Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

  1. #391
    Avatar de Edge Fencer
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    Olá, Iridium!

    Acabei levando um spoiler acidental desse problema do Ireas não poder ir à Svargrond durante o rp, mas agora eu consegui visualizar bem as razões disso. Realmente complicado... A culpa que ele sente pelos atos da mãe influenciou demais nisso tudo, e virar espião de Carlin certamente desagradou muito o pessoal de Svar. Vai ser interessante ver como ele fará para conseguir retornar à Nibelor, já que, pelo visto, você também vai fazer isso no jogo quase simultaneamente.

    Pelo menos durante esse evento em Carlin ele conheceu a Lisette, e a partir daí ele deve ter conseguido superar minimamente os eventos passados, como ficou claro nos primeiros capítulos do pergaminho. Bom, e esse nome "Amante Pirata"... Aí tem coisa.

    Também foi interessante ver o Jack aparecendo novamente, estou curioso pra ver como ele está depois de todos esses anos. Até agora, todo mundo acabou tendo uma mudança visível de personalidade ou de atitude.

    Bom, a qualidade do capítulo dispensa comentários, como sempre. Quanto ao tamanho deles, acho que você não deveria se forçar a escrevê-los sempre grandes. Existem ocasiões que pedem um capítulo mais enxuto e outras que casam melhor com uma narrativa extensa. Tenho certeza que nenhum dos seus leitores ficam incomodados com isso

    Abraço!

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    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  2. #392
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    Champz

    Ah muleq ate que enfim o Ireas tomou um rumo arranjou uma PC isso ai

    Agora o Yami ta agindo de modo suspeito ta meio esquisitão

    O Ireas vai encarar a irmandade dos ossos na cara dura? Então ainda tem chão nessa aventura pq a irmandade é osso

    Big mamma is dead
    I cant call mamma anymore
    Cuz she is gone
    Where are ya mamma?

    Muito trágico alguém acabar matando a própria mãe que sina

    By the way eu vi que a sua outra personagem a Aurelia Drakul está causando maior frisson

    Quando é que você vai começar uma fic com ela? Alias ja pensou se o caminho dela cruza com o do Ireas?
    o morcego perguntou ao outro ambos pendurados de cabeça para baixo

    _qual a pior situação que vc ja viveu dormindo de cabeça para baixo?

    o outro morcego respondeu:

    _caganeira



  3. #393
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 5

    Saudações!

    Com a II Justas Tibianas finalizada, resta agora apenas entregar os prêmios. Minha facul retorna daqui uns dias estou triste

    Como será meu semestre de execução do TCC, tentarei agilizar aqui o quanto eu puder. Provavelmente, a III Justas Tibianas, que começaria por agora em Março-Abril, será adiada para a data provável de Julho.

    Btw, quem tiver uma história ativa ainda no período de 2016 a 2017 está mais que convidado a se inscrever para o Melhor História Roleplaying - Edição 2017 (o Oscar honesto da Seção), que será chefiado pelo nobre @CarlosLendario.

    Basta colocar o título da sua história (com link para o tópico dela), uma curta sinopse, a quantidade de Capítulos totais e se ela está ativa durante o período requisitado.

    Eu inscreverei A Voz do Vento nessa edição, e desejo a todos boa sorte

    Vamos agora aos Comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!

    ------

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 5 — Völuspá

    As Brumas revelam o caminho da guerra…


    Vinte e dois anos antes.

    (Narrado por Asralius)



    Sentado no peitoril de pedra de meu campanário, chorava o pequeno Ireas. Seu choro baixo e solitário ecoava por aquele pequeno salão de pedra, raramente visitado, onde eu habitava. O pequeno menino de cabelos azuis chorava em seu canto, recusando-se a limpar as lágrimas que saíam de seus olhos. Compadecido, e sabendo que Cipfried já dormira após rezar sua Matina*, fui até o menino.

    — Ireas? — Perguntei em um tom manso. — Por que choras, bom menino?

    O garotinho abriu os olhos devagar, voltando seu rostinho para cima com hesitação. Seus olhos azuis pareciam mais claros com o reflexo da luz do luar.

    — As outras crianças tem medo de mim. — Disse o garotinho de olhos azuis tristemente. — Elas não querem mais que eu brinque com elas.

    Eu me abaixei para ficar a uma altura confortável para seu olhar. Ele acompanhou minha movimentação vagarosamente com sua cabeça em um misto de respeito, curiosidade e necessidade de atenção.

    — E por quê elas não querem? — Manso, tornei a indagar.

    — É por conta do que eu faço… Quando me chateio. — Replicou o menino, com a voz trêmula. — A terra… O ar… Quando eu estou triste… Elas ferem os outros.

    Ergui uma sobrancelha, intrigado. O menino começou a brincar com seus dedos, hesitante.

    — Continue. — Pedi, interessado.

    — Algumas meninas implicaram comigo. — Contou o menino, triste, sem conseguir me olhar nos olhos. — Elas eram bem maiores que eu… Elas estavam fazendo maldade com as ovelhas e eu só queria que elas parassem. Uma delas me empurrou, eu me apoiei no chão para me levantar e… De repente, saíram umas… Raízes da terra.

