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Tópico: Concurso de Roleplay Telling 2009 - PRIMEIRA FASE

  1. #1
    Avatar de Lucas CS
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    18-09-2007
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    Frederico Westphalen
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    Padrão Concurso de Roleplay Telling 2009 - PRIMEIRA FASE

    Bom, galeres, demorou um pouquinho :rolleyes: mas eu vou postar agora os contos do concurso.
    Na verdade, o pessoal tá me cobrando o tempo inteiro, recebí muitas algumas MPs e mensagens no msn a respeito. :o

    Cobranças... sempre se lembra disso.

    Mas bah, conseguimos um número aceitável de contos... são 9 da categoria tibiana e 8 da categoria Off. Se alguém mandou algum conto e eu não recebí/não postei por algum equívoco, peço por favor que me mande o mais rápido possível pra mim editar/substituir tudo, pra não dar confusão. Eu lí a maioria dos contos, e os achei ótimos, a concorrência vai ser fods.

    Chega de lero-lero, vou explicar as regrinhas.




    ESTA SERÁ APENAS A PRIMEIRA FASE!

    Como dar-se-á o processo de votação?
    Você deverá votar nos três melhores de cada categoria. Para votar, você terá que dar pelo menos esses três votos, em pelo menos uma das categorias.

    Mas os votos terão um peso de acordo com o tipo de usuário, sim. Alguns votos terão maior importância.

    Alguns votos terão um peso maior...

    Quaisquer usuários que tiverem menos de 15 postagens na seção contarão 5 pontos para o primeiro escolhido, 3 para o segundo e 1 para o terceiro.

    Usuários que tiverem 15 ou mais postagens na seção Histórias contarão 30 pontos para o primeiro escolhido, 18 para o segundo e 6 para o terceiro. Quinze postes antes do concurso, lembrem-se.

    Os nossos jurados nem votarão nessa fase :o

    Para a segunda fase, os quatro primeiros de cada categoria se classificarão para uma reta final. Nesta, os votos serão majoritariamente dos jurados. Cada voto valerá singularmente, em um valor fixo, e a média total dos votos públicos contará com o peso de um jurado apenas. Daí, os três melhores de cada se definem no pódio. Nesta segunda fase, apenas usuários com mais de 15 postagens na seção terão como participar da votação.
    Mas vai ser assim: dá pra votar em si mesmo. Mas nem valerá pontos. Se você já votou em si mesmo e deseja mudar de voto, a vontade.

    OBS.: esse sistema está sujeito a leve alterações.

    O nome dos autores dos contos não será divulgado até que o concurso acabe.

    Data: o prazo de votações para a primeira fase encerrar-se-á no dia do meu aniversário, 31 de outubro, sábado :riso:

    Os banners de premiação ficaram r0x, mas não sei se vou premiar os três primeiros, ainda :o



    Sem mais delongas... os contos!!!
    PS2: quaisquer problemas com os títulos, me mande MP, não fale abertamente... "ele errou o título da minha história D=".




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    Categoria Tibia
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    Aventura em Fibula


    E lá estava eu, sentado e recostado na parede de nosso quartel-general, na ilha de Fibula. Meu bastão estava apoiado no chão e sua cabeça de mamute na parede, meu escudo jazia aos seus pés.Em minha mão, eu segurava uma coxa de carne de urso, que eu mesmo havia caçado, e ao meu lado uma caneca de cerveja do bar Flagoon’s Landing, onde trabalho.
    Ao meu lado meu amigo Atanvaron bebericava lentamente uma caneca de vinho, enquanto observava o pôr-do-sol e ouvia os primeiros uivares de lobos que saem à noite para caçar.
    -Aahhh! – exclamei - Adoro a ilha de Fibula, mas por aqui não há muitos monstros. Tenho sempre que ir até Thais para treinar.
    -Ah!Você se engana meu amigo – retrucou Atanvaron, tirando uma chave de madeira do bolso e me mostrando - Isso é o nosso passaporte da aventura em Fibula.
    -... Uma chave de madeira?- eu respondi coçando a minha longa barba branca.
    -A chave da caverna de Fibula. Venha-disse puxando-me meu amigo - Vamos dar uma olhada.
    -Certo - disse-me levantando, bocejando e agarrando minhas coisas.
    Caminhamos e passamos perto do bar, indo para a vila de Fibula, pequena, mas que eu, particularmente, sempre achei muito simpática.
    Após cumprimentarmos Eddy, o decorador da vila (que estava vendendo uma caixa enorme pra um senhor), Atanvaron parou perto de um poço e me disse:
    -É aí embaixo. Segure a corda e desça.
    -Aí?
    -Isso. Vai logo!
    Meio desconfiado, desci. Lá embaixo do poço, a corda terminava e uma escada começava, apoiada nas paredes do poço que, surpreendentemente, acabavam.Desci mais, mergulhando na escuridão.
    Surpreendentemente, não havia água no fundo, mas sim terra, que era iluminada com a fraca luz que havia lá em cima. O resto do lugar estava num breu.
    -Utevo gran lux – eu disse, e magicamente, o lugar em volta de mim iluminou-se. – Atan, parece que é uma caverna mesmo!
    -Claro! Não confia em mim, Zuranno? – respondeu descendo e abandonando a escada.
    Entrou na luz então uma aranha. Maior que as comuns, com um tom laranja e manchas verdes no corpo.Seus muitos olhos brilharam refletindo a luz.
    -... Vim aqui pra isso? – eu disse, apontando meu bastão para a aranha.
    Um jorro de luz gélida azul saiu da ponta da tromba do mamute em meu bastão, acertou a aranha no rosto, que bateu contra a parede de terra da caverna e se abriu, soltando seu sangue verde.
    -Isso é o começo, o começo. Paciência cara!
    Continuamos adiante, e mais três aranhas tombaram aos nossos pés.
    Passamos num riozinho dentro da caverna, e paramos numa construção antiga, com uma porta de madeira. Atanvaron introduziu a chave na fechadura e destrancou a porta, abrindo-a.
    Entrei, e vi duas estatuas surpreendentes, de duas criaturas que pareciam dragões.
    Descemos uma escada, e Atanvaron também iluminou o ambiente com a mesma magia que usei anteriormente. Quando descemos, haviam várias portas e esqueletos pelo chão.Um corpo aparentemente morto recentemente jazia ao meu lado esquerdo.
    -Parece que aqui sim teremos um pouco de ação!-disse
    -Venha cá Zuranno.
    Atan abriu a porta ao sul. Entrei e continuamos por um corredor de terá e pedras estreito.
    Quando o corredor se abriu, vi duas escadas levando para o andar inferior, uma de meu lado direito e outra do lado esquerdo. Uma muretinha de madeira estava à minha frente.Coloquei minha mão sobre a madeira e apoiei meu bastão no chão.Meu escudo preso em minhas, olhava tudo ao redor com seu olho, acredito.
    Não conseguia acreditar, ali embaixo, uma cidade destruída e em chamas na minha frente, esqueletos brancos e um vermelho andavam por ali, aparentemente sem notar nossa presença. Ao longe, uma grande bola verde cheia de tentáculos se embrenhava numa casa.Ouvi sua voz gritando, aparentemente contente:
    -Olho por olho!
    -E aí Zuranno – disse Atanvaron – acredita que esse lugar é aventura suficiente para você?
    -Estamos dentro de um poço... – foi tudo que respondi
    -Vê aquele esqueleto vermelho? São os temíveis Esqueletos Demônios, muito fortes. Se algo der errado, corra como nunca.Vamos?
    -Vamos... Utamo Vita – eu disse, e faíscas azuis saltaram do meu corpo, mas aparentemente nada acontecera.
    Descendo a escada, quatro esqueletos nos viram a uns 5 metros dali e vieram para nosso lado.
    Em conjunto, eu e Atanvaron dissemos, olhando para eles:
    -Exevo Frigo Hur! – E de nossas mãos uma enorme tempestade de granizo engolfou e desmontou facilmente os esqueletos.
    -Molinho, molinho! – riu Atanvaron
    -Er... Atan?
    -Que foi?
    -Aquele cara ali parece que não é tão fácil não!
    -Que? – disse ele, mas antes que pudesse responder um jorro de luz verde o atingiu de lado, derrubando-o contra a parede.
    A aparentemente inocente “bola verde” vinha para cima de nós. Em seus 4 tentáculos, haviam 4 olhos, e mais um enorme olho no centro.Disse apenas, com um som que mais parecia uma risada:
    -Deixe-me dar uma olhada em você!
    Eu retirei meu escudo e atingi seu corpo perto do olho com mais um jato de luz gélida. Um dos olhos fez uma expressão de dor, mas ele avançou e soltou mais um jato de luz verde.O jato parou a centímetros do meu corpo e desfez-se em luz azul, deixando o Beholder aparentemente surpreso.
    Apesar de conter aquela magia ter consumido bastante minhas energias, gritei enquanto usava meu bastão mais uma vez:
    -Exevo Frigo Hur!
    -Exevo Frigo Hur!
    O monstro foi engolfado como os esqueletos em duas tempestades de gelo, enquanto Atanvaron ajudava em meu ataque.
    No meio do gelo, a magia do meu bastão acertou o centro do olho do Beholder, que gritou e caiu morto no chão, com seus olhos caídos para fora envoltos em sangue verde.
    -Atanvaron, você está bem? – perguntei
    -Claro. Eu deixei que você o matasse. – ele disse
    - Oh, sim, obrigado. – eu disse com ironia, aparentemente não percebida por ele.
    - Oh, veja! Um dos olhos do Beholder pode ser aproveitado! – disse ele remexendo a sujeira e arrancando (senti náuseas quando ele fez isso) um olho do Beholder e me entregando.
    -Guarde. É caro. – ele disse
    - Errr... Tudo bem – disse-lhe com cara de nojo. Eu envolvi o olho num pano e guardei na minha mochila, tendo o cuidado de afasta-lo de minha comida.
    - Epa! Esqueleto demônio – disse Atan. Ao longe, um esqueleto com os buracos oculares soltando fumaça vermelha, e seus ossos mais vermelhos que sangue, vinha em nossa direção relativamente rápido. – Suba a escada e observe um mestre em ação.
    - Tudo bem.
    Subi e fiquei observando a luta.
    Atanvaron gritou “Eivo Frigo Hur!” novamente, pois esse é um dos poucos feitiços ofensivos que nós dispúnhamos no momento, e acertando a mão do esqueleto com seu bastão. Ele apontou uma runa de Grande Bola de Fogo e tudo em sua volta explodiu, mas o esqueleto não fora avariado, aparentemente.
    O esqueleto acertou a perna de Atanvaron com um chute, e ele gritou de dor. O esqueleto então usou uma magia negra ( literalmente, era uma luz negra ) e antes que acertasse Atanvaron ele gritou “Utamo Vita!” e novamente o feitiço desfez-se em luz azul.Então Atanvaron disse num tom de voz baixo, mas que eu consegui ouvir “Exura Gran” e seus ferimentos desapareceram.
    Ao contrário do Beholder, o esqueleto não deu atenção a esse fato e esmurrou com força aparentemente incomum para um esqueleto, o rosto de Atanvaron, que caiu no chão. O esqueleto foi pisar sobre ele, mas ele defendeu com seu escudo, feito pelos anões de Kazordoon, e derrubou o esqueleto no chão. Ele se levantou e pude ver um filete de sangue no canto de sua boca, que ele limpou com sua mão.
    Com o esqueleto sob seus pés, Atanvaron cravou a ponta de seu bastão no crânio do esqueleto. Um estouro de luz vermelha cegou-me, e quando olhei novamente o esqueleto estava em mil pedaços no chão, e Atanvaron, com ferimentos no corpo, cantava vitória.
    -Certo – disse ele quando o ajudei a subir a escada – Chega por hoje Zuranno. Esse esqueleto aí não foi fácil não.
    -Mas você não é o mestre, Atan? – brinquei
    -Hahaha. Vamos embora tomar uns drinques no bar e voltar.Teremos reunião com o Prince Nuada hoje, esqueceu?
    -Hehe, vamos então. Chega de esqueletos por hoje, disse eu retirando o olho de Beholder da mochila e estudando-o, enquanto nos dirigíamos para a saída.
    Pude jurar que aquele olho piscou para mim.

    FIM
    __________________________________________________ _______


    A Banshee


    “A juventude é plena, repleta de alegria serena,
    Mesmo que venha a trazer tempo,
    Oro aos pés do anjo que me trás sofrimento”.


    Num período antes de nós ou eles que aqui vivem, antes do antes do que conhecemos e sabemos, a família burguesa denominada filha de Thais pregava as estacas do regimento ao rei, a majestade soberana das terras do continente.

    Uma composta árvore de ramificações entrelaçadas que se cruzavam num bosque de sombras – o céu negro de Thais – e pingos d’ouro prateado, morta, vivia em frente da casa de uma família nobre cujo nome não importa.

    Tão entrelaçada era a árvore dos genes da nobreza de Thais quanto à própria árvore que vivia no espelho a sua frente. Havia um pai que zelava em diálogo diplomático, havia uma mãe que cantava os instrumentos com as mãos, e havia um filho que apreciava o nós do espelho da frente de sua família. Numa noite mais escura que empoeirada no cotidiano ascendente dos ferreiros da cidade dos reinos, cantarolava a árvore morta no espelho perplexo da janela do garoto. Ele fitava os troncos que balançavam sem soltar-se e gemiam num canto sombrio, sem som. Era o som das árvores, aquele fervor que sentia quando o vento corria.

    Cantava. Cantava a árvore do outro lado da casa. Dormiam. Dormiam os pais da criança que escutava com os olhos aquela canção do silêncio. Ele olhou com as orelhas, e sentiu o cheiro do vento que corria. Desceu. Desceu até a porta que levava ao espelho do lado de fora. O pijama azulado escorava em seu corpo como garras em carne, como o vento que entrava aos muitos na casa dos nobres de Thais – depois que abrira a porta.

    O som parecia mais intenso para o garoto, os galhos pareciam cantar a melodia que escutava com os olhos quando olhava para o vento, sentia as cores em suas pequenas orelhas e cabelos. Sem mais sonhar ou estar acordado, escutara o chamado cantarolado da árvore que gemia na voz de uma velha janela. Opinou sem pensar pelos passos gelados que passavam por sobre as pedras escamosas das ruas, aproximando-se do curvo tronco acinzentado.

    Ali, seus cabelos de cor castanha já vinham a assumir a cor do preto das sombras – a árvore chamava –, ali, seus olhos de cor do fruto das abelhas já semeava o escuro de um abismo – a árvore chamava –, ali, seus dedos gordos de fartura que já não desejavam tocar já sentiam o prazer da áspera árvore que roncava – o ronronar gélido da voz do silêncio enfim chamava. Sua face não mais se ocultava.

    Antes que a consciência voltasse a tocar a mente desabilitada do garoto, a voz do frio dos ventos tomara forma, atrás da árvore que cantava todas as noites havia uma janela que roncava, era uma janela morta de cabelos de crepúsculo e olhos de alvorada, um mar rasgado que descia por seus ombros num vestido em cortinas era negro de sujo. O som cessou e a árvore estremeceu. A janela que tinha aparência medonha abaixava a lira que escorria por todo o braço esquerdo – esbranquiçado como sem veias –, mostrava o sorriso em torno de um beijo violeta. Não roncava. A lira não roncava, não tinha cordas ou entranhas. A lira não cantava.

    Sem pés a criatura era, suas vestes que recobriam as pernas não apresentavam volume ou o movimento. A aparência monstruosa aproximou-se do garoto flutuando como sua própria canção vazia. Um beijo dera ao garoto, um toque violento de suave nos lábios já congelados da criança. Dois gritos de desespero em ecos profundos tomaram conta dos ares durante alguns segundos. Ela adormeceu durante a noite estrelada – mesmo não estando acordada –, abaixo do manto corrente do negro que borbulha o prateado das estrelas.

    Um suspiro em forma de bocejo descera pela garganta do garoto e permaneceu preso durante algum tempo até que pudesse abrir os olhos para que um mar de cores invadisse seus pensamentos entrevistos. Levantara-se da cama em sentado, ficando apoiado usando o braço como coluna numa ligação das pernas à cabeça. Bocejara tremendo as mãos. A alvorada reluzia trêmulo pelo vitral da janela como orvalho em laranja. A preocupação tapara seus ouvidos por alguns segundos enquanto lembrava-se da canção das árvores tortas e o que se escondiam atrás delas – as fadas negras, as banshees.

    Um frio desalmado correra por toda a extensão de sua espinha quando levantara os braços lentamente tentando apanhar algo que não estava lá. Uma melodia invadira seus pensamentos assim que a sensação do silêncio dolorido escapara. Era sua mãe cantando com as mãos, puxando as cordas de um alaúde para que a canção soasse divina como o próprio canto do rouxinol. Descera o garoto pelas escadas soando velhas e estalando com a poeira formada acima de sua extensão escura de madeira, quanto mais descia, maior era a sombra da falta de janelas e mais relevante era a canção das mãos de sua mãe.

    Lá estavam – ao lado do par de mesas e cadeiras feitas pelas mãos de um exímio carpinteiro – três malas cor-de-musgo, surradas como o próprio mar abatido. A portadora das mãos cantantes estava escorada na mesa redonda pela parte da cintura, sem se importar com a sujeira invadindo a parte posterior de seu vestido verde como a própria floresta. Carregava o instrumento velho de cordas tortas em frente aos seios, usando as mãos lentamente para escolher cada uma das notas. Sorriu. Lá estavam as malas, lá estava sua mãe. Logo atrás da imagem melódica haviam duas portas adornadas pela sujeira dos tempos por onde a alvorada laranja podia passar e tocar o piso gélido, refletindo para as paredes escuras de encardidas, e lá estava seu pai, carregando livros e papel.

    Onde iremos? Perguntara o garoto apoiando-se com os cotovelos em uma das mesas, prestando atenção aos movimentos exatos de sua mãe. Ao novo mundo. Iremos em nome de nosso senhor. Os finos lábios da mulher se abriram lentamente como imãs de um mesmo pólo, revelando os dentes esbranquiçados como a própria neve. Ao novo mundo? A cidade dos pântanos? Reformulara a pergunta enquanto passava lentamente a mão pela nuca. Sim, Venore.

