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Tópico: O mal se levanta novamente

  1. #11
    Avatar de Japixek
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    Citação Postado originalmente por Senhor das Botas Ver Post
    3 dias que disse que acompanha e até agora não sai a crítica. Tá parecendo eu

    @topic:

    Olá.

    Enfim, bati o olho, dei uma leve lida... Terminarei de ler amanhã, mas não posso garantir que acompanharei.

    De qualquer jeito, se for novo na seção, há um Tópico que contém varias histórias da seção( a sua inclusive já está lá )

    Enfim, boa sorte e vida para ti
    Obrigado por comentar e por relacionar a história, Senhor das Botas.

    Se puder, acompanhe, sim

    Vlws

    Publicidade:

  2. #12
    Avatar de Japixek
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    Capítulo I – A caçada


    -Não, não e não, Addae. Há lobos e animais venenosos lá fora. Vcs não tem experiência em caçadas. Por que não podem aproveitar o feriado de maneira normal, sem perigos? Não podem ver o Bozo diante do Palácio Real? Ele vai fazer uma apresentação aberta ao público...

    -Mas mãe...nós só vamos caçar próximo ao Portão Sul. Não vamos longe. Só caçaremos coelhos e veados, nenhum animal perigoso...

    -Definitivamente não, Addae. Vou falar com seu pai. Adoro o Cadi, é um ótimo menino, mas ele vive querendo te levar para essas caçadas. Ele poderia esperar após a estadia em Rookgaard, onde adquiriria mais experiência e treinamento, para virar um caçador. E outra coisa, vamos receber o gerente da Hanna, o Sr. Augustus, para almoçar. Ele está passando uns dias em Thais e seu pai e eu vamos convidá-lo para que fique hospedado conosco. Vamos precisar que vc ceda seu quarto para ele por uns dias, Addae. Vc pode dormir com o Enzo ou na sala...

    -Aff...eu já sabia...


    Sam aparece na cozinha atraído pela conversa: - O que está havendo Marta? O que Addae aprontou desta vez?

    -Na verdade quer aprontar. Quer ir com Cadi caçar ao sul da cidade, fora das muralhas.

    -Não acho prudente vcs dois iram caçar sozinhos, Addae, diz Sam -Se fosse um grupo maior e com pessoas mais experientes...

    Neste momento alguém bate na porta da sala. Sam vai atender e vê Cadi, mas se surpreende ao ver também o capitão Tim junto a seu filho.

    -Tim, que surpresa! Eu que estava planejando fazer-lhe uma visita na parte da tarde. Só não sabia se vc estaria de serviço. Entrem, entrem. Tudo bem com vc, Cadi?

    -Tudo bem, senhor Sam.

    -Como vai Sam? Hoje Bloodblade me deixou de folga.


    Marta vem para a sala ver quem chegou. – Olá Tim, como estão Rosa e as gêmeas?

    -Estão bem, Marta. As duas já tecem quase tão bem quanto a mãe. Passe lá em casa para ver os belos tecidos.

    -Ah vou sim. Se gostar de alguma coisa comprarei.

    -Bem, Cadi hoje me pediu permissão para ir caçar com Addae.


    -Addae me falou, diz Marta. Eu e Sam não demos permissão para Addae ir, Tim. Julgamos que é muito perigoso para dois jovens inexperientes.

    -Fizeram bem, Marta. Eu também não consenti que Cadi fosse, ou apenas ele e Addae. No entanto, como recebi uma folga neste feriado, resolvi ir com eles.

    -Sério, Tim? Neste caso eu não me importo que Addae vá. Com vc junto deles sinto-me despreocupada.

    Addae abre um sorriso de orelha a orelha: - Que demais, capitão. Com o senhor essa caçada vai ser inesquecível! Addae e Cadi batem nas mãos um do outro em sinal de vitória e não escondem a alegria.

    -Além disso eu tive uma idéia, diz o Capitão Tim. –Por que não vem conosco, Sam? Vc sempre foi um exímio caçador.

    -E-eu? Surpreende-se Sam. –Bem, até que eu gostaria, mas vamos receber um convidado para almoçar e Marta precisa de ajuda.

    -Vá com eles Sam. Hanna me ajudará.
    Diz Marta.

    -Está bem, responde Sam, animado. – Esperem um minuto. Sam sobe para o andar de cima.

    -Aeeeeee, gritam ao mesmo tempo Addae e Cadi. Os dois quase não acreditam que vão caçar com seus pais.

    Em questão de minutos Sam desce, trazendo em uma das mãos um machado, duas rapiers e na outra mão uma mochila.

    -Tomem Addae e Cadi, peguem cada um uma dessas rapiers. Eu ficarei com o machado. Sam coloca a mochila nas costas. –Muito bem, senhores, vamos caçar. Temos que estar de volta na hora do almoço.

    Todos se despedem de Marta. O pequeno grupo desce a City Wal em direção a Upper Swamp Lane. As ruas estava bem movimentadas. Muitos transeuntes acenavam para Sam e Tim, pois os dois eram bem conhecidos na cidade. Addae e Cadi estavam radiantes, respondendo aos acenos pensando que eram para eles

    -Sam, eu trouxe 2 lanças , como também um arco para vc.E algumas flechas, diz Tim.

    -Boa envergadura. A corda está bem tensionada. Vc sempre foi muito habilidoso no arco, Tim.

    - E ele ensinou bem o Cadi, pai.

    -Cadi ainda tem muito o que aprender, brinca Tim, desarrumando o cabelo do seu filho.

    -Nada me escapa em um raio de 100 metros, jacta-se Cadi,

    -Cof cof, brinca Tim,

    Addae e Sam riem.

    -Tim, como vão as coisas na guarda? Pergunta Sam.

    -Bem, na verdade há uma certa apreensão no ar. Há rumores de que os Orcs preparam uma grande ofensiva contra Thais. De fato eles tem sido vistos fazendo movimentações , montando acampamentos dentro das florestas. Tibianus tenta fazer acordos com os elfos e com os anões, para defesa mútua, mas eles até agora não tem se animado neste sentido.

    -E Eloise? Seria prudente que Thais e Carlin esquecessem as diferenças em caso de uma ofensiva Orc

    -Sim,mas neste caso o problema é Tibianus. O velho não consegue deixar de ver Carlin como uma província rebelde sua. Tem muita resitência a sentar na mesa com Eloise, reconhecendo-a como uma soberana aliada. Eu não sei. Entendo que Carlin continua sendo um espinho no orgulho de Thais, mas se Ferumbras se erguer novamente, precisamos lutar lado a lado.

    -Os boatos sobre Ferumbras procedem?

    -Trimegis assegura que, embora ele ainda esteja fraco para um ataque, seu poder se regenera a cada dia. Não gosto nem de pensar na possibilidade de Ferumbras tornar-se novamente uma ameaça. Dizem que Tibianus tem pesadelos a respeito disso. Esse mago perverso deveria ser varrido da face de Tíbia para toda a eternidade...


    Addae e Cadi ouvem atentamente a conversa. Addae interpela Cadi discretamente: -Quem é Ferumbras?

    -É um mago muito poderoso que passou para o lado do mal, responde Cadi. –Ele ambiciona ser o senhor de todo o Tíbia. Já causou uma guerra terrível contra Thais. Nós éramos ainda bem pequenos e ainda não entendíamos, mas a última grande guerra foi causada por ele. Foi derrotado, mas isso custou muitas vidas. Muitos guerreiros lendários e valorosos se sacrificaram para vencer as forças de Ferumbras.

    -Não sei muitas coisas sobre magos.


    -Magos, e também druidas, são guerreiros que tem poderes e manipulam a matéria e energias misteriosas. Não existem muitos no exécito regular de Tibianus, mas há muitos deles nas guildas...

    Tim escuta o que Cadi acabara de dizer e complementa: - Tibianus nunca teve muita confiança em magos e druidas, sempre evitou te-los em seu exército. Mas depois da última demonstração de poder de Ferumbras, ele reviu os seus conceitos. Tanto que hoje em dia a Academia em Rook forma magos e druidas, alem dos cavaleiros e paladinos.

    Ao ouvir a menção a Academia, Addae se entristece um pouco. O grupo finalmente alcança a Harbour Street e o enorme Portão Sul já pode ser divisado no fim da rua. Ao se aproximarem as duas sentinelas no lado interior do Portão se perfilam e uma delas exclama: - Sentido! Os dois soldados ficam em posição de sentido devido à presença de Tim, mas o capitão responde:- A vontade rapazes, estou de folga hoje, eheh.

    Do alto do muro alguém se dirige a Tim: - Olá Tim. Saindo para uma caçada? Era o capitão Walter, chefe da guarda do Portão Sul.

    -Olá Walter. Sim, vou pegar alguns coelhos para o jantar eheh. E como estão as coisas por aqui? Tudo tranqüilo?

    -Sim, nada mais do que alguns gambás que insistem em invadir a cidade ehehe. Dá trabalho enxotá-los. Boa caçada para vcs.


    Ao transporem o Portão, as duas sentinelas do lado exterior perfilam-se e um dos soldados exclama: -Sentido!

    -A vontade rapazes, a vontade...Tim responde com um tom meio gozador.

    Os 4 vão descendo a trilha que conduz às florestas e planícies ao sul de Thais.

    -Acho melhor ficarmos por aqui, diz Tim. –Mais para o sul há muitos lobos e aranhas enormes.

    -Aranhas? Indaga Addae.- Ora, basta pisar nelas.

    -Ehehe, não são aranhas como as que encontramos em casa, filho, diz Sam. – Essas a que Tim se refere são do tamanho de porcos e de ovelhas.

    -Sério? Existem aranhas desse tamanho?

    -Até maiores, responde Sam. –Em Tíbia há aranhas do tamanho de carroças e até comparáveis a mamutes.

    Addae arregala os olhos e nem sabe o que responder. De repente Sam empurra Addae para o lado e grita: -Addae, cuidado! Sam faz um movimento rápido com seu machado e acerta algo com força no nivel do solo. Addae se volta e vê uma cobra decapitada.

    -Ufa essa foi por pouco, diz Sam. -Na floresta é preciso estar com os sentidos atentos. Era uma venenosa.

    -Há muitas delas por aqui, diz Tim. Em seguida põe o dedo indicador a frente da boca pedindo silêncio: - Shhhhhh. Silenciosamente mas com agilidade, posiciona uma flecha no arco. Mira por alguns segundos e dispara. A Flecha corta o ar e se aloja dentro de um arbusto.

    -Pai, o senhor acertou um arbusto? Pergunta Cadi.

    -Arbusto? Ehehe, venha ver Cadi.

    Todos se dirigem para o arbusto. Tim afasta a folhagem e dentro jaz um enorme coelho trespassado pela flecha.

    -Caramba, pai, como o senhor viu esse coelho? Supreende-se Cadi.

    -Não disse que vc ainda tem muito que aprender, Cadi? Tim provoca o filho.

    -Belo tiro, Tim. Não era à toa que nenhum orc se esquivava de suas flechas, diz Sam.

    Tim retira cuidadosamente a flecha e empunha uma faca. –Observem Cadi e Addae, como se tira a pele de um coelho. São valiosas, comerciantes de pele pagam uns bons trocados por elas. Nada se desperdiça. Além da carne saborosa até os ossos podem ser utilizados para a confecção de objetos decorativos e outros fins. É preciso retirar a pele com cuidado, com habilidade, caso contrário pode perder o valor comercial.

    Depois de acondicionarem a carne em um alforje, como também a pele do coelho, o grupo segue pela floresta em busca de mais uma caça. Então Tim bate vagarosamente no ombro de Sam e aponta para sua esquerda. Sam enxerga, através de alguns arbustos, um pequeno veado que parece imobilizado, observando o grupo. Sam coloca suavemente uma flecha no arco, tensiona a corda e faz a pontaria. Espera alguns segundos e dispara. A flecha atinge o veado bem no pescoço e crava no tronco de uma árvore logo atrás, prendendo o animal contra o tronco.

    -Uau!! Belo tiro, pai, diz Addae.

    -Muito bom mesmo, Sam, completa Tim,

    Tim se aproxima do animal que ainda se debate um pouco mas começa a tremer pela perda de sangue. O capitão secciona a jugular do animal com a faca ate que ele desfaleça.

    -Sinto um pouco de pena dele, diz Addae.

    -Não tenha, Addae, diz Tim. -Desde que vc cace para comer, para sobreviver. Nós vamos consumir essas carnes nesses próximos dias...

    Sam empunha o machado:-Deixe-me esquartejá-lo, Tim. Vc vai levar metade dessa peça para sua casa.

    -A caça é sua Sam. Leve-o inteiro para vc.

    -De jeito algum, Tim,, temos um bom estoque de carne em casa, e afinal foi vc quem avistou o veado.


    Sam esquarteja o animal com destreza, sendo observado por todos. Tim então fala:

    -Vendo Sam utilizar o machado com tanta habilidade, não posso deixar de lembrar o episódio no qual ele salvou a minha vida. E foi graças à grande habilidade que ele possui com essa arma

    -Vc teria feito o mesmo por mim, se tivesse a oportunidade, Tim.

    -Conte como foi, pai, diz Cadi.

    -Sim, conte capitão, emenda Addae.

    -Bem, foi há alguns anos quando Sam ainda fazia parte do exército real. Éramos ambos tenentes. Fomos enviados juntos com um destacamento para caçar um bando de orcs que estavam atacando viajantes e caravanas na estrada para Venore. Patrulhamos um bom trecho da estrada por uns 3 dias e nada encontramos. No terceiro dia avistamos uma coluna de fumaça que se erguia a uns dois quilômetros de distância no sentido de Venore. Era um comboio de carroças de comerciantes que ia para Thais pegando fogo. Tinham acabado de ser atacados por orcs. Quase todos mortos e alguns feridos. Quando os orcs nos viram correram para as matas ao sul da estrada. Alguns soldados ficaram no local cuidando dos feridos enquanto o restante adentrou a mata no encalço dos monstros. Os orcs então resolveram se virar e nos enfrentar. Levamos vantagem na luta ini’cialmente. Eram uns 20 orcs contra 12 de nós. Mesmo assim no primeiro embate deitamos uns 8 deles sem nenhuma baixa do nosso lado, fora alguns ferimentos sem gravidade. Os orcs restantes se dividiram em dois grupos e fugiram novamente, se embrenhando ainda mais nas matas. Eu fui no encalço de um dos grupos na esperança de acertar mais uns 3 deles com minhas flechas. Aquilo foi um erro da minha parte. Os orcs usam essa estratégia para atrair os oponentes para locais onde possam ter alguma vantagem na luta ou onde mais deles estão a espera para uma emboscada. Encontrei uma clareira com 3 orcs aguardando a minha chegada. Não me preocupei naquele instante pois acreditava poder derrubar os 3 acertando-os com rapidez a distância. E de fato cravei as flechas nos pescoços de 2 deles. Quando me preparava para acertar o terceiro, no meu campo de visão à esquerda percebi um vulto a cerca de uns 20 metros de onde eu estava. Era um orc lanceiro. Tinha acabado de jogar sua lança sobre mim. Joguei o corpo um pouco para trás na esperança de me desviar da lança mas ela conseguiu atingir meu ombro direito. Não me feriu mas o impacto me jogou no chão e eu soltei o arco. Quando tentei me recompor diante de mim estava um orc berseker pronto para me golpear com um Halberd. Eu estava completamente indefeso no chão e dificilmente sobreviveria. Neste instante um objeto passa veloz sobre mim, vindo de trás, e um machado aparece encravado entre os olhos do berseker. O monstro tremeu, revirou os olhos e caiu morto na minha frente. Foi o Sam aqui quem havia me seguido pela mata e chegou a tempo de me salvar, acertando o orc a distância com seu machado. Os outros orcs fugiram então.

    -Poxa pai, o senhor nunca me contou essa história,
    diz Addae.

    -Ora, bondade do Tim, diz Sam Ele teria feito o mesmo por mim se tivesse tido a oportunidade...o importante é que companheiros de batalha devem proteger uns aos outros...vc vai aprender isso em Rookgaard, Addae...

    -Ah ta, é mesmo...Addae se dá conta do que seu pai acabara de dizer:- O-o q-quê??? Rookgaard?? E-eu?? O senhor está dizendo que...

    -Conversei muito com sua mãe ontem a noite, Addae, diz Sam. -Ela resolveu que, caso vc queira mesmo ira para Rookgaard, ela não se oporá mais. Não foi fácil para ela tomar esta decisão. Chegou a chorar. Mas acabamos concordando que não adianta tolher os sonhos de um jovem. Se é o que vc quer mesmo, filho, nós não vamos impedir...

    -Aeeeeeeeeeeeeeeeeee, Addae pula de alegria e abraça o pai.

    Cadi bate no ombro de Addae e aperta a sua mão, mostrando toda sua alegria: - Estaremos juntos em Rook, Addae!

    Tim também cumprimenta Addae: - Espero que aproveite bem tudo que vai aprender na academia Addae, e que seja um bom soldado! Tim se volta para Sam: -Pode deixar que eu mesmo verei toda a papelada a respeito da inscrição de Addae, Sam. Tudo deve estar resolvido amanhã mesmo, pela manhã. Depois mando Cadi entregar-lhes o comprovante.

    -Obrigado, Tim,
    diz Sam.

