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Não sei se você ainda entra por aqui Kamus,Mais queria lhe pedir O ultimo capitulo da historia antiga do Ferumbras Porque ontem li tudo de uma vez,e quando cheguei no ultimo capitulo já não abria mais,queria lhe pedir se você poderia mandar o capitulo 22 (ultimo) para mim novamente.
Obrigado.
Imagem feita por ninja dragon,Amigo secreto off-topic 2011
"Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre."
Albert Einstein
mto bom o topico
haja paciencia pra escrever td isso ^^
15:58 Draki Mera [50]: ;D
15:58 Draki Mera [50]: i need it too
15:58 Extaazis [61]: no entendi soory:/ :yelrotflm
Heellx [32]: HAIL =]
postatd de uma vez *_* ,sempre q eu me empolgo lendo acaba, e tenho que fica esperando sai mais capitulo ;]
~~.Fui tomar juízo,mas so tinha vodka.~~
Capítulo 4 - Fechar de Estações.
Ao retomar os sentidos Pepelu logo pôde perceber que estava em um lugar muito diferente de onde havia desmaiado. Viu-se em uma cama quente e confortável, e não mais no chão de mármore fria onde batalhara com Arieswar. Ao levantar a cabeça percebera que em outra cama, próxima a ele, Diogo estava acordado lendo distraidamente um jornal que certamente roubara do Fórum enquanto tomava uma fumegante xícara de café. O arqueiro chamou seu nome com uma voz rouca e seu amigo abriu um largo sorriso ao vê-lo consciente.
- Ah, finalmente acordou!
- Onde...onde estamos?
- Como assim “onde estamos”? Não está reconhecendo a famosa casa número 38? A sua casa?
Pepelu ainda sentia a cabeça doer muito e não notou de imediato que aquele quarto estreito e com paredes de madeira era o seu cômodo para hóspedes. Estava em casa! Ainda cheio de dúvidas na cabeça sentiu um grande alívio ao ver sua esposa, Kala, abrindo a porta e trazendo uma bandeja cheia de comida.
- Ah, Cris... – suspirou ela ao ver o marido acordado – você me matou de susto!
Ela largou a bandeja no criado-mudo ao lado da cama e atirou-se em seus braços. Pepelu e ela trocaram carícias intensamente, enquanto Diogo tentava minimizar sua presença no quarto afundando-se no jornal. A cena de amor, entretanto, foi encerrada abruptamente quando Kala passou a esbofetear o marido.
- Você só pode ser maluco, Crispin Pepelu! Como que arranjou uma encrenca dessas? E se tivesse morrido? Como eu ficaria? E seu filho?
Seu acesso de raiva parou por aí. Logo ela começou a chorar e novamente se jogou sobre o marido. Diogo se assustou com a cena e logo começou uma profunda reflexão interior sobre os prós e contras do casamento.
- Tome! – falou Kala, mais calma, erguendo a bandeja – Coma tudo que você precisa melhorar logo. Deixei seu café lá embaixo que era pra não esfriar, mas vou pegá-lo.
Pepelu se ajeitou na cama e viu uma fartura de frutas, biscoitos e pães em sua frente. Estava morrendo de fome e encheu a boca com tudo que conseguiu pegar de uma só vez. Foi entre uma mordida e outra que ele perguntou ao capitão Natarde:
- Diogo, o que aconteceu? Apareceu um homem lá, não foi? Quem era?
- Verdade. – disse o capitão, deixando o jornal de lado – Hesperides, o druida, apareceu no templo e acabou com a briga. Ouvi-o falando que estava com um pressentimento de que algo naquela manhã sairia errado.
- E ele nos trouxe para casa?
- Foi. Primeiro ele perguntou se eu estava bem e pediu para zelar por você. Aí ele resolveu que levaria primeiro Arieswar ao castelo real e depois ficou de nos trazer aqui. Kala quase caiu para trás quando nos viu, mas ele a acalmou, deixou alguns medicamentos em sua mão e disse que se os tomarmos poderemos até mesmo ir à festa hoje de noite.
A festa. Parecia tão estranho para Pepelu que aquele era o dia de Fechar de Estações pelo qual tanto esperara e ao mesmo tempo fora quando mais se viu perto de morrer. Olhando pela janela viu que o mundo seguia normalmente o seu curso, enquanto ele se recuperava de uma longa batalha secreta com um dos mais respeitados homens da coroa thaiense.
- Mas lógico que não precisamos ir caso você não queira. – completou o capitão.