    Diplomatas era a família, estudiosos pelo rei – corrupto ou não, certo ou errado –, estavam no grupo definido pelas ramificações da escala real. Iriam eles para Venore – a terra recém descoberta de rei Tibianus – em uma missão como qualificados eram, definir os acordos da diplomacia entre os dois povos. Até a embarcação recém limpa caminharam, cães vagavam como perdidos apanhando com os dentes pardos a carne suja das aves que decaiam os céus, alimentando-se dos restos de lixo daqueles que o ateavam no decorrer das ruas, imploravam por comida, rastejando as pernas com uma imensa vontade de desistir da vida enquanto as moscas rodeavam seus olhos. O garoto se estremeceu enquanto subia a bordo da embarcação, ele olhou para o horizonte tentando entrever sua casa mais alta que a maioria. Lá estava a banshee, observando por aqueles que iriam consigo.

    “A morte sempre é bem vinda aos cantos do poeta,
    Mas é cruel quando se pode ver na ponta de uma flecha”.

    Um som estrondoso ecoou em conjunto de uma corneta quando a embarcação fora parando contra a areia escura das terras de Venore. Estavam no porto das pedras mal posicionadas onde o calor era quase insuportável. Comerciantes estavam por todas as partes vendendo objetos de todos os tipos. Ainda era possível prestar atenção aos ruídos de armas atrás da grande cortina de sons da multidão, os guardas de Thais estavam presentes na tentativa de conter um ataque dos comerciantes que apenas entregariam seu reino de moedas depois de mortos.

    A mão pesada do pai da criança ocupava seu ombro direito enquanto passava apressado em meio das diversas faces que ali estavam presentes. Foi quando quase involuntariamente, um grito assustador atravessou todos os outros sons como um machado, cortando tudo num decadente silêncio até que um homem de longa barba marrom se deixara cair pelas pernas curvas. Uma flecha atravessava suas costas como uma bandeira da morte. O garoto lembrou-se do grito da banshee no mesmo instante. Dois dias, dois gritos. Talvez a lenda surtisse efeito.

    Três homens de aparência jovem e rugosa saltaram de trás do gigante abatido, caminhando por sobre mesas improvisadas e bancadas quebradas apanhando adagas e machados feitos de madeira molhada, quase quebradiços. Vão embora, homens de Thais! Esta terra é nossa, e nunca venderemos nossos costumes! Foram as palavras do rapaz que estava à frente dos outros, tinha o nariz longo como as orelhas, enquanto seus olhos amendoados eram menores que um morango. Os nobres soldados do povo dos reinos sacaram espadas, lanças e escudos um a um lentamente, preocupados visivelmente. Grande parte dos homens era jovem e tinham medo de lutar num combate fechado como o que estava se armando aos poucos enquanto a multidão reagia com passos curtos.

    Não havia muito que decidir após a manifestação. A defesa fora inevitável. Correram os pais e a criança que buscavam por uma planície sem corpos ou flechas cravadas na terra amontoada. Correram e correram em meio das cores cinzentas e avermelhadas que rabiscavam os giros de imagem da criança. Não chorava, mas não podia deixar de sentir um temor terrível. Jogado então contra a parede fora, seu pai o obrigara a sentar-se ao lado de uma casa de tijolos esverdeados, tapando seus olhos com as mãos grandes que tinha. Não via. Não veja nada, meu filho. Não veja. As palavras de seu pai com o tempo foram se apagando, o som dos gritos foram sendo trocados por grunhidos de aves e gotas caíam sobre sua cabeça o tempo todo. O som todo cessou, mas não sua respiração redundante.

    Os olhos do garoto já formigavam e causavam uma sensação de desconforto em torno da face quando ele resolveu retirar as grandes vendas que cobriam seu ponto de visão. Ao voltar a cabeça para entrever o pai, notara que o toque gelado que tocava constantemente sua cabeça era sangue. Sangue que corria pela flecha atravessada no pescoço de seu pai. Ficara pasmo, fitando a cena durante minutos a fim, até que um pássaro voasse atrás de si ecoando o som do alaúde de sua mãe. Fora com os quatro membros de suporte do corpo até o instrumento ateado no chão ao lado de vários cadáveres degolados ou mutilados. Ele o apanhou com as lágrimas presas no brilho de seus olhos e caminhou. Caminhou com o alaúde entre as mãos em busca de algo que não imaginava. As pessoas não estavam em lugar nenhum, as poucas que surgiam estavam correndo para suas casas com itens roubados em mãos. Fora um verdadeiro massacre.

    Horas depois, sentado aos pés de uma estátua angelical de mármore forrado com pedras negras, implorara. Oh, estátua do anjo, oráculo. Imploro-lhe! Não permita que o som do silêncio venha a me matar. Afaste-me da banshee, oh, oráculo. E durante horas ele seguiu ajoelhado diante da figura esculpida, até que por sonho ou não, a estátua respondera. Pobre, pobre criança. Posso impedir que morra, mas não posso impedir que o matem. Dá-me tua morte como tributo, e nunca terá direito ao descanso eterno. Desesperado, aceitara. Entregar a morte e não a vida parecia ser um trato que o favoreceria. Parecia.

    Depois do segundo grito, a banshee nunca cessou a procura por aquele que marcara com um beijo, e o garoto nunca pôde entregar sua vida aos deuses que o amaldiçoaram com a vida eterna, perseguida pela dor da janela que gemia. Pobre garoto, todas as noites podia escutar o chamado da fada por trás das árvores, escorado em quartos de taverna por mundo a fora em busca de algo que o livrasse da maldição da banshe. O que fazer?

    Hoje, já velho de imortal, o homem ainda procura por alguém que o livrasse da maldição, matando-o ou arrancando o beijo da fada, procurando por uma cura nas florestas de Ab’Dendriel ou na ilha de Rookgaard.

    Seria alguém capaz de ajudar um amaldiçoado?

    __________________________________________________ _______
    Desgrama


    Troll, troll, Jim o troll. Do pouco que sabia de muito continuava, de quem lhe bem-dizia, pouca gente confirmava. Lá no pântano de Vê vivia, dia após dia, catando mato e cuspindo verde por aí. Pouca gente sabe do que se passou mas eu vou falar agora mesmo.
    - O, o, que que é isso aqui?
    - Mato filho. Tô catando.
    - O, o, tio, que você tá fazendo aí?
    - Mato, filho. Tô catando.
    - O, o, tio, que que isso tio?
    - Vai te catar!
    E matou o moleque. Assim que era com ele. Quem tava na hora viu tudo, pra eles tudo isso é comum. O cara surtar? Surta mesmo, pra você só ficar longe! O troll voltou a catar grama e parou pra pescar alguma coisa. Noite. Nisso que pula um peixe pra fora d'água, sem nem pedir.
    Parecia um peixe normal, mas no que ele foi ver não tinha nada de normal. O peixe brilhava que nem o sol. Cada escama tinha uma cor diferente, quando ele olhava de cada lado virava outra coisa. Azul, rosa, cinza, vermelho, branco, amarelo, e muita cor que nem de peixe era. Deu verde e arco-íris adoidado, e quanto mais o troll olhava mais o peixe ficava estranho... e o peixe sumiu! Depois de brilhar tanto só ficou as escamas ali no chão, parecendo vidro quebrado. Ele foi pra perto ver que diabo era aquilo, e aí ele botou a mão naquele restinho...

    Passou.

    Passou a mão inteira pro outro lado. Atravessou'chão.

    - Mas que... por mas mas que...

    Antes de mais balbuciar, já tinha se destrambelhado de todo pra dentro do espelho. Caiu de olho fechado - se é que caiu, se é que tinha olho fechado, se é que... Ok. Deixe-me explicar. Ufa. Quando ele atravessou, ele "abriu" os "olhos" e "viu" onde estava. Pronto. Mas boto tudo entre aspas porque as coisas estavam muito mudadas. As coisas tinham cores que ele nunca viu antes, nem naquele peixe de lá. Olhou pras suas mãos e elas não tinham mais pêlos. Ele estava rosa e sentia algo estranho na cabeça, e percebeu que estava sentado. Agora: esse é o tipo de situação onde você não pode ficar sentado. Ou você deita ou sai correndo gritando de pânico, e foi isso que ele fez. Saiu correndo pelo pântano.

    Só que agora, nem pântano tinha mais. Ele percebeu que estava enjaulado. Dentro de paredes de concreto, com só uma porta a sua frente. Nessa hora, ele nem lembrava mais do peixe. Pensou que tinham envenenado e armado pra ele. Pensou que tinha morrido, ou que estava sonhando. Uma tela brilhante, um monte de brinquedos, nada daquilo fazia sentido. Lembrou do menino, e aí que a porta se mexeu. Abre abre abre abre...

    - Você tem que superar... se arruma. Tá atrasado. Vamos.

    Falou isso uma mulher muito bonita, tão bonita que troll tinha esquecido de gritar. Nem pensava mais em fugir. Ele só pegou uma mochila que estava por ali, e seguiu a mulher... meio que por instinto. "Isso não é instinto de troll" pensou ele. "Nada aqui é de troll, pra falar a verdade"

    Seguiu a mulher e depois de ter visto tanta coisa estranha só deitou numa cama móvel que ela tinha, pra descansar a vista. Quando acordou, já estava na frente de um lugar bem maior. "Essa deve ser a prisão definitiva" ele pensou. "Jogaram muitos trolls como eu por aqui, eu vejo eles entrando. Mas por quê?" Do lado dele a mulher perguntou "Você está passando bem?" Como assim? Essa era a prisão mais estranha em que ele já tinha ido. Raspam a gente, zoam nossos olhos, e ainda perguntam se a gente está bem...

    Saiu da cama móvel num pulo e entrou no lugar. Seguiu pra onde todo mundo parecia ir. Subiu as escadas e entrou na jaula de uns veteranos, que foram muito simpáticos com ele, assim do nada. Ele sentou ali num canto, e nisso ficou quieto.

    - Oooooi!

    Chegou essa coisa pequena muito feia, já agarrando e se esfregando nele. Aquela prisão era estranha, ele era novato, mas ele não podia virar mulher na cadeia. Já sabia como essas coisas funcionavam. Empurrou a coisinha com tudo, dando uma bicuda no meio da cara. Caiu no chão duro, de barriga pra cima e da boca sangrando. - Rá! Quem mandou!

    Bem, ninguém mandou mas mandaram ele sair da cela, quase que na mesma hora. Muita gente que era rosa ficou branca, e um troll que não perdeu a cor - "sortudo, deve ser o chefe daqui." - começou a gritar um monte de coisas sem sentido. " Como você faz isso com sua namorada? Mas que... vocês brigaram? Cara, isso vai dar cadeia... alguém chama a ambulância! Rápido! Você é louco...". Ele percebeu que tinha que sair rápido de lá: se a cadeia fez isso com a cabeça do cara, imagina o que faria com a dele!

    Então ele saiu da jaula, e ficou ali nos corredores do segundo andar. Estava achando aquilo um saco, e se tivesse percebido que matar um zé mané qualquer ia dar tanto problema só teria respondido: Que desgrama, filho, que desgrama.

    ***

    Ficou sentado ali olhando pro céu, lembrando dos seus tempos de detento nas torres de Venore. Muito melhor. "Pelo menos eles tinham ratos por lá." Viu um pouco de grama ali numa varanda, sem grade sem nada, a uns dez metros do chão. Troll, troll, troll, Jim o troll. O que você fez? Eu lembro de você lá nos pântanos, dia após dia, e olha agora onde você foi parar. Meio que pra descontrair um pouco, ele começou a se equilibrar lá na borda, catando um pouco do mato.

    - O, o, que que isso aqui filho?
    - Mato. Tô catando.
    - O, o, filho, que você tá fazendo aí?
    - Mato, tio. Tô catando.
    - O, o, tio não! que que isso de "tio"?
    - Vai te catar!

    João, 18 anos. homicídio, suicídio.
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    Luzir
    Uma pequena epopéia Rookgaardiana






    E uma estrela cadente cruzou o céu.

    Não uma qualquer, mas uma rápida, veloz, com o brilho tão intenso que seria capaz de ofuscar qualquer corpo que tentasse se opor em sua sublime trajetória.

    Uma pena ter desaparecido tão rápido.

    Alguns aventureiros tiveram a honra de quase a ver, mas tudo o que sentiram foi um repentino clarão, e a confundiram com um relâmpago ou qualquer outra coisa.

    No entanto, do cume de uma montanha à nordeste de Rookgaard, talvez um dos pontos mais altos de toda a ilha, o espetáculo pôde ser visto de perto. E o ancião Hyacinth foi o único homem a ser agraciado com a visita da estrela.

    Mesmo sem saber se o que via era real ou não, desejou. Suas palavras foram sinceras, ditas em um tom de voz suave e acolhedor, embora quase inaudível, de forma que apenas as paredes rochosas da montanha puderam ouvir seu mais sincero desejo.

    E então a estrela sumiu.

    ***

    Era uma bela manhã, e Sandro Dalarian acordou com o cântico dos pássaros e o suave farfalhar das folhas que caíam no outono. Era em momentos como aquele que a certeza de que Rookgaard é o lugar mais calmo e aprazível de todo o Tíbia se confirmava.

    Sandro morava em um casebre rústico na parte sudoeste da ilha, um pouco distante de tudo e todos. Fazia parte de um diminuto grupo que podia chamar aquela cidade de lar, e se orgulhava disso, contrariando a opinião pública. Desde que decidiu tornar-se cidadão daquele pacato lugar, sofreu preconceito de diversas partes. Os patriotas, por não servir às potências do Grande Continente. Os aventureiros normais, por ser um tolo que não almeja desfrutar as aventuras que o espera mundo afora. Todos tinham um motivo.

    A verdade é que Rookgaard é uma cidade que desde o princípio é tida como um lugar para se passar, e não para se ficar. Muitos a vêem como um simples treinamento para guerreiros antes que eles possam ingressar nos batalhões das cidades do Grande Continente, onde o real perigo se escondia. Na verdade, todos pensavam assim.

    Todos exceto os rookers, pessoas que a escolheram como morada e não como caminho.

    E Sandro, talvez um dos mais respeitados deles, estava terminando o seu desjejum e se arrumando para sua caminhada diária ao centro da cidade, onde os pequenos eventos costumavam acontecer (até porque Rookgaard não possuía grandes eventos).

    A estrada era singela, de terra, adornada com flores, árvores e arbustos pela própria natureza. A caminhada foi serena, calma, e Sandro passou por alguns animais graciosos e alguns aventureiros perdidos. Como sempre acontecia.

    A Praça Principal era um pouco tumultuada, mas muito mais pela falta de espaço do que pela concentração de pessoas em si. O comércio, as gritarias de Dixi e os sempre presentes aventureiros perdidos (que podiam ser encontrados nos mais inusitados cantos da ilha) contribuíam para isso.

    Sandro passou rapidamente por ali e rumou um pouco para norte, onde se localizava a taverna de Norma, ponto de encontro dele e de seus amigos. Estavam quase todos lá, e saudaram-no com entusiasmo. Suri estava sentado em um banco em frente ao balcão, tomando um pouco de vinho, e entrou em êxtase quando o viu, com seu jeito espalhafatoso. Bradock, ao lado dele, manteve-se sentado, e o recebeu apenas com um sorriso convidativo. Ambos eram habitantes de longa data da ilha, e dificilmente podiam ser vistos tão alegres (cada um à sua maneira).

    - Nossa, gente, tudo isso é alegria por me ver?

    - Sheng está aí – disse Bradock, seco e sem rodeios, enquanto apertava a mão de Sandro.

    - Sheng, o aprendiz? – perguntou ele, espantado.

    - Ele mesmo – respondeu Suri. – Alec acabou de confirmar, mas teve que sair para resolver uns assuntos. – Sheng era um monstro que se auto-denominava aprendiz do poderoso Minotauro Feiticeiro, e aparecia de tempos em tempos em Rookgaard, não se sabe exatamente por quê. Diz que guarda segredos de seu mestre, e que a ilha se tornará deles. Mas sempre acaba derrotado por algum rooker e volta para onde quer que tenha saído.

    - Eu vou até lá – disse Sandro, decidido, esperando alguma negativa.

    - Sim, nós sabemos – disse Suri – E não vamos te impedir.

    - Achamos que você está enfim preparado – completou Bradock.

    Os dois pareciam já ter discutido aquele assunto suficientemente consigo mesmo.

    - Nossa... Então já estava tudo preparado para essa hora e só eu que não sabia?

    - Exato.

    Aquele foi um dos diálogos mais rápidos que os três já tiveram antes de Sandro partir para o norte, fora da cidade, onde se encontrava a caverna que o minotauro habitava. Seus amigos não o acompanharam, e ele preferiu assim. Na verdade, ambos já sabiam que ele preferiria assim. Queria matar o monstro sozinho, sem ninguém por perto, e viver a solitária glória.

    Desejaria apenas a presença de uma pessoa, mas que infelizmente não poderia estar lá.

    Passou pela ponte que separava a cidade dos territórios além dela, e Dallheim, guarda da ponte, percebeu a tensão em sua face.

    - Está tudo bem, jovem cavaleiro? – perguntou ele, colocando sua grande lança em seu caminho.

    - Melhor impossível, Dal. Agora, deixe-me passar, que depois eu te conto tudo. – empurrou a lança para o lado e começou a correr.

    Passou por um pouco de floresta, não muito densa, e entrou em uma caverna de corredores estreitos e escuros. Retirou de sua mochila uma tocha para iluminar o local, e segurou com a outra mão sua espada.

    Aqueles eram momentos de tensão. Sandro chutou para os lados alguns ratos e aranhas que habitavam a entrada do lugar e se deparou com um trasgo – medonho para a maioria dos aventureiros – mas fraco para ele. Com apenas dois movimentos, cortou o monstro ao meio, que tombou ao chão como uma pedra gigante, ecoando por toda a caverna.

    Conforme descia para os andares mais inóspitos e profundos, encontrava monstros cada vez mais fortes e horripilantes, mas sempre matava-os com certa facilidade. Chegou a um labirinto repleto de lobos e ogres, e teve a certeza de que o momento se aproximava.

    Levou algum tempo para encontrar a saída, e avistou uma desgastada escada de madeira. Desceu-a e o que viu foram mais lobos e ogros, mas agora haviam também minotauros.

