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Tópico: :Monheim:

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  1. #1
    Avatar de Emanoel
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    Creio que o primeiro post chega a ser irritante para quem não compreende as referências e excertos do álbum. Baby-o, torre de câncer, estática, campo vazio, rei da glória, Coney Island... o quê? Citando Thom Yorke, parece que você está spitting nonsense, talking in tongues, assim como uma drunkk machine. E é incrível como o monólogo de Murray Ostril perde a maior parte do seu significado quando escrito.

    Pulando para o Capítulo I da Parte II: ainda não sei se será uma constante, mas você levou o título a sério (ignorou aquele início triunfante e tornou literal o miolo caótico). Parece filme de suspense, você nem conhece aquelas pessoas e acompanha um momento tenso de suas vidas, daqueles em que alguns tentam aconselhar os personagens enquanto outros esperam a primeira burrice que os levará a morte. Por sinal, um final impactante foi tão esperado que ter deixado a questão em aberto parece ter sido boa escolha.

    Admito que tive dificuldade para imaginar o ambiente como um todo, mas aí lembrei que sou caipira demais para estar familiarizado com aeroportos.

    Enfim, ágætis byrjun, mas deixou esperando por mais, muito mais...


    Eu não consigo parar de citar músicas e artistas.


    Blaise Bailey Finnegan III, meu "personagem" preferido, não aparece nesse álbum. Pena.

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    Última edição por Emanoel; 25-03-2010 às 06:56.

  2. #2
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    Citação Postado originalmente por Emanoel Ver Post
    Creio que o primeiro post chega a ser irritante para quem não compreende as referências e excertos do álbum. Baby-o, torre de câncer, estática, campo vazio, rei da glória, Coney Island... o quê? Citando Thom Yorke, parece que você está spitting nonsense, talking in tongues, assim como uma drunkk machine. E é incrível como o monólogo de Murray Ostril perde a maior parte do seu significado quando escrito.

    Pulando para o Capítulo I da Parte II: ainda não sei se será uma constante, mas você levou o título a sério (ignorou aquele início triunfante e tornou literal o miolo caótico). Parece filme de suspense, você nem conhece aquelas pessoas e acompanha um momento tenso de suas vidas, daqueles em que alguns tentam aconselhar os personagens enquanto outros esperam a primeira burrice que os levará a morte. Por sinal, um final impactante foi tão esperado que ter deixado a questão em aberto parece ter sido boa escolha.

    Admito que tive dificuldade para imaginar o ambiente como um todo, mas aí lembrei que sou caipira demais para estar familiarizado com aeroportos.

    Enfim, ágætis byrjun, mas deixou esperando por mais, muito mais...


    Eu não consigo parar de citar músicas e artistas.


    Blaise Bailey Finnegan III, meu "personagem" preferido, não aparece nesse álbum. Pena.
    É também acho que o monólogo perdeu sua força quando escrito, mas o que eu podia fazer (risos). :rolleyes:

    Ok, acho até que você está certo nessa sua análise do capítulo, mas peço calma nas avaliações. Eu não levei tudo ao pé da letra, pelo menos quase tudo. O próximo capítulo deve dar uma outra impressão, mas enquanto isso, pelo menos pra quem não ouviu o disco, tentem prestar atenção aos monólogos. Vai ter muita coisa que deve ficar nas "entrelinhas", não vou explicar a história toda.

  3. #3
    Avatar de Wu Cheng
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    Acho que o seu projeto merecia ilustrações do Dave McKean.


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  4. #4
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    Verdade Wu Cheng, cairiam como uma luva, das bem cabeludas e assustadoras.

    Capítulo 2 - Estática


    – Trudy, pega cereal na outra seção, por favor.

    A mulher de vestido púrpura com flores de todas as cores bordadas pegou o carrinho de supermercado e deu a volta na estante de laticínios. Do outro lado, um balcão de madeira ostentava uma série de opções. Cereais de mel, chocolate, aveia e outros sabores estranhos. Ela parou e pensou qual escolher durante um instante. Foi o suficiente para ouvir o discurso ruidoso que vinha de um rádio. Ao lado do aparelho estava sentado um velho de cabelos cumpridos e brancos em profundo silêncio. Os cotovelos apoiados sobre os joelhos e as mãos cobrindo as maçãs do rosto. Parecia desesperado.

    – ... na inocência foi preparado para conhecer o nosso rei da glória. Então, nós temos isso. Você o tem em suas janelas secretas. Você está entendendo a entender isso para trazê-lo para trás. Isso necessita pequenos minutos. Isso necessita uma sagrada vida. Isso necessita emoções. Isso necessita dedicação, isso necessita dedicação! – berrava a voz esganiçada enfatizando as frases. – Isso necessita de uma morte. E somente, SOMENTE, Deus pode permitir isso.

