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Tópico: 1º Concurso Taverna do Roleplay - Categoria Tibiana

  1. #1
    Avatar de Steve B
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    19-05-2007
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    Padrão 1º Concurso Taverna do Roleplay - Categoria Tibiana


    E aee, galerinha da pesada!

    Bem, com a votação dos poemas encerrada, eis aqui a Categoria Tibiana. Eu não sabia se colocava Categoria Tibia ou Categoria Tibiana, mas foda-se.

    Agora, à burocracia.

    • Será uma votação aberta, mas dessa vez não haverá enquete. Cada usuário votará – dentro do próprio post – nos contos, em primeiro, segundo e terceiro lugar. O primeiro lugar receberá 10 pontos, o segundo 5 pontos, e o terceiro 3 pontos. No final, a gente soma tudo e vê como que fica o pódio. Para votar, basta ter no mínimo 5 posts na seção realizados antes do início da votação. Caso contrário, o voto será invalidado.

    • Como os autores dos contos só serão revelados após o término da votação, é óbvio que não vale boca de urna. Qualquer engraçadinho que tentar se promover por fórum/MSN e afins será desclassificado na hora, pelo bem do concurso.


    • Votos em si mesmo também serão anulados.


    A votação terminará quando eu achar que já tá bom e as pessoas começarem a falar "Ae Steve, já deu já". Ou quando o tópico morrer.

    “Desejo boa-sorte para todos. E lembrem-se: Ganhar o concurso de melhor conto NÃO fará seu bilau maior, então relaxem!”
    Elementals

    Contos


    A Batalha dos Campos da Glória



    “Essa porcaria de chuva não para” pensou Harter True-Blue, olhando para o céu tenebroso. O aguaceiro tinha começado no início da semana e não dava trégua. O tenente olhou para trás, tentando ver os homens do outro batalhão. Conseguiu divisar um ou outro escudo vermelho entre a água que caía. Suspirou, com a água entrando pela abertura do elmo, relembrando os últimos acontecimentos.

    A marcha estava se tornando desesperadora. Não era só a chuva que os importunavam. A batalha contra os orcs na Rocha de Ulderek fora longa e cansativa. A fortaleza estava com uma guarnição estranhamente pequena, mas isso não impediu aos orcs de fazerem uma ferrenha resistência. Ulderek, entretanto, caiu sob as pesadas botas da Legião Vermelha, que massacraram todos os orcs que ali estavam.

    “Uma lição bem dada. Os animais verdes agora vão pensar duas vezes antes de roubarem nossos suprimentos e atacarem a cidade” pensou Harter, enquanto chapinhava na estrada de terra. Sua capa vermelha estava toda suja de lama, assim como suas botas e até mesmo sua camisa. As solas de couro estavam começando a se desfazer, causando ocasionais escorregões que levavam a quedas repletas de palavrões.

    Além do mais, eles não estavam sozinhos na estrada. As Montanhas Fêmur, sempre perto da tosca estrada, estavam num rebuliço só. As vezes, no meio da marcha, uma chuva de pedras caiam em cima de um desafortunado. As pedras vinham acompanhadas com gritos estridentes e risos zombeteiros dos pequenos seres que habitavam as Montanhas: goblins.

    “Era só o que faltava, soldados da Legião Vermelha morrendo para míseros goblins, como se não bastasse essa estranha doença!” se lamentou True-Blue. Para o terror dos legionários, uma estranha doença os assolava desde que massacraram os orcs. Ela era rápida e mortal, transformando em menos de duas horas um guerreiro numa massa fria de carne. Quase um terço do exército tinha perecido desta forma horrível, para o desespero dos impotentes curandeiros que os acompanhavam.

    O tenente olhou para o que restava da sua companhia, arfando. Não pareciam nada com os gloriosos e temíveis guerreiros que deixaram Thais sob o olhar severo do rei. Não era só a exaustão da marcha e da batalha. Toda a campanha estava sendo um fiasco. Os trabalhadores revoltosos de Carlin tinham de ser mantidos a ferro e fogo. Harter presenciara execuções pavorosas, torturas aplicadas por obedientes membros da Legião nos esquálidos e acabados trabalhadores.

    O tenente franziu o cenho, tentando encontrar uma razão para aquele inferno. Talvez os rumores estivessem certos. Talvez Tibianus I, o rei da lendária Thais, estivesse mesmo enlouquecendo com seu poder imensurável. Era certo mandar homens, mesmo que criminosos, para um destino de trabalhos forçados aterradores, somente para edificar uma cidade imponente, no meio das planícies desertas ao norte de Thais? Aquele lugar era amaldiçoado, como bem lembrava a cada hora seu segundo em comando, Geryr. Foi despertado dos seus devaneios justamente pelo subtenente.

    - Senhor, vida longa ao rei, senhor! – saudou Geryr, batendo continência, era muito dado a formalidades o subtenente. Dentre os soldados, era o único que parecia limpo. Harter se surpreendia com a capacidade do subtenente em sujar só as solas da bota. Pena que não fosse tão eficaz assim em batalha, ascendendo ao posto devido ao um tio influente na corte.

    - Vida longa ao Rei! – falou com a voz cansada True-Blue, respeitando o protocolo. – O que aconteceu, Geryr?

    - O general Bistur Kahs quer falar com o senhor, senhor. – respondeu o subtenente. Harter meditou por um segundo. Estavam a menos de dois dias de Carlin e as Montanhas Fêmur já estavam ficando para trás, porque diabos o general queria conversar com ele? Bem, não era seu dever adivinhar, por isso suspirou mais uma vez e respondeu:

    - Está bem, você está no comando até eu voltar. Ligur, comigo. – falou, numa voz possante. Normalmente, seu subtenente o acompanharia, mas Harter não gostava do sujeitinho. Ligur, um legionário duas cabeças maior que a média, assentiu devagar e se postou atrás do tenente. True-Blue gostava dele, assim como a maioria dos legionários. O gigante era um eximo guerreiro, e, embora usualmente calado, tinha um respeito enorme entre todos.

    Avançaram por entre os legionários que paravam a marcha. Os sóis já tinham ido embora, e o acampamento já estava sendo construído. A exaustão e a infelicidade estavam estampadas no rosto de cada legionário que cruzava o caminho deles. Pelas regras do exército, as tropas só podiam dormir quando a cerca protetora e as barracas estivessem armadas. Ninguém dormiria em paz, sabendo que a qualquer momento uma sanguinária horda de orcs poderia atacar.

    Harter avistou o general, cercado dos demais oficiais. Todos estavam com expressões preocupadas, em círculo, discutindo em voz baixa. O tenente se aproximou de Kahs, que estava calado e com a mão no cabo da longa espada. Ligur ficou mais afastado, ao lado dos outros legionários que olhavam os oficiais discutirem. A chuva começou a cair mais forte, encharcando qualquer coisa que já não estivesse encharcada.

    - Já disse, e vou repetir: temos homens suficientes para esmagar esses rebeldes insolentes! Eles não são páreos para nossas lâminas! Covardes são aqueles que se negarem a fazer isso! Covardes e traidores! – vociferou o major Darotlim. O resto do conselho começou a discutir, em tons mais altos

    - Basta – falou calmamente Kahs, calando todo mundo. – Basta de discussão. Vamos nos ater aos fatos. Recebi notícias que os rebeldes estão cada vez mais fortes, receberam suprimentos e armamentos. Sim, se lutássemos contra eles agora, iríamos ganhar. Mas, temos que pensar um pouco no futuro. Se ganharmos dos rebeldes, teríamos forças para rechaçar um ataque órquico?

    A pergunta pairou no ar, e quando um tenente abriu a boca para falar, Bistur pigarreou, indicando que era uma pergunta que ele mesmo iria responder.

    - Não, irmãos, não iríamos agüentar. Fiquei surpreso com a pouca quantidade desse seres nojentos em Ulderek. Não acho que os parentes daqueles que massacramos vão aceitar essa humilhação em silêncio. Não percebem que algo estranho está acontecendo? Essa chuva que não para, até mesmo essa... doença – o general terminou a resposta num sussurro. De repente, a noite começou a ficar muito mais sinistra que Harter pensava.

    O tenente olhou ao redor. As Montanhas Fêmur estavam perto ainda, visíveis ao horizonte. Pareciam ameaçadoras. True-Blue pensou ter visto algumas luzes cintilarem em meio as cordilheiras das montanhas. Estremeceu e olhou para a chuva que caia, lembrando dos amigos mortos pela estranha doença. Realmente, não era natural. Até a lua parecia emitir um brilho tosco, malévolo, por entre o aguaceiro.

    - Meu plano é o seguinte: iremos até Carlin, nos fortificaremos no castelo. Mandaremos mensageiros para o Rei, pedindo que ele traga Os Cães de Guerra e mais suprimentos. Com Os Cães lidando com os orcs, poderíamos garantir a construção da cidade. – explicou rapidamente o general.

    Os oficiais ponderaram um pouco. Harter concluiu que era uma boa idéia. Os Cães de Guerra, como era chamado o grosso do exército thaiense, não eram tão mortíferos quanto a Legião, mas eles cobriam essa falta de habilidade com números gigantescos. Haveria alguns problemas, contudo. Precisariam de muito mais suprimentos, e a falta de disciplina dos Cães poderia ocasionar dificuldades.

    Estava olhando para o céu tempestuoso quando houve um rebuliço perto dos oficiais. Um jovem legionário, com a cara apavorada, arfava. Ele estava todo enlameado, sua capa estava rasgada e sua armadura apresentava bossas em vários lugares. Perdera o elmo e o arco, símbolo da sua posição como batedor, estava quebrado.

