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Tópico: Club de Regatas Vasco da Gama: Contra Tudo, Contra Todos!

  1. #1
    Avatar de Suteba Dark Hell
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    Padrão Club de Regatas Vasco da Gama: Contra Tudo, Contra Todos!

    Eu sempre quis fazer esse tópico, mas creio que nunca tive paciência, aliás, nunca vi o porquê. Fatíssimo que todo torcedor do Vasco deve conhecer a história do clube, mas alguns fatos recorrentes, algumas teorias batidas, gente querendo falar sobre o que não conhece, pediu por esse tópico.

    Esse tópico deve ter inúmeras respostas. Gente falando abobrinha, gente falando "aaah, time de segunda", gente falando que não tem como, mas fazer o quê?! Eu vou ligar pra gente assim?!

    Antes de mais nada, quero dizer que existem inúmeros flamenguistas pelo os quais eu tenho grande respeito. Incentivo todos eles a seguirem o seu ideal da mesma forma que eu sigo o meu. Só que o meu ideal é o Vasco. Nenhum flamenguista o qual merece o meu respeito se sobrepõe diante do meu Vasco à minha frente e o mesmo ocorre por lá.

    Vamos lá, eu vou me guiar pelo site do Vasco, passando por algumas outras coisinhas que existem na internet.

    Para dar introdução ao tópico, apresento-lhes um dos documentos mais importantes da história do Club de Regatas Vasco da Gama. Se não o mais importante, esta carta revela todo o respeito do Vasco diante das suas raízes populares e da sua luta contra o racismo.

    Este ato foi praticado pelo então presidente do Vasco em 1924, o Dr. José Augusto Prestes. Este, por meio desta carta, não permitiu que o Vasco se sujeitasse às coações no sentido de excluir dos seus quadros os atletas negros bem como os de origem humilde:

    Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.
    Ofício nr. 261

    Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle
    M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

    As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.
    Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.
    Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.
    Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.
    São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.
    Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
    Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado

    (a) Dr. José Augusto Prestes
    Presidente
    A história não está completa, coloquei apenas os fatos mais importantes. Quem quiser mais, ao final do tópico eu coloco os links da onde tirei.

    1898 - A Fundação

    O século XIX estava com os dias contados.
    Prudente de Morais, o terceiro presidente de nossa República, encerrava o seu mandato. O Rio de Janeiro, Distrito Federal, com pouco mais de 500 mil habitantes, era o lugar preferido de jovens que participavam de saraus e recitavam poesias. Nesse ambiente cultural, o remo era um dos únicos esportes com algum destaque na cidade. Aos domingos, uma pequena e educada multidão se agrupava nos arredores do Passeio Público e da Rua Santa Luzia para ver, nas águas limpas da Baía de Guanabara, competições entre os barcos de clubes e seus remadores.

    Nessa época, quatro jovens - Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre d `Avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Souza Júnior - , cansados de viajar a Niterói para remar com barcos do Club Gragoatá, decidiram fundar uma agremiação de remo.

    Depois de uma reunião na casa de um deles, à Rua Teófilo Ottoni 90, o número de interessados aumentou, e os encontros foram transferidos para o Clube Recreativo Arcas Comercial (Rua São Pedro). A idéia era conseguir a adesão de caixeiros portugueses, que gostavam de esportes e não tinham dinheiro para o ciclismo, em voga na época.

    Chegara a hora da fundação. Com 62 sócios assinando presença, no dia 21 de agosto de 1898, no Clube Dramático Filhos de Talma (Rua da Saúde, 293) nascia um gigante chamado Club de Regatas Vasco da Gama. A reunião foi presidida por Gaspar de Castro, que convidou para secretariá-lo Virgílio Carvalho do Amaral e Henrique Teixeira Alegria.


    O REMO, A PRIMEIRA MODALIDADE ESPORTIVA

    A aquisição dos barcos era prioridade para o Vasco. Os sócios se cotizaram e, com muito esforço, conseguiram comprar as baleeiras Zoca, Vaidosa e Volúvel, que estavam de acordo com as especificações determinadas pela União de Regatas Fluminense, entidade que regulava os esportes náuticos no Rio.

    Em 04 de junho de 1899 o Vasco venceu sua primeira regata, na classe novos, com o barco Volúvel, de seis remos. O páreo, denominado Vasco da Gama, em homenagem ao novo clube, foi vencido com uma guarnição composta pelo patrão Alberto de Castro e os remadores José Lopes de Freitas, José Cunha, José Pereira Buda de Melo, Joaquim de Oliveira Campos, Antônio Frazão Salgueiro e Carlos Batista Rodrigues.

    O ano de 1900 foi um marco na histórica rivalidade com o Flamengo. No primeiro páreo da história do remo no Brasil, e que levava o nome do clube da Gávea, a embarcação do Vasco foi a vencedora.

    O destino do Vasco sempre foi a vitória. Com empolgados torcedores assistindo às competições no varandim construído por Pereira Passos às margens da Baía de Guanabara, o primeiro título estadual não demorou. E veio em dose dupla, 1905 e 1906. No ano do bi, dia 26 de agosto, os remadores vascaínos deram outro duro golpe no rival, vencendo mais uma vez um páreo com o nome Club de Regatas do Flamengo.

    O primeiro tricampeonato do Vasco e da história do remo carioca veio em 1912, 1913 e 1914, com as embarcações Meteoro e Pereira Passos.

    1904 - UM DESAFIO AO RACISMO

    Os vascaínos elegeram o primeiro presidente não-branco da história dos clubes esportivos em atividade no Rio. Numa época em que o racismo dominava o esporte, Cândido José de Araújo, um mulato que não dispensava a elegância de um cravo branco na lapela, fez uma gestão exemplar, apresentando o Vasco como um clube aberto e sem preconceitos.

    1915 - NASCE O FUTEBOL NO VASCO

    Com o sucesso no mar, era hora de colocar a bandeira vascaína no topo de outras modalidades esportivas.

    Trazido da Inglaterra, o futebol, depois de um começo tímido nos primeiros anos do século, vinha ganhando força e popularidade junto aos cariocas. Em 1913, um combinado português veio ao Rio a convite do Botafogo para disputar alguns amistosos. O relativo fracasso do time na excursão não foi suficiente para aplacar a empolgação da colônia lusa com o esporte bretão. Em pouco tempo, os portugueses radicados no Rio formaram seus clubes para a prática dessa modalidade esportiva: o Centro Esportivo Português, o Lusitano e o Lusitânia. Dos três, o único que conseguiu manter-se foi o Lusitânia, justamente um clube cujo estatuto só autorizava portugueses nos quadros.

    A diretoria do Vasco, interessada desde o início da década em formar um time de futebol, vinha tentando seduzir o escrete luso a se fundir ao clube de regatas. O empecilho era a restrição da nacionalidade, pois as regras do Vasco afirmavam a união de irmãos de todas as raças, mas a norma da Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA), que promovia o futebol no Rio, impedia a participação de clubes sem brasileiros em seus quadros. O Lusitânia cedeu e aceitou a fusão.

    No dia 26 de novembro de 1915, nascia o futebol do Vasco. Pouco mais de cinco meses depois, no dia 3 de maio de 1916, vestindo uma camisa preta com a Cruz da Ordem de Cristo - equivocadamente chamada de Cruz-de-Malta - à altura do coração, o time do Vasco estreou, no campo do Botafogo, contra o Paladino Futebol Clube, na Terceira Divisão da Liga Metropolitana de Sports Athleticos (LMSA). O resultado não foi muito animador: goleada de 10 a 1 para os adversários. O gol de honra dos cruzmaltinos, primeiro gol da história do Vasco, foi marcado por Adão Antônio Brandão, um português que viera para o Rio de castigo, pois o pai não perdoava sua falta de gosto pelos estudos.

    Nos tempos do amadorismo, Adão marcou época no clube como um atleta polivalente, que se destacava tanto no futebol quanto em outros esportes, como atletismo, remo, natação e pólo aquático. Jogou futebol até 1933, quando o esporte se profissionalizou no então Distrito Federal.

    O fracasso nos jogos iniciais não desanimou o time. A primeira vitória surgiu pouco tempo depois, no dia 29 de outubro de 1916: o Vasco venceu a Associação Atlética River São Bento por um magro, porém convincente, marcador de 2 a 1. Os gols que deram a alegria aos vascaínos foram de Alberto Costa Júnior e Cândido Almeida. A partida, disputada no campo do São Cristóvão, na Rua Figueira de Mello, valia pontos para a Terceira Divisão da LMSA. No entanto, o resultado positivo não foi suficiente para melhorar a colocação e o time de São Januário terminou em último lugar.