    -Obrigado, capitão, Addae também agradece.

    -Bem, diz Sam. -Vamos terminar de acondicionar essas carnes e tomar o rumo para a cidade. Temos um convidado para o almoço..

    -Mas já, pai? Pergunta Addae. –Só abatemos duas peças.

    -Mas foram duas boas peças, Addae, diz Tim. –E em em Rook vc terá muitas oportunidades de caçar.

    O grupo termina de acondicionar as carnes. Sam então se dirige a Addae: - Sabe Addae, vc algumas vezes me perguntou porque larguei a vida militar. Acho que cada um de nós tem que conhecer os seus limites, saber o que consegue ou não consegue fazer...eu me deparei com os meus limites. Um conflito entre obedecer ordens e minha conciência...

    -Como assim, pai?

    -Sam, eu disse a Addae que vc nada tem do que se envergonhar. Kriggel era um sádico. Todos na guarda que souberam do episódio apoiaram a sua atitude. Dizem que até Tibianus soube, e que manifestou simpatia pela que vc fez....diz Tim.

    -Pode ser, Tim, mas naquele momento temi que pudesse me deparar com uma situação parecida uma vez mais, então decidi tomar outro rumo...tenho saudades do tempo do exército, mas não me arrependi...gosto da vida que tenho atualmente...

    -Conte o que houve pai,
    diz Addae.

    -Bem..Sam respira profundamente...-Alguns dias depois daquele episódio dos orcs, narrado por Tim, fui designado para outra patrulha. Tim não fora conosco pois estava de serviço no Palácio Real. Dessa vez um destacamento foi mandado para desmantelar um grupo de goblins que estava assaltando constantemente a agencia postal, também na estrada que liga Thais a Venore. Os goblins já tinham arrombado a agencia mais de 3 vezes, levaram muitas coisas, dinheiro, objetos preciosos, diversas encomendas. Chegamos no momento em que a agencia sofria outro ataque. Eram cerca de 30 goblins e os funcionários se trancaram dentro da agencia, mas não iriam conseguir manter os goblins fora por muito tempo. Éramos 10 soldados e investimos forte contra os goblins que reagiram incialmente com muitas flechadas e em seguida bateram em retirada. Nos os perseguimos pois as ordens eram para acabar com eles. Os goblins se dirigiram aos pântanos e matas ao norte da estrada, evitando os desfiladeiros de Kazordoon, caso contrário os anões é que acabariam com eles. Entramos nos pântanos atrás deles. Não tiveram sorte pois caíram em cima de uma comunidade de trols, que os atacaram. Nós chegamos em seguida e exterminamos praticamente todos os goblins e trols envolvidas na luta, estávamos muito bem equipados e as criaturas não tiveram chance. Mas havíamos penetrado muito nos pântanos e a luta chamara a atenção de um pequeno acampamento próximo de amazonas. Elas vieram com pinturas de guerra empunhando seus arcos e demais armas. Mas ficaram paradas a cerca de uns 100 metros de nós. Demonstravam mais curiosidade do que vontade de nos atacarem. Se déssemos meia volta elas provavelmente fariam o mesmo e não nos incomodariam. O comandante da operação era um capitão chamado Kriggel. Ele e eu éramos os únicos oficiais naquela operação e eu como tenente era o segundo na hierarquia de comando. Kriggel ordenou que atacássemos as amazonas. Ele não estava de todo errado, já que Tibianus ordenara a todo exército que qualquer grupo ou acampamento de amazonas descoberto em terras do Reino deveria ser expulso ou destruído. Tibianus desconfiava das amazonas pois as considerava aliadas naturais de Carlin, mesmo as que não fizessem parte do exército regular de Eloise Eu respeitosamente argumentei que talvez não fosse necessário atacar, uma vez que não havia ultimamente notícias de ataques a cidadãos do Reino perpretados por amazonas. Kriggel enfureceu-se e ordenou novamente o ataque. Atacamos. As amazonas não puderam fazer nada a não ser responder ao ataque. Lutaram com bravura mas não puderam nos fazer frente. Tivemos duas baixas mas depois da refrega o chão estava coberto de sangue, e de cadáveres de belas jovens...elas eram cerca de 20. Os soldados demonstravam uma certa raiva de Kriggel por ordenar aquele extermínio desnecessário. E eu realmente estava me sentindo mal com aquilo. Então percebi perto de uma árvore duas amazonas feridas que se apoiavam mutuamente e tentavam se evadir. Kriggel também as viu e ordenou-me que as matasse. Eu olhei para ele com um sentimento de indignação. Caminhei até elas. Elas perceberam a minha aproximação e se voltaram como que aguardando a execução. Uma delas era bem jovem, praticamente uma adolescente. Uma lágrima começou a escorrer de um de seus olhos. Ela me lembrava Hanna àquela época. Então eu simplesmente disse: Vão, vão embora. Kriggel gritou meu nome furioso e novamente ordenou que eu as executasse. Mas eu apenas fiquei observando elas se afastarem e desaparecerem entre os arbustos. Kriggel veio correndo como se pretendesse persegui-las mas eu me coloquei na frente dele. Ele espumava de raiva mas não teve coragem de me enfrentar. Olhou ao redor e percebeu os olhares de recriminação que partiam dos soldados. Ameaçou a todos dizendo que nos entregaria à corte marcial do Rei por insubordinação. Tudo acabou dando em nada porque os soldados não quiseram testemunhar contra mim. Mas decidi que nunca mais passaria por uma situação como aquela, apenas para obedecer ordens. Paguei uma indenização aos cofres reais e saí da guarda....em suma, foi isso, Addae. Espero que vc,caso se torne de fato um soldado, nunca tenha que passar por isso.

    Addae coloca a mão no ombro de seu pai: -Pai, o senhor agiu corretamente. Não temos que obedecer ordens idiotas e sem sentido. Eu não obedecerei.

    Sam afaga a cabeça de seu filho e sorri.

    -Vc poderia ter continuado, Sam. Faria uma carreira brilhante, diz Tim. –Sabe o que aconteceu com Kriggel?

    - O que houve com ele?

    -Foi designado para comandar uma patrulha em perseguição a dois cyclops que estavam aterrorizando os viajantes para Fíbula, os que utilizam uma passagem subterrânea para a ilha. Bem, um dos cyclops o partiu ao meio...

    -Mesmo? Não soube disso. Lamento, na verdade. Não toleraria mais servir sob as ordens dele, mas também não queria o seu mal...bem, está tudo cortado e empacotado, vamos voltar à cidade...


    -P-pai, o-olhe...Addae aponta para um local a frente de Sam. Um enorme lobo parado os observava e ao perceber que notaram sua presença mostra os caninos ameaçadoramernte.

    -Tem mais um, Sam, diz Tim apontando para a direita do grupo.

    -Addae, Cadi, fiquem atrás de nós, diz Sam, pegando vagarosamente o machado e enrolando um pano grosso que sobrara em volta do antebraço direito.

    Tim levanta uma das lanças que trouxera e finca a parte traseira no solo, inclinado-a levemente na direção do lobo mais à direita. Neste instante os dois animais avançam na direção de Sam e Tim,. Addae e Cadi recuam assustados, tropeçam e caem. Sam levanta o braço direito e um dos lobos pula sobre ele e morde o pano que envole seu braço. Ele então força o animal contra o solo e desfere vários golpes de machado. O outro lobo pula sobre Tim mas cai sobre a lança que estava fincada contra o solo. Ganidos de dor ecoam pela florestas em em questão de minutos os dois animaos estão mortos. Sam e Tim ficam com as vestes cobertas de sangue dos animais.

    -Devem ter sido atraídos pelo cheiro da carne das peças que caçamos, diz Tim.

    -Sim. Esta caçada está saindo bem melhor do que imaginávamos, diz Sam.

    Addae e Cadi ainda tremiam por causa do susto e da cena.

    -Addae e Cadi, levem as mochilas com as carnes cortadas. Eu e Tim levaremos os lobos inteiros nos ombros, diz Sam.

    -Mas não são muito pesados, pai? Indaga Addae.

    -Nós damos conta, Addae. Vamos andando antes que mais deles apareçam.

    Um uivo intenso e profundo, embora um pouco distante, ecoa pela floresta.

    -Que uivo assustador, diz Cadi. -Não se parece com um lobo comum.

    -E não é, filho, diz Tim, -É de um lobo de guerra. Se algum nos alcança estaremos em apuros. Vamos andando.

    O grupo segue rumo ao norte para a cidade. Addae percebe ao longe, para o oeste, uma fumaça que se ergue, indicando algum tipo de habitação ou vilarejo:-Quem mora por lá?

    -É um velho mago, ou druida, não sei bem, que vive isolado em uma cabana, responde Tim.

    Addae pensa consigo mesmo:-Preciso aprender mais sobre magos e druidas.

    Ao se aproximarem do Portão Sul de Thais, o capitão Walter acena de cima da muralha e grita:- A caçada foi boa, hein?

    -Deu para fazer um bom estoque de carne, responde Tim.

    Os guardas posicionados no Portão admiram os dois enormes lobos que são carregados por Sam e Tim. O grupo, ao passar pelas ruas, é alvo dos olhares e comentários dos cidadãos de Thais, admirados também com a visão de Sam e Tim carregando os dois animais abatidos nos ombros. Addae e Cadi se enchem de orgulho por fazerem parte do pequeno grupo.

    Ao passarem em frente a casa de Tim e Cadi, Sam e Addae se despedem deles.-Vcs bem que poderiam almoçar conosco hoje, Tim, diz Sam.

    -Não, que isso, Sam. Vcs já tem um convidado, não queremos lhes dar mais trabalho. Obrigado por partilhar o veado abatido conosco, diz Tim.

    Addae e Cadi apertam as mãos:

    -Cara, estou super feliz em saber que vc também vai para Rook, diz Cadi.

    -Isso aí, Cadi, Estaremos juntos naquele barco! Responde Addae.

    Addae e Sam seguem pela Upper Swamp Lane em direção a City Wall, ainda atraindo muitos olhares principalmente devido ao lobo carregado por Sam.

    Na casa de Sam, Augustos e Hanna estavam sentados na sala conversando quando a porta da frente se abre, e surge uma enorme cabeça de lobo com os dentes a mostra. Augustos dá um pulo de susto e Hanna grita também muito assustada. Mas em seguida aparece a figura de Sam seguido por Addae e o assustado casal entende que se trata de um animal morto e carregado por Sam.

    -Céus, pai, diz Hanna, -Que lobo enorme! Pensei que vcs trariam no máximo coelhos!

    -Q-que magnífica peça de caça, senhor Sam, diz Augustus tentando se refazer do susto.

    -Como vai Augustus? Diz Sam. –É, a caçada superou as nossas expectativas ehehe. –Bem, com licença, vou acondicionar este animal na cozinha. Mais tarde tirar-lhe-ei a pele. Vai se transformar em um belo troféu de parede, um tapete vertical.

    -Olá senhor Augustus, diz Addae.

    -Oh, o-olá Addae, p-parabéns pela bela caçada, Augustus ainda tremia por causa da visão do lobo na porta.

    Addae segue seu pai para a cozinha: -Pai, esse senhor Augustus teria borrado as calças se estivesse conosco no ataque dos lobos.

    -Heheh, é, o universo dele se resume a contas, papiros e pedras preciosas,
    responde Sam

    Marta coloca as mãos na boca para conter alguma exclamação de espanto ao ver o enorme lobo.

    -Sam, diz Marta, -Não pensei que essa caçada seria tão perigosa.

    -Na verdade apareceram dois convidados inesperados, Marta, ehehe. Eu e Tim resolvemos traze-los para casa.

    -Havia mais um lobo??? Espanta-se Marta

    -Sim, mãe, papai e o capitão Tim deram cabo deles, diz Addae.

    Nesse momento Addae abraça fortemente sua mãe – Obrigado, mãe!

    Marta incialmente se surpreende mas logo entende que Sam havida dito a Addae que ela não mais se oporia à sua ida para Rookgaard. Abraça afetuosamente seu filho, uma lágrima escorre-lhe pelo rosto:- Que os céus te protejam, Addae. Se é o caminho que vc quer seguir, seja um bom soldado, e um bom homem também...

    Aquele dia jamais seria esquecido por Addae. Pela caçada e por saber que poderia ir para a Academia, para Rookgaard.


    ᄽ ۩ ۩ ᄿ


    Em breve, o Capítulo II: Struggle, o Rei do subterrâneo.

  3. #13
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    Peço desculpas aos prezados forenses que porventura estavam lendo ou acompanhando esta incipiente narrativa, pelo grande hiato entre o primeiro e o segundo capítulos. Mas problemas de ordem profissional, acadêmica, pessoal e também "computacional" fizeram com que eu ficasse, por um bom tempo, impossiblitado de prosseguir com esta fic. No entanto, nunca a esqueci ou desisti de prosseguir.

    Esforçar-me-ei para que o intervalo de postagem dos próximos capítulos não seja demasiadamente longo.

    Espero que gostem, caso leiam.

    Um grande abraçp a todos






    Capítulo 2 - Struggle, o Rei do Subterrâneo


    _Afaste-se um pouco, Addae, ainda podem pular algumas
    fagulhas...

    Sam bate com força na lâmina contra a bigorna. Algumas
    fagulhas de fato ainda saltam. Em seguida mergulha a lâmina na água, produzindo
    uma pequena coluna de vapor.

    _Hummm, boa têmpera...Sam observa os detalhes, corre
    cuidadosamente o dedo indicador no fio da espada.

    _Ficou muito boa, pai, diz Addae. -Deve valer um bom
    dinheiro.

    _É, responde Sam. -Mas ainda não sei se a ponho à venda ou
    se fico com ela. Sam corta o ar com a espada: -Leve e fácil de manusear...

    Neste momento Cadi entra na loja:-Oi Addae, senhor
    Sam...Addae, vim lá do Palácio e meu pai mandou te entregar o comprovante da
    sua inscrição na Academia. Cadi segura 3 pergaminhos e entrega um a Addae.

    _Que demais, exclama Addae, -Deixe-me ver. Addae desenrola
    seu pergaminho. –Vejam, o selo real. E aqui diz que estou inscrito na Academia.
    E que devo embarcar dentro de 12 dias para Rook!

    Sam coloca a mão no ombro do filho enquanto lê o pergaminho:
    _É, filho. Seu sonho se transformando em realidade...

    _E esses dois outros pergaminhos, Cadi? Indaga Addae, –Um
    deve ser a sua inscrição, mas e o outro?

    _Eu trouxe também a inscrição do Tatius, meu pai pediu-me
    que a entregasse a ele, responde Cadi.

    Então, dois homens entram na loja de Sam. Um com aparência
    de meia idade, com bigode e cavanhaque, vestindo um sobretudo negro e longo,
    chapéu com abas largas caindo para o lado, grossas luvas e botas de qualidade,
    feitas com pele de algum animal raro, e outro mais jovem, trajando vestimentas
    mais simples mas com uma longa capa que lhe chegava aos calcanhares: -Boa tarde
    armeiro, diz o mais velho. –Gostaria de ver o que vc tem aí para vender.

    _Pois não, senhor, responde Sam, apontando para as paredes
    onde podem ser vistos vários tipos de armas expostas. _Tenho espadas comuns,
    sabres, facas de combate, rapiers...tenho coisas mais sofisticadas também
    como...

    O homem interrompe Sam: _ Isso, isso mesmo. Quero armas mais
    básicas, mas em boa quantidade. Comercializo armas mais sofisticadas também, mas
    estou embarcando para Rookgaard dentro de alguns dias. Quero levar um bom
    carregamento para revender ao comerciante local de armas. Ele por sua vez
    revende para a Academia e para os aspirantes. Por isso gostaria que você me
    fizesse um bom preço, que me possibilitasse revender tudo com um bom
    lucro...diz o homem piscando para Sam e enrolando a ponta do bigode com o dedo
    indicador.

    _Bem, diz Sam, coçando a cabeça, _ Posso lhe fazer um bom preço
    dependendo da quantidade que o senhor levar...
    _Vou lhe dizer o que vou fazer, armeiro, diz o homem, -Vou
    arrematar todo o seu estoque de espadas comuns, sabres, rapiers e facas de
    combate!

    Sam surpreende-se:_B-bem, neste caso acho que consigo fazer
    um preço bem em conta por unidade...

    Addae e Cadi olham um para o outro ao ouvirem o comerciante
    dizer que vai para Rook. Addae o interpela: _Desculpe senhor, é que não pude
    deixar de ouvir o senhor dizer que vai para Rookgaard...

    _Sim, meu jovem, diz o homem, _ Mas* por que o interesse? Tem algumas armas que
    possa me vender para que eu as revenda em Rook? Pergunta o homem em tom de
    brincadeira.*

    _Não, senhor. É que eu e meu amigo aqui, estaremos também no
    barco para Rookgaard. Vamos para a Academia.

    _Oh, aspirantes! Mas que honra conhecer futuros guerreiros!
    O senhor retira o chapéu e a luva direita e oferece a mão direita em
    cumprimento: _Arturos Belloc ao seu dispor, cavaleiros. E este é o meu ajudante
    o senhor René Lisek...René sorri e cumprimenta Addae e Cadi com um movimento da
    cabeça.