    - Senhor, eles estão vindo. E são milhares, senhor, orcs, ciclopes e até mesmo minotauros – balbuciou o aterrado batedor. Os oficiais começaram a falar alto de novo. Kahs abaixou a cabeça, franzindo a cara numa expressão desolada.

    - Então eles vieram mais rápido que eu pensei – murmurou Bistur, de forma melancólica. Quando ergueu o rosto, contudo, sua face estava irada. – Se tem de ser assim, assim seja! Somos a Legião Vermelha! Vamos mostrar à eles nossas lâminas! Vamos adubar os campos de Carlin de corpos verdes! Vamos enfeitar a muralha do castelo com crânios rebeldes!

    Todos os oficiais retiraram rapidamente as espadas de suas respectivas bainhas. Apontaram para o céu tempestuoso e berraram, loucamente. Harter os acompanhou. Era assim que a Legião saudava a batalha, com gritos e com uma vontade insana de guerrear. Faziam parte de um exército impiedoso, mortal e renomado. Não iriam recuar, não enquanto Bistur, o general, não o ordenasse.




    A chuva ainda caia quando a claridade aumentou. Os campos estavam completamente enlameados. O céu estava cinza claro, mais claro que qualquer outro dia desde o ataque fático a Rocha de Ulderek. O vento vindo do leste estava mais forte e mais frio, castigando os legionários, acampados perto de uma floresta.

    - Não gosto desse vento – confessou Harter para seus homens, que estavam a sua volta. Ele estava afiando a longa espada. Todos os legionários estavam se preparando para a batalha que viria. O tenente estava ansioso para a luta. Fazia duas noites desde que o batedor reportara o ataque. Bistur movera o exército para o norte de Carlin, que, por relatos dos poucos sobreviventes da Legião que tinham escapado, tinha caído na mão dos rebeldes. – Ele carrega um cheiro.. ruim -

    De fato, um odor fétido chegava com o vento. Um odor de suor misturado com sangue velho. Um fedor de orcs. Eles estavam vindo, e andavam rápido. Os legionários estavam debatendo como seria a batalha quando um mensageiro chegou a eles, correndo.

    - Senhor! Vida longa ao rei, senhor! O general Kahs ordenou que prepare o seus homens, pois a batalha começará daqui a pouco. Ele quer seus homens a esquerda dele.

    O tenente sacudiu a cabeça, num gesto afirmativo. Sua boca estava azeda e tinha um ligeiro tremor no braço direito. Colocou o elmo e fez um gesto, chamando os homens. Não disse uma palavra, mas se encaminhou para a esquerda do batalhão do seu comandante, o maior. Sabia que era uma honra dada por Kahs, pedir que lutasse ao seu lado, mas lutar perto dos porta-estandartes trazia um contra: era onde o ataque inimigo ia bater com mais força. O general já estava na frente dos seus homens, olhando para a floresta do outro lado da grande campina.

    Os homens começaram a cantar a canção de Banor, para fortalecer o espírito. Eram implacáveis, os melhores guerreiros de todo o Tibia. Não fugiriam, não se acovardariam. Estavam fazendo o que tinham nascido para fazer. O que tinha sido marretado em suas cabeças duras de legionários. Lutavam pela sede de sangue, pela fome de glória e por amor a Bistur, o general.

    Foi quando um grande barulho ecoou pela campina. Parecia que centenas de trombetas, acompanhadas por imensos tambores, começaram a zurrar. Um grande grito, de muitas vozes, começou a aumentar de volume. Os legionários, impassíveis, continuaram a cantar, batendo suas armas contra os escudos vermelhos, tentando abafar a barulheira dos orcs.

    Finalmente, o inimigo apareceu. Eram milhares. Desde imensos orcs, maiores que humanos, trajando equipamento completo de guerra, passando por minotauros silenciosos, portando machados de lâminas afiadas, grandes cicloples – gigantes com um só olho – que usavam malha metálica e enormes martelos de guerra e chegando em trolls e pequenos goblins.

    Os legionários pararam de cantar, olhando estarrecidos para a enorme quantidade de inimigos, avançando pela campina. Foi quando Bistur, trajando sua armadura negra com detalhes em vermelho, começou a avançar, desembainhando a espada, com um sorriso no rosto. Os homens viram o seu comandante avançar, rindo da morte, rindo dos seus inimigos. E foram a trás. A Legião Vermelha ia para a batalha.

    Se eu fosse transpor todo o horror, toda a glória, todo o sangue e todas as mortes que aconteceram naquele dia, não haveria pergaminho suficiente para escrever. Por isso, não vou me aprofundar na luta intensa de Kondax, o mago mais poderoso da Legião que, cercado de xamãs inimigos, invocou todo o seu poder, se explodindo para matar os mágicos adversários.

    Nem vou falar do valente Arthurio, guerreiro renomado, que caiu sob as pesadas marretas dos Ciclopes, quando seu batalhão inteiro já tinha perecido. O que dizer de Darkus, o arqueiro, que após acabarem suas flechas acabou morto por machadadas dos impiedosos minotauros? O que falar de Bendor, o curandeiro, que pereceu transmitindo sua energia vital para os companheiros de batalhão?

    Lágrimas chegariam aos olhos, se eu relatasse como Ligur, o legionário, morreu, defendendo o centro da Legião, sozinho, contra os mestres do Mooh’Tah. Quando conseguiu mata-los, foi morto por uma saraivada de setas, disparadas pelos besteiros dos minotauros. Até mesmo Geryr, o subtenente, lutou como um guerreiro ensandecido, matando uma grande quantidade de orcs até morrer devido aos seus múltiplos ferimentos

    Mas a mais épica batalha foi a de Bistur, o general, contra o Rei Orc. O rei era um orc imenso, do mesmo tamanho do general. Os dois mataram um ao outro, tornando a batalha mais confusa ainda. Logo, não restava muitos legionários, suplantados pelo número esmagador dos inimigos. Mesmo assim, nenhum deles fugiu, nenhum deles pediu misericórdia, pois sabiam que ela não seria dada. Todos sucumbiram como guerreiros.

    Harter True-Blue, o tenente mais leal de toda a Legião, morreu na batalha também. Morreu devido a um golpe de machado no peito. O golpe era destinado ao seu general, que estava batalhando com o rei, mas True-Blue usou seu próprio corpo como escudo, fincando sua espada no minotauro monstruoso e logo depois tombando, para nunca mais se levantar.

    Os campos estavam abarrotados de corpos, e o inimigo não vibrava, mesmo tendo obtido a vitória. Seus mortos eram incontáveis. Nunca mais tal poderio em homens armados iria se levantar no continente, porque a Legião fora dizimada . Os bardos cantariam a glória do dia, porque ali, ao norte de Carlin, a cidade rebelada, a Legião tinha lutado até seu último homem. Lutado e morrido, com um sorriso na cara, enfrentando a batalha e a morte com a felicidade insana de Bistur Kahs, o último general da Legião Vermelha.


    O Fantasma do Corsário


    No outono do ano que selou as batalhas em todo o continente, eu me tornei escravo. Uma corja me aprisionou em seu navio e com eles eu viajei os sete mares. Dos maus tratos eu sofri diversos: fui cuspido, espancado e trancafiado no calabouço. Passei com fome as piores noites do inverno, sem destino aparente apenas vagando com aqueles animais. Trabalhei! Todos os dias naquele gigante eu suei meu corpo, limpando o convés, jogando ao mar suas necessidades e cozinhando-os as refeições.

    O capitão era um homem pouco civilizado. Andava forte com a perna-de-pau atropelando os pregos do chão. Suas longas barbas brancas eram a evidência de suas aventuras e, através delas ele contava as histórias. Pouco articulado e muito animado, por noites seus oficiais ouviram anedotas sobre as batalhas nos mares mais perigosos já navegados. Uma vez que todos estivessem ensopados de cerveja, ele sacava a sabre das tipóias e cantava canções embriagadas. A cantoria seguia firme até caírem no sono.

    Nos meus aposentos eu tinha a companhia de uma vasta gama de ossadas. Provavelmente meus antecessores naquela cruzada. Nas sombras do crepúsculo conversava sozinho. Lembrava-me da minha família em solo firme. Vivi durante anos dessa vida em Thais, estudando em busca de algum dia ser alguém memorável. Porém esses sonhos já tinham sido assassinados pelas ondas do mar.

    Depois de alguns meses, peguei a mania de cantar com os piratas. Diferente das canções sobre mulheres e tesouro que cantavam sobre minha cabeça, eu cantarolava as antigas melodias dos tempos de criança. Era a única forma de encontrar naquele inferno uma felicidade. Em uma dessas noites, algo estranho aconteceu. A água salgada que invadia o navio batia rápida nos meus pés machucados. Havia alguém além de mim no recinto.

    Foi quando, através das barras de minha cela, surgiu a forma de um sobretudo. Dentro dele apenas o vácuo da escuridão. Flutuava em cima de si um chapéu de corsário com pontas e ornamentos. Sufoquei de medo ao ver a figura fantasmagórica. Recuei atrapalhado e cai sentado no caixote de pólvora. Seja lá o que aquilo era, continuava a se mover ao meu encontro. Então, ele parou. Estático ficou por alguns minutos. Tentei acreditar que fosse fruto de minha imaginação, afinal depois de tanta humilhação, uma hora eu ficaria louco.