    Em 1917, a LMSA foi reformada e passou a ser denominada Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMTD). O número de participantes em cada Divisão aumentou para dez e os seis clubes da Terceira Divisão - inclusive o Vasco - foram promovidos para a competição da Segunda. No campeonato daquele ano, o Catete ficou com o título, mas o time cruzmaltino começou a mostrar sua força, com nove vitórias em 16 jogos e a quarta colocação no total geral de pontos. No ano seguinte, o título foi conquistado pelo Americano, time da capital, mas o Vasco chegou ainda mais perto, terminando a disputa na terceira colocação.

    Em 1919, o Vasco, mesmo com nove vitórias, chegou na quinta posição, deixando o título para o Palmeiras. No ano seguinte, um quarto lugar. No campeonato de 1921, a Liga Metropolitana reordenou as Divisões, separando a Primeira pelas categorias A e B. O Vasco foi conduzido para a B, e os bons resultados não demoraram a aparecer. Os cruzmaltinos chegaram perto mais uma vez, dois postos atrás do time campeão, o Vila Isabel.

    1922 - CHEGANDO À PRIMEIRA DIVISÃO DO FUTEBOL

    Em 1922 a redenção. O Vasco venceu a Série B em todos os quadros que disputou. Quem esteve no estádio da Rua Morais e Silva, no dia 17 de julho daquele ano, viu o time principal massacrar o Carioca, imputando-lhe um humilhante 8 a 3, e levantar a Taça Constantino, primeira na história do futebol do clube.

    A equipe, comandada pelo rigoroso técnico uruguaio Ramón Platero, jogou com Nélson, Mingote e Leitão, Nolasco, Bráulio e Artur, Pascoal, Cardoso Pires, Torterolli, Claudionor e Negrito. O artilheiro foi Claudionor, que marcou quatro gols, seguido de Cardoso Pires, com dois. Pascoal e Torterolli fizeram um cada.

    Muito mais do que um título, a goleada deu ao Vasco a chance de que precisava para estar entre os grandes, na Série A da Primeira Divisão, e mostrar seu valor. Com um time cada vez melhor e uma torcida que começava a mostrar sua força nos subúrbios do Rio, seria mais fácil do que se imaginava. Mas, antes, a equipe teria de enfrentar o São Cristóvão, último colocado da Divisão Principal em 22, para ganhar a vaga entre os grandes. Como houve empate sem gols, o Vasco ganhou a almejada promoção e o São Cristóvão não foi rebaixado.

    1923 - O PRIMEIRO TÍTULO LOGO NA ESTRÉIA ENTRE OS GRANDES

    No ano seguinte, com os cariocas ainda chorando a morte de Ruy Barbosa, o time entrou na disputa pelo título principal do futebol da cidade. O Vasco, um clube desacreditado, vinha de um campeonato em que os oponentes eram times fracos. E enfrentaria os grandes, como Flamengo, Fluminense, Botafogo e América.

    Mas um fato despertou curiosidade. Enquanto os times que disputavam a Série A eram formados exclusivamente por jovens da elite carioca, o Vasco chegava ao campeonato recheado de jogadores negros e de operários, todos arrebanhados nos terrenos baldios dos subúrbios cariocas. O técnico Ramón Platero submetia os jogadores a um ritmo alucinante de treinos, fazia-os correr diariamente do campo do Vasco, então na Rua Morais e Silva, na Quinta da Boa Vista, até a Praça Barão de Drumond, em Vila Isabel. Os demais grandes, apesar de instigados, não notaram a força do time do Vasco.

    Depois de um empate em um gol com o Andaraí, em General Severiano, a nau vascaína se aprumou no campeonato e foi esmagando seus adversários, sempre utilizando uma técnica infalível. Como o preparo físico do time era evidentemente superior ao dos outros, Platero fazia seu time levar o primeiro tempo em ritmo lento, para, no segundo, arrasá-los. Todas as 11 vitórias no campeonato foram alcançadas nos últimos 45 minutos.

    No fim do primeiro turno, o Vasco já apresentava números assustadores para os adversários: seis vitórias e apenas um empate, na estréia no campeonato. A equipe cruzmaltina seguia seu caminho de sucesso também no segundo turno, quando encontrou pela frente seu já conhecido rival de Regatas, o Flamengo. Na primeira vez na história em que os dois times se enfrentaram, no turno anterior, o Vasco chegara à vitória pelo marcador de 3 a 1. Os camisas pretas - apelido dado aos jogadores vascaínos por causa do uniforme - vinham massacrando seus adversários e o time rubro-negro seria apenas mais um a cair.

    Domingo, 8 de julho de 1923. O título Clássico dos Milhões, que mais tarde nomeou o confronto entre os dois rivais, já poderia ter sido inventado naquela tarde, no campo do Fluminense, na então Rua Guanabara.

    A Liga Metropolitana, responsável pela organização do campeonato e de olho na grande arrecadação, pos ingressos demais à venda. O resultado foi contado nos jornais da época. " Mais de 35 mil pessoas, sem exagero, encheram as vastas dependências do tricolor", escreveu "O Imparcial". Com todos os espaços reservados ao público preenchidos, muitos torcedores pularam a grade que separava o campo para assistir ao jogo da pista de atletismo. O interesse naquela partida era justificável: os vascaínos vinham vencendo todos os clubes cariocas e o que se viu naquela tarde foi uma reunião de torcedores de todos os times contra os terríveis camisas pretas.

    O Flamengo largou na frente e logo depois ampliou a vantagem para 2 a 0. No início do segundo tempo Cecy diminuiu, mas em seguida os rubro-negros ampliaram o marcador. A quatro minutos do fim Arlindo descontou mais uma vez para o Vasco, deixando o marcador em 3 a 2. Na seqüência, houve uma forte pressão dos vascaínos, mas o Flamengo conseguiu sustentar o resultado. O jogo criou uma polêmica histórica. Os cruzmaltinos afirmam, até hoje, ter havido um terceiro gol, mal anulado pelo árbitro. Mas não há qualquer registro desse lance na imprensa carioca.

    Resta a dúvida na cabeça de alguns vascaínos: será que, como a torcida que lotava o estádio, os jornalistas também torciam contra os camisas pretas? No entanto, a derrota para o rival não abalou a confiança do Vasco que partiu com tudo para buscar o título.

    Bem alimentados pelas refeições que faziam no restaurante Filhos do Céu, na Praça da Bandeira, e bem dispostos, graças ao repouso oferecido no dormitório do Clube, os jogadores cruzmaltinos enfrentaram, a seguir, América, Fluminense e São Cristóvão. Rubros e tricolores caíram na mesma tática das demais vitórias vascaínas e foram liquidados, no segundo tempo, pelo suficiente placar de 2 a 1. Uma vitória sobre o São Cristóvão, na penúltima rodada, daria o título por antecipação aos cruzmaltinos. Por isso mesmo, o adversário partiu para cima e marcou primeiro, ampliando a vantagem logo a seguir. Com 2 a 0 no placar, o público que torcia contra o Vasco acreditava que a parada estava ganha. Contudo, mais uma vez, a estratégia de Ramón Platero funcionou e, na etapa final, o time entrou com mais fôlego e virou a partida para 3 a 2, com um gol de Cecy e dois de Negrito.

    Os camisas pretas, no seu ano de estréia na Série A da Primeira Divisão, tornavam-se campeões com todos os méritos possíveis, com o seguinte time base: Nélson, Leitão e Mingote, Nicolino, Claudionor e Artur, Pascoal, Torterolli, Arlindo, Cecy e Negrito.

    1923 - O VASCO CRIA O BICHO NO FUTEBOL

    Nesse campeonato o Vasco instituiu uma forma criativa de pagamento aos seus jogadores. Nos mercados de secos e molhados da Saúde e da Rua do Russel, os portugueses tinham o hábito de apostar nas vitórias do Vasco.

    Como quase sempre venciam, decidiram dividir o lucro com os jogadores. Contudo, os atletas não poderiam receber em dinheiro, já que eram amadores. Criou-se, então, uma tabela que rendia uma premiação de animal, de acordo com a importância do adversário que o Vasco vencia. O América, o campeão em 22, valia uma vaca com quatro pernas. O Flamengo, bicampeão em 20/21 era merecedor de uma vaca com três pernas. Uma vitória sobre o tricolor carioca era trocada por duas ovelhas e um porco. Vencer o Botafogo e outros times também rendiam algum animal, sempre de galo para cima.

