@Ldm, obrigado pelo comentário e vou tentar ficar ligado nos errinhos, eu devo ter revisado pouco. E sobre o "hei" vou ver se mudo isso depois, numa revisão geral ao fim da história. A princípio vou deixar assim.
@Emanoel, concordo que o capítulo ficou meio mecânico, mas a tendência é ir ficando cada vez mais aberto a interpretações.
Acho que revisei o suficiente esse aqui, se houver erros, me desculpem.
Parte III
Vá com Deus
Capítulo 1 - Adormece
– Murray vem cá ver esses postais.
Uma criança chegou até o estandarte onde diversos postais estavam expostos. Tirou um com uma enorme roda gigante sob um píer de uma bela praia. A areia era branquinha. E havia ondas batendo contra os pilares. Sentiu uma sensação boa, que não sabia explicar. Talvez porque o passeio na roda tivesse sido ótimo ou talvez fora o dia na praia. Em Coney Island qualquer atividade tornava-se ótima. Ali era definitivamente o parque de diversões do mundo.
O pai tomou o postal em suas mãos e o levou para a o vendedor. Murray seguindo os raios do sol saiu da lojinha de lembranças. Lá fora gaivotas voavam aos montes caçando peixes no mar. O barulho das ondas reinava. Uma brisa leve bateu contra seus loiros cabelos. Ele sentiu-se sonolento enquanto olhava duas meninas brincado com uma grande bola rosa.
– Hei garoto, sabia que aqui é o melhor lugar do mundo? – disse uma voz grossa, mas enfraquecida. O garoto olhou para baixo e ao lado do degrau estava um velho de barbas prateadas. – Não a lugar como esse no mundo todo! Sabe, os visitantes costumam dormir na praia, é uma tradição.
Murray levantou a cabeça e observou as pessoas dormindo na areia. Deitadas sobre cangas e esteiras de palha. Velhos, crianças, homens e mulheres. Percebeu também que algumas dessas mulheres tinham os seios a mostra, como se ninguém estivesse reparando.
– Guarde isso na sua memória, criança. Conte para seus netos e filhos que não havia lugar como esse.
O outro homem saiu da loja e eles voltaram para o hotel. Deviam ser quase seis horas e a noite começava a chegar. Os dois tomaram banho e se arrumaram. Quando eram sete e meia, pai e filho desceram para jantar no salão principal. Comeram rosbife, batatas coradas e na sobremesa uma deliciosa torta de limão. Depois subiram para seu quarto e assistiram televisão. Conversaram sobre a mãe de Murray e sobre o futuro. Seu pai caiu no sono entre uma frase e outra. Ele tinha sono, entretanto, não queria dormir ali. A idéia de dormir na praia o assustava e instigava. Então, quando teve certeza que seu pai dormia, saiu pela porta.
Tomou cuidado para que ninguém o visse no hotel, afinal não deixariam uma criança andar por ai sozinha. Conseguiu passar pela porta da saída sem ser notado. Correu alucinadamente pela rua e chegou ao píer. Batendo os pés nus com cuidado pela madeira lisinha ele chegou a praia. Viu outras dezenas de pessoas deitadas, estavam todas nuas. A lua no horizonte prateava o corpo delas e seu reflexo sobre o mar aumentara seu sono.
Hipnotizado por todo aquele clima, Murray foi andando pela praia. Atrás de si apenas suas pegadas e o vento do oeste, limpo e calmo. Ele desviou de diversos peitos e cabeças, até por fim chegar a um local onde ninguém deitara. Tirou suas roupas e as jogou no chão. Foi ao encontro das ondas, não dando a mínima para o frio que fazia. Seu corpo rapidamente se tornou febril e o sono tomava conta de si. Voltou para a areia e deitou-se. Tomou a camiseta nas mãos e secou o rosto molhado.
Pensou em muitas coisas, ao menos para uma criança, ali. Viu o futuro e passado se encontrarem e decidiu sobre assuntos impróprios para um garoto da sua idade. Esse era o efeito da praia de Coney Island.
Por fim, o sono tomou conta dele. Adormeceu serenamente. Por horas dormiu, com o vento sempre o acariciando. A areia não irritava, como de outras praias. E o frio era confortante como chama. Aquele lugar era perfeito.
– Meu Deus, Murray! Ai está você. Você me deu um susto e tanto, garoto.