Não desista, a seção é devagar e muitos visitam os tópicos apenas esporadicamente.
Eu mesmo estou afastado da board, entrei hoje só para ver a quantas andava o concurso.
Acabei postando porque achei que seria injusto deixar o tópico sem resposta alguma.
Imagino que ninguém criticou porque o seu texto já surgiu grande e o assunto é muito diferente da temática da seção, mais voltada para a literatura fantástica e de aventura.
Mas gostei da sua história até aqui, está escrita de uma maneira eficiente para o tema a que se propôs.
Sobre o estilo, você optou por colocar o pensamento do personagem em itálico, entre aspas, num recurso que nunca vi.
Deu pra entender, mas normalmente as aspas são usadas para os diálogos no estilo inglês, enquanto o travessão se usa para os diálogos no estilo francês.
O escritor escolhe um estilo e não muda até o final, para não criar confusão no leitor.
Neste caso, não acho que prejudicaria o entendimento se simplesmente colocasse os pensamentos num parágrafo normal, afinal o protagonista é também o narrador.
Algumas coisas me chamaram a atenção:
1) A quantidade de gangues citadas e os locais na cidade foram apresentados como uma lista, sem grandes informações adicionais.
O ideal é ir dando essas informações secundárias dentro de um contexto, pra não ficar parecendo um rol de características sem maior importância.
Por exemplo, o bairro das Magnólias é só um nome solto no parágrafo, não se justifica a não ser que tenha relevância no decorrer da história.
O texto fica mais rico se conseguir dar informações ao mesmo tempo em que alguma coisa acontece, não deixando tão explícito para o leitor as intenções do narrador.
2) Achei legal a parte que informa que o protagonista domina o Judô e o Kick-Boxing, afinal ele é um briguento que se dá bem nas lutas, então isso dá verossimilhança ao personagem.
Só que a história da mãe que não tem dinheiro pra nada bancando duas lutas pro filho fazer não colou muito.
Ele poderia trabalhar na academia e, em troca, treinar de graça, ou ganhar uma bolsa dos seus mestres.
3) E um detalhe: na cena da luta de rua, pra dar uma joelhada, no Muay Thai, se pega a nuca e não o ombro. Acho que no Kick-Boxing deve ser parecido.
Como falei no início, seu texto está bem escrito e pode render uma boa história. Apenas não fique restrito à forma, que é dos contos de ultra-violência juvenil, como Laranja Mecânica. É importante aliar forma a conteúdo.
Tem um quadrinista americano, Scott McLoud, que escreveu um livro chamado Desvendando os Quadrinhos. É sobre quadrinhos mas serve para qualquer tipo de manifestação artística.
Ele tem a teoria de que um artista pode se situar em 5 níveis em relação à sua arte, usando a metáfora da maçã:
- Se tiver HABILIDADE, pode ficar na superfície, imitando seus autores prediletos (a casca da maçã).
- Se conhecer a ESTRUTURA, desenvolverá trabalhos originais em um modelo já conhecido.
- Se dominar o IDIOMA, criará uma linguagem própria, servindo de modelo para outros.
- Se estudar a FORMA, utilizará várias linguagens como um poliglota, de acordo com o que quiser dizer.
- Se chegar à IDEIA, sua arte será mera ferramenta para falar sobre a vida ou sobre a própria arte (a semente da maçã).







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