    Assim que a cantoria no convés teve fim, a figura começou a tremer inquieta. Entre seus tremeliques, se enrijeceu. Um pigarro altíssimo arranhou o assoalho e passou voando pela janela do barco. O chapéu virou para um lado e depois para o outro e finalmente focalizou em mim.

    – Uman! Uman! – gritava uma voz rouca que emanava pelos botões do casaco. – Ave Uman! Vamos garoto, agradeça Uman comigo – com uma mistura de pavor e perplexo eu o acompanhei na sua oração.

    Terminada a prece, o chapéu do fantasma se abaixou cabisbaixo. Supus que aquele ser não me faria mais mal do que os piratas haviam feito, então perguntei eufórico:

    – O que estamos agradecendo, senhor?

    – Ora, meu jovem! Se não é o fim dessa cantoria infernal. Nos meus tempos os tripulantes eram muito mais afinados – ele forçou uma risada, amassando todo o vestuário, fazendo o parecer uma pilha de roupa amarrotada.

    – Que mau lhe pergunte, mas quem é o senhor?

    Dessa vez, houve uma pausa longa. Ele flutuou da direita para a esquerda e saltitou insistentemente na cela. Em seguida, saltou no ar e parou sentado do meu lado. Vi um dos braços apoiar-se em meu ombro, mas nada senti.

    – Se eu soubesse, eu te diria com o maior orgulho – disse tristonho. – Só sei de uma coisa, garoto. Sei que esse navio é meu! Essa corja barulhenta se apossou do que é meu! Crápulas! – agora a voz do fantasma não estava mais rouca, soava forte e cortante como um trovão. Levantou-se e caminhou à frente. Dessa vez, falava para si. – Preciso expulsá-los do meu bardo. Do meu barco!

    – Isso mesmo, senhor! Tem que mandá-los embora! – vi minha chance de voltar a terra firme tornar-se real. Talvez meus sonhos não estivessem perdidos em garrafas vazias. – Sabe o que devia fazer? Devia matar um a um, afinal, o senhor é o verdadeiro capitão desse estupendo navio.

    – É verdade, meu rapaz! É verdade. É meu, meu e somente meu – ele pigarreou de novo e agora mais comedido finalizou: – Ironicamente, o desembarque deles será feito na Baia da Liberdade.

    Ainda ouvi a gargalhada do fantasma desaparecer com seu espectro. Sumiu como apareceu, indo sabe-se lá para onde. Nem tive chance de perguntar o que a última frase significava. A conversa com o espírito de um capitão possessivo tomara horas do meu sono. Deitei-me tranqüilo no assoalho do barco e adormeci.

    Acordei no silêncio da manhã. Os raios de sol invadiam minha cela e tocavam meu rosto gentilmente. Notei que a porta da cela estava entreaberta. Segui o rumo da proa e batendo meus pés contra os degraus surgi nas imediações, agora empapadas de sol. Não havia ninguém ali. Estávamos ancorados e logo ao lado uma praia jazia.

    Saltei ao mar e nadei. Meu corpo logo arrastava-se na areia. Já tinha desistido de acreditar que seria possível voltar a terra-firme.

    Após andar alguns metros terra adentro, virei meu dorso e mirei o navio pirata atrás. A bandeira negra ostentando uma caveira maquiavélica balançava no topo do mastro. Pude ver o capitão fantasma acenar as mangas do sobretudo. Devia estar desejando-me boa sorte. Agradeci devolvendo o aceno. Acho que não vou precisar.


    Sem Título


    Os feixes de luz invadiam meu quarto, indicando-me o começo de um novo dia. Não era uma mansão, mas era aconchegante. As paredes eram de madeira e o aposento possuía alguns móveis, como um criado-mudo, um fogão, uma mesa e cadeiras, uma cama e um velho baú, que continha antigos troféus e utensílios domésticos. Pus-me de pé, encaminhei-me ao baú e vesti as únicas peças de roupas que ali estavam. Após isso, me encaminhei para minha loja, um modo para sobreviver quando demônios tornavam-se intragáveis. Algum tempo depois, um freguês adentrou e dirigiu-se a mim:

    — Olá, Gorn!

    — Bom dia, nobre cavaleiro. Estaria interessado em um de meus produtos? Eu vendo cordas, pás, tochas, mochilas e utensílios em geral.

    — Na verdade, não. Estou aqui para lhe falar sobre algo de seu interesse. Baxter está na pista para a Excalibug novamente.

    Senti como se alguém tivesse me dado uma panelada na cabeça. Baxter, meu amigo e companheiro de muitas aventuras, procurando pela espada de meus sonhos, sem ao menos avisar-me? Não podia ser, aquele desgraçado estava brincando comigo. Todavia, dispensei o sujeito e fui em direção ao palácio real, na esperança de encontrar um sorridente Baxter acenando-me. Infelizmente, não foi bem isso que achei.

    Outro guarda, corpulento, de cabelos crespos, andava de um lado para o outro. Assim que me aproximei, um par de olhos negros penetrantes me olhou. E não só me olhou, me avaliou. Senti-me como se estivesse nu, no meio de uma multidão. Mas mantive a postura. Olhei-o com superioridade e disse:

    — Saudações, guerreiro. Poderia me informar onde está o antigo guarda, Baxter? Preciso falar com ele urgentemente.

    Fiz força para não demonstrar o medo que tomara conta de mim. Mantive a voz e o olhar firmes. Ele retrucou:

    — Não faço idéia de onde ele esteja e nem diria soubesse. Fui convocado ontem pelo Rei e os motivos pelos quais Baxter foi demitido eu não faço ideia.

    Surpreendi-me. Baxter era um dos soldados mais devotados e competentes.

    — E por que ele foi demitido?

    Assim que enunciei a frase, arrependi-me. Ele deu uma risadinha e disse:

    — Com certeza estava ocupado demais mandando bilhetinhos e flores para seus companheiros.

    A afirmação dele fez meu sangue gelar de raiva. Desembainhei minha espada e me preparei para lutar. Ele não mexeu um músculo se quer.

    — Acha mesmo que lutarei com um velho todo quebrado?
    Deu as costas para mim, rindo, continuando a andar pelos arredores. Senti-me humilhado, desonrado e ridículo. Percebi a besteira que tinha feito e guardei minha espada.

    O mundo de Tibia não era mais igual ao de antigamente. A honra e o respeito haviam sido substituídos pela covardia e desonestidade. Receei que meu velho amigo Baxter tivesse seguido este caminho.

    Thais sempre fora uma cidade modelo. As árvores eram bem cuidadas e o gramado era tão verde quanto a mais brilhante esmeralda. As ruas eram pavimentadas de modo excepcional e sem lixos. Fui, então, à casa de Baxter. Era uma casa bonita, digna de um guerreiro da corte. Devia ter uns 300sqm² e três andares. Ela era muito bem cuidada, afinal, Baxter nunca tinha sido relaxado. Durante o trajeto, pensava em duas possibilidades: ou tinha sido um idiota por ter desconfiado dele ou ele me traiu e armou uma nova expedição para procurar a Excalibug.

    Chegando lá, meu coração bateu mais forte do que nunca. Um vulto estava agachado, cuidando das plantas. Aproximei-me do vulto e perguntei-lhe:

    — Baxter?

    O vulto virou-se para mim e sorriu. Ele levantou-se e cumprimentou-me.

    — Gorn? O que faz aqui? Te devo dinheiro?

    Quase chorei. Soltei todo o ar em meus pulmões, sorrindo largamente. E então lhe disse:

    — Não, me desculpe por aparecer tão de repente. É que algum desocupado apareceu na minha loja para dizer que você estava atrás da Excalibug!

    — Deve ter sido o Bozo. Ele disse algo sobre “fazer uma pegadinha com a sua demissão”.

    Quando ele disse isso, sua cara se fechou. Todos sabiam que Baxter não partilhava da alegria corrosiva de Bozo.

    — Mas qual foi o motivo da demissão?

    — Na verdade, me aposentei. O Rei me ofereceu a aposentadoria, afinal, eu já estou velho. Não tenho mais os mesmos reflexos de antigamente.

    — Mas e quanto a Excalibug? Descobriu algo novo sobre ela?

    Perguntei isso esperando uma resposta afirmativa. Eu estava ansioso para mais uma pista. Uma que fosse. Apenas para ter a oportunidade de buscá-la de novo.

    — Na verdade, não. Todos com quem falei disseram ser apenas um mito.

    Quando ele disse-me isso, meu ânimo murchou. Afinal, eu já estava idoso. Ir procurar uma espada na velhice era insanidade, mas não cedi. Eu queria ter o prazer da aventura novamente.

    — E que tal uma nova expedição?

    Ele me olhou assustado. Percebi que ele não queria me contrariar.

    — Não sei, Gorn. Já não somos mais tão jovens.

    — Entretanto, nossa sabedoria aumentou. Já faz algum tempo desde a última expedição.

    Percebi que ele não estava colocando muita fé na minha idéia maluca. Mas eu tinha essa vontade. Não queria morrer sem tentar encontrá-la pela última vez. Talvez ele tenha percebido isso, pois algo em seu olhar mudou. Um brilho que eu não via há muito tempo surgiu e a postura dele tornou-se a de um guerreiro preparando-se para uma guerra. Então, ele me confirmou:

    — Tudo bem. Não temos mais tanto tempo nessas terras. Melhor aproveitar enquanto ainda temos dinheiro.

    Combinamos que iríamos no próximo entardecer. Ele entrou em sua casa e trancou-se lá. Eu me dirigi à minha e, chegando nela, abri o velho baú. Nele, peguei tudo que julguei importante: mapas, livros, poções, runas e minha velha armadura. Deixei tudo separado, em cima da mesa de imbuia. Deitei-me na cama e adormeci.