    Arregalei meus olhos, e Ireas voltou suas orbes azuis-escuras para mim, assustado. Seria possível que o menino estivesse manifestando algum tipo de poder natural em tão tenra idade?

    — E o que mais aconteceu? — Indaguei, disposto a entender aquilo tudo.

    — Elas… Bateram nas meninas. — Respondeu Ireas, tomado pela culpa. — Elas fugiram, com medo… As vinhas tinham espinhos, e a menina maior ficou muito machucada.

    Engoli em seco ao ouvir aquilo; o pequeno abaixou um pouco o olhar, envergonhado de si.

    — Eu sou um monstro. — Concluiu o menino tristemente. — Annika agora tem medo de mim… E não vai mais se aproximar.

    — Você não é um monstro, Ireas. — Repliquei da forma mais mansa que podia. — Você… Talvez você tenha uma conexão nata com a Natureza, com as criações de Crunor que nem mesmo eu entendo bem… É uma questão de aprender a controlar seus sentimentos e essa… Força primitiva.

    O menino, um tanto confuso, começou a dar sinais de entendimento de minha fala. Suspirei, pensando na melhor forma de ajudá-lo.

    — O que mais te deixa calmo, pequeno Ireas? — Indaguei.

    — M-música. — Replicou o menino tímida, mas decididamente. — Gosto de… Música. Só que não gosto tanto… da minha voz.

    — Que você acha de aprender a tocar algum instrumento musical? — Indaguei, com um meio-sorriso.

    — Eu queria… — Falou Ireas, menos choroso e já me olhando nos olhos. — Eu… Gosto de cordas. Do som de cordas. O vento… Parece mais agradável quando… Passa por elas.

    Eu concordei com a cabeça e fui até meus aposentos rapidamente. Quando voltei, entreguei ao pequeno Keras uma caixa envolvida em um tecido.

    — Então fique com este alaúde, pequeno Ireas. — Falei, afável. — Que ele seja sua maior companhia e seu maior alento de agora em diante.


    ****


    Tempo Atual.

    (Narrado por Ireas Keras)


    Tive que ir a Svargrond de barco; nesse meio tempo, a Capitã Breezelda, já com seus cinquenta anos de idade mas trinta de aparência e assustadora beleza, me havia permitido tocar à bordo. Ao longo de todos aqueles anos, dedicar-me ao alaúde havia sido uma das poucas coisas que me mantinha longe da insanidade completa do misto de minhas funestas memórias do passado e do meu atarefado presente, deixando-me ao menos lúcido em meio a um mundo de estranhos sonhos e sufocantes pesadelos.

    Uma das cordas, desafinadas, acabou por me trazer à realidade. Senti o tranco do navio sendo ancorado, e logo os olhos claros de Breezelda me fitaram.

    — Seja bem-vindo de volta, xamã de Nibelor. — falou a capitã, sempre séria. — Svargrond lhe espera depois do porto.

    Agradeci-a e paguei o que lhe era devido; saí do navio e desci as escadarias para o piso central do cais; a madeira de lei gélida e cálida me era dolorosamente familiar; de onde eu estava, apesar da cidade continuar em seu movimento habitual, eu sentia uma pressão forte no ar, em meu espírito. A cidade estava reconstruída; as casas de madeira, palha, serragem, pelos e pele estavam de volta aos eixos,

    A primeira pessoa que reencontrei foi Fynn; fazia cinco anos que eu não o via e, a despeito do seu semblante caloroso e de seu porte físico vigoroso, os anos certamente o alcançaram: ele parecia ao menos quinze anos mais velho do que quando eu o conheci. Engoli em seco ao me deparar com um alguém que me ajudara tanto, mas que parecia apenas sombra do que fora um dia.

    Ele me cumprimentou e me senti mais leve; entretanto, podia sentir outros olhares sobre mim; olhares de desconfiança, de receio, de reprovação. Muitos dos nativos me fuzilavam com o olhar, enquanto os forasteiros olhavam a cena sem compreender, pois não era o mesmo olhar negativo que dirigiam a um estrangeiro. Não…

    Era a fitada dada a um exilado. A um xamã exilado. Respirei fundo e segui meu caminho a passos hesitantes. Apesar dos pesares, eu tinha que tentar. Hrodmir, em especial Nibelor, era a área mais espiritual que eu conhecia… Mas precisava de permissão para acessá-la. E somente uma pessoa poderia me ajudar a consegui-la.

    Cheguei à taverna já com o estômago embrulhado por tantos olhares revoltados e burburinhos inconformados; o velho Dankwart, cujo rosto já exibia os sinais de velhice ainda mais avançada, servia chá quente com Hidromel ao conde Sven, que, mesmo sendo jovem, já não era mais tão jovem quanto outrora. Desde o ataque da Irmandade a Svargrond e a consequente Revolução que se seguira um tempo depois, a cidade toda envelhecera um pouco. E, quando, para a surpresa de todos, Eloise aceitara a separação apenas dois anos depois dos embates se iniciarem, foi como se o peso dos grilhões soltos tivesse enfim feito aquela gente toda pagar sua última prestação de contas, deixando Svargrond mais velha e estranhamente pesada.