    Sam faz umas contas e diz:_Bem, senhor Belloc, posso
    vender-lhe as espadas comuns por 50, os sabres por 20, as rapiers por 5 e as
    facas ficariam por 2 moedas de ouro cada uma. É o máximo que posso fazer pelo
    senhor.

    _Feito! Só lhe pediria um favor, armeiro. Poderia deixar as
    armas armazenadas aqui até o dia de minha partida para Rookgaard? Estou
    hospedado na estalagem aqui ao lado e não disponho de muito espaço. No dia da
    viagem contratarei alguns carregadores do porto para levarem tudo ao navio.

    _Acho que posso armazenar sua carga por uns dias,
    responde Sam.

    _Ótimo. Sabe, tenho comercializado mais na rota entre Venore
    e Port Hope, mas vejo que em Thais há boas oportunidades de negócio, também.

    Cadi se dirige a Addae:_Addae vou na taberna do senhor Frodo
    entregar o comprovante do Tatius...

    _Vá com ele, filho. Após acertar tudo com o cavalheiro
    aqui vou encerrar por hoje. Depois passe na loja de Hanna e veja se ela não
    quer sua companhia na volta para casa.

    _Oh, vejo que o jovem aspirante é seu filho, armeiro, diz
    Belloc. _Parabéns, terá um guerreiro na família.

    _É, apesar dos perigos espero que ele seja feliz.*
    _Na verdade em um futuro não muito distante todos estaremos
    em perigo, responde Belloc. _Soldados, aventureiros e pessoas comuns. O mal não
    descansa e o mundo de Tibia ainda vai se defrontar com muitos desafios.

    _É. São os rumores que correm por aí, responde Sam
    laconicamente.

    _Vamos indo então, Addae? Pergunta Cadi.

    _Vamos Cadi. Tchau, pai. Foi um prazer senhor Belloc e
    senhor Lizek

    _O prazer foi nosso, meus jovens, responde Belloc.

    _Até mais ver, rapazes,diz Lizek. _De qualquer modo estaremos
    juntos na viagem até Rookgaard..

    Addae e Cadi se dirigem à taberna de Frodo, ao lado da loja de Sam.

    _Poxa, seu pai faturou uma nota agora, vendendo todas aquelas armas para esse senhor Belloc, diz Cadi

    _Pois é. Por isso que ele vai fechar a loja um pouco mais cedo, hoje. Já ganhou o dia com essa venda.

    _ E aqueles senhores vão estar no mesmo navio, conosco, para Rook. Eles devem ter muitas histórias interessantes para contar. Devem viajar muito comercializando armas.

    _Sim. Vamos pedir depois para eles nos contarem algumas aventuras que possam ter vivido ou presenciado. Adoro essas histórias. Caramba, quero ver se o senhor Frodo vai conseguir fechar a taberna daqui a pouco. Deve estar cheia e às vezes tem uns sujeitos que enchem a cara e para tirá-los dá trabalho. Mas a hospedaria que funciona em cima ele não tem como fechar. Geralmente está cheia de hóspedes e ele tem que continuar cuidando dela mesmo com a taberna fechada.

    Caddi e Addae adentram a taberna de Frodo. A taberna está cheia. Um grande burburinho domina o ambiente. Risos, diálogos e mesmo discussões em voz alta. Cadi e Addae ficam fascinados com aquele tumulto alegre. Dirigem-se para o balcão, onde Frodo percebe a presença dos dois vindo em sua direção e lhes grita:

    _Addae e Cadi, o que os traz ao meu humilde estabelecimento? Bebida? Querem cerveja? Vinho? Frodo dá uma gargalhada. _ Aahahahaha, estou brincando, garotos, sei que vocês ainda são muito jovens para esses prazeres da vida. Mas em que posso lhes ser útil?

    _Bom dia, senhor Frodo,. Diz Addae._ Cadi e eu viemos trazer o comprovante de inscrição do Tatius na Academia, em Rookgaard.

    _Ah! O Tatius estava inclusive falando nisso há pouco. Tatius!!!!!!!!! Frodo dá um berro em direção à cozinha. Addae e Cadi quase levam os dedos aos ouvidos para se protegerem.

    Tatius aparece na porta da cozinha, com um avental e um lenço na cabeça prendendo os cabelos.

    _Addae e Cadi trouxeram algo para você. Diz Frodo.

    _Só um minuto. Tatius retorna para a cozinha e em seguida sai já sem o avental.

    _Trouxemos o seu comprovante de inscrição em Rookgaard, Tatius. Diz Cadi estendendo a mão com um pergaminho.

    _Poxa, obrigado, caras. Eu estava esperando ansioso por este pergaminho. É um sonho que se realiza. A voz de Tatius fica um pouco embargada enquanto desenrola e observa os detalhes do pergaminho.

    _É...vai mesmo para Rookgaard. Frodo dá uns tapinhas no ombro de Tatius. _Embora eu ache que você teria futuro aqui na taberna. Poderia até te dar sociedade no negócio. Bom, mas é o que você quer, não é? Espero que sobreviva. A vida nas legiões do bode velho não é fácil.

    _Quero muito ser um oficial do exército real de Thais, tio. Meu pai também queria que eu ficasse em Fibula e o ajudasse na fazenda, mas meus outros 3 irmãos podem ajudá-lo. Foi difícil convencê-lo a me deixar ir para Rookgaard. Diz Tatius.

    _Sei como é isso, Tatius, Minha mãe também não queria que eu fosse para Rook. Diz Addae.

    _Tatius! Venha me ajudar a virar o pernil. Está pesado! Uma bela jovem, aparentando ser um pouco mais velha do que Addae e Tatius, aparece na porta da cozinha e atrai olhares de vários fregueses da taberna.

    Frodo percebe os olhares e faz uma cara de poucos amigos. Se dirige à jovem e diz em um tom meio baixo: _Volte para a cozinha. Em seguida diz a Tatius: _Tatius deixe que eu guardo este pergaminho para você. Volte para a cozinha e ajude sua prima com o pernil.

    Cadi cutuca Addae discretamente e pergunta: _Quem é aquela moça?Como é bonita....acho que já a vi em algum lugar...

    _É a Lana...filha do senhor Frodo...responde Addae. _Ela terminou a escola uns dois anos antes da gente.

    _Ah...acho que me lembro dela...os caras do último ano eram malucos por ela...

    Tatius se despede de Addae e de Cadi: _Obrigado, Addae e Cadi. Vai ser muito legal estudar com vocês em Rook. Vamos fazer uma equipe lá.

    _Vamos sim, Tatius. O treino lá é duro mas se nos ajudarmos uns aos outros vamos tornar tudo mais fácil. Diz Addae.

    Após Tatius voltar ao trabalho, Frodo se dirige a Addae e a Cadi. _Desculpe o mau jeito, rapazes. É que o trabalho na cozinha é duro e minha filha precisa muito da ajuda do Tatius. Além disso não gosto que fregueses da taberna fiquem lançando olhares sobre ela. Por isso não gosto que ela atenda, aqui, no balcão. Prefiro-a lá atrás, na cozinha.

    Neste instante, adentra a taberna um senhor esbaforido, carregando alguns sacos, malas e um pequeno baú, seguido de perto por uma jovem, baixa, loura e de aparência um pouco frágil, que olha assustada ao redor, na taberna. Alguns fregueses interrompem a conversa para observar o casal. O senhor se aproxima do balcão, pede licença a Addae e a Cadi, para poder pousar as malas e outros objetos no chão, e se dirige a Frodo: _Estalajadeiro, gostaria de um quarto para dois, por favor.

    _Claro, senhor. O senhor está com sorte, tenho justamente um quarto com duas camas, para o senhor e para a sua...ah...Frodo nota que moça é muito jovem, não poderia, provavelmente, ser esposa do homem.

    _Esta é minha filha. Meu nome é Tokel. Sou de Greenshore. Vamos ficar até a partida do próximo navio para Rookgaard.

    _Perfeitamente, senhor Tokel. Meu nome é Frodo. O senhor vai gostar das instalações, aqui. E da comida, também. A diária fica em 20 moedas de ouro.

    _20 moedas de ouro??? Céus, homem. Não pode fazer por menos?? Somos dois e vamos ficar cerca de 10 dias, talvez mais, se o navio atrasar.. Protesta Tokel.

    _Ah...bem...Diz Frodo constrangido e coçando a nuca. _Olha, vou cobrar-lhe 15 moedas de ouro a diária. Não posso fazer por menos.

    _Humpft...resmunga Tokel, pegando um saco preso ao cinto e tirando de dentro duas moedas de cor azulada._Tome duas moedas de platinum. São 200 moedas de ouro. No final você me devolve o que gastarmos a menos nesses dias.Os preços em Thais são absurdos.

    _Obrigado, senhor. Espero que tenha uma boa estada. Desculpe-me a intromissão, mas o senhor é comerciante? O que o faz empreender uma viagem a Rookgaard?

    _Comerciante? Não. Sou agricultor e pecuarista. Na verdade a única viagem que gostaria de empreender seria para Edron, Comprar umas terras férteis por lá e me estabelecer. Quem vai viajar é minha filha aqui. Está matriculada na Academia de Rookgaard.

    Frodo abre os olhos, espantado. Addae e Cadi se entreolham surpresos também, após ouvirem o que Tokel acabara de dizer.

    _S-sua filha? Indaga Frodo. _Tem certeza que ela agüenta o treinamento? Dizem que é muito difícil. Alguns jovens não suportam e desistem. Dizem até que alguns outros perderam a vida no decorrer do curso.

    _Olha, não pense que isso é idéia minha. Acontece que ela tem, digamos assim, alguns dons especiais. Ela toca em animais feridos e esses simplesmente se recuperam em questão de segundos. Uma vez eu caí de uma escada, fraturei a perda direita e após ela tocar no local fraturado, minha perna se recuperou minutos depois.

    _Sei, e por causa disso você vai mandá-la para Rookgaard?

    _Mas é o que eu estou querendo dizer...lá em Greenshore me aconselharam a trazê-la a Thais, para ter uma audiência com Trimegis, o mago supremo de Tibianus...para que ele analisasse o caso dela, falasse algo a respeito desses poderes que ela manifesta e tal...isso foi há cerca de um mês. Trimegis simplesmente disse que eu precisava matriculá-la em Rookgaard, para que ela aprendesse a controlar e a desenvolver essas...essas...habilidades...ele me disse que se tivesse tempo ele mesmo a treinaria e ensinaria....ele ficou muito impressionado com ela. Trimegis disse que a filha dele também está indo para Rookgaard, e que tem hablidades semelhantes às de minha filha. E como o tesouro real vai bancar os estudos dela em Rookgaard, acabei matriculando-a. Voltamos a Greenshore para preparar tudo e agora viemos para aguardar a partida do navio e comprar algumas coisas necessárias para a viagem, aqui em Thais. Mas agora fiquei preocupado com o que vc falou, sobre esse treinamento difícil e perigoso...

    _Bem, senhor Tokel...é que Rookgaard, apesar de ensinar coisas relaitvas às..habilidades de sua filha...é basicamente uma academia militar...ela vai aprender a manejar armas, vai ter treinamentos físicos, etc...

    _Sério?? Trimegis não me disse nada disso. Acho que vamos voltar para Greenshore agora mesmo. Vou ao palácio real devolver este pergaminho que me deram...

    Addae. ao ouvir o que Tokel dissera, intervem. _Senhor...desculpe-me... mas acho que o senhor deveria deixar sua filha ir à Rookgaard. Além de aprender coisas relativas às habilidades que ela possui, um treinamento militar pode ser muito útil...mesmo para ela...

    Tokel se espanta com a intervenção de Addae: _Olha aqui garoto, não pedi sua opinião. Sobre minha filha decido eu. Quem vc pensa que é, afinal?

    _Calma, amigo, diz Frodo. _Este rapaz é filho do armeiro aqui ao lado, um cidadão de Thais conhecido e respeitado...

    _Muito prazer, senhor, meu nome é Addae. Addae estende a mão para o desconfiado fazendeiro.

    Tokel , no entanto, não estende sua mão em resposta e se mostra um pouco desconcertado: _Hum...bem...sei...mas por que você julga que eu deveria permitir a ida de minha filha para uma academia militar?

    Cadi, observando tudo sem se manifestar, leva a mão à testa, como a expressar sua preocupação por Addae se meter na questão.

    Então, Addae responde: _ Bem, senhor...na verdade todo cidadão do reino deveria ter alguma espécie de treinamento militar, ou saber manusear armas...em um futuro próximo o Reino de Thais pode precisar disso...há muitos inimigos do reino por todo o mundo de Tibia. Sua filha adquirir habilidades de combate pode ser útil não só para ela mesma, mas até mesmo para sua família...fora o fato dela poder desenvolver os talentos natos que o senhor citou...

    Frodo então diz: _Hum...sabe que você tem um pouco de razão, Addae? Eu me lembro da última grande guerra, de como Thais foi sitiada por hordas de Orcs insanos, aquelas criaturas asquerosas. Todos os cidadãos em condições de empunhar uma espada foram convocados. Mas a grande maioria não tinha treinamento militar e por conta disso muitos se tornaram alvos fáceis para os orcs e outros seres nojentos aliados deles.

    Tokel, ao ouvir o que Frodo acabara de dizer, dirige o olhar para o chão e parece querer se lembrar de algo: _Sim...é verdade...Greenshore também foi cercada por exércitos de orcs, minotauros, trolls, goblins...minha filha ainda era um bebê, na época...estavam a ponto de conseguir romper a muralha e atravessar os rios que nos protegem, quando finalmente um corajoso destacamento de soldados vindos de Thais rompeu o cerco e conseguiu tirar todos os habitantes. Nos trouxeram para Thais. Aqui ficamos até o fim da guerra. Quando retornamos, Greenshore estava praticamente destruída. Os orcs vandalizaram tudo por lá, queimaram as plantações....o trabalho de reconstrução foi árduo...Tokel dá um longo supiro e diz para Frodo: _ Estalajadeiro, mostre-nos nosso quarto...vamos aguardar a partida do navio para Rookgaard...

    Frodo então diz a Addae e a Cadi:_Addae e Cadi, podem me fazer um favor? Podem ficar aqui no balcão enquanto levo a bagagem do cavalheiro e de sua filha para cima?Tatius parece estar muito ocupado lá atrás...

    _Não se preocupe,senhor Frodo. Diz Addae. _ Eu e Cadi levamos a bagagem do Senhor Tokel e de sua filha para cima. Qual o número do quarto?

    Cadi arregala os olhos, surpreso com o que Addae acabara de dizer: _ L-levamos???

    Addae bate discretamente com o cotovelo direito em Cadi.

    _Fariam isso por mim, garotos? Obrigado. Diz Frodo. _É o quarto número 2. Levem a bagagem do cavalheiro com cuidado. Depois dar-lhes-ei uma pequena recompensa por isso...aqui está a chave...

    Addae ergue o pequeno baú que Tokel trouxera e praticamente o joga nos braços de Cadi, que se esforça para não dizer o que pensa da situação, da verdadeira fria na qual Addae o metera. Por cima do Baú ainda apóia um dos sacos.

    _Leva isso aí, Cadi, eu levo as malas e o outro saco. Diz Addae.

    Addae e Cadi começam a subir a escada que leva ao segundo andar, seguidos por Tokel e por sua filha. Ao chegarem diante do quarto número 2, Addae abre a porta, entra e coloca as malas e o saco sobre uma pequena mesa ao lado de uma das camas. Cadi pousa o baú no chão e o outro saco sobre a outra cama. A filha de Tokel se senta em uma das camas para testar a maciez do colchão.

    _Bem, senhor Tokel, eis o seu quarto, e de sua filha. Espero que tenham uma boa estadia. Diz Addae

    Cadi estende a mão como a pedir alguma gorjeta, mas Tokel o ignora. Cadi faz uma expressão de decepção.

    Tokel apenas diz. _Obrigado, garotos. E me desculpe pelas palavras ásperas lá embaixo, Addae. É que sempre fico meio nervoso quando venho a Thais. É uma cidade cheia de gatunos e vagabundos. A gente nunca sabe com quem está lidando.Digam-me, o que mais sabem a respeito de Rookgaard?

    _Está tudo bem, senhor Tokel. Desculpe-me por interferir na sua conversa com o senhor Frodo. Mas é que eu e o Cadi aqui também vamos para Rookgaard, cursar a academia, com sua filha...por isso não consegui evitar de dar a minha opinião quando ouvi o que o senhor dizia...

    _Vocês também vão para Rookgaard? Por que não me disseram antes?

    _Ele ia dizer, mas o senhor respondeu com duas pedras na mão à interferência dele...diz Cadi um pouco irritado, ainda mais com o fato de Tokel não lhes dar uma gorjeta.

    _Me desculpem mais uma vez...tomem...Tokel tira do pequeno saco preso a seu cinto duas moedas de ouro e dá uma para cada um dos dois amigos, como gorjeta.

    _Obrigado, diz Cadi estampando um sorriso.