    Trovões me acordaram. Os grossos pingos de chuva martelavam o telhado de minha casa. Não me levantei de imediato. Fiquei refletindo um pouco e decidi por onde começar: Avar Tar, o grande herói de Edron. Falaríamos com ele primeiro.

    Tateei em busca dos meus trajes especiais. Entre eles, estavam: uma armadura, feita de ouro, ganhada de um poderoso mago. Um elmo, simples, feito de um metal comum. Um escudo cedido por um vigoroso dragão. Um par de calças, feitas de um metal comum também. Um par de botas, que me tornavam mais veloz e minha velha espada, que parecia emitir luz própria, de tão brilhante. Após vestido, fui em direção à Taverna de Frodo.

    A Taverna de Frodo não ficava longe de minha loja. Tudo se resolvia lá, com uma caneca de rum e petiscos de carne de dragão. Adentrei o ambiente, que por sinal era medonho, e dirigi-me ao Frodo:

    — Bom dia, Frodo. Como vão as coisas por aqui?

    - Meu bom e velho Gorn, é sempre bom te ver. Nada de anormal, mas entre um rum e outro aparecem sujeitos estranhos. Por exemplo, ontem à noite, um herói de Edron apareceu por aqui. Não parava de contar seus feitos e de exibir sua espada.

    — E ele disse para onde ia? – Perguntei com interesse.

    — Na verdade, não. Mas os guardas passaram aqui depois para tomar um refresco e contaram que ele seguiu em direção a Venore.

    Fiquei receoso e achei melhor não arriscar. Rumei para a casa de Baxter e contei-lhe da possível busca de Avar Tar e da urgência da partida. Ele concordou e partimos no mesmo instante. Porém, não sem antes de fazer uma prece para Banor. Dirigimo-nos para o templo, onde a sacerdotisa Lynda orava e pedimos proteção divina.

    O caminho de Thais para Venore era muito belo, porém, eu não estava atento. Concentrava-me apenas na estrada e nada mais. Meu companheiro estava igualmente mudo. As árvores, montanhas e rios eram belíssimos. A água era cristalina, com diversos peixes nadando, as árvores eram, na maioria, frutíferas e frondosas e as montanhas eram imponentes e ameaçadoras.

    Chegamos ao deserto de Jakundaf no entardecer. Não era um lugar agradável para passar a noite, afinal, muitos segredos encontravam-se debaixo daquele solo arenoso. Baxter me olhou e eu meneei a cabeça afirmativamente. Continuamos a jornada noite adentro.

    O deserto nos castigou muito. As tempestades eram freqüentes e feras também apareciam. Porém, quase ao amanhecer, conseguimos sair do deserto e, após andar um bom pedaço, chegamos ao nosso destino final: As Planícies da Destruição.

    O lugar em si era horrível. Defuntos apodrecendo, urubus comendo as carniças e um cheiro muito desagradável. Mas, no fundo, me causava uma dor profunda em saber que esta poderia ser minha última visita. Agüentei o tranco e prossegui. Não demorou muito para encontrarmos uma tenda armada em um local seguro, com um sujeito dormindo dentro. Aproximamo-nos e constatamos o óbvio: Era Avar Tar.

    Com um cutucão, Baxter acordou-lhe. Ele virou-se, mal-humorado e resmungou:

    — Quem ousa me acordar?

    — Bom dia, Avar Tar. Acho que estamos aqui com o mesmo propósito. – Respondi-lhe.

    — Mas de que diabos está falando?

    — A Excalibug.

    Os olhos dele arregalaram-se. Com certeza, ele não esperava por essa resposta. Mesmo assim, recuperou a postura e disse:

    — Tudo bem, nobres pupilos. Aceito a tarefa de ensinar-vos tudo que sei. Peço, humildemente, que não me incomodem enquanto medito.

    Dito isso, ele nos expulsou de sua tenda. Algum tempo depois, saiu de lá vestido como de costume e nos disse:

    — Vão indo. Vocês conhecem o caminho, eu estarei aqui para protegê-los de qualquer perigo.

    Quase ri dele, mas me contive. Afinal, ele poderia vir a ser útil.

    Eu não me lembrava do caminho. Dei o mapa para Baxter e ele, rapidamente, localizou-se e nos levou a uma caverna oculta. Diferentemente do que muitos pensavam, nós havíamos descoberto que se a Excalibug de fato existisse, não estaria nos Poços do Inferno. A caverna oculta havia sido cavada por nós mesmos, há muito tempo atrás.

    Não preciso dizer que nada aconteceu. Cavamos, cavamos e... Nada. Ou devo dizer que fiquei com uma terrível dor nas costas?

    Enfim, vocês acharam mesmo que nós iríamos encontrá-la? Leram essas memórias na esperança de encontrar mais um clichê escrito por um velho comerciante de Thais?

    Perdoem-me. Às vezes, sinceridade demais acaba tornando-se agressividade. Avar Tar inventou uma história fabulosa cheia de demônios, Baxter continuou cuidando de suas plantas e eu continuei fornecendo tochas para recém chegados.

    • • •

    Observações do escritor:

    — Grande parte dos acontecimentos narrados nestas memórias são verídicos, retirados de diálogos reais com NPC’s.

    — Os lugares (com exceção da última caverna) também são reais.


    De heróis e vilões

    Carlin, 1357 da era de ouro, ano zero da era das trevas. O recém descoberto continente de Zao, desbravado a cada novo dia, revelava novas riquezas. A rainha Eloise de Carlin mantinha-se ocupada, seja negociando novos tratados comerciais com os anões de Farmine, ou cuidado de entrepostos comerciais que estavam sendo estabelecidos nas ilhas gélidas de Folda e Senja ou no vilarejo de Northport. O tempo gasto por ela e seus conselheiros governamentais cuidando dessas questões era tão grande, que sobrava pouco tempo para olharem para seu próprio quintal.

    Aproveitando-se disso um culto demoníaco secreto, com poucos membros, bem selecionados, estabeleceu-se na cidade. Seu líder era o Barão de Ljungberd, um homem baixinho e barrigudo. O pouco cabelo que lhe sobrava na lateral do cocuruto era prateado, uma mistura de negro com grisalho. Ostentava um grande bigode. Era uma pessoa simpática, adorava crianças e estava sempre brincando com as pessoas, um estereótipo de bonachão. Ninguém poderia imaginar que participava de uma seita secreta.

    Além do nobre, participavam do culto o jovem Fritz, garoto forte, de uns 20 e poucos anos, cabelos loiros e uma expressão sempre séria, que trabalhava no porto de Carlin. Também havia a jovem Caroline, irmã gêmea não idêntica de Fritz, tinha longos cabelos lisos negros, olhos azuis e um namorado que não fazia ideia da existência do culto. Outras figuras, de menor importância participavam.

    Era numa noite, atipicamente fria, que o grupo se reuniu no porão de um casarão pertencente ao Barão. O porão empoeirado servia de depósito para toda sorte de artigos. Tapeçaria de Darashia, frutas exóticas de Port Hope e Liberty Bay, artesanato dos elfos de Ab’dendriel, entre várias outras coisas. Envolta de uma mesa, estavam de pé os principais membros do culto, o Barão, Fritz e Caroline. O vento que soprava do mar ao sul trazia boas notícias ao grupo, más notícias para Carlin. O barão tira um pequeno tubo, contendo um líquido prateado de um bolso interno de seu paletó, e diz:

    ― Amigos... Finalmente podemos dar início ao nosso plano ― o Barão abre um largo sorriso. ― Por anos estivemos reunindo os raros artigos necessários para criar o veneno mágico que nosso mestre me ensinou a fazer em minha visão.

    ― Salve o mestre Zathroth! ― Disseram os gêmeos, quase que ao mesmo tempo.

    ― Agora basta que Fritz espalhe o veneno no porto, e logo a maior parte dos habitantes de Carlin estará compartilhando de nossa visão para o mundo.

    O Barão estende sua mão para Fritz, dando-lhe o frasco. Fritz pega o frasco e o fita por alguns segundos. Sua face não deixava claro suas emoções, era um misto de êxtase e nervosismo. Ele guarda o frasco em uma pochete de couro que trazia em sua cintura.

    ― Fico honrado com essa missão, e tenho certeza de que vou conseguir...

    Caroline o interrompe e diz:

    ―Já está na hora de terminarmos a reunião. O plano começa amanhã e é, na verdade, bem simples.

    Os três saíram do casarão um a um, dando um tempo, para não levantar suspeitas.

    ***

    Tão logo os primeiros raios de sol começaram a bater no alpendre, Fritz já despertava. A ansiedade para por o plano em ação venceu rapidamente o sono. Ao som do canto dos galos e outros pássaros da alvorada, o jovem colocou seu uniforme de estivador e foi até a sala da casa desjejuar. Caroline, que também acordara cedo, havia lhe preparado o que comer.

    ― Tome, meu irmão, aqui está o seu café.

    ― Hmm ― murmurou o irmão, ainda sonolento.

    ― Está preparado para botar o plano em ação hoje mesmo?

    ― Claro que sim, quanto antes, melhor. Nem é tão difícil...

    ― Mas se alguém vê é perigoso mano... O sacerdote do templo poderia desfazer o feitiço, se for descoberto rapidamente.

    ― Tomarei todas as precauções, já discutimos isso umas quinhentas vezes.

