Multhakos pega o primeiro barco em direção a Ab'Dendriel, local onde ele escolheu fazer o começo de sua busca por respostas. Foi aos poucos vendo a ilha a qual viveu por 20 anos se distânciando, ficando cada vez menor no horizonte azul até sumir. A viagem iria durar 4 dias, era uma viagem direta, iria costeando toda a baía norte do tibia.
Multhakos carregava consigo apenas um machado que foi dado por Seymor momentos após a decisão de sair da ilha, uma corda e seu manto, o qual usará desde os 20 anos de idade após entrar em uma das cavernas para matar orcs ao norte de Rookguard. Possuia também uma vembrassa de ferro no braço esquerdo. Multhakos não gostava de usar escudos, mas dessa forma ele poderia garantir a defesa contra os ataques cortantes sem prejudicar os movimentos ofensivos do machado.
O tempo foi passando, tudo calmo, até o cair da noite. Multhakos não tinha a menor noção de navegação, por ele o caminho correto tinha sido tomado, tranquilamente dormiu na sua cabine esperando o próximo dia. Mal sabia ele que o capitão havia errado o destino. O barco estava indo para o sul, ao invés de seguir para noroeste. A situação estava apenas por piorar, quando a lua se mostrou no céu tudo piorou e o rumo tomado foi fatidicamente traçado. Quando o capitão percebeu, era tarde de mais, ele havia sido pego por uma correnteza muito forte e agora rumava sem controle direção sul.
Deveria ser em torno de 3 e meia da manhã quando Multhakos pulou da sua cama, acordado por um forte barulho e risadas. O guerreiro pegou seu machado, vestiu sua vembrassa e juntou-se a porta para averiguar o que acontecia. Olhou por uma fresta que a porta tinha e notou homens estranhos usando roupas listradas, de média estatura rindo no convés. A tripulação estava sendo ameaçado por estes homens. Eram piratas, logo pensou, de fato ele estava correto e a evidência crítica disso foi a risada do líder do grupo "YAAR-HAR".
Multhakos notou que estavam ancorados, o barco estava preso a um cais. Aparentemente a recepção a esse lugar teria sido um ataque pirata. O jovem logo teve seus pensamentos interrompidos sendo forçado para trás com a abertura da porta a qual ele estava a olhar através.
Um dos piratas abriu a porta e notou Multhakos, logo ele tratou de avisar em alta voz:
"Capitão, achei mais um!! E este está armado!". Virando-se para o jovem, o pirata anuncia:
"Mantenha essa arma onde ela está agora, e você ficará bem."
Multhakos em tom desconfiado- "O que vocês estão tramando, quem são?"
Pirata com um som superior- "Yar, somos piratas imbecil. Não mexa conosco. Agora vire-se vou amarrar você, quase pareces uma ameaça falando dessa forma"
Ao redor piratas vinham se aproximando, mas Multhakos estava tomando pela indecisão. Esta era de longe a pior situação que ele já havia se metido. Pior do que lutar contra qualquer grupo de Orcs. Os humanos possuem inteligência, e sem conhecimento do local, poderiam ser altamente perigosos. No entanto seu instinto de auto-controle não resistiu e Multhakos esmurrou a cara do pirata a sua frente com força.
A força que foi aplicada no golpe foi tanta que foi capaz de nocautear o seu alvo. Ao ver que Multhakos não estava cooperando, os piratas trataram de se aprontar para combate. Sem sacar armas nem nada, apenas cordas. O seu capitão olhada atentamente a ação dos seus subordinados em silêncio. Até aparecer uma figura ao seu lado, que também permaneceu-se em silêncio. Os piratas invadiram o quarto onde Multhakos estava e estavam começando a rodea-lo. Sem usar seu machado, o guerreiro resiste com chutes, socos, empurrões e cotoveladas. Consegue nocautear mais 4 piratas, no entanto foi subjulgado pelos outros 3 que conseguiram o atar, mãos e pés.
Capitão impressionado, para a pessoa que havia chego ao seu lado - "Uau, olhe para ele Thanor. Nocauteou cinco dos meus homens até cair."
