Este conto narra mais uma investigação do grupo Phantasmagorik, desta vez contando com somente três dos seus oito membros. A investigação desta vez é em uma casa de dois andares com uma história macabra de acontecimentos. Questionados os atuais moradores, eles acreditam que a casa é um portal. "Portal para o mundo dos pesadelos", conta Arnold Tafford.
membros do Grupo nesta investigação:
Leandro Alves;
Chayanne Badvostok;
Márcio Badvostok.
Investigação Paranormal - #1: Portal
Estávamos voltando de um passeio tranquilo depois de nossa primeira investigação internacional - em Londres - e, ainda no aeroporto, Leandro nos telefonou informando sobre um curioso caso no interior do Paraná. Ele nos ligou rapidamente antes que o caso vire destaque em algum jornal ou algo do tipo, pois um jornalista fora enviado para lá e simplesmente desaparecera.
Ele nos falou que já havia enviado um integrante do grupo - o Thiago - a seis dias, mas ele perdeu contato com o rapaz um dia depois, quando o notificara de que estava indo à residência. Isso nos deixou encabulados antes de dizermos um "sim".
- Mas o que pode ter lá? Algum serial killer armando emboscadas? - Perguntei.
- Não sei, ninguém sabe. O jornalista e o Thiago desapareceram, e é questão de tempo até que o caso venha à tona, que a polícia ou alguma tropa especial vá até o local, descubra o que é e acabe selando o acesso à casa. Não sei se deveria ter convocado vocês, mas é talvez nossa oportunidade de explodir na mídia.
Claro, respondi que sim. Chayanne, minha esposa, hesitou. Com o sumiço de Thiago o caso seria mais perigoso, mais frenético e também mais explosivo.
Fazíamos investigações domiciliares, normalmente contratados por idosos que ouviam os simples estalos de madeira que aconteciam na casa. Vários com problemas como esquizofrenia foram diagnosticados, mas nada concreto até então. O problema é que o dinheiro estava acabando, o pessoal parou de nos contratar e os equipamentos utilizados eram um tanto caro para serem mantidos.
Não podia negar a chance de ser conhecido pelo Brasil inteiro e fazer fama. A clientela aumentaria, ainda mais se tivéssemos provas concretas.
Pessoalmente, nós já tínhamos aquelas provas. O que nos uniu, foi, literalmente, algumas obras paranormais do destino. Nós dois fomos atormentados e acompanhados nossa infância inteira por algum ser sem figura ao pé da cama, como um boneco de gesso. Podíamos observá-lo por horas, sem que ele movesse um dedo. Por vezes víamos o boneco até alguém adentrar em nossos quartos, de manhã, em uma soneca à tarde, a noite inteira, sempre.
Curioso é que a mesma figura acompanhava nós dois ao mesmo tempo, sendo que morávamos a mais de seissentos quilômetros de distância. A paranormalidade já era algo familiar, e se, para outro humano ver um fantasma já era de traumatizar, para nós isto era somente um domingo tranquilo em família. Nossa capacidade em lembrar meticulosamente características físicas, como peso e altura, nos fazia tremer um pouco. Eu estava mais acostumado, mas para Chayanne isto foi um pouco pior. A figura passou a aparecer poucas semanas antes de sua mãe adoecer, e sumiu poucas semanas depois dela morrer.
Eu estava com pressa para chegar à nossa central, ali mesmo, em São Paulo, para recolher as informações necessárias e partir para o Paraná. Chayanne ficou nervosa a partir do momento em que Leandro comentou o desaparecimento de Thiago.
Tomamos um táxi e nos encaminhamos até a nossa central, uma grande sala em um centro comercial de São Paulo.
Lá chegando, conversamos algum tempo com Leandro, que nos passou as principais informações.
- Nos explique onde fica e o que tem acontecido por lá, conte-nos se há algum relato antes desse bruto acontecimento.