    Depois de, com um pouco mais de dificuldade, liquidar todos, chegava a derradeira hora.
    Uma escada de mármore manchada de sangue levava ao que chamavam de “Inferno dos Minotauros”. Desnecessário explicar a razão.

    Sandro respirou fundo e uma golfada de coragem encheu seu coração. Desceu a escada brandindo sua espada, com um grito de guerra monumental.

    Logo num primeiro momento, se viu cercado por inúmeros minotauros, todos enfurecidos. Jogou sua tocha em um deles, que queimou e tombou ao chão, mas ainda havia muitos. Foi aí que sentiu uma rajada azul de energia o atingindo em seu peito, e pôde perceber Sheng vindo em sua direção. Em um único golpe, cortou superficialmente três minotauros, e conseguiu se desvencilhar para ver a fera.

    Tinha mais de dois metros e meio de altura, sendo um pouco maior que os demais minotauros. Possuía uma pelugem vermelha sobre a cabeça, que se assemelhava a um cabelo humano e descia até sua lombar. Segurava um imponente cajado mágico e tinha o corpo todo tatuado, com inscrições e símbolos que Sandro não conseguia decifrar.

    Seu momento de contemplação foi interrompido quando dois minotauros o ergueram e o arremessaram contra a parede, o que o fez deixar sua mochila com mantimentos e poções de cura cair no chão. Arrastou-se para tentar pegá-la, mas um bando de hienas apareceu não se sabe de onde e devorou-a. A batalha estava muito mais dura do que se imaginava.

    Sandro, contudo, não desistiu. Com alguns movimentos de espada, conseguiu facilmente feri-los e faze-los bater em retirada. Agora, só restava ele e Sheng. A fera manteve distância, e atacava com rápidas rajadas de energia e de fogo. Algumas eram absorvidas pela cota de malha que o aventureiro usava; outras acertavam-no em cheio. Mas o Aprendiz era fraco, de pouca resistência, e sem a proteção dos minotauros logo caiu ao chão, com um urro de dor.

    Sandro ajoelhou-se, fincando a espada no chão como forma de apoio, e contemplou o chão ensangüentado da caverna. Pensou que sua aventura havia chegado finalmente ao fim, e que a partir daquele momento poderia considerar-se um verdadeiro rooker.

    Mas o que aconteceu a seguir foi inacreditável.

    Ainda de guarda baixa, ajoelhado, ouviu um som que parecia o de uma porta destrancando. Espiou sobre os ombros, mas tudo o que via era uma escuridão profunda. No entanto, um novo barulho surgiu, rítmico e crescente.

    Quando Sandro percebeu que eram passos já era tarde demais. Até hoje não sabe se o que o apunhalou pelas costas foi uma porrada ou uma nova rajada de energia. O fato é que, depois disso, uma ofuscante luz surgiu e ele não se lembrou de mais nada.
    ***

    Alguns dias haviam se passado desde o misterioso ocorrido. Sandro havia acordado em sua casa, com as feridas completamente saradas e como se nada tivesse acontecido. Contou sua aventura para todos os seus amigos, que acreditaram e o apoiaram (talvez por causa do vinho, mas isso não vem ao caso).

    Naquele exato momento, contudo, ele estava solitário na orla de Rookgaard, em frente ao túmulo de Khone.

    Sandro era seu melhor amigo, e o viu morrer em seus braços, há exatos oito anos, por uma doença desconhecida. E ainda não havia conseguido superar essa dor. Jogava flores em seu túmulo, quando sentiu alguém aproximando-se.

    Era Hyacinth.

    - Lembro-me dele como se fosse ontem – disse o eremita, com sua voz rouca e impactante, apoiado em uma rústica bengala.

    - Eu também... – ratificou Sandro, ainda olhando para o mar, com a vista sobre o túmulo – Está vendo aquela ilha? – apontou para uma ilha envolta por fogo – Khone dizia que um dia chegaria até lá, e que encontraria os mistérios mais profundos de Rookgaard.

    - Era um sonhador...

    - Eu acreditava nele.

    Eles não trocaram mais nenhuma palavra. Hyacinth apenas repousou flores em seu túmulo, e ficou a fitar o horizonte ao lado de Sandro. Os dois viram o pôr-do-sol juntos, em uma tarde em memória de Khone. E, de alguma forma, o jovem rooker entendia que aquele encontro estava intimamente relacionado com sua misteriosa sobrevivência na cripta do minotauro.

    A chama rookgaardiana ainda estava acesa, e a ilha ainda veria inúmeras aventuras que seriam contadas nas próximas gerações por bardos e falariam de amizades, minotauros e espadas. Como a que acaba de ser contada.

    E uma estrela cadente cruzou o céu...

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    Relógio


    O sol brilhava estranhamente forte naquela manhã de Rookgaard. Os raios penetravam facilmente os frágeis telhados dos estabelecimentos da ilha. No entanto, não fazia tanto calor. O ar estava úmido e uma leve brisa vinda do oceano soprava. A bela manhã ensolarada não era esperada, ventos frios e chuva ao fim da tarde eram mais prováveis. Nem sempre se acertava tudo. Por isso mesmo que já não se acreditava em bolas de cristal e nem em bruxas sabe-tudo, o mundo não funcionava com previsões. Um surto qualquer podia mudar tudo, finalizar um ciclo, dando início a outro totalmente diferente.
    O clima favorecia o mercado daquela cidade, sem a chuva, mais pessoas saiam nas ruas a passeio e sempre acabavam se deparando com vendinhas. Negócio bom, de qualquer tipo de coisas, desde armas até utensílios velhos. A grande verdade é que nada ali tinha muito valor. Aquela ilha era limitada em tudo, em recursos e até em pessoas. Volta e meia um alguém novo aparecia por aquelas bandas, se fazia um estardalhaço e logo depois tudo voltava ao normal.
    Um daqueles adereços chamara a atenção de um homem muito alto que se postara a observá-lo. Ostentava um belo circulo de ouro com uma pulseira arredondada que encaixava com perfeição no pulso. Dentro dele, protegido por um vidro arredondado, duas setas, uma longa e outra mais curta giravam proporcionalmente.
    — O que é isso? — perguntou enfim.
    — Isso? —a vendedora segurava o objeto em suas mãos. — Isso aqui é um relógio.
    Ele ficou admirado.
    O objeto havia lhe trazido uma curiosidade tamanha que ele seria capaz de tudo para saber seus segredos. Seu barulho ritmado dava o tom das idéias daquele senhor. Há muito tempo não sentia tanto prazer, tanta ânsia em descobrir algo. Seu coração ganhara um novo motivo para bombear o sangue para seu corpo, havia sentido em seus esforços em bater e bater.
    Visceral fora sua inspiração que este se divertia até mesmo com o tic-tac infernal do objeto. Será que servia para descobrir novos tesouros? Ou seria um místico talismã?
    Um sonho distante relampeava bravamente em seu eu interior, algo incrível emanava dali. Uma coisa tão magnífica e ao mesmo tempo tão simples. Jamais havia visto movimento assim antes, nem mesmo nos mais incríveis utensílios que havia coletado em suas empreitadas.
    Sua vida nunca tivera grandes aspirações. Os anos que passava contavam os passos para um fim sem grande vislumbro. Uma existência inútil. Sempre com um vazio tão lamuriante. Vazio este que tinha sido preenchido por aquele objeto. Tão bizarro a seus olhos, totalmente diferente dos outros comuns objetos, estáticos e igualmente vazios. Aquele ali nas mãos da vendedora tinha vida, vibrava e podia morrer, como ele.
    A morte naquele momento parecia algo singular, coisa de gente. Coisa de relógio.
    De súbito ele pergunta.
    — Pra que serve?
    A moça entretida com os vários clientes que se interessavam veemente por outras coisas, bobas demais para chamar a atenção daquele senhor. Finalmente ela conseguiu responder:
    — Serve pra você ver as horas.
    Um sorriso desenhou-se em seu rosto. Ele ficou estático, assim como o sangue que corria por suas veias. Seu coração desacelerara rapidamente. Sentiu um calafrio estranho subir por sua espinha. Seu corpo suava, mas ele não sentia calor, na verdade estava frio como uma pedra.
    Por mais simbólico que pudesse ser a expressão em sua face, ela havia sido falsa. Tão falsa quanto os ponteiros, que giravam e giravam sem mostrar nada. As horas não passavam de meras marcações inválidas e incorretas. Logo o tempo, o seu maior inimigo! Aquele objeto tão perfeito era comparsa do seu maior rival, da única coisa que derrubaria aquele velho guerreiro.
    — O senhor vai querer comprar? — indagou impaciente a vendedora.
    — Não, porque eu iria querer uma coisa tão inútil como essa.
    Ouviu a moça gritar-lhe nomes horríveis, mas pouco ligou.
    Caminhou rapidamente pela cidade e viu os corredores se multiplicando. As horas o aprisionaram. Olhava ao seu redor e via mortos caminhando. Pois se afinal todos morreriam, então porque não dizer que todos já estariam mortos. Era como uma sentença, uma prisão perpétua.
    A vida tinha sido repleta de batalhas. Havia viajado para outros continentes, matado dragões gigantescos, demônios e até outros homens, tudo que havia cruzado seu caminho e o desafiado tinham morrido. Achava que seu vigor era eterno. Mas enfim, havia concluído que nunca poderia vencer seu maior inimigo.
    Depois de alguns meses a cidade de Rookgaard ficou sabendo do velho homem que morrera só, num casebre longe do centro. Naquele ser de porte alto e de bela fisionomia sempre existira um relógio. Com ponteiros mais velozes do que os vistos na vendinha. Nele, o tic-tac era eterno, ao menos eterno enquanto durou. Ele não passava de um objeto.
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    Sem Título - Tibia


    Há muito e muito tempo, quando a cidade de Thais, a magnífica e gloriosa, ainda era um pequeno vilarejo campestre onde os seus moradores dividiam espaço com o mato que crescia indiscriminadamente e com os ruminantes que ali estavam para devorá-lo, viviam dois irmãos.

    Órfãos de pai e mãe, eles eram muito queridos por toda a cidade, especialmente o mais novo, que apresentava uma doença muito grave e que o tornava muito frágil a qualquer infecção, atribuída por todos os curandeiros como uma terrível maldição imposta por Zathroth, o deus do mau.

    Infeliz pela sina do irmão, o mais velho pôs-se a procurar qualquer tipo de medicamento ou magia que pudesse curá-lo, mas sem sucesso. Se havia algo que podia retirar o encantamento de um senhor do mau, diziam, era uma benção ainda mais poderosa de um deus do bem.

    Mas aquilo era presunção demais, pensava o mais novo. A benção dos deuses só era concedida por métodos tão fantasiosos que beiravam o lendário. Dentre eles talvez a história mais tangível fosse a da Fonte Mágica.

    Diziam os anciões que abençoados por toda a vida seriam os que tivessem seus caminhos cruzados com uma misteriosa fonte na qual Banor, o semideus, certa vez teria se banhado. No entanto apenas os portadores de um desconhecido sinal divino teriam o deleite de encontrar a Fonte Mágica. Não havia, portanto, o que fazer, a não ser torcer para ter sido um escolhido. Ou assim pensava o mais novo.

    O mais velho, inconformado, resolveu desafiar o destino. Pegou uma carroça, um velho burro e obrigou o irmão a ir, junto consigo, encontrar a fonte. Um grande número de moradores preparou na noite anterior à sua partida um bom jantar para eles, certos de que seria a última vez que veriam os dois irmãos.

    A partir do dia seguinte, sentados na madeira dura daquela velha carroça, cruzaram o mundo. Sem temer as garras dos demônios que, como diziam as velhas lendas, os esperavam logo após o que era visível da janela mais alta da torre mais alta da cidade de Thais, aventuraram-se em terras estranhas e viveram muitos perigos.

    Conheceram de perto as outras raças de seres pensantes, das quais eles só haviam ouvido falar, especialmente nos livros que seu pai lia para eles antes de dormirem, como os ciclopes, os anões e os elfos. Mas como a vida não são só flores, também passaram maus bocados e por vezes lutaram bravamente com seres das trevas que ressurgiam de suas tumbas para assombrá-los e com os terríveis ogros que Banor um dia passara ao fio da sua espada. Muitas vezes, contudo, a fragilidade do irmão mais novo os impedia de ganhar as batalhas e tinham de fugir.

    Foi durante uma dessas fugas, na qual o irmão mais velho ficou especialmente ferido, que eles brigaram entre si pela primeira vez. A partir daí as desavenças não pararam mais. O mais novo, vendo todo o esforço que seu irmão fazia por ele, pedia constantemente para que voltassem; falava que Uman, o deus da criação, já havia sido deveras generoso com ele por ter lhe dado um irmão de tanto valor, mas o mais velho refutava, argumentando que não temia os perigos.

    Mas o mais novo tomou sua decisão. Foi pensando na morte do seu venerado irmão que poderia vir em qualquer uma das próximas batalhas que certa noite ele o deixou para trás, dormindo na carroça.

    Pela primeira vez sozinho no mundo, o mais novo procurou um lugar para se abrigar e encontrou uma velha gruta. Ainda choroso e desalentado, ouviu vozes o chamarem. Percebeu então que atrás de si há dois magos cobertos por capas brancas e, um pouco mais adiante, a tão sonhada fonte. O acaso havia o levado até lá.

    Isso, no entanto, não significaria que ele poderia banhar-se nela, disseram os magos. Não havia nele o sinal dos escolhidos de Banor, mas sentiram bondade no rapaz e o concederam a oportunidade de se juntar a eles e tomar conta da fonte até que os deuses decidissem o que fazer. Eis que novamente o mais velho entra em cena.

    Feliz por encontrar de uma só vez o irmão perdido e a Fonte Mágica, atacou os dois magos com a perícia que os últimos tempos o haviam lhe ensinado e os humilha em combate. Mesmo aos gritos do mais novo, pedindo para que parasse, deixou os adversários agonizantes no chão e ordenou que ao irmão que se banhasse na fonte.

    Com um misto de medo e uma cautelosa satisfação, o mais novo obedece. Joga-se nas águas límpidas e ao sentir as gotas roliças tocarem seu peito, escorrendo suavemente pelo queixo e pelos lábios, morre.

    O mais velho se desespera. Tenta a qualquer custo reanimar o irmão, mas não consegue. Ouve então um dos magos agonizantes falar:

    - Você, jovem tolo, pode trocar de lugar com seu sofrido irmão. Dê sua vida em troco da dele banhando-se na fonte e os deuses o perdoarão! Mas devo alertá-lo que você não morrerá de imediato; oh, não, isso seria bom demais! Seu irmão era muito frágil e doente, mas você, saudável, há de resistir para penar até a morte por ter usado da fonte sem ser merecedor.

    E a escolha do irmão mais velho foi feita. Banhou-se na fonte e sentiu o poder dos deuses correndo em sua veia. A vida do mais novo, a partir daquele dia, foi longa e venturosa, sem que ele jamais soubesse que apesar de todas as desavenças e brigas o amor fraternal havia feito o seu irmão salvar-lhe a troco da própria felicidade, como estava disposto a fazer desde o começo.
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    Simpatia pela Tempestade



    A chuva caia fina, quase imperceptível. Os ventos, no entanto, sopravam ruidosamente, provocando a agitação de grandes árvores e tornando aquele dia nublado ainda mais sombrio.

    Fardelu torcia as mãos e portava semblante preocupado. Enquanto caminhava na direção de Carlin, parando constantemente para reler a carta amassada que trazia consigo, refletia sobre a real necessidade daquele embate que estava prestes a travar. A barba grisalha e a espada desgastada que levava nas costas evidenciavam sua experiência no combate corpo-a-corpo, porém a confiança nunca fora sua amiga.

    Retardou os passos assim que avistou algumas construções, incluindo o castelo governado pela Rainha Eloise – erguido imponentemente ao leste. Pela primeira vez na vida, enquanto observava o tremular de bandeiras hasteadas, admirou sua cidade natal e desejou mais tempo para apreciá-la.

    Assim que chegou ao rio que margeava o lado nordeste de Carlin, guardou a carta dentro de sua bota, agachou-se e molhou o rosto. A evidente preocupação desapareceu de sua face como se tivesse sido levada pelas águas plácidas. Decidido e preparado, levantou-se em um rápido movimento, ignorou a entrada da cidade e rumou para o cemitério que ficava ao lado, em frente a um pequeno grupo de árvores.

    Após alguns minutos, o caminho de pedras irregulares deu lugar a uma trilha de terra batida que adentrava no terreno. Dois imponentes álamos, um de cada lado, guardavam a passagem.

    – Você está atrasado – arguiu Aegos. O jovem de expressão sisuda e olhar profundo esperava-o sentado sobre uma lápide.

    – Passei por contratempos... – respondeu Fardelu em tom vago.

    O terreno era pequeno e retangular, possuía uma trilha de terra no centro, grama bem cuidada aos lados e baixos muros de pedra. Todas as lápides tinham o mesmo tamanho e forma arredondada, algumas estavam cercadas de belas flores e outras aparentemente abandonadas. Poucos metros adiante, Fardelu avistou o que deveria ser a casa funerária.

    – Expulsei todos. Não teremos interrupções – afirmou o jovem, levantando-se e apontando para o nome grafado na lápide onde estava sentado. – Você deve estar se perguntando por que escolhi esse lugar. Pois aí está! Zabelin, assassinado em covarde emboscada – sua voz, naturalmente arrastada, ficava cada vez mais seca.

    – Ele traiu nosso clã... – justificou o velho guerreiro. – Entregou segredos aos inimigos, provocou mortes desne...

    – A família dele foi ameaçada! – gritou Aegos, interrompendo seu interlocutor.

    – Você não mudou nada, continua sendo uma criança.

    Naquele momento, Aegos desistiu de controlar sua raiva e empunhou uma espada longa e fina – o cabo dourado reluzia discretamente. Era o único artefato ostensivo que carregava, pois o jovem guerreiro utilizava simples vestimenta de couro, durável e confortável, porém pouco resistente.

    Fardelu, calmamente, seguiu os passos de seu rival, retirou a velha espada da bainha e levantou um escudo redondo e polido até a altura da boca. A arma ofensiva apresentava diversas pontas laterais que lembravam espinhos, algumas estavam quebradas e outras sujas de sangue seco. No entanto, a peça defensiva parecia novíssima, combinava com o elmo prateado e com a armadura adornada com grandes ombreiras.