    Estava então criado o bicho, um tipo de premiação por bom resultado em um jogo e que viraria uma instituição no futebol brasileiro.

    1924 - UMA RESISTÊNCIA À DISCRIMINAÇÃO RACIAL E SOCIAL

    Enquanto na política o líder era o presidente Arthur Bernardes, no futebol a equipe vascaína vencia quase todas as partidas que disputava e também as competições. Depois de atropelar os adversários no ano anterior, em 1924 o Vasco já era o inimigo número 1 das demais torcidas cariocas. Um rival a ser batido, de qualquer maneira.

    E já que era difícil batê-lo em campo, os dirigentes dos clubes rivais resolveram investigar as posições profissionais e sociais dos camisas pretas, pois o futebol ainda era amador e jogador não podia receber pela prática do esporte. Um verdadeiro golpe para tirar o Vasco das disputas.

    Entretanto, os vascaínos driblaram com categoria as leis da Liga Metropolitana ao registrarem seus craques como empregados de estabelecimentos comerciais dos portugueses.

    Não satisfeitos, os membros da sindicância da entidade resolveram fiscalizar a veracidade das informações. O tricolor Reis Carneiro, o rubro Armando de Paula Freitas e o rubro-negro Diocésano Ferreira se cansaram de bater às portas das firmas lusitanas e ouvir que os jogadores, ou melhor, funcionários, estavam realizando serviços externos.

    A fiscalização das profissões dos jogadores era, na realidade, ilegítima. Por baixo dos panos, muitos atletas dos grandes clubes cariocas já recebiam para jogar. O que de fato incomodava os adversários era a origem daqueles jogadores: um time formado por negros, mulatos e operários, arrebanhados nas áreas pobres da cidade do Rio de Janeiro. E, ainda por cima, com o troféu nas mãos.

    Depois de esgotadas todas as possibilidades de retirar o Vasco da disputa, pelo regulamento da Liga Metropolitana, os adversários apelaram para a criação de uma nova entidade, a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Aceitaram a inscrição de todos os grandes e, é claro, recusaram a dos vascaínos. Com um argumento nada convincente. Segundo os dirigentes adversários, o time cruzmaltino era formado por atletas de profissão duvidosa e o clube não contava com um estádio em boas condições.

    Realmente, o campo da Rua Morais e Silva não tinha a estrutura que o Vasco merecia, mas não era esse o problema. Isso ficou claro na proposta feita pela AMEA, excluir 12 de seus jogadores da competição, justamente os negros e operários. O Vasco recusou a proposta por uma carta histórica de José Augusto Prestes, então presidente cruzmaltino, ao presidente da AMEA, Arnaldo Guinle:

    "Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à Amea, alguns dos que lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo seus atletas. "São 12 jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de suas carreiras. Um ato público que os maculasse nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias". E finalizou, decidindo não entrar na nova entidade: "Nestes termos, sentimos ter de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da Amea".


    Sem um campo em condições e vítima do racismo de seus adversários, restou ao Vasco disputar, com outros 21 times de menor expressão o campeonato da abandonada Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Dezesseis vitórias depois, sem nenhum empate ou derrota, os camisas pretas levantavam o bicampeonato sem dificuldades. No triangular final, no campo do Andaraí, o Vasco goleou por 5 x 0 o Engenho de Dentro e passou sem dificuldades pelo Bonsucesso, com uma vitória simples. O time-base era quase uma repetição do ano anterior, com apenas duas substituições: Nicolino por Brilhante e Arlindo por Russinho. Ramón Platero permanecia firme no comando.

    No ano seguinte, graças à intervenção de Carlito Rocha, dirigente do Botafogo e árbitro da polêmica partida contra o Flamengo, em 1923, o Vasco foi admitido na Amea. O Clube mandava seus jogos no campo do Andaraí, onde é hoje o Shopping Iguatemi, mas seus dirigentes já se movimentavam para construir um belo estádio de futebol. E, por tabela, dar uma lição naqueles que um dia afastaram os camisas pretas da disputa com os grandes.

    1927 - SURGE SÃO JANUÁRIO, O GIGANTE DA COLINA

    Diante de tanta discriminação, o Vasco iniciou uma campanha histórica de arrecadação de fundos entre associados e simpatizantes para a construção de um estádio à altura da grandeza do Clube. Na volta à Divisão dos principais times do Rio, em 1925, o Vasco fez boa campanha, 13 vitórias, três empates e duas derrotas, terminando em terceiro lugar. Em 1926, os camisas pretas chegaram ao vice-campeonato, ao vencerem 14 das 18 partidas disputadas.

    Mas os vascaínos estavam muito mais preocupados em realizar o sonho de um estádio do que com o Campeonato Carioca. O tempo provaria que eles estavam certos, nos anos seguintes à inauguração de São Januário, o Vasco construiria um império respeitável de títulos e ganharia projeção internacional.

    Em pouco tempo, as contribuições de torcedores e simpatizantes somavam 685 contos e 895 mil réis. O dinheiro era suficiente para a aquisição de uma enorme área em São Cristóvão. Com o terreno comprado, o próximo passo seria ainda mais difícil: arrecadar aproximadamente dois mil contos de réis para a construção do estádio. Outra vez, a força do povo falou mais alto e, em pouco mais de um ano, as obras se iniciavam.

    Durante a construção surgiu uma pedra no caminho do Vasco. O presidente da República, Washington Luís, se negou a autorizar a importação de cimento belga - já utilizado na construção do Jockey Club -, mesmo sabendo que o país ainda não dispunha do produto para obras dessa grandeza. Os construtores, então, acharam uma solução criativa, na mistura de cimento, areia e pedra britada.

    São Januário se tornaria não apenas um belo estádio, mas um marco na história da construção civil do país. Dez meses depois de lançada a pedra fundamental, o Estádio de São Januário era inaugurado em 21 de abril de 1927, com a presença de Washington Luís que, pouco tempo antes, havia dificultado a construção.

    Era dia de festa e a parida inaugural do estádio. O time da casa recebeu o Santos, grande potência do futebol paulista àquela época, e foi derrotado por 5x3. O resultado negativo pouco importou. O que ficou foi a nova realidade do clube.

    Até o ano de 1941, quando foi inaugurado o Pacaembu, em São Paulo, São Januário reinou absoluto por 14 anos como o maior e melhor estádio do Brasil.


    1931 - PRIMEIRO CARIOCA NO EXTERIOR

    Em 1931, o Vasco chegou ainda mais perto do título carioca. Na última rodada, com um ponto de vantagem sobre o América, o time cruzmaltino perdeu por 3x0 do Botafogo, enquanto o América vencia por 3x1 o Bonsucesso e garantia mais uma taça.

    Neste campeonato, os vascaínos impuseram a maior goleada da história no rival rubro-negro, com um humilhante placar de 7x0. Só que não foi esse o fato mais marcante do ano em São Januário: o Vasco se tornou o segundo clube brasileiro - o Paulistano, de São Paulo, abriu as portas - e o primeiro carioca a ser convidado para uma excursão à Europa, mais precisamente a Portugal e Espanha.

    Para reforçar a equipe, os dirigentes convidaram Nilo, Carvalho Leite e Benedito (Botafogo) e Fernando (Fluminense). Em 12 partidas, o Vasco venceu oito, empatou uma e perdeu três. Marcou 45 gols e sofreu apenas 18.

    As conseqüências do sucesso vieram logo em seguida: os jogadores Fausto e Jaguaré foram contratados pelo Barcelona, um dos times que sofreram com a técnica dos camisas pretas.

    1947 - O EXPRESSO DA VITÓRIA

    O Vasco vinha com um ataque de espantar qualquer defesa, Djalma, Maneca, Friaça (Dimas), Lelé (Ismael) e Chico. No comando da equipe, Flávio Costa, tricampeão (1942/43/44) pelo Flamengo substituía Ernesto dos Santos, que fracassara no ano anterior.

