Resultados da Enquete: Que Facção deveria Ireas Escolher?

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Enquete de Múltipla Escolha.
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Tópico: A Voz do Vento

  1. #421
    Avatar de Senhor das Botas
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    Só vim deixar o meu rápido comentário sobre este último capítulo. Não foi nenhum grande conflito no final das contas, mas Ireas, como sempre, acabou perdendo algo...

    Enfim, com o pouco que resta da história, e você não querendo estender ala One Piece, creio que ou os próximos capítulos serão focados nos Pesadelos, ou serão sobre as crianças que Ireas nunca teve... E agora tem.

    Enfim, no aguardo do capítulo que está por vir xD.


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  2. #422
    desespero full Avatar de Iridium
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    Padrão Terceiro Pergaminho, Capítulo 12

    Saudações!

    Primeiramente, bom dia. Em segundo lugar, obrigada pelos 50k de visitas a esse tópico! Fico muito contente não só pelos comentários, como também pela leitura em geral! Espero que a história ainda angarie mais algumas visitas mesmo após seu término

    Bom, com esse capítulo de hoje, faltarão apenas três. Eu mal posso acreditar nisso... E eu espero que todos despertem algo em vocês: qualquer sentimento que os faça repensar ou refletir sobre alguma pequena (ou grande) parte das vidas de vocês. Sem mais delongas, vamos aos Comentários:

    Spoiler: Respostas aos Comentários



    Agora, o Capítulo de Hoje!

    -----

    Spoiler: Bônus Musical


    Capítulo 12 — Refúgio (ou Fogo e Água)

    Fogo e água não caminham juntos…*

    (Narrado por Rei Jack Spider)


    A noite estava calma na porção Sul da Sociedade das Teias Infindas; Morzan e Sírio já haviam saído para o cais etéreo e Icel ficara do lado de fora de minha residência para montar guarda. Apoiei meus braços no parapeito do balcão, olhando para as luzes que dançavam na abóbada celeste do Reino dos Sonhos, moldando as áreas escuras ao mesmo tempo que se deixavam comprimir por elas.

    Eu olhava para os céus, pensativo; a notícia de que Ireas conseguira reaver seus filhos fez-me lembrar de que, agora, ele pertencia à parte de nosso círculo social que abraçara a paternidade. Ele, Emulov, Brand e Mandarinn, antes de todos nós, eram pais. De certa forma, o Vento do Norte já havia aceitado a condição de pai, ou ao menos de padrinho, no que tocava a Skadi, sua sobrinha. Toda aquela situação me fazia pensar se talvez não fosse meu momento de buscar minha família também.

    Entretanto, havia meus pais. Eles ainda estavam muito fracos e precisavam de mim. Ainda que não fosse muito a minha vontade ser pai, mesmo sabendo que minha mãe adoraria ter netos para cuidar, sabia que a paternidade não seria prioridade tão cedo. A Ponte dos Sonhos, sim, era prioridade; e eu há muito aguardava notícias sobre um possível refúgio para os Teshial em Ab’dendriel novamente, reunindo os povos élficos sob o mesmo estandarte uma vez mais.

    Meus devaneios não durariam muito mais tempo, pois pequenas e agitadas passadas ecoaram em meu recinto e eu olhei para trás. Nada.

    Vento Sul! — Uma vozinha aguda e familiar falou, agitada — Vento Sul!

    Olhei para baixo e arregalei meus olhos: era Auli’i, uma das Dworquisas que morava na Sociedade, e seu semblante estava estampado com um misto de medo e espanto.

    — O que foi, pequena? — Indaguei, ajoelhando-me diante da Dworquisa.

    Pesadelo! Ataque! Medo! Aqui! — Gritou Auli’i, apavorada, gesticulando a esmo com suas mãozinhas gorduchas e olhando-me com os olhos cheios de lágrimas.

    Gritos irromperam na escuridão e eu pude ouvir de longe a voz de Icel dando comando às tropas vigilantes da noite; não havia tempo para avisar a Ireas. Os Bichos-Papões estavam à solta, querendo sangue Teshial e todos os sonhos dos quais pudessem se alimentar. Peguei algumas lanças etéreas, empunhei meu escudo, vesti minha armadura e segui Auli’i em direção à guerra.