Thanor em tom calmo - "Talvez você precise trocar o seu pessoal, desde quando você navega com homens que desmaiam com um soco?"
Capitão - "Yarhahaha olha Thanor, creio que meus homens estão diante de um belo e forte escravo, quanto será que podemos conseguir com ele? Duas mil peças de ouro, será?"
Thanor novamente calmo - "Sabe Boszik, acho que eu lhe pago as duas mil peças de ouro para você libertar esse rapaz."
Capitão Boszik perplexo - "Você está falando sério? Thanor.. Thanor.. Você está velho.. Se precisa de uma mão, tome-o, é de graça. Pelas nossas batalhas no norte!!"
O tal de Thanor se aproxima de Multhakos e faz um feitiço estranho. As cordas se desatam do guerreiro e se retraem em movimentos imitando uma serpente. Multhakos esta mais uma vez livre, ele levanta-se e olha para Thanor, sem entender. Thanor pede para que ele então o siga.
Multhakos instigando - "Por que eu deveria?"
Thanor calmamente - "Você não deve, mas não sabe onde está, posso te mostrar a cidade."
Multhakos confuso - "E os tripulantes do barco?"
Thanor faz um sinal para o capitão, e este anuncia para seus piratas "Certo pessoal, quero ver todo o dinheiro desse barco tomado, convidem todos os tripulantes para tomar um rum na caverna, eles pagarão a rodada hoje. Amanhã, se eles se comportarem, a gente faz eles pagarem o café da manhã e os liberamos"
O convés entra em festa. Multhakos nunca havia visto piratas, mas as histórias que ele ouvira sobre eles tinham fins bem mais trágicos para os barcos pilhados. Thanor nota a confusão passando pelo olhar do jovem e trata de lhe explicar:
"Rapaz, você está em uma cidade chamada Liberty Bay. Aqui a guerra entre piratas é proibida. Você pode nunca ter adivinhado, mas o capitão de seu barco também é um pirata. E hoje, ele perdeu uma disputa amigavel."
Multhakos - "E eu virei, um escravo, é isso?"
Thanor retruca calmamente - "Você aparentemente era mercadoria rapaz, mas esta livre. Boszik é um capitão excelente que segue a conduta pirata, não se preocupe com sua liberdade nem com a de seus amigos e sim com seu bolso."
Multhakos se debate e repara que estava sem sua corda e sua mochila, a qual ele usava para guardar um pouco de dinheiro, suficiente apenas para alguns dias de mantimentos.
Enquanto Boszik retirava o barco o qual Multhakos havia chegado do cais e ia em rumo sul, Thanor andava lado a lado com o guerreiro em direção ao farol. Lá eles conversaram por mais uma meia hora, até que Multhakos finalmente entendeu o que havia ocorrido e se acalmou.
Multhakos desapontado - "Pirata, o capitão do meu barco era um pirata também..."
Thanor calmo - "Multhakos acalme-se. Aproveite a cidade, você é uma figura forte, não pode se meter em problemas."
Multhakos - "Ok, me diga.. Por que eu devo confiar em você.. Porque você está confiando em mim? Eu tenho um machado."
Thanor ainda calmo - "Vamos tomar um rum na taverna. Eu vou te explicar o que procuro."
Multhakos cede ao velho Thanor e aceita ir até a taverna. Sem lugar para ir, sem dinheiro para ir para Ab'Dendriel, e mais importante ainda, sem saber como fazer isto, Multhakos ve-se obrigado a dar ouvidos a esse velho que ao seu ver, era um velho mago louco.
Na taverna, o então velho que se chamava Kal Thanor e o jovem Multhakos beberam, conversaram, e por fim ficaram bêbados.
Multhakos já bêbado - "Então, Kal Thanor, o que é você? No mínimo um fajuto ilusionista de cordas.. Hic!!"