- Pois bem. Esta casa fica a mais ou menos quinhentos metros rio abaixo da famosa Casa do Ipiranga. Fica próximo de Morretes, interior do Paraná. Não há registros datados da construção da casa, apenas lendas. Alguns contam que esta casa era na verdade um chiqueiro cuidado pelo caseiro do pintor Alfredo Andersen há alguns anos atrás. Os relatos, no entanto, datam de antes da construção da Casa do Ipiranga. Um grupo de pessoas que trilhavam o "Caminho de Itupava" se acamparam por lá, pela proximidade com duas belas cachoeiras que forneciam um excelente banho e uma fonte potável. Lá, o grupo registrou três gritos seguidos de uma criatura peluda do tamanho de um homem, que supostamente, rodeou o acampamento por mais de quatro horas, até desaparecer. A partir desse relato surgiu a lenda do Bradador. Antes ainda de ser construída a casa, um grupo satânico visitava o local constantemente, tentando invocar o tal Bradador. O relato foi feito por um ex-integrante do grupo, poucos anos depois. Reza a lenda que eles marcavam pentagramas invertidos na terra e acendiam velas em cada uma de suas pontas, algo macabro mesmo.
Então, fora construída a Casa do Ipiranga, e lá morou por um bom tempo um engenheiro. Logo depois, Alfredo Andersen adquiriu a casa. Assim que abandonou a residência, a casa foi rapidamente destruída por vândalos e o tal chiqueiro fora abandonado. O caseiro de Alfredo relatava que algo constantemente irritava os porcos, e, por vezes, se apossava de um.
Provavelmente sem ter o total conhecimento do caso, uma família desconhecida comprou o terreno e construiu uma casa, pela proximidade com as cachoeiras e pelo baixo preço pelo qual o terreno foi vendido. Então, em um pique-nique de final de semana, a família desceu poucos metros pela cachoeira e simplesmente desapareceu.
A casa foi comprada, reformada, inserindo assim um segundo piso, e revendida. Isto já há poucos anos atrás. Com uma bela jogada de marketing, o comprador revendeu por um bom preço a uma família que vinha da Paraíba, que passou a residir então nessa casa. Então, por longos anos, nada de anormal foi relatado por lá. O tempo passou, o casal de crianças da família cresceu, seus pais faleceram, e a menina casou-se, passando a morar alí com seu marido. O irmão dela faleceu em um acidente de moto pouco tempo depois do falecimento de seus pais, restando-lhe a casa inteira.
Então, depois de pouco tempo, este casal passou a ser atormentado por algo que eles não sabem descrever direito. Eles passaram a morar em um hotel da cidade e a contatar "Caçadores de Fantasmas" para investigar a casa. Sem resultado, fez um apelo ao jornal regional, que enviou um jornalista, desaparecido.
Eu particularmente já havia cansado de tanto ouvir Leandro falar. Chayanne ouvia atentamente, cada vez mais assustada. Decidimos arrumar nossos equipamentos e tomar um avião para Curitiba, que ficava próximo a Morretes. Inclusive, o "Caminho de Itupava" ligava uma cidade à outra.
Levamos nosso Detector EMF, nosso aparelho de gravação FEV e nossa câmera de alta qualidade, a qual ficaria nas mãos de Leandro. Pernoitamos em Curitiba e ao amanhecer iríamos prosseguir à Casa do Ipiranga, onde faríamos primeiramente um passeio, para coletar informações antes de dar início à investigação.
Amanheceu, tomamos nosso café da manhã e partimos em uma caminhada pelo Caminho de Itupava, junto com um grupo de turistas. A caminhada era longa e cansativa, ainda mais para Leandro, que tinha que carregar aquela câmera pesada. A Casa do Ipiranga era um patrimônio histórico regional, e parecia até bonitinha para quem não conhecia seu passado sombrio. Nossa participação junto do grupo de turismo acabava aqui.
Descemos por um morro muito íngreme, acompanhando a cachoeira, e chegamos até uma casa de dois pisos bem conservada e bem cuidada, supostamente a casa onde residia o casal, que agora morava em um hotel de Curitiba.