    ****


    (Narrado por Ireas Keras)


    Enfim, os três haviam acabado de dormir. O quarto que fiz para os três contou com a ajuda emergencial (e providencial) de Yami, que conjurara para cada um um leito. A mais velha, Aslaug**, ganhou uma cama grande, com colchão confortável, nem muito firme ou muito fofo, um travesseiro macio e uma coberta feita de pelo de mamute. Aslaug era a que mais lembrava a mãe, com os cabelos ondulados em tom ruivo-acastanhado, com uma espessa mecha de cor azul, igual ao meu cabelo, passando por ele; sua pele era da mesma tonalidade da minha, mas as sardas douradas da mãe estavam presentes de forma ostensiva em seu rosto. Passei por ela e dei um beijo em sua testa antes de ir em direção à segunda criança.

    Talvi***, a filha do meio, dormia em uma manjedoura grande e que tinha uma divisória, onde eu poderia colocar meu filho caçula e único menino, Soren****. Talvi saíra mais parecida comigo, com os cabelos mais lisos, azuis e que clareavam até chegar às pontas, que eram esbranquiçadas como as do cabelo de meu falecido irmão Hjaern. Sua pele tinha uma tonalidade meio-termo, sendo mais bronzeada que a minha e mais clara que a de Lisette. Em vez de sardas, Talvi tinha uma pintinha dourada abaixo de seu olho esquerdo. Ajeitei sua coberta com a mão que eu tinha livre e coloquei Soren no espaço vazio para que ele pudesse repousar. Soren era moreno como a mãe e o pouco de cabelo que tinha eram azuis como os meus, mas com uma mecha ruiva perto do pescoço e não tinha sardas. Apesar de ter vindo ao mundo prematuro, seu renascimento nas mãos de Bastesh deu-lhe um corpo novo e sadio, como se tivesse vindo ao mundo no tempo certo.

    Bastesh cumprira dignamente com sua palavra, e, mesmo com a perda de Lisette, ao menos teria a oportunidade de ser o pai que aquelas três crianças mereciam, ainda que, infelizmente, tivessem que viver sem a mãe. Assim que terminei de ajeitar meu filho caçula na manjedoura, ouvi passos apressados vindo em direção ao quarto.

    — Ireas! — Era Yami, exclamando. — Tenho algo a…

    — Ssshh! — Repreendi Yami, colocando o dedo indicador sob meus lábios para que ele fizesse silêncio e apontei para a manjedoura, franzindo o cenho.

    — Oh! Desculpe… — Replicou o Efreet, abaixando o tom de voz ao ponto de quase falar em sussurros. — Esqueci que você tinha que colocá-los para dormir.

    — Sem problemas. — Repliquei em voz baixa. — Só não fale muito alto… Soren deu muito trabalho para adormecer e eu não quero que ele acorde.

    — Entendo. — Replicou o Efreet em voz baixa — Eu vim apenas lhe dizer que a negociação de Mandarinn foi um sucesso.

    — Isso significa que… Os Teshial terão para onde ir? — Falei, surpreso.

    — Sim. Em termos, eu diria. — Falou Yami, apoiando o ombro na lateral da porta e cruzando os braços sem desviar o olhar. — Uma casta desaparecida, a tempos dada como extinta, voltando do nada depois de um isolamento voluntário? É complicado, Ireas… Solária disse que receberá os refugiados e encaminhará ao Conselho de Ab’dendriel para ver o que será feito.

    — Isso não parece muito certo, Yami… — Repliquei, levemente frustrado. — Digo, os Teshial são Elfos no fim do dia!

    — Concordo plenamente, Ireas, mas não cabe a nós decidir por eles. — Respondeu Yami. — Você pode ser o Vento do Norte e representar um deus, mas a sua jurisdição está aqui, nessa Sociedade. Ab’dendriel é outro esquema, e é melhor deixar a diplomacia nas mãos da Solária. Não concorda?

    Concordei, meneando a cabeça.

    — De qualquer forma, a Ponte dos Sonhos está pronta para iniciar a evacuação de refugiados. — Falou o Efreet ainda em tom baixo. — Receio que tenhamos que ser rápidos… Não é como se Roshamuul venha a ser clemente conosco… O que está olhando, afinal?

    Engoli em seco e travei; por alguns instantes, que pareceram uma eternidade, percebi que estava olhando fixamente para Yami e que ele havia notado isso. Pigarreei, pensando em alguma resposta.

    — N-nada… — Gaguejei, ainda me sentindo estranho. — Eu só…

    — Lembrou de algo? — Indagou ele, sério. Senti meu rosto estranhamente pegar fogo.