- O que está dizendo? É lógico que vou! Arieswar tem um exército ao seu lado, e se ele quiser me matar não será ficando em casa que eu escaparei.
Ao falar no cavaleiro, Pepelu ficou a pensar onde ele estaria no momento. Será que já estaria melhor que ele?
****
A enfermaria do castelo estava um alvoroço. Apinhada de feridos e doentes na época de maior movimento da cidade de Thais, os enfermeiros e curandeiros mal conseguiam dar conta do trabalho. A chegada de um Arieswar inteiramente machucado pegou a todos de surpresa.
- Leve-o à ala especial. - pediu Hesperides - Isso é confidencial.
Uma velha enfermeira seguiu a orientação e o levou ao local reservado aos mais altos nobres que, como quase sempre, estava vazio. Deitando Arieswar numa maca, ela tirou-lhe a roupa e o colocou numa banheira com água fria, visando diminuir a dor do cavaleiro e contrair seus vasos para evitar uma maior perda de sangue. Ele podia sentir cada músculo do seu corpo reagindo à temperatura, mas não emitia um grunhindo de dor. Sua cabeça estava voltada apenas para o capitão Natarde e Pepelu, e para a sorte que eles tinham tido. Não era normal que dois combatentes de baixo nível tivessem causado tantos problemas a um guerreiro da corte e por um momento ele chegou a nutrir um ódio mortal a Hesperides, que o impedira de matá-los.
Arieswar ficou por um bom tempo naquele tratamento chamado crioterapia até que Hesperides apareceu.
- Obrigado pela atenção. – disse o druida à velha – Pode deixar que eu cuido dele agora.
Mesmo pelo canto do olho Arieswar pode ver um traço de desapontamento no rosto dela. Certamente ele era mais atraente pelado do que seu velho marido. Hesperides o levou até uma das camas da enfermaria e lá o deixou, depois procurou num dos muitos armários do lugar por uma toalha para que ele pudesse se cobrir. Feito isso, passou em suas feridas uma espécie de óleo que retirou de uma garrafinha que carregava no bolso. Por fim, pediu para que bebesse uma poção e passou a examinar quais membros do amigo estavam quebrados.
- Tem ossos realmente muito fortes.
Arieswar bebeu todo o medicamento e se reajustou na cama para ficar mais nivelado com o druida.
- Essa é aquela sua receita especial?
- Sim. Meimendro negro, ópio, euforbia e sementes de alcaçuz batidas. Vai dormir como um bebê e acordará muito mais disposto.
- Obrigado, Hesperides. – disse ele, já sentindo as pálpebras pesarem – Mas você devia ter me deixado matá-los.
- Não diga besteiras. Você se complicaria muito com o Conselho caso assassinasse duas pessoas no templo. Já vai ter muito o que explicar pela bagunça que fez. Sorte que você tem prestígio por aqui.
- Eu sei. – retrucou ele – Acontece que...
- Ouça, Arieswar. – e Hesperides passou a falar com a voz cada vez mais baixa, depois encarando-o nos olhos – Nós não estamos mais com Yorik. Quem manda agora é Damaso e um simples movimento descuidado pode fazer com que morram até pessoas de reputação, como eu e você. Tente, portanto, não se meter em confusões.
Aquele argumento o convencera. Fosse o governo de Yorik I e ele certamente teria toda a cobertura necessária para poder dar um fim naquela dupla que o desafiara, mas no atual reinado ele não tinha tanta segurança. Desde que Damaso, o ditador, assumira como rei, todos os funcionários do antigo governo estavam sob observação constante. Por isso Arieswar, que havia sido questionado pelo próprio Damaso quando Yorik o levou a Thais, precisava manter sua credibilidade, até então indiscutível.
- Vou providenciar que algum empregado vá arrumar o templo pdeir à alguma enfermeira para assistir Pepelu e o capitão. Vai ser melhor para você que eles não faltem à festa.
- Obrigado, Hesperides. Não sei como te agradecer.
- Não estou fazendo nada que você mesmo não faria por mim. Ou mesmo por Acanthurus ou Dragonslayer. Nós, além de Guerreiros da Corte, somos uma equipe. E nesse período sombrio que está por vir não podemos nos dar ao luxo de perder o que temos de mais valioso: a parceria.
- Período...sombrio? – indagou Arieswar – Do que está falando? É mais um dos seus pressentimentos?