    Depois de vencer com facilidade o torneio Estadual, marcando 40 gols em apenas dez jogos, o time continuou atropelando seus adversários no Carioca, estufando as redes 68 vezes em 20 partidas. No primeiro turno desse campeonato, o Vasco ganhou do Canto do Rio por 14x1, impondo a maior goleada da fase profissional do futebol carioca. O adversário ainda tentou evitar o vexame substituindo o goleiro no intervalo quando o jogo estava 5x0. Antes tivesse deixado o infeliz em campo.

    No jogo mais difícil contra o Botafogo de Heleno de Freitas, um empate sem gols garantiu o título ao Vasco. O Expresso terminou o campeonato invicto, com sete pontos à frente do alvinegro.


    1948 - VASCO CONQUISTA PRIMEIRO TÍTULO INTERNACIONAL PARA O BRASIL

    Com a volta de Ademir ao time, um título muito especial estava reservado para o ano de 1948. O Vasco, como campeão do Distrito Federal de 1947, foi convidado pelo Colo Colo para disputar o Torneio dos Campeões Sul-Amaericanos, no Chile. Jogando contra grandes times de sete países do continente, em turno único, todos contra todos e contando pontos corridos, os cruzmaltinos não deram chances aos adversários e trouxeram o caneco para casa de forma invicta.

    A conquista começou a ser desenhada na segunda partida, em que o Vasco aplicou um irreparável 4x0 no temido Nacional, do Uruguai, do artilheiro Atílio Garcia. Pintou em cores vivas quando a equipe de São Januário arrancou um empate em 1x1 com o time da casa. E virou realidade no heróico 0x0 contra o River Plate de Di Stéfano que marcara 27 gols no campeonato argentino daquele ano. Nesse jogo, que entrou para a história do Vasco, Barbosa pegou um pênalti e o árbitro anulou um gol do Vasco.

    Esta conquista representou o primeiro título internacional do futebol brasileiro, seja de clube ou seleções, o que reforça o pioneirismo do Clube de São Januário.


    1949 - RECORDE DE GOLS, MAIS UM CAMPEONATO INVICTO

    Em 1949 o Vasco contou com a presença de Heleno de Freitas no comando do ataque. Se o time já havia assustado as defesas adversárias com goleadas históricas, nesse ano os goleiros perderiam a conta do número de vezes que buscariam a bola no fundo da rede. Foram 84 gols em apenas 20 jogos, um recorde. E mais um título invicto, ainda sob o comando de Flávio Costa.

    O rival Flamengo, que desde 44 não ganhava do Vasco, voltou a sofrer com o Expresso. Os rubro-negros chegaram a fazer 2x0 no placar, em plena Gávea. Eufóricos, os flamenguistas davam como certa a vitória. No fim da partida, o placar anunciava 5x2 para os cruzmaltinos, para desespero do adversário.

    1950 - A BASE DA SELEÇÃO, QUASE CAMPEÃ MUNDIAL DE 1950

    O Brasil de 1950 com exibições de gala, mas por motivos políticos e da velha rivalidade Rio x São Paulo acabou perdendo o seu primeiro mundial em pleno Maracanã. A base da seleção brasileira era a equipe do Vasco, disparada a melhor do Brasil, com cinco jogadores em campo: Barbosa, Augusto, Danilo, Chico e o artilheiro da Copa do Mundo, o grande ídolo Ademir.

    1950 - O EXPRESSO DA VITÓRIA E DAS GOLEADAS HISTÓRICAS

    No primeiro Campeonato realizado no Maracanã, o Vasco voltou ao hábito de marcar muitos gols. Logo no jogo de estréia, o São Cristóvão sentiu o sabor amargo de ser goleado: 6x0. Depois, os vascaínos, ainda atropelaram o Madureira (9x1), o Canto do Rio (7x0), o Bonsucesso (7x2) e o Fluminense (4x0) que no turno anterior havia derrotado o Vasco por 2x1. O último jogo foi contra o América, outro que derrotara o Vasco no turno. O Vasco venceu (2x1) e levou mais um título para São Januário.

    A denominação Expresso da Vitória surgiu num programa esportivo e musical da Rádio Nacional, que contava com a participação de Lamartine Babo, entre outros. Lá pelas tantas, um cantor, ao se apresentar, disse que dedicaria a música ao Vasco, o Expresso da Vitória, um time que atropelava os adversários em campo. Quem contou essa história foi Ademir, em entrevista à "Folha do Esporte". O nome escolhido pelo cantor para homenagear a maior locomotiva de gols da história do Vasco não poderia ter sido mais oportuno. Com o fim do Expresso era a hora da renovação.

    1953 - A RENOVAÇÃO

    Em 1953, Vavá, Bellini, Sabará e outros jogadores de talento e força foram incorporados definitivamente ao time principal. O ano começou bem para o Vasco. No Quadrangular Internacional do Rio, disputado no Maracanã com Boca Juniors e Racing, ambos da Argentina, e Flamengo, os cruzmaltinos levaram o título com dois empates com os argentinos e mais uma goleada de 5x2 nos rubro-negros. Em seguida, foi para o Chile disputar o Torneio Internacional de Santiago. Venceu o colombiano Milionários e, mais uma vez, o Colo Colo, pelo suficiente placar de 2x1, sagrando-se campeão.

    1958 - O PIONEIRISMO DO VASCO, MAIS UMA VEZ, NO GESTO DE BELLINI

    Em 1958, ano de Copa do Mundo, o Vasco cedeu Bellini, Orlando e Vavá para ajudar a Seleção Brasileira a conquistar seu primeiro título de campeã. A competição foi na Suécia e a final, com os donos da casa. Após 90 minutos, Brasil 5x2, com dois gols de Pelé, um de Zagallo e dois de Vavá. Coube ao capitão da seleção, o nosso Bellini, erguer com as duas mãos e sobre a cabeça, a Taça Jules Rimet. Um gesto que se tornou famoso e depois acabou sendo copiado por todos os capitães cujas seleções já foram campeãs do mundo.

    1958 - O SUPER-SUPERCAMPEONATO

    O título do Brasil tornou o Carioca de 1958 especial. Com excelentes jogadores, o Vasco vendeu o campeão mundial Vavá para o Atlético de Madrid. Mas nem assim caiu de produção: os substitutos, como esperavam dirigentes, comissão técnica e torcedores, deram conta do recado. Ao final de dois turnos, Vasco, Flamengo e Botafogo estavam com o mesmo número de pontos ganhos. Foi realizado, então, um supercampeonato, em turno único, com os três jogando entre si. Depois de derrotar o Flamengo por 2 a 0, o Vasco perdeu do Botafogo, provocando um novo empate entre os três.

    A saída foi disputar o Super-supercampeonato. Uma vitória por 2 a 1 sobre os alvinegros e um empate em 1 a 1 com os rubro-negros garantiu o tão sofrido e valorizado título para o time de São Januário.


    1965 - TROFÉU QUARTO CENTENÁRIO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

    Dentro da inexpressiva década vascaína de 1960, o ano de 1965 talvez tenha sido um dos mais significativos para o time de São Januário. Em comemoração ao quarto centenário da Cidade do Rio de Janeiro, foi organizado um grande torneio contando com o Vasco, Flamengo e Seleção da Alemanha Oriental. O Vasco venceu o Flamengo e a seleção alemã, conquistando, de forma sensacional o título de Campeão do Troféu Quarto Centenário.

    1974 - O PRIMEIRO TÍTULO DE CAMPEÃO BRASILEIRO

    A decisão, marcada anteriormente para o Mineirão, foi transferida para o Maracanã, pois no jogo anterior dirigentes do Cruzeiro, alegando um pênalti não marcado a favor da equipe mineira, invadiram o campo. Resultado, perderam o mando de campo e o jogo foi transferido para o Rio. O Cruzeiro de Piazza e Palhinha começou assustando, mas não demorou e o vascaíno Ademir estufou as redes. Na etapa final, Nelinho, chutando de longe, fez 1 a 1.

    A agonia somente acabou aos 36 minutos, quando Alcir lançou Jorginho Carvoeiro que dividiu com o goleiro Victor e fez o gol do título. Dessa forma, com o seu pioneirismo, o Vasco carimbava mais uma página da história sagrando-se o primeiro Clube do Rio a ser Campeão Brasileiro.

    1987/88 - O BICAMPEONATO CARIOCA

    Em 1987 o país chora a morte do poeta Carlos Drumond de Andrade, entretanto, ao menos a alegria do futebol estava garantida pela dupla Roberto Dinamite e Romário. A equipe vascaína fez ótima Taça Guanabara chegando à decisão dom o Flamengo e precisando apenas de um empate. Atuou garantindo o 0x0 Após o vice da Tara Rio, o Vasco disputou o a final em um triangular com o Bangu e o Flamengo.

