Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

  1. #421
    Avatar de Senhor das Botas
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    Só vim deixar o meu rápido comentário sobre este último capítulo. Não foi nenhum grande conflito no final das contas, mas Ireas, como sempre, acabou perdendo algo...

    Enfim, com o pouco que resta da história, e você não querendo estender ala One Piece, creio que ou os próximos capítulos serão focados nos Pesadelos, ou serão sobre as crianças que Ireas nunca teve... E agora tem.

    Enfim, no aguardo do capítulo que está por vir xD.


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  2. #422
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 12

    Saudações!

    Primeiramente, bom dia. Em segundo lugar, obrigada pelos 50k de visitas a esse tópico! Fico muito contente não só pelos comentários, como também pela leitura em geral! Espero que a história ainda angarie mais algumas visitas mesmo após seu término

    Bom, com esse capítulo de hoje, faltarão apenas três. Eu mal posso acreditar nisso... E eu espero que todos despertem algo em vocês: qualquer sentimento que os faça repensar ou refletir sobre alguma pequena (ou grande) parte das vidas de vocês. Sem mais delongas, vamos aos Comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Agora, o Capítulo de Hoje!

    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 12 — Refúgio (ou Fogo e Água)

    Fogo e água não caminham juntos…*

    (Narrado por Rei Jack Spider)


    A noite estava calma na porção Sul da Sociedade das Teias Infindas; Morzan e Sírio já haviam saído para o cais etéreo e Icel ficara do lado de fora de minha residência para montar guarda. Apoiei meus braços no parapeito do balcão, olhando para as luzes que dançavam na abóbada celeste do Reino dos Sonhos, moldando as áreas escuras ao mesmo tempo que se deixavam comprimir por elas.

    Eu olhava para os céus, pensativo; a notícia de que Ireas conseguira reaver seus filhos fez-me lembrar de que, agora, ele pertencia à parte de nosso círculo social que abraçara a paternidade. Ele, Emulov, Brand e Mandarinn, antes de todos nós, eram pais. De certa forma, o Vento do Norte já havia aceitado a condição de pai, ou ao menos de padrinho, no que tocava a Skadi, sua sobrinha. Toda aquela situação me fazia pensar se talvez não fosse meu momento de buscar minha família também.

    Entretanto, havia meus pais. Eles ainda estavam muito fracos e precisavam de mim. Ainda que não fosse muito a minha vontade ser pai, mesmo sabendo que minha mãe adoraria ter netos para cuidar, sabia que a paternidade não seria prioridade tão cedo. A Ponte dos Sonhos, sim, era prioridade; e eu há muito aguardava notícias sobre um possível refúgio para os Teshial em Ab’dendriel novamente, reunindo os povos élficos sob o mesmo estandarte uma vez mais.

    Meus devaneios não durariam muito mais tempo, pois pequenas e agitadas passadas ecoaram em meu recinto e eu olhei para trás. Nada.

    Vento Sul! — Uma vozinha aguda e familiar falou, agitada — Vento Sul!

    Olhei para baixo e arregalei meus olhos: era Auli’i, uma das Dworquisas que morava na Sociedade, e seu semblante estava estampado com um misto de medo e espanto.

    — O que foi, pequena? — Indaguei, ajoelhando-me diante da Dworquisa.

    Pesadelo! Ataque! Medo! Aqui! — Gritou Auli’i, apavorada, gesticulando a esmo com suas mãozinhas gorduchas e olhando-me com os olhos cheios de lágrimas.

    Gritos irromperam na escuridão e eu pude ouvir de longe a voz de Icel dando comando às tropas vigilantes da noite; não havia tempo para avisar a Ireas. Os Bichos-Papões estavam à solta, querendo sangue Teshial e todos os sonhos dos quais pudessem se alimentar. Peguei algumas lanças etéreas, empunhei meu escudo, vesti minha armadura e segui Auli’i em direção à guerra.



    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Enfim, os três haviam acabado de dormir. O quarto que fiz para os três contou com a ajuda emergencial (e providencial) de Yami, que conjurara para cada um um leito. A mais velha, Aslaug**, ganhou uma cama grande, com colchão confortável, nem muito firme ou muito fofo, um travesseiro macio e uma coberta feita de pelo de mamute. Aslaug era a que mais lembrava a mãe, com os cabelos ondulados em tom ruivo-acastanhado, com uma espessa mecha de cor azul, igual ao meu cabelo, passando por ele; sua pele era da mesma tonalidade da minha, mas as sardas douradas da mãe estavam presentes de forma ostensiva em seu rosto. Passei por ela e dei um beijo em sua testa antes de ir em direção à segunda criança.

    Talvi***, a filha do meio, dormia em uma manjedoura grande e que tinha uma divisória, onde eu poderia colocar meu filho caçula e único menino, Soren****. Talvi saíra mais parecida comigo, com os cabelos mais lisos, azuis e que clareavam até chegar às pontas, que eram esbranquiçadas como as do cabelo de meu falecido irmão Hjaern. Sua pele tinha uma tonalidade meio-termo, sendo mais bronzeada que a minha e mais clara que a de Lisette. Em vez de sardas, Talvi tinha uma pintinha dourada abaixo de seu olho esquerdo. Ajeitei sua coberta com a mão que eu tinha livre e coloquei Soren no espaço vazio para que ele pudesse repousar. Soren era moreno como a mãe e o pouco de cabelo que tinha eram azuis como os meus, mas com uma mecha ruiva perto do pescoço e não tinha sardas. Apesar de ter vindo ao mundo prematuro, seu renascimento nas mãos de Bastesh deu-lhe um corpo novo e sadio, como se tivesse vindo ao mundo no tempo certo.

    Bastesh cumprira dignamente com sua palavra, e, mesmo com a perda de Lisette, ao menos teria a oportunidade de ser o pai que aquelas três crianças mereciam, ainda que, infelizmente, tivessem que viver sem a mãe. Assim que terminei de ajeitar meu filho caçula na manjedoura, ouvi passos apressados vindo em direção ao quarto.

    — Ireas! — Era Yami, exclamando. — Tenho algo a…

    — Ssshh! — Repreendi Yami, colocando o dedo indicador sob meus lábios para que ele fizesse silêncio e apontei para a manjedoura, franzindo o cenho.

    — Oh! Desculpe… — Replicou o Efreet, abaixando o tom de voz ao ponto de quase falar em sussurros. — Esqueci que você tinha que colocá-los para dormir.

    — Sem problemas. — Repliquei em voz baixa. — Só não fale muito alto… Soren deu muito trabalho para adormecer e eu não quero que ele acorde.

