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Tópico: Danse Macabre

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  1. #1
    Avatar de O Bardo Sortudo
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    Padrão Danse Macabre

    Capítulo I


    Não me lembro exatamente de quando começaram os acontecimentos que narrarei aqui, minha memória parece embaralhar-se quando tento revisitar em minha mente aquele episódio sórdido pelo qual passei. É díficil ter certeza de que tudo não passou de um sonho, uma peça sobrenatural que me foi pregada pela minha própria consciência. Tentarei reproduzir fielmente o que se passou naquela semana de outono, deste detalhe eu me lembro bem pois nunca poderia esquecer o aspecto seco das árvores retorcidas que ladeavam a rua de acesso daquela casa que caía aos pedaços. Não consigo deixar de estremecer ao tentar descrever aquela situação de terror e pânico que passei por várias noites em claro, fazendo intermináveis vigílias e suando frio ao escutar algum barulho vindo de fora do meu quarto, por menor que este tenha sido. Temo pela minha sanidade — ou insanidade — ao fazer este relato, pois não importa com que eu tenha falado após o fim deste episódio, todos me olharam como se eu estivesse louco e nada tivesse acontecido. Por muito tempo isso me deixou desesperançoso e amedrontado, eu me recusava a tentar lembrar de qualquer fato por medo de acessar cantos escuros da minha mente e da própria Terra. Não foi sem muita consideração prévia que resolvi escrever tudo e publicar esta espécie de diário póstumo. Até os dias de hoje, anos após aquela ocorrência diabólica, ainda sinto calafrios ao deitar-me em minha cama numa noite fria de outono.

    Durante o verão de 1995, uma série de reportagens sobre uma chacina numa grande capital brasileira — cujo nome deixarei oculto, por medo de que alguém tente seguir meus passos — em que vários cidadãos foram encontrados mortos num armazém escuro, numa madrugada de lua minguante. Na época, a repercussão nacional foi extensa e teorias foram criadas acerca da razão da morte dos doze homens. O médico legista apontado pelo delegado não foi capaz de identificar a causa da morte de onze homens. Ele notou rastros que podiam significar um envenenamento, mas todos os testes de detecção de venenos foram inconclusivos e nada pode ser provado. A exceção foi um jovem de vinte anos, que não havia sido identificado e foi enterrado como indigente no cemitério local. A causa da morte dele foi divulgada como sendo uma das mais brutais já vista no país. Segundo os relatórios oficiais divulgados pelas autoridades, o rapaz fora severamente espancado, apunhalado inúmeras vezes nas costas, — o médico encarregado de publicar o relatório à mídia disse que o assassino teve um cuidado extraordinário para atingir pontos que não seriam imediatamente letais — teve a ponta dos dedos queimada e em seguida fora enforcado no teto do armazém. Nenhuma foto ou gravação de vídeo da cena do crime foi divulgada para a população e por isso os mais alvoroçados atribuíam as mortes à forças sobrenaturais, julgando que a ira divina havia castigado aqueles homens por seus pecados terrenos e atitudes diabólicas. Era de conhecimento geral dos vizinhos desses onze homens — todos eles moravam no mesmo bairro — que eles tinham o hábito de se encontrar em um prédio abandonado que estava caindo aos pedaços. O que eles faziam naquele lugar, ninguém sabia dizer, mas quem morava ao lado do prédio garantia que aquele era um local comum de encontro para viciados se encontrarem e terem tranquilidade para usar o que quisessem sem serem perturbados por qualquer indivíduo.