    O time de Moça Bonita foi goleado por 4x0. Era a hora de acertar as contas com o Flamengo, não deu outra com uma exibição de gala, um passe sensacional de Roberto Dinamite, em uma das jogadas de maior beleza plástica que o Maracanã já viu, a bola veio limpa para Tita, ex-jogador do Flamengo, que mandou um balaço para as redes adversárias fechando o caixão do Flamengo. Melhor revanche, impossível. Vasco Campeão Carioca de 1987.


    No Estadual de 1988, após o vice-campeonato da Taça Guanabara, o Vasco voltou a mostrar sua força e venceu a Taça Rio. Neste Estadual o Vasco iniciou uma série de vitórias em cima do Flamengo, chegando a fazer a quina, ao vencer cinco jogos consecutivos. A primeira (1x0) foi ainda na Taça Rio, gol do apoiador Henrique. Em seguida, já no terceiro turno, depois de vencer o Americano e empatar com o Fluminense, o Vasco ganhou do Flamengo por 3x1, com dois gols de Sorato e um de Vivinho.

    Com esse resultado a equipe de São Januário jogaria a final em duas partidas com os rubro-negros, podendo até alcançar a quarta em razão do número de pontos necessários. No primeiro jogo da final, Vasco 2x1, gols de Bismarck e Romário. Na partida decisiva, por precisar somente do empate, o Vasco jogou recuado. Faltando cinco minutos para o fim do jogo, o técnico Sebastião Lazaroni tirou Vivinho e colocou em campo o Cocada. Logo após entrar o lateral direito deu um corte no zagueiro Edinho e fuzilou da entrada da área marcando o gol do título e entrando para a história do Clube.

    1989 - O BICAMPEONATO BRASILEIRO

    Em 1989, com a venda de jogadores para o exterior, o Vascão arrecadou dinheiro para montar um supertime. Bebeto foi tirado do Flamengo numa grande jogada dos dirigentes vascaínos, após um desentendimento entre o clube rival e o jogador. Para completar o elenco chegaram Luís Carlos Winck, Boiadeiro, entre outros.

    Em excursão à França o Vasco derrotou a equipe francesa do Metz e o time iugoslavo Estrela Vermelha, ganhando o Torneio de Metz. Em seguida o time cruzmaltino chegou ao tri do Ramon de Carranza, derrotando o espanhol Atlético de Madri e o uruguaio Nacional. Era a hora de mais um Brasileiro. Mesmo com um ótimo elenco o Vasco demorou a engrenar no campeonato.

    O time alternava partidas brilhantes com outras apenas razoáveis e o craque Bebeto era vítima de sucessivas lesões. O título de favorito já estava começando a cair por terra e quando ninguém mais acreditava o Vasco reagiu nas partidas, justamente, mais difíceis. Venceu o Corinthians, em São Paulo, e o Internacional, em Porto Alegre. Com a virada, foi à final com um ponto de vantagem sobre o São Paulo, o que lhe bastava uma vitória para sagrar-se Campeão.

    O técnico Nelsinho reuniu o elenco e todos concordaram em jogar a primeira fora de casa. Caso perdessem, fariam a final no Maracanã. No jogo do Morumbi o Vasco usou a estratégia de deixar o São Paulo vir para cima e explorar os contra-ataques em alta velocidade. Aos cinco minutos da etapa final, após cruzamento de Winck, Sorato cabeceou com violência no canto direito do goleiro Gilmar, marcando o gol do título. O goleiro Acácio, em tarde inspiradíssima, fez defesas magistrais. O Vasco ganhava o seu título de bicampeão Brasileiro.

    1992/93/94 - O TRICAMPEONATO ESTADUAL

    Com o Maracanã interditado para obras, depois do grave acidente na final do Brasileiro de 1991, o Estádio de São Januário serviu de palco para os grandes jogos do Rio.

    Foi um título invicto, após vencer os dois turnos disputados, sem a necessidade de final. A equipe garantiu a conquista com uma vitória por 1x0, gol de Valdir contra o Bangu.

    No último jogo da competição, um empate com o Flamengo em 1x1 serviu de pano de fundo para um momento de emoção para os torcedores do Vasco, Roberto fazia sua despedida dos campos em jogos do Carioca. Maior goleador do clube em todos os tempos, foram 698 gols em 1.110 jogos com a camisa cruzmaltina. Dinamite saiu dos campos com a mesma simplicidade que o fez alcançar o sucesso.


    Em 1993, depois de ser vice na Taça Guanabara o Vasco recuperou-se, venceu a Taça Rio e ganhou o direito de disputar as finais. Depois de uma vitória para cada lado, o Vasco jogou para segurar o empate contra o Fluminense e saiu de campo com o título de bicampeão estadual.

    O ano de 1994 foi marcado pela passagem relâmpago de Dener por São Januário. Jogador em que os vascaínos depositavam muita esperança, ela acabou tendo carreira curta. Morreu, tragicamente num acidente automobilístico na Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio. O craque fez apenas 12 jogos e três gols, mas encantou os torcedores com o seu talento. Entretanto, não foi um ano só de tristezas, principalmente para a equipe vascaína, pois a conquista da Taça Guanabara com um humilhante 4x1 em cima do Fluminense foi apenas um bom prenúncio.

    No jogo final contra o tricolor das Laranjeiras Jardel fez 2x0 e garantiu o título "Tri, Tri, o Vasco é Tri! Cantou eufórica a torcida vascaína em todo o Brasil.


    1997 - O TRICAMPEONATO BRASILEIRO

    Poucos torcedores vascaínos poderiam imaginar o espetáculo a que assistiriam em 1997. Edmundo, após passagens apagadas por Flamengo e Corinthians, estava na equipe. Mauro Galvão, que tinha contra si a idade avançada foi chamado para comandar a defesa. Evair, com o aval de Edmundo, chegou para formar a dupla de ataque com o craque. Até aí nada demais, só que Lopes resolveu mesclar esses jogadores com jovens formados no clube ou que já atuavam pelo Vasco.

    Edmundo estabeleceu o novo recorde de gols em uma partida pelo campeonato brasileiro, assinalando seis gols na equipe do São João. Neste mesmo campeonato ele quebraria com seus 29 tentos o recorde de gols em campeonatos brasileiros.

    Domingo de final, 21 de dezembro de 1997, noventa mil vascaínos se aglomeravam no Maracanã para ver o time enfrentar o Palmeiras e se sagrar tricampeão brasileiro. Um empate seria o suficiente. Depois do 0x0, o Vasco levantou o seu terceiro título Brasileiro.


    1998 - O TÍTULO ESTADUAL DO CENTENÁRIO

    Ano do Centenário, cem anos de glórias. A equipe perdeu Edmundo para a Fiorentina, Evair para a Portuguesa, mas trouxe Luizão que estava no La Coruña e Donizete, que jogava pelo Corinthians. As demais equipes chamadas grandes, como o Flamengo, Fluminense e Botafogo, em mais um ato espúrio no esporte brasileiro, desrespeitando o centenário do Vasco tumultuaram o campeonato, tentaram tirar o brilho, mas não adiantou, mesmo com WxO e outros recursos anti-esportivos, o Vasco foi campeão por antecipação jogando contra o Bangu em Moça Bonita.

    Para sacramentar o ídolo que sempre foi, nada mais nada menos do que Mauro Galvão o autor do gol do título, já nos descontos de uma partida complicada que parecia caminhar para o 0x0. Ao contrário da torcida do seu maior rival, no ano do Centenário do Clube os vascaínos soltaram o grito: É Campeão!!!

    1998 - O BICAMPEONATO SUL-AMERICANO NA LIBERTADORES

    Depois de passar pelos mexicanos Chivas e América e por Grêmio e Cruzeiro, o adversário do Vasco nas semifinais seria o temido River Plate, que no ano anterior havia vencido até em São Januário pela Supercopa.

    No Rio o gol de Donizete pareceu insuficiente para agüentar a pressão na Argentina. Em Buenos Aires o Vasco foi subestimado pelo técnico do River Plate, Ramón Díaz, que disse: "O Vasco não é grande coisa".

