Multhakos andou pelos corredores escuros e por diversas vezes encontrou criaturas estranhas.
Em um corredor ele viu a imagem do que se parecia a criatura que havia feito sua aparição na torre de energia a qual Porgol estava. Tratava-se, enfim, de um morto vivo. Um chamado "Ghoul". Multhakos o conhecia pelo pouco que havia aprendido sobre aparições de Kal thanor. A criatura fétida movimentava-se devagar e foi evitada pelo Bárbado facilmente.
As quentes cavernas trouxeram inúmeras surpresas além do tal Ghoul. Multhakos viu e quebrou os ossos de esqueletos. Passou por minhocas da podridão, conhecidas popularmente como "rotworms". Aquele lugar estava longe de ser um sonho e assemelhava-se mais a um pesadelo constante e sem fim.
Até que o bárbaro viu uma luz no fim de um túnel. O tal túnel mais parecia um arranjado de paredes em formato de zigue-zague. A luz com certeza vinha daquela direção e Multhakos se apressou a correr naquela direção.
O barulho de suas botas zunia pelas paredes de tanta agilidade que o rapaz botou ao seu ato. Por fim, Multhakos chegou a fonte de luz e se surpreendeu.
A sua frente estava agora um portal luminoso, parecido com o que havia o trago até ali. Mas ao lado do portal estava novamente o minotauro que o assolava. O coração do jovem estava frio em emoções. Pela primeira vez nada sentiu ao olhar para a terrível figura bípede e armadurada.
Mais uma surpresa ocorreu. O tal minotauro falou. Em suas poucas palavras disse:
Humano, renda-se. Ainda a tempo. Nada farei com sua raça se parar agora.
- Minotauro burro!! - Vociferou Multhakos - Estou imune as suas palhaçadas e truques - Multhakos pos-se em prontidão e partiu correndo para cima do Minotauro que o olhava sem emoções.
Multhakos pulou para cima da criatura, que ao tocar-lhe o corpo sumiu em silêncio, aos poucos.
Enquanto a imagem de seu oponente sumia, Multhakos notou que a luz tomava conta do local. O portal estava se expandindo e dominando toda a caverna, por fim nada sobrou.
A primeira visão que o jovem teve foi do teto da casa de Kal Thanor em Liberty bay. O cheiro dos peixes vindo da rua o lembrou de que estava faminto. Seus músculos doíam. Parecia que ele não havia se exercitado fazia muito tempo, fato que, era verídico. Multhakos sentou-se na cama onde estava deitado e sentiu-se tonto. Por ali mesmo, naquela posição, ele ficou a repousar até que ouve uma voz familiar.
Kal Thanor aparece à porta, com ele uma garota ruiva, vestindo roupas verdes e uma manta entre os braços. Multhakos não a reconheceu, mas pode ver que estava agitada e ansiosa.
- Bom dia Multhakos - Kal Thanor calmamente dizia - você dormiu um bocado, deixou a minha pessoa preocupada. - Apontando gentilmente para a jovem ruiva da sala - Você tem visitas.
Kal thanor foi ao canto da sala e ficou de costas para Multhakos e a garota que agora pusera-se a sua frente. Ela estava com um olhar fascinado. Seus olhos claros buscavam algo. Talvez uma reação do bárbaro que olhava para Kal Thanor ansioso por explicações, sem sucesso.
- Olá Multhakos!! - A jovem disse animada - Queria te agradeçer muito!! Meu irmão.. Rookgaard.. Trolls... Sabe?? Obrigada! - Ela falava com pressa e sem clareza.
- O que? Mas que... - Multhakos estava confuso e agora com uma leve dor de cabeça - Garota, por favor, não a entendo..
- Seja gentil Multhakos!! - Kal Thanor murmurrou de forma audível
Percebendo o que Kal thanor falara, Multhakos se desculpou da jovem e pediu que ela repetisse com calma.
- Gostaria muito de lhe agradeçer Multhakos. Você, mesmo sem querer, salvou meu irmãozinho no dia em que caçou trolls em Rookgaard. Decidi que iria acha-lo e agradecer por tal fato. Mandei uma carta, mas pelo visto não a recebeu. - Disse a garota.
- Acho que não mesmo.. Olha, não me lembro disso, mas aceito sua gratidão. - Multhakos falou em um tom amigável. Mas mudando para um tom mais sério, levantou-se, foi até Kal thanor e lhe falou - Precisamos conversar.