    Trudy se aproximou da bancada e colocou a mão sobre o ombro do velho. Ele levantou a cabeça ressabiado e a olhou com seus olhos fundos. Os olhos repletos de sujeira e cansaço. Ela enfiou a outra mão na bolsa e sacou uma nota de cinqüenta dólares. Aquele senhor olhou o dinheiro e como quem foge da cruz levantou-se e correu gritando. Ela, muito assustada, devolveu de antemão a nota para a bolsa. Respirou fundo e colocou o cereal de aveia no carrinho.

    Observou que um pouco distante de onde estava dois seguranças haviam pego o velho pelos braços. O dono do mercado gritava palavras horríveis e apontava o dedo gordo para o inválido que nesse momento já não tinha mais forças para falar. Após uma calmaria, os dois seguranças arrastaram-no para fora. Trudy sentiu-se mais tranqüila, apesar de sentir mal pelo velho.

    O discurso do rádio tinha acabado. Agora, um barulho alto de estática fazia seu ouvido doer. Foi ficando mais alto e mais alto. Chegou há um ponto que Trudy mal conseguia se mover. Permaneceu assim por vários minutos, quando por fim o aparelho escangalhou de vez. Aliviada com o fim repentino daquela tortura, voltou a empurrar o carinho. Finalmente seu marido apareceu de novo com dois engradados de cerveja. Ela sorriu ironicamente e ele beijou seu rosto.

    O carinho foi posicionado atrás de uma fila com outros. Enquanto esperavam sua vez ela contou do incidente com o velho e o rádio e o homem riu como uma criança. Quando o assunto cessou, Trudy apanhou uma revista de fofocas de uma estante de ferro e passou os olhos pelas páginas. O alto-falante do mercado anunciou uma promoção relâmpago de conhaque, o que fez seu marido sair em disparada assim como outros clientes.

    A moça da bancada pediu a ela as horas. Trudy abaixou o queixo e informou que eram três e quinze. Houve uma bufada irritadiça da senhora a sua frente. A novela começava as três. Ela também costumava assistir a esses programas, mas a que estava sendo transmitida no momento não tinha prendido sua atenção.

    – Boa tarde, senhora. É a sua vez – disse a atendente.

    – Ah, me desculpe. Distrai-me lendo a revista – respondeu, embora já tivesse percebido que era sua vez.

    Ela colocou todos os produtos em cima da esteira e um a um foram registrados pela máquina. Começara a se perguntar o porquê da demora de seu marido. Eram quase três e meia e tinham de buscar as crianças no colégio as quatro, antes disso tinha que passar em casa para deixar as compras. Trudy estava irritada e quase berrou o nome dele. Ela então se cansou de esperar e pagou a moça. Decidira ir para o carro e esperar por ele lá mesmo. Voltara a empurrar o carinho pelo mercado. Quando chegava ao portão de saída ouviu um barulho de multidão e correria. Entraram correndo, brandindo revolveres e escondidos em máscaras negras. Mandaram-na voltar. Desesperada, largou o carinho ali mesmo e voltou correndo.

    Como imperadores, os homens que haviam entrado, ordenaram que esvaziassem as caixas registradoras. Um deles, alto e forte passou com um saco enorme por cada atendente. Elas iam colocando todo o dinheiro dentro, moedas e notas. Enfim passaram por todos os balcões. O saco foi amarrado por um pedaço grosso de arame e dois homens o levaram para fora.

    – Agora quero todas as bolsas de todas as mulheres. Meus companheiros vão passar para pegá-las. Se alguma de vocês reagir, eles vão atirar – comunicou o que aparentava ser o líder.

    O processo novamente foi cumprido com perfeição. Aqueles assaltantes tinham se preparado muito bem para aquele assalto em particular. Embora não estivesse altamente armados, cada um deles tinha uma pistola.

    Na vez de Trudy, pediu ao homem se podia pegar as fotos que havia na sua carteira. Seguindo o padrão mandado, ele a negou. Cheia de lágrimas nos olhos, ela pediu mais uma vez. O bandido, com a pistola em punho tremeu um pouco e olhou a nos olhos. Era uma mulher linda, daquelas que se vêem poucas na rua. Cabelos loiros, olhos lindíssimos e lábios vermelhos como sangue. Sua consciência pesou ao pensar no que faria com ela. Quando, na realidade, gostaria de estar fazendo outra totalmente diferente. No entanto, ele puxou o gatilho e a pólvora exalou por todo mercado. Ouviu-se um grito e depois falação.

    Trudy caiu de costas. As luzes do mercado ofuscavam sua visão, ela queria que tudo ficasse escuro. E aos poucos isso aconteceu. Falharam as luzes do estabelecimento. Os homens se assustaram. Houve mais uma falha. Então, todas as luzes se apagaram. Poucos segundos de silêncio para o início de uma gritaria. Disparos e desespero.