    — Entendo. — Replicou o Efreet em voz baixa — Eu vim apenas lhe dizer que a negociação de Mandarinn foi um sucesso.

    — Isso significa que… Os Teshial terão para onde ir? — Falei, surpreso.

    — Sim. Em termos, eu diria. — Falou Yami, apoiando o ombro na lateral da porta e cruzando os braços sem desviar o olhar. — Uma casta desaparecida, a tempos dada como extinta, voltando do nada depois de um isolamento voluntário? É complicado, Ireas… Solária disse que receberá os refugiados e encaminhará ao Conselho de Ab’dendriel para ver o que será feito.

    — Isso não parece muito certo, Yami… — Repliquei, levemente frustrado. — Digo, os Teshial são Elfos no fim do dia!

    — Concordo plenamente, Ireas, mas não cabe a nós decidir por eles. — Respondeu Yami. — Você pode ser o Vento do Norte e representar um deus, mas a sua jurisdição está aqui, nessa Sociedade. Ab’dendriel é outro esquema, e é melhor deixar a diplomacia nas mãos da Solária. Não concorda?

    Concordei, meneando a cabeça.

    — De qualquer forma, a Ponte dos Sonhos está pronta para iniciar a evacuação de refugiados. — Falou o Efreet ainda em tom baixo. — Receio que tenhamos que ser rápidos… Não é como se Roshamuul venha a ser clemente conosco… O que está olhando, afinal?

    Engoli em seco e travei; por alguns instantes, que pareceram uma eternidade, percebi que estava olhando fixamente para Yami e que ele havia notado isso. Pigarreei, pensando em alguma resposta.

    — N-nada… — Gaguejei, ainda me sentindo estranho. — Eu só…

    — Lembrou de algo? — Indagou ele, sério. Senti meu rosto estranhamente pegar fogo.

    — Não, não… — Repliquei, desconfortável, passando a mão esquerda pelos meus cabelos. — Na verdade, queria agradecer pela ajuda nesses últimos tempos. Por toda a ajuda. Você está quebrando muitos galhos por mim e sem necessidade… Digo…

    — Não precisa agradecer. — Replicou o Djinn com um leve sorriso. — Eu faço o que faço como retribuição. Você poupou minha vida e me deu um novo propósito. Você não me trata como um escravo e eu decidi continuar perto de você para ter alguma utilidade e por gostar de você. Simples assim.

    — Oh, claro… — Repliquei, um pouco desconfortável. — Mesmo depois da Lisette?

    — Sim, ué. — Respondeu o Efreet, mexendo os ombros em sinal de obviedade. — Até porque eu dei uma mãozinha no assunto.

    Franzi o cenho, confuso.

    — Como assim, Yami? Você a detestava! — Falei com um sorriso confuso.

    — Nunca se perguntou por que ela sabia tanto sobre você em tão pouco tempo? — Falou Yami, com um sorriso no rosto. — Coisas simples sobre você, como as coisas que gosta de comer, locais que gosta de ir, seus passatempos, coisas bobas e afins?

    Arregalei meu olho. Yami havia agido como um… Casamenteiro?

    — Sempre achei que ela fosse muito intuitiva… Ou que eu deixasse tudo óbvio. — Falei, extremamente intrigado e sem graça.

    — Longe da verdade: você é desconfiadíssimo por natureza. — Replicou Yami, divertindo-se com aquela conversa. — Logo, você tinha muito medo de revelar coisas sobre si, mesmo tendo se encantado à primeira vista por ela. Naqueles primeiros tempos, eu não estava brigado com ela e decidi dar uma… “Mãozinha” e contar a ela coisas simples sobre você: seu gosto por manjares de fruta-do-dragão e camarão feito em leite de coco e especiarias, por exemplo. Ou o fato de que você é um exímio tocador de alaúde, mas é tímido demais para se apresentar em grandes palcos, ainda que goste de fazer uma ou outra música para alguém especial, escondendo as partituras para tocá-las somente quando estivessem perfeitas.

    — Eu nunca toquei alaúde na sua frente! — Falei, surpreso. — Como diabos...

    — Eu sou metade fogo, Ireas. — Replicou Yami, rindo levemente. — Eu posso virar fumaça e ir e vir para onde eu quiser, quando quiser. Volta e meia já te ouvi praticar e virei fumaça para poder ouvir melhor do que ficar espiando pela porta. Você já quis ser músico?

    Inclinei a cabeça, surpreso. Era por isso que eu tinha a sensação de estar sendo observado enquanto praticava?!

    —Já… Já, já quis… — Repliquei, ainda atônito. — Bem, Asralius me deu o alaúde por motivos terapêuticos, mas… Há quanto tempo você vinha fazendo isso?

    — Bem… Tem uns anos, creio eu. — Replicou o Efreet casualmente, para a minha surpresa. — E você toca muito bem. Se não for viver disso, deveria ensinar a um de seus pequenos.

    — Por que? — Indaguei, perplexo.

    — Você é um bom músico e seria um desperdício não passar isso para frente, oras. — Replicou Yami casualmente, como se não tivesse entendido a minha pergunta.

    Todo esse tempo… Ele juntou informações simples, porém boas sobre mim. Todo esse tempo ele se manteve quieto ao mesmo tempo que lutou pela minha felicidade, e eu jamais havia percebido o quanto que Yami, o Primeiro, mudara desde a primeira vez que nos encontramos. Assumi tantas coisas sobre ele, e em geral, negativas, que me esqueci do homem que ele havia se tornado. A face má ou ao menos as inclinações ruins que Yami tinha há muito haviam sumido.

    — Não… Não foi isso que eu perguntei. — Repliquei, confuso com meus próprios pensamentos. — Minha pergunta era… Por que você fez o que fez por mim? Por que lutou pela minha felicidade quando não tinha obrigação alguma? Digo, sua dívida comigo já estava paga…

    Engoli em seco e parei de falar; por um instante, um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente, e tanto eu quanto Yami não parecíamos inclinados a romper o silêncio. Entretanto, o Efreet optou por fazê-lo.

    — Foi por… Amor, eu acho. — Replicou Yami lentamente, como se procurasse as palavras certas. — Bom, antes mesmo da Lisette aparecer, quando você já estava se recuperando da morte do Yalahari… Ou até mesmo antes disso. Eu… Acho que tinha me apaixonado por você. Ou ainda sou apaixonado por você. Sei lá. Mas, eu preferi não confessar.

    — Como assim?! — Estava atônito; eu jamais imaginaria que o Efreet tivesse algum tipo de sentimento por mim além de amizade.

