

    __Boa ideia.
    Responde Cadi. __Vamos lá.

    Os jovens chegam à esquina com a Main Street, caminham até a esquina do Depósito, entram na Harbour Street e seguem rumo ao Portão Sul.

    Genevieve fica deslumbrada com o fervilhar de pessoas pelas ruas, os sons, os odores, as lojas. Tudo tão diferente da pacata e bucólica Greenshore.

    Quando chegam na altura da Upper Swanp Lane, Addae aponta para cima e indica a Torre de Observação de Thais para Genevieve.

    __Nossa! Como é alta! Espanta-se Genevieve.

    __A Torre tem grande importância para a defesa da cidade. Diz Addae. __De lá de cima pode-se avistar, de longe, exércitos inimigos se aproximando de Thais. Além disso é uma atração turística, também.

    __É tão alta que a gente chega a ficar tonto lá em cima.
    Diz Cadi.

    O trio passa pela esquina da Lower Swamp Lane, dobra uma curva da própria Harbour Street, em frente a um hotel, e se surpreende ao ver que, diante da entrada da Torre, uma fila de visitantes serpenteia esperando a hora de subir. Um guarda controla e organiza a fila.

    __Epa, por essa eu não esperava. Fila? Em um dia normal de semana? Surpreende-se Addae.

    Um senhor que estava no fim da fila e fazia parte de um pequeno grupo de visitantes, ao ouvir a exclamação de Addae, diz: __Só pode subir um grupo de 10 pessoas de cada vez. Há outro guarda que leva as pessoas até o alto da torre. Há um grupo fazendo a visita neste momento. Outras pessoas só poderão subir quando esse grupo descer.

    __Ah, entendo.
    Responde Addae, coçando a cabeça. __Obrigado pela informação, senhor. Então Addae se volta para Cadi e Genevieve e pergunta: __E agora?

    __E agora? Agora a gente fica na fila, ué.
    Responde Cadi.

    __É que a gente só tem até a hora do almoço para mostrar alguns pontos turísticos de Thais para a Genevieve. Responde Addae. __Se essa fila demorar muito....

    __Não tem problema, Addae.
    Diz Genevieve. __Quero muito subir lá em cima. A gente vê na cidade o que der para ver. Não se preocupe. Vamos ficar na fila.

    __Beleza, então.
    Diz Addae.

    Os 3 amigos se posicionam no fim da fila.

    De repente, vindo do início da fila, um grito chama a atenção das pessoas: __Gêêêê....!!!!

    Genevieve, ao ouvir isso, leva as mãos às bochechas e arregala os olhos: __Não acredito...!

    Uma moça, baixa, da mesma estaura de Genevieve, de cabelos castanhos longos, vem andando, desde o início da fila até o fim dela, na direção de Genevieve e dos dois jovens thaianos. __ Gê! Que bom te encontrar aqui em Thais! A moça fala com o mesmo sotaque de Genevieve.

    __Gê???? Surpreende-se Cadi.

    __É. Responde Genevieve, meio sem graça. __Algumas amigas minhas lá de Greenshore me chamam assim. O-oi Anabel, t-tudo bem? Que surpresa...Diz Genevieve exibindo um sorriso amarelo.

    __Eu sabia que você tinha vindo para Thais com o seu pai, mas não esperava te encontrar logo depois da gente chegar aqui na cidade. Eu também vim com o meu pai. Ele veio comprar umas ferramentas para os trabalhos naquele navio grande. Aí aproveitamos para visitar a Torre. E o seu pai? Pergunta Anabel.

    __Ele está fazendo alguns negócios pela cidade, tentando vender as próximas safras da fazenda...

    Anabel olha para Addae e Cadi e diz para Genevieve: __Hum...já vi que você fez amizades aqui em Thais...

    Genevieve responde um pouco sem graça: __Ah...este é o Addae, e este é o Cadi. São dois colegas que vão comigo para Rookgaard...estão me mostrando a cidade...

    Anabel estende a mão para Addae e depois para Cadi. A moça de Greenshore parace ser bem expansiva, diferente de Genevieve, mais tímida: __Prazer, me chamo Anabel...Então diz para Genevieve: __Hummm, interessante isso de ir estudar em Rookgaard, hein? Será que eu conseguiria ser aceita se me inscrevesse?

    Ao ouvir isso, Cadi diz: __Bem, infelizmente as inscrições para a turma de início de ano já se encerraram. Mas você pode tentar se inscrever para a turma que começa no meio do ano.

    __Isso.
    Diz, por sua vez, Addae. __Daqui a seis meses, mais ou menos, parte outro navio transportando alunos para Rook.

    __Ah, eu até que gostaria, o problema é convencer o meu pai. E eu não tenho essas habilidades que a Genevieve tem, de curar as pessoas e até os bichos, Ah, Gê, lembra daquele corte que eu sofri no joelho, quando eu caí na plantação de cenouras? Você tocou no local e a cicratriz praticamente sumiu.
    Anabel levanta a saia até a altura do joelho para mostrar a cicatriz.

    Genevieve fica um pouco constrangida diante de Addae e Cadi, por causa do comportamento descontraido de Anabel: __Ah...q-que bom, Anabel...

    Neste momento, do início da fila, um senhor acena na direção de Anabel, gritando: __Anabel, vamos subir agora! Este mesmo senhor, ao ver Genevieve, acena para ela também.

    Genevieve responde ao aceno e tenta gritar, mas o som fica um pouco contido: __Olá senhor Onofre!

    __Estou indo, pai!
    Grita Anabel em resposta. Se volta para o trio de amigos e diz: __O grupo que estava lá em cima da torre está descendo. Pena que vocês estão no fim da fila nem devem subir agora, mas só depois do grupo em que eu e meu pai estamos, descer...se um dia seus dois colegas forem em Greenshore...será um prazer mostrar nossa cidadezinha tão bonita para eles. Diz Anabel sorrindo para os meninos. __Eu já tinha me despedido de você lá em Greenshore, Gê, mas de qualquer forma, novamente te desejo boa viagem. Eu e o meu pai voltaremos para casa hoje à tarde, em uma pequena caravana que veio comprar equipamentos e ferramentas aqui em Thais. Portanto, se eu não te ver mais...Anabel abraça Genevieve e dá um adeuzinho para Addae e Cadi, voltando para junto de seu pai no início da fila.

    __Bem animadinha a sua amiga....”Gê”....Diz Cadi em tom de brincadeira.

    __Ai...ela é legal, na maior parte do tempo...mas faaaala pelos cotovelos, e gooosta de uma fofoca...Responde Genevieve.


    __Quem sabe ela não vai para Rook daqui a seis meses e vira sua colega por lá tambem, “Gê”? Você não se incomoda da gente te chamar de Gê também, né Genevieve? Pergunta Addae, também em um tom de brincadeira.

    __Não, tudo bem, já estou acostumada. É assim que sou conhecida lá em Greenshore. Mas sinceramente, preferiria que a Anabel não fosse para Rook...nossa, ela iria fazer fofoca sobre todo mundo por lá.

    __Bem, uma vez que ela não tem habilidades ligadas ao mana, segundo ela mesmo disse, e como a Coroa não financia a Academia para mulheres se especializarem em combates físicos, acho que a única maneira dela ir seria através de alguma Guilda...
    Diz Cadi.

    __Ih, nem existe isso de Guilda em Greenshore...o Tatius me falou sobre isso ontem à noite na estalagem...o máximo que acontece em Greenshore são alguns cavaleiros que passam por lá para comprarem alimentos e comercializarem armas com o senhor Ulrik, um armeiro que mora lá...Diz Genevieve.

    __O senhor Ulrik, de Greenshore...sim...meu pai o conhece...Diz Addae. __Ele vem por vezes a Thais comercializar armas, meu pai negocia com ele. Se não me engano, ele já foi Oficial da Guarda Real. Pediu desligamento quando já era capitão. Hoje fabrica e comercializa armas, como o meu pai...

    __Apesar de lidar com armas, é um homem bem simples. Muito amável. As pessoas gostam muito dele lá em Greenshore. Ele diz que se estabeleceu em Greeshore porque adora a cidade. Calma, com os campos arados e o oceano perto...meu pai é muito amigo dele...
    Diz Geneveve.

    O grupo que estava no alto da torre finalmente desce e a fila começa a andar. Os visitantes que estavam no início da fila começam a subir, incluindo Anabel e seu pai. Addae, Cadi e Genevieve passam a ficar no início da fila, podendo subir assim que o grupo de Anabel descer.

    __Gê...Diz Cadi.__A Anabel disse que o pai dela está trabalhando em um navio grande lá em Greenshore. Você sabe qual o nome do navio?

    __Hummm...
    Pensa Genevieve __O nome do navio....acho que tem a ver com o nome do Rei...começa com Tib....

    __Tibianic?
    Pergunta Cadi.

    __Isso!!! Tibianic! Isso mesmo! Diz Genevieve. __Um navio enoooorme...maior até do que esses que tem aqui no porto de Thais. Ele está ancorado no porto de Greenshore há anos. Parado. Chegou até a ficar em mau estado, abandonado. Cheio de ratos e aves que faziam ninhos. Alguns casais de namorados entravam nele para namorar, escondidos dos pais...mas parece que o Rei mandou reformar. O pai da Anabel, que é marceneiro, foi contratado para trabalhar nas reformas, junto com muita gente...chegaram até forasteiros a Greenshore para trabalhar no navio... isso tem movimentado a economia da cidade...

    __O Tibianic....
    Murmura Cadi __O lendário Tibianic...então ele está mesmo ancorado em Greenshore...

    __Esse Tibianic não é o maior vaso de guerra da Marinha Real?
    Pergunta Addae.

    __Era, Addae. Responde Cadi. __Era...esse navio foi decisivo na úlltima guerra contra Ferumbras. Parte dos piratas que singravam os mares se aliaram a Ferumbras. Usavam seus navios para transportarem tropas de goblins, orcs, minotauros e outras criaturas sob o controle do mago perverso. Faziam ataques surpresa em várias cidades e vilas litorâneas do reino, aterrorizando os habitantes. Então o Tibianic passou a caçar esses navios piratas por toda a parte. Praticamente dizimou os piratas aliados de Ferumbras. Ferumbras ficou sem a sua “marinha de guerra”, perdendo um meio importante de transporte de suas tropas. Depois da guerra o Rei praticamente desmobilizou a Marinha de Guerra Thaiana. Antigamente parte dos formados em Rook iam para a Marinha de Guerra.


    __Meu pai às vezes conta que antigamente aconteciam ataques de piratas lá em Greenshore.
    Diz Genevieve. __Os fazendeiros e habitantes tinham que ajudar os poucos soldados que ficavam lá a defenderem a cidade. E sempre desembarcavam orcs, goblins e minotauros juntos com os piratas. Era horrível. Minha mãe e minhas irmãs se trancavam em casa , no porão, e meu pai ia, junto com outros habitantes, ajudar os soldados contra os invasores. Graças aos Céus meu pai sobreviveu aos ataques, mas outras famílias de Greenshore perderam membros nessas invasões. Depois de um tempo, os ataques de piratas diminuiram. Deve ser por causa disso que o Cadi falou, por causa do Tibianic. Mas depois aconteceu o grande cerco por terra e o Exército Real trouxe a população para Thais até o fim da guerra. Os orcs entraram em Greenshore e destruiram praticamente tudo. Perdemos nossa casa, nossos bens. Eu era um bebê e não entendia nada do que estava acontecendo. Só chorava muito, diz minha mãe. Eu não sabia que o Tibianic foi um navio tão importante assim. A maioria do pessoal lá em Greenshore não sabe. Estava tão abandonado...

    __Bom, ainda bem que Tibianus resolveu reformar o navio. Deve ser por temer novos ataques de Ferumbras, no futuro...
    Diz Addae.

    Nisso Cadi toca no braço de Addae e aponta o polegar para trás, na fila, disfarçadamente: __Olha quem entrou na fila, lá atrás...

    Addae olha discretamente para o fim da fila e vê os dois cavaleiros, membros dos Falcões de Edron, que estiveram mais cedo na loja de Sam, vendendo algumas armas.__Cavaleiros de Guildas fazendo turismo? Surpreende-se Addae.

    __Bem, até eles devem gostar de conhecer os lugares notáveis de Thais. Responde Cadi. __Afinal, devem viver a maior parte do tempo em Edron...

    Agora é Addae quem chama a atenção de Cadi. Aponta para uma placa posta na entrada da Torre de Vigilância, ao lado do guarda que vigia a entrada, na qual se pode ler: “Torre de Vigilância. Ingresso para visitação: 1 moeda de ouro”.

    __Poxa, Tibianus quer arrecadar dinheiro em tudo!
    Espanta-se Cadi. __Cobrar ingresso para subir na Torre???

    Genevieve, ao ouvir isso diz: __Podem deixar, meninos, não se preocupem. Meu pai me deu um saquinho com várias moedas. Podem deixar que eu pago os nosso ingressos. Genevieve retira da pequena bolsa que levava um saquinho que tilintava denunciando estar cheio de moedas.

    __Não..que isso Genevieve. Pode deixar. Diz Addae. __Eu ontem recebei do seu pai e do senhor Frodo umas moedas de ouro. Eu pago o meu ingresso e o seu.

    __Isso.
    Emenda Cadi. __Além do fato de termos retirado umas moedas de dentro dos rat...quer dizer...termos ganhado umas moedas por outros serviços feitos por aí...

    __Mas vocês já estão me levando para conhecer a cidade...não é justo ainda terem que pagar para visitarem os lugares...
    Rebate Genevieve.

    __Fique tranquila, Genevieve. Diz Addae. __O Cadi paga a dele e eu pago a minha e a sua. Só ficamos espantados com o fato do Rei querer ganhar dinheiro até com a visita à Torre de Vigilância. Nunca foi assim. Isso é recente. O povo sempre subiu sem pagar, para visitar...

    __Aff...então está bom.
    Responde Genevieve guardando o saquinho de moedas na bolsa. __Mas se formos a outro lugar com ingresso eu pago, pelo menos a minha...

    Passam-se alguns minutos e o grupo onde estavam Anabel e seu pai finalmente desce da torre. Anabel passa perto do trio de amigos e diz: __Boa viagem, Gê!!! Me escreva, hein...Depois acena para Addae e Cadi: __Boa viagem para vocês também, meninos...se um dia forem a Greenshore...


    O pai de Anabel se dirige a Genevieve: __Boa viagem e boa sorte em Rookgaard, Genevieve. Logo depois do almoço voltaremos para Greenshore. Dê lembranças a seu pai...

    __Darei sim, senhor Onofre. Pode deixar. E bom retorno a Greenshore, para vocês...
    Responde Genevieve.

    O guarda que conduz os grupos pela torre passa um saquinho entre os dez primeiros visitantes ainda na fila: __Uma moeda de ouro, por favor, senhores.

    Addae e Cadi depositam as moedas, como também os demais visitantes, inclusive os dois Falcões de Edron.

    __Muito bem, senhores, sigam-me, vamos subir na torre. Diz o guarda que atua como guia.

    Os 10 primeiros visitantes da fila seguem o guarda: __Vamos subir devagar, é preciso um pouco de fôlego. São sete andares além do térreo. Diz o guarda.

    O grupo de visitantes vai subindo devagar. Ao chegarem no segundo andar, o guarda abre uma porta que dá para uma espécie de varanda: __Se quiserem olhar um pouco a vista da varanda. Se pode ver um panorama das ruas ao redor.

    Os visitantes observam da sacada da varanda o movimento das ruas no entorno, principalmente a Harbour Street e a Lower Swamp Lane.

    Genevieve observa: __Nossa, como tem gente em Thais...as ruas sempre estão cheias de pessoas andando de lá pra cá. Greenshore é tão tranquila, às vezes não se vê viva alma nas ruas.

    __Bem, é a capital do Reino, Gê.
    Responde Addae. __A maior e mais antiga cidade thaiana. Essas ruas já viram muita coisa acontecer ao longo dos séculos.

    __Venore é muito mais bonita, as ruas elevadas cobertas de pedras cuidadosamente colocadas, As casas ornamentadas com mármore...
    Diz um visitante, acompanhado de uma moça, que está no grupo e que ouvira a afirmação de Addae.

    Pelo sotaque, Addae e Cadi percebem que se trata de um venoriano. Ficam um pouco incomodados com a afirmação do turista, se esforçam por esboçar alguma resposta mas em seguida, um dos Falções de Edron que acompanha o grupo diz: __Venore é uma cidade construída em cima de um pântano pestilento, cheiro de doenças e água apodrecida. Não tem um entorno de florestas e belas planìcies como Thais.

    O turista venoriano, ao ver que quem rebatera sua afirmação era um guerreiro imponente, fica constrangido e apenas responde, exibindo um sorriso amarelado: __É-é...é v-verdade...o entorno de Thais é de fato muito bonito....

    Addae e Cadi gostam da atitude do guerreiro, que calara o venoriano fanfarrão.

    O Falcão percebe e pisca para Addae, dizendo discretamente: __Sou de Thais. Nasci aqui, apesar de viver a maior parte do tempo em Edron. Ninguém fala mal da minha cidade na minha frente. Principalmente venorianos.

    Addae abre um sorriso e diz: __Eu vi o senhor e seu amigo na loja de meu pai, vendendo algumas armas.

    __Ah, você é filho do armeiro Samuel?
    Emenda o guerreiro. __Seu pai é muito conhecido no meio de quem fabrica e comercializa armas e mesmo entre os guerreiros, de modo geral...ele é muito habilidoso na forja. As armas que produz têm fama de serem de ótima qualidade...

    __É...
    Responde Addae. __Ele aprendeu com o avô dele, meu bisavô, que era o armeiro oficial da Casa Real. E ele já serviu um tempo como oficial da Guarda Real, também...

    __Mesmo?
    Surpreende-se o Falcão. __Não sabia desse detalhe a respeito de seu pai....

    __Sim, e eu e meus amigos aqui vamos para Rookgaard.
    Diz Addae apontando para Cadi e para Genevieve.

    __Sério??? Mas estão indo através de alguma guilda? Ou pelo Exército Real?

    __Pelo Exército.
    Addae se apresenta: __Meu nome é Addae, e estes são meus colegas Cadi e Genevieve.

    __Prazer, meninos. Chamo-me Andrej. E este é meu camarada de guilda, Marcus. Pertencemos à Guilda dos Falcões de Edron.


    Marcus sorri e toca a testa com dois dedos em sinal de cumprimento: __Prazer, pessoal...

