Um capitulo mais trabalhado, espero que apreciem.

Capitulo III

A fumaça branca desaparecia instantaneamente. Jacó gostava daquilo, era divertido ver as formas claras e distinguíveis se misturarem e formarem aos poucos nada. O clima estava esfriando, as nuvens impregnavam em sombras as paredes dos prédios. O sol morreu...

- The sun died of an overdose... – cantarolou Jacó.

Os becos foram crescendo, os tijolos brutos pareciam movimentar-se em pequenas ondas. A cidade crescia.

- ...and I need it to take a dose, to a long drag... – e assobiou um riff qualquer enquanto olhava para as paredes ondulares que o cercará.

As luzes de neon estavam apagadas e circundavam o canto de uma das paredes de prédios. Ele desceu por uma pequena escada de concreto e chegará a uma porta pouco recostada. Bateu de leve e lembrou-se do cigarro, jogando-o no chão.

- Olá. Ela está o esperando senhor Jacó... – disse uma linda tchica. Morena de cabelos negros em duas trançinhas e num apertado espartilho.

Jacó entrou numa pequena sala, a mobília era velha mais bem arrumada. Parecia estar perdido no tempo, há uns cem anos atrás. Os móveis eram de madeira antiga, encerados e sempre com uma pequena toalha bordada. Ele passou os dedos por uma pequena escrivaninha e pouso numa estante de livros. Shakespeare, Bovary, Shylock...

- Sempre se distraindo nas futilidades, não Jacó?

- São detalhes – disse com os olhos pouco expressivos – agora é que vem a futilidade.

Era uma linda ruiva. Aquele espartilho amarrado a sua cintura, a maquiagem que afilava os seus olhos, o tempo realmente regressara. É engraçado, mas Jacó encontrou a prostituta que pedirá a deus.

- Quase me senti ofendida, mas agradeço a sinceridade. – disse com um sorriso de lado e aproximando-se o beijou alisando com as mãos o queixo e o pescoço. A barba já não a incomodava.

Ela pegou-o pela mão e seguiu em direção ao quarto ao lado. A cama era alta, antiga, com colunas de madeira que cobria a cama com um leve mosquiteiro. Ela chegou ao lado da cama e beijou-o mais uma vez, agora o apertando com mais força entre os dedos. Ele resignou-se a acariciar levemente sua pele com as costas da mão e simpaticamente a colocar na cama.

- Poderíamos convidar à pequena Lupita... – disse com Jacó beijando seu pescoço e ela com os olhos apertados de excitação.

- Chame-a.

Ela levantou-se. Ele sentará mais comodamente na cama com vários travesseiros coloridos nas costas. Olhou todo aquele quarto, todas aquelas coisas, todas as idéias vieram a sua cabeça. Pensará no tempo e nas meninas que logo entrariam, pensou que vida tola vivia e aquele rosto tão decadente iluminou-se com um pingo de brilho, um leve sorriso, sarcástico...

- Que tal?

- Nuas? Ótimas.