    — Nunca era o momento certo. — Replicou o Efreet, sentindo o peso de suas palavras. — Ou você estava em uma crise depressiva horrorosa ou estava furioso demais. Ou às vezes estava apático demais para se importar. E como você foi se tornando alguém de ainda mais poucas palavras que antes, preferi continuar a fazer aquilo que fazia de melhor: te auxiliar, ser útil, te proteger e não arranjar problemas. Sem falar que eu sabia que não daria certo.

    Era por isso… Era por isso! Finalmente fazia sentido! Todos os anos de serviço sem questionar, sem reclamar… Aguentando toda a sorte de tratamentos ruins e escabrosos que eu poderia ter lhe dado… Aguentando até mesmo ver-me nos braços de outra pessoa! E de bom grado, ainda por cima! Por muito tempo achei que havia ainda algum resquício de tramoia no Efreet, mas não… Era sincero. Foi sincero. E continuava sendo. Pelos deuses, eu havia sido um tremendo babaca todos esses anos!

    — Eu… Eu não sei nem o que dizer. — Repliquei, sentindo a garganta seca e a vergonha tomar conta de meu semblante. — Eu… Eu nem me dei conta.

    — De toda a forma, eu sabia que não daria certo, Keras. — Replicou o Efreet, com o olhar triste. — Fosse pela velhice, pela praga ou pela espada, você morreria bem antes de mim. Você ainda pode morrer depois de mim, e eu passaria o resto de meus anos a esmo. Inicialmente, sozinho. Agora, provavelmente cuidando de seus filhos. Eu os veria crescer, amadurecer, envelhecer e morrer também, e o mesmo seria com seus netos e provavelmente seus bisnetos e trinetos até, um dia, eu finalmente sentir a chama de minha vida se esvair e apagar.

    — Mas a minha alma é eterna! — Repliquei, bravo não com Yami, mas comigo mesmo por jamais ter percebido o que estava acontecendo debaixo de meu teto pelos últimos sete, quase oito anos. — Eu poderia reencarnar!

    — Sim, e o que garantiria que eu te reencontraria? — Replicou o Efreet. — Ireas, você sequer tem garantia de lembrar dessa sua vida de agora, que diria de lembrar de mim ao ponto de me procurar?

    Engoli em seco, perdendo a resposta que eu achava que tinha. Ele tinha razão. Eu não tinha como dar garantia alguma a ele de qualquer coisa referente à minha próxima vida, caso eu viesse a ter uma.

    — Então, quando eu vi uma chance para te ajudar a sair dessa fossa em que você esteve todos esses anos… Eu a aproveitei. — Continuou o Efreet. — Você se encantou com Lisette, e você estava feliz demais para ignorar. Eu não podia deixar ser algo passageiro, então eu a ajudei a te conquistar. Ela, sendo pirata e a coisa toda, tinha dificuldade, também, em ser a cura que você precisava, e eu, naturalmente, tive que intervir. Djinni não podem interferir na Vida e na Morte. Eu não poderia fazer você se apaixonar magicamente por alguém, por exemplo. Entretanto, com a dose certa de manipulação… Eu poderia facilitar as coisas. E muito.

    — Mas… — Balbuciei, chocado.

    Yami se aproximou lentamente da cama de Aslaug com sorriso no rosto.

    — Ireas, olhe para eles. — O Efreet tinha um sorriso no rosto e um semblante sereno, mais sereno do que havia sido a vida inteira. — Você tem coragem de dizer que eu errei? Não foi um, não foram dois, foram três. Três filhos, Ireas. Duas lindas meninas e um menino que tenho certeza que será tão forte, senão mais que você. Mesmo que Lisette tenha me chateado ao confidenciar que ela era uma Sereia e amaldiçoada, no fim das contas eu fiz a escolha certa em abrir mão dos meus sentimentos e ajudá-la a conquistar um lugar em seu coração. Quanto mais eu olho esses três, Ireas, maior é a minha certeza. Eu não me arrependo de absolutamente nada.

    — Por que? — Eu ainda não conseguiu acreditar em minha cegueira por quase uma década inteira. — Por que você cedeu?

    — Pessoas amam. Pessoas são amadas. Pessoas traem, e são traídas. Pessoas se magoam e são magoadas, mas raramente conseguem uma segunda chance. — Yami sentou na ponta da cama de Aslaug e voltou seu olhar para mim, mantendo um sorriso que me deixava ainda mais confuso. — Eu sei que o Yalahari era, provavelmente, o amor da sua vida, e que a morte dele abriu um vazio em seu coração que você não lembrava que tinha. — Ele deu de ombros e semicerrou os olhos, como se pensasse cuidadosamente nas palavras que tinha a dizer. — Você nunca quis ser o grande heroi, o rei ou o salvador da nação humana ou das raças de Tibia em geral. Você só queria ser um homem comum: ter uma profissão para se sustentar e uma família para a qual voltar. Eu poderia até ser seu amante e dividir o leito com você e te consolar em seus dias mais tristes e ser parte de suas alegrias, mas eu jamais poderia te dar uma família. Ao menos não dessa maneira. Entenda: eu não tenho mágoas. Eu optei por isso de livre e espontânea vontade sabendo que seria a mais justa das trocas. Sacrifiquei meu amor, meu orgulho e parte do meu sentimento de posse para que você pudesse ser feliz e tivesse a família que sempre mereceu. É certo que Bastesh e Lisette avacalharam parte da minha troca quase alquímica, mas… Ela deu certo.

    — Yami, eu…

    Fogo e água não vivem juntos, Ireas. — Yami me interrompeu, sorrindo logo em seguida. — São opostos por natureza. O fogo se afoga no abraço das águas e as águas perdem sua forma ao toque do fogo. Isso seria nós dois juntos. Destruição mútua por bagagens que ambos temos e pelos nossos próprios temperamentos. Agora, você e Lisette… Eram seres de água, e funcionavam bem melhor. Além disso, eu sei bem que você não resiste a pessoas ruivas em geral. Se forem sardentas e de coxas grossas, então, nossa… Você vai à loucura!

    Rimos; rimos um riso que há muito não ríamos. Rimos baixo para não acordar os pequenos, mas rimos com gosto. Entretanto, em meu riso eu escondia a minha tristeza e decepção. Tristeza por ter feito Yami passar por tudo aquilo calado; decepção por ter sido incapaz de perceber e ter tomado alguma providência.

    — Mas agora, se você resolver me substituir, eu vou ficar muito puto e tocar fogo na porra toda. Estou falando sério. — Falou o Efreet, sorrindo de canto logo em seguida com um semblante zombeteiro. — A despeito dessa forma, eu ainda sou um Efreet, e um dos mais poderosos que ainda caminham em Tibia. Acho bom que se lembre disso.