- Tudo em sua hora rapaz, você e Nahatti devem estar famintos.
Nahatti os olha sem esconder a fome e concorda envergonhada. Suas bochecas ficaram quase da cor de seu longo e vermelhos cabelo. Ela estava feliz por encontrar quem procurava, e empolgada o suficiente para contar e ouvir histórias do velho Kal Thanor e do salvador de seu irmão.
O trio foi para a taverna de Liberty Bay, onde, famintos. Lá eles comeram e beberam, desta vez, bebidas não alcolicas. Nahattia parecia não gostar de tais bebidas, Multhakos não as poderia ingerir, e Kal Thanor estava intrigado e pensativo de mais para faze-lo.
As horas passaram. A música era boa, assim como a conversa. Nahatti se apresentou e falou de seus pais Thaianos e da loja que sua mãe tinha em Rookgaard, onde vendia flores. Multhakos contou sobre sua estadia em Rookgaard, seus então adotivos pais e sobre Kal Thanor. Este respondia e falava sobre truques mágicos. Isto após perceber que Nahatti era uma druída em treinamento.
Multhakos, mesmo estando distraido, não parava de pensar no pertubador sonho e em Porgol. Mesmo gostando da presença de Nahatti e de parecer estar de volta ao seu próprio mundo, ele queria saber mais sobre a experiência que vivera.
Algumas horas depois, ao cair da noite, Kal Thanor deixou a dupla conversando e foi para sua casa. Multhakos fez menção de ir junto, mas o mago percebeu e pediu para que o rapaz acompanhasse Nahatti e que mostrasse-a a cidade antes mesmo de ele tomar alguma ação.
Assim ele o fez.
Multhakos e Nahatti andaram pela cidade. Multhakos estava muito distraido para prestar muita atenção no que a animada, desajeitada e inexperiênte druída falava. Mas isto foi momentâneo. O jovem começou a prestar atenção nela quando ela falou:
- ... Desejo lhe ajudar, seja lá qual for sua missão. Quero crescer como uma druída e acho que tanto você quanto Kal thanor podem me ajudar. - Um olhar vívido e ansioso achompanhou essa frase.
Multhakos ficou desconsertado. Sabia que mãos amigas poderiam ser úteis, mas simplesmente não podia arriscar uma jovem linda e desajeitada na sua missão completamente individual. Ele relutou no começo, mas a insistência da jovem o fez mudar de idéia. Multhakos aceitou a ajuda dela. Explicou para ela que iria viajar para Thais, que quando voltasse ele iria por fim ajuda-la.
A noite foi se passando e os dois conversando animadamente deram a volta na cidade e estavam agora no castelo a leste da cidade, sobre a montanha. Nahatti iria dormir ali, naquele local ela meditaria e entraria em sintonia com as ondas e com o mar. Algo que, ao ver de Multhakos, era coisa de druídas.
- Este lugar é lindo mesmo Multhakos.
- Sim... Gostaria de ter mais tempo para aproveitar aqui. - Multhakos falou olhando para o horizonte, onde alguns barcos navegavam em direção a cidade.
- Você não pode nem ao menos descansar um pouco? - Perguntou Nahatti.
- Não posso. Tenho coisas para fazer. Esse barco que está chegando é de um amigo meu. Um pirata. Quando ele atracar no porto, deixarei você no castelo e irei.
Nahatti com uma expressão feliz, mas ao mesmo tempo aborrecida aceitou a frase de Multhakos - Entendo. Bom, espero te ver logo então.
- Você irá. Kal Thanor pode lhe ajudar na minha ausência. Você provavelmente nem precisará ficar neste castelo por toda sua estadia aqui em Liberty Bay.
Nahatti sentiu-se segura na cidade, mesmo ela sendo um lugar de piratas. Optou por ficar no castelo e não encomodar o velho mago. Despediu-se de Multhakos quando ele se foi e meditou enquanto olhava para o horizonte azul anil.
Multhakos após se despedir de Nahatti, prometendo encontra-la novamente, foi até a casa de Kal Thanor.
Lá mestre e aprendiz se encontraram. Kal Thanor ouviu Multhakos falar sobre Nahatti e que havia aceitado sua ajuda como uma mão amiga. O assunto durou pouco, visto que Multhakos ansiava por respostas.