Mas o druida não respondeu. Apenas olhou fixamente para um ponto qualquer da enfermaria. Hesperides parecia sentir pelo ar quando havia algum distúrbio no espaço. Arieswar, apesar de admirar tal poder, não desejaria uma capacidade dessas para si; às vezes é melhor deixar para o futuro as surpresas que ele nos guarda.
****
À medida que Fafnar e Suon terminavam sua corrida diária pelos céus de Thais, as milhares de pessoas que habitavam ou visitavam a capital iam deixando suas casas, palácios ou pensões. Em pouco tempo as ruas estavam tomadas e a cidade agora parecia pulsar como um organismo vivo.
Na pequena casa de madeira número 38 da Travessa do Pântano, o ambiente que já fora de tensão agora era finalmente tomado de felicidade. Pepelu e Kala fizeram questão de chamar seus amigos para lá, onde todos se reuniriam para saírem juntos para a festa.
Para o contentamento do casal anfitrião, todos os convidados apareceram. Primeiro chegaram os irmãos Bürgy e Bulok Durkhein, amigos dos tempos da escola de arqueiros; depois Sara Lionheart, prima de Kala; seguindo-a veio o misterioso Rafos Niegel, que fazia parte de um seleto grupo de colonos que enriquecera na Baía da Liberdade; por último chegou Octavian, amigo de infância de Pepelu, sua mulher e suas três crianças.
Era com esse último que o incrivelmente recuperado arqueiro agora conversava, comendo alguns quitutes preparados por Kala e tomando uma taça de vinho. Octavian trabalhava no Diário Oficial, o jornal da cidade que, como o nome supõe, submete-se à Coroa. Suas publicações estavam sempre presentes no Fórum e em demais espaços públicos, trazendo fatos diversos, notícias militares, obituários, crônicas esportivas, entre outros assuntos. Para Pepelu Octavian era alguém de tanta confiança quanto o capitão Natarde.
- Bonito chapéu, Pepelu. – comentou ele – Mas devo admitir que Diogo está mais elegante.
Kala havia preparado para eles roupas especiais de festa. Diogo, mais extrovertido e brincalhão, vestira um casaco roxo com várias listras coloridas, além de uma espécie de turbante do qual pendiam bolinhas douradas. Parecia um bobo da corte e ainda viam-se alguns dos seus hematomas, mas ainda assim esbanjava de um charme que nem a dureza da vida no mar conseguiu tirar de si. Pepelu, mais discreto, apenas usava um chapéu de plumas vermelhas que até o ajudou a esconder os curativos da cabeça.
- Vai se danar. – foi a única coisa que conseguiu pensar.
- Mas...espere aí. Você está com alguns machucados por debaixo dele, não? – falou ele, chegando mais perto, enquanto Pepelu tentava disfarçar – O que foi isso, Pepelu? Por acaso andou brigando escondido com um Guerreiro da Corte no Fórum Thaiense?
Pepelu arregalou os olhos.
- Como soube?
- Ah, foi só uma suposição. Ora, Pepelu, eu trabalho para o Fórum!
- Será que vou ter problemas por causa disso?
- Talvez. Menos se a lei for cumprida. Só que não adianta ficar pensando nisso agora. E o bebê? Já decidiu os nomes?
O arqueiro agora tomou um grande gole do vinho. O nascimento de seu filho era um assunto que o deixava ansioso.
- Pra falar a verdade, sim. Se for menino será Augusto. Se for menina, Eurídice.
Octavian então levantou-se e chamou a atenção de todos. Com o copo erguido, proclamou:
- Brindemos a esse casal maravilhoso que está nos recebendo e a o herdeiro que virá por aí!
Todos fizeram barulho e celebraram. Logo depois foi a vez de Diogo subir numa pequena mesa e erguer seu copo:
- Um brinde a bebida! A solução e a causa de todos os nossos problemas!
A sala caiu na gargalhada. Foi a vez de Pepelu se levantar e convidar todos a irem para a festa.
- Vamos nessa! – gritava Diogo – Vamos beber até amanhã!
O grupo saiu da número 38 e juntou-se à multidão nas ruas. Pepelu ficou feliz ao sentir que os medicamentos de Hesperides realmente haviam surtido efeito; tanto ele quanto Diogo, apesar de não estarem completamente recuperados, estavam em ótima forma para a noite. O arqueiro então deu o braço a Kala, ajeitou seu chapéu e começou a cantarolar músicas populares. Mais na frente, o capitão Natharde e Octavian iam juntos mexendo com as pessoas que passavam.