    _Obrigado, senhor.diz, por sua vez, Addae. _Sobre Rookgaard...bem, nossos pais estudaram lá, o treinamento é um pouco puxado, mas os professores são bons e dá para fazer o curso sem susto. Basta seguir com atenção as recomendações dos instrutores. Muitas meninas fazem o curso, hoje em dia, e dizem que se saem muito bem. Não fique preocupado por sua filha. O sobrinho do senhor Frodo também vai para a academia. Vamos formar uma equipe na academia e sua filha pode fazer parte. Nós a ajudaremos e a protegeremos. Addae se volta para a filha de Tokel, que a tudo observa, sentada na cama, sem nada dizer, demonstrando ser tímida, mas pelo olhar parece manifestar confiança e simpatia por Addae e Cadi: _Qual é o seu nome...se posso perguntar...indaga Addae.

    _Genevieve. responde a jovem

    Addae estende a mão para Genevieve, que também faz o mesmo em relação a Addae. Então Addae, ao apertar a mão da jovem, faz uma cara de surpresa e bruscamente recolhe a mão. Genevieve se assusta e em seguida abaixa os olhos, como se sentisse envergonhada.

    _Caramba, diz Addae_Quando apertei a mão dela, senti como se uma energia quente emanasse dela e meu braço começou a formigar...Addae olha para a palma da mão:_O corte que sofri ontem ao ajudar meu pai a tirar a pele daquele lobo, desapareceu!

    _É isso que acontece quando alguém toca em minha filha ou quando ela toca em alguém. Diz Tokel _ Por isso a trouxe para que Trimegis a visse.

    Cadi percebe que Genevieve fica mais retraída ainda com o acontecido. Senta-se ao lado dela na cama e lhe diz: _ Isso que acontece com você é um dom, Genevieve. É um privilégio. Não sinta vergonha. Em Rookgaard você vai aprender a controlar melhor seus poderes, e a desenvolvê-los mais ainda. Você vai conhecer outros jovens com a mesma habilidade que você tem, ou parecida.

    Genevieve faz uma expressão mais descontraida, ao ouvir o que Cadi acabara de lhe dizer, e esboça um discreto sorriso, embora ainda mantenha o olhar dirigido para o chão.

    _Ainda levará alguns dias para que o navio no qual viajaremos chegue a Thais e depois parta para Rook. Ate lá, se quiser que lhe mostremos a cidade, Genevieve, podemos combinar um dia desses...diz Addae.

    _Eu gostaria muito...quer dizer...Genevieve olha para seu pai buscando consentimento

    _Tudo bem, mas vejam lá aonde a levarão. Diz Tokel. _Ela foi criada em Greenshore, um lugar calmo e pacato. Thais não é um lugar para camponeses como nós.

    _Não se preocupe, senhor Tokel. Só iremos a lugares seguros e interessantes para visitantes. Thais tem seus encantos também, apesar dos problemas. Afinal é a nossa grande e histórica capital. A jóia do Reino! Diz Addae com uma ponta de ufanismo e orgulho.

    _Sei...Tokel faz uma expressão de ceticismo. _Mas que seja na parte da manhã bem cedo...e quero-a de volta antes do almoço..enquanto isso vou tentar negociar na cidade a venda de parte das próximas safras de Greenshore... vou aproveitar esses dias antes da partida de Genevieve para fazer alguns negócios. Uma coisa Thais tem de bom, é um ótimo lugar para ganhar dinheiro. Dizem, no entanto, que não chega aos pés de Venore, neste aspecto. Mas eu não sou louco de viajar a um lugar como Venore...

    _Então viremos amanhã de manhã te buscar Genevieve, logo depois do desejum.Diz Addae. _Esteja pronta.

    _Esta bem. Responde a jovem camponesa, deixando transparecer uma expressão de alegria.

    _Até logo, senhor Tokel. Bom descanso. Diz Addae.

    _Bom descando, senhor. Diz Cadi.

    _Até amanhá, rapazes. Precisamos mesmo descansar. Diz Tokel abrindo a porta para os dois jovens saírem. _Foi bom conhecer vocês dois. Agora que Genevieve conhece dois futuros colegas de academia fico mais tranquilo por ela. Estava um pouco apreensivo com a orientação de Trimegis.

    _Ela estará bem em Rook, senhor, não se preocupe. Diz Cadi. _Ninguém se mete a besta com os amigos do filho do capitão Tim

    Addae ri do que Cadi acabara de dizer e Genevieve acena para os dois se despendido. A menina parece bem contente com os dois novos amigos.

    Enquanto descem as escadas da estalagem Cadi diz: _ Cara, estava pensando...será que seu pai vai gostar da idéia de você passar a manhã como guia turístico, ao invés de ajudá-lo na loja?

    _Ih, nem tinha pensado nisso. Bom, vou falar com ele hoje no jantar. Acho que ele não vai se opor...eu espero...Addae faz uma expressão de preocupação

    Quando Addae e Cadi chegam no andar de baixo, onde funciona a taberna, Cadi olha para dentro da cozinha, através da porta, procurando ver alguma coisa.

    _Está procurando a Lana? Pergunta Addae em um tom de brincadeira.

    _Err..não..só queria ver como é a cozinha e me despedir do Tatius. Responde Cadi meio sem graça.

    _Sei..hehe....Addae brinca com o amigo.

    De dentro da cozinha, Tatius vê os dois e acena. Cadi e Addae respondem aos acenos.

    _Valeu Tatius, até mais. Diz Addae.

    -Valeu Tatius. Diz, por sua vez, Cadi.

    _Ei, garotos, venham aqui! Frodo os chama do balcão.

    Ao se aproximarem do estalajadeiro, vêem duas moedas de ouro pousadas sobre o balcão.

    _Peguem. Diz Frodo. _Um pequeno pagamento por levarem a bagagem do senhor Token para cima.

    _Opa, obrigado senhor Frodo.Diz Cadi embolsando rapidamente a moeda

    _Valeu senhor Frodo. Diz Addae._Quando estivermos aqui na taberna, se precisar de alguma ajuda nossa, é só falar.

    _Vou ficar feliz quando vocês tiverem idade suficiente para provarem o meu vinho e a minha cerveja, ahahahaha! E virarem clientes da taberna.

    _Quando voltarmos de Rookgaard, já poderemos, senhor Frodo. Diz Addae._Vamos indo, até logo.

    _Até logo senhor Frodo, valeu pelo ouro. Diz Cadi

    Após saírem da taberna, Addae se lembra. _Ih, meu pai pediu para eu acompanhar a Hanna até em casa. vou até a loja dela.
    _Eu vou com você Add....Então Cadi interrompe a fala e olha fixamente para uma praça que fica do outro lado da rua, em frente taberna de Frodo.

    _Que foi, Cadi? Addae olha para a praça e vê Lana, a filha de Frodo, sentada em um banco, conversando animadamente com um cavalheiro.

    _Vamos Addae. Diz Cadi demonstrando certa melancolia

    _Ei, aquele com quem a Lana está conversando...não é o ajudante do senhor Belloc...o senhor Lizek? Indaga Addae.

    _É..parece. Responde Cadi secamente. _Vamos indo...

    _Ele e o senhor Belloc estão hospedados na hospedaria do senhor Frodo. Poxa, o sujeito não perdeu tempo, já está dando em cima da Lana. Addae então se dá conta e se lembra que Cadi ficara interessado em Lana, na taberna. _Ah, que isso, Cadi? Vai ficar chateado? A Lana é mais velha do que você. Você nem a conhece direito, só a via de longe na escola e se lembrou dela na taberna. E vou te dizer uma coisa, ela é do tipo que gosta de brincar com os sentimentos dos outros, os caras ficam se arrastando atrás dela.

    _Como você sabe disso? Indaga Cadi.

    _A Hanna já foi muito amiga dela na escola, apesar de ter sido um ano adiantada em relação a ela. Sempre falava dela lá em casa. Parece que, depois, as duas queriam namorar o mesmo cara e aí a amizade esfriou. Cara, você vai ser oficial do exército real. Quando você voltar de Rookgaard, metade das garotas de Thais vão querer casar com você. Fala sério. A Lana não é pessoa para você.

    _Ah...esquece isso...vamos lá na loja da Hanna. Diz Cadi

    Addae e Cadi vão caminhando pela Main Street. Quando passam em frente à Arena dos Cavaleiros, Cadi aponta para a loja de Hanna e diz: _Veja, Addae, a Hanna já está fechando a loja. Mas o senhor Augustus está com ela.

    _Ah, então ele a acompanhará até em casa. Está hospedado lá, mesmo.

    Hanna e Augustos acenam para Addae e Cadi, que respondem aos acenos. Em seguida o casal segue pela Main Street, no sentido da Muralha Leste.

    _E agora, Addae, o que vai fazer? Pergunta Cadi.

    _Não sei se vou para casa também ou se volto para a loja do meu pai...ei! o que é aquilo?Addae aponta para um bueiro próximo

    _O quê? Pergunta Cadi.

    _A tampa daquele bueiro está se mexendo. Tem alguém ou alguma coisa ali embaixo. Vamos ver.

    Addae e Cadi se aproximam do bueiro. Percebem dedos humanos, vindos por debaixo da grade da tampa, se esforçando para levantarem a tampa. Addae e Cadi ficam observando, curiosos. Após a tampa ser afastada, duas mãos surgem do bueiro. Uma pessoa se esforça para subir. Então aparece a cabeça de um jovem.

    Addae exclama: _Struggle!

    O jovem, só com a cabeça fora do bueiro responde: _E aí, Addae? Beleza? Você pode me ajudar a sair daqui? É um pouco apertado.

    Addae oferece as mãos para ajudar o jovem a subir. _Ajuda aqui, Cadi.

    Cadi coça a cabeça, curioso. _M-mas o que esse cara tá fazendo aí embaixo? Em seguida ajuda Addae e o outro jovem.

    O jovem, bem magro e um pouco sujo, agradece aos dois amigos: _Obrigado, gente...Em seguida bate a poeira acumulada nas roupas. Junto à cintura, amarrados, dois sacos com alguns objetos dentro, por isso a dificuldade de sair do bueiro.

    _O que você estava fazendo aí embaixo, Struggle?? Indaga Addae, surpreso.

    _Fazendo uma pequena fortuna, eheheh. Responde Struggle.

    _De onde você conhece esse cara, Addae? Pergunta Cadi.

    _Da escola, Cadi. Não lembra dele? Estava um ano atrasado, mas é da nossa idade

    _Hummm...você é aquele cara magrinho que surrou aqueles dois irmãos folgados, vulgos Batata e Melancia...agora eu me lembro. Você luta bem. Os dois gordos passaram a ser bem educados, depois daquele dia...acho que não te reconheci por causa dessa poeira toda no seu rosto.

    _É...viviam tirando onda comigo. Um dia me invoquei. Eu sou de boa paz, mas quando pisam no meu calo...mas o Addae aqui é um velho amigo. Me ajudou muito na escola. Struggle bate no ombro de Addae.

    _É..Addae coça a cabeça. _Eu ajudei o Struggle, algumas vezes, nos estudos e nas provas. Ele tinha uma certa dificuldade em algumas matérias. Mas não ajudei taaanto assim, não. Depois ele pegou o jeito nos estudos e se virou sozinho.

    _Que isso, Addae. Se não fosse por você eu teria repetido alguns anos mais de três vezes. Te devo muito, cara. Qualquer coisa que você precise, pode contar com o Struggle aqui...ai!...ai!...ai! Struggle começa a gritar subitamente.

    Vinda de repente, não se sabe de onde, uma moça segura com força e torce uma das grandes orelhas de Struggle.

    _Ai!!! Pare com isso, Aruda!!! Aiii!!! Isso dói!!!

    _Cadê o meu dinheiro, Struggle? Pergunta a moça. _Eu te emprestei aquelas moedas com a condição de que você me pagasse semana passada. Venho te procurando pelas ruas desde então. Hoje você não me escapa. Pague o que me deve!

    Addae e Cadi olham espantados para a cena. Aruda, a jovem para a qual Addae tinha apontado outro dia e dito para Cadi que ela é uma batedora de carteiras, submetia Struggle a uma verdadeira tortura e não largava uma das orelhas do velho amigo de escola de Addae. Addae tenta intervir.
    _Ei! Pare com isso, moça, você o está machucando.

    _Não se metam nisso, vocês dois! Isso é entre eu e ele! Aruda fuzila Addae e Cadi, ameaçadoramente, com o olhar, enquanto com a outra mão pega, em sua bolsa, uma pequena faca de combate. _Se se meterem, vai sobrar para vocês também!

    _Tudo bem, caras. Podem deixar que eu me entendo com ela. Struggle estende as palmas das mãos para Addae e Cadi como a pedir que não interfiram. _Aiiiii...me solta, Aruda...como você quer que eu te pague assim??? Aiiiii. Struggle faz uma expressão de dor.

    _Vai me pagar, então, orelhudo? Agora? Aruda fala rangendo os dentes, junto ao ouvido de Struggle.

    _Vou...vou..me solta..aiiiii...

    _Muito bem, vamos ver. Aruda solta a orelha de Struggle, estende a mão em posição de receber alguma coisa, enquanto coloca a outra mão, a que segura a faca, na cintura e bate nervosamente um dos pés contra o chão.

    _Aiiiii...isso doei...minha orelha....Struggle pressiona uma das mãos contra a orelha vermelha maltratada por Aruda. e continua fazendo uma expressão de dor. _Não precisava fazer isso, Aruda. Eu ia te pagar. Só tive uns probleminhas de caixa, semana passada.

    Aruda permanece na mesma posição, batendo um dos pés contra o chão e olhando para cima, demonstrando impaciência.

    Os transeuntes que passavam pela Main Street observam curiosos a cena.

    Struggle então mete a mão em um dos sacos que leva atados à cintura e retira um punhado de moedas de ouro. Addae e Cadi arregalam os olhos, surpresos por Struggle carregar tanto dinheiro assim.

    _15...16...17...18..19...20. Pronto. 20 moedas de ouro. Está aqui o seu dinheiro, Aruda. Diz Struggle

    _Nananinanão, protesta Aruda. _São 25 moedas de ouro, querido. Você atrasou o pagamento. Tem uns juros em cima.

    _Aff..fala sério, Aruda...juros de 5 moedas de ouro???

    _3 então, e não se fala mais nisso.

    _Aff....Struggle paga as 23 moedas, meio contrariado. _Você é uma verdadeira agiota.

    Aruda conta as moedas e as joga dentro da bolsa. Sua expressão muda completamente, então, e diz para Struggle. _Ora, o que é isso, Strugglezinho? Quantas vezes a Aruda aqui não te livrou de encrencas pelas ruas? Quantas vezes não te ajudei a escapar dos guardas?Já não te emprestei dinheiro em diversas ocasiões? Você só precisa ser mais pontual em seus compromissos e pagar no momento combinado. Aja assim e continuaremos fazendo negócios.

    Addae pergunta a Strugle: _Que negócios são esses que você tem com ela?

    _Ah, umas coisas aí, depois eu conto. Struggle coça a cabeça.

    _Você ainda não me apresentou seus dois amigos, Struggle. Diz Aruda, encostando suavemente o dedo no queixo de Addae

    _Depois dessa cena toda que você fez, e ainda os ameaçando com uma faca...acha mesmo que eles querem te conhecer? Pergunta Struggle.

    _Ora, aquilo era uma pequena reunião de negócios. Há horas para os negócios, e horas para a vida social. É sempre bom conhecer dois rapazes bonitões, assim como eles. Ao dizer isso Aruda desliza suavemente o dedo pelo peito de Cadi, que fica sem graça.

    Addae e Cadi se entreolham espantados com a mudança de comportamento e de atitude de Aruda, após Struggle efetuar o pagamento.

    _Bem, Diz Struggle. _Este aqui é o meu amigo Addae. E ele é o amigo de Addae, o...o...como é mesmo o seu nome, cara?

    _Cadi....

    _Isso, Addae e Cadi, essa é a Aruda. Aruda, esses são Addae e Cadi. Pronto. Agora vamos circular que as pessoas estão nos observando, depois daquela cena que você aprontou....até mais, Aruda. Aliás, até mais,não...eu preciso ainda falar uma coisa com você...

    _Está com vergonha de mim, é? Na hora de me pedir ajuda você não tem vergonha.

    _Não é isso, garota, é que você tem que ser mais discreta. Eu ia te pagar, bastava você ter chegado e conversado direito.Eu estava lá embaixo justamente, em grande parte, por isso...

    _Mas o que você fazia lá embaixo, Struggle?Addae pergunta mais uma vez.

    _Boa pergunta. Diz, por sua vez, Aruda. _O que você fazia lá embaixo?

    _É...depois eu explico. Vem cá Aruda. Preciso falar uma coisa com você. Addae e Cadi, me esperem aqui, por favor, eu já volto

    Struggle segura o braço de Aruda e a puxa, tentado se distanciar um pouco de onde se encontram Addae e Cadi.

    _Aiii! Protesta Aruda. _Está machucando meu braço!

    _Vem aqui por um instante, Aruda. Tenho que falar um negócio com você...

    Struggle finalmente consegue levar Aruda para longe de Addae e Cadi.

    _Cara. Que garota maluca. Por uns segundos achei que ela iria enfiar aquela faca em nossas barrigas. Mas depois do Struggle a pagar, mudou completamente.Diz Cadi

    _É...depois ficou com uma conversa melosa para cima da gente...deve ser bipolar...Diz Addae.

    _E você disse, naquela ocasião, quando a gente a viu de longe, que queira chantageá-la....

    _É...não sabia que ela poderia ser tão perigosa. Agora, nem pensar...