    Andrej olha para Genevieve: __Imagino que você vá se especializar ou nas artes druídicas ou como uma maga....já que vai pelo Exército.

    __É sim...
    Responde Genevieve. __Acho que vou estudar para ser uma druideza.

    Neste momento o guarda que serve como guia convida os visitantes a continuarem a subir para o alto da torre: __Vamos senhores, há mais seis andares para vencer....e as próximas escadas são como escadas de serviço...sobe um de cada vez...

    O grupo vai subindo devagar a sucessão de escadas. Em cada andar param um pouco para olhar pelas janelas e apreciar a vista. Finalmente chegam no último andar. Uma imensa fogueira, que funciona como um farol, arde no topo da torre. Um terceiro guarda está postado no topo, como sentinela. Os visitantes ficam extasiados pela vista que conseguem ter do alto da torre.

    O guarda que serve como guia então diz: __Senhores, daqui de cima podem observar vários pontos notáveis ao redor. Olhem para sudoeste. Podem ver o farol de Thais, praticamente tão alto quanto esta torre aqui. Fica perto do antigo porto, que fica fora dos limites da cidade.

    Genevieve pergunta para Cadi: __Será que consigo ver Greenshore daqui?

    __Greenshore...Greenshore...
    Diz Cadi. __Greenshore deve ser para o norte.

    __Não dá para ver Greenshore daqui.
    Diz Andrej. __Fica na direção Noroeste de Thais. Depois daquelas colinas e montes. Você é de Greenshore, não Genevieve? Deu para perceber pelo seu sotaque.

    __Sou sim. Responde Genevieve com um sorriso.

    Marcus aponta para a direção Nordeste e diz: __Vejam...ao longe..a estrada para Venore, serpenteando na direção nordeste.

    __Acho bonito ver daqui os mastros dos navios no porto, e ao longe o oceano. Em que direção está Rookgaard?
    Pergunta Genevieve.

    __Para Oeste. Responde Andrej. __São três dias de viagem com vento favorável...

    __Três dias??
    Espanta-se Cadi. __Mas nos mapas parece tão perto de Thais.

    __É por causa da escala.
    Responde Andrej. __No mapa parece perto. Mas na realidade fica a uma distância considerável. E o mar ao largo de Rookgaard geralmente é bravio. Demanda uma grande desteza por parte dos navegantes.

    Marcus chama a atenção de Andrej: __Veja Andrej. Diz, apontando para o braço de rio que protege o lado sul de Thais. __É como você disse. Muito vunerável.

    __Exato.
    Responde Andrej. __O Rei deveria construir uma muralha no perímetro sul. Na última grande guerra por pouco os orcs não conseguiram invadir a cidade por ali.

    __A parte sul da cidade é vulnerável???
    Pergunta Addae.

    __Infelizmente sim. Responde Andrej. __Nossa guilda já alertou o Rei diversas vezes sobre isso, em relação a Thais. Mas ele julga que o braço de rio, ou fosso, como alguns o chamam, é um obstáculo suficiente contra os invasores. Mas um exército numeroso tem como transpô-lo e alcançar o interior da cidade...Na verdade eu e Marcus subimos aqui mais com a intenção de ter uma vista panorâmica do perímetro sul da cidade...

    __Tibianus é pão-duro.
    Diz Cadi. __Não deve querer gastar com a construção de uma nova muralha de defesa...

    __Hehe...
    Ri Andrej. __É por aí também...

    O guarda que conduz o grupo solicita a todos que comecem a descer: __Senhores, por favor, vamos descer para que outro grupo possa subir. A visita está encerrada.

    Os visitantes vão descendo as escadas devagar. Quando o grupo chega no nível da rua, Andrej diz a Addae e aos seus dois amigos: __Foi um prazer conhecê-los, jovens. Meus votos para que tenham uma boa viagem até Rookgaard. E façam um bom curso na Academia. Na verdade vocês terão alguns aspirantes dos Falcões como colegas.

    __Sério? Quantos estudantes os Falcões vão enviar a Rook?
    Pergunta Cadi.

    __São sete alunos neste semestre. Responde Marcus. __E talvez uns quatro no meio do ano. Eu e Andrej viemos antes a Thais para recebê-los no porto e acompanhá-los enquanto aguardam o embarque para Rook. O navio do capitão Fearless deve chegar ainda hoje a Thais, trazendo aspirantes de varias guildas e alguns do Exército. Eles vem de Venore, Edron e de Port Hope. Daqui embarcam para Rook com o capitão Bluebear dentro de alguns dias, junto com vocês.

    __Poxa, que legal saber disso.
    Responde Cadi.

    __Então até mais ver, meninos. Diz Andrej. __Até o embarque pode ser que nos vejamos novamente. Eu e Marcos temos que resolver alguns assuntos na cidade.

    Addae, Cadi e Genevieve se despedem dos cavaleiros.

    __Demais conhecer cavaleiros como eles, de guildas. Diz Addae.

    __Esses caras aí são legais. Não são marrentos como alguns outros membros de guildas. E fizeram aquele venoriano enfiar a viola no saco. Diz Cadi.

    __Como são altos, não? Sugere Genevieve.

    __É, são dois armários. Enfrentar aqueles dois deve ser indigesto. Diz Addae.

    __E agora, Addae? Aonde vamos levar a Genevieve? Pergunta Cadi.

    __Podem me levar para conhecer o Templo de Thais? Dizem lá em Greenshore que é muito bonito. Diz Genevieve.

    __Claro Gê. Vamos ao Templo para você conhecer. Diz Addae.


    No próximo dia 22, mais um capítulo, com a segunda parte
    Última edição por Japixek; 22-11-2015 às 12:55.

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    Prezados,

    Como escrito no final do capítulo anterior, eu havia planejado postar o capítulo 4 (Um tratado histórico - Segunda parte) hoje, dia 22. Lembrando que na verdade os capítulos 3, 4, 5, 6 e 7 fazem parte de um único arco ou capítulo original, que, por ser muito grande, foi divido em cinco capítulos menores. Pretendo postar esses capítulos com intervalos de uma semana, mais ou menos. Levando em conta o que alguns comentaristas escreveram, a respeito da estrutura dos textos, fiz algumas modificações no Prólogo, na tentativa de deixar o texto mais organizado e fácil de ler. Depois tento melhorar também os capítulos 1 e 2, neste sentido.

    Então é isso, espero que gostem.

    Um gde abraço.



    Capítulo 4 - Um tratado histórico - Segunda parte.


    O trio sobe a Harbour Street até alcançar a Main Street. Em seguida seguem até a esquina com a Temple Street. Nisso, ouvem um chamado feminino: __Uuuuu...meninooos...

    Addae e Cadi percebem que o chamado vem da uma praça localizada na esquina. Era Aruda que os chamava, fazendo um gesto com a mão para que se aproximassem.

    __Ih, e essa agora? Indaga Cadi a Addae. __O que fazemos?

    __Quem é ela?
    Pergunta Genevieve.

    __É, digamos assim, uma amiga de um amigo nosso. Responde Addae. __Bem, vamos ver o que ela quer.

    Os três jovens vão até a praça, de onde Aruda os chama.

    __Olá meninos. Passeando? Pergunta Aruda.

    __Oi Aruda. É. Estamos mostrando Thais para nossa amiga de Greenshore, aqui. Diz Addae.

    __Humm. Uma camponesa. Tudo bem, querida? Seja bem-vinda a Thais.

    __Obrigada.
    Responde Genevieve.

    __O que a traz a Thais, se é que posso saber.

    __Estou esperando o dia de embarcar para Rookgaard.
    Diz Genevieve.

    __C-como? Rookgaard?? V-você vai para Rookgaard??? Surpreende-se Aruda, apontando o dedo indicador para Genevieve.

    Addae responde por Genevieve: __Exato, Aruda. Ela vai ser nossa colega na Academia.

    __Vocês também vão para Rook????
    Aruda continua se surpreendendo.

    __Sim.Diz por sua vez, Cadi. __E o Struggle também vai com a gente.

    Aruda dessa faz uma expressão de espanto: __O quê???? Struggle vai para Rook??? Ah não, não me venham com essa! Eu sei que ele está esperando uma vaga no barco do Capitão Bluebear. Conta outra, querido.

    __Mas é verdade, Aruda.
    Diz Addae. __Ele foi inscrito ontem, no último dia. Ele vai ser nosso colega na Academia, também.

    __M-mas Struggle nunca falou comigo sobre querer ir para Rookgaard....que bandido! Eu que tanto o ajudei!
    Aruda fica com o olhar distante, faz uma expressão perturbadora. Olha para Addae fixamente: __Vocês não estão brincando comigo, não é?

    __Claro que não, Aruda, Por que faríamos isso??
    Pergunta Addae. __Entre outras coisas Struggle quer ser oficial da Guarda para poder ficar perto da mãe e da avó. Embarcado ele não poderia vê-las com frequência.

    __Entendo....
    Diz Aruda mostrando uma expressão resignada, um pouco triste. __Bem, boa sorte para vocês em Rook . Se me dão licença, presiso resolver alguns assuntos.

    Aruda sai andando, subindo a Temple Street em direção à Royal Avenue.

    __Caramba. Diz Cadi coçando a cabeça. __Será que falamos demais? Será que vai pegar para o Struggle?

    __Bem, o que poderíamos fazer? Mentir? A conversa foi caminhando naturalmente para isso.
    Diz Addae.

    __Pobrezinha. Estou com pena dela. Diz Genevieve.

    __Pena por quê? Pergunta Cadi.

    __Ora, é óbvio que ela está sofrendo por dentro, depois do que soube agora, Está na cara que ela gosta desse tal de Strugonoff...Diz Genevieve.

    __Struggle, Gê, Struggle. Completa Addae.

    __Poxa, agora eu também fiquei com pena dela. Diz Cadi.

    __É...é duro ficar longe por quatro anos de quem se gosta. Diz Addae. __Mas afinal nós também vamos ficar longe, por esse tempo todo, das pessoas que amamos. Rookgaard tem esse preço.

    __Quando o Tatius me disse, ontem à noite na estalagem, que eu ficaria quatro anos sem poder ver meus pais, minhas irmãs, todo o pessoal de Greenshore, eu fiquei triste também. Ainda bem que o Tatius vai estar lá em Rook....quer dizer...e vocês também, amigos.
    Diz Genevieve.

    Addae e Cadi se entreolham com um leve sorriso no canto da boca, após Genevieve dizer isso.

    __Bem, gente, vamos até o Templo, então... Diz Addae.

    O trio vai descendo a alameda da Temple Street em direção ao Templo de Thais.

    __Como é bonita essa alameda que conduz ao Templo. Diz Genevieve.

    __É...Completa Addae. __O Templo de Thais é conhecido pela sua beleza.

    Ao entrarem no Templo, Genevieve fica mais admirada ainda: __Como é bonito! O piso...essas colunas brancas...essas fontes...tem um ar de recolhimento, que ajuda a meditação....

    Algumas pessoas circulam pelo Templo em silêncio. Outras ficam paradas nos cantos, emitindo algumas palavras em um tom baixo, como se estivessem fazendo preces ou orações. Há ainda alguns grupos de visitantes que procuram também falar e conversar em voz baixa, observando os detalhes do Templo.

    Então, uma voz masculina, ao mesmo tempo firme e suave, vinda de um canto pouco iluminado do templo, surpreende os amigos: __Addae, Cadi...que bom vê-los de novo, meninos..e no Templo.

    Os três se voltam para trás, e veem, caminhando na dreção deles, devagar, um monge. As mãos unidas diante do corpo, escondidas pelas mangas compridas do hábito.

    __Monge Quentin! Que bom rever o senhor...quanto tempo...gostava muito de suas aulas sobre o Gênesis de Tibia, na Escola...Diz Addae.

    __Olá, monge. Tudo bem com o senhor??? Pergunta Cadi.


    __Tudo ótimo, meus diletos ex-alunos, hehe. Me lembro sempre da turma de vocês. Eu e a professora Lynda nos revezávamos nas aulas sobre o Gênesis de nosso mundo. Infelizmente nem sempre eu podia comparecer às aulas e ela me substituia, com brilhantismo, claro. E me recordo do seu entusiasmo pela matéria, Addae. Aliás continuo recomendando-lhe o mesmo que lhe recomendava à época: estude, Addae, procure boas obras sobre a formação e origem de nosso amado Tibia. Sabendo separar o que tem fundamento histórico e espiritual dos simples mitos e superstições do povo, em geral...Quentin então se volta para Genevieve: __E quem é esta formosa jovem, aqui? Certamente não estudou na Escola de Thais. Eu me lembraria de tão belos olhos azuis. Olha para Addae e para Cadi: __Seria a namorada de um de vocês? Pergunta Quentin com um sorriso simpático estampado na face.

    __N-namorada??? Errrr...n-não monge. Responde, surpreso, Addae. __Ela é uma amiga nossa de Greenshore. Estamos monstrando a cidade para ela.

    __É...Emenda Cadi. __E ela gosta de um outro amigo noss....Cadi se dá conta que falou demais e diz para Genevieve: __Opa, foi mal, Gê....

    Genevieve fica muito ruborizada com o diálogo e se dirige a Quentin: __E-eles são meu futuros c-colegas em Rookgard, senhor monge...

    __Me desculpe, querida. Acho que fui um pouco inconveniente. Não quis constrangê-la. Diz Quentin. __É que sempre torço para que meus ex-alunos encontrem suas caras-metades, formem belas famílias e tenham muitos pimpolhos, alegrando nosso mundo...a vida é sempre uma benção! Mas...Rookgaard...você disse?

    __S-sim senhor monge, v-vamos estudar em Rookgaard.
    Responde Genevieve.

    __Mas que ótima notícia! Exclama Quentin. __Me lembro que você, Cadi, sempre falava que queria ir para Rookgaard, trilhar o caminho de seu pai, o Capitão Tim. Fico feliz que tenha conseguido. E mesmo você, Addae. Só que, se não me engano, no seu caso, sua mãe não gostava muito da idéia.

    __Mas ela consentiu, monge. Dentro de cinco a dez dias, vamos partir para Rook. Dependendo de quando o barco do Capitão Bluebear retornar a Thais.
    Diz Addae. __ O senhor se lembra do Phineas?

    __O Struggle? Claro. Foi meu aluno também. Tinha alguma dificuldade nos estudos, por isso ficou uns dois anos atrasado. Mas é um rapaz com um ótimo coração. Gostava de defender os coleguinhas quando assediados pelos valentões de ocasião. Por isso estava sempre se metendo em confusão, hehe. Mas o que tem ele?

    __Vai conosco para Rook.
    Responde Addae.

    __Mas...ele não dizia que queria trabalhar na marinha mercante, como o pai dele? Ou será que estou fazendo confusão?

    __Não, é isso mesmo, monge.
    Diz, por sua vez, Cadi. __Mas ele considera que como oficial da Guarda pode ficar mais tempo perto da mãe e da avó dele.

    __Ah...sim...ele perdeu o pai muito cedo...é uma espécie de arrimo de família...realmente, é um nobre motivo. E afinal, como ele gosta muito de brigar, vai se sentir à vontade na carreira militar, hehehe...
    Quentin se volta para Genevieve: __Mas e você, minha jovem greenshoriana...qual seu nome, se posso perguntar...

    __Genevieve....

    __Que belo nome...mas diga-me, Genevieve, o que a levou a querer ir para Rookgaard?

    __Bem...meu pai me trouxe para ver o Mago Supremo do Rei e...


    Quentin a interrompe: __Hummm, não precisa dizer mais nada....já entendi...Trimegis ficou impressionado com você...e eu já sei porque...meu anjo, poderia apenas tocar com a palma de uma de suas mãos na palma da minha mão direita, apenas por um segundo....

    Genevieve se espanta com o pedido do monge, mas pousa suavemente a palma de sua mão direita sobre a palma da mão de Quentin.

    __Impressionante! Realmente impressionante! Admira-se Quentin. __Nunca senti uma pessoa tão jovem como você, Genevieve, emanar o mana com tamahha intensidade! Você tem enormes poderes inatos, minha jovem. É um verdadeiro diamante a ser lapidado. Sabe-se lá que magnitude seus poderes podem alcançar, com estudos e treinamentos adequados. Você não apenas deve ir para Rookgaard. Você tem que ir para Rookgaard! Vou confessar uma coisa. Tão logo vocês três entraram no Templo eu senti que, de alguma pessoa aqui dentro emanava uma forte energia manal. Não sei se vocês sabem, mas nós os monges temos uma enorme sensiblidade para essas coisas. Temos nossas habilidades neste campo, também...

    __Nossa....
    Espanta-se Genevieve. __O senhor está parendo o Mestre Trimegis quando me viu pela primeira vez....



    __E não é para menos, minha cara. Você é um talento que o Conselho Real de Magos e Druidas não pode perder.
    Diz Quentin. __E eu também faço parte do Conselho. Além de monge, possuo o grau druídico. Todos os monges o possuem.

    Cadi fala discretamente para Addae: __Caramba, estou começando a ficar assustado com esse poder que todos dizem que a Gê tem...

    __Bem, monge Quentin, foi bom rever o senhor, mas nós temos que prosseguir com o nosso “tour” pela cidade. Só temos até a hora do almoço para mostrar o máximo que pudermos, de Thais, para a Genevieve.
    Diz Addae.

    __Ah, que interessante. Espero que esteja gostando de nossa capital, Genevieve....Diz Quentin.

    __Muito, monge...é diferente em praticamente tudo em relação a Greenshore. Muito movimentada, muita gente, cheia de predios interessantes, mas eu gosto....Responde Genevieve.

    __Ah...Greenshore...já estive lá algumas vêzes....isso há muitos anos , antes da guerra...uma vila encatadora, pacata, as plantações, o mar....um ótimo lugar para um retiro espiritual...ah, meninos, poderiam me fazer um favor, assim que chegarem em Rookgaard?

    __Claro!
    Respondem em uníssono os três jovens.

    __Poderiam dizer a dois queridos irmãos de hábito que mando um forte abraço? Meus dois confrades de vida monástica: os monges Cipfried e Loui. Vivem naquela bucólica ilha...

    __Claro monge Quentin. Assim que chegarmos eu os procurarei para dar o seu recado...
    Diz Addae.

    __Ah...deem também um abraço em um velho mestre meu, que me ensinou umas coisas e outras a respeito das artes manais...o Mestre Hyacinth...já deve estar bem idoso, espero que esteja vivo...