A casa estava solitária, e ainda não haviam enviado pessoas para buscarem o jornalista. Não queríamos chamar a atenção de ninguém, portanto partimos para arrombar a casa, pois não tinhamos pedido permissão nem comentado nada com os atuais moradores. Teríamos que fazer isso em completo sigilo para não corrermos o risco da notícia se espalhar.
Derrubamos a porta, e reparamos que a casa era muito maior por dentro do que aparentava por fora, como algum efeito enganador. Estava tudo escuro, tudo fechado, havia um odor de poeira e imediatamente espirrei. Investigamos cada cômodo do primeiro piso, que possuía uma banheiro, uma cozinha e uma sala, onde ficava a escada para o segundo andar. Na sala, tudo bem ajeitado e arrumado, no banheiro, nada de assombrador. Já na cozinha, a concentração de larvas e insetos dentro de um prato mal-cheiroso na pia assustou a todo o grupo. Decidimos subir, então, para o temido segundo andar. Lá, no entanto, nada parecia normal. Havia dois quartos e uma sala vazia. Nos quartos, nada de estranho, na sala, aparentemente não. Caminhei por dentro daquela sala estranha, e, como o segundo piso era de madeira, o chão rangia a cada passada. Até o presente momento, tudo normal. O grupo observava tudo, procurando algum detalhe nas paredes da sala, na pequena janela, mas nada. Quando virei para sair da sala, sendo o único a estar lá ainda, emergiu no chão de madeira um pentagrama. Isso mesmo, um pentagrama, aparentemente de sangue. Cinco velas emergiram também, acendendo-se sozinhas, uma em cada ponta. Um grito e Chayanne e Leandro apareceram, entrando na porta e, posteriormente, travando.
As velas elevaram-se, formando um círculo em cima do pentagrama, algo que obviamente não era normal. Leandro filmou um pouco e derrubou a camêra, entrando em choque, assim como Chayanne. Eu parecia o único assustado que conseguia se mover e raciocinar, mas não tive tempo de fazer nada.
O chão rugiu, e caímos, desmaiando com um choque. Quando acordei, percebi que não estava na casa. Chayanne estava caída à minha direita, em um sono profundo, e Leandro estava de pé, me empurrando e tentando me acordar. Levantei, e acordamos também Chayanne. Estávamos em uma espécie de sala de concreto, com uma porta de madeira muito antiga diante de nós. Nenhum objeto nesta sala, porém, manchas de sangue podiam ser reparadas em todo o cômodo. Eu não conseguia distinguir algumas cores, vendo as outras coisas com um tom verde fosco, mas em pouca tonalidade. Não conseguia enxergar naturalmente. Logo, Chayanne e Leandro descreveram a mesma coisa.
Leandro empunhou a câmera, que estava no chão, e pegamos nosso EVP e FEV no chão. Incrível, mas o EVP jamais diminuira sua frequência ali onde estávamos. Era como se estivéssemos em uma presença constante, algo que nos seguia, que não nos soltava. Tempo demais pensando para descobrir que, na verdade, era o local onde estávamos. Ouvíamos rugidos, ranger de dentes e gritos a todo o instante. Todos estavam em estado de choque, paralisados e, por um longo tempo, sem conseguir se movimentar direito.
Depois de horas, decidimos prosseguir. Abrimos a nossa única saída, a porta de madeira à nossa frente. Um longo corredor surgiu, sem qualquer iluminação aparente. Estranho, podíamos enxergar sem iluminação, agora havia percebido isso. Essa tonalidade verde, no local ou em nossos olhos, nos permitia enxergar até dois palmos diante de nossos olhos, a não ser Leandro, que enxergava talvez um pouco mais pela câmera. Um corredor estreito e muito longo, com tijolos a vista e teias de aranha por todos os cantos, algo realmente assustador. Leandro e eu íamos mais pela frente, pois o corredor era largo o suficiente para duas pessoas, enquanto Chayanne ia atrás.