    Ele se levantou e bagunçou meus cabelos com uma das mãos, sorrindo para mim. Ainda que seu rosto exibisse alegria, seu olhar mostrava certa melancolia; Yami sacrificara muito mais do que sua liberdade nesses últimos anos. Ele fizera muito mais por mim em todo aquele tempo do que outros fizeram por mim a vida inteira.

    Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um emissário chegou às pressas ao aposento, encerrando ali qualquer conversa que poderia haver sobre o assunto. Seu semblante estava tomado pelo pavor e desespero.

    — A parte Sul da Sociedade está sob ataque! — Falou o homem, ofegante. — Roshamuul está atacando!

    Eu olhei para minhas crianças com um aperto no coração; era a pior hora possível para isso acontecer.

    — Ireas, vá. Eu fico. — Yami falou, resoluto. — Vá ajudar Jack. Eu vou chamar por minha irmã, Emulov e pelo Sr. Maximus. Eu cuidarei de suas crianças. Nenhum demônio vai encostar em um fio de cabelo sequer delas. Você tem minha palavra.

    — E você nunca falhou comigo. — Repliquei, com um sorriso. Virei-me, em seguida, para o emissário. — Vamos depressa! Não temos muito tempo!

    Saí às pressas de meu palácio, seguindo o sacerdote aterrorizado. Olhando para trás, vi Yami erguer um imenso campo de fogo para proteger o palácio e, possivelmente, o restante da Sociedade. Com o coração apertado, eu torci para que o Efreet fosse plenamente capaz de defender a parte Norte da Sociedade até meu retorno.


    Continua...

    -----

    Glossário:

    (*): Tradução do primeiro trecho do refrão da música "Feuer Und Wasser", de Rammstein. O texto original é "Feuer und wasser komnt nicht zusammen", que pode significar "fogo e água não vem juntos" ou "fogo e água não caminham juntos".
    (**): "Aquela prometida aos deuses" em Norueguês antigo. Nome atribuído a uma princesa völvár (sacerdotiza profeta) com quem o mítico rei Ragnar se casa em uma Saga sueca;
    (***): "Inverno" em Finlandês; é uma parte do nome do álbum Takatalvi ("clima de inverno", "clima invernal") da banda finlandesa Sonata Arctica.
    (****): "Aquele (ou aquilo) que pertence a Thor" ou "de Thor" em Norueguês antigo.

    -----

    Tá acabando, gente! Não sei lidar...

    Espero que tenham gostado! Até o próximo!

    Aguardo ansiosamente o feedback de todos!




    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 18-05-2017 às 09:07.

  3. #423
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    Acho que todo mundo que acompanha A Voz do Vento concorda que já está na hora de fazer uma animação, né?

    Capítulo muito bom, Yami finalmente se declarou...

    Aguardo ansiosamente pela batalha da Sociedade das Teias Infindas.
    Got to stay high, all my life, to forget i am missing you !
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  4. #424
    Avatar de Gabriellk~
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    (Calma, não vim para comentar sobre a história... ainda.)

    Mas, como a história está chegando ao fim, está na hora de eu começar a aparecer por aqui de novo, afinal, no meu horizonte está a hercúlea tarefa de cumprir minha promessa e ler toda a sua história, Fer.
    Brincadeiras a parte, vai ser um prazer fazer isso. Como eu já dizia nos meus primeiros comentários aqui lá por 2012, sua história foi uma das melhores que já apareceram por essas bandas, e sem dúvida foi importantíssima para a seção. O Roleplaying não seria o mesmo se você não tivesse aparecido por aqui.

    E, mesmo sem ter lido um capítulo d'A Voz do Vento em anos, tenho certeza de que você só melhorou com o amadurecimento e a experiência acumulada de anos, e estou ansioso para voltar a comentar aqui como um leitor da sua história. E o fim dela vai cair bem próximo às férias, o que já une o útil ao agradável.

    Beijos, e até daqui um tempo! ^^
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
    - Alfred W. Crosby

  5. #425
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    A essa altura do campeonato acho que já esgotei meu estoque de elogios pra história, então vou ter que ser repetitivo nos comentários dos capítulos finais kkkk

    Mais um capítulo lindo, Iridium. Adorei as descrições das crianças, me deixaram bem curioso sobre como você as imaginou (pedir pra vc desenhá-las seria muita cara de pau? ). Ainda bem que você já avisou que não vai acontecer nada com elas, pq se acontecesse eu perderia de vez minha fé na humanidade rs

    Bom, a parte da declaração do Yami (qui djinnão da PORRA) era algo que eu estava esperando bastante, e não me decepcionou. Acho que veio no momento certo, naturalmente; como ele mesmo disse, o Ireas sempre estava fora do "clima" pra isso, mas nessa hora em que ele estava bem com os filhos... Era a hora kkkk. Interessante ver como o Keras percebeu todos os vacilos que ele deu na convivência com o Yami só com essas palavras do djinn; a gente dá um desconto grande pela vida sofrida do cara, mas não foi nada legal da parte dele. Espero que mesmo não dando certo o relacionamento deles como um casal (pelas razões q já foram explicitadas no capítulo), o Yami receba o reconhecimento e a amizade que ele merece muito não apenas do Ireas, mas de todos os que os acompanharam nesses anos. Junto com os filhos, é o que, ao meu ver, vai fazer a vida do druida valer apena daqui pra frente (a não ser q vc traga uma surpresinha nesses últimos capítulos rs).

    Pra manter a tradição, não poderia faltar mais problemas aparecendo na vida do Ireas. Estou com grandes expectativas para essa batalha final da história, vamos ver quais consequências ela trará.

    Tá acabando. Fica a ansiedade pra ler os capítulos finais, mas ao mesmo tempo a tristeza pelo fim tão próximo. Negócio é aproveitar enquanto ainda dá kkkk.

    Abraço!





    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  6. #426
    Avatar de Shirion
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    Naaaaaaaaaaaaaao

    Iridiummm vc matou a Lisette Iridium

    Por que????????????? Por que???????????????? Por que???????????????

  7. #427
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 13

    Saudações!


    Perdoem a demora... algumas coisas muito chatas ocorreram na RL recentemente e me tiraram toda a concentração para escrever. Mas... Aqui vamos nós! Com o capítulo de hoje, faltarão apenas dois capítulos para o fim! Brace yourselves... The end is coming!


    Spoiler: Respostas aos Comentários


    Sem mais delongas, o Capítulo de hoje!


    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 13 — Domo dos Sonhos Eternos

    O que fazer quando se está diante de uma batalha praticamente impossível de se vencer?