    Mal sabiam eles que eu tive minha parte nessa vitória facilitada; graças aos meus serviços à TBI, com o acordo que fiz com Eloise, a CGB obteve todas as informações de que precisava, o golpe de estado em Carlin fora impedido e a Rainha cumprira com sua palavra para com sua ex-colônia, deixando-a livre de forma aparentemente inexplicável. A fim de libertar minha gente, me vendi a Thais na esperança de conseguir o apoio da Rainha; usei uma máscara à frente de Chester Kahs para convencê-lo de minhas intenções, enquanto mostrava minha outra face a Eloise, enchendo-a de detalhes que a ajudaram a salvar seu reinado.

    Quisera eu não ter feito aquele acordo; entretanto, se não o tivesse feito, Eloise teria descido a mão de ferro em Svargrond, e novamente a neve seria manchada com o sangue de inocentes. Depois do ocorrido com a Irmandade, eu precisava proteger a minha terra natal. Afinal, eu já havia vendido a alma antes… E não via problema algum em fazê-lo novamente por um bem maior.

    Não demorou muito para Sven e Dankwart notarem minha presença. Enquanto que o mais velho retirou-se para seus aposentos, claramente assustado e surpreso com minha presença, o primeiro limitou-se a olhar-me de soslaio, bebendo seu chá aos poucos.

    — Ora, ora… Petturi* Ireas Keras. — Falou o Conde com um pouco de rancor em sua voz aparentemente apática. — O que te traz a Svargrond depois de tantos anos?

    Engoli em seco; não sabia ao certo o que dizer. Não foi uma decisão fácil para mim virar um agente da TBI, especialmente a pedido da Rainha Eloise, virando a casaca mais de uma vez.

    — Um sonho. — Repliquei, sendo aquelas as únicas palavras que me vinham à mente.

    Sven ergueu a sobrancelha, desconfiado.

    — Você tem muitos sonhos, Xamã. — Replicou o conde de Svargrond secamente. — A maioria deles culmina em algum tipo de agouro. Vou precisar que seja mais específico para que eu ao menos possa te ajudar.

    — Não sei se é adequado falar disso. — Repliquei, receoso, mas sério. — Não quero causar nenhum alarde.

    — Sua presença já o fez, rapaz. — Sven cortou-me a fala, ríspido. — A cidade inteira já sabe que você está aqui. E isso significa que Kjesse já sabe que você está aqui.

    Soltei um largo suspiro, frustrado.

    — Apesar de tudo, apesar das informações omitidas e das meias-verdades contadas, eu aprendi, ao longo dos anos, a te respeitar. — Agora, Sven estava com o corpo virado de frente para mim, fuzilando-me com o olhar. Estranhamente, eu não me sentia desconfortável com aquilo. — E, portanto, aprendi, também, a te favorecer, visto que você jamais descumpriu com a sua palavra.

    — E quanto ao meu exílio forçado? — Indaguei, frustrado com as lembranças que aquele local me trazia. — Por que você não fez nada?

    — Era um assunto de família, Keras. — Replicou Sven, franzindo o cenho. — E eu nunca te impedi de vir a Svargrond. Você, no que concerne a mim, jamais foi exilado. Agora, você tem os teus assuntos pendentes com o velho xamã, e só você pode resolver. De qualquer maneira, eu te dou meu apoio.

    Ele colocou o copo em cima do balcão e levantou; de pé, após todos aqueles anos, o porte imponente se mantinha, e aquele homem de dois metros conseguiu ser tão intimidador quanto no primeiro dia que eu o havia conhecido.

    — Você é um homem honrado, Ireas Keras. Não sei como Kjesse poderia pensar mal de você dessa forma. É muita falta de consideração com tudo o que você fez por nós ao longo desses anos todos. Enfim… Se foi um sonho que te trouxe aqui, só as Brumas podem te dar alguma resposta. Vai ter que falar com Kjesse. Não posso fazer nada por você em termos espirituais.

    Engoli em seco e concordei com ele. Não havia mais nada que pudesse ser feito; tinha que ir até Kjesse… E exigir aquilo que era meu por direito.


    ******


    (Narrado por Siflind)


    Enfim, ele havia voltado.

    Muitos anos haviam se passado desde que fui de um matrimônio a outro; Kjesse esteve presente quando Hjaern não pode mais. Não que eu desgostasse de Ireas, mas ele não era o irmão. Jamais o seria. Ele poderia ter sido muito mais presente se não tivesse tentado desafiar a autoridade de meu marido. Suspirei enquanto eu o via passar e senti uma mãozinha apertando a minha.

    — Mamãe, esse é o tio Ireas? — a voz infantil e feminina falou, e eu olhei para baixo.

    Era uma menina alta para a idade, branca, de olhos castanhos como os meus, cabelos castanhos-claros dispostos em dreadlocks e amarrados em um rabo de cavalo. Uma das mechas de seu cabelo era branca-azulada, trançada em um dreadlock único e também atado ao rabo de cavalo. Suas bochechas já estavam ficando rosadinhas com o frio, e ela me olhava com curiosidade e um pouco de receio.