Quanto mais caminhávamos, mais o corredor parecia extenso. Leandro, em dado momento, parou de rompante. Falou para não nos mexermos. Ele observava pela câmera e logo em seguida observava sem a mesma, em um movimento contínuo, por longos segundos. Ele me passou a câmera, e me arrepiei por completo. Talvez eu fosse o mais vulnerável agora, pois Leandro ainda conseguira se movimentar depois de ver o mesmo que eu. Uma mulher, alta e magra, com cabelos negros e pele branca, branquíssima, fazia gestos e tentava algo como falar, movimentando sua boca, sem produzir qualquer som. Ela mexia suas mãos para um lado e para o outro, tentando indicar alguma coisa. Suas pupilas estavam extremamente dilatadas, e pelo que conseguimos observar, ela não tinha língua. Sussurei para voltarmos, enquanto Chayanne dava lentos passos para trás. A figura passou a vir na nossa direção, e não tínhamos para onde correr. Voltamos, voltamos, voltamos, com a figura vindo em nossa direção.
De repente, Chayanne se choca com alguma coisa. Ao olhar para trás, apenas tijolos a vista, e nada de porta de madeira, nada nada. Logo, a figura parou diante de nós, continuando com seus estranhos gestos. Não sabíamos o que fazer, então ficamos por longos minutos paralizados olhando os gestos daquela mulher, até ela nos dar as costas e sumir. Mais algum tempo até tomarmos a coragem para voltar a andar, e prosseguir ao corredor.
Desta vez, depois de poucos passos, chegamos à uma porta, e, finalmente, ao fim do corredor. Ele pareceu muito menor dessa vez.
Ficamos por tanto tempo, tão assustados, que Chayanne teve a brilhante ideia de checar pela primeira vez nossos celulares, antes de abrirmos a porta seguinte.
- Márcio, temos sinal aqui. O sinal, inclusive, parece mais forte do que de dentro da nossa casa. - Disse Chayanne.
- Tente ligar para alguém, experimente para a polícia, mas tente não parecer histérica, diga-os para vir à residência. - Respondi.
Ela ligou para a polícia, e o sinal era excelente, conseguia ouvir muito bem a atendente. O que ocorria era que a moça do outro lado da linha não parecia entendê-la. Ela repetia alguns trechos e algumas palavras que Chayanne falava, dando a impressão de estar ouvindo muitos chiados na ligação. Por fim, a mulher desligou, e Chayanne tentou repetidas vezes ligar para outras pessoas, assim como para meus pais e para os seus. Sem muito sucesso, guardou seu telefone, desolada. Aparentemente, ela conseguiu falar "Chayanne" e "perigo" para seus pais, o que deve tê-los mobilizado.
Abrimos a porta, depois de muito tempo. Os gritos e sons paranormais já haviam cessado com o desaparecimento daquela mulher, e conseguimos nos acalmar um pouco.
Do outro lado da porta nos identificamos em uma espécie de hospital. Vasculhamos o lugar, sem qualquer vestígio ou paranormalidade. Chayanne falou alto, de uma das salas.
- Vem aqui!
Quando me aproximei ela sussurrou no meu ouvido: - Isto é um hospício.
Me falava isso diante de uma daquelas portas de aço usadas para aprisionar aqueles homens fortes e mais perigosos. Com uma pequena abertura móvel para passar alguma coisa sem abrir a porta e com uma viseira minúscula na parte superior da mesma. Não conseguímos abrí-la.
Leandro gritou, da outra parte do hospício, e continuava a berrar. Quando entramos no campo de visão, vimos uma criatura horrenda, com forma de humano, mas com uns três metros de altura, arrastá-lo por um corredor que parecia levar até uma porta e a um outro corredor, com várias celas, como a de uma cadeia, literalmente. Ele raspava suas unhas no chão, desesperadamente. O ser o puxava de costas, desse modo não conseguímos ver sua face.
Quando me virei, a surpresa: outra criatura horrenda e, apaguei.
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