    ― Tá bom, tá bom, boa sorte maninho! ― A irmã deu um beijo carinhoso no topo da cabeça do irmão e volta até seu quarto.

    “É, a hora chegou...” Pensou Fritz. O rapaz foi andando, pensativo e ansioso, rumo ao porto. Logo ao sair de casa, percebeu que as ruas ainda estavam vazias. Um ou outro pássaro a cantar, folhas sendo empurradas pelo frio vento da manhã. Um ou outro comerciante abrindo suas lojas... A cidade ainda dormia, e isso era bom para Fritz. Precisava que o porto estivesse vazio, para que pudesse colocar o plano em ação, espalhar o veneno na comida que vinha de Thais.

    Toda manhã ele era um dos primeiros, senão o primeiro, a chegar ao local. Tendo saído mais cedo que o normal, não foi diferente naquele dia. Ele pegou seu molho de chaves e abriu o portão. Foi andando até o armazém enquanto tirada a substância de um bolso interno de seu casaco. Ele abriu o vidro e o virou em cima das pilhas de alimento importado armazenado. O que se viu em seguida não foi um líquido caindo, mas sim uma nuvem negra estranha, como uma substância em sublimação, que começou a englobar todo o alimento. Não fosse a natureza mágica da substância, não haveria como isso acontecer. A nuvem então se dissolveu no ar, literalmente sumindo.

    Essa parte do plano era a mais simples e se completou com sucesso. Bastaram poucos meses para que a maldição mágica que foi posta nos alimentos se espalhasse entre a maioria dos habitantes da cidade de Carlin. Ninguém sabia, mas as mentes dos amaldiçoados estavam prontas para obedecer aos comandos do Barão de Ljungberd sem questionamento.

    ***

    Em um dia ensolarado, nuvens negras apareciam no horizonte, acima do mar, e se avizinhavam cada vez mais da cidade, como se estivessem trazendo a má notícia do dia que chegava.

    A rainha Eloise havia acabado de acordar, e desceu de seus aposentos até o salão principal do castelo, para um dia que, ela imaginava, seria rotineiro. O Barão entrou no salão apressado:
    ― Minha rainha, preciso tratar de um assunto urgente com você, em particular!

    A rainha olhou para os guardas e balançou a cabeça positivamente, sinalizando que eles poderiam se retirar.

    ― O que precisa falar, barão, que é tão urgente que fez você até se esquecer de falar comigo usando os pronomes apropriados?

    ― Se meu mestre permitir que você sobreviva, será você que deverá falar respeitosamente comigo.

    A rainha se levanta, e apontando seu cajado real para o súdito, exclama, surpresa:

    ― Como ousa falar ― Mas foi interrompida bruscamente.

    O barão tirou de seu casaco um amuleto e o apontou em direção a rainha. Um raio de luz púrpura saiu dele e atingiu em cheio a rainha, que foi jogada para trás e desmaio. Normalmente a magia do barão não seria páreo para a da rainha, mas ela se encontrava sob efeito da maldição.

    Os guardas, alarmados, tentavam abrir a porta para o salão, mas ela parecia selada magicamente. O barão então sacou uma pequena adaga de prata e fez um corte no pulso da rainha. Ele pegou o braço e o esticou por sobre o amuleto, deixando que algumas gotas de sangue caíssem por cima do objeto, que começou a brilhar intensamente, como se estivesse incandescente.

    O barão soltou o amuleto no chão e deu alguns passos para trás. O brilho se tornou um clarão insuportável, e foi necessário até que ele protegesse os olhos com o braço. De repente o brilho parou, e parado no local onde se encontrava o amuleto, estava uma figura assustadora. Três vezes o tamanho de um homem, pernas e braços extremamente musculosos e uma pele de cor escarlate, era um demônio, proveniente de um local aterrorizante, no qual nenhum homem jamais colocou os pés. O demônio então se dirigiu ao barão, com sua voz grave e alta, que ecoava pelos salões do castelo.

    ― Quem é o verme que ousa conjurar a presença de Morgaroth no plano terreno, em plena cidade de Carlin?

    ― Sou o Barão de Ljungberd, e não lhe chamaria se não tivesse a certeza de que o exército da cidade não irá lhe impor uma derrota como em outras oportunidades. Eles estão enfraquecidos.

    ― Estão mesmo? E por quê?

    ― Eu e meus parceiros amaldiçoamos a comida da cidade, e todos os habitantes estão enfraquecidos contra magias das trevas. Mesmo os mais valorosos guerreiros serão presa fácil.

    ― É o que veremos ― Disse o demônio, enquanto esticava seu braço, criando uma enorme bola de fogo em direção a porta na qual os soldados tentavam, desesperados, entrar.

    O estrondo jogou todos para trás e abriu um buraco de tamanho suficiente para a passagem de Morgaroth. O que se seguiu foi um massacre. A cidade inteira foi rapidamente subjugada pelo demônio.

    ***

    Desde o dia em que Morgaroth dominou Carlin, já haviam se passado três semanas. Com seu enorme poder e a ajuda de um exército de cidadãos de Carlin possuídos pela maldição demoníaca e dos orcs de Ulderek que se prontificaram a servir o demônio, derrotar uma a uma as principais cidades do continente foi uma tarefa fácil. Por onde passava o exército, ficava um rastro de dor e sofrimento. Os homens eram mortos em sacrifício ao deus Zathroth, suas decepadas e empaladas, apodrecendo. As mulheres eram estupradas e depois mortas. O exército do mal fazia as crianças presenciarem tudo, e depois as abandonava a própria sorte. Traumatizadas e sem capacidade de se sustentar, a maioria morria rapidamente.

    Uma a uma as grandes cidades do continente caíram. Ab'dendriel e Venore agora não passavam de ruínas. Carlin e Ulderek estavam sob domínio demoníaco. Kazordoon e Mintwallin se isolaram embaixo da superfície. A certeza de que seus exércitos não representavam perigo fazia com que os demônios nem sequer se incomodassem com a ideia de tentar invadi-las. As cidades espalhadas em ilhas sofriam com a falta da ajuda das cidades do continente. Sem liderança, eram como formigas que tiveram a cabeça arrancada e corriam, desesperadas, a deriva.

    Restava apenas Thais, o último bastião de esperança do mundo livre contra o domínio dos servos de Zathroth...


    A hora se aproximava, e o Rei Tibianus sabia que os demônios iriam atacar sua cidade com força total. Olhando pela janela de seu quarto, o céu vermelho-sangue do alvorecer de alguma maneira lhe alarmava. Ele sabia que seria hoje, o dia da verdade.

    Ele tirou seu roupão de ceda de Liberty Bay e abriu seu armário. Colocou roupas de baixo, e vestes de batalha. Um elmo dourado com detalhes prateados, e uma armadura pesada, e certamente resistente, forjada pelos anões, de cor avermelhada. Embainhou sua espada longa que emanava um brilho fraco, de origem mágica, e colocou seu escudo nas costas, herança de seus antepassados. Terminou com a coroa, ornada por joias de rara beleza, forjada em tempos imemoriáveis pelos ciclopes, usando minérios raríssimos, também herança de seus antepassados.

    Enquanto foi descendo pelo castelo, era encarado pelos súditos e guardas, que percebiam, tanto pela expressão, quando pela maneira como o rei se vestia, que o dia não seria normal.

    Mas para Tibianus tudo era silêncio. Não escutava o barulho dos frequentadores do castelo, não escutava o barulho da cidade, não escutava o vento e o mar. Tudo que conseguia pensar era na batalha longa que estava por vir. Ao chegar na sala da guarda real, o rei abordou o seu general, Linus.

    ― É hoje, Linus, eu sei.

    Entendendo o que o rei queria dizer, o general saiu, esbaforido, certamente para reunir o exército da cidade.

    Alguns minutos se passaram, e estavam o rei, seu general e alguns outros membros importantes do exército na parte que emcimava o portal norte. No chão estava o exército da cidade, bem como inúmeros voluntários, alguns maltrapilhos, carregando desajeitados qualquer arma que conseguiram achar. O rei começou a falar, com sua voz imponente:

    ― Como vocês já devem imaginar, hoje é o dia em que os demônios tentarão tomar Thais. Muitos de vocês nem eram nascidos quando Ferumbras invadiu e espalhou a desgraça em nossa querida cidade. Apesar da certeza de que a guerra que enfrentaremos hoje será muito pior do que a invasão do mago maligno, sei que só venceremos no final se mantivermos o mesmo espírito dos bravos guerreiros que o baniram de Thais. Hoje, assim como naqueles dias, lutarei lado a lado com vocês, pois sou mais um, um cidadão de Thais querendo defender o lar que tanto ama. É importante que mantenhamos ― O rei se calou tão logo escutou ao longe o rufar de tambores de batalha. A hora chegará e um frio percorreu sua espinha. ― Escutem! Os tambores de batalha dos inimigos! Devemos nos manter dentro da cidade e defendê-la! Não devemos deixar o exército inimigo perpassar nossos muros!

    Ao longe já se via o exército inimigo. Manchas verdes eram Orcs, vermelhas eram demônios, e borrados multi-coloridos eram humanos, de diferentes etnias, trajando diferentes armaduras. Não tardou até que flechas, pedras catapultadas e magias ofensivas fossem trocadas de lado a lado. O exército demoníaco era demasiadamente numeroso, e era questão de tempo até que encontrassem uma brecha nos muros da cidade. Mas, de repente, o sítio à cidade cessou. Morgaroth, que apenas observava a batalha, começou a falar, e sua voz ecoou por toda a cidade, como mágica:

    ― Venha, Tibianus, vamos lutar mano-a-mano! Quero ter o prazer de lhe derrotar antes que acabe morto por algum mortal qualquer de meu exército!