    – Você sabe o que é uma guerra! Eu não tentarei me justificar – concluiu Fardelu, impassivelmente.

    O primeiro movimento partiu de Aegos. Seus longos e finos cabelos negros esvoaçaram ao vento quando – em súbito ímpeto irascível – avançou brandindo horizontalmente a lâmina afiada. Enquanto defendia o golpe com o escudo, Fardelu finalmente compreendeu por que o guerreiro preferira usar vestimentas leves. Ele sabe que sou superior, pretende utilizar a agilidade para me desestabilizar e acabar rapidamente com o combate. O atrito entre os dois objetos produziu um ruído breve e irritante. Permaneceram muito próximos durante pouquíssimos segundos, até que Fardelu fez menção de ataque e provocou o recuo de seu rival.

    A tensão era crescente e os três metros de distância pareciam servir como uma ponte de ligação entre os dois combatentes. Aegos arfava levemente, arrependido pela sua investida precipitada, enquanto Fardelu mascarava-se com expressão tranquila e esperava algum descuido do inimigo.

    Utevo gran lux!

    A magia evocada produziu deslumbrante esfera de luz ao redor de uma terceira pessoa que se aproximava – trazendo consigo uma aljava. O velho guerreiro comprimiu os olhos – estava tão concentrado no combate que não percebeu o gradual anoitecer – e tentou compreender o motivo daquela interrupção. A conclusão só surgiu quando a moça armou uma flecha e o encarou temerosamente.

    – Deixe-me ajudá-lo – finalmente falou a estranha. Fardelu percebeu que lágrimas discretas escorriam de seus olhos. – Eu posso acabar com isso, apenas... – engoliu em seco.

    – Então você a conhece? – interpelou, encarando Aegos com um olhar fulminante.

    O jovem encontrava-se tão nervoso e pensativo que baixou sua guarda de maneira irresponsável. Diante da situação indesejada, sentiu que toda a preparação para o duelo tinha sido em vão.

    – Onde está sua honra, Aegos? – recomeçou Fardelu, visivelmente preocupado com a desvantagem numérica. Mantinha sua espada levantada e escudo voltado para a desconhecida. – Qual é o sentido de tudo isso se você não cumpre sua palavra?

    – Não foi planejado! – proferiu Aegos enfaticamente. – Vá embora! É uma ordem! – prosseguiu, dirigindo-se a jovem, sem conseguir disfarçar o tom suplicante de sua voz.

    Ela permanecia na mesma posição, mas desviava o olhar de um para o outro. Suas mãos vacilavam constantemente, porém sua intenção era clara.

    A natureza parecia querer interferir no destino de Fardelu. A chuva, outrora tímida, engrossou subitamente, ao mesmo passo em que o sol desapareceu no horizonte e a magia de luz enfraqueceu até o ponto de emanar apenas uma leve claridade – sinal de que o efeito estava próximo do fim.

    É um sinal, pensou o supersticioso guerreiro, enquanto avançava na direção da desconhecida que ameaçava sua vida. A escuridão era tanta que quase não enxergava. Concentrou-se em atacar brutalmente e eliminar o perigo, ignorando técnicas de combate, os gritos esganiçados de Aegos, as pesadas gotas de chuva que atingiam seu elmo e qualquer outro detalhe ou obstáculo que aqueles poucos metros de distância poderiam proporcionar.

    Ataque e inesperado contra-ataque foram rápidos e bem sucedidos. Antes da espada de Fardelu transpassar a fina armadura de bronze e atingir o coração da moça, ele sentiu que fora ferido no ombro esquerdo por uma flecha. A dor lancinante fez com que largasse suas armas e apalpasse a região ferida, chegando à conclusão de que o projétil não tinha perfurado sua pele, mas apenas passado de raspão. Sem pensar duas vezes, concentrou-se e sussurrou a palavra mágica exura, estancando o sangue e eliminando a dor.

    Aegos corria desesperadamente em sua direção. Farderlu, instintivamente, retirou a espada do corpo inerte – nesse momento, prostrado na grama – e resolveu aproveitar o momento de fraqueza emocional de seu inimigo para terminar o combate.

    As espadas chocaram-se ferozmente, uma, duas, diversas vezes – ataques incessantes desferidos em curtíssimos intervalos de tempo. Lâmina contra lâmina, produziam os típicos ruídos metálicos que embalavam duelos mortais. Pingos de sangue salpicavam a grama, a espada de espinhos parecia prever outra desgraça. Apenas um deslize seria o suficiente para encarar a morte.

    O jovem atacava com violência crescente, fitando seu inimigo com uma careta que misturava infelicidade e cólera. Fardelu, por sua vez, aparentava calma, mas percebia que sua força declinava inexplicavelmente. Sentia-se tonto e dolorido, perdendo mobilidade e disposição, como se sua energia estivesse sendo sugada. A batalha que parecia ganha a alguns segundos atrás, apresentava-se um enorme desafio. A cada novo ataque impetuoso de Aegos, sentia seus braços vacilarem, seu corpo pedindo por descanso.

    Fardelu sabia que, naquelas condições, acabaria decepado na primeira demonstração de fraqueza. Apesar da ideia não ser de seu agrado, resolveu recuar e tentar compreender o que acontecia. Saltou para trás rapidamente e a finíssima lâmina de Aegos cortou o ar. Correu pelo terreno, tropegamente, torcendo para que a escuridão e a forte chuva encobrissem seus rastros.

    A alguns metros de distância, agachou-se atrás de uma lápide e percorreu seu corpo com as mãos. Não existia motivo visível para a dor que lhe afligia internamente, mas, ao tocar a ferida seca em seu ombro, percebeu o que tinha acontecido. Dessa vez, murmurou exana pox e sentiu-se completamente aliviado – outro valoroso ensinamento de Trisha, famosa professora de magias que morava em Carlin. Considerou-se estúpido por não ter cogitado que a flecha poderia estar envenenada, mas não teve muito tempo para autocríticas.

    Ouviu passos abafados e a respiração cortada de seu rival, evidências tão próximas que nem o forte vento e a pesada chuva conseguiam encobrir. Aegos aproximava-se afoitamente, cego pelo desejo de vingança.

    Fardelu, mais uma vez, aproveitou o desleixo do rival, saltou em sua direção e atacou fulminantemente. As espadas chocaram-se verticalmente, depois horizontalmente – não pareciam simples lâminas, mas dois titãs medindo forças. Sem desperdiçar um segundo, aplicou intensidade absurda e – no terceiro e último choque entre as armas – desestabilizou seu inimigo. Aegos perdeu o equilíbrio e foi levemente empurrado para trás, o suficiente para que não conseguisse revidar o quarto ataque daquela sequência ininterrupta.

    A dor – física e moral – que sentiu quando sua mão direita foi brutalmente decepada acabou sendo transmitida em um grito horrendo que ecoou pela noite. Fardelu poderia jurar que, naquele instante, Carlin inteira sabia do duelo que ocorria no estreito cemitério.

    Os joelhos de Aegos cederam e encontraram a grama molhada, enquanto segurava seu braço direito com a mão esquerda e – desesperado – observava o sangue jorrando. O sentimento de fracasso sobrepujou a necessidade de vingança e, naquele momento, percebeu que morreria em vão. Ele, que pretendia vingar-se por um amigo, acabou presenciando a morte de sua amada e sendo derrotado de forma humilhante. A dolorosa verdade fez com que lágrimas pesadas escorressem de seus olhos.

    – Ela estava grávida. Você matou seu primo, seu desgraçado... – revelou Aegos com a voz esganiçada. – Eu odeio você, Fardelu, eu odeio... – soluçava descontroladamente, atropelando a maioria das palavras.

    Fardelu mantinha a espada em posição de ataque, preparando-se para o golpe final.

    – Eu não sabia. Sinto muito – comentou apaticamente.

    – Você é o pior... você é o pior tipo de pessoa que existe... – Aegos vomitava as palavras. – Eu tenho nojo de você...

    – Li e reli sua carta, durante todo o percurso, e desejei que aquelas palavras fossem frutos de um momento passageiro de fúria. Deuses e humanos sabem que tentei evitar esse combate. Não me culpe pela sua mediocridade.

    Trocaram olhares esguios durante alguns minutos, mas nada disseram. Aegos finalmente abrandou sua expressão, abaixou a cabeça e cerrou os olhos, aceitando aquele triste destino. A espada de Fardelu produziu breve zunido e decepou a cabeça do homem.

    Enquanto mais sangue esguichava violentamente, a tempestade cessou; assim como a tensão inerente a todos os duelos mortais. Fardelu, que acreditava em uma profunda ligação entre homem e natureza, felicitou-se ao reparar que nenhum trovão tinha sido ouvido. É um bom sinal, pensou, imerso em sua lógica incompreensível.

    O sobrevivente não perdeu tempo. Revistou os bolsos do cadáver mutilado e nada encontrou, mas acabou resgatando a espada do rival – os guerreiros do seu clã estavam cientes do duelo e poderiam requisitar uma prova do assassinato. Logo depois, recuperou seu escudo – que estava próximo ao corpo inerte da arqueira – e, antes de sair do cemitério, permitiu-se algum tempo de contemplação.

    O rosto de feições suaves encontrava-se paralisado em expressão infeliz e desesperada. A moça que teve sua vida ceifada devido à imprudência, aparentava ser ainda mais jovem que seu falecido irmão. Fardelu ainda tinha dúvidas sobre a necessidade daquela matança, porém, mesmo enquanto encarava o rosto da inocência e pensava na família que acabara de destruir, não sentiu remorso.

    A guerra perdurou durante décadas e originou diversos conflitos análogos. Os anos marcados por campos de batalha e banhos de sangue convenceram-no de que não existiam vencedores, perdedores ou honra inabalável. Fardelu acreditava que deveria fazer o melhor possível para continuar sobrevivendo e assim fez até o fim de sua longa vida.
    __________________________________________________


    A sociedade de Rookgaard


    Olá leitores! Meu nome é Ananias e eu vou contar para vocês uma história. Espero que gostem, pois os fatos que narrarei mudaram os rumos de minha vida.

    Antes de começar com a história, devo introduzir um personagem muito importante. Trata-se do "mendigo". Chamo-o assim por não saber seu nome. Apesar de eu ter descoberto que ele não era realmente um mendigo, no início eu achava que ele era um. Sempre o via no centro de Rookgaard, onde ficava pedindo esmolas aos passantes. Ele andava com vestimentas maltrapilhas, estava sempre sujo e tinha um cabelo grande e desgrenhado. A sua enorme barba parecia mais uma continuação de seu cabelo. Eu nem conversava com ele, o conhecia apenas de vista, por ser uma figura muito peculiar.

    Agora finalmente posso começar...

    O início de tudo foi em um dia ensolarado e tranquilo - pelo menos aparentemente. Eu estava com vontade de explorar e resolvi ir à casa abandonada ao norte da cidade. As ruínas logo depois da ponte sempre foram um lugar amedrontador para qualquer explorador. Vez ou outra, alguns tolos se aventuravam nas partes mais profundas, e nesse dia eu fui um deles.

    Os primeiros andares eram um lugar mais úmido e até aquecido. Seria tomado pela escuridão não fossem as inúmeras tochas de aventureiros que lá ficavam, enfrentando os trasgos numa guerra infinita. Parecia haver um fluxo infinito de monstros, e os humanos mortos eram prontamente ressuscitados pelos deuses em troca de um pequeno sacrifício. Já aconteceu comigo e é uma experiência difícil de explicar então não entrarei no assunto.

    Bem... voltando a história... como eu havia dito, nesse dia resolvi ir aos andares inferiores. Rumores diziam que minotauros haviam estabelecido uma base nas profundezas da caverna e o local sempre foi evitado pelos guerreiros. Eu tinha muitos elixires de cura e estava bem equipado. Ao contrário do andar dos trasgos, o ar era um pouco mais seco, e o frio era cortante. Eu acendi uma de minhas tochas e fui explorando o sistema de cavernas, sempre alerta para qualquer movimentação estranha.

    Foi quando vi o mendigo. Ele vinha do local para onde eu ia, e se dirigia para o andar dos trasgos. Eu não estranharia se tivesse visto um guerreiro com armaduras apropriadas, que estivesse preparado para um local tão perigoso. No entanto, o mendigo estava vestido exatamente como usual, maltrapilho, sujo, e um tanto quanto fedorento. Percebendo que eu olhava em sua direção com uma expressão de surpresa, ele apenas retornou um sorriso, e continuou seu caminho.

    Após o ocorrido, continuei meu caminho por alguns minutos. Andava por algo que parecia ser um labirinto, e estava com a impressão de andar em círculos, minha caminhada não dava em lugar nenhum! Foi quando vi um corredor curto. Em seu fim havia um alçapão iluminado por uma chama trepidante que estava no andar inferior. Eu andava em direção ao alçapão quando fui surpreendido!

    Um minotauro e um lobo começaram a me atacar. Com sua maça o minutauro desferiu um golpe em meu braço esquerdo. O lobo veio correndo e saltou em minha direção, mas eu consegui me esquivar. Saquei minha espada, protegi meu corpo com o escudo, e me virei em direção aos inimigos. O minotauro apenas observava enquanto o lobo veio novamente correndo. Esperei o animal pular e consegui golpeá-lo. Ele latiu esganiçadamente, um grito sofrido de dor. Ficou caído ali mesmo. Uma poça de sangue se formou envolta de seu corpo, ele estava fora de combate. O minotauro então gritou em uma língua estranha. O som estranho parecia algo como "kaplar".

    Após o grito ele veio em minha direção, balançando a maça em golpes poderosos. Eu me desviei duas vezes, e da terceira usei o escudo. O monstro ficou desestabilizado, e foi quando aproveitei para golpeá-lo. Ao contrário do que eu esperava, o golpe não foi tão efetivo quanto contra o lobo. A batalha se seguiu, equilibrada, "lá e cá". Após alguns minutos, consegui furar a defesa e golpeá-lo. Dessa vez sim de forma efetiva. O minotauro agonizante gritou o estranho som mais uma vez, caiu de joelhos no chão e morreu.

    Cansado pela batalha, com todo o corpo dolorido, tomei um elixir de cura. Eles dão uma ótima sensação de alívio. Todas as dores cessaram e eu me sentia como novo. Ainda assim, vacilei um pouco. Seguiria em frente ou voltava para a segurança da cidade?

    Resolvi seguir em frente, e desci o alçapão. Ele dava numa sala ampla, iluminada por vários focos de fogo em sua parte central, ela era mais aconchegante que o labirinto na sala anterior. O fogo ajudava também a ver que o local era seguro, sem minotauros, lobos, ou qualquer outro ser hostil. O alívio foi grande. Vi uma escada de mármore no final da sala e fui em sua direção. Desci a escada com pouco cuidado e fui novamente surpreendido, dessa vez por uma emboscada de muitos minotauros. Sem tempo para reagir, fui fortemente golpeado inúmeras vezes, por golpes de maça e machado. Caí no chão e por lá fiquei. Por sorte não morri, apesar dos minotauros acharem que eu tinha de fato morrido. Muita gente preferiria a morte, para poderem experimentar a estranha sensação de sair do corpo e ir ao encontro dos deuses. Mas o que se seguiu valeu mais a pena... Achando que eu estava morto, os minotauros começaram a conversar em sua estranha língua nativa.

    Um deles deu um grito estranho, e, de uma porta ao fundo, saiu um minotauro diferente. Esse tinha cabelo, meio ruivo. Usava um robe azul e segurava um cajado mágico. Certamente era o líder dos minotauros. Eles seguiram conversando, até que, pela escada veio outro humano. Não era um humano qualquer, mas o mendigo. Observei atentamente esperando que ele fosse atacado, para que eu pudesse ajudar. Mas, estranhamente, ele não foi... pelo contrário... ele e o minotauro líder começaram a conversar, em língua humana!

    Fiquei completamente perplexo. Pensei em me levantar e sair dali o mais rápido possível, mas preferi ficar deitado e que todos achassem que eu estava morto. A conversa dos dois foi realmente reveladora... Havia uma associação chamada de "Sociedade de Rookgaard". Unidos aos minotauros essa associação visava a proteger inúmeros segredos da ilha, eles citaram a espada da fúria, como os minotauros tinham chegado ali, de quem eram os túmulos estranhos espalhados pela ilha, e porque havia um dragão morto em um túnel desmoronado.

    Para proteger todos esses segredos, a associação plantava pistas falsas, desviando a atenção dos exploradores. Aprendi que o "labirinto da fúria" e a placa falando da humildade eram apenas distrações que desviavam os exploradores do verdadeiro caminho para a espada da fúria.

    Após discutirem longamente, os minotauros e o mendigo entraram na porta de onde o minotauro líder saiu. Aproveitei a deixa e saí dali, correndo, o mais rápido que podia, voltando pela caverna. Pouco a pouco foram ficando para trás os andares mais profundos do calabouço, fui me aproximando da superfície. Ao perceber que eu estava novamente no andar dos tragos, senti uma sensação de alívio. Estive frente a frente com a morte e escapei. De quebra descobri muitas coisas novas, e nunca mais iria ver os segredos de Rookgaard, bem como seus habitantes, com os mesmos olhos.

    Voltei para a cidade. Já estava anoitecendo, e, logo, os animais selvagens sairiam para a caça. O dia havia sido muito longo, cansativo. O melhor seria descansar... Fui para a taverna da Norma, pedi uma caneca da melhor cerveja e me sentei perto do balcão. Uma cerveja nunca havia sido tão gostosa.