****
De olho naquela cena, numa das sacadas do grandioso castelo real, estava Arieswar. O cavaleiro acabara de pôr sua armadura repleta de condecorações e agora arrumava a capa vermelha que a completaria. Seu corpo já estava menos dolorido e o permitiria, como de costume, aparecer junto ao rei na hora de seu discurso.
Ao perder de vista o grupo de Pepelu quando este misturou-se demais na multidão, o cavaleiro readentrou na sala em que os outros três Guerreiros da Corte se vestiam.
- Já posso sentir o cheiro da comida daqui. – comentou Erick Dragonslayer, que era o mais novo entre eles.
- E o perfume das mulheres? Isso está me enlouquecendo. – disse Corleo Acanthurus.
Hesperides não se pronunciou. Ele estava em um espelho separado dos demais, arrumando uma espécie de gravata que usaria com a camisa branca e a capa azul turquesa. Arieswar sentia nele certa tensão.
- O rei falará alguma coisa que não deve? – arriscou Arieswar, falando apenas para que o druida ouvisse.
- Talvez. Mas o que me preocupa são os vento que vem do Norte.
- Vamos animar aí, senhoritas? – chamou Acanthurus – Que clima de festa é esse? Eu até entendo a cabeça de Arieswar, mas, e você Hesperides?
- Estou com algo estranho em mente. Acho que precisarei de uma das moças da Dona Arlinda para melhorar meu ânimo.
- Nem me fale em Dona Arlinda! – protestou Dragonslayer – Da última vez que fui lá nem desconfio como voltei pra casa.
Arieswar riu. E fez mais do que isso. Decidiu que dali em diante tiraria de sua cabeça todas as preocupações do mundo, inclusive Pepelu.
****
O arqueiro e seus amigos agora chegavam ao centro da bem decorada praça principal, cheia de bandeirolas, balões e serpentinas a pender das casas próximas. Para isso cruzaram dezenas de barracas que ofereciam as mais diferentes comidas e bebidas de todas as partes do mundo, inclusive as locais. Jogos, apostas, teatro, malabarismo, e diversos outros tipos de entretenimento também eram oferecidos; inclusive aquele destinado aos adultos, como Pepelu pôde notar pela presença de várias prostitutas que seduziam os forasteiros. O capitão Natharde, inclusive, parecia ter sido tentado.
- Vai apelar para esse tipo de serviço, Diogo? – perguntou-lhe Pepelu enquanto Kala fora chamada para conversar com Sara Lionheart.
- Estou só brincando um pouco com elas, Pepelu. – respondeu ele, risonho – A enfermeira que Hesperides mandou já tirou um peso das minhas costas.
- O quê?! Não me diga que...
Mas Diogo deu-lhe uma piscadela e foi atrás de mais moças para flertar.
Pepelu e Kala ficaram com os amigos vendo algumas das atrações e estavam a entreterem-se com um grupo de contorcionistas quando puderam notar que a música, as conversas e até os gritos daqueles já bêbados começaram a cessar. Eis que então a figura imponente do rei Tibiano aparece em sua sacada e todas as outras vozes se calam por completo.
Junto ao rei estava o mais alto escalão da corte e do clero; à sua direita o Pontifex Maximus, o mais alto membro da Igreja; à sua esquerda os Cônsules, que em número de dois, eram os segundos em ordem de importância dos magistrados, embora, na prática, tivessem responsabilidades maiores que as dos seus superiores, os censores. Comandavam o exército, convocavam o Conselho, presidiam os cultos públicos e, em épocas de "calamidade pública", indicavam o ditador, sendo assim, responsáveis diretos pela majestade de Tibiano; fechando a corte, atrás do rei estavam os seus Guerreiros particulares: Hesperides, Arieswar, Acanthurus e Dragonslayer.
- Está vendo aquele olho ainda meio fechado? – apontou Pepelu para Kala, falando de Arieswar – Foi praticamente meu último suspiro.
Parecia surreal que fora apenas horas atrás que os dois haviam se enfrentado no Templo de Banor, e agora, embora Arieswar não pudesse identificá-lo em meio a tanta gente, eles estavam de novo muito próximos.
- Meu querido povo de Thais! – esbravejou o rei – Gostaria de saudar a todos nesse momento especial. Para mim, inclusive, por ser minha primeira festa de Fechar de Estações como rei da mais nobre cidade do mundo!
"Primeiramente quero agradecer a todos que me ajudaram durante esse período a reger essa terra abençoada por Banor."