    (Narrado por Icel Emonebrin)



    — Soem o alarme! O alarme! — Um dos sacerdotes-guerreiros gritou ao longe, com armas em punho.

    — Evacuem os Teshial, agora! — Ouvi outro gritar de outro canto, em um misto de desespero e coragem tiradas do absoluto desconhecido.

    Os céus estavam escuros e as nuvens luziam como carvão em brasa; O ar estava cada vez mais denso e difícil de respirar, e o suor estava correndo livre de minha testa; das brumas que cercavam a porção sul, estranhos, escamosos, úmidos e aterradores tubarões alados singraram pelos céus vermelhos de ira e medo.

    Os sinos soavam altos em suas badaladas retumbantes; membros da casta Teshial acordavam, desesperados, de um sonho que rapidamente se converteu em pesadelo. A cada badalada, mais sacerdotes, Cavaleiros, Paladinos, Druidas ou Feiticeiros, corriam até a ala principal para me auxiliar naquela missão.

    Os tubarões começaram a vir em minha direção, talvez sentindo o cheiro de meu suor ou, quem sabe, o medo que eu percebia cada vez maior dentro de mim.

    — Exevo Mas San! — Gritei, erguendo meus braços para o alto.

    A luz tomou forma do símbolo sagrado de Uman e Banor: a cruz eterna, o ankh divino, que rasgou a carne suada, escamosa e nojenta de alguns deles; três caíram ali e dois recuaram, rosnando, enquanto deslizavam suas barrigas lisas e de peixe pela terra antes imaculada.

    Um batalhão disforme, saído dos cantos escuros e horríveis da mente de qualquer criatura capaz de sonhar, marchava devagar em direção ao pátio; seres feitos de carne, com perninhas atarracadas e musculosas e nada além de uma arcada dentária sustentada em uma bola de carne e pele saíam aos montes, liderando a horda horrenda.

    Os sacerdotes mais fracos eram vítimas fáceis dessas criaturas carnívoras, cujos dentes enormes e afiados laceravam facilmente sua carne; Jack tomou a frente e, com um sopro, criou uma rajada de vento dourado que feriu fortemente algumas dessas criaturas, que recuaram quase tão rápido quanto haviam outrora avançado.

    Com meu arco em mãos, comecei a atirar todas as flechas que eu podia. Contudo, pareciam ser fortes a tudo; fogo, gelo, terra, energia e ataques comuns nada faziam contra elas. De repente, duas delas se invocaram comigo e vieram em minha direção.

    — Exevo Mas San! — Urrei novamente, assustado com a velocidade daqueles seres hediondos.

    Mais gritos de dor; um daqueles seres que era apenas mandíbula pulou em minha direção, escapando de meu ataque; mordeu-me o ombro e eu tentei espetá-lo com a minha lança. Senti, então, um halo de luz se aproximar de meu corpo e acertar a criatura com tudo. Olhei para trás, e era Jack que estava ali.

    — Exori Gran Con! — Gritou o Vento do Sul, conjurando lanças etéreas e auxiliando no abate às feras.

    Ele respirou fundo e soprou uma corrente de vento quente e abrasiva, corroendo a carne flácida e vil dos Bichos-Papões; Sírio e Morzan surgiram em meio à multidão de sacerdotes em frenesi, e o ataque continuou. Morzan pulou em direção aos tubarões famintos, e sua espada cortou-lhes profundamente a carne profana, atraindo a atenção deles para si.

    — Exeta Res! — Ele gritou, tentando mover-se o mais rápido que podia para dar conta daquela multidão.

    — Exura Sio: Morzan Snow! — Ouvi alguns druidas gritarem ao longe.

    Os druidas faziam o que podiam: conjuravam pequenas tempestades de gelo enquanto os feiticeiros faziam os raios descerem dos céus para ajudar naquele combate. Entretanto, quanto mais matávamos, mais apareciam em seu lugar. Aqueles seres que eram só boca e dentes, inicialmente pequenos e em grande número, começaram a ser substituídos por versões maiores, mais fortes e mais vorazes.

    — É muito Bicho-Papão! — Ouvi alguém gritar na multidão antes de ser empalado e perder a vida.

    — Precisamos de ajuda! — Uma voz feminina e desesperada gritou antes de outro Bicho-papão pular em cima dela, mordendo seu pescoço e separando cabeça do restante do corpo.

    — Droga… — Sírio resmungou, olhando ao seu redor. — EXEVO GRAN MAS VIS!

    Sírio ergueu as mãos em direção aos céus e o tempo fechou; nuvens negras descarregaram raios ferozes e certeiros contra os alvos mais próximos; as crias de Roshamuul sentiram o forte açoite dos céus e muitas recuaram, indo de encontra à minha mira e à de Jack.

    — Cento e um! Dois! Três! — Gritei, contando as flechas que eu atirava para finalizar os Pesadelos mais próximos!

    — Noventa e cinco! Noventa e seis! — Gritou Morzan mais à frente, sentindo o cansaço afetar seus golpes de espada, cada vez mais lentos. — Cadê o Ireas?! O Brand?! Kinahked e Maximus?! Vamos morrer aqui se não tivermos ajuda!

    De repente, vi um outro tipo de Bicho-Papão aproximar-se pelas costas de Morzan; um ser fino, de membros alongados, dedos finos e compridos e ausência completa de cabeça sob os ombros. Morzan teve tempo apenas de olhar para trás e sentir as mãos poderosas e sádicas da criatura apertando seu pescoço; Jack usou o vento com suas mãos para poder cortar a criatura determinada, mas os cortes não pareciam ser capazes de impedi-la.

    — Merda de Bicho-Papão! — Urrei, atirando minhas flechas cristalinas contra ela, mirando em seu antebraço. — Solta meu amigo, bicho desgraçado!

    Morzan soltou sua espada no chão e levou as mãos aos dedos poderosos do Pesadelo, desesperado por uma lufada de ar; ele tentava arranhar a pele espessa daquele ser horrendo, incapaz de mover sua cabeça para baixo para morder seus dedos.

    — UTORI SAN! — Jack urrou, e a raja de vento assumiu uma cor dourada, acertando a criatura e a fazendo tontear com a luz que ofendia a sua existência.

    — EXORI GRAN CON! — Deixei o arco um pouco de lado para usar minha mana, e a lança etérea veio certeira no oco onde deveria ficar a cabeça daquela aberração.

    — EXEVO MAS SAN! — Jack combinou vento e luz em uma única magia, direcionando a rajada para aquela coisa asquerosa.

    A criatura começou a recuar; os açoites de vento combinados com as flechas que perfuravam continuamente seus antebraços causaram-lhe dor e sangramentos suficientes para soltar Morzan e cambalear para trás. Dois sacerdotes com as vestes ensaguentadas apareceram naquele momento e empalaram o corpo vil, acabando com sua existência de uma vez.