    O exército demoníaco abriu espaço, formando um corredor do portão da cidade de Thais até o local onde se encontrava Morgaroth. O rei veio andando, e novamente aquela sensação de silêncio invadia sua mente, até que se encontrava defronte o maligno Morgaroth.

    ― Vamos acabar com isso, aqui e agora! Derrotar-lhe-ei, usando o mesmo escudo e a mesma coroa que meu bisavô usou para banir Orshabaal na batalha de Jakundaf, o mesmo escudo e coroa que usei para banir Ferumbras da cidade de Thais!

    O demônio gargalhou, esticou o seu braço e lançou um jato de energia em direção ao rei, que a barrou com seu escudo. Foram minutos de duelo, muito equilibrado. Por fim Morgaroth derrotou Tibianus. Com sua força descomunal, levantou o rei e lhe arrancou a cabeça do corpo, como se estivesse rasgando papel.

    ― Vejam! ― Exclamou, com o braço esticado, mostrando a cabeça do rei, como um troféu ― O rei de vocês está morto. O duelo foi árduo, devo reconhecer, mas agora sua linhagem está acabada, eu nunca serei derrotado!

    Dentro dos muros da cidade, muitos choravam, e a maioria tirava seus elmos e largava suas armas e escudos no chão, desistindo da luta.

    ― Não! Não devemos desistir, não é isso que Tibianus queria! ― Gritou Linus ― Devemos lutar até o fim de nossas forças por nossa cidade!

    As palavras de Linus pareciam em vão, o exército estava desmotivado, quase ninguém tinha forças para lutar. Mas ao longe, a esperança renascia. Ouviam-se gritos e tambores e exclamações de surpresa eram ouvidas de membros dos dois exércitos. Eram os anões que chegavam, trazendo sangue novo para a batalha. Como se tivesse sido combinado buracos começavam a se abrir no chão, levantando uma enorme poeira. Deles brotavam minotauros, que também vieram para ajudar.
    A batalha recomeçou, e com as esperanças renovadas, os cidadãos de Thais pegaram em armas novamente para defender seu lar.

    Linus sabia, no entanto, que o exército do mal ainda era muito mais numeroso, e ganharia a batalha mais cedo ou mais tarde. Deveria aproveitar a oportunidade que surgira com a inesperada ajuda de anões e minotauros para tentar vencer a batalha derrotando o líder Morgaroth. Mas se nem mesmo o rei não havia conseguido derrotar Morgaroth, será que ele conseguiria? “Depois do rei, certamente sou eu o guerreiro mais preparado, sou eu que devo derrotá-lo. É melhor morrer tentando do que esperar eles vencerem a batalha”.

    Correndo por entre o exército inimigo, esquivando-se de golpes mortais e flechas certeiras, cortando através de fileiras de combatentes com sua espada, Linus avançava a passos largos rumo a Morgaroth, que agora, ao invés de apenas assistir a batalha, lançava bolas de fogo e esferas de dor e sofrimento concentradas, conhecidas como “morte súbita” em direção a cidade.

    Morgaroth estava distraído e a oportunidade se apresentava, de pegar a espada de Tibianus que estava no chão e tentar derrotar Morgaroth. Linus lançou sua própria espada em direção ao demônio, atingindo-o no braço direito. Isso o distraiu, mas o fez também perceber a presença do oponente. Com uma cambalhota ágil, Linus pegou o escudo e a espada do falecido rei do chão e ajoelhou-se, defendendo uma rajada de morte súbita com o escudo. Tão logo defendeu o golpe, soltou o escudo, e, correndo em direção a Morgaroth, com uma mão lançava uma runa de magia no inimigo, e com a outra balançava a espada para trás. Com um pulo, empurrou a espada no peito do demônio.

    ― Não! ― Exclamou Morgaroth.

    O demônio começou a brilhar e desapareceu, certamente banido ao plano das trevas. Os demônios menores que participavam da batalha também foram banidos, e ao mesmo tempo os humanos de Carlin, possuídos, retomavam sua consciência. Restavam apenas os orcs. Alguns se retiraram covardemente, enquanto outros ainda lutavam, mesmo sendo certa a derrota.

    A batalha estava ganha e Linus era um novo herói.

    ***

    Três meses se passaram desde a épica batalha, e a paz reinava em Tibia. As cidades destruídas eram reconstruídas com a ajuda de todos. Em Thais, era aclamado o novo imperador, herói da cidade, responsável por derrotar a ameaça demoníaca ao mundo livre, Linus.

    "Acho que essa coroa ficou boa em mim"


    Cerco em Carlin




    Os aríetes continuavam a martelar incessantemente os portões da cidade. Chuvas de flechas vindas do alto das torres cravavam-se na horda que se amontoava aos pés dos muros e uivava incitando inspiração nos companheiros. De longe, criaturas verdes vestidas em armaduras de ferro conspiravam e guiavam seus compatriotas nessa empreitada ousada. O cerco de Carlin.

    Reunidos em volta de uma mesa retangular e coberta por um manto azul, estavam sentadas cerca de vinte mulheres, todas vestidas em elegantes armaduras de metal. Na ponta da mesa estava outra mulher, diferente das demais.
    -...E por esse motivo que digo que devemos cerca-los pelos flancos. Eles estão acampados há dias e provavelmente já estão fracos de fome o bastante.
    - Isabelle, eles são muitos – falou calmamente uma das mulheres. Longos cabelos vermelhos e um rosto meigo marcavam a sua aparência física – Não tem como embosca-los. O melhor a se fazer é continuar a evacuação e permanecer dentro dos muros.
    - Mas, Thamira, nossos alimentos estão se esgotando. Os soldados estão começando a morrer de fome, e os orcs já dão indícios de que não cessarão o cerco – disse a primeira mulher – E eles estão se alimentando dos rebanhos de ovelhas que encontraram no oeste, e muito provavelmente dos lobos no norte. Se não atacarmos eles, eles apenas invadirão a cidade para encontrá-la vazia e cheia de mortos.
    A mulher na ponta da mesa estava com a cabeça apoiada sobre o seu braço direito e, com os olhos fechados, parecia estar num profundo sono.
    - Entretanto – declarou uma terceira mulher que havia se levando – A evacuação ainda não terminou e se arriscarmos um ataque à essa altura colocaria em perigo a vida dos cidadãos – ela pigarreou – os navios já estão terminando com as pessoas.
    - Quanto tempo isso vai levar? – perguntou subitamente a mulher que estava de olhos fechados.
    - Cerca de dez horas, Majestade Eloise, é o tempo em que os últimos navios vindos de Thais devem chegar na nossa costa.
    Eloise abriu os olhos e fitou calmamente à Isabelle.
    - Está disposta a conduzir um ataque ao acampamento orc, mesmo sabendo que isso poderia ser suicídio?
    - Mas Majestade... – interrompeu Thamira. Foi interrompida por um gesto de mão da rainha Eloise.
    Isabelle engoliu em seco e escondeu seus braços sobre as pernas para que as outras não percebessem como ela estava tremendo – Não haverá problemas majestade...
    - Ótimo, venha comigo, por favor. Thamira continue a evacuar os aldeiões e você Jiane veja como estão os arqueiros. Troque o turno deles e renove o estoque de setas.

    Eloise e Isabelle seguiram por um corredor que levava ao quarto pessoal da rainha. Ao chegarem lá, ela pediu para que as guardas prostradas, cada uma de um lado da porta, saíssem.
    Isabelle se certificou que as outras não estavam mais por perto e voltou-se para Eloise, seus olhos estavam levemente úmidos e suava muito.
    - Você deverá reunir o quinto esquadrão de infantaria e começará o ataque dentro de uma hora.
    Isabelle assentiu.
    - Vejo medo nos seus olhos. Se não puder cumprir com sua missão, poderemos pensar em algo melhor – disse Eloise serenamente – Levante a cabeça e enxugue os olhos. Você é a nossa mais nova e talvez mais inteligente comandante – Eloise destrancou o quarto e dirigiu-se à um pequeno baú, tirou de dentro dele um bracelete prateado ornado de 4 grandes safiras no centro, que formavam juntas o desenho de um círculo – Entregue isso à Karl, nos esgotos.
    Isabelle se assustou – Mas... Karl? Ele não é o taverneiro que...
    - Não é hora para essas discordâncias. Sei que Karl estava montando seu exército particular. Precisaremos de toda ajuda possível para combater os orcs quando eles passarem daquela muralha.
    Isabelle pegou o bracelete e guardou por dentro da roupa.
    - Ainda na taverna – continuou Eloise – Procure por Drulak, e diga para ele sobre Asas.
    - Asas? – perguntou Isabelle.
    - Ele saberá o que fazer. Agora vá. Saia pelo leste e embosque-os pelos flancos. Enviarei assim que puder outro batalhão comandado por Thamira.
    - Mas Thamira... Ela era contra esse ataque.
    Eloise fitou-a impaciente. Isabelle entendeu e se retirou.