    — Não, não… — Repliquei, desconfortável, passando a mão esquerda pelos meus cabelos. — Na verdade, queria agradecer pela ajuda nesses últimos tempos. Por toda a ajuda. Você está quebrando muitos galhos por mim e sem necessidade… Digo…

    — Não precisa agradecer. — Replicou o Djinn com um leve sorriso. — Eu faço o que faço como retribuição. Você poupou minha vida e me deu um novo propósito. Você não me trata como um escravo e eu decidi continuar perto de você para ter alguma utilidade e por gostar de você. Simples assim.

    — Oh, claro… — Repliquei, um pouco desconfortável. — Mesmo depois da Lisette?

    — Sim, ué. — Respondeu o Efreet, mexendo os ombros em sinal de obviedade. — Até porque eu dei uma mãozinha no assunto.

    Franzi o cenho, confuso.

    — Como assim, Yami? Você a detestava! — Falei com um sorriso confuso.

    — Nunca se perguntou por que ela sabia tanto sobre você em tão pouco tempo? — Falou Yami, com um sorriso no rosto. — Coisas simples sobre você, como as coisas que gosta de comer, locais que gosta de ir, seus passatempos, coisas bobas e afins?

    Arregalei meu olho. Yami havia agido como um… Casamenteiro?

    — Sempre achei que ela fosse muito intuitiva… Ou que eu deixasse tudo óbvio. — Falei, extremamente intrigado e sem graça.

    — Longe da verdade: você é desconfiadíssimo por natureza. — Replicou Yami, divertindo-se com aquela conversa. — Logo, você tinha muito medo de revelar coisas sobre si, mesmo tendo se encantado à primeira vista por ela. Naqueles primeiros tempos, eu não estava brigado com ela e decidi dar uma… “Mãozinha” e contar a ela coisas simples sobre você: seu gosto por manjares de fruta-do-dragão e camarão feito em leite de coco e especiarias, por exemplo. Ou o fato de que você é um exímio tocador de alaúde, mas é tímido demais para se apresentar em grandes palcos, ainda que goste de fazer uma ou outra música para alguém especial, escondendo as partituras para tocá-las somente quando estivessem perfeitas.

    — Eu nunca toquei alaúde na sua frente! — Falei, surpreso. — Como diabos...

    — Eu sou metade fogo, Ireas. — Replicou Yami, rindo levemente. — Eu posso virar fumaça e ir e vir para onde eu quiser, quando quiser. Volta e meia já te ouvi praticar e virei fumaça para poder ouvir melhor do que ficar espiando pela porta. Você já quis ser músico?

    Inclinei a cabeça, surpreso. Era por isso que eu tinha a sensação de estar sendo observado enquanto praticava?!

    —Já… Já, já quis… — Repliquei, ainda atônito. — Bem, Asralius me deu o alaúde por motivos terapêuticos, mas… Há quanto tempo você vinha fazendo isso?

    — Bem… Tem uns anos, creio eu. — Replicou o Efreet casualmente, para a minha surpresa. — E você toca muito bem. Se não for viver disso, deveria ensinar a um de seus pequenos.

    — Por que? — Indaguei, perplexo.

    — Você é um bom músico e seria um desperdício não passar isso para frente, oras. — Replicou Yami casualmente, como se não tivesse entendido a minha pergunta.

    Todo esse tempo… Ele juntou informações simples, porém boas sobre mim. Todo esse tempo ele se manteve quieto ao mesmo tempo que lutou pela minha felicidade, e eu jamais havia percebido o quanto que Yami, o Primeiro, mudara desde a primeira vez que nos encontramos. Assumi tantas coisas sobre ele, e em geral, negativas, que me esqueci do homem que ele havia se tornado. A face má ou ao menos as inclinações ruins que Yami tinha há muito haviam sumido.

    — Não… Não foi isso que eu perguntei. — Repliquei, confuso com meus próprios pensamentos. — Minha pergunta era… Por que você fez o que fez por mim? Por que lutou pela minha felicidade quando não tinha obrigação alguma? Digo, sua dívida comigo já estava paga…

    Engoli em seco e parei de falar; por um instante, um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente, e tanto eu quanto Yami não parecíamos inclinados a romper o silêncio. Entretanto, o Efreet optou por fazê-lo.

    — Foi por… Amor, eu acho. — Replicou Yami lentamente, como se procurasse as palavras certas. — Bom, antes mesmo da Lisette aparecer, quando você já estava se recuperando da morte do Yalahari… Ou até mesmo antes disso. Eu… Acho que tinha me apaixonado por você. Ou ainda sou apaixonado por você. Sei lá. Mas, eu preferi não confessar.