Kal thanor também bêbado - "Estou bêbado rapaz.. Hah.. Mas quer saber, este ilusionista aqui ainda poderia chutar a sua bunda.. Sem mexer o pé.. hahaha"
Multhakos sorrindo - "Nada disso Kal!! Eu sou filho do grande guerreiro Khowret!! Você não é pareo para.. Hic!!.. hahaha"
Kal Thanor para por um momento e analisa Multhakos. Um jovem de estatura média-alta. Carregando um machado, cabelo castanho escuro, dotado de um força física incomum. Kal Thanor de fato viu verdade nas palavras de Multhakos, mas percebendo que ambos estavam falando asneira, ele deu risadas, e ambos voltaram a beber, até o dia nascer.
Multhakos acorda em uma cama, já havia passado da metade do dia, Kal Thanor estava em pé na janela do quarto, pensativo.
Multhakos com voz de quem acabou de acordar - "Argh.. Por que eu estou aqui?"
Kal Thanor responde sem virar-se - "Eu não podia deixar um filho de Khowret dormindo em uma taverna suja..."
Multhakos senta-se na cama e fala em um tom que pede respostas:
"Senhor, sinceramente... Você não me falou quem eis."
Kal Thanor virando-se para Multhakos - "Rapaz, sou Kal Thanor. O que mais queres?"
Multhakos olhando para baixo - "Você é um mago, me desatou sem me tocar, mostrou interesse por mim desde o momento que me viste batendo nos piratas, o que queres? Quem você é?"
Kal Thanor - "Ok rapaz, você me pegou.. Sou um mago. Estudei magia arcana nas geleiras ao norte do tibia. Lar dos bárbaros nórdicos e das águas congeladas. Estudei muito a cultura de Khowret, os bárbaros se originaram dela afinal.. Os guerreiros antes da tribo dele deram inicio a cultura hoje conhecida como barbárica...
Durante todo este meu estudo, descobri que Khowret tinha um propósito. Eu não sei qual.. Mas tenho certeza que irei descobrir. A 26 anos atras eu conheci Khowret pessoalmente, foi uma aparição rápida para mim, e ele só me disse que eu iria encontrar um de seus filhos em Liberty Bay."
Multhakos parecia intrigado com o que o velho mago falava, parecia surreal de mais acreditar que algo aconteceria daquele jeito, mas as palavras de Thanor de certa forma pareciam verídicas, e nesse tom ele continuou...
"Não soube ao certo o que deveria fazer, mas sinais que eu estudo me fizeram acreditar que eu devesse ensina-lo algumas coisas. Você cresceu sem pai nem mãe. Faz sentido quereres ir para Ab'Dendriel visto que teus pais adotivos eram de lá... Mas me escute rapaz, seja lá o que Khowret quer, ele me pediu para que eu o encontrasse aqui."
Multhakos - "Mas eu não sou o único filho de Khowret."
Thanor - "Certo. Mas você foi o primeiro que eu encontrei. Isto é simplesmente muita sorte para parecer acaso. Eu te ajudo a ir para Ab'Dendriel, mas primeiro terá que passar alguns meses treinando aqui na cidade."
Multhakos no fundo acreditava nas palavras de Thanor, simplesmente era muita conhecidencia para simplesmente ignorar os fatos. Seu barco havia mudado de rota completamente, de todos os piratas de Liberty Bay, ele teria sido abordado por Boszik, conhecido desse velho, que teria aparecido na hora em que ele começara a lutar. Multhakos por um instante pensou, e logo após respondeu:
"Se isto for me trazer respostas, aceito o desafio de treinar com você."
Thanor rapidamente foi até seu armário e pegou umas vestimentas. Então vista-se, entregando as vestes a Multhakos.
Multhakos - "O que é isso?"
Kal Thanor - "Roupas nórdicas. Khowret usava parecidas com essas, vista-se logo, vai fazer você se sentir mais próximo de suas origens.. Começamos o treino amanhã. Refira-se a mim como mestre a partir de agora!"
Os meses se passariam, e a rotina seria a mesma. Multhakos acordaria cedo, encontraria com seu agora mestre Kal Thanor a beira da costa pantanosa de liberty bay, e lá iria preparar-se para sua vida como um dos filhos de Khowret. Não era uma tarefa fácil mas ele estava ávido por conhecimento e de certa forma, sedento pelo poder que Kal Thanor poderia lhe dar.