    Paralelamente às investigações policiais, os repórteres de uma certa emissora de televisão resolveram lançar uma série de interrogatórios para os parentes e amigos próximos das vítimas, a fim de elucidar os motivos da chacina e os últimos passos daqueles que jaziam num galpão úmido e mofado numa noite de setembro. Essa investigação não-oficial promovida pelos repórteres foi que me levou àquela cidade de pesadelos e sussurros. Foi no terceiro dia após o anúncio das mortes que eu recebi um telefonema de um sr. Bittencourt, dizendo que gostaria de encontrar-se comigo na sede da rede de televisão para discutirmos uma oferta de trabalho. Sua voz era sibilante e ele tinha um tom de autoridade e pressa, como se estivesse fazendo um favor ao meu ligar. Ele prosseguiu dizendo que "há certos assuntos urgentes para uma matéria e preciso de um profissional não ligado à nossa empresa para assinar o artigo a ser publicado.Tenho pouco tempo, de maneira que preciso encontrar-me com o senhor o mais rápido possível." Sua voz cortante me fez estremecer. Eu, como repórter freelancer, estava acostumado à receber chamados de última hora para a conclusão de uma matéria jornalística e propus encontrar-me com este senhor no dia anterior de manhã, pois já era tarde e eu havia trabalho o dia inteiro. Ele educadamente aceitou e desligou o telefone. É digno de nota que neste momento eu não sabia do que se tratava esse tal assunto urgente e isso me fez ficar irrequieto por algum motivo. Pela minha experiência — eu era um mero recém-formado, trabalhando duro para construir uma reputação — imaginei que era um caso sem importância e após sentar-me para ler um livro, acabei me esquecendo da ligação e passei a noite sem nenhum outro distúrbio.

    No outro dia, enquanto tomava um café na sala, liguei a televisão e assisti ao noticiário matinal, que ainda cobria o massacre e mostrava a frágil posição em que a polícia se encontrava, não tendo indícios dos autores do crime e falhando em dar respostas para a população. O delegado encarregado do caso fez menção de que tudo provavelmente era resultado de uma briga de gangues e que provavelmente aquele rapaz desconhecido foi usado como um aviso para os que mexessem com a gangue rival — a suposta autora do crime. A reportagem seguia mostrando os habitantes indignados com a falta de segurança da cidade e mais especificamente naquele bairro, que pelo que as imagens mostraram era bastante pobre e desolado.
    Conversas sobre os movimentos de um dos homens foi um dos destaques promovidos pelo âncora do telejornal, um amigo de uma das vítimas — o homem chamado Estevão — afirmou que acompanhou um amigo na casa de uma senhora que falara sobre ocultismo e coisas diabólicas. Estranhamente, ele não pode dar detalhes quanto a localização da casa dessa senhora e nem pode determinar nenhuma frase exata ou idéia geral sobre a conversa, segundo ele, tudo que se passou naquela noite parecia nebuloso e borrado. Esse comentário inflamou grupos religiosos a organizar sermões ao ar livre para a população. Nesse sermões eles discutiam a natureza macabra que se abateu no velho armazém e assertavam que o que se passou naquela noite era apenas um presságio do que estava por vir, que o primeiro passo para mais catástrofes foi dado e que era uma questão de tempo até que mais pessoas fossem afetadas. Os tablóides nunca estiveram tão ocupados inventando dezenas de histórias e colhendo depoimentos sensacionalistas para publicar na capa de seus jornalecos. Assistir àquilo me deu uma sensação de vergonha da minha profissão, pois era impossível não sentir a charlatanice e a óbvia tentativa de desinformar a população e causar um certo desconforto na sociedade para vender mais e mais jornais.
    Lembrei do telefonema da noite anterior e do compromisso que havia marcado para dali a algumas horas. Sem demora, coloquei uma roupa formal e esperei a hora de sair escrevendo algumas notas em meu computador.

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    Última edição por O Bardo Sortudo; 21-11-2011 às 18:56.

  2. #2
    Avatar de Jose Cuervo
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    Ele notou rastros que podiam significar um envenenamento, mas todos os testes de detecção de venenos foram inconclusivos e nada pode ser provado.
    para viciados se encontrarem e terem tranquilidade para usar o que quisessem sem serem perturbados por qualquer indivíduo.
    Injetaram cloreto de potássio na veia dos homens. É o jeito de matar mais foda que existe, ele se dissolve no sangue e fica impossível reconhecer a causa da morte.



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