    __Se ele ainda não tiver batido as botas, nós falamos com ele, monge...
    Diz Cadi.

    Addae e genevieve arregalam os olhos ao ouvirem a maneira de Cadi falar.


    __Ahahahaha! Gargalha o monge. __Você sempre sem papas na língua, Cadi. Então Quentin impõe as mãos sobre os três jovens e diz: __Que a proteção de Eru, o único, como também os favores dos valar Fardos, Uman e Tibiasula os acompanhem em sua jornada. Que tenham uma boa viagem e uma estadia proveitosa na mítica Ilha de Rookgaard...

    __Que assim seja!!!
    Respondem os três jovens ao mesmo tempo.

    Os três amigos se despedem do monge e sobem a alameda da Temple Street, em direção à Main Street.

    Genevieve diz: __O Templo de Thais é mais bonito do que eu pensava. Adorei o monge Quentin. Como ele é bem-humorado e divertido. Nunca tnha visto um monge antes. Pensava que eles fossem carrancudos e austeros.

    __O Quentin??? Ihhh...
    Diz Cadi. __Gente boa pra caramba. Sempre no fim da aula de Genesis contava uma piada. A turma se esbaldava de rir. Quem era séria mesmo era a senhorita Lynda, que às vezes dava aula quando ele faltava. Mas esse teu “poder” hein, Gê. Tá abafando hein. Vai acabar tomando o lugar do velho Marvik, Druida Supremo do Rei.

    __Ih, nem fala, Cadi.
    Responde Genevieve. __Até eu estou ficando assustada. Não quero esse ripo de responsabilidade, não. Quero só aprender algumas coisas em Rook e depois curar as pessoas que precisarem e eu possa ajudar....eu sabia que há alguma coisa de “diferente” em mim, mas nunca pensei que fosse algo tão forte, segundo o que o Mestre Trimegis disse, como também o Monge Quentin e mesmo o pai do Addae....não vou mais tocar na mão de ninguém até chegar em Rook...

    Addae e Cadi riem.

    __Genevieve, gostaria de conhecer o Pequeno Templo perto do Palácio Real? Não é tão imponente como o Grande Templo mas é bonitinho, aconchegante....Diz Addae.

    __Claro, Addae. Adorei a atmosfera do Grande Templo. Um sentimento de paz me invadiu assim que entrei. Quero ver a sensação que me causa ao entrar neste templo menor ao qual você se referiu. Vamos lá sim. Responde Genevieve.

    Os três vão subindo a Temple Street, mas quando avistam a esquina com a Royal Avenue, percebem uma grande aglomeração de pessoas na esquina, uma verdadeira barreira humana.

    __Caramba! Impossível passar e entrar na Royal....Diz Addae. __O que está acontecendo?

    __Eu acho que sei o que está acontecendo, Addae.
    Diz Cadi. __As delegações de elfos e de anões já devem estar se aproximando da cidade. O povo já deve estar sabendo e quer ver a chegada das delegações. Os guardas já devem ter feito um cordão de isolamento desde o Castelo até o Portão Norte.

    __Oh, que pena.
    Diz Genevieve. __Queria muito conhecer o Templo Pequeno de Thais....

    __Humm...talvez tenha um jeito, gente...
    Diz Addae. __Tem um pequeno beco em frente ao depósito que sai bem do lado do Templo....se já não estiver ocupado talvez possamos alcançar o Templo por ele...

    __Então vamos lá, cara. Vamos tentar por ali...
    Diz Cadi.

    O trio retorna pela Temple Street, pega a Main Street e corre até a altura do depósito. Alcançam o beco citado por Addae. Já há pessoas se aglomerando no estreito beco, tentando ver o que se passa na Royal Avenue, mas ainda é possível se espremer entre elas e passar. Os três jovens vão pedindo licença e forçando a passagem até alcançarem o Pequeno Templo. O espaço entre a entrada do Templo e o cordão de isolamento dos guardas é pequeno. Mas os três amigos conseguem se esgueirar e entrar no Templo....

    __Nossa! Que sufoco! Diz Genevieve um pouco suada e com a face vermelha. Mas transparece ter se divertido com a pequena aventura. Estava feliz por ter conseguido chegar ao Templo....

    __Cara...Diz Cadi. __Vai ser um tumulto quando os elfos e o anões chegarem. O povo está doido para ver as delegações dos orelhudos e dos baixinhos.

    __Ai...eu também gostaria de ver os elfos e os anões.
    Diz Genevieve.

    __Não sabemos ao certo quando vão chegar, Gê. Diz Addae. __Se chegarem em uma hora em que der para ver e ainda assim voltar para a estalagem na hora combinada com seu pai...a gente tenta....

    Genevieve começa a observar o Pequeno Templo por dentro. __Que Templo gracioso. Pequeno e aconchegante, como você disse, Addae...vejam, um pequeno altar …

    __Vejam, atrás do altar. Tem uma descida para o porão.
    Diz Cadi. __Sempre quis saber o que tem lá embaixo. Mas nunca desci.

    __Bom, então vamos dar uma olhada.
    Diz Addae.

    O trio de amigos desce a escada para o porão. Podem ainda ouvir o barulho da multidão, vindo da rua.

    __Ih, rapaz, tá escuro aqui embaixo. Diz Cadi.

    Quando os olhos dos jovens se acostumam à penumbra, percebem alguns objetos grandes encostados juntos às paredes.

    __Epa...caixões. Diz Addae.

    __É uma espécie de funerária que funciona aqui. Diz Cadi. __Por isso as cerimônias fúnebres são sempre realizadas neste templo....

    Vindo através de um pequeno corredor, que dá acesso a um outro aposento, alguns ruídos chamam a atenção dos jovens.

    __Que isso??? Indaga Addae.

    __Sei lá. Responde Cadi.

    __Ai, gente, vamos voltar lá para cima. Diz, receosa, Genevieve.

    Então ouvem alguns passos vindo pelo corredor. A siilueta de uma mulher, na penumbra, aparece na entrada do corredor. Ela pergunta: __Pois não...desejam alguma coisa?

    __Só estávamos visitando o Templo. Já vamos subir de volta lá prá cima...
    Diz Addae.

    Alguns segundos se passam e a mulher indaga: __Addae? É você?

    Addae então reconhece a voz: __Professora Lynda...

    __Sim, sou eu mesma. Só um minuto, Addae...


    Lynda retorna para o outro aposento. Alguns segundos depois volta novamente para a sala onde se encontram os três jovens, segurando nas mãos um pequeno pano e um frasco com um tipo de óleo: __Eu estava lustrando uns caixões que ficam guardados no aposento ao lado. Este Templo é muito utilzado para cerimônias de casamento, mas também para as liturgias fúnebres. Vamos subir, está muito escuro aqui embaixo. Mal consigo ver o rosto de vocês.

    Os três amigos e a sacerdotiza sobem as escadas para a nave do Templo.

    __Fico feliz em vê-lo, Addae. Diz Lynda. __Tenho me perguntado porque um de meus melhores alunos a respeito do Genesis quase nunca aparece no Pequeno Templo, ou mesmo na Escola, para me visitar....

    Addae fica sem jeito: __É que tenho que ajudar meu pai na loja, professora. Fico meio apertado em termos de tempo, sabe...

    __Entendo...
    Volta-se para Cadi. __Cadi...você não era tão interessado assim a repeito do Genesis, mas sempre se saiu bem nas provas...inteligência não lhe falta...ainda pretende ir para Rookgaard, como sempre dizia?

    __Estou partindo para lá dentro de alguns dias, “fessora”. E com o meu amigo aqui, um dos seus alunos favoritos também vai ser meu “brother” de armas...

    __Addae também vai para Rookgaard? Bom, não me surpreendo. Vocês dois sempre foram unha e carne na escola. Devem partilhar muitos interesses...Mas e você?
    Lynda olha para Genevieve. __Não fez a escola aqui em Thais. Não esqueço a fisionomia de um úncio aluno meu.

    Genevieve repara que o nome de Lynda lhe faz justiça. É uma muher belíssima. __Sou de Greenshore, senhora...

    __Senhorita...
    Emenda Lynda.

    __Oh, desculpe-me...senhorita...eu serei colega de Addae e de Cadi em Rook...

    Lynda então fica em silêncio por alguns segundos e fixa o olhar em Genevieve. Faz uma expressão séria.

    Genevieve abaixa o olhar, já ficando um pouco ruborizada....

    Então, inesperadamente, Cadi intervém: __”Fessora”, olha só. Eu já imagino que a senhorita deve estar percebendo alguma coisa diferente nela. Deixa eu adiantar o seguinte: a Genevieve aqui tem um nível “boçal” de mana dentro dela. O Trimegis já percebeu isso, o Monge Quentin já percebeu isso...e até o pai do Addae já constantou a mesma coisa. Por favor, não peça para ela tocar a sua mão. A coitadinha já não aguenta mais que as pessoas peçam para tocar nas maos dela....

    Lynda, Genevieve e Addae ficam estupefatos com o que Cadi acabara de dizer. Addae ainda se esforça para não rir.

    __Bem, mocinho. Diz Lynda para Cadi. __Você não mudou muito desde o término da Escola. Continua surpreendendo as pessoas com suas intervenções intempestivas...mas você está certo. Nem preciso pedir para que ela toque minhas mãos, para perceber que é uma verdadeira usina de mana. Consigo enxergar uma aurea azulada, tênue, ao redor de seu corpo....quando eu era da idade dela, magos e druidas percebiam que eu tinha um grande potencial em termos de mana...tanto que me tornei uma druideza, alem de sacerdotiza...mas eu não chegava aos pés desta menina...é-é realmente impressionante...

    __Ela vai estudar para ser uma druideza, também.
    Diz Addae.

    __Bem... Completa Lynda. __Se vai às expensas do Rei, ou é isso ou tornar-se uma maga. E pelo nível de mana que parece ter, pode tornar-se uma maga poderosa também, caso escolha esse caminho. Você vai a Rookgaard pelo Exército Real, não? Ou através de alguma guilda?

    __Pelo Exército Real, senhorita....
    Responde Genevieve.


    Nisso, Lynda tem sua atenção chamada pelo barulho da rua diante do Castelo Real. __Desde cedo essa gente tem se aglomerado na Royal Avenue, contida por um enorme cordão de isolamento de guardas, que se estende até o Portão Norte. Incrível como o povo ficou sabendo das notícias....

    __Sobre os elfos e anões...
    Completa Cadi.

    __Ah, você está sabendo, Cadi. Bem, é filho de um capitão da Guarda. Assuntos de Estado não devem ser novidades para você...Reage Lynda.

    Então, os quatro ouvem uma espécie de gritaria e tumuto bem perto da porta do Templo. Alguém parece gritar: __Saiam da frente, abram passagem!!!

    Súbito, um guarda entra no Templo. Em seguida, outros três vem atrás dele. O primeiro a entrar, usando indumentária de sargento, se dirige a Lynda: __Druideza Lynda. Sua Alteza Real requisita sua presença no Castelo, para integrar uma reunião do Conselho Real de Magos e Druidas. Queira, por gentileza, nos acompanhar.

    __Hum. Eu já imaginava....
    Responde Lynda. __Bem, crianças, “Tia” Lynda tem um compromisso, sob ordens de sua Majestado, o Rei.

    Lynda beija as cabeças de Addae e Cadi. Em seguida, segura a face de Genvieve, suavemente, com as mãos e diz: __Estude querida...você vai aprender muitas coisas extraordinárias, que sequer imagina existirem...mas lembre-se, todo o conhecimento e habilidades que vai adquirir, imporão sobre você uma grande responsabilidade. Então se volta para o sargento: __Vamos, sargento....

    Os guardas se colocam ao redor de Lynda, formando uma escolta. O Sargento vai na frente, ganha a rua e grita para os curiosos que se aglomeram na Royal Avenue: __Abram caminho!!!!

    A escolta, com Lynda no meio, sai do Templo e desaparece no meio da multidão, indo em direção ao Castelo.

    __Tá ficando cheio aí na frente. Diz Cadi. __Daqui a pouco não vamos conseguir sair do Templo!

    __Então vamos tentar voltar pelo beco, para a Main Street!
    Diz Addae. __Eu vou na frente, Genevieve me segue e Cadi segue a Genevieve. Vamos!

    O trio força a passagem para fora do Templo, no meio da multidão postada na frente, na Royal Avenue. Com muito custo conseguem entrar no beco lateral, junto ao Templo, e vão se esgueirando na parede, forçando a passagem através dos curiosos que aguardam a chegada das delegações de elfos e anões. Finalmente, se veem de volta à Main Street,em frente ao depósito.

    __Poxa, não foi uma boa ideia sugerir a visita ao Pequeno Templo, Gê. Passamos um sufoco para chegar lá, e outro sufoco para voltar... Diz Addae.

    __Que isso, Addae. Rebate Genevieve. __Claro que foi uma boa idéia. Gostei muito de conhecer o Pequeno Templo e a sua professora, Lynda. Ela parece ser meio durona, mas eu gostei dela.

    __Meio? A Lynda é carne de pescoço. Se alguém conversava na aula dela, ela jogava um pegaminho em cima. É a druideza mais invocada que eu já vi. Agora, é a professora mais bonita que a escola já viu....
    Diz Cadi.

    __Éééé... Emenda Addae. __Inclusive alguns alunos eram apaixonados por ela, hehehe. Ao dizer isso, Addae aponta o polegar, com a mão fechada, para Cadi, ao seu lado.

    __Sério, Cadi??? Você era apaixonada pela professora Lynda??? Genevieve se espanta, e depois dá um risinho com a mão diante da boca, querendo brincar com Cadi. __Bem, mas ela é linda mesmo. Tudo é perfeito nela...

    Cadi fica um pouco constrangido e depois diz: __Ora...é muito comum alunos se apaixonarem por suas professoras...e alunas se apaixonarem por seus professores. Eu sei de uns casos que aconteciam na Escola...mas deixa pra lá, isso é passado...

    __Cara...
    Diz Addae. __Você sabe que, durante a Escola, eu nunca soube que a Lynda é uma druideza? Que ela ela é sacerdotiza, eu sempre soube, mas druideza, não...só soube hoje de manhã. Meu pai me contou no café da manhã, quando falou a respeito de magos e druidas...

    __Eu também fiquei um tempão sem saber.
    Completa Cadi. __Só soube no último ano. E foi o Quentin quem me disse, em uma conversa com uns alunos após uma aula dele....

    __Aliás...Genevieve, gostaria de dar uma passada na loja onde minha irmã trabalha? É uma joalheria. Tem umas coisas interessantes para ver lá. E você conheceria minha irmã...

    __Vamos Addae!
    Responde Genevieve, demonstrando muito interesse. __Antes de viajarmos para Rook eu gostaria de conhecer toda sua família, e a do Cadi também. E não existem joalherias em Greenshore. Devem haver jóias muito bonitas na loja da sua irmã...

    __E custam os olhos da cara.
    Completa Cadi.

    __Ah, mas deve valer a pena mesmo só vê-las. Vamos lá gente. Responde Genevieve.

    Então, o trio segue pela Main Street no sentido da joalheria. Ao se aproximarem, Genevieve tem sua atenção chamada por um prédio imponente, no outro lado da rua: __ O que funciona aí dentro?

    __Essa é a Arena dos Cavaleiros, Gê.
    Responde Addae. __Cavaleiros treinam, duelam e convivem socialmente aí. Pena que não deixam menores entrar.

    __Ah que pena a gente não poder dar uma olhada. Deve ser interessante...
    Diz Genevieve.

    __Por enquanto só podemos olhar as jóias da loja da irmã do Addae. Responde Cadi. __É aquela loja ali, do outro lado da rua...

    Os três amigos vão em direção à loja. Ao entrarem, veem Hanna atendendo dois casais no balcão. A irmã de Addae, com um sorriso, acena para o trio, como a pedir que aguardem um pouco, pois estava ocupada naquele momento. No entanto, Addae vê Augustus na outra ponta do balcão, examinando algumas pedras. Ao perceber a presença dos jovens, Augustos faz uma expressão de alegria e os chama para junto de si.

    __ Addae....e Cadi, hehe...sejam bem-vindos à joalheria. Augustus se dirige à Genevieve: __ E você deve ser a Genevieve. Addae nos falou a seu respeito. Rookgaard ganhará uma bela estudante, sem dúvida.

    Addae e Cadi se entreolham, percebendo a lábia de comerciante, de Augustus.

    Genevieve fica ruborizada um pouco e agradece ao elogio: __Muita gentileza sua, senhor...senhor....

    __Augustus Dagomir, ao seu dspor. Sou o gerente das joalherias Dagomir.
    Augustus então abre uma gaveta atrás do balcão e pega um delicado colar de prata com um belo pingente transparente, em forma de gota, pendurado nele.

    __Senhorita, experimente este belo colar. Vire-se para que eu possa colocá-lo.

    Genevieve se surpreende com a proposta, mas se vira e levanta um pouco os cabelos presos atrás, para que Augustus possa colocar-lhe o colar.

    __Magnífico! Exclama Augustus.

    Em seguida, Augustus pega um pequeno espelho e o posiciona diante de Genevieve. A jovem fica radiante.

    __M-mas é lindo....Diz, admirada, Genevieve.

    Neste instante, os dois casais que estavam sendo antendidos por Hanna, se despedem e saem da loja. Hanna então vem para junto de Augustus. Se dirige a Genevieve: __Olá. Você deve ser a Genevieve, que será colega de Addae e de Cadi, em Rook. Sou Hanna, irmã de Addae.

    __Oh, muito prazer Hanna. Quanta pedras e jóias lindas vocês tem aqui, na loja.

    __Esse colar que você está usando ficou muito bem em você.
    Diz Hanna.

    __Sim...Responde Genevieve, admirando mais uma vez a imagem no espelho. __É tão bonito ...espero um dia poder comprar um igual ou parecido....

    __Ora...
    Diz Augustus. __Este colar é seu. Um pequeno presente das joalherias Dagomir para uma futura guerreira a serviço do Rei.

    __O-o quê?? M-mas senhor Augustus...eu não posso..quer dizer..
    Balbucia surpresa, Genevieve.

    Hanna, também surpresa, leva as mãos à boca e diz para Augustus, em um tom baixo de voz, para que Genevieve, que observava ainda a imagem no espelho, não pudesse ouvir: __ Mas é muito cara, Augustus...

    Augustus, também sussurrando, pisca para Hanna e diz: __É assim que se conquistam futuras freguesas....