    — Sim, Skadi. — Respondi, apreensiva. — É o seu tio Ireas.

    Minha filha olhou para frente, analisando o homem de cabelos azuis que se direcionava apressado ao nosso lar.

    — Ele parece muito chateado. — Falou a pequena, séria e curiosa. — Será que ele vai fazer algum mal ao…

    Ela se calou; apesar dos anos, os esforços de Kjesse em tentar substituir o vazio deixado por Hjaern acabaram gerando mais dúvidas em minha filha do que eu poderia imaginar. Em parte, estava feliz em ter um marido novamente, e uma figura paterna presente e constante na vida de minha filha. Por outro lado, o fato dela não conseguir chamá-lo de “pai” parecia complicar meu relacionamento com meu consorte.

    — Não, minha querida… — Repliquei, segurando sua mão com ternura — Eles vão ter uma conversa de homem para homem, eu acho. Vamos, temos que comprar peixe.

    — Por que não pescamos? — Indagou minha filha inocentemente.

    Engoli em seco e não a respondi; a réplica ficou entalada em minha garganta e não queria sair. “Porque seu pai pescava, e eu desaprendi. E pescar traria à tona as lembranças do homem que perdi para a Irmandade dos Ossos.”. Era isso que eu queria responder.

    E não foi o que consegui dizer. Apenas fiquei calada e levei Skadi ao mercado.


    *****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Inspirei e expirei devagar; sete anos haviam se passado desde o incidente que me forçara a sair de minha terra natal e deixar Nibelor. Cheguei à tenda de Kjesse, com os olhares já me deixando terrivelmente incomodado e irritado.

    Ao entrar, fui recebido por uma bruma mais densa que o normal: e sufocante. Apertei meus olhos, tentando achar o responsável por aquilo enquanto sentia uma dificuldade anormal em respirar.

    — Ireas Keras. — A voz um pouco grave, rouca e irritante de Kjesse fez-se presente. — É muita cara de pau voltar aqui depois de tudo que já foi dito e feito.

    As brumas ao redor se abriram, e a imagem do velho Xamã fora enfim revelada. Sua enorme máscara tribal, feita de madeira escura e com entalhes que lembravam uma caveira exposta, escondia suas feições envelhecidas, mas as marcas do tempo em seu torso exposto e pintado estavam ali para ser lidas e interpretadas. Ele segurava uma boneca de pano com cabelos azuis: certamente, uma éfige feita com intenções totalmente duvidosas.

    — Kjesse. — Rugi de raiva, reverenciando-o contra a minha vontade. — Tudo que eu fiz foi por Svargrond.

    — Por você mesmo, criança arrogante. — Corrigiu-me Kjesse, fazendo carinho na éfige que tinha em mãos. Comecei a sentir algo passando pelos meus cabelos. — Tudo o que você fez foi para salvar sua maldita pele e esquivar-se de quaisquer responsabilidades ou compromissos.

    — É mentira e você sabe! — Vociferei, irritado. — Você envenenou essa gente com suas mentiras!

    — Tolo… — Replicou Kjesse em um tom de voz perturbador. — Eu sequer precisei. A notícia da suposta recriação da Sociedade das Almas nas mãos de um Xamã supostamente corrompido pela Irmandade dos Ossos foi o suficiente… Bem como o fato desse mesmo Xamã ser o irmão caçula de Hjaern, que morreu desmembrado como o frango que era.

    Cerrei meus punhos, tomado pelo ódio; Kjesse não estava ali para conversar.

    — Seu… — Comecei, apertando meus dentes em sinal de fúria.

    — Mas, é claro… — Ele parou de fazer carinho na boneca e fitou-me por trás da máscara, expondo um brilho avermelhado em seus olhos. — O irmãozinho pródigo tinha que retornar. Para quê, eu pergunto?

    — Um sonho. Quero regressar a Nibelor. — Repliquei, fazendo um esforço grande para não voar no pescoço do velho xamã. — Aquele foi o lar de meu pai, de meu irmão mais velho e meu. E eu vou regressar!

    Senti, então, uma pontada em meu abdome, como se fosse um soco; ajoelhei e cuspi sangue. Estranhamente, Kjesse não viera de encontro a mim. Ele não me acertara, ao menos não fisicamente. Eu voltei meu olhar para cima e vi, então, o que acontecera de fato.

    Ele fincou uma pequena agulha no abdome da éfige que tinha em mãos.

    — Vodu?! — Indaguei, furioso. — Você me paga, velho maldito!

    Levantei-me rapidamente e arremessei uma estaca de gelo em sua direção, a fim de assustá-lo; o velho Norsir recuou, deixando a agulha cair. Senti meu abdome livre de pressão, mas a éfige ainda estava em uma de suas mãos: na outra, havia uma chama negra, profana. Fiquei paralisado.