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    Um dia na terra de tíbia


    Em certo dia um garoto estava em sua casa no maior tédio... ele resolva ligar o computador e ir pesquisar sobre alguns jogos online,na lista o que mais chamou a atenção foi o TIBIA,por causa do nome que lembra de um osso do corpo humano.
    Ele foi ao site leu o termo de uso, registrou-se, criou seu character, abaixou o jogo, mas... ele não esperava que assim que ele digitasse seu login e senha ele fosse adormecer.*entrando no sonho do garoto chamado Ryan*
    --Ah?Onde estou?O que aconteceu comigo?Que cidade é essa?Eu morri?
    Garoto se perguntava enquanto se levantava do chão e olhava para os lados é assim que ele vê uma placa logo a sua frente. ele decide se aproximar e ler o que esta escrito nela.
    Placa: Para a vila
    Garoto sem entender nada segue em frente, após subir uma escada ele encontra uma pessoa.
    --Ola quem é você e onde estou? Perguntava o garoto
    Santiago: Ola Ryan!É um prazer em te conhecer!Bom você esta no mundo TIBIA e eu estou aqui para te ajudar em seus primeiros passos!
    Garoto: TIBIA?o.õ eu tinha baixado esse jogo e como eu estou dentro dele?
    Santiago: isso não é um jogo e sim outro mundo!Agora me diga você quer que eu te ajude sim ou não?
    Ryan: ah sim claro como?o.o
    Santiago: bom vou te dar algumas missões e você terá que cumprir e uma dela terá que matar baratas. você tem nojo de baratas?
    Ryan: bom ate o ponto que eu sei não tenho medo de baratas não. me fale onde eu tenho que ir e irei.
    Santiago passar as instruções e o garoto vai fazer as missões que Santiago lhe pediu.
    Ryan: aqui esta fiz o que você me pediu e agora?
    Santiago: parabéns, agora você poderá seguir em frente com estes itens que você achou. boa viagem
    Ryan: ah obrigado o.o
    O jovem tibiano segue em frente e encontra uma mulher já de idade.
    --Ola quem é a senhora?
    --Ola meu nome é Zirella e provavelmente você foi enviado de Santiago.
    Ryan: ah sim sou sim o.o
    Zirella:bom sem mais delonga você ta a fim de colher uns galhos seco pra mim pra ganhar uma pá?
    Ryan: obaaaa!Quero sim *-*
    Garoto sai correndo procurando galhos secos
    Ryan: aqui esta senhora *-*
    Zirella: ah obrigado meu jovem ponha no meu carrinho de Mao e entre naquela casa e pegue a pá
    O jovem coloca os galhos secos no carrinho de Mao e entra na casa para pegar a pá
    Zirella: meu jovem você quer ganhar uma corda?
    Ryan: ah claro que sim o que eu faço?*-*
    Zirella: Abre aquele buraco ali desça e pegue a corda que eu perdi
    Ryan:ta bom
    O garoto abre o buraco e pula no buraco
    --ta escuro aqui melhor eu acender a tocha o.o
    O garoto acende a tocha e acha um baú velho e da um chute na fechadura já apodrecida fazendo que ela quebre.
    --HEURECA *-*
    O garoto sai do buraco e encontra com outro homem
    --Ola quem é o senhor?
    --Ola meu nome é Carlos prazer!
    Ryan: você é mais um que me Dara uma missão?
    Carlos: hmm talvez bom antes disso vá se trocar essa sua roupa ta feia*cara feia*
    Ryan: onde me troco?
    Carlos: atrás daquela moita ali*apontando pra moita*
    Ryan: e a roupa cadê?¬¬
    Carlos: bom eu tenho umas roupas aqui vê se serve ou se te agrada
    Ryan: ta NÃO OLHA EM Ò.Ó já chega de pedofilo seu orochimarujackson u.ú
    Carlos: que?o.õ*sem entender nada*
    O garoto se troca atrás da moita
    Ryan: pronto u.u e agora?
    Carlos: vai pegar carne pra mim ¬¬
    Ryan: não tem açougue aqui ¬¬
    Carlos: não tem mesmo se ta na era medieval dã ‘¬¬
    Ryan: ta então como?¬¬
    Carlos: tu és loiro ou se faz de loiro?¬¬
    Ryan: tu és cego mane?¬¬
    Carlos: o cego aqui é você que não consegue enxergar que terá que matar coelho e veado para conseguir carne ¬¬
    Ryan: OBA VOCE FALOU MATAR BAMBI É COMIGO MESMO!*-*
    Carlos: que?o.õ para de graçinha e vai matar logo e corte com sua arma a carne deles e me traga talvez você consiga uns trocados
    Ryan: se é para matar bambi eu topo *-*
    O garoto sai atrás dos pobres bichinhos para matar, se sujando de sangue e volta para Carlos com 10 kg de carne
    Ryan: e então?
    Carlos: quer vender?
    Ryan: quanto?
    Carlos: duas moedas de ouro cada unidade
    Ryan: oba *-* eu vendo tudo
    Carlos: ok aqui esta suas 20 moedas
    Ryan: brigado tem outra roupa ai?
    Carlos: to pega e suma daqui.
    Ryan: como?¬¬
    Carlos: MALUCO TU É CEGO MESMO ¬¬ATRAVESSA AQUELA PONTE ALI NE ¬¬
    Ryan: ata ^^”
    O garoto se troca atrás da moita e atravessa a ponte.E assim mais uma aventura começa.O que será que espera o nosso amigo Ryan agora que ele atravessou a ponte?veremos XD

    Vou postar os contos da outra categoria no post seguinte, por causa do limite de caracteres :o

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    Última edição por Lucas CS; 23-10-2009 às 19:10.

  2. #2
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    Desesperar-te


    Sentado em sua mesa, diante de uma folha de papel em branco, o escritor olha para o reflexo do vazio de sua mente. Precisa escrever o conto perfeito, a história que mudará para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.

    Este texto revolucionário irá celebrar o artista em estado bruto, esta verdadeira antena universal que catalisa todo o poder da história de milhares e milhares de civilizações passadas numa única linha, numa mera vírgula, num soluço, numa pausa.

    Alguém já disse que a música é construída pelas pausas. Pensou, naquela hora avançada da noite, que toda a arte, e aí incluía sem falsa modéstia seu texto, também deveria ser feita de pausas, momentos de expiração para se ganhar fôlego para nova e revigorante inspiração.

    Quando tomara a decisão de se dar uma pausa e abandonar o febril exercício de associação de ideias, adormeceu...

    Acordou assustado, a folha de papel em branco ainda estava lá, imaculada como a Santa Maria. Isso o aterrorizava, tanto a folha em branco quanto a ideia de violar a Virgem Maria com sua caneta.

    Então se tranquilizou e lembrou que havia sonhado uma história incrível, o conto perfeito, a história que mudaria para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.

    E começou um conto assim:

    Este texto revolucionário irá celebrar o artista em estado bruto, esta verdadeira antena universal que catalisa todo o poder da história de milhares e milhares de civilizações passadas numa única linha, numa mera vírgula, num soluço, numa pausa.

    Alguém já disse que a música é construída pelas pausas. Penso, nesta hora avançada da noite, que toda a arte, e aí incluo sem falsa modéstia meu texto, também deve ser feita de pausas, momentos de expiração para se ganhar fôlego para nova e revigorante inspiração.

    Decido conscientemente me dar uma pausa e abandonar este febril exercício de associação de ideias... Adormeceu.

    Acordou assustado, a folha de papel em branco ainda estava lá, imaculada como a Santa Maria. Isso o aterrorizava, tanto a folha em branco, que se recusara a fixar suas memórias, quanto a ideia de ter violado a Virgem Maria com sua caneta.

    Então se tranquilizou e lembrou que havia sonhado uma história incrível, o conto perfeito, a história de milhares e milhares de civilizações passadas numa única linha, numa mera vírgula, num soluço, numa pausa.

    E começou um conto assim:

    Sentado em sua mesa, diante de uma folha de papel em branco, o escritor olha para o reflexo do vazio de sua mente. Precisa escrever o conto perfeito, a história que mudará para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.

    Este texto revolucionário irá celebrar o artista em estado bruto, verdadeira antena universal que catalisa todo o poder da arte, que alguém já disse que é construída pelas pausas. Pensou, naquela hora avançada da noite, que a boa arte, e aí incluía sem falsa modéstia seu texto, deveria ser feita de momentos de expiração para se ganhar fôlego para nova e revigorante inspiração.

    Quando tomara a decisão de se dar uma pausa e abandonar o febril exercício de associação de ideias, adormeceu...

    Acordou assustado, a folha de papel em branco ainda estava lá, testemunha de seu desespero, contudo o que o aterrorizava era a lembrança real de ter violado a Virgem Maria com sua caneta.

    Mas sua cabeça se recusava a fixar suas memórias e logo se tranquilizou, lembrando que havia sonhado uma história incrível, o conto perfeito, a história que mudaria para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.

    E começou um conto assim:

    A imaculada Santa Maria é a verdadeira antena universal que catalisa todo o poder da história de milhares e milhares de civilizações passadas.

    Desenhou estas linhas caprichosamente na folha de papel em branco e adormeceu, exausto com o febril exercício de associação de ideias.

    Acordou assustado, não havia certeza maior do que a alvura daquela página invicta, que refletia o vazio de sua mente.

    Desistiu de tentar escrever sua obra-prima e resolveu deixar seus pensamentos divagarem, rabiscando pequenos fragmentos de texto na folha de papel em branco, imaculada como a Santa Maria. Isso o aterrorizava, tanto a folha em branco quanto a ideia de violar a Virgem Maria com sua caneta. Mesmo assim, começou:

    Alguém já disse que a música é construída pelas pausas. Penso, nesta hora avançada da noite, que toda a arte, e aí incluo sem falsa modéstia meu texto, também deve ser feita de pausas, momentos de expiração para se ganhar fôlego para nova e revigorante inspiração.

    Decido conscientemente me dar uma pausa e abandonar a busca pelo conto perfeito, a história que mudará para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.

    Renego o texto revolucionário que pretende celebrar o artista em estado bruto, verdadeira antena universal que catalisa todo o poder da história de milhares e milhares de civilizações passadas numa única linha, numa mera vírgula, num soluço, numa pausa.

    Sentado em minha mesa, diante de uma folha de papel em branco, olho para o reflexo do vazio de minha mente. Não preciso mais escrever o conto perfeito, nem a história que mudará para sempre a maneira da humanidade ver o mundo.
    _______________________________________

    Fogo


    As crianças se reuniam ao redor do velho. Fazia muito frio. Sentavam-se perto de uma fogueira, estendendo suas mãos para se aquecer.


    O velho era chamado de Asíedes. A velhice lhe ensinara várias coisas, e tudo o que tinha a fazer era contar histórias. Olhou para o rosto ansioso de uns. A face denunciava que estavam esperando por aquele momento por dias.


    Abafou o vento com a mão, cobrindo o cigarro que estava entre seus lábios. Acendeu um fósforo. Tragou e soltou a fumaça no meio do fogo, querendo dar um ar teatral para a história. Ia a contar enquanto fumava. Já virara um hábito.


    - Minha história, como usual, deve ser levada a sério... Mas eu conto para vocês, crianças, pois a faísca de imaginação e impossibilidade já foi há muito tempo apagada do coração dos adultos. – Asíedes começou com um discurso, não saindo da rotina que mantinha há anos.


    Uma das crianças, mais velha, riu. Poucas acreditariam em sua história. A maioria eventualmente esqueceria, é claro. Mas gostava de saber que ainda existiam pessoas que não estavam cansadas de ouvir seus ensinamentos. Ensinamentos do Céos, na verdade. Mas essa não é a história que o velho contaria esta noite.


    Se contasse, teria que ter um grupo fixo de ouvintes. Havia meia-dúzia que sempre participava dos encontros, mas era só. Não gostava de contar o que acontecera há tantos anos. Um dia contaria, é claro. Um dia.


    - Tudo começou quando o ferreiro da cidade, Elídio, começou a falir:


    “Elídio fazia as melhores ferraduras que a cidade já conhecera. Trabalhava duro, o pobre homem. Lucrava pouco; frequentemente a polícia gostava de pegar algumas ferraduras emprestadas e se esquecer de devolver. Foi aí que ele começou a me visitar.


    Não me lembro há quantos anos isso aconteceu, mas foi há muito tempo atrás. Eu morava no topo das colinas, e as pessoas me visitavam para receber conselhos. Muitas vezes eu as desapontava, pois tudo que tinha a oferecer eram histórias; muitas vezes elas eram inúteis.


    Ia lhe contar algo que eu já era familiar com, porém meu instinto me disse para lhe contar uma história diferente... Faz muito tempo, mas a história foi mais ou menos assim:


    O corvo pisa na planície aquecida, o sol ardendo no ponto mais alto do céu. Está ali a carniça de um homem.


    O animal se dirige até o morto e começa a bicar a carne. Não sente remorso; é uma ave. Não sente pena nem se arrepende, pois não tem uma alma. Com isso, destrói o último homem de uma civilização extinta há muitos anos.


    O corvo não tem culpa, só quis se alimentar. Alguns dias depois, algum caçador acerta-o com uma flecha.


    Nunca entendi essa história, e acho que nem Elídio. Contei-a por que tinha sonhado com algo naquele dia. No meu sonho, um ferreiro olhava para um corvo e esperava que algo acontecesse. Parecia que esperava por aquilo há muito tempo, mas só descobrira alguma utilidade para o corvo agora. Só esperaria o corvo fazer o passo certo e o mataria.


    De qualquer modo, depois de eu acabar a narrativa, o homem voltou para a ferraria viver sua vida. Depois de uma semana, ao sair para fumar, me deparei com algo inusitado. Havia um corvo morto na entrada da minha humilde casa.


    Fiquei por muitos dias de sobreaviso, totalmente assustado. Recusei-me a sair da casa por algum tempo, até que me acalmei. Fui dar uma volta, caçar algum bicho. Havia outro corvo na porta. Tomei coragem e desci até o vilarejo.


    Bati na porta da ferraria. Não obtive respostas. Puxei o facão que levava junto comigo, pois tinha medo. Muito medo. Acendi um cigarro e fui para a tecedeira para obter alguma informação. Ela gostava muito de fofocar e sempre me visitava para escutar histórias, então tinha algum débito comigo.

    Naquela época, as coisas não eram tão difíceis. Eu vivia do que caçava, vez ou outra trocando histórias por favores. Se precisava de alguma calha consertada, contava uma longa história para os filhos de José. Quando passava fome, o padeiro me dava um pouco de pão, e por assim sobrevivia.

    De vez em quando participava de alguma construção, caçada ou qualquer coisa que me desse algum dinheiro. Guardava a maioria, para quando ficasse velho. Do resto eu comprava algum queijo na mercearia.


    Mas bem, visitei a tecedeira. Cumprimentei-a, escutei alguns elogios e tudo o mais. Me demorei um pouco. Saí da casa da mulher sabendo tanto quanto eu entrara.


    Os dias passaram-se. Quase me esqueci do episódio, e já havia seguido vida. Certo dia, estava dando um raro conselho para José, quando Elídio entrou em minha casa. Estava com olheiras, o cabelo para lavar. O rosto estava oleoso e barrento. As suas unhas haviam crescido mais, suas roupas estavam em farrapos. Segurou-me pelo pescoço e ignorou meu ouvinte, arrastando-me morro abaixo.


    Sinto vergonha que não consegui pará-lo, muito menos atingi-lo. Ele era forte, enquanto eu, já na época, tinha força o suficiente para levantar uma arma e só. Eu passava a maior parte do tempo sentado, se não procurando por bichos na floresta, principalmente do outro lado do rio, onde havia cervos deliciosos; lá acabava a pequena cidade e começava outro vilarejo.


    Fui, sob protestos, levado para o meio da floresta. Arrastou-me até uma clareira. Havia penas de diversos animais espalhadas, esvoaçando. Uma teia de aranha se estendia sob dois carvalhos. Um crânio de abutre aberto estava caído em cima de um formigueiro. Uma poça de um líquido enrubescido prendia minha visão; perguntava-me se o sangue fazia aquele efeito corrosivo que estava acontecendo no buraco. Restos de comida e plantas medicinais também chamaram a atenção.


    Ele pegou um dos ossos que estava no chão. Aproximou-se, estendeu a mão. Bateu-me na face com tacadas letais. A minha visão foi escurecendo e perdi a consciência


    Uma luz veio de encontro a mim. Estendi os braços, pronto a me entregar à Eternidade humana. Naquele momento, jurei ver algumas pessoas as quais não estavam mais entre nós, por assim dizer, quando vi-me vivo. Um pouco difícil de explicar.


    Era como se assistisse tudo do alto. Meu corpo, ali, com um corte no supercílio, escorrendo sangue. Uma versão pitoresca de Elídio me segurando e levando-me consigo... Escutei-o murmurar algo que não pude decifrar.


    Estava louco, tive certeza. Mas tudo agora deixara de ser estável... Eu estava morto e ao mesmo tempo vivo, preso em uma dimensão entre o humano e o divino... Ou era isso que acontecia quando se morria? Divaguei.


    O homem deixou um bilhete no bolso do meu eu que estava lá embaixo. Caminhou diversos minutos, embrenhando-se na mata. Onde estava, as árvores rareavam. Colocou-me do lado de um rio, meu corpo quase caindo na água. Tirou uma garrafa de bebida e pacientemente respingou em várias árvores em um trajeto de vários metros; achei no momento que ele queria fazer alguma oferenda aos deuses. Ou demônios. Olhou para trás e atravessou o leito do rio a nado. Não voltou atrás.


    Senti-me sendo sugado, e com um rodopio acordei com a cabeça doída. Estava lá eu, com o nariz quase se encostando à água corrente. De tão nervoso, não conseguia parar de tremer. Quis acalmar-me. Comecei o caminho de volta para o vilarejo.


    Um rugido veio da floresta. Uma face assombrosa mostrou-se pelas árvores, através da sombra. Eu ouvi o farfalhar das folhas, mesmo que não visse ninguém, e parei. Uma das árvores começou a balançar violentamente, mesmo que não houvesse vento. Acendi um fósforo. O larguei no meio de uma árvore molhada pelos respingos de álcool. Corri enquanto o fogo consumia o mato, e fiz o mesmo percurso que Elídio.


    Lembrei-me do bilhete. Dei-me conta que o conhecimento enlouquecia, enquanto a cidade ardia em chamas e um uivo estrondoso se propagava. Abri o bilhete. “O fogo ardente do Sol vai acabar com todos.”.


    Por alguns segundos, achei entender o significado da história que eu contara para Elídio, mas percebi que foi só uma especulação boba. Afinal, eu não havia extinguido uma civilização inteira. Acho que eu sou o corvo e que Elídio é o caçador. Mas não me preocupo tanto, afinal, o conhecimento enlouquece...”