    — Se a gente está assim… Imagino a porção Norte… — Falei, ofegante.

    Jack correu até Morzan, que tossia com extrema dificuldade para respirar, estendendo seus braços para cima desesperado por ar para encher seus pulmões. O Vento do Sul levou suas brancas mãos ao seu rosto e soprou soprou em suas palmas, criando um bolsão de ar. Calmamente, ele levou a bolha de ar a Morzan, cuja agonia foi encerrada em grande arfadas que logo expandiram suas vias respiratórias.

    Eu… Quase… — Balbuciou o cavaleiro, tremendo em choque.

    — Eu sei… — Replicou Jack calmamente, ajudando-o a levantar. — Você está lutando bem, meu amigo…

    O Vento do Sul conseguiu, com uma técnica similar, usar o vento para revitalizar Morzan, cuja força foi, aos poucos, retonando ao seu ser, ao ponto do antigo mercenário pegar em armas novamente e correr atrás do irmão caçula, cujos raios e trovões abriam caminho para os refugiados Teshial escaparem pela Ponte dos Sonhos em direção à liberdade e salvação.

    Os tubarões suados e de dentes afiados ganharam tamanho e asas maiores e mais virulentas, que espalhavam toxicidade por onde andavam; os mais próximos, sentiram os efeitos imediatos do febril bater de asas daqueles seres horrorosos; uma nuvem tóxica, densa e pestilenta, trazendo efeitos imediatos para os corpos dos sacerdotes mais expostos, cuja pele e carne começaram a se dissolver e borbulhar.

    Naquele momento, um portal luminoso apareceu perto dos limites daquela nuvem. Uma Djinn azul, com o torso nu e de musculatura definida, com os seios, pescoço e pulsos cobertos por adornos prateados, cabelos negros espetados e com duas longas mechas presas por adornos de prata e olhos bem brilhantes apareceu dele. Com um sopro gélido, ela afastou as nuvens dos sacerdotes e curou aqueles que ainda respiravam.

    Era Yumi Yami em sua forma mais verdadeira e gloriosa.

    — É hora dessas criaturas encararem uma adversária à altura! — Sua voz soou mais forte e sublime do que jamais havia sido. — BONS DESEJOS APARECEM APENAS EM CONTOS DE FADAS! DESAPAREÇAM!

    Das mãos da Djinn saiu uma rajada de gelo e energia varrendo a área à frente dela, matando os Bichos-Papões que insistiam em estar ali. Os mais fracos bateram em retirada, e Yumi foi adiante atrás deles, a fim de vingar aqueles que haviam caído e curar os guerreiros que ainda respiravam e tinham vontade de lutar.

    Jack pegou sua trombeta e tocou-a com toda a força de seus pulmões, instigando maior ânimo aos nossos aliados; o som foi, também, manipulado pela mana do Vento do Sul, e a magia tornou, mesmo que temporariamente, os adeptos do culto de Nornur mais fortes do que nunca antes haviam sido em suas vidas.

    Um grito estridente e feroz rompeu da massa e, no momento em que subiram os fachos de luz que rasgaram a carne daquelas criaturinhas horrorosas, senti o ar ficar mais gelado, e eu não pude conter o sorriso que veio involuntário a mim.

    LÁ VAI MACHADO!

    Era o Vento do Norte. Ireas Keras chegara, e machados começaram a voar em meio aos Bichos-Papões que não queriam dar trégua ou sossego; os combatentes da porção Norte vinham com as pinturas faciais dos bárbaros de Hrodmir e a fúria e o frenesi que Liive sempre tivera em vida e em combate.

    — Agora vai ficar bom, heim! AGORA VAI PRESTAR! EXEVO GRAN VIS LUX! — Sírio gritou de longe, lançando uma linha de energia que acertou os Pesadelos à sua frente, ferindo-os gravemente e gerando desorganização entre as linhas inimigas.

    Seres esverdeados, bípedes e de caras alongadas que mais lembravam Drakens deformados continuavam com seus berros estridentes, enlouquecidas com os sons do combate e, talvez, funcionando como um suporte moral para os Bichos-papões, assumiram a frente, indo de encontro às tropas que Ireas trouxera consigo.

    E o Norsir de cabelos azuis não parava de sorrir.

    POR NORNUR E OS SONHOS DOS VIVOS! — Urrou o Vento do Norte enquanto conjurava uma machadinha feita de gelo e a arremessava em direção às criaturas que se aproximavam.

    Os sacerdotes que vieram com ele estavam com machados e maças em punho, correndo tresloucados atrás das criaturas que queriam silenciá-los. Em conjunto, pulavam nelas como feras famintas, estraçalhando seus corpos, espalhando tripas, sangue, couro e carne pelo chão outrora imaculado da Sociedade das Teias Infindas.

    Ireas tomava a frente, dando tapas na terra que, em retorno, prendia os seres vis em vinhas fortalecidas, dando tempo suficiente para os grupos de cinco a seis guerreiros se aproximarem com a ferocidade de Lobos de Guerra, desmembrando e cessando a vida de cada Bicho-papão em seu caminho.

    Naquele meio tempo, Morzan saíra do patio e subira até o campanário mais próximo, onde havia a trombeta de alarme intocada e exposta aos ares e ao combate. O cavaleiro da Baía da Liberdade subiu o mais rápido que pode para fazer o que precisava ser feito

    — VAMOS TRAZER MEDO AO CORAÇÃO DOS FILHOS DE ROSHAMUUL! — Gritou Morzan lá do alto, empolgado, soando a trombeta com toda a força de seus pulmões.

    O som da trombeta veio grave, sublime, forte e de longo alcance, e o combate começou a ficar claramente mais favorável aos seguidores de Nornur. Muitas das criaturas de Roshamuul jaziam sem vida no chão, com os cadáveres decompondo-se rapidamente, derretendo como se ácido tivesse sido jogado em sua carne, restando nada além de poças podres malcheirosas e escuras no chão.

    Com números cada vez menores, os Bichos-Papões sentiram a pressão dos herdeiros do Vento, e a Ponte dos Sonhos continuou incólume e com um número cada vez maior de refugiados cruzando sua estrada feita de teias douradas e nuvens sólidas e edificadas, mas macias ao toque dos pés descalços que corriam para a imagem da Árvore Eterna de Ab’dendriel.

    — Continuem! — Gritava Jack, atirando lanças a frente e usando as mãos para guiar o vento como arma. — Eles estão recuando! Eles estão desistindo!