    — Não se atreva. — Kjesse falou em um tom de voz sinistro. — Você já forçou demais a minha mão ao longo desses anos… Foi muito trabalhoso convencer Siflind de que sua presença significaria constante perigo para ela e a pequena Skadi. Ainda mais trabalhoso foi fazer com que ela te afastasse de vez, e nem me fale no trabalho que tive para convencer Chester a me entregar o seu nome e quase acabar com quaisquer acordos que você tinha com Rainha Eloise.

    Arregalei meus olhos; as memórias do dia em que fui notoriamente expulso de Svargrond começaram a voltar naquele momento.

    — Agora, seja um bom menino, dê meia volta e não retorne aqui. Svargrond não tem lugar para os Sonhos de Nornur. Esse terreno… Pertence aos Pesadelos… E ao Vodu!

    Ouvi sua risada maligna uma vez mais enquanto ele aproximava, lentamente, a minha éfige das chamas corruptas que trazia consigo. Precisava impedi-lo. E rápido.



    Continua….


    -------

    Glossário:

    (*): “Traidor” em Finlandês.

    ------

    Aleluia, saiu!!!

    Esse capítulo estava MUITO EMPACADO e saiu TOTALMENTE DIFERENTE do planejado, mas serve! Vamos que vamos! Faltam 10 Capítulos para o fim!

    Espero que tenham gostado, e até o próximo!

    Agradeço em especial ao @Manteiga por uma sacada de interpretação que ele teve após a minha Warlord Arena e que ajudou a deixar mais definido o antagonismo de Kjesse em relação a Ireas.

    Deixem seus comentários abaixo, por favor!



    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 09-03-2017 às 17:24.

  4. #394
    Avatar de Motion Flamekeeper
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    Muito bom o Episódio, curti de mais. Quero mais por favor kkkkkk




    Última edição por Motion Flamekeeper; 09-03-2017 às 20:00.
    Got to stay high, all my life, to forget i am missing you !
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  5. #395
    Avatar de mago nobre
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    Boa noite!

    Excelente capitulo como sempre.

    Essa volta para Svargrond foi muito boa....

    Ansioso para ver como o Ireas vai combater o "vudu", ainda bem que ele só foi espetado na barriga

    Você me fez procurar no google o que significava "Petturi", só depois eu vi o glossário.

    Aguardando o próximo...

    Abraço!





    Última edição por mago nobre; 09-03-2017 às 22:35.

  6. #396
    Cavaleiro do Word Avatar de CarlosLendario
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    Rapaz, sabia que ia dar merda. No fim, Ireas não é bem vindo aí mais e todo mundo pensa que ele é um cuzão. Até mesmo Silfind.

    Kjesse tem um provável envolvimento com a Irmandade dos Ossos, então? Essa chama negra não foi a toa. E usando vodu ainda... Quero ver como isso vai terminar. Talvez role um exevo gran frigo hur aí ou alguma macumba do vento.

    Aguardo o próximo.


    ◉ ~~ ◉ ~ Extensão ~ ◉ ~ Life Thread ~ ◉ ~ Seção Roleplaying ~ ◉ ~ O Mundo Perdido ~ ◉ ~ Bloodtrip ~ ◉ ~~ ◉

  7. #397
    Avatar de Edge Fencer
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    Esse capítulo demorou um pouquinho pra sair, mas valeu (e muito!) a espera.

    Primeiramente, adorei a cena do passado com o Asralius. Imagino como ele reagiria vendo onde essas habilidades do Ireas iriam parar...

    Na sequência, foi muito bacana a forma como você descreveu a cidade e o povo de Svargrond. A representatividade que teve o "envelhecimento" das pessoas em relação ao massacre da irmandade e a libertação das amarras de Carlin foi muito bem colocado. Passou uma sensação bem forte de como tudo aquilo afetou o lugar. Já o Ireas, coitado, como sempre carregando o peso de todo mundo nas costas; gostaria de ser um personagem da história só pra poder socar a cara de cada cidadão que olhou torto pra ele.

    O Kjesse mostrou ser um ávido usuário dos perfumes puro vodu. O que é complicado nessa história é que o fdp convenceu a Siflind a se afastar do Ireas, e vai ser difícil a moça aceitar que o cara não é flor que se cheire, já que ela o vê como substituto do Hjaern e uma figura paterna pra Skadi. Só espero que o Keras saia dessa inteiro e triunfe sobre esse véio maldito.

    Bom, vamos ver agora o que vai rolar nessa reta final. Curiosidade tá a mil.

    Abraço!
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  8. #398
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 6

    Saudações!

    E lá vem mais Capítulo! Não sei se perceberam, mas já chegamos a um terço do Terceiro Pergaminho! Faltam nove capítulos para o fim e meio que uma pequena parte do arco, a parte mais "introdutória", foi encerrada. Espero que estejam gostando.

    Eu já confesso que vou sentir muita saudade de escrever as histórias do Ireas aqui, mas, para quem gostou, sempre terá as Versões Roleplay no meu L.T. ASUAEHAUEHAUEHUEH

    Vamos às respostas dos comentários da vez para dar continuidade:

    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de Hoje!


    ----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 6 — Maldito Seja!