    _Fiquei surpreso ao saber que você é amigo desse tal de Struggle.

    _É o seguinte...minha mãe conhece a mão dele. A história dele é um pouco complicada, sabe? O pai dele era da tripulação do barco do Capitão Bluebear. Mas há muitos anos, quando ele ainda era bem pequeno e o pai dele estava em Port Hope, houve por lá um ataque de piratas. Nessa ocasião o pai dele morreu combatendo os piratas....

    _Poxa, que barra...não poderia imaginar minha vida sem meu pai...esse ataque dos piratas a Port Hope é famoso, meu pai uma vez me contou a respeito. Os piratas invadiram e saquearam a cidade. Foi muito difícil para a pequena guarnição real e para os moradores expulsarem-nos...

    _Pois é...então...aí a mãe dele ficou em uma situação muito difícil. Ela passou a lavar e a passar roupa para fora. Minha mãe contratava os serviços dela. E ainda contrata, de vez em quando. O Struggle às vezes ia lá em casa para pegar e para levar a roupa que a mãe dele lavava a passava para a minha família..foi aí que nós nos conhecemos e passamos a ser amigos...ele é um cara legal...mas sempre teve muita dificuldade na escola. Então em época de prova ele ia lá em casa para a gente estudar junto e eu poder ajudá-lo. Mas ele ficou um ano atrasado em relação a nossa turma. Por isso você não o via muito...ele deve ter terminado a escola agora...

    _Hummm...entendi...poxa, legal da sua parte ajudá-lo nos estudos, Addae. Por isso ele parece gostar muito de você. Mas o que ele faz atualmente?

    _Minha mãe soube, pela mãe dele, que ele estava tentando seguir a profissão do pai dele. Pediu ao capitão Bluebear para integrar a tripulação do navio. Mas a tripulação já estava completa. O capitão prometeu que, assim que surgir uma vaga, iria contratá-lo, em consideração ao pai dele, que o Capitão considerava um ótimo marinheiro. Enquanto espera, acho que está fazendo uns bicos no porto, como estivador.

    _Caramba...estivador..trabalho pesado, e o cara é magrinho...

    _É, mas não se engane com a aparência dele, não. Ele é forte, e bom de briga. Você mesmo já o viu em ação na escola...

    _Verdade, o cara é safo na treta...

    _Só é. Uma vez um fanfarrão do último ano quis se meter comigo no recreio. O Struggle estava por perto, viu tudo e meteu o dedo na cara do sujeito, que afinou. Nunca mais passou perto de mim.

    _Mas e todo aquele dinheiro que ele tem no saco? Trabalhar na estiva dá tanto dinheiro assim?

    _Não. De jeito algum. Aquilo ali ele vai ter que me explicar. Espero que não esteja fazendo besteira pelas ruas. A mãe dele, apesar de ter uma vida de dificuldades e trabalho duro, é uma senhora muito distinta, jamais admitiria isso.

    Addae e Cadi observam, afastados, Struggle e Aruda entabularem uma conversa ríspida. A moça cutuca o peito de Struggle com força, como se o ameaçasse. Depois vai -se embora bufando de raiva. Então, de repente, pára, se volta na direção de Addae e Cadi e com a ajuda da palma de uma das mãos, manda um beijo, à distância, para os dois amigos, e dá um adeusinho com a mesma mão. Finalmente se afasta andando pela Main Street em um requebrado acentuado, atraído olhares dos transeuntes. Struggle volta para onde Addae e Cadi estão, com uma certa expressão de alívio por Aruda ter ido embora.

    _Ufa, aquela garota não é fácil, diz Struggle.

    _Mas como você a conheceu, Struggle? Pergunta Addae. _E que negócios são esses que ela disse ter com você?

    Struggle respira fundo: _Bom, aquilo que ela disse é verdade. Ela já me ajudou algumas vezes . Na verdade foi assim que a conheci. Em um dos meus primeiros dias de trabalho no porto, quando eu estava voltando para casa, dois vagabundos me abordaram na rua, para me assaltar. Era muito tarde, não havia guardas por perto. Eu estava me preparando para enfrentá-los, mesmo estando desarmado. Os caras eram grandes, e não eram de Thais. Então, do nada, Aruda surgiu por detrás dos sujeitos e esfaqueou um deles na perna. Ela é corajosa. O cara começou a gritar de dor e chamou a atenção das pessoas nas casas ao redor, que vieram para as janelas ver o que estava acontecendo. O outro pilantra então deu apoio para o comparsa ferido e os dois saíram andando o mais rápido que podiam, antes que aparecessem alguns guardas, e sumiram pela Sorcerer’s Avenue. Perguntei porque ela tinha me ajudado, ela disse que não suportava covardia e que tinha me achado bonitinho, hehe. Depois disso ficamos amigos.Além do fato dela me emprestar alguma grana de de vez em quando, nas horas de aperto. Ela no fundo é uma boa pessoa. Só que ficou órfã de pai e mãe muito cedo e fugiu do orfanato real.
    Então, teve que se virar sozinha pelas ruas...

    _Ora, mas por que fugiu do orfanato, afinal de contas? Era melhor ter ficado lá do que viver pelas ruas de Thais, diz Cadi.

    _Bem, ela é um pouco geniosa, como vocês puderam constatar, principalmente quando contrariada. E os funcionários reais que cuidam dos órfãos que não conseguem um lar adotivo não são nem um pouco simpáticos com as crianças. Ela diz que não agüentou e fugiu. Responde Struggle. _Tibianus deveria olhar mais para as crianças órfãs de Thais, ainda mais quando elas perdem seus pais ajudando a defender a cidade dos orcs.

    _Os pais da Aruda morreram no grande cerco dos orcs a Thais, na última grande guerra?Pergunda Cadi.

    _Isso, Responde Struggle. _ Eles estavam ajudando os soldados, trazendo água e alimentos para as guarnições que defendiam o fosso ao sul da cidade. Aí um bando de orcs conseguiu atravessar o fosso no exato lugar onde eles estavam. Os soldados acabaram matando todos os orcs depois, mas não conseguiram chegar a tempo de defender os pais da Aruda, que, desarmados, foram mortos pelos orcs. Criaturas nojentas.A Aruda era só um bebê, então foi entregue ao orfanato e nenhuma família quis adotá-la, depois.

    _Poxa, que triste, diz Cadi em um tom desolado.

    _Struggle, eu contei ao Cadi sobre a morte do seu pai, diz Addae.

    _Pois é, Responde Struggle. _ E o rei nem para dar uma pensãozinha à minha mãe, que ficou em uma situação difícil. Meu pai não era um soldado, mas morreu defendendo terras e bens do Reino, contra piratas...

    _É...Diz Cadi. _Tibianus é conhecido por ser um rei mão de vaca...

    _Mas e sobre os negócios que você disse ter com a Aruda, Struggle? Que tipo de negócios? Indaga Addae

    _Então...ela me passava uns objetos para que eu tentasse revender para os viajantes que chegavam de navio...eu achava que eram coisas que ela adquiria ou que davam para ela....coisas tipo peças de vestuário e objetos decorativos...ela dividia os lucros comigo...só que eu fiquei sabendo depois que eram objetos furtados...aí que eu percebei que a Aruda, infelizmente, é uma ladra...por isso que ela estava tão nervosa enquanto nós conversávamos ali adiante, eu disse que não vou mais revender nada...mas eu não quero brigar com ela, pois fora isso ela sempre foi muito legal comigo...

    _Cara, há um tempão que eu venho observando a Aruda e eu já sabia que ela cometia pequenos furtos, principalmente com viajantes e forasteiros que vinham a Thais pela primeira vez...diz Addae

    _E você queria fazer chantagem com ela eheh, diz Cadi

    _Você queria chantageá-la, Addae? Sério? Cara não faça isso. Você não sabe o sofrimento pelos quais ela passou. Diz Struggle._Ela não suportaria passar uma temporada nas masmorras do Rei.

    _Não...tudo bem.Diz Addae_Eu não estava falando a sério quando disse aquilo para o Cadi. Ainda mais agora, depois de vê-la apontando aquela faca para mim.

    _Beleza. Ela no fundo é uma pessoa bem legal. Já me ajudou algumas vêzez a me esconder dos guardas, por causa de umas tretas que eu tive com uns pilantras aí pelas ruas. Os guardas não querem nem saber quem começou a briga, jogam todo mundo envolvido nas masmorras. Eu tenho a esperança de um dia ajudar a Aruda a sair dessa vida das ruas.

    _E por que você estava devendo tanto dinheiro para ela, Struggle? Indaga Addae. _Ela te emprestar algumas moedas de vez em quando, como você já disse, dá para entender, mas 20 moedas??? É muita grana, cara. Para que você precisou de tanto dinheiro?

    _Ah...para comprar isso de um marinheiro da tripulação do barco do capitão Fearless, que faz a rota Thais-Venore. Struggle então puxa 3 objetos metálicos juntos, que estavam embainhados no seu cinto._Facas de arremesso!

    _Uau! Nunca tinha visto antes uma dessas. Diz Cadi. _São muito usadas por piratas e stalkers!

    _Isso! Responde Struggle. _São leves, precisas e bem afiadas. Um bom arremessador se torna um perigo com essas belezocas nas mãos.

    _E para quê você quer essas facas, Struggle? Pergunta Addae.

    _Bem, para encher sacos como esse de moedas de ouro eheh. Struggle sacode um dos sacos presos a seu cinto e produz um tilintar de moedas, indicando que o saco estava cheio delas._Há realmente uma grande fortuna nos subterrâneos de Thais, a espera de sujeitos audaciosos e empreendedores....como o Struggle aqui, eheh.

    _Como assim, Struggle? Pergunta Addae. _Há algum tesouro escondido nas galerias subterrâneas? E por que você precisa dessas facas para conseguir as moedas?

    _Ratos, meus amigos...ratos...há uma fortuna dentro da barriga desses roedores...

    _Como é que é??? Surpreende-se Cadi. _Fortuna dentro dos ratos??? Como assim, cara?

    _É o seguinte...os ratos entram nas casas e nos prédios em geral, fuçando tudo em busca de comida. Mas as pessoas, muitas vezes, e sem perceberem, deixam moedas caírem atrás dos cômodos ou as esquecem em cima das mesas, arcas, etc. Fora as moedas que as pessoas deixam cair nas ruas e que rolam para dentro dos bueiros. Os ratos sentem uma certa atração pelo brilho do ouro das moedas e mordem para experimentar. Alguns ratos as rejeitam de pronto, mas outros acabam engolindo algumas moedas. Como são muito duras para serem digeridas, ficam armazenadas nos estômagos dos dentuços, eheh...

    _Blarghhh. Diz Addae. _Você disseca os ratos em busca das moedas?

    _Claro, basta pensar nas moedinhas de ouro, eheh. Lógico que no início eu tinha um certo nojo, mas já me acostumei. Basta limpá-las com um pano para tirar o sangue e o suco gástrico delas. Quem me ensinou a respeito disso foi o velho Joe Pilastra, um velho estivador que inclusive foi amigo do meu pai há muitos anos atrás. Me ajudou muito quando comecei no trabalho como estivador. Lamentavelmente o velho Joe morreu há um mês, teve um enfarte fulminante quando descarregava um baú muito pesado do navio do capitão Fearless...pobre Joe...mas pelo menos deixou uma pequena fortuna para a esposa e as filhas, ele catou muita moeda ao longo dos anos, pelos subterrâneos de Thais. Eu desci com ele algumas vezes lá embaixo e ele me ensinou como proceder nos subterrâneos...

    _Essa é nova. Nunca ouvi falar nisso, diz Cadi. _ O que eu sempre soube é que se você descer lá embaixo indefeso os ratos te cercam e te devoram vivo.

    _Ah mas com essas facas, quem está indefeso diante de mim são os ratos eheh. É só mirar bem e cravá-las nos ratos. Eles morrem em questão de segundos. Alguns se debatem um pouco mas acabam morrendo também.

    _Mas você tem que ser muito bom com essas facas para não errar um rato a distância. Diz Cadi

    _Outra coisa que o Struggle sempre foi bom, foi em arremessar pedras e outros objetos. Diz Addae._Ele acertava praticamente todo arremesso, e de longa distância.

    _Modéstia à parte, acerto mesmo. Se jacta Struggle.

    _Hum, queria ver sua habilidade com um arco e flechas. Diz Cadi com um certo despeito

    _Posso tentar um dia, mas nunca tive a oportunidade de ter um arco e flechas nas minhas mãos, responde Struggle. _Mas e aí? Vocês topam descer comigo lá embaixo, agora, para eu mostrar a vocês como conseguir moedas de ouro?

    _Caramba, descer aos subterrâneos de Thais? Nunca sequer pensei nisso. Diz Addae.

    _Vamos lá, Addae. Gostaria de ver o Struggle em ação, com essa habilidade toda que você e ele dizem que ele tem . Diz Cadi.

    _Vamos Addae, Diz Struggle

    _Mas deve ser muito escuro lá embaixo...diz Addae

    _Fio...o Struggle aqui pensa em tudo. Struggle puxa um objeto embanhado em seu cinto, na parte de trás, junto às costas._ Tã rãããã...uma tocha

    _Como se acende isso aí? Pergunta Cadi. _Só sei acender os candelabros lá de casa.

    _Facinho...segura a tocha, Cadi.

    Struggle então pega de um dos bolsos da calça, duas pedrinhas. Fricciona uma contra a outra e algumas fagulhas caem sobre o topo da tocha, embebido de um óleo combustível, que Cadi segura,. A tocha se acende com uma pequena explosão, fazendo Cadi se assustar um pouco.

    _Uou...isso queima rápido e alto. Diz Cadi

    _Óleo de baleia de boa qualidade. Trabalhar no porto tem suas vantagens. Você acaba tendo acesso a produtos e coisas interessantes. Diz Struggle._E aí, galera, vamos lá embaixo?

    _Bom, mas não vamos nos demorar muito....já está anoitecendo, e se as ruas de Thais são um pouco perigosas à noite, dá prá imaginar como devem ser os subterrâneos ...Diz Addae ainda demonstrando algum receio.

    _Fica sussa, Addae. Já desci umas seis ou sete vezes. Nós não vamos nos afastar muito do ponto por onde desceremos, assim não damos chance para os ratos nos cercarem. Vou acertar uns dois ou três ratos só para vocês verem como se faz. Aí depois a gente pode passar a descer juntos e vamos fazer uma grande fortuna. Diz Struggle.

    _Sem chance, Struggle. Prefiro encontrar outras maneiras de ganhar dinheiro sem ter que abrir barrigas de ratos. Só vou agora por curiosidade e porque o Cadi tá insistindo. Diz Addae

    _Tá. Peraí, deixa eu dar uma olhada em volta. Diz Struggle. _Se houver guardas por perto não vai dar para a gente descer. Eles dizem que é proibido, mas é mentira, não há lei alguma proibindo as pessoas de descerem às galerias subterrâneas.

    _Eles fazem isso para não deixarem as pessoas correrem perigo lá embaixo. Há muitas histórias a respeito de pessoas que desceram, e nunca mais voltaram...Diz Cadi. _De vez em quando descem alguns pelotões de guardas para matarem alguns ratos e evitar uma explosão demográfica de roedores em Thais, e também para procurar restos mortais de infelizes que desceram...mas vamos descer logo, as pessoas estão reparando principalmente em mim, com essa tocha acesa na mão..não há nenhum guarda por perto...

    _Beleza, vamos descer por aquele bueiro ali perto, o mesmo por onde subi..Diz Struggle.

    Os 3 rapazes se aproximam do bueiro. Struggle segura a tampa e a afasta um pouco para o lado, em seguida diz para Cadi: _Me dê a tocha, Cadi, eu vou descer na frente e vocês dois me sigam. Lá embaixo eu passo a tocha de novo para você. Não se preocupem porque há uma escada neste bueiro, é fácil descer e subir...

    Struggle começa a descer, devagar inicialmente porque os dois sacos presos a sua cintura tornam a abertura do bueiro um pouco apertada para ele, mas logo desaparece pelo buraco e a tocha emite uma luz tênue que chega à superfície, onde ainda estão Addae e Cadi.

    _Vai você agora, Cadi, Diz Addae

    _Eu acho que alguém está com medo, brinca Cadi com seu amigo, enquanto começa a descer.

    _”Vambora”, rápido, antes que apareçam guardas, diz Addae tentando disfarçar a apreensão.

    Após Cadi descer, Addae se enfia no buraco tentando alcançar os degraus superiores da escada. Recoloca a tampa do bueiro no lugar, para não chamar a atenção de curiosos ou guardas, e vai descendo devagar até alcançar o nível do pavimento subterrâneo.

    _Caraca, que lugar sinistro, diz Addae tentando acostumar a vista com a penumbra, sob a luz da tocha que Struggle segura.

    _Segura a tocha, Cadi, diz Struggle._ Mantenha-a em uma certa altura para iluminar melhor.

    _Vejam, ratos mortos ali adiante, Diz Addae apontando para um ponto mais adiante do túnel, no sentido oeste, debaixo de uma espécie de arco de pedra que dá sustentação às galerias.

    _Fui eu quem os matou, Addae, antes de subir, naquela hora na qual vocês me viram sair do bueiro , Diz Struggle.

