
Postado originalmente por
Amell
Me incomoda o fato de você ter unido argumentos referentes à legalização do aborto em qualquer caso com a desse caso específico(anencefalia).
Esses argumentos não se propõem - nem poderiam ser utilizados - para relativizar o valor da vida, eles estão aí para determinar quando começa a vida e se um feto sem cérebro é ou não uma vida. Me perdoe ao falar que você falhou ao analisar os argumentos: a discussão é quando(e se) um feto tem direitos.
Se o valor da vida não é relativizável, então, o teu "quando" e "se" necessitam automaticamente de um "por que" e este "por que" é um conjunto de argumentos para se definir (sob certos aspectos) quem detém este direito a vida.
Não vejo como os argumentos gerais e especificos podem estar dissociados.A não ser que você faça essa distinção entre estar apto em um certos numero de critérios.
Por exemplo: (É só um exemplo)
VTome-se que é necessário que um ser humano "reconheça fazer parte de um grupo", e que possa "viver de forma independente".
Analisando combinatoriamente você tem quatro possibilidades.
a) Atende à ambos = o ser humano perfeito ao qual é garantido o direito à vida.
b) Atende somente ao primeiro critério = Sem posicionamento
c) Atende somente ao segundo critério= Sem posicionamento
d) Não atende a nenhum dos critérios= O que você diz que certamente não merece o direito a vida.
Entendeu meu ponto?Entendeu porque é relativizável?
A verdade é que ou deve-se atribuir um peso para cada critério ou deve-se estipular um número mínimo de critérios a serem satisfeitos.Todo caso, a base lógica e argumentativa poderá soar como algo arbitrário.Quer dizer, por que atender tais critérios é algo relevante?Gastos públicos?Cultura?É o tipo de coisa pragmática que vota o ser humano à condição de ser funcional.