    Os fios do Destino tecem uma teia mortal…

    (Narrado por Kjesse)



    Aquela era a hora! Finalmente, eu tinha o último Keras em mãos. Digo, de sangue: a pequena Skadi era filha do adotado, portanto, mal poderia ser considerada um. Era hora de terminar o trabalho que havia sido iniciado anos antes em Sabrehaven, antes do despertar de Morgaroth… A muito Keras deveria ter sido sacrificado: se o tivesse sido, o poder da alma invernal de Nornur teria feito do Senhor da Lava o mais irrefreável dos seres.

    Apoiado sobre um dos joelhos, vi o menino querer sacar algo de sua bainha; certamente, um de seus machados. Atirei um bola de fogo negro em sua direção, acertando-o com força tal que ele deslizou um pouco pelo chão de madeira clara.

    — Onde eu estava? — Falei, com um sorriso sinistro. — Ah, sim… Estava prestes a queimar sua alma!


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Respirei fundo e assoprei o mais gélido e forte vento que pude; o velho, novamente pego de surpresa, foi atingido e caiu. A boneca foi jogada longe. Eu me levantei já com dois machados de gelo eterno em mãos. Kjesse bateu o cajado contra o chão, fazendo-o tremer e esquentar, como se houvesse lava no assoalho abaixo. Antes de cair, atirei os machados contra o velho, desviando do primeiro mas recebendo o segundo em seu flanco.


    ****


    (Narrado por Kjesse)

    — BASTARDO FILHO DA PUTA!

    Urrei de dor, recuando. O desgraçado ousou ameaçar minha vida! Pior: ele não só atirou machados contra mim, como teve a audácia de acertar meu flanco. Furioso, ateei fogo o machado ainda preso ao meu corpo, o qual derreteu. Imediatamente depois, com a ferida aberta em meu flanco, eu vi a arma desgraçada reaparecer na mão esquerda de Ireas, que me fitava com fúria em seu olhar.

    — Exevo Max Frigo! — Urrou o druida.

    Ele arremessou os dois machados em minha direção e uma onda de gelo veio rápida; conjurei uma redoma de chamas negras ao meu redor, mas o ataque foi mais forte que imaginei: apesar de ter refreado a maior parte do gelo e da neve, uma parte disso conseguiu enfraquecer minhas defesas e acertar meu corpo novamente. Caí pesadamente no chão, furioso.

    A éfige de Ireas ainda estava no chão; ele arregalou o olho, e eu fiz o que tinha que ser feito.

    — Você me paga, Vento do Norte! — Ainda no chão, apontei minha mão para a éfige, atirando uma rajada elétrica contra ela.

    Minha máscara estava quebrada; meu rosto sangrava e minha fúria transbordava. Estava tão concentrado no que fazia que não percebi o que estava por vir.


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    — AAAAAAHHHH!

    A descarga elétrica veio forte; meus machados foram ao chão e eu caí de joelhos, ofegante. Podia sentir meu coração descarrilhado, arrítmico. Um grito agudo e abafado ressoou no ambiente logo em seguida. Eu olhei para trás.

    Era Siflind.

    — Kjesse! — A mulher gritou, horrorizada. — O que é isso?! O que está acontecendo aqui?!

    Eu paralisei, e Kjesse também; pela primeira vez em anos, eu pude ver como era o rosto daquele homem: seu rosto era velho e mórbido, exibindo os sinais da corrupção típica daqueles que seguiam o caminho das artes negras e necromânticas. As marcas em seu corpo começaram a brilhar em um sinistro tom de vermelho. A ferida aberta, sangrando livre e torrencialmente, começou a necrosar em vez de fechar. Engoli em seco e arregalei os olhos, assustado com aquilo.

    — Fuja. — Falei para Siflind, assustado. — Fuja!

    — O que você fez com ele?! — Gritou a Norsir, assustada e às lágrimas. — O que você fez com meu marido, Ireas?!

    Eu sequer tive tempo de esboçar alguma reação; senti tentáculos, ou algo do tipo, feitos de carne crua e exposta enroscando em meu corpo e me puxando para longe de Siflind; o cheiro de carne podre e sangue talhado confundiu meus sentidos, e eu fui arrastado rápida e impiedosamente; diante do semblante horrorizado de Siflind, eu fui de encontro à parede de madeira do templo, a qual foi arrebentada com a força. Caído, fiquei estatelado no chão, muito machucado.

    Kjesse, entretanto, não parecia satisfeito.

    — Esse malfeitor herege, mulher, veio para te confundir! — Ele rugiu em um tom sinistro e perverso. — Ele veio para profanar nossos costumes e falar meias-verdades para Skadi, nossa filha! Ele é uma má influência, um resquício da Irmandade dos Ossos em nosso lar e deve ser pulverizado!

    Olhei para Siflind, sentindo dor a cada movimento milimétrico que tentava fazer; respirei fundo. Eu não sabia se ela faria algo por mim. Dificilmente ela faria; ela havia se tornado uma mulher vulnerável, fraca e submissa desde que aceitara o pedido de Kjesse.

    — Meu ódio… — Sussurrei, piscando devagar.

