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Tópico: O Homem Eterno

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    Ai está. Novamente, obrigado pelos comentários.

    Capítulo III
    Heras do meu jardim

    – P3TU, peça um táxi pra quatro, por favor – Carlos fez o "por favor" soar mais falso que o vocativo.

    Em casa, a peça era quase sempre dramática e atrasada. Ele se olhava no espelho depois do banho encarando seu rosto, enquanto Amanda despia-se com os pequenos olhos. Repentinamente, ele a respeitou. Observar cada detalhe minucioso de seu semblante era um ato corajoso para uma mulher, nem todas eram capazes disso. E Carlos admirava esse instinto de sua atriz.

    Rapidamente a barba estava feita, o cabelo penteado e os dentes escovados. Os gêmeos tremiam no corredor, como se algo importante os esperasse. De fato, aquele devia ser o dia mais interessante da vida dos pequenos. João Guilherme e Maria Antonia, nomes tão bonitos. Quando soubera que Amanda esperava por gêmeos não houve nem discussão, só esses serviam.

    Depois de escritos certidões não se via mais a beleza, tinham perdido a mágica do princípio.

    Ainda houve cinco gritos de Amanda a chamar, quando por fim Carlos surgiu na porta da frente arrumado. Ela desdenhou sua pança e cuspiu na própria boca. Nos seus olhos ele viu repulsa aos dois pequenos vestidinhos nos uniformes. Cada dia mais ela via neles o reflexo do pai.

    Amanda tentava esconder por trás dos seus óculos o ódio que cultivava por seu marido. Entre as goladas de uísque e os tapa-olhos ia omitindo. O papel de mulher dedicada era tão bem feito que inclusive ela, por vezes, acreditava ser autêntico. Horas gastas com as crianças, os almoços e jantares, o sexo comportado, nada na caixa de Pandora, ela seguia um padrão.

    João e Maria viviam com duas pessoas que mal conheciam. Nem por isso eram crianças problemáticas, pelo contrário. Ambos ostentavam belas notas, desfilavam vários amigos e representavam o exemplo para os professores. O melhor de tudo isso, não precisavam fazer parte de uma peça para agirem naturalmente. Crianças escondem com perfeição seus lobos.

    Agora dentro da sala de aula na frente dos seus pais e de seus colegas os dois apresentavam o projeto da classe. Cheios de desenvoltura e malabarismo levavam todos naquele recinto. Exceto Carlos. O gorducho remexia-se incansavelmente na simples cadeira de plástico. Pensou duas vezes em vomitar. Achou que teria um ataque do coração. Limpou a garganta vezes e vezes. Suava como um porco. Carlinhos estava presenciando o intervalo mais brusco da peça. Quase achou que não voltaria a ouvir os barulhos do reinicio.

    Ele olhou o filho João da cabeça aos pés. Tentou ver o que não podia mais ser visto. Desesperado, levantou e esforçando-se o máximo para ser discreto, saiu da salinha. Em seguida andou veloz pelo corredor do colégio. Adentrou o banheiro masculino deparando-se com sua imagem no espelho. Aturdido e suado. Seus membros doíam, o corpo não respondia a si. O objeto a sua frente revelava seus maiores mistérios. As pragas que pesteavam sua varanda brotavam do seio de sua face, invisíveis. Ali, o ar parecia rarefeito, estava impossível respirar.

    Na cabeça de Carlinhos, dançavam animados dois robôs para uma platéia de uma dúzia de macacos. Cada animal daquele espetáculo segurava uma revista de fofoca na mão esquerda e eufóricos berravam “casa com ele”. Para surpresa da macacada o robô virou as costas e saiu trotando. Baptista quis subir no palco e abraçar o outro, numa expressão de caridade, mas não foi capaz.

    – Carlos! – ouviu um grito seco bem baixo ecoar no banheiro. – Carlos, meu amor, tudo bem como você?

    De repente, teve de acordar. Restabelecer contato com o próprio mundo.

    – Tudo bem, tudo bem – respondeu apavorado.

    – Você saiu apressado, eu fiquei preocupada. – Amanda conseguia se expressar com muita clareza, ele chegava a ficar admirado. Acreditava nela como uma engenheira das palavras, projetando cada sílaba.

    – Não foi nada, Amanda. Foi só uma dor de barriga.

    Ela trincou os dentes e sorriu ironicamente.

    – São essas porcarias que você come o dia inteiro – o pior era admitir a verdade. As porcarias realmente lhe faziam mal. – Agora vamos embora, não vejo a hora de chegar em casa.

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    Última edição por Drasty; 18-12-2009 às 16:42.



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