    — Como assim?! — Estava atônito; eu jamais imaginaria que o Efreet tivesse algum tipo de sentimento por mim além de amizade.

    — Nunca era o momento certo. — Replicou o Efreet, sentindo o peso de suas palavras. — Ou você estava em uma crise depressiva horrorosa ou estava furioso demais. Ou às vezes estava apático demais para se importar. E como você foi se tornando alguém de ainda mais poucas palavras que antes, preferi continuar a fazer aquilo que fazia de melhor: te auxiliar, ser útil, te proteger e não arranjar problemas. Sem falar que eu sabia que não daria certo.

    Era por isso… Era por isso! Finalmente fazia sentido! Todos os anos de serviço sem questionar, sem reclamar… Aguentando toda a sorte de tratamentos ruins e escabrosos que eu poderia ter lhe dado… Aguentando até mesmo ver-me nos braços de outra pessoa! E de bom grado, ainda por cima! Por muito tempo achei que havia ainda algum resquício de tramoia no Efreet, mas não… Era sincero. Foi sincero. E continuava sendo. Pelos deuses, eu havia sido um tremendo babaca todos esses anos!

    — Eu… Eu não sei nem o que dizer. — Repliquei, sentindo a garganta seca e a vergonha tomar conta de meu semblante. — Eu… Eu nem me dei conta.

    — De toda a forma, eu sabia que não daria certo, Keras. — Replicou o Efreet, com o olhar triste. — Fosse pela velhice, pela praga ou pela espada, você morreria bem antes de mim. Você ainda pode morrer depois de mim, e eu passaria o resto de meus anos a esmo. Inicialmente, sozinho. Agora, provavelmente cuidando de seus filhos. Eu os veria crescer, amadurecer, envelhecer e morrer também, e o mesmo seria com seus netos e provavelmente seus bisnetos e trinetos até, um dia, eu finalmente sentir a chama de minha vida se esvair e apagar.

    — Mas a minha alma é eterna! — Repliquei, bravo não com Yami, mas comigo mesmo por jamais ter percebido o que estava acontecendo debaixo de meu teto pelos últimos sete, quase oito anos. — Eu poderia reencarnar!

    — Sim, e o que garantiria que eu te reencontraria? — Replicou o Efreet. — Ireas, você sequer tem garantia de lembrar dessa sua vida de agora, que diria de lembrar de mim ao ponto de me procurar?

    Engoli em seco, perdendo a resposta que eu achava que tinha. Ele tinha razão. Eu não tinha como dar garantia alguma a ele de qualquer coisa referente à minha próxima vida, caso eu viesse a ter uma.

    — Então, quando eu vi uma chance para te ajudar a sair dessa fossa em que você esteve todos esses anos… Eu a aproveitei. — Continuou o Efreet. — Você se encantou com Lisette, e você estava feliz demais para ignorar. Eu não podia deixar ser algo passageiro, então eu a ajudei a te conquistar. Ela, sendo pirata e a coisa toda, tinha dificuldade, também, em ser a cura que você precisava, e eu, naturalmente, tive que intervir. Djinni não podem interferir na Vida e na Morte. Eu não poderia fazer você se apaixonar magicamente por alguém, por exemplo. Entretanto, com a dose certa de manipulação… Eu poderia facilitar as coisas. E muito.

    — Mas… — Balbuciei, chocado.

    Yami se aproximou lentamente da cama de Aslaug com sorriso no rosto.

    — Ireas, olhe para eles. — O Efreet tinha um sorriso no rosto e um semblante sereno, mais sereno do que havia sido a vida inteira. — Você tem coragem de dizer que eu errei? Não foi um, não foram dois, foram três. Três filhos, Ireas. Duas lindas meninas e um menino que tenho certeza que será tão forte, senão mais que você. Mesmo que Lisette tenha me chateado ao confidenciar que ela era uma Sereia e amaldiçoada, no fim das contas eu fiz a escolha certa em abrir mão dos meus sentimentos e ajudá-la a conquistar um lugar em seu coração. Quanto mais eu olho esses três, Ireas, maior é a minha certeza. Eu não me arrependo de absolutamente nada.

    — Por que? — Eu ainda não conseguiu acreditar em minha cegueira por quase uma década inteira. — Por que você cedeu?