    _E esse segundo saco que você tem preso à cintura, Struggle? Indaga Cadi. _Não parece conter moedas, como o outro...

    _Ah, aqui tem iguarias...queijo de boa qualidade...

    _Comprou onde? Pergunta Addae.

    _Não comprei...achei aqui embaixo, como achei as moedas...

    _Como assim?? Espanta-se Addae. _Queijo nas galerias subterrâneas??

    _Ora, ratos adoram queijos...se são capazes de engolir moedas de ouro, imaginem se não engoliriam queijos...

    _P-pera aí, cara, v-você está nos dizendo que você...Gagueja Cadi

    _Você pega queijos de dentro dos ratos, como as moedas??? Completa, espantado, Addae

    _Caras, é só raspar a camada superfiicial, a que já tenha entrado em contato com o suco gástrico do bicho. No interior o queijo fica conservado e limpo, pode comer tranqüilo...

    _Blaaaargh...fala sério, Struggle! Assim eu acabo vomitando...Diz Addae com uma expressão de repulsa._Já deve ser nojento retirar as moedas de dentro dos ratos...agora, retirar queijo e ainda comer???

    _Cara, sobrevive quem sabe usar os recursos disponíveis.. Diz Struggle _Se Thais sofrer outro cerco dos orcs, no futuro, todos nós vamos ter que não só comer os queijos que estão dentro dos ratos, como também comer os próprios ratos...

    _Deixa eu provar um queijo desses, Struggle, Diz Cadi

    Struggle abre o saco dos queijos, retira um pedaço e o entrega a Cadi.

    _Blarghhhhhhhhhh...fala sério, Cadi. Você vai comer isso?
    Cadi morde o pedaço de queijo, mastigando vagarosamente para sentir o sabor: _Hmmmm...bom...queijo de boa qualidade

    _Esses ratos sabem onde encontrar coisa boa, Diz Struggle

    Cadi parte com a mão o restante do queijo e oferece um pedaço a Addae: _Prova aí, Addae. Tá gostoso esse queijo...

    Addae vira o rosto para o outro lado e mostra as palmas das mãos para Cadi._ Nem pensar , cara. Não como isso aí nem que a vaca tussa...

    _Tá bom. Cadi dá de ombros. _Como eu então...Cadi abocanha o restante do queijo: _Smack! Hummm...um suquinho de uva cairia bem agora, junto com esse queijo...

    _Bom, e os ratos? Vai matar mais alguns para a gente ver, Struggle, ou vamos embora? Indaga Addae um pouco impaciente, sentindo um certo desconforto por estar nas galerias escuras.

    _Vamos caminhar um pouco, com certeza encontraremos alguns adiante. Mantenha a tocha no alto, Cadi, Diz Struggle.

    Os 3 jovens vão caminhando pelas galerias. Subitamente, Addae aponta para adiante e diz:_Olha ali . parecem dois olhos brilhando

    _E são olhos..olhos de ratos. Struggle retira as facas de arremesso da cintura e posiciona a lâmina de uma delas entre o dedo indicador e o polegar da mão direita_Vem ratão, tenho algo aqui para você...

    Saindo da penumbra e se posicionando de forma que a luz da tocha o atinja, o rato encara os 3 amigos, não parecendo ter medo

    _O-olha o tamanho desse rato, Impressiona-se Addae _ I-isso é um rato ou um cachorro??

    _E esse não é dos maiores. É um rato comum. Espera só até você ver um rato das cavernas, Diz Struggle, dobrando o braço direito para trás, sobre os ombros, tentando se colocar em posição de arremesso _Mantenha a tocha alta e firme agora, Cadi...

    Então os pelos do rato se eriçam e o roedor se lança sobre os 3 rapazes.

    Struggle respira fundo e arremessa a primeira das facas. Ela acerta em cheio o corpo do rato logo atrás da cabeça. O roedor emite um grande guincho de dor, treme um pouco e desfalece.

    _Ca...ra...ca. Bro, que arremesso sinistro. “Tu mandou” bem demais. Admira-se Cadi.

    _Poxa...você detona com essas facas, Struggle. Arminha perigosa essa...Diz Addae.

    _O Struggle aqui é o terror dos subterrâneos, hehe. Se “aprocheguem” do rato. Ilumina bem aqui, Cadi.

    Struggle pega de volta a faca que estava encravada no dorso do animal. Vira o rato cuidadosamente de modo a que a barriga fique para cima. Em seguida, com a mesma faca que atingiu o roedor, começa a fazer uma incisão no abdômen do rato. Afasta os tecidos superficiais e começa a remexer nas vísceras.

    _Blargh...na boa...que coisa nojenta, Diz Addae
    _Pense nas moedas de ouro e você perde o nojo, Diz Struggle. Ele localiza o estômago do rato e começa a cortá-lo: _Este aqui está com o estômago cheio, bem promissor ...uuuu que maravilha...4 douradinhas. Struggle limpa o sangue das moedas com um pano que leva preso ao cinto. _Struggle o rei do subterrâneo, intrépido arremessador e caçador, fica com duas, Cadi, o homem da luz, fica com uma e meu amigão Addae fica com uma, apesar do nojinho, Brinca Struggle _Hummm, e tem um queijinho também. Struggle raspa a camada superficial do queijo e o oferece aos dois companheiros._Alguém quer um pedaço de queijo? Este aqui é de boa qualidade, queijo fino, com ervas. Este rato freqüentava casas de bacanas...

    _Não, obrigado, Responde Addae, mostrando a palma da mão na posição vertical para Struggle e fazendo uma careta de desgosto.

    _Me dá um pedaço aí, Diz Cadi

    _Isso aí, Cadi. Você conseguiria sobreviver em uma situação de emergência, Diz Struggle, enquanto parte o queijo em dois pedaços e entrega um a Cadi.

    _Smack..hmmm...bom mesmo, você deveria experimentar, Addae...sério. Diz Cadi, meio em tom de brincadeira, para mexer com o amigo.

    _Dispenso, cara, bom apetite para vocês dois, responde Addae

    _Smack...hmmm...rapaz, eu gostaria de saber onde este rato achou o queijo. Queiinho bommm...Diz Struggle, também querendo mexer com Addae

    Então Addae bate no ombro de Struggle, que estava agachado examinado o rato abatido: _Não quero atrapalhar o lanche de vocês dois, Struggle, mas tem alguma coisa se movendo ali adiante...

    _Façam silêncio, diz Struggle se levantando _Levante mais a tocha , Cadi, para podermos ver um pouco mais adiante, Continua Struggle, em um tom baixo.

    Uns ruídos, como se gravetos estivessem sendo arrastados no solo de terra batida da galeria, vão se aproximando, no escuro, no sentido do campo de iluminação causado pela tocha segura por Cadi . Então, dois olhos passam a refletir a luz das tochas, em um tom de cor avermelhado e assustador. Da penumbra, um rato enorme, bem maior do que o primeiro, com o pelo eriçado e uma corcunda proeminente, salta para a luz e corre em direção aos 3 garotos.

    _Meeeeeeeeeeeeeeeep!!

    _Ih, o que é isso, que monstrengo é esse ??? Indaga Addae assustado, se colocando em uma posição atrás de Struggle

    _Rato das cavernas! Mantenha a tocha bem alta, Cadi! Diz Struggle, empunhando uma das facas na mão direita e já se colocando em posição de arremesso.

    Cadi se assusta com o tamanho do rato das cavernas, treme um pouco mas consegue manter a tocha em uma posição elevada.

    Struggle arremessa a faca, mas ela passa rente à corcunda do rato e se crava no pavimento de terra da galeria, um pouco atrás do enorme roedor, que continua vindo rápido contra os 3 amigos.

    _Merda!! Exclama Struggle

    _Vamos correr!!! Grita Addae entrando em desespero e recuando, a medida que o rato avança.

    Mas Struggle, com rapidez, arremessa uma segunda faca, que acerta a pata direita dianteira do rato, que fica preso ao pavimento, emitindo guinchos altos de dor, tentando se soltar. Struggle, então, posiciona a terceira faca na mão, mira por alguns segundos e arremessa, acertando o roedor logo atrás da cabeça, no dorso do animal, quase o decapitando. O rato desaba, morto, contra o pavimento.

    Addae também desaba, sentado, no pavimento, se refazendo do susto: _Cara, que bicharoco é esse? Nunca vi um rato tão grande!

    Cadi se aproxima do animal, posicionando a tocha, para melhor observar o rato. Ainda tremia um pouco nas mãos: _Sinistro, caras, sinistro. Nunca imaginei que essas coisas enormes caminham embaixo da gente, nos subterrâneos da cidade

    _Galera, vocês tem que ter mais sangue frio numa situação dessas. Não podem se desesperar. Diz Struggle. _Eu ainda tinha mais duas facas para arremessar.

    _Mas e se você errasse os outros dois arremessos? Pergunta Addae

    _Bom, aí vocês poderiam mesmo ficar desesperados. Mas eu dificilmente erraria os outros dois arremessos. Além disso, ainda teríamos o recurso de encarar o bicho na mão, Responde Struggle

    _O quê??? Encarar esse ratão vitaminado no tapa??? Tá falando sério?? Indaga Addae, perplexo.

    _A gente tem que se virar com o que se tem a mão, ou com o que não se tem, no caso. Diz Struggle.

    _Abre o rato, Struggle, Diz Cadi

    _Não quer abrir este grandão você mesmo, Cadi? Pergunta Struggle, enquanto caminha para pegar a faca que ficara encravada no pavimento, após o arremesso que falhara.

    Cadi então pega a faca que estava encrava na pata direita do rato. Arranca também a que estava no dorso do animal. Em seguida, vira o rato de barriga para cima e fica observando, como se analisasse para decidir qual a melhor maneira de abrir o animal. Entrega a tocha para Addae: _Ilumina bem aqui, Addae.

    Addae aproxima um pouco a tocha do rato morto

    Cadi começa a fazer uma incisão no roedor. Tem um pouco de dificuldade, pois a pele do rato das cavernas parece ser dura, mas aos poucos consegue fazer um grande corte cobrindo todo o abdômen do animal. Afasta a pele e tenta localizar o estômago:_Onde é o estômago deste bicho? Tem tanta tripa aqui dentro...

    Struggle aponta um órgão marrom caído por debaixo de algumas vísceras: -Ali, aquela espécie de bolsa marrom...

    Cadi levanta e apoia com um dos dedos o órgão e começa a cortá-lo. _Opa...tem moeda aqui...uma...duas....duas moedas, uma para mim outra para...para...Cadi fica indeciso se dá a outra moeda para Struggle ou para Addae.

    _Pode ficar com essa aí, Addae, eu já catei muita moeda hoje, Diz Struggle

    _Valeu, Responde Addae abrindo a palma da mão para receber a moeda de Cadi

    Cadi continua examinado o estômago do rato:_Tem queijinho aqui também...Retira o queijo e, do mesmo modo que vira Struggle fazer, raspa a camada exterior do queijo:_Não quer mesmo provar, Addae? Pergunta Cadi aproximando a mão com o queijo de Addae.

    _Não, não..., Responde Addae _Dividam o queijo vocês dois...

    Cadi divide o queijo em duas parte e joga uma para Struggle.

    _Hmmm...esse queijo é daquele tipo macio, que se usa para fazer doce de queijo...muito bom..smack! Diz Struggle

    _Smack....bom demais. Diz Cadi. Em seguida examina mais um pouco o estômago do rato: _Ei...tem uns negócios se mexendo aqui dentro...

    _Deixa eu ver. Diz Struggle._Opa...são vermes...isso aí para usar como isca em pescarias é uma maravilha. Os peixes mordem logo. Struggle mete os dedos no estômago do rato e retira dois vermes que se contorcem. Em seguida os coloca no saco no qual leva as moedas, para não ter que colocá-los no saco dos queijos.

    _Impressionante....Diz Addae. _ Vocês degustam queijos tirados de barrigas de ratos, com os mesmos ratos abertos e com as tripas expostas, além da presença de vermes vivos que saem das mesmas barrigas...vocês tem estômagos fortes...eeeeeeeeeeeeeepa o que é isso???? Addae se abaixa rápido, para não ser atingido por um vulto alado que passa rente a sua cabeça.

    _Morcegão! Diz Struggle, já pegando a faca que estava na mão de Cadi e juntando-a às outras duas, em sua mão. _Cuidado que são agressivos. Levanta essa tocha Addae, para a gente poder ver melhor.

    Addae, ainda assustado, ergue a tocha, olhando para todos os lados, procurando ver o morcego que acabara de dar um rasante sobre ele. De repente, o morcego aparece de novo dentro do campo de incidência da luz da tocha, voando em círculos sobre as cabeças dos 3 rapazes.

    _Sai desgraça! Grita Cadi, se agachando e tentando proteger sua cabeça com as mãos.

    Addae movimenta a tocha tentanto afungentar o morcego com a chama. Novamente o morcego desaparece na escuridão.

    Struggle então diz: _ Mantenha a tocha levantada Addae, ele vai voltar e nos atacar de novo. Eu preciso ter uma boa visibilidade para acertá-lo. Sangue frio, cara, não se mexe.

    _Vai acertá-lo em pleno vôo??? Pergunta Addae.

    Mas Struggle não tem tempo de responder. O morcego retorna e mergulha sobre os 3 amigos. Addae, nervoso e assustado, não consegue manter a tocha levantada e se agacha, juntamente com Cadi, mas Struggle mantém-se ereto e apenas joga o corpo para o lado para evitar ser atingido pelo mamífero alado. Assim que o morcego passa pelo trio, antes que consiga voar novamente para a escuridão, Struggle arremessa uma das facas e acerta em cheio a asa direita do animal, prendendo-o contra uma das paredes laterais da galeria. O morcego emite alguns ginchos estridentes e se debate, mas está irremediavelmente preso, pela faca de Struggle, à parede.

    _Ah moleque, irado esse arremesso! Entusiasma-se Cadi.

    _Caramba..*****rtou mesmo o morcego em pleno vôo...Surpreende-se Addae.


    Struggle, antes de dizer qualquer coisa, arremessa outra faca contra o corpo do animal, que estremece um pouco e então desfalece.

    _Precisava matar o bicho, Struggle? Pergunta Addae

    _E o que você queria que eu fizesse, Addae? Pergunta de volta Struggle. _Se eu soltasse o morcego da parede ele continuaria nos atacando. Uma vez, quando eu desci às galerias com o velho Joe, fomos atacados por dois morcegos que não conseguíamos afugentar de jeito algum. Tivemos que correr para a saída mais próxima e um dos morcegos conseguiu pousar nas costas de Joe e mordê-lo. Sorte que ele não contraiu nenhuma doença devido a isso. Além disso, o morcego tem algo que me interessa.

    _Não vai me dizer que vai tirar algo da barriga do morcego...Diz Addae

    _Da barriga, não. Responde Struggle. _Vou cortar-lhe as asas. Os viajantes que embarcam para Edron, no porto, pagam uns trocados por elas, pois as revendem para os magos da Academia que existe lá.Struggle então secciona as asas do morcego na altura dos ombros do animal e as coloca no saco das moedas, para não colocá-las no saco dos queijos. Em seguida retira a faca que prendia o corpo do morcego contra a parede e o animal morto desaba no chão, sem as asas.

    _Descer aqui tem sido uma experiência macabra, Diz Addae, um pouco incomodado com a cena.

    _Calma, Addae, já vamos subir. Diz Struggle. _Deixa só eu conferir um negócio mais adiante. Eu estava a ponto de ver o que era na descida anterior, agora há pouco, quando vim sozinho, mas justamente um morcego começou a dar rasantes em cima de mim, eu resolvi sair fora. Provavelmente era este mesmo morcego que matei agora. Me empresta a tocha um pouco.

    Struggle, já com a tocha, caminha no sentido oposto ao bueiro por onde ele, Addae e Cadi desceram às galerias. Addae e Cadi vão seguindo-o. O trio chega a uma espécie de esquina subterrânea, onde duas galerias em direções perpendiculares se cruzam.

    _Foi por aqui que eu tinha visto aquilo, um objeto com um brilho dourado. Mas então apareceu o morcego e eu me mandei porque seria difícil acertá-lo segurando a tocha ao mesmo tempo, Diz Struggle.

    _Ali, bem no meio do cruzamento! Diz Cadi, apontando para frente.

    _Isso! Diz Struggle, se aproximando do objeto e iluminado-o bem com a tocha. Em seguida apanha o objeto e o contempla _Vejam, é um candelabro. Muito bonito, banhado a ouro. Pode-se levar até 4 velas ao mesmo tempo. Muito útil para iluminar lugares como este. Posso também conseguir um troco vendendo-o no porto ou pela cidade

    Então Cadi fica intirigado com algo e pede silêncio: _Vocês estão ouvindo isso?

    _Isso o quê? Indaga Addae
    _Shhhh, Insiste Cadi _Ouçam...

    Addae e Struggle então conseguem ouvir uma série de ruídos parecidos com o andar dos ratos, como gravetos sendo arrastados pelo chão. Mas os sons não parecem se aproximar deles. Era como se estivessem sendo emitidos de um lugar fixo, não indicando algum tipo de deslocamento pelas galerias.

    _Está vindo de lá, Diz Cadi, apontando no sentido esquerdo da galeria que cruza a outra, na qual os garotos estavam.