    Addae e Cadi percebem a estratégia de Augustus. Cadi sussurra para Addae: __Esse senhor Augustus é um comerciante esperto...

    Addae concorda fazendo um gesto com a cabeça, procurando não deixar Genevieve perceber o que acontecia a sua volta.

    Genevieve pousa o espelho no balcão e diz para Augustus: __Senhor Augustus...eu realmente não posso aceitar um presente tão caro...

    __Por favor, minha cara, eu faço questão.
    Rebate Augustus. __Você me deixará imensamente feliz, sabendo que uma das alunas de Rookgaard tem uma bela jóia da marca Dagomir.

    __Bom, se é assim, eu aceito....
    Responde Genevieve. __Mas da próxima vêz que eu vier a esta joalheiria, faço questão de comprar uma joia ou brilhante.

    Cadi observa alguns relógios cravejados de brilhantes expostos no balcão, que Hanna mostrara minutos antes para os dois casais de fregueses: __Poxa, eu também gostaria de ganhar um souvenir, para levar para Rook...

    Hanna, ao perceber a intenção de Cadi, coloca os relógios em uma gaveta no lado interno do balcão: __Quando você voltar de Rook e receber seu primeiro salário, teremos prazer em lhe mostrar o nosso estoque inteiro de relógios,Cadi....

    Cadi faz uma expressão desolada.

    Addae ri da situação.

    Augustus, então, abre uma outra gaveta e retira de lá dois relógios, de aparência um pouco mais simples, sem nenhuma jóia ou brilhante encrustado: __Addae e Cadi, estendam suas mãos esquerdas....

    __ Opa, demorou.
    Diz Cadi.

    Addae e Cadi estendem seus respectivos braços esquerdos na direção de Augustus, que coloca os relógios em torno de seus pulsos.

    __Que maneiro senhor Augustus, muito obrigado! Diz Addae.

    __Augustus.... Hanna novamente leva as mãos à boca, mostrando surpresa com a generosidade de Augustos.

    __Tudo bem, Hanna. Responde Augustus. __Esses relógios serão úteis a eles em Rookgaard. A Academia deve exigir disciplina e rigor nos horários. Com os relógios poderão controlar melhor o tempo e as atividades. E afinal de contas, eu devo partir para Venore amanhã, pois segundo informaçãoes que obtive no porto, o barco do capitão Fearless deve chegar hoje a Thais e partir amanhã mesmo de volta a Venore. Portanto, não poderei estar presente à festa de despedida dos meninos, antes da partida deles para Rookgaard. Por isso quero dar esses presentes para eles.

    __Festa de despedida???
    Surpreende-se Addae. __Que festa de despedida???

    __Ih, será que falei demais???
    Pergunta-se Augustus, olhando para Hanna.

    Hanna faz um gesto com as mãos como a indicar a Augustus que estava tudo bem. Em seguida, responde a Addae: __Depois que você saiu hoje de manhã, eu e mamãe conversamos a respeito de fazer um almoço, ou um jantar, de despedida. Para você e para os seus amigos que vão a Rookgaard, como o Cadi aqui.

    __Opa, tô nessa.
    Responde rápido, Cadi.

    __Gostaríamos que você também fosse, Genevieve. Diz Hanna, dirigindo-se à futura colega de Addae.

    __Seria uma honra. Irei sim, com certeza. Responde Genevieve, com uma expressão de alegria.

    __Vou convidar também o Struggle e o Tatius. Diz Addae.

    __Convide quantos amigos quiser, Addae. Responde Hanna. __Assim que ficar definido o dia da partida, vamos marcar essa despedida para a véspera do embarque. E pode convidar também os familiares dos seus amigos. Vamos assar dois leitões e alguns frangos. Vai ter bastante comida.

    __Poxa, que pena que não vou poder estar presente. Mas preciso retornar a Venore e apresentar a meu pai os relatórios da filial de Thais. Se perder o navio do Capitão Fearless não sei quando vou conseguir viajar.
    Diz, meio desolado, Augustus.

    Hanna segura delicadamente o braço de Augustus e diz: __Quando você retornar de Venore, assaremos um leitão em sua homenagem, Augustus.

    __Pena mesmo que o senhor não possa estar nessa despedida nossa para Rook, Senhor Augustus.
    Diz Addae, bastante alegre com o novo presente recebido de Augustus.

    __Pelo menos espero que vocês se lembrem de mim, em Rookgaard, ao verem as horas em seus novos relógios. Diz Augustus. __E se lembrem também das joalherias Dagomir, hehe.



    __Olha, galera, não quero apressar vocês, mas no meu novo relógio está indicado que são dez e quarenta. Temos que devolver a Gê para o pai dela lá pelo meio-dia, Addae. Ainda precisamos mostrar alguns outros locais de Thais para ela.
    Diz Cadi, consultando, vaidoso, seu novo relógio.

    __Tá certo. Responde Addae. __Vamos levá-la ao Porto de Thais, já que está impossível se aproximar do Castelo Real. Com aquela multidão se acotovelando em torno.

    __Está realmente um tumulto enorme perto do Castelo.
    Completa Augustus. __E mesmo pelas ruas há um certo burburinho. Parece que os elfos e os anões estão mesmo vindo para Thais hoje, Addae, como dissera o seu pai de manhã cedo.

    __Eu adoraria poder ver os elfos.
    Diz Hanna. __Dizem que são lindos, apesar das orelhas pontudas.

    __ Bom, podemos fechar a joalheria por algumas horas, assim que soubermos com certeza que as delegações estão às portas da cidade. Eu levo você lá para perto do Castelo, Hanna. Apesar do tumulto, pode ser que consigamos ver alguma coisa.
    Diz Augustus.

    __Muito obrigado novamente pelo relógio, Senhor Augustus. Vai mesmo ser muito útil em Rookgaard! Diz Addae.

    Genevieve agradece mais uma vez o lindo colar recebido. __Obrigada pelo presente, Senhor Augustus. Vou manter esta jóia pelo resto de minha vida. É linda.

    __Umas pedras preciosas encrustadas nos números que marcam as horas ficariam literalmente “da hora”.
    Diz Cadi. __Mas o relógio é maneiro mesmo assim. Muito obrigado, Senhor Augustus.

    __Hehe. Quando você voltar de Rookgaard, traga o seu relógio que eu providencio a colocação de algumas pedras preciosas nele, Cadi. Temos alguns ótimos artesãos joalheiros na nossa matriz, em Venore. Será o meu presente de formatura para você.
    Diz Augustus.

    __Então está combinado. Responde Cadi. __Uma boa viagem de volta a Venore, senhor.

    __Bom retorno a Venore, senhor Augustus. Uma pena que o senhor não poderá nos ver partindo para Rook.
    Diz, por sua vêz, Genevieve.

    __Obrigado meninos. Desejo uma ótima viagem de vocês para Rookgaard. E espero que gostem do curso na Academia e que sejam muito felizes e se realizem neste caminho que começam a trilhar. Diz Augustus.

    Os garotos se despedem também de Hanna e deixam a joalheiria.

    Addae, já na Main Street, diz a Cadi: __Cara, o Senhor Augustus é mesmo um comerciante esperto. Se pudermos usar esses relógios, e a Gê usar este colar dela, pelo menos em alguns momentos, em Rookgaard, estaremos fazendo uma verdadeira propaganda das joalheiras do pai dele.

    __Saquei.
    Responde Cadi. __Mas olha, pelo que o meu pai sempre me disse, em Rook, nos horários das aulas, das tarefas e dos treinamentos, a gente só pode usar uma espécie de uniforme. Os estudantes com bolsa real usam um tipo de uniforme, os enviados pelas guildas, outro. Tem uns momentos de descanso e lazer. Nesses momentos acho que a gente pode usar vestimentas e objetos levados daqui do Continente.

    __Ah, eu gostaria de exibir essa jóia lá em Rook. Mesmo que fosse nos momentos de descanso. Meu pai vai cair para trás quando eu mostrar este colar que o Senhor Augustus me deu.
    Diz Genevieve.

    __Vamos lá no Porto, Gê. Assim você conhece o Struggle. Diz Addae.

    ___________________________________

    No próximo dia 29, mais um capítulo, com a terceira parte.






  6. #26
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Acabei não conseguindo comentar antes de você postar o novo capitulo. A formatação ta melhor, mais tranquilo de ler. Eu gosto da sua narrativa e espero continuar apreciando sua história.

    Nao vi nenhum problema de revisão -- ao menos nada me saltou aos olhos. Está muito bom; continue.

    Abraço,
    Iridium.

  7. #27

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    Opa, adorando sua historia. Espero que continue.

  8. #28
    Avatar de Kerrod
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    Champz, vc esta escrevendo uma fic ou guerra e paz?

    Bem maior do que o ultimo capitulo? Poha

    Brinksss 0/

    Tua estoria ta boa pra kct ta gostosa de ler e a gente fica com vontade de saber o que vem a seguir

    Isso quer dizer que a estoria ta boa

    Manda ver champz continua com essa bagaça so nao fica muito tempo sem postar um novo capitulo
    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  9. #29
    Avatar de Japixek
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    Caríssimos frequentadores do Fórum Roleplaying,

    Segue mais um capítulo, contendo a terceira parte, do arco “Um tratado histórico”.

    Agradeço penhorado aos leitores que comentaram. Antes do capítulo, seguem as respostas aos comentários.

    É isso, gente. Um grande abraço a todos e espero que gostem.


    Spoiler: Respostas aos comentários.




    Capítulo 5 – Um tratado histórico – Terceira parte.



    __Vamos, sim, Addae. Responde Genevieve. Mas ao mesmo tempo em que diz isso, Genevieve olha fixamente para a Arena dos Cavaleiros, no outro lado da rua. __Será que podemos olhar, daqui da rua mesmo, ali perto da entrada, já que não nos deixam entrar na Arena?

    __Bom, olhar da rua acho que podemos. Não sei se vai dar para ver muita coisa.
    Responde Addae.

    Os três se aproximam do grande portão de entrada da Arena. Um cavaleiro, trajando uma bela armadura, combinada com algumas peças de indumentária de cor vermelha, apoiado, com as duas mãos, sobre uma grande espada a sua frente, que toca o chão, monta guarda na entrada. Os três, da rua, tentam observar alguns aspectos internos da Arena, mas pouco conseguem divisar. O cavaleiro que monta guarda lhes dirije um simpático sorriso, mas não pode permitir que entrem.

    __Ora, se não são os jovens aspirantes que vão para Rookgaard. Uma voz grave, em um tom simpático e amistoso, que soa familiar para Addae e Cadi, vindo de trás, na rua, surpreende os três amigos.

    Addae se volta e diz: __Senhor Belloc !

    __Olá senhor Belloc!
    Diz, por sua vêz, Cadi

    __Olá meus jovens futuros guerreiros. Como vão? E quem é esta jovem que os acompanha, se me permitem perguntar....

    __Esta é a Genevieve. Será nossa colega em Rook...
    Responde Addae.

    __Oh, uma aspirante também. Uma honra, senhorita. Arturos Belloc ao seu dispor. Arturos faz um gesto de cumprimento, inclinando o corpo para a frente e segurando a ponta da aba de seu belo chapéu.

    __Muito prazer, senhor. Responde Genevieve.

    __Sabe, tenho a impressão de já tê-la visto antes...a senhorita é de Edron?

    __Não senhor, sou de Greenshore....

    __Ela está hospedada na estalagem do senhor Frodo, senhor Belloc....
    Diz Addae.

    __Ah, então é isto. Devo tê-la visto por esses dias na estalagem. Por isso me pareceu familiar. Greenshore...simpática vila. Às vêzes negocio armas por lá. Com um velho amigo...Ulrik.

    __Conheço o senhor Ulrik. As pessoas gostam muito dele por lá.
    Diz Genevieve.

    __É um homem muito afável. Mesmo tendo uma formação militar. Mas me digam, jovens. Por que estavam parados aqui, olhando para o interior da Arena? Estão aguardando alguém sair? Pergunta Belloc.

    __Estávamos só querendo ver alguma coisa lá dentro. Estamos mostrando os pontos turísticos e famosos de Thais para a Genevieve. Responde Cadi. __Não podemos entrar no interior da Arena.

    __Mas podem entrar acompanhados por um cavaleiro.
    Responde Belloc.

    __Pois é. Rebate Cadi. __Mas não conhecemos nenhum. Quer dizer, até conhecemos dois hoje, lá na torre. Mas não estão aqui.

    __Ora, não seja por isso.
    Diz Belloc, segurando os ombros de Addae e Cadi e conduzindo-os na direção da entrada da Arena. __Os jovens estão comigo, Rheno. Diz, se dirigindo ao guarda no portão.

    __Pois não, Mestre Arturos. Diz o guarda, dando passagem ao grupo.

    Addae e Cadi se espantam com o que acabam de ouvir e presenciar. Entram, junto com Genevieve, na Arena, seguindo Belloc.

    __O-o senhor é cavaleiro, senhor Belloc? Indaga Addae.

    __Bem...Responde Belloc. __Digamos que o comércio de armas é apenas uma das minhas atividades...mas não a única, hehe...

    Genevieve e Cadi observam, interessados, os detalhes internos da Arena. Cadi pergunta a Belloc: __A qual guilda o senhor pertence, senhor Belloc?

    __A uma guilda sediada em Venore. Conhecida simplesmente como “ A Adaga”.

    __A Adaga! Meu já me falou a respeito dessa guilda.
    Diz Cadi. __São especialistas em espionagem e invasões sorrateiras.

    __Entre outras coisas, hehe.
    Responde Belloc.

    Cadi indaga: __Onde fica o local no qual os cavaleiros duelam??

    __Me sigam.
    Diz Belloc.

    Belloc os conduz a um corredor lateral, que leva a um espaço ocupado por várias cadeiras, voltadas para uma grande área interna quadrada, com um pavimento de terra batida.

    __Uau! Que maneiro! Diz Cadi. __Olhem só aquelas pontas nas paredes. Devem haver duelos “sanguinolengos” nessa arena.

    __Hoje em dia as regras para os duelos são mais rígidas e, podemos dizer assim, mais humanas. Os árbitros, quando constatam que um dos oponentes não tem condições de prosseguir com a luta, a interrompem. Responde Belloc. __Tibianus não quer mais espetáculos de sangue. Há quem diga que ele chegou a pensar em proibir os duelos. Mas os duelos fazem parte da tradição dos guerreiros.

    __Só membros de guildas podem frequentar esta arena?
    Pergunta Genevieve.

    __Oficiais do Exército Real também. Responde Addae. __Ou seja, quando voltarmos de Rook, poderemos frequentar. Mas esta arena aqui é mais voltada para atividades dos chamados cavaleiros. Existe uma espécie de arena para os paladinos treinarem, aqui em mesmo em Thais, ali na Upper Swamp Lane.

    __Mas existem assim, arenas, para magos e druidas?
    Indaga Genevieve.

    __Que eu saiba, não. Responde Addae.

    __Não, minha cara. Diz Belloc. __Não há locais semelhantes a arenas, como esta, para magos e druidas. Eu diria que nem mesmo para paladinos. Os cavaleiros são a única classe de guerreiros que têm por tradição a prática de duelos. Mas certamente há espaços para a convivência entre confrades das demais classes. Aliás esta arena aqui serve também para isso. E para treinos, também. A Arena não é apenas voltada para duelos. Na verdade, apesar do nome, não é a atividade predominante.

    __Podemos ir no segundo andar, senhor Belloc?
    Pergunta Cadi.

    __Claro, meu jovem. Vamos subir lá. Responde Belloc.

    Belloc e os três amigos sobem ao segundo andar. Encontram uma grande mesa e nela, alguns cavaleiros conversam animadamente. Mais para o fundo, um outro grupo de três cavaleiros conversam em um tom de voz mais baixo. Um deles, ao perceber a presença de Arturos, pede licença aos outros dois e vêm receber o guia e anfitrião dos três jovens: __Arturos! Não sabia que estava em Thais. O que o traz à nossa velha capital, meu amigo?

    __Gregor...prazer em revê-lo. Vejo que a velha Arena de Thais está muito bem conservada. O que não me espanta. Além de um valoroso guerreiro, sempre soube que você é um excelente administrador.

    __Ahahaha....bem, o Rei pediu a este velho guerreiro aqui que cuidasse da Arena. Como passei ótimos momentos aqui ao longo dos anos, não poderia recusar. E lá se vão cinco anos nesta função. Já pedi ao Rei que nomeasse um sucessor, mas ele insiste que eu continue à frente da Arena. Mas o que o traz a Thais, meu velho amigo? Alguma missão secreta da Adaga? Ahahaha...

    __Bem, digamos que estou em uma missão, assim, não tão secreta...e aproveito para comercializar algumas armas, fazendo um pequeno lucro....a Adaga vai enviar cinco jovens aprendizes para Rookgaard, neste semestre. Três de Venore, um de Edron e um de Port Hope. Eu e René viemos a Thais esperá-los e ajudá-los no que for necessário, até o dia do embarque. Devem chegar hoje no barco do Fearless.

    __E como está seu jovem ajudante? Aquele “danado” dispara flechas com uma rapidez e precisão impressionantes

    __René é um dos melhores paladinos que conheci em toda a minha vida. Foi discípulo do lendário e saudoso Linus Palaio, o melhor paladino de todos os tempos da Adaga.Mas eu ainda acho que René teria feito bem se aceitasse ser enviado para Rookgaard. Mas ele não quis. Quis aprender pelo “velho método”. Se bem que, certamente, foi um privlégio aprender a arte da arquearia tendo um mestre como o Palaio.

    __Linus Palaio.
    Diz Cadi ao ouvir Arturos mencionar o lendário paladino. __Esse cara era uma lenda. Dizem que morreu em uma missão nas tenebrosas terras de Roshamuul....

    Após Cadi dizer isso, Gregor tem sua atenção chamada para os três jovens que acompanham Arturos: __E quem são esses jovens aqui, Arturos? Aprendizes da Adaga?

    __Não, exatamente, Gregor. Mas você não errou de todo. São, de fato, futuros guerreiros. Vão para Rookgaard às expensas do Rei. Os meus jovens amigos aqui se chamam Addae, Cadi e esta bela jovem carrega um não menos belo nome: Genevieve...Genevieve de Greenshore.