    Na taverna encontrou-se com Karl e lhe mostrou o bracelete. Karl ordenou aos seus homens que se juntassem e fossem para os quartéis de Carlin. Apenas um homem havia restado, estava sentado à uma mesa num canto bebendo de um copo feito de madeira. Seus longos cabelos negros cobriam-lhe parte do rosto, o qual era coberto por um fino bigode e uma barba mal-feita.
    Isabelle se aproximou da mesa e se sentou na cadeira vaga.
    - Veja só aonde fomos parar... Karl ajudando vocês...
    - Ele não está nos ajudando – protestou Isabelle – Está ajudando a cidade.
    - Dá na mesma. E agora quem vai me servir meu quarto copo?
    Isabelle resmungou em sinal de desaprovação.
    - Qual é o seu nome?
    - Lady, não é educado perguntar o nome de alguém sem antes se apresentar.
    - Isabelle – disse ela furiosa.
    - Drulak, filho de Torark. O que quer com o meu nome?
    - A rainha Eloise pediu para que lhe falasse sobre as Asas.
    Drulak arregalou os olhos, e coçando a cabeça deu mais um gole no copo – E o que ela tem com isso?
    Isabelle ficou sem saber o que responder, se levantou e fez menção de sair.
    - Espere... – disse Drulak – Você não sabe de nada sobre Asas não é?
    - Veja só, ela só me pediu para que lhe disesse sobre isso. Agora tenho tarefas importantes a cumprir.
    - Não... Você não vai a lugar nenhum – Drulak estralou os dedos e várias tochas ao redor da taverna foram acesas.
    - Você... Você é um mago? – perguntou Isabelle horrizada.
    - Talvez sim... Talvez não... – Drulak bebericou mais um gole do seu copo e enxugando a boca se levantou rapidamente – Venha comigo.
    - Não! – disse Isabelle.
    Drulak riu e pegou uma das tochas que estava na parede - Vai desobedecer a sua rainha?
    - Ela ordenou que...
    Foi interrompida por um rangido vindo de trás do balcão de Karl. Um armário de bebidas acabava de ser afastado para o lado.
    - Gosto dessa tecnologia dos anões – disse Drulak – Me traz recordações.
    - Quem é você?
    - Já disse... Meu nome é Drulak, filho de Torark.
    - Você vai me desculpar... Mas não posso perder meu tempo com você – disse Isabelle.
    - Certamente que não. Porque uma Lady como você perderia seu tempo com um vagabundo como eu? Por favor, me acompanhe.
    Isabelle tentou resistir, mas algo em seu subconsciente dizia para ela que deveria saber quem era aquele homem. Seria atração? Curiosidade? Medo? Esse turbilhão de emoções mexia com a cabeça de Isabelle e ela se sentia cada vez mais confusa. Até que então ela resolveu seguir Drulak e entrar na câmara que havia se aberto.

    Era um longo corredor apenas iluminado pela luz do sol que entrava acima vinda dos bueiros. Eles andaram silenciosamente pelo lugar até que Isabelle resolveu falar:
    - O que é a Asa?
    Drulak riu - Você não quis saber antes, vai ter que esperar agora.
    O corredor virava para a esquerda duas vezes, até que depois de virar pela terceira vez, para a direita eles chegaram à uma escadaria feita de madeira. Drulak encostou os ouvidos na porta, que havia no topo da escadaria, e puxou uma adaga afiada de uma pequena bolsa. Com a mão esquerda apertou uma pedra que estava solta na parede. A porta rangeu e se abriu para fora.
    - Merda – gritou Drulak – Se afaste Isabelle.
    Drulak foi empurrado, rolando escadaria abaixo. Várias criaturas verdes começaram a adentrar o corredor apertado. Isabelle puxou sua espada curta, e olhou preocupada para Drulak que se contorcia de dor à um canto.
    Eram cerca de cinco orcs. Eles avançaram para cima de Isabelle com machados erguidos e dentes arreganhados.
    Drulak gritou palavras desconhecidas e dois dos orcs saíram voando e ficaram grudados ao teto. Isabelle entrou em combate com o primeiro orc que havia desferido um ataque avassalador com o seu machado de guerra. Isabelle esquivou e girando serenamente estocou a espada contra o peito da criatura. Drulak se levantou e lutou contra um segundo orc, enfiando a adaga no pescoço dele. O terceiro orc puxou um sabre e conseguiu desarmar Isabelle. Ele a empurrou, fazendo com que ela caísse no chão. Estava prestes a atacar quando, caiu de joelhos, com uma adaga cravada no lado de trás do pescoço.

    Os outros orcs que estavam grudados no teto observavam em silêncio a morte dos outros guerreiros.
    - O que foi isso? Está querendo me matar Drulak? – perguntou Isabelle.
    - Respondendo as perguntas. Orcs e não – disse ele arrancando sua adaga do pescoço do orc inerte e limpando-a nas vestes do mesmo.
    - O que eles estavam fazendo lá fora?
    - Descobriram a entrada da câmera. Mas só eram esses, não consigo mais detectar nenhum orc por perto, com exceção desses dois.
    - Então você é um mago?
    Drulak riu – Prefiro que me chame de Guardião.
    Isabelle soltou uma exclamação abafada. Os dois subiram a escada e se viram fora dos muros de Carlin.
    - O que estamos fazendo aqui? – perguntou Isabelle.
    Drulak olhou para os céus e assobiou.
    Isabelle viu um pássaro se aproximando à distância. À medida que foi chegando mais perto, Isabelle viu que não era uma mistura de pássaro e cavalo.
    - Isto é Asa – disse Drulak.
    O grifo pousou e foi para perto de Drulak. Ele o acariciou e tirou de dentro das vestes uma cenoura. O grifo fez um barulho que lembrava um agradecimento.
    - Suba – disse Drulak.
    - Quem você pensa que é?
    Drulak a pegou pelos braços e colocou-a em cima do grifo. Isabelle gritou, mas Drulak havia sussurrado no seu ouvido palavras que pareciam ter feito Isabelle ficar em choque.
    O grifo, batendo suas asas emplumadas, levantou vôo e seguiu para o sul.

    Do alto da torre mais alta do castelo, a rainha Eloise apreciava o vôo do grifo, até que foi interrompida por uma de suas comandantes, Thamira.
    - Senhora, o portão norte está rompendo. Não demorará até que os orcs invadam Carlin. Onde está Isabelle? Ela precisa retornar antes que seja tarde.
    Eloise baixou a cabeça e lágrimas escorreram por seus olhos – Acho que não voltaremos a ver Isabelle – disse ela tristemente, torcendo para que o que acabara de dizer não fosse verdade. Pois queria, ainda, um dia se encontrar novamente com sua querida filha.

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    Última edição por Steve B; 20-02-2010 às 16:18.
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  2. #2
    Avatar de Wu Cheng
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    Estou sem tempo agora pra ler os contos com calma e dar uma nota.

    Mas reservo o espaço pra meus votos em breve.

    @Steve: nas regras, na hora do copy/paste escapou um "Como os autores dos poemas só serão revelados após o término da votação", devia ser os autores dos contos, não?

    EDITADO:
    A Batalha dos Campos da Glória

    True-Blue é um nome estranho para um conto medieval, mas como Tibia é fantasia pode-se admitir que os nomes vão desde complicados "suggested names" até um prosaico "Bubble".

    Ainda assim, acho que a história ganha muito mais força (e vida própria, independente do jogo) quando os nomes vêm em português, como Legião Vermelha, Rocha de Ulderek e Colinas de Fêmur.

    Não conheço as patentes militares em Tibia, mas achei estranho que meros tenentes (oficiais subalternos) fizessem parte do Estado-Maior de Bistur Kahs.

    A história ficou ótima, com muitas passagens que alternaram descrições e pensamentos dos personagens perfeitamente.

    A polaridade entre os atores principais funcionou muito bem: o idealismo fanático de Bistur Kahs (insanidade?) e o realismo cético de Harter, um homem do povo, um mero tenente preso na armadilha da história.

    Só o desfecho não emocionou. Quando o narrador admite que seria pouco o espaço para tantos feitos heróicos, parece que desiste de emocionar e se contenta em retratar um final já previsto.
    O Fantasma do Corsário

    O conto foi bem costurado e tinha um foco bem definido: contar a história de um sequestrado por piratas que conseguiu escapar com a ajuda de um fantasma.

    Parece que faltou uma terceira camada ao conto. A ideia está boa, a narrativa flui naturalmente, mas faltou desenvolver os personagens.

    Aí entra uma técnica que sempre lembro aqui: A história principal tem um trajeto definido (uso a metáfora da linha reta). Mas não basta isso, é preciso criar um ou vários pequenos acontecimentos paralelos, que vão circundando esta linha reta principal (uso da metáfora linha senoidal).

    A linha reta mantém seu curso, inalterável, rumo ao desfecho imaginado. Mas neste meio tempo o escritor "confunde" o leitor com pequenas informações extras, que vão contribuir para a história principal nos pontos de interseção entre a senoidal e a reta.

    A senoidal é que dá profundidade aos personagens, porque traz fatos relevantes destes, mas dispensáveis para a linha reta. E, talvez mais importante, impede que o leitor veja claramente o desfecho, criando uma cortina de novos acontecimentos e permitindo a surpresa.

    O escravo sequestrado, apesar de narrador, não criou empatia com o leitor. Ele não tem nenhuma característica ou "gancho" que nos permita diferenciá-lo dos muitos outros personagens. É só um cidadão de Thais sequestrado.

    Os piratas foram apenas piratas, mas aí não há problema, porque a função destes é só essa mesmo, serem os antagonistas.

    Já o fantasma que possibilita a fuga merecia também ser melhor explorado. Não é fundamental, mas um fantasma louco e com um passado a ser revelado poderia ser a cereja que enfeita o bolo da história principal.

    Em cinema, vários personagens secundários com este poder de carisma depois acabam ganhando seus próprios filmes, como o Wolverine, de X-Men.