  5. #5

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    Whouw!!! Eu nunca ouvi essa banda, mas se as músicas forem tão boas quanto a sua história...

    Gostei bastante!! O texto está envolto numa atmosfera que me agrada muito. Sua escrita gera um suspense legal, e me deixou num clima apocaliptico.

    Muito bom =]

    Atente apenas para alguns errinhos de portugues. Algumas repetições e paronomásia.

    Abraços!




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  6. #6
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    Citação Postado originalmente por PokeFan Ver Post
    Whouw!!! Eu nunca ouvi essa banda, mas se as músicas forem tão boas quanto a sua história...

    Gostei bastante!! O texto está envolto numa atmosfera que me agrada muito. Sua escrita gera um suspense legal, e me deixou num clima apocaliptico.

    Muito bom =]

    Atente apenas para alguns errinhos de portugues. Algumas repetições e paronomásia.

    Abraços!
    Marcou um golaço quando disse clima apocalíptico, vocês estão chegando perto do enredo.

    Desculpe pelos errinhos, revisei poucas vezes. Mesma coisa para o Meltoh.

    Obrigado pelos comentários.

  7. #7
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    Desculpe pela demora; em meio à tantos textos dos mais diferentes gêneros e autores, acabo esquecendo de alguns.

    O que mais me chamou atenção nos dois capítulos (nem comentarei sobre a primeira parte, não entendi porra nenhuma) foi o fato de eles não possuírem relação aparente.

    O primeiro capítulo foi bem escrito, e surpreendeu o leitor justamente por não possuir nada eletrizante ou macabro; a simplicidade, por si só, surpreendeu. Foi tão casual, e estranho ao mesmo tempo — estranheza esta causada próprio clima —, que chegou a assustar.

    As cenas foram muito bem criadas, com descrições consistentes e diálogos competentemente estruturados. Tive alguma dificuldade de entendimento no trecho da sala dos fios, mas nada que algumas releituras pudessem superar.

    Duvidavam da sua integridade, ficou muitos anos ali servindo de passatempo aos funcionários. Teve seus grandes momentos entre quedas e derramamentos de café.
    Considerei este trecho o melhor do primeiro capítulo. Foi tão bom que...

    Só sugiro você arrumar a primeira interjeição do texto (hei); embora seu texto possa ser baseado em um enredo americano (ou, no caso, canadense), acredito que um "ei" cairia melhor.

    Quanto ao segundo texto: também houve alguma confusão, desta vez com os nomes. A princípio, não consegui perceber que Trudy era uma mulher; podia jurar que era uma criança (masculina).

    E somente, SOMENTE, Deus pode permitir isso.
    Não me agrada quando os autores utilizam de caixa-alta para indicar uma fala acentuada ou um berro. Me parece um recurso mal-avaliado e soa infantil; não que você precise mudar, ou algo, só digo que não me agrada.

    Ela enfiou a outra mão na bolsa e sacou uma nota de cinqüenta dólares.
    Abro aqui um parêntese para perguntar-lhe: haveria alguma possibilidade de ter adaptado esta história para o Brasil? Digo, mudar os nomes, enfim, ambientá-la aqui; não por nada (mudar agora seria um equívoco), é só que noto nesta seção uma incrível relutância com personagens ou ambientes brasileiros. E, por fim, registro a minha surpresa de a mulher oferecer cem mangos para um velho.

    Observou que um pouco distante de onde estava dois seguranças haviam pego o velho pelos braços. O dono do mercado gritava palavras horríveis e apontava o dedo gordo para o inválido que nesse momento já não tinha mais forças para falar. Após uma calmaria, os dois seguranças arrastaram-no para fora. Trudy sentiu-se mais tranqüila, apesar de sentir mal pelo velho.
    Belíssimo e comovente; e real, ao mesmo tempo. O sentimento que Trudy sentiu foi impressionante, tamanha sua verossimilhança.

    – Ah, me desculpe. Distrai-me lendo a revista – respondeu, embora já tivesse percebido que era sua vez.
    Amei; e, por mais que grande parte dos leitores tenham julgado ela como falsa, hipócrita, enfim, este trecho foi tão real que me surpreendeu.

    Quanto ao desfecho, foi bastante impactante, embora não tão imprevisível. Acabei criando certa simpatia pela personagem.

    Quero ver quando estas histórias começarão a, de fato, fazer algum sentido. E, por favor, dê uma revisadinha nos textos. Seus erros são tão bobos... Olhe:

    homem sacou a lanterna e a coloco entre os dentes.
    Primeiro capítulo.

    O carinho foi posicionado atrás de uma fila com outros.
    Segundo capítulo.

    Até mais. E desculpe se o post saiu grande; adoro seus textos, dão aquele gostinho para comentar...



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