    __Humm, futuros oficiais do Rei. Bem-vindos à Arena, jovens. Gregor Banorson ao seu dispor. Quando retornarem de Rookgaard poderão associar-se a esta comunidade de guerreiros e frequentar a Arena. Se até lá o Rei não me liberar do mister de cuidar disto tudo aqui, terei imenso prazer em recebê-los. Mas a jovem certamente será uma druideza ou terá o grau de maga, já que vai pelo Palácio Real...

    __Exatamente, senhor.
    Responde Genevieve.

    Cadi aponta para para uma fileira de 3 assentos, postados diante de um muro baixo, com vista para a arena propriamente dita, no andar de baixo: __Que interessante, um pequeno trono ladeado por dois assentos. Aposto que é dali que o Rei assiste os duelos e torneios, quando vem à Arena....

    __Exatamente, meu rapaz.
    Diz Gregor. __Ao lado do Rei, ficam, por vezes, a Rainha Isabel, ou a Princesa Sasha, ou os príncipes Tibianus e Pedro. Quando não, algum convidado ilustre, do Rei, algum nobre que o acompanha ou dois membros de sua guarda pessoal, os cavaleiros dourados. E ainda, uma vez ou outra, este veterano guerreiro aqui tem a honra de ser convidado por sua majestade para assistir as lutas ao seu lado...

    Nisso, Addae ouve ruidos metálicos, como de golpes de espadas, machados e maças, contra superfícies ou escudos, misturados a ruidos de mecanismos ou eixos em movimentos, vindos de uma sala em frente à escada de descida para o primeiro andar: __Que ruidos são esses? Parecem ruidos de lutas, ou batalhas....

    Gregor responde: __ Ah. Esses ruidos vem do salao de treinos. Venham dar uma olhada.

    O grupo atravessa o vão da porta que conduz ao salão. Lá dentro, três cavaleiros golpeiam três estátuas articuladas, que se movem sobre eixos verticiais, e assim movem também seus braços, produzindo uma espécie de ataque contra os que golpeiam seus escudos. Cada estátua é equipada com um tipo de arma de ataque: espada, machado e maça.Cada cavaleiro que treina usa, respectivamente, o mesmo tipo de arma acoplada à estátua que utiliza. Addae e Cadi ficam admirados com a destreza e velocidade mostradas pelos cavaleiros que treinam. A cada golpe que desferem, conseguem se desviar, em seguida, do contragolpe produzido pelos mecanismos de treino. Um pouco atrás dos cavaleiros, mas a frente do grupo composto por Gregor, Arturos e os meninos, quatro outros cavaleiros aguardam a sua vez de utilizarem as estátuas de treinamento.

    __Caramba! Diz Cadi. __Olha só a habilidade desses caras no manuseio das armas. A gente mal consegue perceber os movimentos deles. E o contragolpe das estátuas é violento. Se algum dos cavaleiros for atingido, vai voar longe ou ficar muito ferido...

    __Eu diria que esses cavaleiros estão em um nível de habilidade mediana.Precisam melhorar mais. Responde Gregor.

    __Habilidade mediana????
    Espanta-se Addae. __Poxa, eu mal consigo acompanhar seus movimentos.

    __Filho...
    Diz Gregor. __Quando você estiver treinando em Rookgaard, você perceberá, ainda que esteja em um nível considerado baixo, que os limites para as habilidades de batalha, para um cavaleiro, são quase infinitos...

    __Mas você está com um critério de avaliação muito rigoroso, Gregor.
    Rebate Arturos. __Os rapazes ali até que demonstram um bom nível de destreza. Principalmente o da direita, que treina com a maça.

    __Mas ainda podem melhorar bastante. Principalmente porque pertencem à minha guilda.
    Rebate Gregor.

    __Ah...entendi agora o porque de tanto rigor. Emenda Arturos, em tom meio de brincadeira.

    Gregor grita para que os cavaleiros parem de treinar, pois o barulho das armas colidindo contra os escudos das estátuas é muito alto. Então vai em direção dos tres cavaleiros para conversar com eles. Os outros cavaleiros que aguardavam a vez para treinar, ao perceberem a presença de Gregor, abrem passagem para ele e ainda fazem uma reverência com a cabeça, em sinal de respeito: __Mestre Gregor....Diz cada um deles.

    Gregor, então, passa a dar instruções aos tres cavaleiros, fazendo gestos e movimentos, como a aconselhá-los a respeito da melhor maneira de aproveitar o tempo de treinamento. Os outros quatro cavaleiros que aguardavam a vez de treinarem, se aproximam de Gregor para também ouvir suas instruções.

    Perto da porta do salão, Cadi indaga a Arturos: __Senhor Belloc...a qual guilda o Senhor Banorson pertence?

    __Ele é o Grande Mestre dos Leões Thaianos, Cadi.

    __Leões Thaianos....Grande Mestre!! Caramba, ele é o comandante da guilda! O posto de Grande Mestre é o maior na hierarquia de praticamente todas as guildas.

    __Isso.
    Responde Arturos. __Nosso amigo ali é um guerreiro já lendário. Não é à toa que o Rei o distinguiu com o posto de administrador da Arena dos Cavaleiros. Já serviu no Exército Real. Chegou ao posto de General antes de pedir baixa e se juntar aos Leões.Foi um dos heróis na defesa de Thais, durante o cerco dos orcs, na última Grande Guerra. Também já foi instrutor em Rookgaard durante uma época. Mas por baixo daquela “couraça” de rigor e disciplina, bate um coração generoso. Quem o conhece bem sabe disso...

    __Que posto o senhor ocupa na Adaga, senhor Belloc?
    Indaga Addae.

    __Bem...Responde Arturos. __Pertenço ao Conselho de Mestres. O conselho tem o poder de deliberar sobre alguns aspectos da vida dentro da guilda e assessora o Grande Mestre em variados assuntos...

    __Não querendo ser incoveniente, mas já sendo...o senhor pode dizer quem é o Grande Mestre da Adaga?
    Pergunta Cadi.

    __Hehe, bem, como vocês serão futuros guerreiros, acho que não há problema em passar-lhes esta informação...Diz Arturos piscando um olho para os jovens. __Abran Ironeye é o nosso Grande Mestre.

    __Ironeye...o herói da última grande batalha de Plains of Havoc! Também já foi General do Exército Real.
    Diz Cadi.

    __Isso. Completa Addae. __Se o exército thaiano não tivesse detido a marcha das hordas de criaturas que se dirigiam a Thais a partir de Plains of Havoc, para se juntarem ao cerco da cidade, provavelmente Thais teria caido. Li isso ontem à noite, no livro que você me emprestou, Cadi. Thais deve isso à legião e às guarnições estabelecidas em Venore. As tropas do Reino que lutaram naquela batalha eram compostas quase que na totalidade de venorianos. Muitos venorianos morreram na refrega.

    __Inclusive este venoriano aqui quase morreu, sob os ferrões de uma aranha gigante.
    Diz Arturos.

    __O senhor esteve em Plains of Havoc na última Grande Guerra, senhor Belloc? Pergunta Cadi.

    __Sim. Eu era capitão do Exército na Segunda Legião. Sob às ordens do então General Ironeye.

    __Uau! Conte-nos mais sobre a batalha.
    Diz Cadi.

    __Prometo que contarei, Cadi. Mas será mais interessante contar quando estivermos navegando para Rookgaard. Responde Arturos.

    __Ah, é mesmo. Diz Addae. __O senhor e o senhor Lizek estarão conosco no barco para Rook.

    __Isso. Nada como estar no convès de um navio sob as estrelas, o vento do oceano soprando forte as velas, contando histórias de batalhas e aventuras. Isso ajuda-nos a mergulhar no clima da narração e desperta a imaginação, hehe. Embora tudo o que eu contar nada mais será do que a verdade dos fatos. Meninos...eu vi, hehe.


    Os três riem ao ouvirem o que Arturos acabara de dizer.

    Neste momento, Gregor termina de dar instruçoes aos cavaleiros que treinavam e volta para junto de Arturos e dos tres jovens: __Chamei a atenção deles a respeito de alguns erros de postura e posicionamento das pernas. Aproveitarão melhor o treino a partir de agora. Que tal descermos até o bar e molharmos a garganta, Arturos? Recebemos uns barris de cerveja de cogumelos, vindos de Kaz. Desce que é uma beleza. Com a iminência de um tratado com Tibianus, os anões estão vendendo cervejas para alguns comerciantes ambulantes de Thais, autorizados por eles a entrarem na Montanha. Para os nossos jovens visitantes aqui temos limonada, suco de uva ou mesmo um copo de leite, se preferirem.


    __Opa...tamos nessa.
    Diz Cadi, secundado por expressões de satisfação por parte de Addae e de Genevieve.

    __Acho que posso tomar um caneco de cerveja, Gregor. Mas não posso me demorar muito. Diz Arturos. __ Tenho que ir ao Porto esperar o navio do Fearless, que vem trazendo os aspirantes da Adaga. Aliás, René disse que me encontraria aqui mais ou menos por esta hora. Deve estar na Irmandade dos Paladinos batendo papo e se esqueceu da hora.

    __Quantos jovens vocês estão mandando mesmo para Rookgaard, Arturos?

    __Cinco neste semestre. E vocês?

    __Sete jovens, todos daqui de Thais.
    Diz Gregor, enquanto o grupo vai descendo as escadas.

    Cadi então diz: __Nós vimos um grupo de aspirantes da Guilda dos Aventureiros que aparentemente vão fazer seus estudos na Ilha de Dawnport.

    __Aff...eu manifestei ao Rei minha contrariedade quanto a ele autorizar essa nova academia dos Aventureiros.
    Diz Gregor. __Isso pode provocar um esvaziamento de Rookgaard, no futuro. Mas nós dos Leões continuaremos a enviar nossos aspirantes a Rook. Infelizmente Sua Majestade se deixou levar pelo argumento forte dos Aventureiros: o ouro. Pagaram uma fortuna pela cessão da ilha e pela autorização do funcionamento da academia deles. E sinceramente, nem considero esses Aventureiros como verdadeiros guerreiros. Não passam de exploradores e cartógrafos. É um trabalho útil mas a Sociedade dos Exploradores já faz isso muito bem. Mas enfim...conseguiram convencer o Rei.

    __Nós da Adaga também continuaremos a enviar nossos aspirantes a Rookgaard.
    Diz Arturos. __Os métodos da Academia são comprovadamente eficazes. Essa nova academia dos Aventureiros ainda terá que provar às demais guildas que pode se tornar uma opção viável de treinamento e formação de novos guerreiros. Eles nos enviaram uma correspondência perguntando se não teríamos interesse em mandar nossos aspirantes à nova academia deles. Obviamente respondemos que não.

    Addae diz discretamente a Cadi: __Foi isso mesmo o que você disse, Cadi.

    O grupo chega ao bar localizado no primeiro andar. Sentam-se em uma mesa junto à parede oposta ao balcão. Há cavaleiros sentados em duas outras mesas. Eles cumprimentam Gregor e Arturos erguendo suas canecas de cerveja. Gregor grita para um senhor corpulento que serve no balcão: __Pescca...duas cervejas e....e...Gregor pergunta aos meninos: __O que vão querer, meus jovens?

    __Suco de uva!
    Diz Cadi.

    __Limonada! Diz, por sua vez, Addae.

    __Um copo de leite, por favor. Diz Genevieve.

    Pescca traz as cervejas e então Greggor lhe transmite os pedidos dos meninos: __Um copo de suco de uva e um de limonada para meus dois jovens amigos aqui...e um copo de leite para a senhorita...e pendura tudo na minha conta...

    Arturos dá um grande gole na caneca de cerveja: __Ahhhhh...saborosa....encorpada...esses anões sabem produzir uma cerveja...

    __Ahhh...se esse tratado que Tibianus quer celerar com os anões sair efetivamente, sem dúvida alguma uns dos aspectos positivos será a liberação plena do comércio com Kazordoon....e os estoques de cerveja de cogumelo nas cidades thaianas vão aumentar...para nossa alegria, ahahahaha!
    Ri Gregor.


    Pescca traz as bebidas dos 3 jovens: __Aqui estão meus caros. Suco de uva é para....

    __Para mim.
    Diz Cadi.

    __Certo...limonada para o jovem aqui...e um copo de leite para a jovem. Diz Pescca enquanto posiciona os copos na mesa. Então se dirige a Gregor: __Alguma coisa para comer, Mestre Gregor?

    Gregor se dirige aos convidados: __Querem algo para beliscar?

    Arturos responde, drigindo-se a Pescca: __Não, Pescca, obrigado, dentro de alguns minutos terei que me dirigir ao Porto. Essa caneca de cerveja já deu para molhar a garganta. Um outro dia experimentarei alguns dos seus petiscos.

    Cadi, que quase se dirigiu a Pescca para pedir algo para comer, diante da responde de Arturos, simplesmente sorve o seu suco de uva.

    Addae percebe e se esforça para não rir, e apenas bebe sua limonada.

    Gregor se dirige aos tres amigos: __E então, meus jovens aspirantes, o que os levou a se inscreverem em Rookgard? Vocês tem militares na família?

    __Eu sou filho do capitão Tim, que atualmente comanda a guarnição do Portão Leste, senhor.
    Responde, rápido, Cadi.

    __Humm, o capitão Timotius Bellator. Serviu sob minhas ordens na Primeira Legião, durante a guerra contra Ferumbras. Excelente oficial. Quando pedi baixa, após a guerra, ele ainda era tenente, se não me engano. Um arqueiro habilidoso. Centenas de orcs, trolls e minotauros encontraram a morte sob suas flechas, muitas disparadas das muralhas da cidade, durante o cerco. A família Bellator tem história nas forças armadas reais. Você tem grandes generais na sua árvore genealógica, meu rapaz.

    __Sim, senhor, meu pai sempre me conta histórias de alguns ancestrais dele.
    Responde, orgulhoso, Cadi.

    __E a turma de seu pai teve um batismo de fogo, se assim podemos dizer. Continua Gregor. __Pouco tempo depois de ser incorporada ao exército, a guerra contra Ferumbras estourou. Os membros da turma mostraram grande valor, tanto nas forças armadas reais, como nas guildas. Então Gregor se volta para Genevieve: __E você, minha cara? Por que decidiu ir para Rookgaard?

    __Bem...
    Responde Genevieve após dar mais um gole no copo de leite. __Lá em Greenshore me conhecem por ter certas...assim...habilidades....então meu pai me trouxe a Thais para ver o Mago Trimegis, no Palácio Real....e ele disse a meu pai que eu precisava ir para Rookgaard...

    __Ah....Gregor dá mais um gole na cerveja. __Você provavelmente nasceu com um nível de mana grande em sua mente e em seu corpo. Trimegis deve ter percebido. Sabe, eu fui um dos que ajudou a convencer o Rei da importância de termos magos e druidas nas legiões reais. A habilidade desses sábios com as energias manais é de suma importância nas batalhas. Druidas podem ajudar a recuperar os soldados feridos e magos tem recursos de ataque muito eficientes, principalmente contra determinados tipos de criaturas. As guildas sempre tiveram bem isso em mente, mas Tibianus resistiu durante um tempo. Durante o tempo em que fui o reitor da Academia, em Rookgaard, e mesmo depois, só formávamos guerreiros nas habilidades físicas, tanto nos combates corpo a corpo como em termos de ataques a distância, apesar de haver aulas sobre as artes manais, dadas, naquela época, pelo velho mestre e druida Hyacinth. Para se obter o grau druídico e de mago, eram necessários estudos complementares com mestres no Continente. E eram praticamente as guildas que aproveitavam esses tipos de sábios-guerreiros. Mas hoje isso mudou, principalmente após a guerra contra Ferumbras....



    __Dizem que Hyacinth veio ao continente, após a guerra contra Ferumbras, falar diretamente com Tibianus, para que deixasse a Academia conceder o grau druídico e de mago aos aspirantes que quisessem se especializar nessas artes.
    Diz Arturos.

    __E veio mesmo! Completa Gregor. __Ele e o velho mestre Eclesius exigiram ser recebidos pelo Rei. Tibianus não gostou muito do que ele considerou uma certa inconveniência ou impertinência dos dois sábios. Mas convenceram Sua Majestade a mudar sua visão a respeito de magos e druidas. E Eclesius já nem era mais o Mago Supremo do Rei. Já vivia como um ermitão em uma cabana ao sul da Thais.

    Addae diz, discretamente, a Cadi: __Então aquela fumaça que vimos para o oeste, no dia da caçada, deve ser da cabana do velho Mestre Eclesius.

    __Exato.
    Responde Cadi.

    Gregor se volta para Addae: __E você meu jovem, por que quer ir para Rookgaard?

    __Bem...
    Responde Addae. __Eu sempre gostei de ler e ouvir relatos das batalhas mais famosas. E sempre me preocupei com a possiblidade dessas criaturas que habitam o mundo de Tibia conseguirem exterminar os humanos. Gostaria de ajudar na defesa das cidades e na proteção às pessoas. Sem falar que meu pai já foi oficial da guarda...

    Gregor dá um gole em sua caneca de cerveja. __Hum, bons motivos. Mas quem é seu pai? Se já foi oficial talvez eu o conheça...

    __Ele atualmente trabalha como ferreiro e armeiro. Ele se chama Samuel Smith, mas muitos o conhecem como Sam...


    Gregor, ao ouvir o que Addae dissera, pousa sua caneca sobre a mesa, respira fundo, olha nos olhos de Addae, e diz, pausadamente: __Sabe...filho....a vida às vezes é engraçada....eu conheço, e bem, seu pai...aliás conheci tambem seu bisavô...o velho Matias Smith, armeiro e ferreiro oficial do Rei Julius IV, pai de Tibianus III.

    __Meu pai aprendeu o ofício de armeiro e ferreiro do avô dele....
    Diz Addae.

    __Sim. Completa Gregor. __Quando eu era capitão da Guarda, um pouco antes de assumir o comando da Academia, em Rookgaard, lembro-me de ver seu pai, à época um menino mais novo do que você, com uns oito anos, talvez, ajudando seu bisavô na oficina, aprendendo os segredos do ofício....mas o que gostaria de dizer é que eu, que me orgulho de ser um guerreiro experiente, com vária batalhas e missões nas costas, não tive, até hoje, a coragem de pedir desculpas a um outro valoroso guerreiro, por usar palavras inadequadas e inverídicas, ao tentar convencê-lo a não sair do Exército...

    Faz-se silêncio na mesa e todos, principalmente Addae, ouvem atentamente as palavras de Gregor.