    _Acho melhor a gente dar o fora, Diz Addae

    _Peraí, deixa só eu dar uma olhadinha no que está acontecendo ali adiante, Diz Struggle

    _Cara, a chama da tocha está ficando fraca...Insiste Addae

    Mas Struggle não responde e apenas caminha em direção à fonte dos ruídos, erguendo a tocha para tentar enxergar melhor. Cadi e Addae o seguem. Então, uma cena horrível surge diante dos 3. Um corpo humano estendido no pavimento, com vários ratos devorando-o. Os ratos erguem seus olhares para o trio de amigos e seus olhos refletem a luz da tocha em um tom avermelhado ameaçador. Neste momento a chama da tocha se apaga.

    _Corram!!!!!!!!!!!!! Grita Struggle

    Cadi e Addae, apavorados, correm no escuro tentando alcançar o cruzamento das galerias para voltarem à galeria por onde desceram. Mas a escuridão era total

    _Onde está a galeria por onde viemos??? Grita pavorado Addae.

    _Apalpem a parede direita para encontrarem o cruzamento!!!! Grita, por sua vez, Struggle

    _Meeeeeeeeeeeeeeeeep!!!! Guinchos estridentes indicam que os ratos se põe em perseguição aos 3 apavorados garotos

    _Os ratos estão vindo atrás de nós!!!! Grita Cadi

    _Aqui!!!! Achei!!! Diz Addae em voz alta. _Vamos correr até o bueiro!!!!

    Ao entrarem na galeria do bueiro por onde desceram, conseguem divisar um pouco distante a luz tênue que vem de cima, indicando a localização da escada. Mas quando já estão bem perto percebem, contra a fraca luz, a silueta de um rato, que se coloca entre eles e a escada. Addae pula por cima do rato, que tenta morder suas botas. Struggle também consegue saltar por cima do roedor, mas quando chega a vez de Cadi, o rato consegue fincar seus dentes na bainha da calça. Cadi então cai, tentando chutar o rato com a outra perna, mas o animal não o larga. Struggle volta e chuta o roedor com violência, fazendo com que finalmente solte a bainha da calça de Cadi e seja projetado a alguns metros de distãncia, caindo perto do grupo dos ratos perseguidores, que avançam rápido, pela galeria, contra os 3 amigos.

    _Sobe Addae, rápido!!! Remova a tampa do bueiro!!!! Grita Struggle

    Addae sobe a escada o mais rápido que consegue, mas ao tentar deslocar a tampa do bueiro, percebe que há alguém em cima dela, na rua.

    _Tem alguém de pé, em cima da tampa do bueiro, Diz Addae se desesperando.

    Cadi, subindo a escada logo abaixo de Addae grita: _Alôôô, você aí, sai de cima do bueiro, tem gente aqui embaixo!!!!!

    Struggle, abaixo dos dois, começa a ser atacado pelos ratos que cercam a base da escada. Se defende chutando os ratos e desferindo ataques com uma das facas de arremesso na mão esquerda, enquanto se agarra à escada com a mão direita. Então tenta passar a faca para Cadi e grita: _Passe a faca para o Addae, diga a ele para espetar o pé do sujeito que está em cima do bueiro, para que percebam que estamos aqui embaixo!!!

    Mas,subitamente, a tampa do bueiro é removida por alguém da rua e Addae é puxado, com rapidez, para cima.

    Cadi sobe rápido para a saída e é auxilidado por alguém que lhe estende a mão através da abertura do bueiro.

    Struggle então tenta subir rápido mas dois ratos pulam e lhe mordem a bota e a calça esquerda. Ele chuta violentamente os ratos com o pé direito e consegue fazê-los cair mas ao mesmo tempo sente que alguém segura fortemente a gola de sua camisa e o puxa para fora do bueiro, com certa força a ponto dos sacos que carrega com o ouro e os queijos quase se soltarem de seu cinto e cairem de volta no bueiro. Quando se vê finalmente na superfície, Struggle constata que quem o puxara para fora do bueiro, como tambem a Addae e a Cadi, foram dois guardas.

    _Não sabem que é proibido descer às galerias subterrâneas? O que faziam lá embaixo? Pergunta um dos guardas, com modos um tanto rudes.

    Struggle retruca: _Não é proib....

    Mas é interrompido por Cadi, que toca em seu braço, para que silencie, e assume a conversação com os guardas:_Errr...seu guarda...é que deixamos cair um saco de moedas no chão, aqui na rua e várias das moedas rolaram e cairam no bueiro, através das grades...por isso descemos até lá para recuperá-las...

    O outro guarda então toca levemente no braço do parceiro e diz, em tom baixo, mas ainda assim os 3 garotos conseguem ouvir: _Este aí é o filho do Capitão Tim...

    Ao ouvir isso, o guarda que falava aos rapazes muda de atitude: _Errr...bem...vejam bem, garotos, as galerias são um lugar perigoso, há ratos, morcegos e até aranhas do tamanho de porcos lá embaixo. Dessa vez eu vou deixar passar, mas caso eu os flagre novamente nas galerias, ou tentando descer, vou encaminhá-los a um oficial da Guarda. Fui claro?

    _Sim, senhor! Responde Cadi

    _Muito bem, agora recoloquem a tampa do bueiro no lugar. Em seguida o guarda se dirige às pessoas que se aglomeraram em volta, para ver o que estava acontecendo: _E quanto a vocês todos, voltem aos seus afazeres, não está acontecendo nada que seja do seu interesse...circulando...circulando!

    Quando os 3 amigos começam a se afastar também, após recolocarem a tampa no lugar, Addae indaga a Struggle:_Aquilo que o guarda falou é verdade?? Tem aranhas do tamanho de porcos lá embaixo?

    _O velho Joe uma vez me disso isso, que existem sim aranhas enormes nas galerias. Responde Struggle._ Mas disse também que elas ficam em uma espécie de buraco, em algum lugar daquele labirinto .Eu nunca vi uma, nem quando descia com o Joe nem quando passei a descer sozinho...

    Addae bate com a palma da mão contra a testa, com uma cara de espanto: _Caras, lugar sinistro essas galerias. Na boa, nunca mais desço lá. Aquela cena dos ratos devorando aquele corpo, depois encarando a gente e em seguida nos perseguindo....

    _É...dessa vez foi tenso, nunca um grupo de ratos me perseguiu dessa maneira. Diz Struggle. _A situação mais difícil que eu já enfrentei foi naquela vez que eu relatei, quando eu e o velho Joe fomos perseguidos por dois morcegos. Quando eu passei a descer sozinho nunca me afastei muito do bueiro por onde eu entrava, justamente para não me ver cercado por essas criatura do subterrâneo...dessa vez eu quis ver o que era aquele objeto dourado...mas valeu a pena, um belo candelabro, Struggle retira o candelabro do saco e fica admirando-o.

    _Ainda bem que o guarda engoliu a sua história, Cadi, e nos liberou. Diz Addae

    _Pois é, Responde Cadi. _Mas vocês ouviram o outro guarda dizer que sabia que eu sou filho de um capitão da Guarda....por outro lado não pega bem para o meu pai eu ser pego nessas situações...mas tudo bem, eu gostei pra caramba de ter descido lá embaixo, foi emocionante, e você manda bem demais nas facas de arremesso, Struggle. Cadi bate no ombro de Struggle.

    _Não é? Jacta Struggle. _Essas facas de arremesso são massa. Se vocês quiserem, eu tento comprar umas para vocês lá no porto. De vez em quando desembarcam uns marinheiros ou viajantes oferecendo essas e outros tipos de facas.

    _E aquele sujeito morto lá embaixo? Pergunta Addae. _Será que não deveríamos ter contado aos guardas sobre isso?

    _Não dava para contar aos guardas sobre isso, Addae, Responde Cadi. _Não naquele momento. Eles acabariam fazendo mais perguntas e veriam que a minha história era falsa. Não liberariam a gente. Capaz até de quererem saber o que tem nesses sacos que o Struggle leva. Mais tarde eu falo com o meu pai e ele manda um destacamento descer para recolher os restos mortais do infeliz. Ele deve ter descido lá meio desamado e os ratos o cercaram. Aí, babau. Esse candelabro aí que o Struggle pegou devia ser dele, para iluminar as galerias. Pobre coitado...

    _Mal posso esperar para embarcar para Rookgaard, Diz Addae. _Quero aproveitar ao máximo o treinamento e adquirir habilidades com armas....

    Struggle faz uma cara de surpresa ao ouvir isso: _R-rookgaard??? Você vai para Rookgaard? M-mas sua mãe não dizia que jamais permitiria?


    _Ela cedeu, Struggle. Responde Addae. _ Ainda tem redeios mas acabou deixando....Addae não deixa de pereber uma expressão de tristeza no rosto de Struggle e continua. _O Cadi aqui também vai, vamos ser colegas de turma em Rook.

    _Nunca pensou em ir para Rook, Struggle? Pergunta Cadi. _Aposto que você se tornaria um excelente arqueiro ou lanceiro, com essa habilidade sua em arremessos. São todas modalidades de ataques a distância.

    _Não...Responde Struggle com uma expressão de desânimo. _Eu já me comprometi com o capitão Bluebear a integrar a tripulação do seu navio, assim que houver uma vaga...vou seguir a profissão que foi do meu pai...

    Addae continua percebendo um tom de melancolia em Struggle.

    Quando os 3 amigos passam pela esquina da Sorcere´s Avenue com a Harbour Street, Struggle diz:

    _Addae, não quer subir lá em casa e fazer uma visita a minha mãe? Ela sempre fala de você. Ela ficaria feliz em te ver.

    _Claro. Há muito tempo que eu não vejo a Dona Inge. Vamos lá.

    _Venha também, Cadi. Diz Struggle._Quero mostras a vocês uns objetos interessantes que comprei ou achei no Porto. Muita coisa legal passa por lá sendo embarcada ou desembarcada dos navios.

    _Isso, vamos lá, Cadi. Insiste também Addae.

    _Beleza, tô nessa. Responde Cadi.

    _Só uma coisa, galera, Diz Struggle _Se a minha mãe perguntar de onde vem essas moedas e os queijos, por favor, não contem a ela sobre o subterrâneo, os ratos, etc. Ela pensa que eu ganho essa grana e compro os queijos fazendo bicos no Porto além do horário normal de serviço. Ela ficaria desesperada se soubesse que eu desço nas galerias de Thais e a respeito de como consigo essas coisas.

    _Pode deixar, Struggle, não falamos nada a respeito. Diz Addae.

    _Tá limpo, cara. Tá no esquema. Responde, por sua vez, Cadi.

    Os 3 entram em um prédio grande, de dois andares e muitos apartamentos. Sobem para o segundo andar. Dos apartamentos podem ser ouvidas discussões e até brigas. Addae e Cadi se assustam com o burburinho que vem dos apartamentos.

    _Ah esses vizinhos mal-educados....Diz Struggle. _Por isso minha mãe sonha em se mudar para uma casa.

    Chegando diante de seu apartamento, Struggle bate levemente na porta enquando a abre e fala, dirigindo-se para dentro do imóvel: _Oi mãe, cheguei. Trouxe visitas.

    Addae e Cadi entram logo após. Pedem licença respeitosamente. Na sala do pequeno apartamento, uma senhora passa roupa em uma tábua armada ao lado da mesa de centro, onde estão pousadas pilhas de roupas, enquanto em um canto uma outra senhora, bem idosa, se balança suavemente em uma cadeira de balanço, tricotando.

    _Olha só quem está aqui, mãe. O Addae...Diz Struggle

    A rosto da mãe de Struggle se ilumina, e ela exibe um belo sorriso, ao ver Addae: _Oh, olá Addae. Que bom revê-lo. Como estão as coisas em casa? E sua Mãe? E Hanna? E o pequeno Enzo?

    _Está tudo bem, Dona Inge. E com a senhora?

    _Ah, muita roupa para lavar e passar, Responde a senhora, com bom humor. _O que é bom, afinal de contas. Aliás prometi a sua mãe que passaria lá amanhã para pegar uma trouxa de roupas.

    _Pode deixar que eu passo lá e pego, mãe. Diz Struggle.

    _Mas você entra no serviço do porto muito cedo, Phineas, Retruca Dona Inge.

    Cadi faz uma cara de espanto, cutuca Addae e pergunta discretamente: _Phineas?????

    _É....Responde Addae, quase sussurrando. _É o nome dele...Struggle é só um apelido...

    _Ah...Cadi faz um esforço para não rir.

    Addae se dirige à mãe de Struggle: _Pode deixar que eu trago a trouxa amanhã, Dona Inge. Eu passo aqui quando estiver indo para a loja do meu pai.

    _Não vai te atrasar, Addae? Pergunta a senhora.

    _Não. Pode deixar. Eu entrego a trouxa aqui para a senhora.

    _Obrigada, então, Addae.

    Struggle diz, apontando para Cadi: _Mãe, este aqui é o Cadi, amigo do Addae.

    _Muito prazer, Cadi. Não repare toda essa roupa aqui na sala.

    _De jeito algum senhora. É um prazer conhecê-la.

    Struggle chama os dois amigos para junto de si, perto da senhora sentada na cadeira de balanço.

    _Cadi, esta é a minha avó, Vovó Uda. Oi Vovó Uda. Este aqui é o Cadi, amigo do Addae.

    A senhora para de tricotar, ergue os olhos, de um azul profundo, e esboça um sorriso simpático. Sem nada dizer, acena com a mão direita para Cadi.

    _Tem 110 anos, Cadi, Diz Struggle.

    _Sério??? Surpreende-se Cadi. _E ainda consegue tricotar, incrível. Muito prazer, senhora. Diz Cadi acenando de volta.

    _Ela tricota coisas maravilhosas, Diz Struggle.

    _É verdade, Diz Addae. _Minha mãe já comprou várias peças dela. Olá Vovó Uda, tudo bem??? Addae acena para a avó de Struggle.

    _Mãe, vou no quarto mostrar umas coisas para o Addae e o Cadi...

    _Está bem, a sopa está pronta, quando quiser jantar...e se Addae e Cadi quiserem jantar conosco, serão muito bem-vindos à mesa...


    _Obrigado Dona Inge, mas eu e o Cadi já deveríamos estar em casa a essa hora. Nossas mães vão ficar preocupadas se demorarmos mais ainda. Diz Addae

    Cadi também agradece o convite, Os 3 se dirigem ao quarto de Struggle.

    Quando entram, uma expressão de deslumbramento toma conta dos rostos de Addae e Cadi. No quarto de Struggle, espalhados pela mesa, pela estante e pendurados nas paredes, armas e objetos raros.

    _Ca-ra....olha só isso. Entusiasma-se Cadi.

    _Olha esses banners...esses aqui...com figuras de caveiras...Diz Addae.

    _Essas armas penduradas...olha só...um machado de mão...e esse aqui...um machado pequeno...massa! Diz Cadi.

    A gente consegue encontrar e comprar muita coisa no Porto. Os viajantes vendem ou dão uma porção de objetos para os estivadores, Diz Struggle._Vejam esses livros.

    _Almanaque de botânica....livro de receitas...livro de orações...poxa, você tem uma biblioteca interessante aqui...livros raros e caros, difíceis de conseguir, Diz Addae

    _Olha essas mochilas! Aponta Cadi.

    _Essa azul vem de Edron, Diz Struggle _Essa verde, o cara que me vendeu disse que é usada pelos elfos...

    _Sério? Indaga Addae.

    _Sério...essa dourada disseram que veio daquele reino, naquele continente, onde tem um deserto, esqueci o nome...Anca...Anta...

    _Ankrahmun, Diz Cadi

    _Isso...isso aí...Fala Struggle

    _Muito legal a sua coleção, Struggle....valeu por nos mostrar. Trabalhar no Porto tem suas vantagens.Eu vou nessa que a minha mãe deve estar precupada, Diz Addae.

    _Sua coleção é irada, cara, Diz Cadi. _Quisera eu ter uma assim. Também vou indo.

    _Valeu, pessoal. Qualquer coisa que vocês quiserem lá do Porto, falem comigo, que eu corro atrás. Circula muita coisa interessante por lá.Diz Struggle.

    Quando os 3 saem do quarto, a mãe de Struggle, que acabara de por a mesa para ele jantar, insiste mais uma vez: _Não querem mesmo ficar para o jantar, meninos?

    _Obrigado, Dona Inge, mas temos mesmo que ir. Fica para uma outra vêz. E amanhã cedo eu trago as roupas para a senhora. Diz Addae.

    Então Dona Inge faz uma pergunta a Struggle: _Phineas, você passou no Palácio Real para ver o resultado do seu pedido de matrícula, em Rookgaard?

    Ao ouvir isso, Struggle faz uma cara assustada, e tenta dizer a sua mãe, por gestos, que não falasse sobre isso na frente de seus dois amigos.

    _Você pediu matrícula para Rook, Struggle? Surpreende-se Addae.

    Struggle neste momento se senta em uma cadeira, respira fundo, e diz com a cabeça baixa: _É...eu pedi...hoje de manhã passei no Palácio para ver a lista dos pedidos aceitos...havia um tenente com uma lista na mão, ele perguntou o meu nome, ele disse que eu não constava da lista e que portanto tivera o pedido recusado...

    Um silêncio toma conta da sala.