    Eu vi Kjesse conjurar mais tentáculos; o cheiro podre e repulsivo me dava náuseas. Eu vi as lágrimas nos olhos arregalados de Siflind, paralisada. Meu sangue começou a ferver, mas não era calor que eu queria. Eu queria o frio. O gelo. O ódio.

    — Meu ódio por você… — Sussurrei, sentindo o vento ao meu redor responder ao meu velado pedido. — Meu ódio… Não tem… FIM!

    Vi os olhos do velho decrépito fixos em mim; ele então os arregalou, sem entender o que estava ocorrendo diante de seus olhos.

    — Não… Não pode ser! — Ele balbuciou, recuando. Eu vi Siflind voltar seu olhar apavorado para mim. — Isso é… Isso é coisa de Pai Chyll!

    O Vento gelado me envolveu; neve, granizo e gelo responderam ao meu chamado em meio aos ares de Svargrond. Minhas feridas se curaram e senti minha pele congelar e ficar dura como pedra; minhas vestes, antes de couro por baixo das roupas pesadas de tecido, agora estavam azuladas e também endurecidas. Meus machados de gelo estavam embainhados, um à esquerda e outro à minha direita. O grosso casaco de pele, assim como as botas e as calças jaziam rasgadas no chão. Minha pele estava pálida e um pouco azulada. Meu olho, mais azul que antes, brilhava fantasmagoricamente e meus cabelos haviam perdido boa parte da cor, similar à tonalidade dos cabelos de Hjaern.

    — Mas que merda?! — Esbravejou Kjesse, assustado e furioso. — Matamos o seu culto aqui! Você não mais olha por essas pessoas! Você não é mais o deus de Hrodmir!

    — Errado. — Falei em um tom frio que não me era familiar — Essa terra é do Vento… É de Chyll e E EU SOU SUA FÚRIA ENCARNADA!

    Siflind saiu correndo; Kjesse comandou os estranhos tentáculos em minha direção. Eu simplesmente ergui minhas mãos e o Vento se encarregou do resto. Com uma lufada de ar frio, o vento cortou os tentáculos, congelando os pedaços em suspenso; Kjesse olhou ao redor, cercado pelos pedaços gélidos e cortantes que flutuavam no ar agressivo: e ele estava lá, indefeso, em meio à essa tempestade.

    — Ireas…. Eu não vou ceder à sua ameaça! Você pode me matar mas isso não acaba aqui! — Esbravejou o velho sacerdote, olhando para os lados desesperado por uma escapatória.

    — Quem você serve? — Indaguei, ainda com as mãos erguidas.

    Kjesse me olhou e, a despeito do desespero em seu olhar, eu conseguiu vislumbrar a certeza. Certeza de sua morte ali e instantes após o que viria a me falar, mas não era como se ele ligasse. Ele certamente sabia dos estragos que havia feito em minha e tantas outras vidas. Ele sorriu em escárnio para mim.

    — Eu sirvo o Pesadelo. Eu sirvo os Bichos-Papões. — Ele falou, emendando um riso maligno. — Eles estão perseguindo seus amados Teshial… E não haverá nada que você e o Vento do Sul poderão fazer para salvá-los!

    Abaixei os dedos anelar e mínimo de minhas mãos; os pedaços de carne congelada viraram-se contra Kjesse.

    — Você vai pagar por isso, velho maldito. — Rosnei. — Seu corpo e sua alma jamais encontrarão descanso. Diga a seus mestres… Que o Vento do Norte mandou um olá. E que nos veremos muito, muito em breve. Eu vou bater um ótimo papo com eles.

    Dito isso, abaixei minhas mãos e os projéteis gelados fizeram seu serviço; o corpo de Kjesse foi cortado em meio ao vento e ao gelo, e seu sangue e partes de sua pele, carne, cabelos e entranhas foram se misturando ao redemoinho invernal até que não restasse mais nada de sua vil existência; tudo o que havia sido mutilado e triturado pelo vento foi comandado por mim a ser jogado no mar, contornando Hrodmir inteira. Ao menos, serviria de alimento às Quaras e outros habitantes do reino de Bastesh.

    Senti, de repente, o ar faltar em meus pulmões; eu, que outrora flutuava em meio ao vento gelado, caí de joelhos no assoalho abaixo de mim. Meu corpo parecia estar voltando à temperatura normal, mas era uma sensação horrível em vez de reconfortante. Comecei a tossir enquanto tentava respirar; meus cabelos voltaram à tonalidade normal e minha pele parecia mais rosada e viva se comparada com o estágio anterior.

    — Eu estava certa. Tio Kjesse não era tio Kjesse.

    Olhei para cima, ainda de joelhos. Uma menina de sete anos, mas um pouco alta para sua idade, com cabelos castanhos-claros e uma mecha azul bem clarinha, armados em dreadlocks e atados em um rabo de cavalo, com olhos castanhos cheios de inocência, piedade e força. Era ela o sangue de Hjaern. Skadi.

    — Como? — Indaguei, abraçando a mim mesmo em meio ao frio que sentia.

