Julian era filho de um comerciante de peixe das redondezas de Venore. Julian não gostava do emprego do pai, mas este insistia que era um negócio de família, e que o filho deveria se contentar com isso, pois um dia era o que ele faria da vida também. A vida ia se arrastando, ou melhor, sendo arrastada. Arrastada pela tristeza de Julian, que queria ser grande. Queria fazer história, queria ser um cavaleiro. Galopar no cavalo mais forte que já se vira, erguendo sua espada forjada pelos Deuses, e honrando a lei. Mas nunca aconteceria. Por mais triste que possa parecer, Julian não foi, digamos, abençoado com um corpo forte, ou mesmo alto. Media um metro e meio, o que lhe rendeu o apelido de "Dwarf".
Naquela noite, após uma longa tarde de pesca sob o sol quente como o bufar de um Demon, Julian repousava de olhos abertos, encostado no solo superior do depot de Venore, próximo a uma escada de madeira. Ele olhava fixamente, com aqueles olhos castanhos e tristes, para o fim do longo corredor de asfalto que se estendia desde a área próxima a entrada do depot até uma casa de barcos, passando por casas de vários magnatas que expunham suas riquezas para fazer inveja aos que passassem e resolvessem olhar pela janela.
Tudo parecia normal, como sempre. Julian começava a concordar que sua vida seria um grande mormaço até o fim. Mas, eis que então, algo supreendeu Julian. Uma luz, branca como a lua, brilhante que só, surgiu ao fim do corredor, e veio possuindo as paredes dele, depressa. Uma criatura incrível, tão branca quanto a luz que emitia, com chifres belos como o nascer do sol, e um galopar suave como o vento, vinha em sua direção. Julian levantou num salto, pasmo com aquilo. O brilho era tão forte e ofuscante, que apenas quando a criatura estava a uns 10 metros de Julian, que ele pode ver que havia alguém montando naquele cervo, ou veado, ou seja lá o que for. Era uma moça.
Linda.
Foi a única palavra que Julian conseguiu proferir perante a dama, que tinha os olhos mais azuis que os mares a serem desvendados, cabelos ruivos como a chama que saia do mais esplendoroso dos dragões, e sardas doceis, quase que fofas, cobrindo suas bochechas, que eram rosadas, diferente do resto de sua pele, que era branquíssima.
"Oi." Ela disse, com um lindo sorriso estampado no rosto, e sua voz, suave como o rufar de asas de um canário, mas poderosa como o feitiço mais senil de Ferumbras, atingiu em cheio Julian. Exatamente no peito, mais precisamente na região do coração.
Enquanto gaguejava ao se apresentar, Julian sabia que tudo ia mudar a partir dali. Sabia que sua vida teria um sentido. E que não importava o quanto tivesse que se esforçar, ele iria se tornar um cavaleiro. Não mais para empunhar uma espada contra o pescoço de um bandido. Mas sim para recostar seu corpo ao de sua dama, e passar toda a eternidade com ela.
A vida começava ali para Julian. Após um longo tempo, finalmente o lagarto se tornaria dragão.
Alias, mencionei que a bela garota media exatamente um metro e meio?
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