    O velho não conseguiu terminar a frase. Uma sombra parecia se estender e mostrar as mandíbulas antes de soltar um urro.
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    Medieval


    O cheiro perfumado do vale preenchia o local. Estavam ao oeste, onde as encostas ficavam mais íngremes e as montanhas Greor se aproximavam. Riachos afluíam para Flinfime, o rio principal que cortava o vale ao meio. Os pinheiros balançavam tristemente sob o vento leste. Seus galhos secos indicavam que o inverno não tardaria a chegar. O frio cortante também não deixava os vinte e nove homens à vontade.
    Eles estavam no meio da encosta norte, perto de um rio. Um estreito caminho levava a leste e uma fenda na montanha ao norte levava a Grande Estrada, perto da entrada do vale. Era uma estrada muito pouco usada, somente na primavera ou no verão alguns fazendeiros ousavam passar por ali. No inverno, ficava intransitável.
    A cena parecia inadequada, como se eles não devessem estar ali. A lua minguante iluminava parcamente o ambiente, mas o grupo não usava tochas. Estavam todos paramentados para guerra. Tinham escudos oblongos, que se afinavam na parte de baixo. Eles estavam cobertos por panos pretos, cobrindo o brasão do senhor deles. Todos tinham malha metálica, que cobria boa parte do corpo. Os elmos negros eram emplumados com penas de corvo, com protetores nasais e das bochechas. E, tanto a malha quanto a capa que todos usavam eram negras.
    A maioria portava espadas, embainhadas com cuidado. Dois ou três empunhavam grandes arcos, também negros. O maior de todos, duas cabeças acima dos demais, tinha um grande machado de guerra amarrado nas costas. Pareciam tranqüilos e calmos, como se estivessem numa noite a passeio. Conversavam em voz baixa, olhando para as luzes no vale.
    Por que havia luzes no vale. Fogueiras tinham sido acendidas, para aquecer os aldeões e suas famílias. As moradias se agrupavam em volta do solar de pedra, perto do rio Flinfime. A torre principal do castelo estava visível também, pois os vigias tinham acendido uma grande fogueira nas ameias, para facilitar a visualização nos campos cultivados ao redor.
    Os homens pararam de conversar quando uma figura pequena apareceu ao luar, vindo correndo. Quando se aproximou, o grupo relaxou. A figura era um homem baixo, de barba cerrada, que trajava negro. Seus olhos escuros estavam brilhantes, maliciosos. Assim que chegou mais perto, um dos homens do grupo foi falar com ele.
    - Reporte o que viu, Luis – falou o homem com uma voz mais fria que o vento outonal. Seu elmo tinha penas vermelhas misturadas as negras. Além da espada, portava uma adaga e uma maça de ferro presa às costas. O capacete cobria quase todo seu semblante, mas os protetores ainda não estavam fechados, revelando um nariz adunco e bochechas magras. O cabelo louro caia pelas costas largas, até um pouco depois dos ombros.
    - Nenhum batedor, Jean. Nada entre nós e a vila. Eles não estão desconfiados. Se sairmos agora, podemos chegar no solar na hora marcada. Eu achei vaus para atravessarmos os três rios e há uma pequena floresta de carvalhos, muito perto das plantações, onde os camponeses levam os porcos para comer bolotas. Podemos nos reagrupar lá – informou Luis, enquanto vestia sua armadura e pegava seu escudo e seu elmo. Depois de estar pronto, sorriu, como sempre fazia.
    Jean assentiu com a cabeça e levantou o braço direito. Todos os homens se calaram. Tinham um respeito imenso por ele. Assim que o comandante abaixou o braço, todos se puseram em movimento, silenciosamente.
    Rapidamente, desceram da encosta norte pela estrada, atravessando o primeiro riacho no sopé da montanha. Apesar da trilha estar em más condições, Luis ia à frente, guiando o grupo. Os minutos iam e viam, e os soldados continuavam a andar. Seus passos eram abafados pelas botas de couro, mas mesmo assim fazia um som estranho na noite silenciosa.
    Pouco depois, cruzaram os dois outros rios, que eram pequenos e próximos. As botas ficaram enlameadas, assim como as calças de malha. Logo avistaram a floresta de carvalhos, que escondia as luzes da aldeia e da lua. Para não se perderem, Luis começou a cantar baixinho, indicando aos amigos a direção certa.
    Após pouco tempo, chegaram na orla da floresta e Luis parou de cantar. Todos se agruparam em volta do comandante, esperando este fazer algo. O silêncio ainda pairava no ar. Não fazia mais de duas horas que tinham descido a trilha. A lua ficou envolta numa nuvem e deixou de competir com as luzes da torre de principal.
    Jean ia falar algo quando um grande clarão foi avistado. Parecia que uma estrela tinha caído na aldeia que cercava o solar. O clarão foi seguido de dois outros. Fogos irrompiam a leste. O comandante fechou os protetores e respirou fundo. Tinha começado. Virou-se para seus soldados e encarou-os.
    - Vamos homens! O Senhor conta com vocês! DIEU LE VOULT! – berrou. “DIEU LE VOULT” berraram seus homens de volta. Viraram-se para o leste e correram, pulando arbustos. Eram mais que guerreiros profissionais. Eram soldados de Deus. E naquela noite, iam trazer o Inferno para Terra.
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    Prosa Surpresa




    Certo dia, nem lembro exatamente quando, precisava me locomover para não sei exatamente onde a fim de não sei o quê. Na verdade, não lembro de praticamente nada daquele dia, o que tenho certeza é que eu precisava e iria pegar um ônibus. Porém, algo um pouco mais nobre estava destinado a mim...

    _ Porto da Pedra... Shopping! - dizia a voz da buzina, uma gravação tosca e universal por aquelas bandas - Heliogás, Praça do Gradim, Pontal!

    Era o transporte dos apressados destemidos. E estava me chamando:

    _ Porto da Pedra... Shopping! Heliogás, Praça do Gradim, Pontal!

    Pelo menos a Kombi tinha itinerário, o ruim é que eu tinha que descer perto do final da linha. Mas eu acho que não tinha problema, eu sou um cara paciente, tinha que ser.

    Entrei no carro dando bom dia e não recebi resposta, no máximo um grunhido do motorista e um ronco da caixa de marcha. Tudo bem, não era problema, convenhamos que trabalhar por várias horas, enfrentando trânsito num carro tremiliquento, debaixo de um sol de verão carioca e ter bom humor para falar com um "playboyzinho" bem arrumado e de cabelo molhado é muito para qualquer um.

    O que me impressiona nesse tipo de cara é que, mesmo sem saco para responder, eles tem a paciência para andar a 20 por hora, repetindo loucamente aquela buzina anormal, só para te convencer de que o ônibus vai demorar e que ele é a sua última, e melhor, opção. E se você fizer jogo duro, relutar em entrar, eles percebem. Param a maldita Kombi na sua frente e ainda falam:

    _ E ai, Patrão? Shopping?!

    De qualquer forma, como eu fui o primeiro a entrar no carro, fiquei fadado a acompanhar o motorista na sua jornada por mais passageiros. Partimos lentamente e, depois de longos minutos, o próximo ponto estava chegando:

    _ Porto da Pedra... Shopping! Heliogás, Praça do Gradim, Pontal!

    E o motorista se arrastava em direção ao ponto.

    _ Porto da Pedra... Shopping! Heliogás, Praça do Gradim, Pontal!

    E já tinha gente esperando a Kombi - impaciente por sinal - quando ela finalmente chegou.

    _ Porto da Pedra... Shopping! - e uma velinha bunduda sentou do meu lado. - Heliogás, Praça do Gradim, Pontal! - e uma garota com três crianças encheu o banco de trás.

    Ainda ficamos uns cinco minutos no segundo ponto, esperando que uma caravana brotasse do chão e enchesse o carro, mas nada ocorreu e o motorista partiu lentamente, como sempre.

    _ Moço, as crianças não pagam, né? - perguntou a adolescente depois da Kombi ter se afastado bastante do ponto em que entrara.

    _ Quê?! Ah! Não! - gritou o motorista, meio surdo talvez. - Só que se lotar você coloca eles no colo, tá bom, princesa?

    _ Tá...

    Depois de alguns pontos de ônibus percorridos, a velinha e a menina, com suas crianças, sairam, um casal entrou e logo depois saiu e, no shopping, a Kombi finalmente lotou. Oito pessoas, sem incluir o motorista. Pra completar tinha gente com compra do mês, e eu, para ser educado, ajudei a segurar as sacolas... Maldita boa educação. Segurar sacola plástica debaixo de sol e no aperto de um carro é horrível. A mão sua, o braço fica dormente, as pernas esquentam e não bate nenhuma leve e empoeirada brisa para refrescar.

    Continuamos a viagem e a cada cabeçada do vidro, me arrependia mais e mais de achar que seria mais rápido, de ser educado e em ter que aguentar o funk no celular do infeliz atrás de mim. Mas a merda já estava feita e eu já estava em Boa Vista, perto do Heliogás, um bairro onde só passa transporte ilegal.

    Andamos por mais um tempo e o chato do funk pediu pra descer. Com ele, os dois garotos que estavam no banco da frente desceram e um sujeito barrigudo entrou na van, sentando ao lado do motorista.

    _ E ai, Claudinho?!

    _ Ih! Iai Betão, o que tu manda? - replicou o motorista já com um sorriso na cara.

    _ Nada de mais não. Normal né, trabalhando. Sabe como é, né. Tem que trabalhar.

    _ É, tem que trabalhar.

    _ É foda. Eu fico falando com meu filho isso... Sabe meu filho, né?

    _ Sei, sei.

    _ Então, o moleque já tá grande, mas não quer saber de nada. Esses dias levou uma garota ai lá para casa e ficou reclamando que eu não quis sair de casa...

    _ Qual foi, Betão, cortou ele?!

    _ O viado nem grana pra onibus tem e quer usar minha casa de motel! Que vá para a rua...

    _ Você não era assim... Tem que respeitar essas coisas. E se fosse um marmanjo do lado dele?!

    _ Se fosse um marmanjo com dinheiro... – e começaram a rir da piada.

    _ Mas sério, - continuou o Betão – tem que ser linha dura com esses moleques de hoje. Mas tirando essas coisas pequenas, eu fico orgulhoso em ver que nenhum filho meu entrou nessa bandidagem ai. Num to certo?!

    _ Verdade...

    _ Então! Esses dias encontrei Capitão. Lembra do Capitão?

    _ Lembro! Claro que lembro!

    _ Então, não tratou os filhos dele direito e hoje estão ai, largados. Fiquei sabendo que um foi até preso...

    _ Triste né... E pobre ele não era.

    _ Quem? Capitão? Capitão tinha dinheiro!

    _ Então...

    _ Pois é. Por isso sou duro com os de lá de casa. Filho meu tem que ser trabalhador!

    _ Certo... E o Rosca? Tem visto ele?

    _ Rosca? Rosca tá lá, né.

    _ Sei... E o Jurandir?

    _ Jurandir casou com Marlice.

    _Marlice?

    _ É! Aquela morena do Bar do Jorge, a que vivia cantando no karaokê lá.

    _ Lembrei, lembrei, Marlice era uma figura... E eles já tão com filho?

    _ Não sei, mas quem tá com neto é o Chupeta.

    _ Chupeta tá com neto, é?

    _ Tá... Ele vive conversando com o João. Lembra de João né?

    _ O que vendia carro?

    _ É, ele mesmo. Tá sem nada agora. Vive lá no bar bebendo...

    _ É mesmo?

    _ É... Acho que ele ficou assim quando o Carlinhos morreu. Soube que Carlinhos morreu né?

    _ Soube, claro que soube. Rins né?

    _ Foi rins não, acho que foi fígado. Só sei que ele tava mal a um bom tempo... Dá pena de João, os dois eram muito juntos.

    _ Com certeza. Lembro deles na Praia da Luz. Viviam pescando lá...

    _ É... Mas ele melhora.

    _ Tem que melhorar, né?

    _ É...

    A Kombi deu uns tremiliques e terminou uma curva. Numa esquina um vendedor bigodudo de desinfetante caseiro acenou para o carro.

    _ Olha o Cueca ai... – comentou o Betão já esticando o pescoço pra gritar. – Olha essa água suja ai, hein!

    E um sorriso com alguma frase inaudível de resposta de quem não entendeu nada voltou do tal Cueca.

    _ Uma figura esse ai, né.

    _ Muito engraçado... – confirmou o motorista, o tal de Claudinho.

    _ Claudinho, me deixa ali na farmácia.

    _ Vai fazer o que ai na praça?

    _ Probleminhas ai... Semana que vem tem churrasco, aparece lá não?

    _ Apareco, apareco! Dou um pulo semana que vem pra comer uns lonbinhos.

    _ Filha da puta.

    A Kombi finalmente parou e o tal do Betão desceu, não antes de falar com todos:

    _ Valeu ai, Claudinho! E desculpa pela conversa ai, galera. Boa viagem para vocês!

    _ Valeu, Betão! – respondeu o motorista partindo com o carro.

    Mais cinco minutos depois, sendo o último ou um dos últimos dos remanescentes daquele carro, pago minha passagem e saiu daquele inferno.

    _ Betão... – falo para mim mesmo com um sorriso na cara, pensando numa conversa que nunca mais iria esquecer. – É mole...

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    O Samurai



    Em um mundo paralelo representando uma das possibilidades do futuro da humanidade, em um bar chamado “O Blundra”, Jack e Dudu conversam com um andróide com Inteligência Artificial. E outras coisas artificiais também.
    - ..., aí ela disse: “Eu sou freira!” – disse o andróide com a sua voz nasalada e robótica
    - Esse robô é louco, diz aí, Dudu! – disse Jack caindo na gargalhada
    - Aff...- suspirou Dudu – Só um droga desse mesmo, para nos divertir!
    - É.... ainda mais com o que essa droga de Governo anda fazendo com a gente. – disse Jack alterando seu sorriso bobo para uma carranca – Há um ano e meio, a mineração enchia nossos bolsos de dinheiro, hoje qualquer buraco que fazemos no chão, metade do dinheiro vai “pra” eles! – deu um sorriso malicioso e terminou – Se eu achar fezes de gato farei questão de dividir com eles.
    - Qualé bigode! – retrucou Dudu – O expediente acabou. Beba sua cerveja e deixa o robô contar mais sobre suas aventuras sexuais!
    E foi o que o andróide fez.

    ***

    Do lado de fora do bar, na rua mal-cuidada e cheia de buracos, O Samurai andava. Estava indo cumprir o dever que tinha com o Governo.
    Os Samurais eram os assassinos profissionais, pessoais e secretos do Governo. Claro que depois de, algo entre um século, eles deixaram de ser secretos. Só o Governo e os próprios Samurais acham que ainda são “discretos”.
    Ele olhou para o letreiro de neon vermelho escrito “O Blundra”. Só que “L” e o “R” estava com curto circuito, e apagaram em fagulhas.
    Ele abriu a porta de madeira e ouviu o Heavy Metal que tocava no volume máximo. A escória do planeta todo estava lá. Os maiores grupos de traficantes e criminosos estavam jogando cartas. O cheiro de maconha era reconhecível. Mas eles não eram seu alvo. Sabia quem eram, mas só fazia o que era mandado. Esse era o grande problema dos samurais.
    Aproximou-se e falou com o atendente.
    - Barman, procuro por Crowley.
    - Sem querer ofender, Samurai, mas aqui não damos informações, agora se quiser uma bebida...
    Foi muito rápido. O Samurai tirou de dentro de sua túnica beje sua katana e bateu com a lâmina dela na mesa. Durante o resto dos anos d’O Blundra, o talhado no balcão lembrava este dia. O barman arregalou os olhos e gaguejou:
    - C-c-crowley, né? Talvez eu o c-c-conheça...! – estalou os dedos e continuou –Ele aparece por aqui praticamente todos os dias depois das sete, para recolher as apostas.
    - Apostas foram declaradas ilegais, mas o Governo não chega até esse bairro e o que o Governo não vê, não pode saber, certo? – berrou baixo o samurai – Engana-se. Estou aqui a serviço do Dookie! Me entregue Crowley e relevarei suas palavras!
    - Hãã... bem... – disse o barman olhando para uma mulher ao lado do Samurai - ... ele já deve estar chegando, porque não espera na companhia da Alana aqui?
    O Samurai olhou para a bela mulher ao seu lado, que se apresentou como Alana.

    ***

    - ... aí ela disse: “ Ei! Meu nome é Rosário!” – disse o andróide
    Dudu começou a rir descontroladamente, mas Jack tinha seus olhos em outro local.
    - Dêem uma olhada ali. – disse apontando com o dedão para o balcão – Um maldito Samurai! Esses esnobes nojentos, sempre trazem encrenca.
    - Ei relaxe! – disse Dudu ajeitando seu cabelo – O sujeito só quer diversão. Olhe a “profissional” ao lado dele.
    - Nunca se divertem. – retrucou Jack. Ninguém nunca mais viu a carranca de Jack como naquele dia – Você é jovem e não lembra, mas eu me lembro como era quando trabalhavam para o Governo. E agora isso ta de volta?
    - Eita! Hoje é dia – riu Dudu limpando a espuma de cerveja de sua boca – Primeiro reclamou do Governo, agora dos Samurais, dá um tempo! – apontou para o Samurai que entrava em uma porta junto com a mulher chamada Alana.
    - É sexta à noite! Vamos beber, ficar de porre e quem sabe nos divertir com umas cocotas, hein? – disse Dudu cutucando Jack com o cotovelo
    - Quem me dera! Se a Claire descobre me mata! – choramingou Jack. Seu olhos já não era mais visíveis, tamanha a carranca que tinha.
    - Ela nem precisa saber! Olha, ta vendo aquela garota sentada ali? O nome dela é Annie. Chega junto nela.
    - Tá bom.
    Jack se levantou e se sentou na mesa praticamente atrás da dele.
    - Então... – começou Jack com um sorriso sedutor – Seu nome é Annie? Você sabe quem sou eu?
    - Não. – disse batendo seu copo na mesa de madeira
    - Sou a fantasia de toda a mulher!
    - Fantasia? – riu Annie – E qual é mascara que você tá usando agora?