    O druida soprava em seus machados, e Nornur permitia que seu filho mais decidido ganhasse mais força, e seus machados giravam rápidos e leves no ar, cortando braços, pernas, dedos, pescoços e troncos como se fossem feitos de manteiga derretida e disforme.

    Aos protestos, berros e feitiços pestilentos, os filhos de Roshamuul começaram a bater em retirada. Os que sobraram deixaram para trás as carcaças caídas de seus companheiros de estirpe. Quando vimos, os Bichos-Papões haviam deixado a Sociedade por completo. Entretanto, seus gritos e gemidos não pareciam de seres derrotados e amuados.

    Gaz’Haragoth… Gaz’Haragoth...

    Eram risinhos. Gorgolejos. Grunhidos estranhamente alegres.

    Em Yalahar os mortos não descansam em solo que se possa enterrar…

    Algo estava muito olhado; eu olhei ao redor, para o chão onde todos jaziam mortos. Então, eu entendi.

    — Jack… Ireas… — Eu falei, aterrorizado.

    Havia muitos corpos no chão, tanto das nossas forças quanto das deles. Entretanto, a proporção não era a esperada. Estava longe de ser.

    E nem em Ab’dendriel as estrelas podem nos abrigar… — A voz dos que restaram soava casa vez mais distante, como se zombassem de nós.

    No chão, havia cerca de seiscentos dos nossos caídos, sem vida e totalmente destroçados.

    Na cidade de Roshamuul onde o Eterno pode para sempre vingar… — Os ecos ainda restavam, e vi Ireas e Jack taparem suas bocas ao constatarem a mesma coisa que nós.

    Das forças deles, havia pelo menos uns cinquenta. No máximo.

    E em eras estranhas… Onde até a Morte pode definhar… — A última estrofe sumiu no ar como um sonho inacabado e fragmentado.

    Cada um dos Bichos-Papões abatidos custou doze vidas nossas. Doze. Para cada Pesadelo. Estávamos em plena desvantagem. Eles poderiam substituir facilmente esses números. Nós, não.

    Aos poucos, todos começaram a se dar conta da mesma conclusão à qual eu havia chegado. Os ânimos, outrora triunfantes, orgulhosos e esperançosos, esmiuçaram desesperança de uma tentativa suicida de barrar a chegada dos Pesadelos ao mundo físico.

    — Eles mandaram um batalhão pequeno para reconhecimento. — Ireas falou, baixinho, tentando racionalizar e esconder o horror em seu olhar. — Agora eles sabem os nossos números…

    — Agora… Que a gente faz? — Sírio indagou, olhando para as Vozes do Vento.

    Jack e Ireas se entreolharam por um tempo, e eu pude ver uma dúvida cruel e triste passar pelo semblante deles. Pela primeira vez em muito tempo, os filhos de Nornur não faziam a menor ideia do que deveria ser feito para evitar um massacre. Até que Ireas arregalou o olho sadio e sua expressão mudou subitamente.

    — A porção Norte… Yami! — O Norsir lembrou de imediato. — Eu preciso passar lá! Deixei muitos para trás para defender! Eu voltarei em breve!

    Apressado, o druida de cabelos azuis abriu um portal dos sonhos e atravessou para o outro lado quase tão rápido quanto o portal sumira de nossas vistas. Eu vi Jack levar a mão ao pescoço, receoso, sem saber o que dizer.

    — Vamos aos ritos fúnebres, pessoal. — Falei no tom mais firme que eu consegui. — É hora de nossos companheiros descansarem eternamente. Temos muito a fazer.


    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Cheguei às pressas à porção que eu regia; como suspeitava, os filhos de Roshamuul também pisaram lá. Entretanto, nossas perdas pareciam ter sido menores, assim como o número de demônios presentes. Yami já havia tomado as providências fúnebres necessárias. Eu fui correndo até ele, ainda horrorizado com o que eu havia testemunhado na porção Sul. Eu estava todo coberto de sangue; meu torso estava nu, e o sangue parecia uma camisa colada ao meu corpo forte para os padrões de um druida.

    — Keras! — Yami anunciou a minha presença, e os demais sacerdotes olharam para mim sem saber como reagir.

    — Yami… O que houve? — Falei, exausto, sentindo minhas pernas falharem comigo.

    Yami me amparou e impediu minha queda, e os demais começaram a se aproximar.

    — Os Pesadelos vieram em baixo número, mas estávamos preparados. — Replicou o Efreet, tentando manter os ânimos controlados. — Era um aviso, provavelmente um grupo de patrulha.

    — Fora os que caíram… Estão todos bem? — Indaguei para todos no ambiente, um pouco mais centrado e deixando de apoiar em Yami.

    — Estamos, senhor. — Replicou um dos sacerdotes. — Foi apenas o susto… Não esperávamos seres tão fortes!

    — Pesadelos são tão fortes quanto Sonhos… Principalmente se o mundo está cada vez mais cruel com quem o habita. — Repliquei, sem desmerecer a preocupação do adepto. — Agora, precisamos reagrupar e treinar mais. A porção Sul também pensará em uma forma de fortificar as nossas defesas.

    Na medida em que os ânimos começaram a se acalmar, eu pude, enfim, me concentrar nos pensamentos que vinham em minha cabeça.

    — Onde estão meus filhos? — Indaguei a Yami.

    — Brand está cuidando deles em Ankrahmun. — Falou o Efreet de olhos dourados. — Eu já pretendia buscá-los. Eu os levei a ele por uma rota que apenas eu e você temos acesso. Quer que eu os busque?

    — Eu adoraria… — Repliquei, cansado.

    — E se… Sonharmos mais?

    Virei em direção à voz. Era Tameran, que ainda tinha um pequeno grupo de Teshiais armados até os dentes com ele.

    — Esses aqui decidiram ficar para auxiliar na defesa do único lar fixo que tivemos em eras. — Falou o Teshial para nós. — Era o mínimo que poderíamos fazer por vocês, que decidiram arriscar tudo por nós.

    — Eu normalmente me oporia, mas… — Olhei para os lados, cansado. — Precisamos de todos os seres aptos para o combate que tivermos à disposição. Você falou algo sobre… Sonhar mais?

    — Sim… — Falou o Teshial. — Sonhos são a matéria-prima de tudo aqui… Para poder aumentar suas defesas, vocês precisam sonhar mais.

    Assim que Tameran terminou de falar, uma ideia me passou rapidamente pela cabeça, tempo o suficiente para ser marcante, e talvez sólida o suficiente para valer a tentativa.

    — Não há como aumentar o número de tropas, Vento do Norte. — Tameran continuou a falar. — E eu não sei se dá para evacuar todos a tempo… Provavelmente, a Sociedade será destruída de novo.