    __Como você deve saber...Continua Gregor. __Seu pai pediu baixa quando ainda era um tenente...

    __Os motivos ele só me disse há dois dias atrás.
    Responde Addae.

    __E aquele episódio da luta contra as amazonas foi apenas um dos momentos em que seu pai mostrou coragem e nobreza de caráter. Durante a guerra contra Ferumbas, e mesmo após a guerra, seu pai esteve envolvido em várias batalhas e missões, Se tivesse continuado, chegaria rapidamente ao posto de General. Mas o que quero dizer é que, ao tentar demovê-lo da ideia de abandonar o Exército, chamei-o, sem que eu mesmo acreditasse nisso, de covarde. Usei de um expediente baixo para tentar atingir seus brios. Para que o Exército não perdesse um bravo soldado. Não funcionou, infelizmente...por isso, Addae, eu peço que você transmita a seu pai, e se não quiser fazê-lo, eu compreenderei....peço que você diga a seu pai que o General Gregor pede humildes desculpas pelas palavras utilizadas, com o intuito de tentar fazê-lo mudar de ideia, e permancer no Exército Real. Se eu de fato acreditasse que ele é um covarde, eu faria questão que ele pedisse baixa. Mas se eu estava tentando mantê-lo no Exército, é porque eu o considerava um soldado valoroso....na verdade eu me mostrei um covarde....por não ter tido a coragem, durante todos esses anos, de procurá-lo e pedir-lhe desculpas....

    Um silêncio sepulcral continua a imperar na mesa. Então, Arturos diz: __Bem, Gregor, você demonstrou muita coragem ao confessar isso diante de todos nós...diante do filho do Tenente Smith....

    Addae diz: __Mestre Gregor...eu acredito no senhor. Sei que só falou aquilo para tentar demover meu pai da intenção de sair do Exército Real. Eu sei que o senhor jamais acreditou que ele seja um covarde...

    __Obrigado, filho.
    Diz Gregor. __É bom ouvir as suas palavras, embora isso não desculpe o fato de que eu deveria ter procurado seu pai para lhe pedir desculpas, pessoalmente...

    __Eu direi a ele tudo o que o senhor disse hoje, Mestre Gregor. Eu tenho certeza que ele jamais acreditou que o senhor o considerasse um covarde. Ele deve ter entendido que sua intenção era impedí-lo de sair do Exército...


    Antes que Gregor pudesse dizer algo mais, o grupo à mesa ouve passos fortes, como de alguém usando botas pesadas, se aproximando. Um jovem cavaleiro, usando um chapéu de abas, um pouco menor do que o usado por Arturos, e uma espécie de poncho caindo sobre o corpo até a cintura, chega perto de Arturos. Cumprimenta Arturos e Gregor, embora praticamente ignore a presença dos três jovens, apenas dirigindo-lhes um olhar: __Mestre Arturos....Mestre Gregor.....

    __Novidades, Igor?
    Indaga Arturos.

    Igor se inclina até poder sussurrar algo no ouvido esquerdo de Arturos. Gregor e os garotos ficam intrigados com aquela cena.

    __Hum...Reage Arturos. __Nossas informações estavam corretas. Ela está vindo, realmente. Obrigado, Igor. Qualquer novidade, mantenha-me informado...

    __Sim, Mestre Arturos.
    O cavaleiro faz menção a sair do local e se despede de Gregor, dirigindo, mais uma vez, apenas um olhar aos jovens amigos ali sentados: __Mestre Gregor....

    Quando começa a se dirigir para a saída da Arena, Arturos o chama: __Igor...você por um acaso viu René por aí?

    O jovem cavaleiro se volta e responde: __Eu o vi, há cerca de uma hora, entrando, com uma jovem, na Arena dos Paladinos.

    __Está bem....obrigado, Igor.
    Arturos faz um gesto com a mão como a indicar a Igor que se retirasse. __Ah, René. Você não toma jeto. Arturos dá o último gole em sua cerveja.

    Gregor indaga: __Alguma informação confidencial, ou algo que pode ser divulgado, pelo menos com os amigos? Gregor também esvazia sua caneca. __Vocês da Adaga tem um serviço de inteligência que chega a ser melhor do que o da TBI...

    __Tudo bem. São informações relevantes mas vocês acabarão por saber ainda hoje. A primeira, eu diria que interessa mais à minha guilda: o navio do Fearless foi avistado, a sudoeste, perto da costa, se aproximando de Thais. Isso quer dizer que os aspirantes da Adaga estão chegando à cidade. Junto com jovens de outras guildas e aspirantes ao Exército que habitam em outras cidades. A segunda informação é que uma grande delegação de Kazordoon está a cerca de uma hora de Thais. E pasmem, amigos, o próprio Kruzak está vindo conversar com Tibianus.

    __Kruzak, em pessoa???
    Espanta-se Gregor. __Rapaz, a coisa e séria.

    __Quem é Kruzak?
    Addae pergunta, discretamente, a Cadi.

    __O Imperador dos Anões...de Kazordoon. Responde Cadi.

    Genevieve diz: __Ah, os anões estão mesmo vindo. Eu queria tanto vê-los.

    __Se estão a cerca de uma hora de Thais, deve dar para pelo menos tentar vê-los, por causa da multidão aglomerada, antes de te devolver a teu pai, Gê.
    Responde Addae.

    Arturos continua: __A terceira informação é que, a cerca de uns vinte minutos de “distância” da delegação de Kazordoon, “distância” essa mantida para que não ocorra um contado com a delegação de Kaz, uma também grande delegação de Ab'Dendriel se aproxima de Thais. E para sinalizar a Tibianus que os elfos resolveram de fato levar a sério a possibilidade de um tratado com o Reino Thaiano, é quase certo que Eroth, Faluae e Elathriel estejam na comitiva.

    __Quem são esses?
    Indaga Addae.

    __Não sei. Responde Cadi. __Não é fácil obter informações sobre os elfos. São muito arredios, mais até do que os anões.

    __São os chefes dos clãs ou castas que compõem o Reino de Ab”Dendriel. Responde Gregor. __Os Cenath, os Deraisim e os...os...como são mesmo chamados?

    __Os Kuridai.
    Completa Arturos.

    __Isso! Responde Gregor. __Os Kuridai. Guerreiros ferozes. Enfrentar esses elfos não é como fazer compras em uma mercearia. É melhor tê-los como aliados.

    __Hehehe.
    Ri Arturos. __Uma grande verdade...

    __Os elfos....
    Suspira Genevieve.

    __Tentaremos vê-los também, Gê. Diz Addae. __Se estão vindo logo atrás dos anões...

    __E a quarta e mais surpreendente notícia...
    Continua Arturos. __É que um navio de bandeira carlinesa vem descendo a costa, a noroeste. E junto à bandeira, está pendurado um estandarte da Casa Real de Carlin.

    __Aahahahaha!!!!
    Gargalha Gregor. __Que danada! Ela veio mesmo! Sua Majestade vai ter um acesso de mau humor. Aahahahahah!!!!

    Addae se espanta com a reação de Gregor e pergunta a Arturos: __Qual o problema com esse navio de Carlin, Meste Arturos?

    __Bem...
    Responde Arturos. __Quando Tibianus enviou uma proposta de Tratado para Ab'Dendriel e Kazordoon, ele foi aconselhado, no Palácio, e enviar também uma proposta para Carlin. O Conselho Real de Magos e Druidas fez ver a Sua Majestade que pegaria mal, diante dos anões e elfos, a exclusão de Carlin de um tratado de mútua defesa. Quando não porque Carlin mantém, historicamente, uma boa relação com Ab'Dendriel. Afinal, poderiam pensar elfos e anões, por que Tibianus quer assinar um tratado com eles se reluta em fazer o mesmo com um outro reino humano, que mantém, apesar das divergências e rivalidades, uma relação com Thais, em suas raízes históricas? A Casa Real de Carlin tem, em suas origens, relações de parentesco com a Casa Real de Thais. Carlin ainda tem como idioma o mesmo idioma thaiano que falamos em Thais. Pois bem, Tibianus aceitou, muito a contagrosto, o conselho, e enviou também uma proposta para Eloise. Só que ele, espertamente, incluiu na proposta a condição de que, no caso de Carlin, as tropas carlinesas ficariam sob as ordens do Alto Comando Thaiano. Uma tentativa sorrateira de trazer Carlin para a esfera de influência de Thais. Vocês sabem, aquela velha história que Tibianus, e vários de seus antecessores ao longo dos séculos... alimentam....de submeter novamente Carlin ao Reino Thaiano....o estandarte da Casa Real de Carlin tremulando junto à bandeira indica que Eloise está naquele navio....Eloise está vindo para Thais....

    __Eloise em Thais, caramba.
    Diz Addae.

    __Ah, será que conseguiremos vê-la, também, Addae? Pergunta Genevieve.

    Mas é Arturos quem responde: __Pela localização do navio, é capaz de Eloise desembarcar antes da chegada dos anões e dos elfos.

    __Se for assim, vamos tentar vê-la também, Gê.
    Diz Addae.

    Então Cadi pergunta a Gregor: __Mestre Gregor, por que o senhor disse há pouco que o Rei terá um acesso de mau humor? Afinal, ele não queria que Eloise viesse, já que lhe enviou uma proposta de tratado?

    Gregor responde: __Veja, meu rapaz. O Mundo das Relações Diplomáticas tem suas nuances, e armadilhas. O que o nosso prezado Rei pretendia, ao inserir na proposta a cláusula de submissão das tropas carlinesas ao Alto Comando Thaiano, era justamente fazer com que Eloise não viesse. Assim ele teria uma desculpa diante dos elfos e dos anões. Diria que tentou incluir Carlin no tratado, mas que Eloise não aceitou. Não ficaria, em tese, mal diante de seus dois novos aliados. Só que pelo jeito, a tentativa não deu certo. Eloise aceitou, pelo menos, vir a Thais. E pode apostar que ela vai conseguir se inserir no Tratado, mas sem a cláusula de submissão. Os elfos e anões não gostarão nada de saber dos termos oferecidos, por Tibianus, a Eloise. E nosso Rei terá que aceitar Carlin no Tratado, com os mesmos termos oferecidos a Ab'Dendriel e a Kazordoon. Se Eloise não viesse, os anões e elfos só saberiam do estratagema de Tibianus após terem assinado o acordo e retornado a seus reinos, quando então Carlin poderia explicar porque se recusou a participar do acordo. Romper um acordo oficial já assinado não é tão simples assim, ainda mais levando-se em conta que anões e elfos prezam muito a palavra dada.

    __Hummm, entendi.
    Diz Cadi.

    Arturos diz: __Sabe, Gregor, achei a tentativa de Tibianus pouco inteligente. Ele não teria como garantir que Eloise não informasse aos elfos, pelo menos a eles, a respeito de sua intenção de impor uma cláusula exorbitante a Carlin, antes da vinda de todas as delegações a Thais. Não duvido que pelo menos os elfos já saibam da malícia de Tibianus. Historicamente Carlin e Ab'Dendriel mantém boas relações diplomáticas e no campo militar. Tibianus vai ter que engolir Carlin e a presença de Eloise na mesa de negociações. É isso ou não sairá acordo algum, com quem quer que seja.

    __Bem,
    Responde Gregor. __Se Eloise já informou aos elfos a respeito dos termos que Tibianus ofereceu a Carlin, de fato, Tibianus vai ficar em uma sinuca de bico. E pensando bem, é provável que já saibam mesmo...já que, como você disse, Carlin e Ab mantém boas relações. O Rei já começará as negociações um pouco acuado, com a imagem marcada de quem não joga limpo...

    __Nosso Rei deveria tratar Carlin e Eloise com respeito....
    Diz Genevieve.

    __Concordo, minha cara. Diz Arturos. __São numerosos e poderosos os inimigos da espécie humana em Tibia. Já está na hora de Thais e Carlin estabelecerem relações diplomáticas normais. Quinhentos anos após a indepedência de Carlin, os dois reinos sequer têm embaixadores regulares trocados. Nunca assinaram um tratado comercial. E infelizmente, é forçoso dizer, não é por culpa de Carlin. Gerações de soberanas carlinesas sempre quiseram estabelecer relações normais com Thais. Mas os reis thaianos jamais desistiram da idéia de submeter sua ex-colônia a Thais, novamente. E reconheço que minha cidade natal, Venore, tem muita culpa nessa história. As poderosas associações comerciais de Venore sempre solaparam os esforços de aproximação, temendo perder mercados e negócios para Carlin. Apenas, em determinadas situações, Thais e Carlin lutaram juntos em algumas batalhas decisivas, vitais para a sobrevivência e defesa de ambos. Principalmente contra os orcs. Mas, passado o perigo, as relações esfriaram....espero que a partir desse encontro, tudo passe a ser diferente....pois se Ferumbras se levantar novamente, atacará sedento de vingança...

    Novamente o grupo escuta passos se aproximando da mesa. Só que desta vez os passos são mais suaves. Uma jovem amazona, trajando, da cintura para cima, uma armadura pequena e graciosa, que se amolda perfeiitamente a seu corpo, e calças justas e feitas de um tecido aveludado, que realçam os contornos de suas pernas torneadas, e botas de um tecido ou pele parecida com a das calças, traz em suas mãos uma folha de papel enrolada. Tem cabelos loiros e cacheados, olhos verdes e puxados, e sardas que lhe cobrem o rosto. É de uma beleza tal que alguns dos cavaleiros sentados nas mesas ao redor param de comer e de conversar para lhe dirigir alguns olhares. Outros erguem suas canecas e copos em cumprimento. Ela ignora ou finge ignorar o que se passa ao redor, mas acaba estampando um pequeno sorriso no canto da boca. Se aproxima de Arturos, que se levanta em um gesto de cortesia. Gregor faz o mesmo.Os meninos permanecem sentados, com o olhar fixo na amazona, como que admirando sua beleza.

    __Mestre Arturos...Mestre Gregor. Diz a amazona. __Igor me disse que o senhor estava aqui, Mestre Arturos. Trouxe-lhe o contrato de aluguel. Os aspirantes ficarão no apartamento de cima, no prédio onde eu e Topsy moramos. O contrato é por sete dias. Se Bluebear demorar mais, posso prorrogá-lo. O senhorio disse que não há problemas. Olha para os meninos e, diferentemente de Igor, lhes dirige um rápido cumprimento: __Olá, crianças....Então indaga a Arturos: __São aspirantes da guilda?

    __Não, Turvy. Vão a Rook pelo Exército Real.
    Responde Arturos. __Desculpe-me por fazê-la vir até aqui. Eu pretendia ir até a loja, mas René, que combinara encontrar-me aqui, até agora não apareceu. Igor me disse que o viu entrar na Arena dos Paladinos...vou até lá procurá-lo....

    A amazona parece perturbar-se com o que Arturos acaba de dizer: __R-René está em Thais?

    __Sim, embarcará comigo para Rookgaard.

    __Entendo....bem, deixe-me voltar para a loja...Topsy está cuidado de seu balcão e do meu, para que eu pudesse vir aqui....
    Diz Turvy, em um tom um pouco melancólico.

    __Não quer se sentar um pouco conosco, e beber algo? Indaga Gregor.

    __Não, obrigada, Mestre Gregor...com esse friozinho até que um cálice de vinho cairia bem, mas Topsy pode se atrapalhar com os eventuais fregueses que apareçam por lá, ela entende muito de poções, mas a respeito de armas físicas pode se enrolar um pouco....eu preciso realmente voltar...

    __Me desculpe mais uma vez por ter me demorado, Turvy, e ter provocado sua vinda até aqui.
    Diz Arturos.

    __Não precisa se desculpar, Mestre Arturos. É sempre um prazer ajudá-lo, e aos novos aspirantes da guilda. Turvy faz menção a se despedir e a se retirar, quando tem sua atenção voltada para Genevieve: __Nossa, mas que lindo colar com pingente que você está usando...!

    __Ah,sim, não é mesmo lindo?
    Responde Genevieve, segurando o pingente na mão.

    __Quem lhe deu deve estar realmente apaixonado. Diz Turvy, em um tom de brincadeira, ao mesmo tempo que dirige olhares jocosos para Addae e Cadi.

    __Oh, bem...não foi o caso. Responde Genevieve um pouco ruborizada. __Na verdade foi o Senhor Augustus, da Joalheria Dagomir, quem me deu o colar....como um presente por minha ida a Rookgaard. Genevieve segura os pulsos de Addae e de Cadi: __Ele deu relógios para meus dois amigos.

    __Hum...que interessante...talvez eu passe por lá um dia, para ver se ele me dá um presente desses.
    Diz Turvy, ainda em um tom de brincadeira.

    Genevieve, Addae e Cadi, um pouco sem graça, exibem sorrisos amarelados ao ouvirem isso.

    Turvy então se despede: __Mestre Arturos....Mestre Gregor....foi um prazer revê-los. Qualquer dia desses, quando eu estiver menos ocupada, tomamos uns cálices de vinho.

    __Será um enorme prazer, minha cara. Venha me visitar aqui na Arena por esses dias, o vinho será por minha conta...
    Diz Gregor.

    __Mais uma vez obrigado, Turvy. Ainda devo passar lá na loja hoje. Após receber os aspirantes no Porto, vou levá-los às suas novas acomodações. E quero que você os conheça. Eles se sentem valorizados e motivados sempre que são apresentados a membros da guilda. Diz Arturos.

    __Ah, leve-os sim, Mestre Arturos. Quero conhecer os novos “noobs” . Diz Turvy, ainda brincando. Se volta para os tres jovens e diz: __Tchau meninos, boa viagem para Rook. Aproveitem seu tempo de Academia. E quando voltarem, deem uma passadinha na loja Ironeye. Vão encontrar equipamentos e poções por um bom preço.

    __Passaremos sim.
    Responde Cadi por todos, ainda exibindo um sorriso amarelo. Não consegue evitar de transparecer um certo constrangimento diante da beleza da amazona.

    Turvy se retira, novamente atraindo olhares dos cavaleiros sentados nas mesas ao redor.

    Arturos diz a Gregor: __Bem, meu velho amigo, tenho que ir andando, também. Preciso passar na Arena dos Paladinos para ver se encontro René. Depois vamos ao Porto. Fearless deve estar ancorando dentro em pouco. Mas antes precisamos conversar a respeito de algo que interessa aos Leões. Só vai levar um minuto....

    Cadi intervem: __Podemos ir com o senhor, Mestre Arturos?