    — Pessoas amam. Pessoas são amadas. Pessoas traem, e são traídas. Pessoas se magoam e são magoadas, mas raramente conseguem uma segunda chance. — Yami sentou na ponta da cama de Aslaug e voltou seu olhar para mim, mantendo um sorriso que me deixava ainda mais confuso. — Eu sei que o Yalahari era, provavelmente, o amor da sua vida, e que a morte dele abriu um vazio em seu coração que você não lembrava que tinha. — Ele deu de ombros e semicerrou os olhos, como se pensasse cuidadosamente nas palavras que tinha a dizer. — Você nunca quis ser o grande heroi, o rei ou o salvador da nação humana ou das raças de Tibia em geral. Você só queria ser um homem comum: ter uma profissão para se sustentar e uma família para a qual voltar. Eu poderia até ser seu amante e dividir o leito com você e te consolar em seus dias mais tristes e ser parte de suas alegrias, mas eu jamais poderia te dar uma família. Ao menos não dessa maneira. Entenda: eu não tenho mágoas. Eu optei por isso de livre e espontânea vontade sabendo que seria a mais justa das trocas. Sacrifiquei meu amor, meu orgulho e parte do meu sentimento de posse para que você pudesse ser feliz e tivesse a família que sempre mereceu. É certo que Bastesh e Lisette avacalharam parte da minha troca quase alquímica, mas… Ela deu certo.

    — Yami, eu…

    Fogo e água não vivem juntos, Ireas. — Yami me interrompeu, sorrindo logo em seguida. — São opostos por natureza. O fogo se afoga no abraço das águas e as águas perdem sua forma ao toque do fogo. Isso seria nós dois juntos. Destruição mútua por bagagens que ambos temos e pelos nossos próprios temperamentos. Agora, você e Lisette… Eram seres de água, e funcionavam bem melhor. Além disso, eu sei bem que você não resiste a pessoas ruivas em geral. Se forem sardentas e de coxas grossas, então, nossa… Você vai à loucura!

    Rimos; rimos um riso que há muito não ríamos. Rimos baixo para não acordar os pequenos, mas rimos com gosto. Entretanto, em meu riso eu escondia a minha tristeza e decepção. Tristeza por ter feito Yami passar por tudo aquilo calado; decepção por ter sido incapaz de perceber e ter tomado alguma providência.

    — Mas agora, se você resolver me substituir, eu vou ficar muito puto e tocar fogo na porra toda. Estou falando sério. — Falou o Efreet, sorrindo de canto logo em seguida com um semblante zombeteiro. — A despeito dessa forma, eu ainda sou um Efreet, e um dos mais poderosos que ainda caminham em Tibia. Acho bom que se lembre disso.

    Ele se levantou e bagunçou meus cabelos com uma das mãos, sorrindo para mim. Ainda que seu rosto exibisse alegria, seu olhar mostrava certa melancolia; Yami sacrificara muito mais do que sua liberdade nesses últimos anos. Ele fizera muito mais por mim em todo aquele tempo do que outros fizeram por mim a vida inteira.

    Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um emissário chegou às pressas ao aposento, encerrando ali qualquer conversa que poderia haver sobre o assunto. Seu semblante estava tomado pelo pavor e desespero.

    — A parte Sul da Sociedade está sob ataque! — Falou o homem, ofegante. — Roshamuul está atacando!

    Eu olhei para minhas crianças com um aperto no coração; era a pior hora possível para isso acontecer.

    — Ireas, vá. Eu fico. — Yami falou, resoluto. — Vá ajudar Jack. Eu vou chamar por minha irmã, Emulov e pelo Sr. Maximus. Eu cuidarei de suas crianças. Nenhum demônio vai encostar em um fio de cabelo sequer delas. Você tem minha palavra.

    — E você nunca falhou comigo. — Repliquei, com um sorriso. Virei-me, em seguida, para o emissário. — Vamos depressa! Não temos muito tempo!

    Saí às pressas de meu palácio, seguindo o sacerdote aterrorizado. Olhando para trás, vi Yami erguer um imenso campo de fogo para proteger o palácio e, possivelmente, o restante da Sociedade. Com o coração apertado, eu torci para que o Efreet fosse plenamente capaz de defender a parte Norte da Sociedade até meu retorno.


    Continua...