    Não digo para contar uma história dentro da história, porque pode se perder o foco, mas dar pequenas informações que façam o leitor pensar: existe um passado por trás deste cara.
    Sem Título

    Houve grande preocupação em localizar perfeitamente o leitor que também seja jogador de Tibia.

    Assim se conquista a simpatia deste e torna a leitura mais interessante para quem percorre as diversas referências ao jogo seguindo o enredo.

    O lado negativo é que, com tantas citações, o leitor leigo em Tibia acaba perdendo o interesse.

    As referências não têm tanta importância para o andamento da história, são como brincadeiras internas para os "iniciados" no mundo tibiano.

    Como é uma categoria Tibiana, não vejo problemas nisso, apenas o conto fica com um público mais restrito.

    Algumas passagens de diálogos e pensamentos me pareceram conflitantes, como quando o ânimo de Gorn murcha e logo em seguida sugere uma expedição.

    Alguns sentimentos também me soaram forçados, um pouco melosos ou rebuscados demais, por exemplo: "Quase chorei"; "Um par de olhos penetrantes ... me avaliou. Senti-me como se estivesse nu".

    Isso é questão de estilo, estou citando não como um defeito, mas é que as considerações do personagem criam a imagem que o leitor tem dele. Na hora que li achei que estava descrevendo um personagem efeminado (é possível que Gorn seja gay, não sei).

    Colaborou com essa impressão o fato do guarda do palácio de Thais ter caçoado de Gorn e seus "bilhetinhos e flores para seus companheiros".

    Mas no geral as situações descritas e divagações dos personagens se adequaram perfeitamente ao clima aventuresco pretendido.

    O final anti-clímax foi uma boa sacada, poderia ter durado mais um pouco. A passagem entre encontrar a caverna que os próprios heróis haviam cavado e a revelação de que esta não levava a lugar algum foi muito rápida.
    De heróis e vilões

    Uma coisa que notei foram as descrições dos personagens num modelo rígido de citar o nome em seguida de suas características físicas.

    Acho que funciona bem num jogo de roleplay, mas num conto soa um pouco forçado. O ideal é o leitor saber destas informações sem nem ao menos se dar conta disto.

    Por exemplo: Sonja era uma excelente guerreira e como todas as ruivas não levava desaforo para casa. Seu tamanho de deusa nórdica também ajudava a manter o respeito de homens e mulheres. Principalmente dos homens afoitos, que se iludiam com sua pele clara e feições delicadas e pensavam estar lidando com alguma jovem dama da corte.

    Num parágrafo sabemos que Sonja é ruiva, jovem, alta e bela, além de guerreira e de temperamento forte. Tudo isso sem demonstrar que o narrador queria dar estes dados, que são secundários ao enredo mas importantíssimos para formar a cena no imaginário do leitor.

    Sobre o uso de asteriscos para dividir as cenas, não gosto. Considero que a narrativa pode acontecer com clareza sem necessidade destes artifícios. A não ser que seja uma obra que faça uso extensivo de recursos gráficos, como tipos de letras diferentes, cores, asteriscos e outras tipografias.

    Afora estas pequenas observações, foi interessante saber como o herói Linus derrotou Morgaroth e se tornou o sucessor do rei Tibianus.
    Cerco em Carlin

    Não entendi muito bem a parte que uma amazona diz que os orcs estão acampados há dias e por isso estariam fracos e com fome. Normalmente nos cercos quem fica sem suprimentos é a cidade sitiada.

    Outro detalhe curioso é que, pela história, em Carlin as amazonas utilizavam os serviços de arqueiros homens.

    O conto tem uma narrativa eficiente e, apesar da guerra, acredito que a ideia principal foi narrar a relação entre a rainha mãe e sua filha, o que só descobrimos no final.

    Na realidade pouca ação acontece, e vários personagens e cenários nos são apresentados, como o grifo e a câmara secreta do feiticeiro Drulak.

    Para ver como se pode aproveitar ao máximo a tensão dramática que uma espera pode proporcionar, sugiro o filme Te pego lá fora, que narra as 2h, em tempo real, em que um moleque de escola terá que esperar até o recreio antes de apanhar do valentão que o desafiou.

    Se quiserem alguma coisa mais cult, tem Esperando Godot, uma peça do Beckett.

    O ponto em comum é que o foco principal não é o que os personagens anseiam (seria como um McGuffin* do Hitchcock) mas sim o que a tensão proporcionada por aquele evento causa neles.

    *McGuffin é alguma coisa muito importante para os personagens da história mas sem nenhuma importância para o desenrolar da narrativa. Muitas vezes um McGuffin nem sequer é mostrado ou explicado ao público.
    ~*~

    Sinceramente, este concurso apresentou ótimos contos, sem exceção.

    Não estou fazendo média, falo como um leitor que não tem gosto pela literatura tibiana, mas que se surpreendeu.

    OBS.: Minhas notas estão no post abaixo, para ter destaque e o Steve conseguir ver.

    Última edição por Wu Cheng; 21-02-2010 às 20:07.

  3. #3
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    Citação Postado originalmente por Wu Cheng Ver Post

    @Steve: nas regras, na hora do copy/paste escapou um "Como os autores dos poemas só serão revelados após o término da votação", devia ser os autores dos contos, não?

    Ah, sim, sim... erro meu, já corrigi.

    Valeu por falar. :happy:
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  4. #4
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    É aqui que eu voto?
    Vamos lá...

    Primeiro lugar: Sem Título
    Segundo lugar: Cerco em Carlin
    Terceiro lugar: De heróis e vilões
    "Bendita embriaguez
    De luzes, cores e sons
    Do sol, do céu e do vento
    Que me fazem viver, e viver"

    "Um grande show, uma grande obra,
    Faremos no palco que é cada dia
    Desse belo evento, que são nossas vidas"


    - Singelos Versos

  5. #5
    Avatar de Wu Cheng
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    Meus votos:

    Primeiro lugar: A Batalha dos Campos da Glória
    Segundo lugar: Sem Título
    Terceiro lugar: O Fantasma do Corsário






  6. #6
    Avatar de Sadu Zefenazar
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    Oi, Meu voto vai para o conto: de heróis e vilões
    Motivo: apesar de todos os contos sererm ótimos,(é sério pow n é enrolação!) esse conto foi o que mais me prendeu a leitura. parecia que eu estava assistindo a um filme. quanto mais eu lia, mais eu ficava com vontade de ler, coisa rara, pois normalmente histórias cheias de elementos acaba por cansar o leitor com menos paciência(assim cmo eu xD!)
    nao se esquecam, meu voto vai para : de heróis e vilões
    A ALIANÇA VAI ATACAR...

    (5) <(4)> (3) (2) (1) (0)
    Ep Inédito de:
    (Tíbia Rooker's Adventures)

  7. #7
    Avatar de Ldm
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    Optei por não resenhar desta vez. Afinal, eu estou participando, então seria muito estranho sentar o pau no meu próprio texto. Também estou com pouco tempo disponível.

    Minha votação ficou assim:

    Primeiro lugar: A Batalha dos Campos de Glória
    Segundo lugar: Cerco em Carlin
    Terceiro lugar: O Fantasma do Corsário

    Bons contos, parabéns à todos.

    Quanto ao sujeito aqui de cima: na verdade, você tem de escolher três contos. Primeiro, segundo e terceiro lugares. Logo, estão faltando dois na sua contagem.

  8. #8
    Avatar de Sadu Zefenazar
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    Padrão correção

    Aff tem razao xD
    intaum lá vai:

    1 Lugar vai para: De heróis e vilões

    2 Lugar vai para: O Fantasma do Corsário

    3 Lugar vai para: Cerco em Carlin

    O motivo é mesmo, mas é claro que o primeiro me prendeu + enquanto os outros menos né?
    Os contos são demais! não faço a mínima idéia de qm fez esses contos, mas eles estão de parabéns.
    A ALIANÇA VAI ATACAR...

    (5) <(4)> (3) (2) (1) (0)
    Ep Inédito de:
    (Tíbia Rooker's Adventures)

  9. #9
    Avatar de Emanoel
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    Poucos contos e todos possuem elementos interessantes. Curioso que três deles envolvem guerras, mas nenhum é exageradamente apegado ao jogo, tanto que os autores omitiram os nomes das magias e alguns outros aspectos dos combates in-game. Enfim, o tema foi respeitado, mas a criatividade fluiu.

    Meus votos:

    1. A Batalha dos Campos da Glória
    2. Cerco em Carlin
    3. O Fantasma do Corsário



    Não irei comentar os contos por agora, mas faço questão de postar nos tópicos apropriados após o final do concurso. (Eu adoro essa parte em que o Histórias fica super movimentado durante alguns dias.)

  10. #10
    Avatar de Thomazml
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    1º Lugar = De Heróis e Vilões
    2º Lugar = O Fantasma do Corsário
    3º Lugar = Sem título


    Tanta gente se inscreveu... e tão poucos votos =\
    Steve, seria o caso de mandar uma pm para os participantes do concurso, para eles ao menos votarem?

    Publicidade:
    Quer participar de uma alta aventura com essa turma do barulho? Quer escrever sobre Tibia, ser enganado por um monge pra lá de pestinha? Achas que tens o que é preciso para esma... digo, para entrar no Hall da fama? Passa lá na Biblioteca-imensa-cheia-de-coisa-e-mundialmente-conhecida!

    Escritos no TebeaBeerre

    -=R.I.P =-
    Aqui já Lucius Cath
    Eterno troll



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