    Então Addae diz:_Por que não nos disse isso, Struggle?

    _Não queria que vocês soubessem...ainda mais depois de me dizerem que vão para Rookgaard...Responde Struggle, melancólico.

    Dona Inge se apieda de seu filho, e lhe acaricia os cabelos: _Meu pobre Phineas. Isso não há de ser nada. E você ainda pode tentar por pelo menos mais uns dois anos. Ainda terá idade para ser aceito.

    -Não, mãe. Não vou tentar mais. Eu queria entrar para o Exército porque assim eu poderia me fixar em alguma cidade e poderia ficar mais perto da senhora e da Vovó Uda, para cuidar de vocês duas. Na marinha mercante eu terei que viajar sempre e ficar longe durante muito tempo, por muitas vezes.Mas parece que o meu destino é seguir os passos do meu pai. É uma vida até interessante, mas não vou poder ficar perto da senhora e da vovó, que precisam de mim...me alistar como um simples soldado eu não quero. Como membro da tripulação do capitão Bluebear eu ganharei muito mais. Pelo menos não deixarei que a senhora e a vovó passem necessidade, mas estarei distante a maior parte do tempo...

    Então Cadi, inesperadamente, diz: _Struggle, venha comigo. Agora. Vamos lá no Portão Leste da cidade falar com o meu pai.

    _C-como? Falar com o seu pai? Surpreende-se Struggle.

    _Sim! Continua Cadi, _Meu pai é capitão da Guarda e tem delegação real para inscrever alunos na Academia, em Rook. Basta ele querer. Se você tivesse falado antes já teríamos ido lá. Mas ainda dá tempo. Ele ainda deve estar lá na guarnição. Vamos, eu vou pedir por você.

    _M-mas...

    _Grande idéia, Cadi. Entusiasma-se Addae. _O Capitão Tim com certeza vai ajudar o Struggle.

    _Isso não vai lhe causar problemas, Cadi? Pergunta Dona Inge.

    _Não se preocupe, Dona Inge. Não vou sair de lá sem que meu pai ajude o Struggle. Diz Cadi, _Vamos, cara, levanta, vamos lá no Portão Leste. Diz Cadi puxando Struggle pelo braço.

    _Vamos Struggle, rápido, Insiste tambem Addae.

    _E-está bem, Diz Struggle se levantando e já demonstrando alguma esperança.

    Os 3 se despendem de Dona Inge, saem rápido do prédio e correm em direção à Muralha Leste de Thais. Cruzam a Harbour Street e em seguida pegam a Upper Swamp Lane até chegarem, ofegantes, à The City Wall. Se aproximam rápido do Portão Leste.

    Cadi fala com um dos guardas da guarnição interna do Portão: _Sou o filho do capitão Tim. Preciso falar com meu pai

    _Está bem, pode subir. Diz o guarda.

    Quando Addae e Struggle fazem menção de seguir Cadi, o guarda se coloca na frente deles e pergunta: _E vocês, quem são?

    Cadi responde por eles: _Estão comigo. São meus amigos.

    O guarda coça o queixo e diz: - Hummm...está bem, podem subir também...Faz um gesto com a mão indicando que passem.

    Os 3 sobem uma escada e alcançam o segundo andar do torreão que reforça a Muralha Leste. Se deparam com uma sala onde descansam e conversam vários soldados, trajando pesadas armaduras e elmos. Os guardas olham curiosos para os 3 garotos.

    Cadi então diz a Struggle e a Addae: _Fiquem aqui. Vou entrar na sala do capitão e conversar com meu pai a respeito do seu caso, Struggle. Não acredito que vá demorar muito. Em seguida eu chamo vocês.

    _Está bem, responde Struggle.

    _A gente aguarda, Cadi. Vai lá. Diz Addae.

    Passam-se alguns minutos. Addae e Cadi observam o recinto onde se encontram. Lanças, espadas, machados, aparentemente bem pesados, apoiados em cavaletes enconstados nas paredes.. Guardas que entram e saem, sobem e descem do último andar do torreão, no nível mais alto das muralhas.

    Então Cadi aparece na porta da sala do capitão e chama seus dois amigos: _Struggle, vem cá...vem você também, Addae...

    Addae e Struggle adentram a sala do capitão. Há mais soldados e alguns oficiais lá dentro. No fundo da sala, sentando diante de uma pesada mesa, o Capitão Tim despacha e emite algumas ordens para um grupo de soldados. Quando vê os 3 garotos, faz um gesto com a mão para que se aproximem

    _Ihhhh, ferrou...Diz Struggle em voz baixa,batendo com a mão na testa

    Addae, ao seu lado, ao ouvir isso, pergunta: _O que foi,Struggle?

    _O pai do Cadi. Diz Struggle em voz baixa. _Uma vez eu me meti numa briga de rua. Os soldados prenderam todos os que estavam envolvidos na treta e nos levaram a presença de um oficial, no Palácio. Adivinha quem era o oficial. O pai do Cadi, ali. Ele até que foi legal, não colocou ninguém nas masmorras, mas deu um esculacho geral. Se ele se lembrar da minha cara, babou...

    _Fica frio, Struggle. Responde Addae. _O Capitão Tim é gente finíssima. Ele não vai levar isso em conta, se é que vai se lembrar de você.

    Ao se aproximarem da mesa do Capitão Tim, ele faz um gesto para que Struggle se sente em uma cadeira próxima à mesa. _Sente-se, rapaz. Cadi e Addae, puxem duas cadeiras aqui para perto e sentem-se também.

    Então se volta para Struggle: _Muito bem...Struggle, né? Meu filho me relatou o seu caso. Você pediu uma bolsa real para se matricular em Rookgaard e depois soube que seu pedido fora recusado...

    _S-sim, capitão...foi isso mesmo. Struggle demonstra um certo nervosismo, temendo que Tim se lembre dele, devido ao episódio da briga.

    _E você faz o que, atualmente?

    _Eu trabalho no porto, senhor. Como estivador. Mas é só enquanto não surge uma vaga na tripulação do barco do Capitão Bluebear...é que meu pai foi marinheiro, sabe?

    _Ah, sim. Cadi me disse. Seu pai morreu lutando contra os piratas, naquele célebre ataque a Port Hope...

    _Exato, senhor...

    _Pois bem, preste atenção no que eu vou falar, Struggle.Não sou o único oficial que analisa pedidos de bolsas para Rookgaard. Não me recordo de seu pedido ter passado por minhas mãos. Provavelmente quem recusou sua solicitaçao deve ter achado que devido a sua ocupação atual, você não teria o perfil desejado para se tornar um oficial da Guarda. Ou achado que seu desempenho escolar não foi dos melhores. Não sei. Esses fatos, no entanto, não são um empecilho absoluto a impedirem que você vá para Rook. Eu tenho poderes para retificar essa decisão e matricular você na Academia. Mas tenha em mente que, uma vêz tendo matriculado você e passado por cima da decisão anterior de outro oficial, eu me torno, de certa forma, perante o Rei, responsável pelo seu desempenho e comportamento na Academia. E o curso em Rook exige disciplina, bom comportamento e muito esforço nos treinamentos e estudos. Consegue compreender o que estou querendo dizer?

    _C-claro senhor. Não se preocupe. Me esforçarei ao máximo para ter um bom desempenho na Academia e não decepcioná-lo, senhor.

    _Muito bem, então...O Capitão Tim pega uma caneta-tinteiro, abre uma gaveta da mesa e de lá retira alguns papeis e pergaminhos.

    Cadi e Addae se entrolham felizes, fazendo sinais positivos um para o outro.

    _Me passe alguns dado seus, Struggle. Diz Tim. Nome completo?

    _Phineas Saylor, senhor!

    _C-como? Surpreende-se Tim, P-phineas?

    _Sim, senhor. Struggle é só um apelido.

    _Ah..entendo. Tim se esforça para manter uma expressão séria e não rir.

    Passados alguns minutos, após Tim ter preenchido alguns formulários, ele imprime uma marca em um pergaminho, com um selo que estava sobre uma pequena base metálica aquecida por uma chama, no canto da mesa. Entrega a Struggle o pergaminho e uma folha de papel contendo algumas intruções: _Aqui estão seu comprovante de matrícula e algumas instruções a respeito dos preparativos que você deve fazer antes de embarcar para Rookgaard, o que você pode levar, etc. Dê uma boa lida. Diz o capitão.

    _Sim senhor, Responde Struggle, com uma expressão de alegria no rosto.

    Então Tim, com uma expressão séria, mas com um tom na voz que denota brincadeira diz: _Muito bem, cadetes Cadi, Addae e Phineas, estão dispensados. Podem ir agora.

    Sim, senhor! Respondem em uníssono os 3 amigos.

    Quando os 3 dão meia-volta para se retirarem da sala, Tim fala: _Ah, Phineas...

    _Senhor? Indaga Struggle.

    _Evite se meter em confusão nos dias que precedem o embarque. Não pense que não me lembrei de você, daquele episódio da briga...

    Struggle estremece e fica sem graça, balbuciando: _S-sim senhor, pode deixar...

    Cadi puxa Struggle para que o trio saia rápido da sala enquanto fala: _Tchau pai, obrigado.

    _Obrigado, Capitão, Diz Addae por sua vêz.

    Os 3 amigos descem rápido a escada do torreão, ganham a rua na City Wall e vão caminhando, radiantes de alegria.

    _Caramba, seu pai se lembrou de um episódio no qual eu fui levado a presença dele, Diz Struggle para Cadi.

    _Mas que episódio foi esse? Pergunta Cadi

    Addae responde por Struggle: _Foi uma treta de rua na qual o Struggle se meteu. Ele e os outros brigões foram presos pelos soldados e conduzidos a um oficial. Só que esse oficial era o seu pai. O Struggle não sabia disso até ver o seu pai.

    _Sério??? Cadi dá uma gargalhada. _Sussa, Struggle. Meu pai não ia deixar de te ajudar por causa disso.

    _O Capitão Tim é muito gente boa, Diz Addae.

    _É sim, Concorda Struggle, que completa, se voltando para Cadi: _Cara, muito obrigado por me ajudar. Minha mãe vai ficar muito feliz quando souber que tudo deu certo. Você agora é meu “brother”, como o Addae aqui. Qualquer coisa é só pedir. Se houver alguém folgando com você, é só falar comigo. Mexeu com você, mexeu comigo.

    _Tá limpo, Struggle. Diz Cadi. _Na verdade é bom para mim e para o Addae que tenhamos mais um amigo em Rook. A gente vai se ajudar e fazer um bom curso na Academia.

    _Só é, Concorda Addae, _Agora já temos uma equipe, uma pequena guilda em Rookgaard.. Eu, você, o Struggle, o Tatius e a Genevieve.

    _Quem são Tatius e Genevieve? Pergunta Struggle.

    _Tatius é o sobrinho do senhor Frodo, da estalagem ao lado da loja do meu pai. A Genevieve é uma garota de Greenshore que está hospedada com o pai na estalagem. Os dois vão para Rook. Aliás, temos um compromisso com a Genevieve amanhã de manhã, Cadi. Prometemos mostrar a cidade para ela. Tenho que falar com o meu pai hoje a noite sobre isso, para ele me dispensar do trabalho na loja na parte da manhã, Diz Addae.

    _Ih, é mesmo. Tinha me esquecido, Diz Cadi

    _Poxa, pena que eu ainda tenho que trabalhar no Porto por mais alguns dias. Eu já fui escalado pelo administrador. Senão eu ajudava vocês dois a mostrarem a cidade para essa garota aí, Diz Struggle.

    _E eu prometi levar a roupa lá de casa para sua mãe, Struggle. Amanhã cedinho passo por lá. Diz Addae

    Os 3 amigos vão caminhando pela Main Street, conversando, rindo, cheios de alegria e planos, enquanto os últimos raios de Fafnar, que se põe no horizonte, iluminam os telhados vermelhos de Thais.

  4. #14
    Avatar de Jackk Blades
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    Boa história, aguardando a continuação.

  5. #15
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    Citação Postado originalmente por Jackk Blades Ver Post
    Boa história, aguardando a continuação.
    eu tb gostei dessa historia conta a vida das pessoas comuns das cidades como se a gente andasse pelas ruas de thais

    tb estou aguardando a continuaçao






  6. #16
    Avatar de Kerrod
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    Essa tua estoria esta bacaninha

    O que achei positivo:

    1- Voce desenvolve bem os personagens e as circunstancias da vida deles

    2-É detalhista descreve as situações em detalhes eu gosto disso

    O que achei negativo (nem é bem algo negativo mas é consequencia do modo que vc esta desenvolvendo a estoria):

    Para voce manter o nivel dos primeiros capitulos voce vai ter que escrever muito e fazer capitulos grandes ai ocorre que voce vai demorar a fazer e a mandar capitulos novos se voce fizesse uma estoria mais simples ai voce escreveria mas capitulos e mais rapido

    Entao é isso ai tai a minha critica construtiva
    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  7. #17
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    Essa tua estoria esta bacaninha

    O que achei positivo:

    1- Voce desenvolve bem os personagens e as circunstancias da vida deles

    2-É detalhista descreve as situações em detalhes eu gosto disso

    O que achei negativo (nem é bem algo negativo mas é consequencia do modo que vc esta desenvolvendo a estoria):

    Para voce manter o nivel dos primeiros capitulos voce vai ter que escrever muito e fazer capitulos grandes ai ocorre que voce vai demorar a fazer e a mandar capitulos novos se voce fizesse uma estoria mais simples ai voce escreveria mas capitulos e mais rapido

    Entao é isso ai tai a minha critica construtiva

    vc falou exatamente o que eu queria ter falado sobre os personagens e as circunstancias deles e os detalhes e talz

    so discordo sobre capítulos grandes eu prefiro capítulos grandes pq ai tem bastante coisa pra ler e a historia avança bastante dentro de um mesmo capitulo

  8. #18
    Avatar de Kerrod
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    Citação Postado originalmente por Lipe Tenebroso Ver Post
    vc falou exatamente o que eu queria ter falado sobre os personagens e as circunstancias deles e os detalhes e talz

    so discordo sobre capítulos grandes eu prefiro capítulos grandes pq ai tem bastante coisa pra ler e a historia avança bastante dentro de um mesmo capitulo

    Champz, talvez eu nao tenha sabido me expressar corretamente

    Nao é que capítulos grandes sejam ruins, em termos de conferir ou tirar qualidade ao texto, narrativa, etc

    O que ocorre é que capítulos grandes demoram a ser produzidos e isso faz com que o intervalo de postagem entre um capitulo e outro seja grande

    Se o autor dividisse um capitulo grande em 3 pequenos quando ele chegasse a uns 30% do capitulo incial planejado ele ja poderia postar e a frequencia de postagem aumentaria

    Mas tudo bem isso ai vai de cada escritor ou autor e de cada leitor e uma obra pode ter qualidade tanto com capitulos gigantescos como com capitulos nanicos
    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  9. #19
    desespero full Avatar de Iridium
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    Saudações e boa noite!

    Bem, eu dei uma relida em sua história antes de postar - e desculpe-me por não comentar antes; não estava conseguindo tirar um tempo nem sequer para abrir o Fórum. De toda forma, o que vou falar é uma crítica geral de tudo o que li até agora:

    Primeiro, notei uma inconsistência na formatação dos seus capítulos: primeiro, estavam com uma wall of text compacta demais, com quse nenhuma separação ou distinção entre parágrafos além de discurso direto de personagens e descrições da narrativa. Em seguida, você deu uma melhorada, separou o texto blocado e o deixou mais arrumado, e isso foi bom. Uma dica que dou é a de você configurar um atalho em seu Word ou ferramenta de edição de texto para poder usar travessões no lugar dos hífens, só para termos de estética e adequação formal. Contudo, no último capítulo você me pareceu ter tido um problema com a formatação novamente, trocando hífens por underlines, gerando um problema um pouco maior.

    Agora, para os pontos positivos - você evoluiu bastante a narrativa, tornando-se um pouco mais descritivo ao longo dos capítulos. Concordo com o ponto levantado pelo Kerrod, visto que também sofro do mal dos capítulos gigantescos. No entanto, isso não é um grande mal ao meu ver - só se torna um problema se, de fato, você desejasse escrever mais capítulos e com mais frequência. Meu conselho é que você escreva e poste o quanto der, e termine a história a seu tempo, sem pressa.

    No mais, continue com sua história - ela tem potencial; gostei do seu enredo e de como ele vem se desenvolvendo.

    Abraço,
    Iridium

  10. #20
    Avatar de Lipe Tenebroso
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    Citação Postado originalmente por Kerrod Ver Post
    Champz, talvez eu nao tenha sabido me expressar corretamente

    Nao é que capítulos grandes sejam ruins, em termos de conferir ou tirar qualidade ao texto, narrativa, etc

    O que ocorre é que capítulos grandes demoram a ser produzidos e isso faz com que o intervalo de postagem entre um capitulo e outro seja grande

    Se o autor dividisse um capitulo grande em 3 pequenos quando ele chegasse a uns 30% do capitulo incial planejado ele ja poderia postar e a frequencia de postagem aumentaria

    Mas tudo bem isso ai vai de cada escritor ou autor e de cada leitor e uma obra pode ter qualidade tanto com capitulos gigantescos como com capitulos nanicos
    ok kerrod entendi o que vc quis dizer

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