Olá galeres. Bem, descobri essa seção a pouco tempo e andei lendo umas histórias e isso me motivou muito a começar a escrever. Era algo que sempre quiz fazer, quando criança chegue a escever páginas e mais páginas de um "livro", entretanto a preguiça e a falta de tempo não me deixaram continuar. Mas resolvi colocar no papel um pequeno conto que havia pensado a alguns dias. A idéia é um pouco clichê, mas quis mostrar uma visão minha e tentar começar a estabelecer um estilo. Me ajudem a melhorar.
O Treinamento
Um passo e sentiu o sangue na boca seca. Carregar um saco de rochas nas costas por toda aquela distância não era fácil, definitivamente. Na verdade era sofrido, duro, penoso e o saco, que simulava um companheiro ferido em batalha, tinha o peso do mundo, assim como deveria ser um companheiro ferido. Mas era parte do Treinamento e ele, como guerreiro que era, deveria ir até o final, “ninguém deveria ser deixado para trás”. E o fim do percurso estava próximo, podia sentir o odor da vitória pessoal, pois aquele não era um Treinamento qualquer.
Mais à frente, começou a subir, seus músculos rangendo como engrenagens velhas. A dor ainda era suportável, mas estava ali, impassível. Seu cérebro trabalhava a mil para manter o estímulo. O corpo não quer sofrer, não foi feito para aquele labor, aquele esforço sobre-humano que sua função de soldado exigia. Mas dizem que o cérebro é o músculo mais forte do corpo humano e se impõe, não deixa que as súplicas do resto do corpo sejam atendidas em momentos inoportunos. Todavia, como tudo na vida, até nesse músculo maravilhoso e forte, existe o lado da fraqueza. Quando sentiu o primeiro companheiro cair sob o peso do saco de pedras, pensou em desistir. Não seria o Último, o Fraco, seu ego de Homem não seria afetado, ele poderia dizer que estava cansado do dia anterior (e realmente o estava). Mas, e quanto ao Soldado que ali existia? Esse queria a vitória, sempre. A vida o ensinou que na Guerra, ou você é o melhor ou é um qualquer. O Médio morre e ninguém sente sua falta, ninguém canta músicas em sua homenagem ou lembra dele com respeito. Em vida, é só mais um seguindo ordens dos verdadeiros heróis. Ele não queria ser um médio, queria ganhar, sentir o reconhecimento e o prazer da vitória e estava próximo disso. Esse pensamento, vindo da parte iluminada e forte do seu músculo mais forte, o fez endireitar o saco nos ombros e continuar a dura subida.
Finalmente na reta final. Ouviu uma voz de incentivo ao seu lado esquerdo e, apesar do torpor dos sentidos causado pelo esforço, pode identificar o Treinador. Aquele era um homem admirado, temido, amado e odiado. Por todo o treinamento ele era o carrasco, aquele que mais exigia de todos os soldados. Para os Fracos, ele passava uma figura agourenta e de terror que ao entrar no dormitório arrancava suspiros e pensamentos fracos da desistência. Mas para os outros, principalmente aqueles que ali estavam, era uma figura paterna. Tal como um pai, exigia até o limite de seus homens, pois sabia do potencial que aquela tropa poderia alcançar. Por isso aquele grito de incentivo foi como uma mão que o auxiliava a suportar o peso.
Já tinha a visão do portão que delimitava o objetivo. Mas ao seu lado sentiu alguém despencando. De relance viu uma face jovem e ouviu um profundo suspiro e logo identificou seu jovem vizinho de cama no dormitório. Era um garoto talentoso com as armas, vindo de uma família humilde, que encontrava na batalha um modo de levar honra para sua casa e seus irmãos. Se havia alguém que deveria alcançar os objetivos ali, era ele. Mas a vida é injusta, o mundo é mau e o destino cruel, e tudo que se pôde ver foi uma face de decepção e um corpo tombando ao peso das pedras. Tinha que continuar por ele.
Passos finais. A dor era lancinante, como se todos os músculos protestassem. Sua coxa sofria espasmos de dor, como se facas a penetrassem até os ossos em punhaladas consecutivas. Ouviu à sua frente sons de esforço, respirações forçadas e urros. Não podia identificar quem era, mas não deixaria um soldado sem face vence-lo quando estava tão perto. Sentiu fraqueza. Quem seria aquele guerreiro superior que ia à frente, tão imponente? Mas se deu conta que os sons que aquele a sua frente fazia eram de gemidos, assim como os que ele se deu conta que emitia. Estava certamente sentindo a mesma dor, o mesmo sofrimento. E isso o fez forte. Muitos diziam que constatar o sofrimento dos outros fazia qualquer um subestimar o próprio sofrimento e isso e mostrou verdade naquele momento. Sempre há alguém pior do que você. Apertou o passo e ultrapassou o guerreiro fraco e sem face. Ele não era digno de ser o Melhor.
Cinco metros para o fim e seu passo vacilou. Aquela não era uma dor comum, nunca sentira nada semelhante. Não consegui controlar o grito e ouviu o seu eco pelas montanhas silenciosas. Os Músculos da panturrilha dobravam e se viravam em nós. Mesmo assim não soltou o pesado saco e isso fazia da dor insuportável. Sentiu Medo, pela primeira vez. Podia perder a perna ali, virar um incapacitado antes mesmo de entrar novamente no campo de batalha. Ia desistir. Mas lembrou-se do jovem, do Treinador, do Soldado Fraco. E lembrou-se do que ele próprio era: um Soldado, um Guerreiro. Preferia passar a vida toda em uma cama do que enfrentar uma derrota quando estava tão perto da vitória. Em toda sua vida não tinha se arrependido de nada por ter deixado de fazer. Se arrependia das burrices que havia feito, mulheres que o tinham feito sofrer, brigas com velhos amigos, morte de bons inimigos. Mas nunca, nunca mesmo, pegou-se lamentando por uma falta de ação. E seguiria essa conduta agora, ele seria o Melhor.
Um passo após o portão. Soltou o saco no chão e sentiu como se flutuasse. Por entre a névoa da visão cansada, pôde destinguir o treinador, pôde identificar o Soldado sem face e admirar a visão de ser o primeiro. E com um sorriso de triunfo, caiu desacordado.
Assim terminava o segundo dia de Treinamento no forte Phin.
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