    -----

    Glossário:

    (*): Tradução do primeiro trecho do refrão da música "Feuer Und Wasser", de Rammstein. O texto original é "Feuer und wasser komnt nicht zusammen", que pode significar "fogo e água não vem juntos" ou "fogo e água não caminham juntos".
    (**): "Aquela prometida aos deuses" em Norueguês antigo. Nome atribuído a uma princesa völvár (sacerdotiza profeta) com quem o mítico rei Ragnar se casa em uma Saga sueca;
    (***): "Inverno" em Finlandês; é uma parte do nome do álbum Takatalvi ("clima de inverno", "clima invernal") da banda finlandesa Sonata Arctica.
    (****): "Aquele (ou aquilo) que pertence a Thor" ou "de Thor" em Norueguês antigo.

    -----

    Tá acabando, gente! Não sei lidar...

    Espero que tenham gostado! Até o próximo!

    Aguardo ansiosamente o feedback de todos!




    Abraço,
    Iridium.
    Última edição por Iridium; 18-05-2017 às 09:07.

  3. #423
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    Acho que todo mundo que acompanha A Voz do Vento concorda que já está na hora de fazer uma animação, né?

    Capítulo muito bom, Yami finalmente se declarou...

    Aguardo ansiosamente pela batalha da Sociedade das Teias Infindas.
    Got to stay high, all my life, to forget i am missing you !
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  4. #424
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    (Calma, não vim para comentar sobre a história... ainda.)

    Mas, como a história está chegando ao fim, está na hora de eu começar a aparecer por aqui de novo, afinal, no meu horizonte está a hercúlea tarefa de cumprir minha promessa e ler toda a sua história, Fer.
    Brincadeiras a parte, vai ser um prazer fazer isso. Como eu já dizia nos meus primeiros comentários aqui lá por 2012, sua história foi uma das melhores que já apareceram por essas bandas, e sem dúvida foi importantíssima para a seção. O Roleplaying não seria o mesmo se você não tivesse aparecido por aqui.

    E, mesmo sem ter lido um capítulo d'A Voz do Vento em anos, tenho certeza de que você só melhorou com o amadurecimento e a experiência acumulada de anos, e estou ansioso para voltar a comentar aqui como um leitor da sua história. E o fim dela vai cair bem próximo às férias, o que já une o útil ao agradável.

    Beijos, e até daqui um tempo! ^^
    “The big questions are really the only ones worth considering, and colossal nerve has always been a prerequisite for such consideration”.
    - Alfred W. Crosby

  5. #425
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    E aí!

    A essa altura do campeonato acho que já esgotei meu estoque de elogios pra história, então vou ter que ser repetitivo nos comentários dos capítulos finais kkkk

    Mais um capítulo lindo, Iridium. Adorei as descrições das crianças, me deixaram bem curioso sobre como você as imaginou (pedir pra vc desenhá-las seria muita cara de pau? ). Ainda bem que você já avisou que não vai acontecer nada com elas, pq se acontecesse eu perderia de vez minha fé na humanidade rs

    Bom, a parte da declaração do Yami (qui djinnão da PORRA) era algo que eu estava esperando bastante, e não me decepcionou. Acho que veio no momento certo, naturalmente; como ele mesmo disse, o Ireas sempre estava fora do "clima" pra isso, mas nessa hora em que ele estava bem com os filhos... Era a hora kkkk. Interessante ver como o Keras percebeu todos os vacilos que ele deu na convivência com o Yami só com essas palavras do djinn; a gente dá um desconto grande pela vida sofrida do cara, mas não foi nada legal da parte dele. Espero que mesmo não dando certo o relacionamento deles como um casal (pelas razões q já foram explicitadas no capítulo), o Yami receba o reconhecimento e a amizade que ele merece muito não apenas do Ireas, mas de todos os que os acompanharam nesses anos. Junto com os filhos, é o que, ao meu ver, vai fazer a vida do druida valer apena daqui pra frente (a não ser q vc traga uma surpresinha nesses últimos capítulos rs).

    Pra manter a tradição, não poderia faltar mais problemas aparecendo na vida do Ireas. Estou com grandes expectativas para essa batalha final da história, vamos ver quais consequências ela trará.

    Tá acabando. Fica a ansiedade pra ler os capítulos finais, mas ao mesmo tempo a tristeza pelo fim tão próximo. Negócio é aproveitar enquanto ainda dá kkkk.

    Abraço!





    Conheçam minha história: Leon, o Covarde xD

  6. #426
    Avatar de Shirion
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    Naaaaaaaaaaaaaao

    Iridiummm vc matou a Lisette Iridium

    Por que????????????? Por que???????????????? Por que???????????????



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    Por endless nameless no fórum Roleplaying
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    Último Post: 18-10-2004, 13:23

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