A classe alta nacional leva seus dólares para o balneário da Flórida, onde adquire imóveis de alto padrão com preços até três vezes menores do que os do Rio de Janeiro e de São Paulo.




E elas realmente não são poucas. Além da queda do dólar e da crise financeira e imobiliária nos Estados Unidos, a desproporção de preços do sul da Flórida em relação aos do Brasil favorece ainda mais a compra de imóveis na localidade americana e a diversificação de capital. “Em uma área nobre aqui em Miami, comparável à dos Jardins, em São Paulo, o metro quadrado está em US$ 5 mil. No Brasil, em uma área equivalente, está em US$ 10 mil e no Rio de Janeiro, US$ 15 mil”, compara o brasileiro Leo Ickowicz, 62 anos, dono da respeitada imobiliária Elite International Realty, na cidade, com 45 corretores que trabalham praticamente só com estrangeiros, sendo 70% das vendas atuais para brasileiros.






Fora os valores tentadores, a sensação de segurança e bem-estar que a cidade americana proporciona também não tem preço para os brasileiros, acuados no país de origem dentro de suas casas e carros, com medo de abrir janelas ou ostentar seus objetos de desejo e últimas aquisições. “Aqui você desfruta sem culpa”, resume um grande empresário brasileiro, que não quer se identificar, mas acaba de comprar uma unidade do edifício Apogee, o mais caro de South Beach, com apenas 60 apartamentos com preços de US$ 3,2 milhões a US$ 5 milhões – 12 foram adquiridos por brasileiros. O empresário, que já tinha um imóvel na linda ilha de Key Biscayne, faz a ponte Brasil-EUA pelo menos quatro vezes por ano, onde passa cerca de dez dias desfrutando do novo imóvel de três suítes, geladeira e micro-ondas embutidos no quarto do casal e garagem privada para seus dois carros – um Rolls-Royce Phantom e uma Ferrari 430, que, juntos, valem mais de US$ 600 mil.


Os brasileiros estão apaixonados por Miami. E esse amor é correspondido pela economia local. Nos últimos 18 meses, o corretor carioca Marcello Agostini, 38 anos, vendeu um total de US$ 100 milhões em imóveis na Flórida, sendo que 60% foram para brasileiros. “E são praticamente todos clientes novos”, diz ele. A maioria compra à vista, e o preço médio das aquisições é de US$ 2,5 milhões. Uma pesquisa de opinião divulgada no mês passado pela Associação de Corretores de Miami para os mercados da Grande Miami e Fort Lauderdale indica que 9% dos clientes dos corretores locais hoje são brasileiros.


FUTURO
Tony Duque: apartamento de US$ 302 mil, Mercedes-Benz
E-350 e planos de comprar um imóvel maior e abrir um negócio




Esse é o caso de muitos brasileiros que compram para investir, pela oportunidade do momento, e acabam se encantando com a cidade e seu estilo de vida. O empresário Rogério Barbi, 55 anos, de Canoas (RS), sempre quis ter uma propriedade na Flórida e, em agosto de 2009, comprou um apartamento de dois quartos com vista para o mar em um prédio novo, o Ocean Marine Yatch Club, na praia de Hallandale no condado de Broward, por US$ 285 mil. “Sempre admirei o povo americano e me identifico muito com ordem, com regras, com tudo isso aqui”, diz Barbi. Seria um apartamento de férias para desfrutar com a família. Mas Barbi, que se formou em veterinária em janeiro, resolveu aproveitar a oportunidade da compra e se mudou para lá. “Assim que eu conseguir validar meu diploma, vou abrir meu próprio negócio”, diz. “No Brasil o veterinário não é muito valorizado. Então eu decidi ir pelo caminho mais difícil, que é começar do zero. Mas eu sei que vou ser premiado. Vou poder trabalhar, ganhar meu dinheiro, ter um bom carro e vou poder aproveitar minha vida muito mais.” Ele pensa em comprar um apartamento maior, de três suítes, na faixa de US$ 600 mil a US$ 700 mil com o “pé na areia”. Para a alegria da esposa, Maria. “O que eu mais gosto em Miami são as compras, que são maravilhosas, baratas”, diz. Barbi deve manter o segundo imóvel por mais algum tempo. “Depois poderia pensar em vender porque uma hora os imóveis vão subir”, diz. “Vai terminar essa moleza. Eles vão se valorizar com certeza e a gente também vai ganhar com isso.”