    Com mais de 50 mil torcedores lotando o Monumental de Nuñez, o River vencia por 1x0 até os últimos minutos, quando Juninho em cobrança de falta magistral estabeleceu o empate e garantiu a vaga às finais da Libertadores. Para o primeiro jogo contra o Barcelona de Guaiaquil, o outro finalista, São Januário foi o estádio escolhido. Não sobrou nenhum dos 34 mil ingressos postos à venda.

    Com gols de Donizete e Luizão, na vitória por 2x0, o Vasco partiu em busca do título. No Equador o time encontrou clima tenso, de guerra, com paus e pedras lançados da arquibancada. A pressão não foi suficiente para deter o Vasco. Luizão e Donizete, novamente, fizeram 2x0, o Barcelona diminuiu mas o Vasco sagrou-se Campeão da Taça Libertadores de 1998 e Bicampeão Sul-Americano de Futebol (1948 e 1998).


    2000 - O TRICAMPEONATO SUL-AMERICANO - MERCOSUL

    Uma conquista para ficar guardada na memória do torcedor vascaíno por muitos e muitos anos. Nem o mais esperançoso poderia imaginar que a equipe, comandada pelo astro Romário, em pleno Parque Antártica, poderia reverter um placar de 3x0, para 4x3, e sair de São Paulo com o título da Copa Mercosul. Mais uma vez o Vasco mostrou porque é o time da virada.

    Mas quem acompanhou o início da competição sul-americana não poderia prever que o Vasco seria o campeão. Isso porque a equipe teve um início muito ruim e só conseguiu a classificação para a segunda fase graças a uma combinação de resultados.

    Nas quartas-de-final, a equipe enfrentou o Rosário Central, da Argentina. No jogo de ida, em São Januário, vitória magra por 1x0, com gol de Juninho Paulista.

    Na volta, em Rosário, um simples empate bastava para a equipe brasileira seguir em frente. Um gol do adversário já nos descontos levou a decisão para os pênaltis. E lá estava o jovem Hélton, que garantiu a vaga ao defender uma cobrança. Passado este sufoco, o Vasco foi para a semifinal enfrentar outra equipe argentina. Desta vez, o adversário era o River Plate. Só que o temor foi para o espaço no jogo de ida, em Buenos Aires. Uma goleada fantástica, por 4x1, calou a boca de todos.

    Na volta, com a passagem para a final carimbada, o Vasco venceu por 1x0, só para mostrar que o massacre na Argentina não fora por acaso. Veio então a grande final contra o Palmeiras. A turma do arco-íris já dizia que o Vasco seria novamente vice.

    No primeiro jogo, em São Januário, vitória por 2x0. Um simples empate na segunda partida bastaria para dar a volta olímpica. Porém a derrota por 1x0 em São Paulo levou a decisão para o terceiro e decisivo jogo. Aí, todos já sabem o que aconteceu...

    Vasco Campeão da Copa Mercosul, na vitória de 4x3, a maior virada que se tem registro na história do futebol em uma decisão de campeonato.
    VASCO, TRICAMPEÃO SUL-AMERICANO DE FUTEBOL!

    2000 - O TETRACAMPEONATO BRASILEIRO

    Mais uma final de campeonato. Mais uma chance de conquistar um título, o último do milênio. Mais um grito de campeão. Mas antes de tudo isso, os torcedores teriam que sofrer um pouco mais, vendo o Vasco superar o humilde São Caetano, zebra da competição.

    De humilde e zebra, o Azulão do interior paulista não tinha nada. O outrora desconhecido Adhemar liderou o São Caetano, despachando três grandes do futebol brasileiro. Mas a vantagem de decidir a segunda partida em casa era do Vasco. Era a segunda decisão do técnico Joel Santana em menos de um mês.

    A nau vascaína tinha o quarteto formado pelos Juninhos, Euller e o vice-artilheiro da competição, Romário, com 18 gols, além da segurança de Helton. Só isso bastava.

    No primeiro jogo, em São Paulo, o time de São Januário deu muito espaço ao Azulão e acabou levando o primeiro. Entrou em cena a estrela de Romário, que empatou a partida em lance de puro oportunismo, dando ao Vasco a vantagem de jogar pelo empate em 0x0.

    No dia 30 de dezembro de 2000, data da segunda e decisiva partida, houve um infeliz acidente com o alambrado de São Januário. Depois de muita discussão a nova e decisiva partida foi marcada para o dia 18 de janeiro, no Maracanã.

    Com o Maracanã tomado pelos vascaínos a equipe sagrou-se Campeã, mais uma vez, conquistando o Tetracampeonato Brasileiro ao abater a equipe do São Caetano pelo placar de 3x1.

    ---

    Agora algumas curiosidades da história do Clube:

    Inauguração da Gávea

    O estádio da Gávea foi inaugurado a 4 de setembro de 1938 com uma partida entre Vasco e Flamengo, pela primeira rodada do campeonato carioca daquele ano. Segundo o jornal A Noite, "as solenidades que precederam o encontro Vasco x Flamengo assumiram aspectos de grande expressão civico-esportiva. Era intensa a atividade dos fotografos no seu trabalho estafante e os olhares da multidão convergiam para o gramado onde os atletas do Flamengo desfilavam com muito garbo". Porém, quando a bola rolou, o Vasco encarregou-se de estragar a festa deles, vencendo inapelavelmente por 2x0. Ambos os tentos foram marcados por Niginho, um em cada tempo. O resultado, inclusive, desencadeou uma crise no clube da Gavéa, culminando com a rescisão do contrato do tecnico Dori Krueschner. Mais uma espinha de bacalhau atravessada na garganta do urubu...

    Presidente do Vasco, sócio do Flamengo

    Volta e meia é mencionado na imprensa que Antonio Soares Calçada é socio do Flamengo e que, até recentemente, comparecia religiosamente à Gavea para votar sempre que havia eleições. O que raramente é divulgado é a história de como o atual presidente do Vasco tornou-se sócio. Segundo o próprio Calçada contou num programa de TV, o título de sócio proprietário foi recebido como pagamento de uma dívida por parte do seu amigo Gilberto Cardoso, na época presidente do Flamengo. Gilberto Cardoso, considerado pelos rubronegros como tendo sido um de seus maiores presidentes de todos os tempos, devia dinheiro a uma pensão, e Calçada gentilmente se ofereceu para pagar a divida, recebendo em troca o título de sócio. Desde entao, até tornar-se presidente do Vasco, Calçada nunca deixava de comparecer a Gavea apenas no dia de eleiçes, a cada dois anos, para votar no pior candidato, é claro.

    Curiosidades do futebol:

    - Primeira equipe brasileira a ganhar um título oficial no exterior (Santiago, Chile): Campeonato Sul-americano de Clubes Campeões - 1948 (Ano do seu Cinqünetenário).
    - Equipe que aplicou a maior goleada do Campeonato Estadual(RJ), na era profissioanl: 06/09/1947 - Vasco da Gama 14x1 Canto do Rio.
    - Primeiro Campeão do Maracanã - Estadual de 1950.
    - Primeira equipe a vencer a Taça Guanabara - 1965.
    - Primeira equipe carioca a ser Campeã Brasileira - 1974.
    - Única equipe brasileira a vencer a Libertadores no seu ano de seu Centenário (1998), além de jogar com o scudetto do título brasileiro (do ano anterior, 1997) na manga.
    - Primeira equipe brasileira a vencer o preconceito e aceitar pobres, operários e negros no time.
    - Primeira equipe brasileira a ter um presidente negro.
    - Clube com o maior estádio particular do Rio de Janeiro (durante os anos de 1927 a 1942, foi o maior estádio do Brasil): Estádio Vasco da Gama, popularmente conhecido como São Januário. Capacidade oficial, hoje, de 35.000 pessoas.
    - Até a construção do Maracanã, o estádio do Vasco foi palco de inúmeras manifestações populares, como: Discursos presidenciais, principalmente Getúlio Vargas; Assinatura da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e Regência de coros, com milhares de pessoas, do maestro Heitor Villa-Lobos, entre outras.
    - Time com o maior artilheiro absoluto do Campeonato Brasileiro (até 2004): Edmundo (1997), com 29 gols.
    No ano de 2001, o Vasco bateu o recorde de vitórias consecutivas (08) e de melhor início da Libertadores. Time com maior pontuação em um Campeonato Brasileiro (70 pontos, em 1997).
    - Time com o maior artilheiro de todos os Campeonatos Brasileiros: Roberto Dinamite, com 190 gols.
    - Time com maior número de artilheiros no Campeonato Brasileiro - 07:
    -- 1974 - Roberto Dinamite - 16 gols
    -- 1978 - Paulinho - 19 gols
    -- 1984 - Roberto Dinamite - 16 gols
    -- 1992 - Bebeto - 18 gols
    -- 1997 - Edmundo - 29 gols
    -- 2001 - Romário - 21 gols
    -- 2005 - Romário - 22 gols
    - O Vasco possui o artilheiro mais jovem do Campeonato Brasileiro: 1974 - Roberto Dinamite (20 anos) - 16 gols.
    - Clube com o goleiro que ficou mais tempo invicto: Mazzaropi (18/05/1977 - 07/09/1978) - 1.816 minutos! Comprovado pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS).
    - Único clube brasileiro com DOIS artilheiros de COPA do MUNDO: 1950 - Ademir Menezes - 09 gols 1962 - Vavá - 04 gols.
    - O Vasco é o clube brasileiro cujos jogadores marcaram o maior número de gols com a camisa da seleção brasileira em Copas do Mundo. Ao todo, foram assinalados 29 dos 173 gols feitos pela Seleção.
    - O Vasco já forneceu 34 jogadores para as seleções brasileiras que disputaram as 16 Copas do Mundo (até a Copa de 1998). Sendo somente superado neste total por Botafogo (46) e São Paulo (35).
    - Único clube a fazer uma "dobradinha" na artilharia do Campeonato Brasileiro: 1984 - Roberto Dinamite - 16 gols 1984 - Arthurzinho - 14 gols.
    - Único clube a fazer uma "tripla" na artilharia do Campeonato Estadual: 1987 - Romário - 16 gols 1987 - Roberto Dinamite - 15 gols 1987 - Tita - 12 gols.
    - Única equipe brasileira a vencer o Campeonato Brasileiro e um título internacional oficial (Copa Mercosul), no mesmo ano (2000).
    - Equipe com o maior número de gols em um Campeonato Brasileiro: 69, em 1997.
    - Equipe com o maior número de títulos estaduais invictos - 05: 1924, 1945, 1947, 1949 e 1992.

    Curiosidades sobre o esporte amador:

    - Clube que mais cedeu atletas a uma Olimpída: 2000 em Sydney - 83 atletas.
    - Único clube carioca a ser Campeão da Liga Nacional de Futsal (2000), batendo todos os recordes da Liga.
    - Clube carioca com maior número de títulos nacionais no Basquete - 03:
    -- 02 no masculino - 2000/01
    -- 01 no feminino - 2001
    - Único clube carioca com títulos internacionais no Basquete:
    -- 02 Campeonatos Sul-americanos - 1998/99
    -- 02 Ligas Sul-americanas (único clube brasileiro a ter este título) - 1999/2000
    -- 01 Liga Sul-Americana Feminina (primeira!)
    -- Único clube sul-americano que disputou a final do Mc Donald's Open (Campeonato Mundial de Clubes), contra o campeão da NBA (San Antonio Spurs - 1999).

    Mais Curiosidades:

    Poucos jogadores deram mostras tão explícitas de amor ao Vasco quanto Alfredo II (lê-se Alfredo Segundo), jogador que no entanto é quase desconhecido pelas gerações mais novas de torcedores. Jogador raçudo e eficiente, era o "coringa" do time na época do Expresso da Vitória. Depois de mais de uma década defendendo a camisa cruzmaltina, Alfredo II recebeu o passe livre. O Flamengo rapidamente contratou-o, pois sabia tratar-se de um ótimo jogador. Contrato assinado, Alfredo recebeu a camisa rubro-negra para treinar. Na hora de vesti-la... não conseguiu. E acabou voltando para o Vasco, onde encerrou a carreira.

    Quem mora no Rio de Janeiro e/ou acompanha o futebol carioca a fundo sabe que o São Cristóvão, simpático clube da Zona Norte do Rio e vizinho do Vasco, é detentor de um título carioca. Porém, poucos sabem que esse título foi conquistado de uma maneira no mínimo suspeita. Terminada a última rodada do Campeonato Carioca de 1926, o Vasco era o líder tinha um ponto a mais que o São Cristóvão. Só que um jogo Flamengo x São Cristóvão, disputado meses antes, havia sido anulado e teria de ser disputado de novo. O Flamengo, já em 5º lugar na tabela e longe da disputa, se vencesse ou empatasse com o "São-cri-cri" daria o título ao Vasco. Adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo: São Cristóvão 5 x 1 Flamengo. São Cristóvão campeão, Vasco vice. Estranho, não?

    Vexames do Flamengo (só pra apimentar um pouco):

    O MAIS ESPERTO

    Mas o episódio realmente emblemático da enorme popularidade do Vasco -
    e das primeiras manifestações do anti-vascaínismo dos grandes jornais do Rio
    - foi o concurso promovido pelo jornal do Brasil, para eleger o clube mais
    querido do país. Depois da apuração e da vitória do Flamengo, soube-se que a mesma se devera unicamente ao desvio, por funcionários do próprio JB de milhares de votos do Vasco. Um desfecho que mostrava claramente que, para as elites, o crescimento da torcida de um clube de imigrantes portugueses e negros tinha atingido o limite do suportável. Surpreendidos pelo time vascaíno no campo, os grandes mostravam claramente que continuavam donos do poder. E, como se sabe, a imprensa é um dos mais importantes instrumentos de controle do poder. Até hoje, a fraude no concurso do JB é motivo de orgulho para os flamenguistas. Fraude aliás jamais negada,mas apenas justificada como uma simples reação à (suposta) compra de votos pelos ricos vascaínos.O ato imoral daria origem à duas lendas: a do Flamengo 'Mais querido' e do Flamengo do 'Mais esperto'. A tal esperteza era, na verdade,apenas uma faceta do que se tornaria a marca registrada do Flamengo: o prazer do logro. Qualquer torcedor sabe que o flamenguista típico é o sujeito que podendo escolher entre a vitória limpa e a suja, não hesita: escolhe a suja. Tal princípio,sagrado entre os rubro-negros, parece se transmitir à cada geração de torcedores. Única forma de explicar que um jornalista respeitável como Ruy Castro lamente que o gol de Rondinelli, na decisão de 78, não tenha sido tão ilegal quanto o de Valido, na decisão de 44. Gol que, como se sabe foi marcado com jogador rubro-negro apoiando-se nas costas do zagueiro vascaíno Argemiro.
    - "Pois querem saber de uma coisa?", escreve Castro, "Antes Rondinelli
    tivesse se apoiado e feito o gol com a mão, em escadalosa banheira!". Uma
    declaração arrogante, além de totalmente desprovida de
    criatividade, posto que mera repetição daquela vociferada em 44 por outro rubro-negro: o imortal compositor, mas pífio locutor esportivo Ary Barroso.

    Texto tirado do livro EXPRESSO DA VITÓRIA,
    de Abraham B.Bohadana

    OVERDOSE DE CHOCOLATE

    Este vexame que vou mostrar agora é um alerta a todos sobre o perigo do vício. É uma situação extremamente delicada e as autoridades precisam estar atentas para isso. Geralmente o problema começa quase desapercebido, mas com o tempo atinge proporções gigantescas. Vejam o caso da urubulândia, por exemplo. No início era um chocolatinho aqui. Outro chocolatinho ali. Coisa boba sem grandes conseqüências. Mas os caras gostaram. E cada vez queriam mais, mais e mais. E o resultado é que agora os infelizes levam chocolate em OVERDOSE. Um após outro. Uma vergonha. Parece que não tem mais cura...

    E os amigos sabem quem é o principal culpado desta lamentável situação? O CLUB DE REGATAS VASCO DA GAMA. Sim, porque a situação se agravou depois do chocolataço de 5 a 1. A partir daquele momento a urubuzada ficou totalmente dependente de cacau. E vejam o que aconteceu nas partidas contra o Santos pela Copa do Brasil: o Santos enfiou cacau nos caras. Na primeira partida o Peixe mandou quatro pela goela abaixo do urubu. E na segunda, mais quatro. O primeiro vexame já foi comentado anteriormente (ver chocolate com peixe) e este segundo vexame vamos comentar agora. Primeiro vamos verificar como o jornal O GLOBO divulgou mais esta chicotada levada pelos burro-negros.