    - Há, há,há...! – riu Dudu – Ela disse isso? Cara, que fora!
    - Maluca... tomara que Woso castigue ela!
    - Cara... tu é quem não sabe chegar na mulher. Se liga em mim. – disse piscando um olho e pulando na mesa de Annie.
    - Você foi muito mal-educada com meu amigo ali. – começou Dudu – Ele até chorando!
    - É? E porque você não faz carinho nele?
    - Eu tive uma idéia melhor: porque você não faz um carinho nele? – retrucou Dudu e saiu emburrado da mesa – Que mulher malcriada – disse para Jack
    - Odeio esse tipo de mulher.
    - Dois. – bebeu metade da cerveja e continuou – É tudo jogo duro.
    - Mulher não faz jogo duro. – disse Jack confuso. Pelo menos com a Claire não fora...
    - Claro que faz! Tem umas que pagam um pau danado e quando a gente chega junto ela dá o fora. Acho que é pelo prazer de sentir homens ao seu pés! Vem.
    Terminaram a cerveja e os dois foram na mesa de Annie.
    - Oh não! Os dois? – perguntou ela massageando a testa
    - É isso aí! Eu não desisto! – disse Dudu piscando
    - Da minha parte, só quero ver se ele consegue. Hehehe...
    - Você é durona, mas sei que está interessada em mim.
    - Cai fora! – disse Annie
    Jack puxou um lenço, jogou no chão e disse:
    - Ei, Dudu, caiu aqui.
    Eles se abaixaram e Jack falou:
    - Dudu, deixa ela pra lá, tem várias mulheres aqui no bar!
    - Nada disso, cara! Agora é uma questão de honra!

    ***

    O Samurai fechou a porta atrás de si, e se encaminhou ao barman novamente.
    - Onde está o Crowley? - perguntou
    - E-ele ainda não chegou, senhor, mas já tá pra chegar.
    - Torça por isso, homem, ou voltarei minha atenção para as ilegalidades em seu bar!

    ***

    - Vamos, admita! – ficou dizendo Dudu
    - Eu não vou admitir nada! Você já tá me enchendo o saco!
    - Sério? – disse rindo
    - Tá certo! Eu admito, gostei de você e daí?
    - Então por que o jogo duro com a gente? – perguntou Jack novamente confuso
    - Com você não, Mané! Só com ele... Queria ver ele lambendo minhas botas.
    - Não falei que ela era desse tipo? – disse Dudu radiante – Venci pela insistência! – passou o braço pelos ombros de Annie e disse – Vamos para um lugar mais sossegado?
    - Tá certo. – respondeu Annie

    ***

    - Ahn...? – resmungou o Samurai olhando para trás – Crowley? Grrrr...
    ***

    - Falou! – disse Jack com seu sorriso bobo novamente – Até amanhã, Dudu!
    - Falou, Jack!
    No momento seguinte, ouviu um barulho cortando o ar e uma fisgada nas costas. O bar começou a girar. Pessoas se levantando, gritando, chorando...

    “Da próxima vez, tomem mais cuidado!”. Essa foi a desculpa do Samurai ao perceber seu engano.

    Sem título - Raito Shiroi



    Raito Shiroi nasceu em Chiba, ele usa técnica baseada em Hyoho Niten Ichi Ryu e kenjutsu que precisa do controle da mente e do corpo.

    Raito Shiroi é bem rápido, shiroi não tem família; pai dele foi morto em campo de batalha e a mãe dele foi morta por seqüestradores. Shiroi geralmente vive sozinho e obedecendo as ordens de seu mestre, mas não se importa em trabalhar em equipe, msm ele sabendo que trabalhando em equipe ele terá mais risco de morrer, pq o maior defeito dele é proteger os mais fracos. Shiroi geralmente é neutro, mas sempre protege os mais fracos msm que custe a vida dele, e de vez enquando ele poupa a vida de seu oponente por acredita q um dia ele será mais forte e eles se enfrentaram um dia...

    Mas não ousem abusar da sorte Shiroi tbm ama mandar as almas de seus oponentes pro outro mundo e economiza o Maximo possível de atacar, sempre tentando acabar com os oponentes com o mínimo de ataque possível, mas sempre ataques certeiros e sempre q possível Shiroi leva a cabeça de seus oponentes como troféu para seu mestre.

    Mas não se engane ele tbm é uma pessoa boa, mas prefere não demonstrar isso, principalmente em campo de combate. Aos 18 anos depois de oito anos das mortes de seus pais Shiroi foi seqüestrado pelo msm grupo que seqüestrou sua mãe, La ele descobriu que o seqüestro de sua mãe não foi exatamente para matá-la e sim para um ritual (coitado já tinha pensando coisas e mais coisas) aplicaram o msm ritual que usaram em sua mãe, mas em Shiroi, Shiroi sobreviveu ao ritual, tal ritual era pra misturar o DNA de humano com de monstro, sendo assim um “semi-demônio”.

    Apos esse ritual ele se dirigiu a procura de um mestre que poderia ensiná-lo a controlar seus poderes de demônio,colocar todos seus poderes oculto pra fora e ajuda ele e seu fenrir a usar seus poderes em conjunto.A família Shiroi é especialista em controle de monstro principalmente em fenrir ou qualquer monstro q seja rápido e forte,o fenrir de Shiroi se chama ShiroiKiba,Shiroi e Kiba cresceram juntos o garoto é apenas 1 ano mais velho que seu fenrir. Depois de 2 anos de treinamento intensivo ele conseguiu a se controlar e liberar seus poderes mais oculto e habilidade que seu pai ainda não tinha trabalhado com ele e usar sua habilidade em conjunto com seu fenrir.

    Depois de conseguir passar de seus treinamento com seu velho mestre, Shiroi foi dispensado por seu mestre fazendo dois pedido para Shiroi, os pedidos era:conquistar uma das 13 laminas e achar um dojo que pudesse ser do nível dele,o garoto não quis obedecer as ordem do velho mestre e ficou mais 2 anos treinando com o mestre msm já tendo aprendido tudo que o mestre poderia ensiná-lo menos uma coisa: lealdade,honestidade,caráter e habilidade de inverter o luxo da correnteza,msm assim o garoto ficou La.

    Passou-se os 2 anos e o garoto já tava com 22 anos já tava na hora de obedecer seu velho mestre,logo que ele saiu pra procurar as tais laminas que seu mestre não tinha conseguido conquistar quando era mais jovem,recebeu a noticia que seu mestre havia sido assassinado...o garoto foi atrás das pistas que tinha recebido e conseguiu chegar nos assassinos,com um pouco de facilitar conseguiu vingar a morte de seu mestre e jurou realizar os pedidos de seu mestre,sendo assim foi logo procurar o dojo,depois de 2 semana de procura o garoto encontrou e foi aceito,La viveu com seu fenrir dos seus 22 anos ate agora com seus 28 anos e seu fenrir com 27 anos.La o garoto obteve mais informações das 13 laminas lendária,agora o garoto foca seu objetivo em conquistar
    informações das 13 laminas lendária,agora o garoto foca seu objetivo em conquistar uma dessas 13 laminas que seu mestre não conseguiu conquistar.
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    Todos os Nossos Pecados



    O homem de meia-idade encontrava-se sentado displicentemente na janela de um prédio residencial, sentindo a brisa acariciar sua face descolorada. A perna direita estava em contato com o carpete do apartamento e a outra balançava perigosamente do lado de fora – muitos metros acima da calçada.

    Já fazia alguns minutos que segurava uma garrafa de vinho com a mão trêmula e a observava com os olhos semicerrados, como se estivesse com raiva da bebida que balançava dentro do recipiente. Cansado das lembranças que o atormentavam, grunhiu brevemente e atirou o objeto na avenida. A garrafa sumiu na noite e espatifou-se estridentemente ao encontrar o chão.

    – Fez muito bem, Vitor – comentou uma voz doce e melodiosa. – Causaria um terrível mal-estar.

    A garota que falara aproximava-se morosamente, envolta em mistério, trazendo um largo sorriso estampado no rosto pálido e ossudo. Enquanto observava suas pernas longas e finas desfilando hipnoticamente em sua direção, lembrou-se do dia em que se conheceram – o terrível encontro que mudou sua vida.



    Ela não tocou a campainha. Quando o proprietário abriu a porta com a única intenção de levar o lixo para fora, encontrou-a em frente à residência, sob a chuva, esfregando as mãos e tremendo levemente.

    – Meu Deus! – exclamou, largando os sacos de lixo no tapete de entrada.

    A garota sorriu pelo canto da boca, mas permaneceu na mesma posição. Estava completamente nua e encharcada, sua pele imaculadamente branca contrastava com os cabelos lisos e escuros que desciam até seus ombros.

    – Convide-me para entrar – pediu, enquanto caminhava em direção a porta.

    – Entre, entre – disse o homem, ao mesmo tempo em que a puxava.

    O interior do aposento era iluminado por um antigo candelabro de seis braços, preso ao teto por uma grossa corrente prateada. No centro da sala, ocupando grande parte do espaço, encontrava-se uma mesa redonda de madeira escura e quatro cadeiras feitas do mesmo material.

    A menina foi conduzida até uma das cadeiras – molhando o assoalho durante o percurso –, mas não sentou. O dono da casa resmungou qualquer coisa, ausentou-se durante alguns segundos e retornou trazendo uma toalha azul e uma camisa social listrada.

    – Qual é o seu nome? Onde estão seus pais? – perguntou, enquanto a enxugava dos pés à cabeça.

    – Lílian. Mortos.

    Ele estava tão preocupado em vesti-la que não reparou a rigidez de sua voz ou a forma agressiva como seus olhos castanhos claros o fitavam.

    – O que aconteceu? Onde você mora? – prosseguiu com o interrogatório.

    – Tire as mãos de mim, seu pedófilo desgraçado – murmurou a garota.

    O homem recuou alguns passos, coçando o cavanhaque mal feito e tentando compreender o motivo da acusação. Ela não demorou a desfilar em sua direção com um sorriso perverso.

    – Você me acha atraente? – perguntou em tom libidinoso, fazendo menção de desabotoar a camisa que lhe cobria até os joelhos.

    – Deus! Você é uma criança... eu tenho filhos... – protestou o homem, verdadeiramente estupefato.

    – E eu tenho 286 anos – interpelou com certo desprezo na voz.

    Ela saltou sobre o seu interlocutor, derrubando-o facilmente. Enquanto segurava os braços da vítima, seus dentes caninos projetaram-se ameaçadoramente para fora.

    – Você acredita em Deus? – sua voz soava pesada. – Comece a rezar – intimou.

    O homem tentou levantar, mas aquele corpo aparentemente frágil e delicado exercia forte pressão sobre seu tórax. Estavam a pouquíssimos centímetros de distância, porém seu nervosismo impediu que percebesse um detalhe assustador: ela não respirava.

    – REZE! – ordenou a garota, que agora portava aparência animalesca.

    Iniciou uma oração ensaiada durante a infância em colégio católico. O desespero falou mais alto, acabou atropelando as próprias palavras e chorando convulsivamente enquanto gritava por socorro.

    – Você é patético – sussurrou em seu ouvido.

    Lílian ignorou os brados da vítima, mordeu seu pescoço com os dentes afiados e deliciou-se com o sangue que escorria das perfurações. Os últimos sons que ele ouviu, pouco antes de desmaiar, foram os baques surdos de suas pernas debatendo-se no assoalho.



    Vitor retornou do breve devaneio e, instintivamente, coçou a região onde fora mordido. Tentando ignorar a presença da garota, fingiu estar interessado por um carro que cruzava a longa e escura avenida. Alguns segundos depois, projetou seu corpo para frente, deixando claro qual era o seu desejo.

    – Você morreria na queda – afirmou Lílian, agora muito próxima, também observando a cidade adormecida pela janela.

    – Novamente? – resmungou. – Tudo que quero é me livrar dessa maldição...

    Lílian riu. É o que costumava fazer para afogar seus problemas ou desprezar os infortúnios alheios, independente da gravidade da situação.

    – O que fiz para merecer isso? – perguntou o homem, sem conseguir conter as lágrimas de sangue que vertiam dos olhos e manchavam seu rosto macilento.

    – Você não cansa dessa pergunta?

    Vitor pigarreou e ficou pensativo durante alguns segundos. Logo depois, mirando o teto iluminado por lâmpadas fluorescentes, desatou a falar:

    – Eu passei muitos anos te culpando. No momento, só consigo pensar que, de alguma maneira estranha, o rumo que tomei em minha vida me levou até os seus braços... essa nossa condição... seria algum tipo de castigo imputado à humanidade? – perguntou, aparentemente para si mesmo, enquanto torcia as mãos raivosamente.

    – Pois a culpa é minha. Foi minha decisão egoísta – respondeu Lílian, incomumente séria. – Arrependo-me profundamente, pois só me trouxe desgraças – completou, deixando escapar um sorriso contraditório.

    Vitor finalmente a fitou. Apesar dela não demonstrar remorso, o olhar do homem era condescendente, como se a estivesse desculpando pelos anos de sofrimento.

    – Você é uma boa pessoa. Todos os seus pecados serão perdoados – afirmou a garota com o sarcasmo habitual, ao perceber a intenção daquele olhar complacente.

    O homem levantou e enxugou o rosto com as mangas da camisa.

    – Todos os nossos pecados serão perdoados – recitou, sorrindo melancolicamente.

    Em consenso silencioso, deixaram o apartamento. Não trocaram olhares ou palavras, apenas caminharam pelo corredor deserto e mal iluminado, desceram as escadas em direção ao térreo, atravessaram o saguão de entrada e saíram rua afora.

    Após alguns passos pela calçada, avistaram a garrafa de vinho espatifada. A substância escura e proibida – que manchava o chão – acentuou o apetite íntimo e imoral de Lílian e Vitor; naquele momento, ambos tiveram certeza de que nunca conseguiriam controlar seus instintos. A noite só possuía uma cor: vermelho sangue.


    ______________________________________


    Um jogo de pôquer


    Não era supersticioso, mas pela manhã já percebera que aquele dia não seria bom. Chovia desde a noite. Era realmente um dia ruim, sonolento, daqueles que se deveria apagar do calendário e murrinhar empijamado, pés descalços, cabelos em desalinho e barba por fazer... morrer temporariamente. Dias atrás perdera um amigo, companheiro do trabalho e parceiro da mesa semanal de pôquer. As notícias dos jornais não colaboravam a encontrar o otimismo perdido. Guerras, assaltos, tráfico, enchentes, gripe suína, etc. Para aumentar o tédio, um vento frio e irritante insistia em penetrar no ambiente, não obstante os esforços para vedar as frestas das janelas.

    Uma cerveja... Pensou, sempre acalma e faz esquecer as chatices das mesmas tarefas, de movimentos monótonos e de enfadonha repetição. Ligou a tevê e logo lembrou de um bordão da mídia: “É isso que o povo gosta... vai começar o jogo”, como se o espetáculo realmente estivesse começando, justo naquele instante. Não estava. Era um vídeo-tape de sua memória. Hoje é terça-feira. Dia da reunião de amigos fissurados numa partida de pôquer. Marcos, Lima, Ody, Freitas e Dorinha. Continuou na introspecção. De repente, sentiu uma tonteira e tudo girando em sua volta, uma luz intensa emergiu esplendida. Parecia vindo de um poderoso refletor. Fechou os olhos e ao abri-los, paradoxalmente, viu-se cego. Naquele exato momento Mathias percebeu que não via, não ouvia nem sentia sabor. Perdera, também, os sentidos do olfato e do tato. Jamais em sua vida fora partícipe de uma cena tão aterrorizante. A situação era, realmente, de desespero. Sem tempo para raciocinar. Queria gritar, e pensava estar a gritar com plenos pulmões, mas não ouvia a sua voz.

    Seguiu-se um instante não precisado e, embora lentamente, seus sentidos voltaram ao normal. Sua sala de 30 metros quadrados, talvez mais, talvez menos, transformara-se em uma grande área circular, uma espécie de anfiteatro. Uma arena a céu aberto, como se fora uma enorme concha. Ali bem no centro estava sozinho. Não estava nem sentado nem deitado. Não levitava, mas fazia um leve movimento de lado a lado, como um manômetro. Pressentia-se em tempo infinitésimo e, igualmente, de incalculável infinitude. Parecia-lhe estar num espaço onde não cabia nada, mas era ocupado por tudo ao mesmo instante. Do alto descia uma espécie de chuva que não molhava, seca também de cores e provida de luzes até então desconhecidas. Fenômenos indescritíveis por Mathias que, aparvalhado, testemunhava aquele cromatismo em tempo e espaço não convencionais. Tão irreal e assustosa que era essa vivência, que ocorreu ser personagem de um pesadelo. Sentia uma profunda tristeza, além de total ausência de pensamento e coordenação de idéias. Mas outras reações de seu corpo, muito instigantes induziam-no do contrário, de vez que, perplexo, numa astasia desconfortável, verificava estar plenamente consciente.

    Numa sucessão rápida dos acontecimentos, encontrou-se rodeado por seis pessoas amigas, duas já falecidas e quatro ainda vivas. Tudo isto acontecendo com tal rapidez, que o p assado, aquele instante e o porvir eram um só tempo. Ah, o tempo... uma fantasia de matemáticos e astrônomos, sugeriu a mente confusa. Todos os personagens estavam nus, envoltos em névoa transparentes. Translúcidos, os corpos físicos tinham uma visualização imaterial dos sentimentos, do caráter de cada um, exposição de suas próprias vidas, um curriculum vitae inusitado. Todos, sem exceção, gostariam de esconder algo, Mathias inclusive. Despidos das roupagens da mentira, todos portavam os trajes da verdade. O alardeado princípio ético passa a ser mera presunção na vida de mentira. Não cabia explicação de qualquer dos personagens. Nada de espanto, protesto, defesa ou acusação. Estavam todos no paraíso e no inferno a um só tempo. Não há atenuantes no mundo da verdade. O entendimento real dentro do universo irreal da verdade dava a todos esquisita sensação de alívio, como se traição, desamor, egoísmo, inveja, enfim todos os seus males tivessem sido anistiados, já que elas eram práticas comuns. Se ninguém estava isento de males, a praxe redimia a todos.

    Passado o constrangimento inicial, um dos presentes propôs um jogo de pôquer. Como? Se ninguém pode blefar. Aqui todos vêem as cartas de todos. Realmente, sem a mentira não se vive, disse o outro. A mentira seria como o oxigênio. Se aqui não existe mentira, a conclusão é de que estamos todos mortos, disse outro alarmado partícipe. Estas observações alteraram o cenário da estranha assembléia, como se um comando mágico assim tivesse ordenado. Os personagens já falecidos desapareceram, e os participantes vivos se reconheceram desprovidos das visões metafísicas. A magia multicolorida havia desaparecido. O espaço ficou opaco. Uma cor fria de tempo fechado, igual a que precede às tempestades. O clima era era tenso e todos procuravam esconder o medo e a ansiedade que os assaltavam. Havia uma aparente cordialidade, constrangimento que não podia ser oculto.