    __Mas é claro, meus jovens amigos. É um prazer ter a companhia de vocês. Só peço que me aguardem aqui por uns instantes. Preciso conversar a sós com Mestre Gregor, para tratar de alguns assuntos....er...confidenciais.... relativos às nossas guildas...


    Arturos e Gregor sobem juntos para o segundo andar.

    Addae, Cadi e Genevieve se levantam da mesa e aguardam o retorno de Arturos, junto às cadeiras que servem de arquibancada para a Arena.

    __Se aquela moça for na loja do Senhor Augustus para ver se ganha alguma jóia de presente, a sua irmã não vai gostar nem um pouco, Addae. Diz Genevieve.

    __Ela estava só brincando, Gê. Responde Addae. __Se bem que a Hanna, mesmo não sendo uma amazona, quando fica com ciúmes, é capaz de enfrentar uma guilda inteira, hehe.

    __Pelo que eu entendi, aquela amazona faz parte da guilda do Mestre Arturos, a Adaga...
    Diz Cadi.

    __Foi o que eu entendi, também. Responde Addae.

    __Vocês viram como ela ficou perturbada quando o Mestre Arturos disse que aquele René estava na cidade? Eu sei quem é ele. Ele está hospedado, junto com o Mestre Arturos, lá na estalagem do Senhor Frodo. Ele fica flertando o tempo todo com filha do Senhor Frodo, que trabalha na cozinha junto com o Tatius....Diz Genevieve.

    __Aposto que a Turvy já deve ter sido namorada do René. Diz Addae. __Afinal são da mesma guilda.

    __Ah, com certeza ela gosta ou já gostou dele.
    Diz Genevieve.

    __Esse tal de René fica dando em cima de todas as mulheres de Thais, pelo jeito. Diz Cadi.

    __Bem, que ele é bonitão, é mesmo. Diz Genevieve.

    __Não entro nesse mérito. Diz Cadi, meio amoado.

    __Ah, não fica assim não, Cadi. Olha, não é para vocês ficarem convencidos, mas você e o Addae também são bem bonitos. Minha amiga de Greenshore que a gente encontrou na Torre arregalou os “zoião” pra cima de vocês. Claro que o Tatius é mais bonito, ainda. Diz Genevieve, em um tom de brincadeira.

    Addae ri.

    Cadi diz: __Esse negócio de avaliar beleza masculina não é comigo. Claro que eu sempre soube que eu sou um cara boa pinta.

    __Ih, pronto. Já ficou cheio de si.
    Diz Genevieve.

    Addae se diverte com o diálogo dos dois.

    Nisso, Arturos e Gregor retornam ao térreo.

    __Bem, jovens. Vamos indo. O tempo urge....Diz Arturos.

    Os 3 amigos se despedem de Gregor.

    __Obrigado pela recepção Mestre Gregor. Diz Cadi. __Eu sempre quis ver como é a Arena dos Cavaleiros por dentro. Meu pai sempre me prometia que me traria aqui mas ele anda sem tempo, ultimamente.

    __Foi um prazer meu jovem. Não culpe seu pai. Nos dias atuais, um oficial da Guarda anda muito atarefado. Esse tratado que está sendo negociado pode transformar o dia a dia não só do Reino Thaiano, mas de todo o Mundo de Tibia.
    Responde Gregor.

    __Obrigada, Mestre Gregor. Gostei muito de conhecer o senhor. Diz Genevieve.

    __É um sentimento recíproco, minha jovem. E é bom saber que teremos uma nova druideza ajudando os esforços de Thais, no combate às forças inimigas do Reino. Aproveite seus estudos em Rookgaard. Diz Gregor.

    __Obrigado, Mestre Gregor. Até a volta de Rookgaard. Pretendo vir sempre à Arena, quando for um oficial. Diz Addae.




    __Será sempre bem recebido, Filho. Esta é a casa dos cavaleiros, dos bravos guerreiros. E peço-lhe o favor de transmitir minhas palavras a seu pai. Diga-lhe que o General Gregor sempre o considerou um soldado valoroso. Se o chamei de covarde um dia, foi para tentar demovê-lo da ideia de deixar o Exército, para não perdermos um corajoso guerreiro.

    __Eu direi sim, Mestre Gregor.
    Responde Addae.

    __Se até o dia da partida, quiserem visitar novamente a Arena, digam para o guarda na entrada me chamar, pelo fato de menores não poderem entrar sozinhos. Eu os porei para dentro. Diz Gregor.

    __Obrigado, Mestre Gregor. Diz Cadi.

    __Então até mais ver, meu amigo. Diz Arturos, para Gregor. __Ainda faltam alguns dias para o meu embarque, e o dos nossos jovens amigos aqui, para Rookgaard. Capaz de eu vir novamente à Arena antes da partida.

    __Venha sim, meu velho amigo. Não imagina o prazer que me dá sua presença. Conversar com guerreiros da velha escola é sempre um privilégio.
    Responde Gregor.

    Após as despedidas, Arturos e os meninos ganham a Main Street.

    __Vamos descer pela Farm Lane até a Upper Swamp Lane. Diz Arturos.

    Cadi indaga a Arturos: __Mestre Arturos, aquela amazona, a Turvy, pertence à sua guilda, não?

    __Sim. E também trabalha na filial de Thais da loja de armas e equipamentos de Abran Ironeye, nosso Grande Mestre. Como vocês podem ver, alguns membros da Adaga se dedicam ao comércio de armas. Como eu mesmo, hehe.
    Responde Arturos.

    __Desculpe a indiscrição, Mestre Arturos....mas Turvy é ou já foi namorada desse tal de René? Pergunta Genevieve.

    __Gê...! Addae cutuca Genevieve, temendo a reação de Arturos à pergunta indiscreta.

    __Deu para perceber, não? Indaga, de volta, Arturos. __De fato, os dois já tiveram um “affair”. Durante um bom tempo...

    __Ela ainda gosta dele....
    Complementa Genevieve.

    __É...Arturos complementa, um pouco melancólico. __René não só vive uma vida de aventuras no que se refere às missões e tarefas da guilda...como também em relação à vida afetiva...

    Cadi procura desviar do assunto: __Mestre Arturos....como o senhor consegue permissão para ir à Rook? Se não me engano, é bem difícil conseguir autorização real para visitar a ilha, caso a pessoa não seja um aluno, ou um habitante de lá...

    __Fiquei quase um ano aguardando a resposta de uma solicitação para poder ir a Rook comercializar. Claro que além de comercializar, eu também pretendia, ao pedir a autorização, poder acompanhar os novatos da guilda até a ilha. As boas relações que a Adaga mantém com o Palácio Real ajudaram a conseguir a autorização...apesar das opiniões de nosso Grande Mestre a respeito de Sua Majestade não serem assim....digamos...muito favoráveis....
    Responde Arturos.

    __Como assim, “não muito favoráveis”, Mestre Arturos? Indaga Addae.

    __Bem...Responde Arturos. __Mestre Abran julga que Tibianus é muito fraco em relação a Carlin. No fundo ele gostaria mesmo de uma campanha militar contra Eloise. Destroná-la e submeter Carlin novamente ao Reino Thaiano. Acho mesmo que ele gostaria que uma nova dinastia ocupasse o trono de Thais. Mestre Abran detém o título de Duque de Venore. Eu e muitos mestres do Conselho da Adaga acreditamos que Mestre Abran gostaria de ocupar o Trono Real.

    __Ah...
    Interfere Genevieve. __Por que é tão difícil para certas pessoas de posição em Thais aceitarem definitivamente a independência de Carlin?

    __Eu partilho da mesma opinião que você, minha cara.
    Diz Arturos. __E a maioria do Conselho de Mestres da Adaga discorda de Mestre Abran. Acho que Thais e Carlin devem conviver pacificamente, reconhecendo mutuamente as respectivas soberanias. Não faz mais sentido, 500 anos após a independência de Carlin, Thais ficar alimentando planos para reverter isso.

    __Meu pai também pensa assim.
    Diz Cadi.

    __O meu também. Completa Addae.

    __Além disso, o Conselho de Mestres da Adaga tem a convicção de que uma campanha militar contra Carlin seria desastrosa. Ainda que o Exército Thaiano seja mais poderoso que o Exército Carlinês, muito provavelmente Ab'Dendriel, e mesmo Karzordoon, se aliariam a Eloise. Isso tornaria a posição militar de Thais muito frágil e vulnerável. Fora o fato de que trolls, goblins, orcs, minotauros e outros seres mais poderosos, se aproveitariam disso para ganharem posições estratégicas no Continente e mesmo nas ilhas ao redor Por isso tenho muita esperança que esse tratado em negociação inaugure uma era de convivência pacífica entre Thais e Carlin. Diz Arturos.

    __Também estou torcendo para que as negociações sejam bem-sucedidas.
    Diz Genevieve

    __Ah, e lhes peço um favor, meninos. Diz Arturos. __Jamais comentem, diante de Gregor, o que acabei de lhes dizer a respeito de Mestre Abran. Gregor nem sempre concorda com todas as ações e posicionamentos de Tibianus, mas é um guerreiro extremamente fiel ao Rei. Se ele ficasse ao par de certos pensamentos alimentados por Mestre Abran, as relações entre a Adaga e os Leões Thaianos poderiam azedar.

    __Pode deixar, Mestre Arturos. Eu sou um túmulo.
    Diz Cadi.

    Addae e Genevieve concordam com a cabeça, após a declaração de Cadi.

    Addae então pergunta a Arturos: __Mestre Arturos, o senhor disse que é de Venore, não?

    __Sim, Addae....por que?

    __É que o seu sotaque....não parece muito com o sotaque dos venorianos....

    __Oh, isso....bem, eu nasci em Venore, é minha cidade natal, onde habito atualmente e onde passo a maior parte de meu tempo. Mas acontece que, quando eu era ainda criança, meus pais migraram para Port Hope. Meu pai era marceneiro e se estabeleceu por lá. Tive uma infância e uma adolescência muito felizes. Cresci nadando, velejando e pescando nas belas praias do Oeste de Darama.

    __Sua família ainda mora lá?
    Pergunta Genevieve.

    __Sim. Responde Arturos. __Minha mãe está bem idosa e mora com uma de minhas duas irmãs. Minhas irmãs se casaram e constituiram família em Port Hope. Meu pai infelizmente morreu defendendo a cidade contra piratas. Isso foi na guerra contra Ferumbas e eu estava no Continente de Main combatendo no Exército Real. Ele, apesar de já ser um homem idoso, na época, se juntou aos soldados e habitantes no combate aos piratas. Mas um pirata trespassou seu coração com um sabre.

    Addae diz a Cadi: __Caramba, deve ter sido no mesmo ataque no qual o pai do Struggle morreu...

    __Quem é Struggle?
    Indaga Arturos.

    __É um amigo nosso que também vai para Rook. Responde Addae. __O pai dele era da tripulação do Capitão Bluebear, que estava ancorado em Port Hope na ocasião do ataque dos piratas. O pai dele também morreu defendendo Port Hope.

    __Entendo...
    Responde Arturos. __De fato Bluebear estava em Port Hope na ocasião. Sua tripulação foi de muita ajuda para a guarnição dos soldados e para os habitantes que combateram. Os piratas tiveram informações a respeito do deslocamento de parte da guarnição para Main, para ajudar nos combates contra Ferumbras. Aproveitaram que havia menos soldados e tentaram uma invasão. Conseguiram pilhar algumas casas e lojas e queimar boa parte da cidade. Mas os soldados, auxiliados pelos habitantes e também pela tripulação de Bluebear, conseguiram afungentá-los. Mas muitos perderam a vida na refrega....como meu pai...e o pai de seu amigo.....isso foi obra de Brutus Bloodbeard, aquele miserável...

    __Brutus Bloodbeard....
    Repete Cadi. __Um dos piratas mais sanguinários que já singraram os mares de Tibia.

    __Sim. Continua Arturos. __E o desgraçado ainda traiu sua própria espécie. Ajudou os esforços de Ferumbras, transportando orcs e outras criaturas aliadas pelos mares, na última grande guerra. Quase o tive nas mãos, uma vez, em Liberty Bay. A Adaga tinha informações de que tentaria um ataque por lá. Deslocamos para lá uns 30 guerreiros de nossa guilda. Dos mais fortes. Uma outra guilda de Venore se aliou a nós e contribuiu com mais 20 homens. Nossas informações estavam corretas e Bloodbeard ancorou seu barco em um local isolado, no oeste da Ilha de Vandura. Seus piratas vieram a noite, pelas plantações de cana, tentando pegar os habitantes de surpresa. Mas nós e os soldados da guarnição os esperávamos. Perderam quase dois terços de seus homens. Eu avistei Bloodbeard, protegido por alguns de seus homens de confiança, nos limites da cidade. Eu e alguns camaradas investimos contra eles, mas Bloodbeard conseguiu fugir pelas plantações e alcançou seu barco. Quando chegamos no local onde havia ancorado ele já conseguira zarpar. Escapou por pouco, mas perdeu muitos de seus piratas e não conseguiu pilhar nada.

    __Uau...
    Espanta-se Cadi. __Nunca tinha ouvido e lido sobre este ataque a Liberty Bay.

    __Nem tudo o que acontece ao redor do Mundo de Tibia chega ao conhecimento da população, Cadi.
    Diz Arturos.

    __Qual o nome da guilda de Venore que ajudou a Adaga nessa luta, Mestre Arturos? Indaga Addae.

    __É conhecida como “A Sombra”. Foi fundada por uma dissidência da Adaga. Mas mantemos boas relações e fazemos operações e missões conjuntas. Por ser originária dos quadros da Adaga, temos métodos de espionagem e de combate bem parecidos. Responde Arturos.

    __”A Sombra”....dessa eu nunca ouvi falar. Diz Cadi.

    __Eles preferem manter um certo anonimato. Diz Arturos. __Mas isso é impossível. Acabarão sendo conhecidos. No início a Adaga também queria permanecer secreta, ou discreta, mas sua fama se espalhou...

    __Eles estão enviando discípulos para Rook, este semestre?
    Pergunda Addae.

    __Creio que apenas 3...todos de Venore... Responde Arturos.

    __Mestre Arturos, o senhor é casado???? Pergunta, subitamente, Genevieve.

    Addae e Cadi se espantam com a pergunta de Genevieve.

    Mas Arturos responde com naturalidade: __Sim, sou casado, Genevieve. E como meu pai, tenho 3 filhos. Duas moças que já se casaram e moram em Venore. E tive um filho temporão, mais jovem, da idade de vocês, que aliás está indo para Rook, pela Adaga...

    Addae e Cadi se surpreeendem com o que Arturos afirma.

    __Seu filho tambem está indo para Rook, Mestre Arturos??? Pergunta Addae. __Qual o nome dele?

    __Victor. Será colega de vocês. É um bom menino, pelo menos na maior parte do tempo,hehe...
    Responde Arturos. __Ele está vindo com os outros no barco de Fearless.

    __Que legal.
    Responde Addae. __Espero que possamos nos dar bem.

    __Eu também gostaria que ele fizesse amizade com vocês. Amigos são importantes na Academia.
    Diz Arturos. __ Ele não conhece bem os outros colegas da Adaga que estão indo para Rook. Pelo menos não ainda.Talvez tenha se aproximado deles durante a viagem até Thais.

    O grupo passa diante dos fundos do Grande Templo, na Upper Swamp Lane.

    __Como o Templo é bonito, mesmo visto dos fundos. Diz Genevieve.

    __Sim, realmente. O Templo de Thais é de uma rara beleza. Aquelas duas estátuas representando dois ainur são muito bem feitas... Diz Arturos. __E esses jardins também ajudam a formar um belo conjunto.

    __O Templo de Venore é bonito, também?
    Indaga Genevieve.

    __Bem, acontece que Venore é uma cidade suspensa, na verdade. Construida sobre uma área pantanosa. O Templo não tem saída para os lados, ele se comunica, através de uma escada ascendente, com o nível das ruas. Mas em termos de construção, tem seus aspectos notáveis. Venore tem como característica a riqueza da decoração de suas construções, cobertas de mármores ou outros materiais caros, como também a presença de estátuas. Reflete a riqueza e a pujança do comércio e de outras atividades econômicas da cidade... Diz Arturos.

    __Um dia conhecerei Venore.
    Diz Addae.

    __Conhecerá, sim, Addae. Quando no Exército você provavelmente será desiginado para unidades e postos localizados em outras cidades e vilarejos no Reino. Não ficará apenas em Thais. Diz Arturos.

    A medida que o grupo se aproxima da esquina com a Harbour Street, conseguem divisar um grande prédio, localizado na mesma esquina. Uma placa colocada à porta indica a Arena dos Paladinos. Um arqueiro está postado na entrada, como a servir de sentinela.

    Ao chegarem na entrada, Arturos se dirige ao sentinela: __Bom dia, Irwin...os meninos estão comigo...

    __Bom dia Mestre Arturos...claro, está tudo bem, podem entrar.
    Responde Irwin.

    Após entrarem, Arturos se volta novamente para o vigilante e pergunta: __Irwin...você conhece o René, não? Da minha guilda....

    __Sim, Mestre Arturos, eu o conheço...e ele está aí dentro, se não me engano no salão de treinamentos...
    Responde o vigilante.

    __Ah...ótimo...era exatamente o que eu queria saber...obrigado Irwin.

    Arturos e os meninos entram na Arena. No primeiro salão, algumas mesas e guerreiros sentados, conversando e bebendo. Alguns acenam para Arturos, que os cumprimenta de volta. Outros olham curiosos para os jovens que acompanham o mestre da Adaga.

    Arturos se dirige para um segundo salão, mais para o fundo, onde podem ser vistas mais mesas, mais guerrerros em alegres conversações. O mestre da Adaga se dirige a uma mesa, perto de um balcão,onde uma mulher, de pé, ao lado da mesma mesa, usando uma indumentária de cor verde, e uns adereços na cabeça, como penachos pendendo para trás, convesa animadamente com um grupo de guerreiros.

    Ao perceber a presença de Arturos, ela vem ao seu encontro: __Arturos....o que o trás à minha “humilde” Arena...?

    __Humilde nada, Elane.
    Responde Arturos em um tom Jocoso. __Você e Gregor estão fazendo um excelente trabalho tanto aqui como na Arena dos Cavaleiros....estão de parabéns.

    __Ah...Mestre Gregor...ele e seus leões....gostam da força bruta, mas lhes falta a graça e a elegância de um verdadeiro guerreiro...como um paladino, por exemplo, ahahahahah...
    Diz a mulher.

