O Pequeno Psicopata
Joel Clayford nunca foi uma pessoa normal. Mudou de colégio três vezes só até a quinta série, e foi acabar o Colegial em um reformatório no Canadá. Lá, foi expulso e se envolveu com drogas, não necessariamente nessa ordem. Esperou seus pais retornarem dos EUA por três intermináveis meses, até que descobriu que ambos haviam morrido em um acidente de carro enquanto voltavam de um piquenique no Central Park. Antes que qualquer instituição para menores delinqüentes pudesse saber de sua condição, embarcou em um navio qualquer, sem sequer saber o seu destino. Mais três meses se passaram, e ele estava em uma das maiores plantações de maconha da Colômbia, envolto por cannabis em todas as direções; e metido em um negócio milionário. Joel agora era Carlos, um traficante de alta influência na América Latina. Porém, apenas sete meses depois o esquema foi descoberto pela polícia local. A carga foi toda apreendida, a plantação queimada, e oito pessoas foram presas. Carlos, contudo, fugiu. Agora; Carlos não era mais Carlos, e nem Joel. Ele era uma pessoa sem identidade, sem passado e sem destino. Esse sujeito foi então para o Brasil, e tentou ganhar a vida no Rio de Janeiro. Agora; ele era simplesmente o “Gringo”. Gringo se meteu novamente em um negócio ilegal, mas agora não lucrava tanto. Era camelô, e vivia fugindo da polícia. Em duas semanas, o Gringo teve o seu primeiro contato com a Favela. Subiu o morro com um recém-colega das ruas, Jonathan, e conheceu o chefe da boca. Nosso amigo estava novamente metido com as drogas.
Ariero sempre foi uma pessoa normal, pelo menos aparentemente. De família tradicional e rica, estudou no melhor colégio do Brasil. Teve alguns acessos de raiva na infância, mas nada que o psicólogo não julgasse como uma “brincadeira normal, coisa de criança”. Atualmente, era um advogado de respeito, pai de família, com nome e sobrenome. Certo dia, o Gringo fora lhe procurar em seu escritório. Foi em um grande prédio na Rio Branco, no décimo nono andar, escritório do senhor Ariero M., e pediu para que ele cuidasse de seu caso.
O Gringo não estava de brincadeira. Apesar de não possuir documento algum que comprovasse a sua identidade, não iria sair dali até que fosse devidamente atendido. Sem paciência, colocou um maço de tamanho considerável – apenas com notas de cem – na frente de Ariero. Este, por sua vez, o colocou no bolso do paletó e agendou um novo encontro com o Gringo para daqui a duas semanas.
No dia seguinte, o Gringo não foi trabalhar.
Ele foi encontrado morto, na frente de sua casa, decapitado.
Em cima do corpo jazido, um maço de notas de cem.