    Jornal O Globo - 25/06/2000
    Santos faz mais quatro

    A missão era mesmo quase impossível e o Flamengo ficou pelo caminho na Copa do Brasil. O time, que precisava vencer por pelo menos quatro gols de diferença - fora derrotado por 4 a 0 no Maracanã - perdeu ontem para o Santos por 4 a 2 na Vila Belmiro e foi eliminado. O resultado não foi bem absorvido pelo presidente Edmundo Santos Silva. Ainda durante o jogo, ele reclamou de alguns jogadores ao afirmar, na entrada do vestiário, que iria aplicar multas. Depois, sua revolta era com o árbitro Wilson de Souza Mendonça, que expulsou Maurinho e Petkovic.

    - Isso é quadrilha. Armação do pessoal de São Paulo com a CBF - desabafou Edmundo. Revoltado, o dirigente classificou de covardes as expulsões dos jogadores rubro-negros.

    FIFA DIZ NÃO AO FLAMENGO

    Em 1992, o Flamengo tentou entrar na justiça comum na Suíça, buscando ter o reconhecimento pela Fifa de que havia conquistado o Campeonato Brasileiro de 1987. Perdeu, quase foi punido pela Fifa e hoje a entidade considera que o título é do Sport.


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    O tópico chega aqui ao fim. Quem leu tudo: Parabéns, acabou de ler uma das melhores histórias do futebol nacional.

    Quem não leu, bateu pézinho aí e tal, azar.

    Quem quiser mais, podem visitar os seguintes links:

    http://www.crvascodagama.com/home.ph...lay=HISTORIA-1
    http://www.vascodagama.com.br/curiosidades.html
    http://www.fifa.com/classicfootball/...id=766799.html - Excelentíssimo artigo no site oficial da FIFA homenageando o Vasco.
    http://br.geo cities.com/mantifla/vexames.htm - Junta aí...

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  2. #2
    Avatar de luisbr
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    po lek nem li pq eu ja cansei de ler sobre as historias do meu time, e ja sei das coisas e tal,
    mas aprveitando q vc e vascaino, me diz uma coisa;

    akeles 2 titulos la q o vasco ganho na decada de 50 ou 60, o pessoal fala q e mundial, mas oq a fifa fla sobre isso?




    saudaçoes vascainas, se deus kiser sabado la no maraca !

  3. #3
    Avatar de Juko
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    Eu não li porque sei o suficiente da história do Vasco pra considerá-lo um dos maiores do futebol brasileiro.

    Aqui nesse tópico vai chover flamenguista chororô. Isso se esse tipo de tópico não virar moda, porque se eu postar um desses sobre o Santos vai ser tão grande quanto ou até maior que esse.
    Ensinei os melhores!

    Divino do F&A e Membro fundador das FARFA.
    http://i54.tinypic.com/2hcpxzo.jpg

    VIVA LA REVOLUCIÓN!

  4. #4
    Avatar de Iago Mac Stronda
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    porque vc pula de 74-87 ??
    o vasco foi o que durante esse anos ??

    vasco eterno fregues do flamengo

  5. #5
    Avatar de Darkon
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    Achei engraçado ali no 1974 pulando para 1987, o time ficou 13 anos parado foi? Eu ri.

    E cadê os títulos de 2001 para 2009? Ah é, não tem... Que vergonha...

    Pode escrever mil textos, mas contra o fato do Flamengo ser o maior do RJ não existem argumentos.

    Vasco é time grande até, mas o Flamengo é, no minimo, 3x maior.

    Flws






  6. #6
    Avatar de arqueiro de inferna
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    Citação Postado originalmente por Darkon Ver Post
    Achei engraçado ali no 1974 pulando para 1987, o time ficou 13 anos parado foi? Eu ri.

    E cadê os títulos de 2001 para 2009? Ah é, não tem... Que vergonha...

    Pode escrever mil textos, mas contra o fato do Flamengo ser o maior do RJ não existem argumentos.

    Vasco é time grande até, mas o Flamengo é, no minimo, 3x maior.

    Flws
    3x maior? deveria mudar seu nick para fanaticofla senhor

  7. #7
    Avatar de Darkon
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    Citação Postado originalmente por arqueiro de inferna Ver Post
    3x maior? deveria mudar seu nick para fanaticofla senhor
    Perdão, acabei confundido Vasco com Botafogo.

    Flamengo é 3x maior que o Botafogo, não o Vasco.

    Flamengo é maior que o Vasco quase 2x.

    Ok?

  8. #8
    Avatar de Suteba Dark Hell
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    Citação Postado originalmente por luisbr Ver Post
    po lek nem li pq eu ja cansei de ler sobre as historias do meu time, e ja sei das coisas e tal,
    mas aprveitando q vc e vascaino, me diz uma coisa;

    akeles 2 titulos la q o vasco ganho na decada de 50 ou 60, o pessoal fala q e mundial, mas oq a fifa fla sobre isso?




    saudaçoes vascainas, se deus kiser sabado la no maraca !
    É tipo o lance com o Palmeiras. Dizem que é mundial, outros dizem que não, é mais um daqueles torneios de verão lá da Europa e etc...

    Foi uma Taça Paris, em 1957





    E esse fala algo da Copa Rio 53:



    A copa rio é considerada o primeiro formato de um mundial interclubes. Esta copa foi realizada nos anos de 1951/1952/1953. Palmeiras venceu em 51 e o Flu em 52.

    Aos Flamenguistas.

    De 74 à 87, sei lá, como vocês quiserem, a história do Flamengo é ótima. Foi a melhor geração que o clube teve, mas agora falar "e cadê esse buraco, olha o furo, isso prova que o Fla é 1000x maior", é totalmente um descaso. História do Fla tem um buraco na década de 50 e 60.

    O Vasco também não foi nada bem na década de 60. Por que?! Já viram o time do Botafogo dessa década?!

    São essas coisas que vocês não enxergam... MOMENTO...

    Eterno freguês, tá sublinhado ali a maior fila da história entre Vasco x Flamengo, durante o expresso da vitória, e vocês ficam falando eterno freguês.

    Se o Flamengo é mais vice pro Vasco do que o Vasco é pro Flamengo.
    Se o Flamengo ficou na fila pro Vasco mais tempo que o Vasco ficou para o Flamengo.
    Se o Vasco tem mais goleadas diante do Fla que o Fla tem diante do Vasco.
    Se a maior goleada do clássico vem do Vasco e não do Fla.

    Será que isso é realmente "eterno freguês" ou 'momento'?
    Última edição por Suteba Dark Hell; 22-10-2009 às 10:20.

  9. #9
    Avatar de luisbr
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    ah to ligado, entendi =]

    o engraçado e q os flamenguistas acham q sao fodoes so flando q sao os maiores do rio, grandes merda.
    o legal e q la na minha sala no colegio tem mais vascaino q flamenguista...


    eu so qria saber pq td lugar q eu vo, q tem mc, os mc's sao td flamenguista...
    pq sera :confused::confused::confused::confused:

    haha, brincadeira (mas e verdade, so q encarem como uma piada )


    e se procurar na net vao ve uma ft la do globoesporte a mo tempao deve ter 1 ou 2 anos, q fala q o fla e mais vice do q o vasco um contra o outro...

    la acho q ta 19 vices pro vasco e 21 pro fla, mas ai o vasco tomo da copa do brasil ai agora ta 20/21 o useja, o flamengo é vice uma vez pro vasco, a mais q o vasco e pro fla....


    saudaçoes ae vascainas /+/

  10. #10
    Avatar de Rocky
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    Grande história. Infelizmente esse "contra tudo, contra todos" não se verifica em um time do Rio contra outros do país, hoje mesmo li uma história de enorme roubalheira para cima do Coritiba no campeonato de 1989, onde rebaixaram o Coxa na base da canetada do seu Ricardo Teixeira, sendo que o Coxa disputava uma vaga pras finais contra o Vasco, tendo empatado um jogo no Rio por 1x1. Infelizmente antes de 90 o futebol brasileiro é feito de muita sujeira, cartolagem, roubalheira que não podem ser consideradas em grande parte. Sempre há muita "coisa estranha" nos campeonatos.

    Pros pobres flamenguistas que se julgam maiores até que o SPFC em títulos e sei lá mais o que, antes das ROUBALHEIRAS (sim, maiores roubalheiras do futebol brasileiro) da década de 80 o Fluminense era o maior do Rio (sim, Fluminense), que mesmo na época da ladroagem conseguiu os estaduais de 1980 e 1983/1984/1985.

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