- O que aconteceu comigo? Por que apareci em uma torre estranha?
Kal Thanor respondeu minunsciosamente todas as perguntas que Multhakos poderia vir a ter com o acontecido, falando sem muitas pausas - Usei um feitiço em você. O Horned Fox de fato havia usando um truque em você. Um feitiço bobo, porém potente quando infringido da maneira que ocorreu. Pelo visto você esta imune a tal tipo de truque agora.
O que fiz foi simplesmente leva-lo a tumba de um falecido necromante louco, Porgol. Ele enlouqueceu procurando a vida eterna. Hoje, no entanto, vive no ether dos sonhos. Sua alma se eternizou em algum lugar onde ele tem controle. Isso, claro, não o ajudou muito na loucura.
Eu tinha certeza que ele iria ajuda-lo ao perceber quem você é. Infelizmente o ritual é doloroso, e custou-lhe uma visita ao portão do inferno.
- Portão do inferno... Necromante louco... Olha Kal... Eu estaria feliz em apenas saber quem foi meu pai afinal. - Multhakos perguntou ávidamente.
- Multhakos... - Disse Kal thanor fazendo uma pequena pausa - Descobri a verdade. Seu pai foi mesmo Khowret. Quer saber mais? Aqui estão alguns livros, leia-os na sua viagem para Thais... Mas posso lhe adiantar, seu pai não foi sempre o bonzinho da história. Ele por vezes foi vilão.
- Alguma razão para isso? - Multhakos surpreso.
- Sim, rapaz. - Novamente tomando uma pausa, Kal Thanor o disse - Seu pai não é, ou foi, um humano qualquer. Na verdade sua aparição deu-se a mais ou menos mil anos atrás. Sendo ele um dos poucos avatares de Tibiasula, a deusa.
Multhakos o olhou com ar de dúvida, mas Kal thanor não parou de falar e aos poucos Multhakos absorveu o que lhe era dito.
- Um Avatar, é uma pessoa. Não nescessáriamente humana, apenas um escolhido. Esse ser é influênciado pelo seu deus patrono. É garantido a ele alguns poderes. Em troca disso, Khowret recebera a missão de Tibiasula. Khowret era um guardião do equilíbrio. Agia como um vilão quando era necessário. Destruindo cidades ou personalidades importantes. Outrora ele era um espírito bondoso salvando raças e intrometendo-se em conflitos... Tal comportamento pude ver em sua natureza.
Multhakos ouvia adimirado, mas Kal Thanor parecia ter mais a contar, sempre com empolgação.
- Tibiasula foi morta pelos outros deuses e gerou este mundo. Como sua energia era pouca e gerar mais avatares não seria possível. Khowret montou um clan. Este clan iria defender os ideais da falecida deusa para todo sempre. Ou até o momento que ele desapareceu.
Seus filhos possuem uma pequena porção de seu poder, e foram de vital importância ao decorrer do tempo. Mantendo sempre um equilíbrio no mundo.
Se Khowret surgiu, mas não consegiuiu criar você e lhe contar isso. Algo está errado. Provavelmente houve novamente um desbalanço.
Multhakos agora folheava o livro o qual Kal Thanor havia lhe dado. Ele falava algo sobre o antigo clan de Khowret e sua ruína. Após o desaparecimento de Khowret, aparentemente o clan se tornou uma guilda chamada de "Aspectos do Equilibrio". Tal guilda agia secretamente unindo os então filhos de Khowret e aspirantes defensores da causa de Tibiasula. A guilda hoje não existia mais, mas toda uma descrição de seu funcionamento e normas estava ali, guardado.
Multhakos fala a Kal Thanor - Obrigado mestre. Essa informação foi de vital importância mesmo. Meu pai um avatar.... Quem diria. Se eu estou aqui estou para seguir seus passos. Quando eu voltar, peço sua ajuda para remontar tal guilda.
Eis que Kal Thanor o responde - Multhakos, Multhakos... Admiro sua determinação. Saibas que terás meu apoio.
Kal Thanor e Multhakos por fim se despediram... Multhakos tinha muito o que fazer em Thais perseguindo o Horned fox... E quando voltasse teria os passos do pai para seguir.
Por fim sua curiosidade estava satisfeita, e agora, o bárbaro tinha um destino.