    — Não se eu puder evitar. — Repliquei, com a ideia em mente. — Acho que tenho uma possibilidade.

    — E qual seria? — Yami indagou, curioso.

    — Uma realocação. — Falei, ainda pensativo. — Uma proteção fixa. Uma barreira intransponível. Um domo.

    — Um domo?! Enlouqueceu, Keras?! — Protestou Yami, com os olhos arregalados. — Como você espera manter uma estrutura dessa magnitude de pé, contra as forças de Roshamuul?! O que você sugere?! Drenar as forças oníricas de todos?!

    — Não, é claro que não! — Repliquei, franzindo o cenho rapidamente. — Eu e Jack faremos isso. Usaremos as nossas forças oníricas para erguer esse Domo. Ao menos, será o suficiente para garantir que todos os Teshial saiam… E que possamos realocar a Sociedade inteira para alguma outra área dentro do Reino dos Sonhos à qual Roshamuul não tenha acesso.

    — Ireas, isso é loucura! — Protestou o Efreet, horrorizado com a ideia.

    — Pode funcionar. — Tameran falou, levemente esperançoso. — Tem uma grande chance de funcionar!

    Os sacerdotes olharam uns para os outros e, aparentemente, começaram a comprar a ideia.

    — Senhor, podemos doar parte de nossas forças para você, se quiser. — Um deles falou para mim, sorrindo. — É o mínimo que podemos fazer.

    Eu olhei para todos lentamente, sentindo que aquilo era o certo a se fazer. Voltei meu olhar para Yami, que transparecia o aperto no coração que ele estava sentido.

    — Yami… Eu preciso tentar. — Falei calmamente, com um sorriso no rosto. — É a única chance que temos de podermos sonhar livremente de novo. De acordo?

    — Como? — Indagou o Efreet, confuso.

    — Você me permite tentar? — Repliquei de forma dócil.

    — Eu… Permito. Não que minha permissão valha de algo. — Replicou Yami em meio a um quase resmungo, envergonhado.

    — Passarei a mensagem a Jack. — Falei, decidido. — Quem estiver muito ferido para lutar, eu sugiro que siga para a Ponte dos Sonhos junto aos outros refugiados. Não quero derramamento de sangue desnecessário. Roshamuul não terá essa vitória!

    Os sacerdotes concordaram e os que estavam mais feridos obedeceram meu comando, amparados por aqueles que estavam mais sadios. Eu fui a cada casa e cada núcleo familiar prestar minhas homenagens a cada guerreiro caído, que lutou bravamente em nome de Nornur e da Sociedade. Tempos depois, as tropas que vieram comigo ao auxílio de Jack retornaram sãs e salvas, e eu escolhi um deles, Bjorn, para ser o emissário de minha vontade.

    Quando tudo se acalmou e todos os planos haviam começado a se encaminhar, pedi a Yami que abrisse o caminho para a casa de Brand e Yumi em Ankrahmun. Uma vez que chegamos lá, agradeci ao casal por toda a gentileza e nobreza de espírito que tiveram em acolher minhas crianças em uma hora tão crítica.

    Eu os levei de volta à Sociedade com Yami. Cuidei deles. Dei-lhes um bom jantar. Brinquei com as meninas enquanto embalava em caçula no colo. Um a um, dei um bom banho, vesti-os com as roupas mais confortáveis e quentes para a noite e os coloquei para dormir como se fosse a última vez que o faria, mas com a sensação de primeira noite como pai.

    Depois disso, esperei Yami ir dormir para poder ir até meus aposentos e dormir, provavelmente, o último sono tranquilo de minha vida.


    Continua...

    ------

    Nota da Autora: nesse Capítulo, foram introduzidos Frazzlemaws, Guzzlemaws, Silencers, Terrorsleeps, Feversleeps e Choking Fears. Optei por não dar-lhes nomes por uma questão de combate: ninguém ali perderia tempo com nomenclatura para cada Bicho-Papão. Portanto, foi mais fácil tentar diferenciar cada uma delas por suas descrições mais marcantes e mecânicas de combate.

    A tia não estava com preguiça: só optei por uma coerência situacional, até porque ninguém fica teorizando em meio a um combate extremamente mortal.


    -----

    E é isso aí! Demorou, mas chegou!

    Vai ter ainda mais pancadaria ao final, minha gente! Até o próximo e eu aguardo os comentários de vocês ANSIOSAMENTE!




    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 30-05-2017 às 07:45.

  8. #428
    Avatar de Edge Fencer
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    E aí!

    A pancadaria começou, e não foi pouca kkkk

    A narração das lutas ficou excelente, Iridium; intensa, dinâmica, chegando a fazer com que eu prendesse a respiração em alguns momentos... Com certeza minhas expectativas foram superadas por muito

    Como era de se esperar, a força dos bichos-papões é avassaladora, e o estrago foi feio pro pessoal da irmandade. A parte logo depois que o Ireas aparece deu a impressão de que eles estavam em vantagem, mas o choque de realidade depois ao ver a quantidade de corpos... Foi uma cena bem impactante. Se fosse pra bater de frente com a força principal dos bichão, seria um massacre sem precedentes na história. Negócio é torcer pra essa estratégia maluca do Ireas funcionar kkkk

    Quando o Ireas correu desesperado de volta pro norte deu até um aperto aqui, mas felizmente o Yami e os outros se viraram bem. Também foi bem legal ver o Keras conseguindo agir como pai pelo menos um pouquinho, além de poder descansar um pouco antes da hora decisiva. Os últimos capítulos tem tudo para serem altamente épicos, dando um fim digno pra essa grande história.

    Ansiedade segue firme e forte pro finalzinho, agora não tem pra onde fugir kkkk

    Abraço!
    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  9. #429
    Avatar de Motion Flamekeeper
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    Que capitulo foda, pqp!!!!!!!!!!!!!

    Basicamente concordo com tudo que o Edge falou, a sensação de alívio com a chegada do Ireas, o choque de realidade ao ver os corpos no chão... Todas as descrições dos combates ficaram fodas. E com certeza meu coração doeu com a chegada do Ireas no norte, achei que alguém tinha morrido D:

    Eu sou meio suspeito pra falar, já que gosto de todos os capitulos kkkkkkk Mas esse ficou foda pra caralho!!

    Será que rola um contra-ataque em roshamuul? kkkkkk

    P.S.: Adorei a musica.
    Got to stay high, all my life, to forget i am missing you !
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  10. #430
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    Como sempre!
    Muito Bom!
    Já pensou em mandar o roteiro e uma proposta de venda de direitos para a Netflix?

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