    Mathias não se considerava um exemplo de virtudes, mas depois da exposição sem elas, sem amarras e limitações da consciência ética e repressora, participar daquele jogo dava-lhe uma alegria perturbadora e de incitante cumplicidade. Vamos ao jogo, falou. Um jogo jogado dentro das regras, ou seja, um jogo de blefe, de astúcia e artimanhas, porém sem fiscelas. A fiscelagem é comum no jogo da vida, principalmente quando entre políticos. Noite adentro, entrando pela madrugada, a reunião transcorreu animada. Algumas discussões dos parceiros mais rabugentos, sem maiores consequências Em um dado momento, Mathias recebeu suas cartas e, surpreso, verificou: Estavam em suas mãos Ás, Rei, Dama, Valete e Dez em sequência de ouro, o famoso “estrite-flexe” tão sonhado pelas aficionados. Apostas e repiques se sucederam. Mathias se esforçava para dissimular a emoção daquele momento sublime. Nisto algo perturbador aconteceu. Voltou ao jogo o fenômeno da translucidez. Não podia ser melhor, mas nem precisava, pensou. Estou com o jogo invencível, e ainda por cima enho o perfeito conhecimento do jogo do adversário. Restaram dois jogadores em sua oposição. Um com um “flexe” e outro, sem nada, blefando, replicou: Seus 32 mais 32, disse, pondo na mesa R$ 640,00.

    À sua frente, impassível, lá estava novamente a mentira como adversária, sem armas a apresentar, que não a dissimulação, sua razão de ser. Ansioso, Mathias esperou como nunca por este lance. Dizer ao antagonista que estava vendo suas cartas, e que ele não tinha jogo para tamanha aposta, certamente ele sorriria, aparentando muita tranquilidade. “Se acha que é blefe, paga para ver” seria sua resposta, um lugar-comum em jogos de pôquer. O certo é que a verdade nua e crua não é aceita. De outra forma, poderia repicar mais uma vez. A consciência justa, vestígios de honradez diziam-lhe: não é correto. Você está vendo o jogo dele, isto é roubo. Tossiu, sentiu a cabeça doer. Vou explodir, pensou.

    Como é que é? É pra hoje? Paga ou não paga para ver? Com este atraso, devemos prorrogar o jogo por mais meia hora.

    As perguntas irônicas, perturbadores, retiraram Mathias deste mundo imaginário, recompondo seus sentidos. Tudo neste mundo pode ser tão verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

    Não, respondeu firme e sereno, jogando sobre a mesa as cartas de suas fantasias.

    Recebeu uma sonora gargalhada em resposta. Aquilo não estava em jogo. Ou melhor, ele é que não estava em jogo. Sentiu um choque, um calafrio. Estava sentado em frente a uma televisão. O telefone tocava.

    “Alô Mathias... Estava dormindo? Vai jogar? Me parece que você está meio sonolento. Passo por aí daqui a meia hora para apanhá-lo. O jogo de hoje é na casa do Marcos.”

    Mathias, diria o poeta, “acordou para a mesma vida para que tinha adormecido”.



    _____________________________________


    Uma surpresa diferente

    Mais um dia de colheita para os fazendeiros de Kronan. O sol nascia e os muitos empregados chegavam nas plantações com ferramentas em punho, prontos para mais uma manhã suada de trabalho. O dono da fazenda, Joel, havia percebido que faltava um funcionário. Apenas um. Vestiu-se com seu habitual casaco. Não faria isso por ninguém, mas abriu uma exceção, tinha seus motivos. Não havia ninguém mais divertido e trabalhador como ele naquelas terras próximas.
    Joel entrou no seu velho carrinho e pôs-se a seguir a estrada de terra rumo à cidade grande. Encontrou no caminho seu empregado, Marcos, que estava com outros dois homens. Apressou-se a sair do veículo e a falar com ele:
    -O que está acontecendo aqui? Quem são esses homens, Marcos?
    Marcos tentou fazer um sinal para Joel, mas um dos homens percebeu e o cutucou.
    -Tarde demais - Joel escutou a voz grossa de um dos homens. Eram dois. O maior tinha dois metros de altura e uma cara de poucos amigos. O outro tinha somente um metro e setenta, porém estava armado com uma espada curvada, presa nas costas - Você vem conosco - disse o menor agarrando-o pelo braço e arrastando-o pelo matagal em direção à um outro carro. Logo o veículo saiu em disparada pela estrada de terra
    Marcos se sentiu inútil, porque aquela pessoa estava fazendo aquilo tudo? Viu o carro de Joel parado no meio da pista. Pensou em avisar alguém, mas estava distante da civilização. Revistou o carro do chefe e encontrou um kit de primeiros socorros no porta-malas. Também encontrou uma pistola.
    Sentou no banco do motorista e pisou fundo no acelerador. Conhecia o chefe daqueles homens melhor do que ninguém. Correu por dois quilômetros até entrar numa trilha de terra que ia pela esquerda. Diminuiu a velocidade e desligou o carro. Apanhou a pistola e foi avançando pela vegetação seca. Logo encontrou uma cabana aparentemente abandonada. Na porta o gigante de dois metros apoiado num imenso tacape de madeira, olhava para o vazio. Marcos olhou para a pistola, não pretendia atirar em ninguém. Estava ali para emergências. Deu à volta pelo perímetro da cabana e por uma de suas janelas viu Joel amarrado e outra pessoa muito conhecida de Marcos, que brincava com uma moeda por entre os dedos.
    Enquanto circulava o perímetro à procura de uma passagem alternativa, encontrou um galho seco, apanhou umas quatro pedras e se aproximou de uma janela lateral. Essa janela dava de frente para Joel e mostrava as costas do líder do grupo. Porém sentia a falta do homem da espada. Essa era a preocupação de Marcos. Enquanto estava na parede, olhou de fininho pelo canto da janela e seus olhos encontraram o de Joel. Este soube disfarçar bem e imediatamente olhou novamente para uma velha mesa.
    Marcos interpretou aquilo como um sinal e sacou duas pedras. Quando tirou a segunda do bolso foi surpreendido por um toque no braço esquerdo. Segurou o grito de surpresa e virou-se para ver o grandalhão de dois metros de altura brandir o tacape. Marcos esquivou-se e começou a correr em direção à vegetação seca. A porta da cabana se abriu e o líder do bando, Onin, apareceu com uma pistola em punho. Marcos rolou pelo chão e sacou a pistola apontando para Onin. O grandalhão parou de correr e olhou de Marcos para o líder.
    -O que você acha que está fazendo, garoto? - perguntou Onin sem tirar os olhos de Marcos.
    -Não sabia até que ponto você chegaria - respondeu ele - não sabia que era tão ganancioso assim.
    -Haha, e o que você sabe sobre isso? Bom... Não importa. Eu sei que você não teria coragem de atirar no seu velho amigo, teria?
    -Não me chame de amigo - disse Marcos com os dentes cerrados. Seus joelhos tremiam. Estava esquecendo de algo. Estava, até sentir uma pancada leve nas costas. Era o homem da espada. Marcos pegou o velho pedaço de madeira e desarmou ele. Depois chutou a sua barriga. Apanhou a espada com a mão esquerda e apontou novamente a pistola para Onin - Menos um - provocou ele.
    Sem demoras, Onin tentou disparar mas a pistola falhou. Marcos correu ao seu encontro e usou o cabo da espada, derrubando ele. O grandalhão veio correndo com tacape em punho. Marcos esquivou-se e também golpeou-o. Apressou-se a libertar Joel com a espada e lhe entregou a pistola. Joel conferiu a arma e depois apontou-a para Marcos.
    -O que está fazendo? - perguntou ele incrédulo.
    -O que você poderia ter feito - disse Joel e depois apertou o gatilho - um pedaço de papel apareceu na ponta da arma. Estava escrito "Feliz aniversário".
    Marcos coçou a cabeça e tudo começou a fazer sentido. Onin entrou cambaleante na cabana e deu um longo abraço no amigo - Todos esperavam que você usaria a arma - comentou ele.
    -Mas isso só mostrou que você não queria machucar a ninguém - disse Joel.
    Marcos se desvencilhou do abraço e com lágrimas nos olhos abraçou o chefe.
    -Aquela arma lá fora é de brinquedo, assim como a espada de papelão de Kojiro - comentou Joel - Você sempre comentou que queria ser um ator de filme de ação. Pois aí está.
    Um outro homem entrou na cabana e se anunciou como diretor profissional e que havia visto a perfomance de Marcos. E que ele participaria do seu próximo filme.
    -Gostou do seu presente? - perguntou Joel.
    -Muito obrigado - disse Marcos abraçando novamente o seu bom e velho chefe, depois apertou a mão de Onin - desculpe por isso, você sabe que eu nunca ia atirar em você. Nem em Kojiro ou Lorak.
    -Claro que sei. Todos esperavam que você usaria a arma. Mas eu sabia que não - dito isso os dois se abraçaram e saíram da cabana, com Joel prometendo que nunca mais daria um susto desses no velho Marcos.
    FIM

    __________________________________________

    Vertigo



    É preciso ver a cidade de cima. Esta é a única maneira de se ter uma noção do que de fato acontece, perceber cada prédio constituindo o horizonte de concreto. As ruas não parecem tão sinuosas e sujas quando vistas de baixo, os outdoors de néon são apenas vaga-lumes piscando incessantemente. Bares, hotéis, casas, mercados, todos parecem a mesma coisa quando vistos de cima, não passam de cópias.
    E no meio disso tudo – os humanos passeavam pelas avenidas em busca da “diversão”, se achavam o máximo, donos de si. Mas daquela minha posição do vigésimo primeiro andar eu os via com olhos diferentes: pareciam nada mais que ratos de laboratório, percorrendo apenas uma pequena parte do labirinto, mas ainda achando que são superiores a todos, bando de ratos. Não conseguiam enxergar as ruas laterais das avenidas, apenas uma grande visão reta, uma visão de bebidas, drogas, prédios e ainda mais outdoors. A avenida era peculiar, no começo haviam apenas lojas de brinquedos e alguns playgrounds, um lugar até agradável. Mas depois tudo desandava, era no meio que estava a sujeira nauseante: bares, lojas de roupa, perfumarias, igrejas, escolas, faculdades, traficantes, boates, “12x sem juros” mostrava um anúncio. Eu tinha nojo daquele lugar e de lá de cima eu sabia bem o porquê dessa posição agressiva: eu não conseguia distinguir uns dos outros. Se vestiam igual, cheiravam igual e o pior de tudo, pensavam igual. Não tinham personalidade fixa, tudo era orquestrado pelas opiniões das celebridades, malditas sejam. Em alguns momentos eu poderia jurar por tudo que me é mais importante que eu podia ver em seus ombros cordas, cordas estas que se estendiam até o topo do mais alto arranha-céu, e era lá que o show de marionetes era controlado. Um homem invisível para a platéia, porém este era o verdadeiro show. Os sussurros e conselhos do bonequeiro eram irresistíveis, quase que impossível de não se seguir à risca as sugestões dadas por ele. E a culpa é de quem você pode se perguntar. E eu te digo: dos próprios jovens que estão lá embaixo. Se recusam a olhar para o alto das construções, para os becos escuros que são transversais à avenida e até mesmo para trás, não ligam para o passado, só para a próxima sugestão do Mestre dos Bonecos.
    De uma das boates, o som da chamada “música moderna” se elevava até aonde eu estava, sufocava as suaves notas do jazz que cantava pela minha vitrola. Era impressionante que até eu que estava tão longe de tudo aquilo ainda conseguia ser alcançado pela influência da avenida. E eu já estava puto com isso. Tentei ser mais um rosto na multidão do nível do solo. Fui gentilmente convidado a me retirar “você não é legal o suficiente para andar conosco, vá embora” disseram eles. E foi justamente isso que me fez pensar à respeito da necessidade de ser aceito por eles, e eu não precisava. Tudo o que eu queria era ficar sossegado, brindar à noite e sentir o vento batendo no meu rosto. Aquela ocasião me fez lembrar de uma frase: “Por favor aceite a minha desistência, não quero fazer parte de um grupo que aceite eu como membro.”
    Essas pessoas me davam pena, sua visão era reta como a avenida, pré-decidida do jeito que o bonequeiro queriam. E depois de tudo isto vem a terceira parte da estrada de concreto. O lugar onde os malditos ficam, eles são os verdadeiros culpados por tudo. Educam suas crianças à maneira como foram criados, não tem expressão, temem qualquer mudança de hábito ou pensamento. Foram criado do mesmo modo que seus pais, e não vai ser agora que vão mudar isto. A maioria tenta mostrar seus modos conservadores e comemoram com aparente alegria o natal, dia das mães, dia dos pais. Mas no fundo sentem remorso, porque sentem que desperdiçaram cada segundo de suas vidas como estão desperdiçando os seus filhos. E eles se sentem mal por isso.
    Minhas elucubrações chegaram a um ponto crítico. Me equilibrei de pé no parapeito da varanda, quando olhei para baixo uma sensação de vertigem me tomou de assalto. Lembrei do meu passado e minhas realizações. Não eram mais que ganchos frágeis que se serviriam para eu me equilibrar na vida, até que ele se quebrasse e eu caísse sem ter o poder de decisão. Se ia acontecer isto comigo, era melhor que eu decidisse quando e como fazer. O jazz começava a tocar suas notas finais, o saxofonista perdia seu fôlego.
    Pulei.
    Última edição por Lucas CS; 24-10-2009 às 22:38.

  3. #3
    Avatar de Emanoel
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    O conto tibiano Relógio está localizado na categoria errada. Na verdade, são nove contos tibianos e nove contos não-tibianos.

    Gostei da variedade. Alguns ficaram engraçados (quase delirantes), outros me fizeram pensar durante um bom tempo. Evitarei explicar detalhadamente os critérios que utilizei, apenas digo que alguns me ganharam pela ideia, outros pelo desenvolvimento ou esforço do escritor. Sinceramente, estou surpreso com certas preferências, pois admirei estilos que costumo criticar.

    Não foi difícil votar, apenas li todos e os preferidos me vieram a cabeça. A posição que exigiu maior reflexão foi a terceira na categoria de contos tibianos; o desintitulado acabou prevalecendo sobre outros dois que me deixaram em dúvida.

    Enfim, meus votos...


    Categoria Tibia

    1. Relógio
    2. A Banshee
    3. «Sem Título»



    Categoria Off

    1. Um Jogo de Pôquer
    2. Medieval
    3. Vertigo
    Última edição por Emanoel; 23-10-2009 às 16:11.

  4. #4
    Avatar de Mago Teseu
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    Bom, li e gostei de alguns. Não direi os critérios.

    Minha votação ficou assim:


    1. Banshee
    2. Relógio
    3. Simpatia pela Tempestade



    1. Desesperar-te
    2. Vertigo
    3. Prosa surpresa
    Última edição por Mago Teseu; 23-10-2009 às 16:52.

  5. #5
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    Adoro esses concursos. Sempre aparece contos ótimos.

    Não sei se vou votar nos contos Tibianos, se for votar vai demorar um pouco. Mas nos OFF eu já li e tomei minha decisão.

    Com o Emanoel falou (aliás, a dias que eu riu dessa sign dele, só não tive oportunidade de comentar ), não vou expor meus critérios. Mas TENHO que dizer uma coisa: o primeiro e segundo lugar que escolhi me deixaram pasmo. Tão excelentes!

    É isso, meu voto vai para:

    1- Desesperar-te

    2- Um jogo de poker

    3- Todos os Nossos Pecados






  6. #6
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    Categoria Tibiana

    • 1 - A sociedade de Rookgaard


    • 2 - Desgrama


    • 3 - Relógio


    Categoria OFF

    • 1 - Desesperar-te


    • 2 - Prosa Surpresa


    • 3 - Vertigo
    Última edição por Steve B; 23-10-2009 às 15:58.
    "A vida acontece bem depressa. Se você não parar e olhar em volta de vez em quando, poderá perdê-la."
    - Ferris Bueller

  7. #7
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    Um breve aviso: o conto "Um dia na terra de tíbia" é, na verdade, dois contos; existe uma curta pausa entre o conto tibiano e o "conto off-tibia". Provavelmente o Lucas dará um jeito nisso... por enquanto, creio que o correto é encarar como duas obras distintas.

  8. #8
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    Só votarei nos contos Non-Tibianos. Sem saco para ler histórias de Tibia agora .-.

    1.Prosa Surpresa
    2.Desperar-te
    3.Vertigo

    -- EDIT -- Agoras os Tibianos ^^

    1.A Sociedade de Rookgaard
    2.Relógio
    3.Simpatia pela Tempestade

    Quero dizer ao autor da "Sociedade" que amei seu conto, por me lembrar de quando entrei no fórum. RS - Rookgaardian Society... eu lembro.

    ..:: Lorofous ::..
    Última edição por Lorofous; 24-10-2009 às 13:38.


    “I'm a traveler of both: time and space."

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  9. #9
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    Citação Postado originalmente por Ema do Noel Ver Post
    Um breve aviso: o conto "Um dia na terra de tíbia" é, na verdade, dois contos; existe uma curta pausa entre o conto tibiano e o "conto off-tibia". Provavelmente o Lucas dará um jeito nisso... por enquanto, creio que o correto é encarar como duas obras distintas.
    Facto. São nove de cada. Por enquanto. Esquecí de um Off :o
    Peço que leiam esses das alterações e, se necessário, façam alterações.
    Mas o conto Relógio está na seção correta. Estava na errado, mas corrigí esta madrugada :o Logo, nem entendí.

    Anyways, as mudanças foram: a inclusão do conto Fogo na categoria Off, a alteração do título do conto Mistérios e Traquinagens para apenas "Luzir~", e a separação do conto do Raito Shiroi (lol!).
    Agora, são 10 contos Off e 9 tibianos.

  10. #10
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    Fico assim q
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    1- O samurai
    2-Desesperar-te
    3-Prosa Surpresa
    Tibia
    1-Aventura em Fibula
    2-Desgrama
    3-A Banshee

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