    __Todo os estilos de luta são úteis, e se complementam. Responde Arturos. __Claro que nada se compara à beleza e à elegância de uma bela mulher tensionando seu arco. Diz Arturos piscando-lhe um olho.

    __Aahahah, Arturos, sempre galanteador...se você não fosse casado....

    __Certamente você teria em mim um pretendente, hehehe. Elane, quero lhe apresentar meus jovens amigos aqui. Estes são Addae....Cadi...e Genevieve.

    __Futuros guerreiros da Adaga?

    __Não...estão indo a Rookgaard pela Coroa.

    __Bem, de qualquer forma serão colegas dos aspirantes da minha guilda...muito prazer meninos...

    __Prazer, senhora!
    Respondem em uníssono os 3 jovens.

    __Por favor...senhora, não. Apenas Elane... Diz a guerreira.

    __Se me permite...errr...Elane...qual o nome de sua guilda? Pergunta Cadi.

    __Os Paladinos de Elane.

    __Poxa...você tem uma guilda que leva o seu nome?
    Espanta-se Addae.

    __Ahahah...não. Responde Elane. __Ao dizer o nome de minha guilda, algumas pessoas pensam o mesmo que você...é...qual mesmo o seu nome?

    __Addae...

    __Pois bem, Addae. Minha guilda foi fundada há cerca de 300 anos . Claro, que, em sendo assim, o nome da gulda não poderia ser uma referência a mim. Já não tenho mais meus quinze anos, mas também não sou tão velha assim, ahahaha.


    Arturos complementa: __Na verdade, a referência ao nome Elane na guilda é uma alusão à filha do próprio Banor, o primeiro ser humano que andou na superfície de Tibia. As tradições orais e escritas dão conta, dependendo dos autores, que Elane teria sido a priimeira paladina a existir...

    __Exato...
    Continua Elana. __Meu falecido pai me deu este nome também em homenagem à Elane original, que teria vivido em Tibia há milênios. Meu pai já foi Grande Mestre da guilda...como também o pai dele. Na verdade minha família é muito ligada à guilda, desde a sua fundação...alguns engraçadinhos gostam de dizer que eu seria a Elane original...mas é brincadeira....

    __A senhora...quer dizer...a senhorita, parece ser bem jovem ainda.
    Diz Genevieve.

    __Obrigada, querida. Mas como eu disse, pode me chamar apenas de Elane...ou mesmo de você. Também não sou bem uma senhorita. Já fui casada. Hoje sou viúva...mas a visão e a pontaria ainda estão em forma....esperem um minuto, gostaria de lhes apresentar duas pessoas...

    Elane se dirige para detrás do balcão, e vai em direção a uma escada localizada na parede dos fundos do salão. Então grita para o andar de cima: __Mirna!!! Jared!!!! Desçam aqui!!!!

    Addae então pergunta a Arturos: __Mestre Arturos, a guilda de Elane só aceita paladinos???

    __A maioria dos componentes é, de fato, composta por paladinos e paladinas. Mas eles têm um corpo de cavaleiros, como também um de druidas e um de magos, que os auxilam em combates e em missões. Responde Arturos.

    __E quando e como o marido da Elane morreu?
    Indaga Genevieve.

    __Bem... A expresão de Arturos fica séria e grave. __Seu marido foi morto por uma terrível criatura conhecida como...Devovorga...uma espécie de demônio...em uma missão....no continente de Zao...

    __Céus...
    Genevieve pressiona as palmas das mãos contra a boca.

    __Oportunamente lhes contarei mais a respeito. Diz Arturos.

    Do andar de cima vem descendo, pela escada, um casal de jovens que atende ao chamado de Elane. Aparentam ter idades próximas às dos tres amigos que acompanham Arturos. O rapaz, trajando uma espécie de armadura de couro, um belo cinto que ostenta uma fivela prateada, calças e botas de bom nível, de cor marrom, tem os cabelos raspados bem rentes nas partes laterais de sua cabeça. Mas na parte superior um grande e volumoso chumaço de cabelos castanhos, da mesma cor de seus olhos, embebidos em uma espécie de gel, formando grupos de fios aglutinados e pontudos, vergados em várias direções. A moça, de cabelos louros e lisos, bem cortados, tocando-lhe os ombros, e com uma franja que lhe chega quase às sobrancelhas, exibe belos olhos zuis repuxados nas extremidades externas. Tem um tom de pele um pouco bronzeado, parecido com o de Genevieve, como a indicar ter vindo, pelo menos recentemente, de alguma região ensolarada. Ela traja uma vestimenta típica dos arqueiros: camisa verde, com uma curta abertura na parte anterior, junto ao pescoço, amarrada por uma espécie de cadarço. A camisa tem um comprimento que alcança a parte superior das pernas. Por isso é presa por um grosso cinto de cor negra. Calças aveludadas da mesma cor da camisa e bonitas botas de pele negra.

    Os três amigos ficam um pouco surpresos com o corte de cabelo do rapaz.

    Elane volta para junto de Arturos e de seus três jovens amigos, trazendo os dois jovens que desceram do segundo andar e diz: __Meninos, quero que conheçam meu filho Jared e sua amiga Mirna. Estão indo para Rookgaard, também, pela minha guilda....Jared, Mirna, estes são Addae e...e...

    __Cadi.
    Diz Cadi.

    __Genevieve. Diz a jovem de Greenshore.

    Os dois jovens aspirantes da guilda exibem um semblante simpático e cumprimentam Addae, Cadi e Genevieve.

    Addae, então, diz: __Jared....tenho a impressão de já ter visto você em algum lugar....

    __Vocês dois também não me são estranhos.
    Diz o filho de Elane, olhando para Addae e para Cadi.

    __Quando você terminou a escola? Indaga Addae.

    __Há dois anos atrás. Mas fiz os quatro últimos anos em Edron.

    __Nós moramos alguns anos em Edron.
    Diz Elane.

    __Claro. Diz, subitamente, Cadi. __Agora eu me lembro. Você foi da nossa turma até o quarto ano. Depois saiu.

    __É. Eu fiz os primeiros quatro anos da escola aqui em Thais. Os últimos quatro anos fiz em Edron.
    Diz Jared. __Eu era da turma de vocês. Por isso vocês me são familiares.

    __Você é daqui de Thais, Mirna?
    Pergunta Geneveve.

    __Eu nasci aqui. Responde Mirna. __Mas fui com dois anos para Liberty Bay, com meus pais. No final do ano passado minha família retornou para Thais.

    __O pai de Mirna faz parte do Conselho dos Mestres dos Paladinos de Elane. Durante a última grande guerra ele foi para Liberty Bay, para representar nossa guilda por lá, ente outras atividades.
    Diz Elane. __Por isso ela não pôde adquirir o elegante sotaque do Thaiano que é falado aqui, na Capital. Em compensação, anos de praias nos trópicos deram a ela um bronzeado invejável. Brinca Elane.

    Mirna ri, um pouco desconsertada, da brincadeira de Elane.

    __Elane...quantos aspirantes vocês estão enviando a Rookgaard? Pergunta Arturos.

    __Fora Jared e Mirna, mais dois. Um de Venore e mais uma jovem, de Edron. Diz Elana. __Aliás, foi bom você lembrar...o navio do Fearless deve estar se aproximando de Thais, segundo informações da administração do Porto, que obtive ontem...preciso ir receber os dois jovens. Vão ficar acomodados, junto com Jared, no dormitório da Arena, aqui no segundo andar. Mirna ficará com seus pais, em sua casa, até o dia da partida para Rook...vou pedir para Galuna fechar a loja lá em cima por algumas horas, e ficar aqui embaixo cuidando do bar, enquanto vou ao Porto...espero que Fearless não se atrase...

    __Ele está bem próximo de aportar, Elane. Um informante da Adaga me disse...
    Diz Arturos.

    __Ah...se vem de um de seus informantes, Arturos, é digno de crédito. Vocês da Adaga são os fofoqueiros mais bem informados de todo o Tibia, ahahahaha.

    Todos riem do que Elane acaba de dizer. Ela então se dirige para uma escada, que leva a uma loja de equipamentos, no segundo andar da Arena dos Paladinos.

    Arturos diz aos jovens: __Vou até o salão de treinos para falar com René...

    __Vamos com o senhor. Diz Addae.

    Todos os cinco jovens seguem Arturos até o salão de treinos, que fica em frente à escada pela qual Elane acabara de subir.


    __Mestre Arturos... Indaga Cadi. __Por que esse prédio se chama Arena, como a Arena dos Cavaleiros? Aqui não há um espaço para duelos, como lá....

    __Acho que, tradicionalmente, tomou o nome de Arena apenas para se contrapor à Arena dos Cavaleiros...
    Responde Arturos.

    __Não é bem assim. Interrompe Mirna. __Na verdade em um passado remoto houve duelos entre paladinos, no local onde atualmente funciona o salão de treinos. Mas os duelos foram proibidos tanto pelo Rei como pela Fraternidade dos Paladinos, pois invariavelmente terminavam em mortes. Hoje existem apenas torneios de pontaria e habilidades à distância.

    Addae, Cadi e Genevieve ficam admirados com o conhecimento demonstrado por Mirna.

    __Hummm... Diz Arturos. __Obrigado pelo esclarecimemto, minha cara. Eu realmente ignorava este aspecto da história da Arena dos Paladinos.

    O grupo chega na entrada do salão de treinos. Da entrada podem ser vistos alvos ao fundo, como também uma estátua parecida com as que estão no salao de treinos da Arena dos Cavaleiros. Um grupo de dois aqueiros e uma arqueira disparam, alternadamente, flechas contra o alvo mais à esquerda. Colocados mas à direita, outro grupo, composto por quatro paladinos, arremessa lanças contra a estátua, que se move em torno de um eixo vertical. Os lanceiros procuram desviar suas lanças do escudo acoplado ao braço esquerdo da estátua e atingir o corpo da mesma estátua. Na direção do alvo mais à direita, Addae e Cadi reconhecem René, parado ao lado de Lana, a filha de Frodo. Lana tenta segurar corretamente um arco. René dá explicações a Lana, enquanto tenta posicionar as mãos e endireitar a postura da jovem.

    Arturos, da entrada do salão, chama seu ajudante: __René!

    René, ao ouvir a voz de Arturos, lhe dirige o olhar e faz uma expressão de surpresa.

    Lana, olhando para trás, ao ver Arturos, Addae, Cadi e Genevieve, fica um pouco desconsertada. Devolve o arco a René, toca-lhe suavemente a face esquerda com sua mão direita, lhe susurra algumas palavras e vai em direção à entrada do salão. Ao passar pelo grupo composto por Arturos e pelos jovens, diz,apressada: __Olá Senhor Belloc...meninos.... E vai rápidamente em direção à saída da Arena, ganhando a rua, em seguida.

    René vem para a entrada do salão. Também cumprimenta os jovens.

    Arturos, com um semblante um pouco fechado, lhe diz: __René...você combinou comigo que estaria na Arena dos Cavaleiros às 11 horas....

    René coça a cabeça e se desculpa: __Me perdoe, Mestre Arturos....eu me distraí...estava passando algumas noções inicias da arquearia para aquela jovem....

    __Aquela moça não é a filha do estalajadeiro e dono do bar?
    Indaga Arturos.

    __Sim...Lana...filha do senhor Frodo. Responde René.

    __René...preciso conversar com você por uns minutos...a sós. Diz Arturos. Depois se volta para os jovens e diz: __Nos deem licença por uns minutos, meninos...já retornamos. Após dizer isso, Arturos toca suavemente no ombro de René, como a pedir que o siga. Os dois se dirigem ao canto posterior direito do salão de treinamentos.

    Alguns arqueiros que estavam na entrada do salão tomam o lugar de René, postando-se diante do alvo mais à direita. Começam a disparar flechas contra o alvo.


    Addae aproveita para conversar mais com Jared: __Jared, vai se especializar em que tipo de combate, em Rook?

    __Combate físico e a curta distância.
    Responde Jared. __Mais especificamente, quero dominar bem a luta com machados. Adoro machados. Acho uma arma incrível.

    __Meu pai desenvolveu uma grande habilidade com os machados.
    Diz Addae. __Mas eu gosto mais das espadas.

    __Seu pai pertence a alguma guilda?
    Indaga Jared.

    __Já foi oficial do Exército Real. Responde Addae. __Hoje em dia é ferreiro e armeiro...

    __Você é filho do armeiro Sam??? Pergunta Jared.

    __Sim...isso mesmo. Responde Addae.

    __Seu pai tem fama de ser um excelente armeiro. Muitos cavaleiros nas guildas o conhecem, muitos pelo menos de ouvirem falar nele. Diz Jared.

    __É...ele fez um nome no mercado de armas. Diz Addae.

    Cadi direciona a conversa para Mirna: __Mirna...pela sua vestimenta, quero crer que você pretende ser uma paladina...

    __Sim...
    Responde a jovem. __Gosto da idéia de poder atingir o inimigo a distância. Olhando para Addae, Cadi e Genevieve, Mirna pergunta: __Por qual guilda vocês vão a Rookgaard?

    __Vamos pelo Exército Real.
    Responde Cadi.

    __Hum...legal. Reage Mirna. Olha para Genevieve e diz: __Você então será uma maga ou uma druideza, não? Se vai pela Coroa....

    __Sim. O Mago Trimegis insistiu com meu pai, para que ele me matriculasse em Rook.
    Responde Genevieve.

    __Nossa...Trimegis em pessoa pediu que você fosse a Rook? Surpreende-se Mirna. __Ele deve ter visto algo especial em você. Sabe, eu acho fantásticas as habilidades de magos e druidas. Fazem coisas incríveis. Já sonhei em me especializar nas artes manais...mas acho que não levo muito jeito. Não nasci com um nível de mana diferenciado. De qualquer forma, hoje em dia adoro atirar com arco e flecha...

    Cadi tenta focar a concersa com Mirna nas habiidades dos paladinos, mas neste momento, Elane desce as escadas trazendo consigo uma jovem de cabelos e olhos castanhos claros, trajando indumentárias parecidas com as suas, mas sem os adereços na cabeça e em tons cinza e vermelho, formando um belo conjunto.

    Elane pergunta: __Onde está Arturos?

    __Está ali no salão conversando com o senhor René, mãe.
    Responde Jared.

    __Bem, Galuna ficará tomando conta do bar aqui embaixo, enquanto vou ao Porto receber nossos aspirantes...ah, Galuna, deixe-me apresentar você a estes três colegas de Jared e de Mirna, em Rookgaard...vão pela Coroa Real...estes são...Addae...Cadi e Genevieve.

    Addae, Cadi e Genevieve cumprimentam Galuna.

    __Olá, meninos...muito prazer...hum, futuros oficiais de Sua Majestade... Diz Galuna. __Algum de vocês pretende se especializar nas artes da arquearia? Galuna, como Elane, tem uma expressão muito simpática e bem-humorada.

    Cadi responde: __Eu !

    ___Hum, este sabe das coisas. Como a Mirna, aqui.
    Elane pousa a mão direita no ombro de Mirna. __Paladinos são a elite dos guerreiros.

    __Há controvérsias.
    Rebate Jared, meio em tom de brincadeira.

    Nisso, Arturos e René retornam para junto do grupo. Arturos tem uma expressão um pouco grave, enquato René transparece um certo constrangimento, como se tivesse ouvido uma espécie de preleção por parte do mestre da Adaga.Mas a simpatia de Elane logo contagia os dois.

    __E então, René...quando vamos organizar aquele torneio aqui na Arena? Indaga Elane.

    __Podemos organizar por esses dias antes da partida dos noobs das guildas para Rook. Responde René, já mais bem-humorado.

    __Mas vamos aumentar os limites das apostas. Interfere Galuna, também animada.

    __Quero voltar logo de Rookgaard para participar desses torneios. Diz Mirna.

    __Eu também. Complementa Cadi.

    __Um dia vocês participarão, meninos. Mas acho que já está na hora de irmos ao Porto, Arturos. O navio de Fearless já deve estar aportando, se é que já não o fez. Diz Elane.

    __Sim, minha cara. Vamos indo.

    __O bar é seu, Galuna. Continua Elane. __Se aparecerem arruaceiros ou outros tipos inconveninentes chame Irwin. Ou alguns de nosso amigos que estão nas mesas.

    __Pode deixar que eu mesma os coloco na rua a pontapés.
    Responde Galuna brincando.

    Todos riem.

    __Mãe...eu e Mirna podemos ir com vocês até o Porto? Indaga Jared.

    __Não vejo por que não. É até bom para que conheçam seus dois colegas de Rookgaard e futuramente, de guilda. Responde.

    Genevieve se dirige a Arturos: __Podemos mesmo ir com o senhor ao Porto, Mestre Arturos?

    __Claro que sim.
    Responde Arturos. __Aliás, estão chegando, com Fearless, aspirantes ao Exército Real, vindos de outras cidades.

    __Entao vamos todos. Diz Elane.

    __________________________________________________ ___

    No próximo dia 6, mais um capítulo, com a quarta parte.
    Última edição por Japixek; 06-12-2015 às 11:36.

  10. #30
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações!

    Capítulos longos xD

    De qualquer forma, muito bom! Meus parabéns! Parece então que teremos uma reunião diplomática de proporções épicas: basta ver o naipe dos figurões chegando em Thais.

    A parte chata: um único errinho de formatação, nessa linha:

    Citação Postado originalmente por Japixek
    O jovem cavaleiro se volta e responde: [i]__Eu o vi, há cerca de uma hora, entrando, com uma jovem, na Arena dos Paladinos.
    Você deve ter tido algum problema quando fez. Pode ter acabado apagando o restante do código antes de postar. De qualquer forma, é só esse o erro e ficou evidente pois todas as demais linhas estavam perfeitamente formatadas. De resto, tudo certo.

    Fico no aguardo do desenrolar desses dois eventos principais: a reunião com os líderes do Continente Principal e a jornada do grupinho a Rookgaard. Achei muito interessante, também, você ter abordado guildas; gostei da "personalidade" das que foram citadas e a forma como elas se veem envolvidas nos assuntos das várias Coroas do Tibia; é mais um diferencial positivo em sua história, e quero ver até onde você vai levar esse gancho.

    De toda forma, estou no aguardo do próximo, e fico feliz em saber que meu feedback está sendo útil. Estou aqui para ajudar

    Precisando de alguma ajuda a mais, minha inbox se encontra disponível para tal.

    Abraço,
    Iridium.

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