    — Tio Kjesse… Eu vi ele morrer, tio Ireas. — Skadi falou triste, porém firmemente. — Mamãe não viu. Mamãe nunca soube. Os bichos-papões vieram um vez… — Ela passou por mim e tentou recolher minhas pesadas roupas de frio. — É pesado! Não consigo…. — Ela ainda estava determinada a pegar meu casaco sem ajuda, e conseguiu, com esforço, arrastá-lo para mim. — Consegui! — Ela entregou o casaco para mim, orgulhosa.

    — Quando que… Você viu? — Indaguei, vestindo o casaco devagar, ainda estupefato com todos os ocorridos e por estar falando sobre morte com uma garotinha de sete anos.

    Ela se ajoelhou bem perto de mim, assustada. Parecia estar, enfim, sentindo o choque de suas palavras e do resultado de meu confronto com Kjesse.

    — Era um bicho muito feio, tio Ireas. — Falou a menina. — Ele parecia um tubarão… Suava… cheirava mal. Eu tinha acabado de ter pesadelo e não conseguia dormir… Mamãe estava doente e dormindo e tio Kjesse que estava acordado… Eu fui até ele… Eu vi o tubarão e… Me escondi. Eu ouvi tudo. Eu vi. Tio Kjesse morreu e o tubarão virou ele!

    A menina começou a chorar e eu a abracei; já vestido com o casaco e as luvas, meu corpo tremia menos e já estava mais recuperado.

    — O tubarão mudou essa cidade, tio! — Contava a menina às lágrimas. — Ninguém mais brinca, ninguém mais dorme… Todo mundo ficou triste, cansado, infeliz e raivoso! Ajuda a gente, tio! A gente quer poder sonhar de novo!

    — Eu vou fazer o meu melhor, Skadi. Eu prometo. — Falei à minha sobrinha no tom mais doce que eu podia. — Você e todo mundo aqui de Svargrond vai voltar a sonhar. É uma promessa que eu vou cumprir.

    Eu sabia que levaria um bom tempo. Anos. Talvez décadas. Porém, valeria o preço; eu veria os rostos dos Norsir erguidos e orgulhosos novamente. Descansados e prontos para as batalhas diárias e para quando a guerra de fato os chamasse a combater.

    Já mais aquecido, senti o vento soprar mais ameno; naquele momento, o Inverno não era necessário. O perigo havia, por ora, passado; eu toquei o chão e a Terra e o Vento fizeram a minha vontade. Vinhas fortes emergiram do chão nevado e substituíram as tábuas da parede destruída pelo combate. Elas se enroscaram, sobrepondo umas às outras e juntando-se à construção original. Ao final disso, o ambiente pareceu mais ameno e menos frio. O Outono veio para curar o que o Inverno não poderia. E foi como se um pesado véu negro tivesse sido rasgado e removido de Hrodmir.

    Quando Siflind voltou, ela voltou atordoada; Skadi saiu de meu abraço e foi até ela, contando tudo o que sabia. A Norsir, então, chorou. Chorou as lágrimas pelo segundo marido que perdeu. Chorou pelas três vezes que perdera os homens que amava. Chorou as lágrimas que não pôde chorar por Hjaern e chorou duas vezes a morte de Kjesse.

    Elas me acompanharam a Nibelor e eu enfim pude deitar no altar de pedra e sonhar. Construí, três dias após a morte de Kjesse, a Ponte dos Sonhos que ligaria Svargrond ao restante da Sociedade das Teias Infindas.



    Continua….

    -----

    Demorou mas chegou!! Espero que gostem xD

    Deixem seus comentários! O feedback é sempre muito apreciado!

    Até o próximo!



    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 19-03-2017 às 10:40.

  9. #399
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    Porra, esse episódio foi muito foda, a musica que você escolheu, começou, desenvolveu e terminou, tudo na hora certa. Quando terminei de ler o ep. a música acabou junto, ficou muito foda.

    Agora estou ansioso para ver como o Ireas vai fazer pra acabar com os Terrorsleep junto aos Teshial.

    Genial !

    Quero mais, obrigado, de nada !

    PS: No jokes today. kkkkkkk
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  10. #400
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    Parece que você tá envolvendo Roshamuul e os Dreamwalkers de lá com os Teshial, a prova disso é esse Terrorsleep que se aliou com Kjesse. Na verdade, quando Skadi disse "tubarão", eu imaginei aquele tubarão lá da série do Flash, mas depois do comentário do Motion, faz mais sentido que seja aqueles bichos de Roshamuul, que por sinal, são bem legais.

    Agora eu quero saber como os eventos seguintes serão. Kjesse morto, Skadi viu tudo(Coitada, viu uma cena brutal) e agora há uma ponte dos sonhos em Svargrond também. Acho que, com isso, Ireas voltará a ter boas relações com os Norsir, até porque, pelo que me pareceu, ele pode acabar com essa cidade toda se quiser, os poderes que ele manifestou ali na tenda do xamã são sinistros. ainda assim ele não derrota o george nem fodendo kek

    Aguardo o próximo capítulo, Iri. imagine o kiritsugu falando iri pls

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