
Postado originalmente por
Mestre Shake
A história do limbo é uma das formas de ver a inexistência. Viver em algo que nada existe é o mesmo que não existir pelos meus cálculos. Lembra da história da arvore que cai na floresta e produz som, mas ninguém está lá para ouvir? Ela esteve lá, mas é tão insignificante quanto algo que não existiu. Usei essa utopia pra tentar pelo menos sombrear o que parece ser inimaginável, a vida sem a própria existência. Pra mim, pelo menos, não existe inferno maior e todos compartilham isso. A maldição da inexistência.
Nós, para ateus, compartilhamos juntos um pedaço do universo que pode ser insignificante. Se nosso sistema se explodir, então quem ouvirá? Existimos realmente? Não chega perto do inferno, porém, ao pensar nisso individualmente sim. Não existir sem nada e sem ninguém.
Para os crentes há uma escapatória. Podem considerar "interesse", mas é um dos motivos que estou com eles e que consideram o homem um ser religioso, transcendental.
Aí que está, não existe o "compartilhar um pedaço do universo". Inexistência é inexistência. Ela é inimaginável simplesmente porque quando lá chegarmos, tudo deixa de importar.
A analogia da árvore não funciona bem nesse caso pois estamos tratando de uma inexistência absoluta. Mas usando a própria analogia, podemos dizer que, se a árvore cai em algum lugar sem ninguém para ouvir, ela fará barulho para ela mesma.
No caso da morte sem um pós-morte, a consciência, que é a única entidade capaz de identificar a existência ou até uma sub-existência, já não está lá. Você simplesmente não existe, porque o conceito de "você" está ligado somente a sua matéria.
Eu entendo a necessidade das pessoas buscarem a religião para entender a morte. E acho que o que motiva isso é muito mas a dificuldade de encarar a inexistência do que a morte em si (como você demonstrou ali, aliás). Mas a mim a inexistência não incomoda, simplesmente porque ela não importa. Quando eu estiver morto, nada mais vai importar, pois não vou sentir nem ter consciência de nada. Nem da minha própria inexistência. Então se a vida é curta, se não existir é ruim, se eu não sou nada além de átomos, isso não vai fazer diferença quando eu deixar de existir.
Sei que é algo meio perturbador para muitos, mas sempre encarei isso de forma bem natural, nunca negativamente. Talvez seja por isso que eu não creio em deuses e religiões pessoais. Minha vontade de questionar a fé vem do fato de, apesar de buscar explicações como todo mundo, eu não
preciso acreditar em nenhuma delas.