A apenas alguns passos de distância, Arieswar observava o discurso com certo interesse. Sua atenção, contudo, estava mais voltada para o povo. Naquele dia, “bárbaros” e thaienses celebravam sob a regência do mesmo homem. Será que se eles soubessem das prisões e execuções realizadas desde primeiro dia do seu reinado até as últimas, algumas horas antes, aquelas pessoas estariam ali, em paz?
Voltou a ouvir o discurso. Segundo a tradição o rei citaria os nomes de alguns dos membros mais importantes da nobreza e do Conselho; após isso viria ele. Passado esse momento de expectativa, nada além do protocolo. Ou assim pensava ele.
- Aproveitando a oportunidade, é perante a todos os cidadãos thaienses e a todos os forasteiros que aqui nos visitam que informar-lhes-ei do grande projeto que arquitetei para a nossa Thais.
Um burburinho intenso se proliferou, mas que logo foi abafado pela voz do rei:
- Nossas recentes expedições nos levaram até lugares jamais antes imaginados. Talvez já tenham ouvido boatos das grandes ilhas cobertas de gelo que repousam no norte do mar de Sula.
“A região, até então tida como inabitável, nos revelou uma grande surpresa. Uma próspera civilização bárbara ali se faz presente e seus habitantes agora já vislumbram o nosso continente.”
“Eis que os tentáculos da cidade de Carlin entraram no caminho de tal civilização. Já há carlinianos entre os nativos e seus relatos de que ricas minas de ouro oferecem-se a qualquer um que lá desembarque despertou o interesse da governanta da cidade, a rainha Eloíse.”
Aquilo realmente fizera a multidão explodir. Apesar de haverem muitos forasteiros presentes, pouquíssimos eram carlinianos e, à exceção desses, nenhum certamente conseguia aceitar o fato de que a cidade teria chegado num local tão interessante; principalmente os thaienses, seus eternos rivais.
- Não podemos esquecer, porém, da ordem que Banor nos dera ao fundar Thais! Devemos espalhar pelo mundo nosso conhecimento, nossa religião e nossa cultura. Nós não podemos falhar com esse compromisso e não haverá força no céu ou na terra que nos impeça de cumprir nosso destino e salvar essas pobres almas da barbárie!
“Por isso quero informar a todos que em breve alguns dos nossos bravos homens thaienses serão convocados para colonizar o local. Não falhem com seu dever e sua lealdade a Thais! Honrem-na e mesmo quando seus corpos perecerem, seus espíritos serão imortais ao lado de Banor!”
Do alto daquela sacada Arieswar pôde ver a multidão ovacionar Tibiano. Alguns rostos, talvez carlinianos ou apenas mais sensatos, não expressavam reação; eram, contudo, a minoria.
****
Pepelu e sua mulher agora estavam no coração da festa. Já se havia decorrido um par de horas desde que Tibiano encerrara seu discurso. Perdidos entre tantas barracas de bebidas, comidas e jogos, Kala corria puxando o marido pela mão e mostrando algumas entre tantas coisas interessantes que podia encontrar.
- Espere um instante, amor. – disse ele – Vou ganhar uma coisinha pra você.
Pepelu viu um desafio de tiro ao alvo. Ao aproximar-se da barraca o dono o chamou:
- Venha, venha participar do jogo do arco! Por apenas dez moedas douradas você pode tentar ganhar o prêmio simples, ou, por cinqüenta tentar ganhar esse lindo colar de ametista.
Ao ver aquela linda pedra violeta Pepelu não teve dúvidas. Entregou-lhe um saco com cinqüenta moedas e pegou o arco.
- Ah, eu gosto dos grandes apostadores! – deliciou-se o comerciante ao ver o saco repleto de moedas brilhantes – Mas devo avisá-lo que para esse desafio a dificuldade aumenta um pouco.
O alvo fora retirado do cavalete onde estava posicionado e colocado em outro, atrás de duas grandes pedras quase encostadas, separadas apenas por uma pequena fresta para que a flecha pudesse passar. De onde estava, Pepelu só podia vê-lo de relance.
- Tenha calma, Pepelu. – pediu Kala.
Mas o arqueiro estava completamente confiante. Notou que pelo espaço delimitado pelas pedras a flecha nunca passaria, por isso mirou por cima delas de modo que a seta fizesse um arco e atingisse o centro do alvo. Poucos instantes depois, estava feito.
- Obrigado pelo colar! – acenou ele ao dono da barraca, que observara a cena incrédulo.
Pepelu e Kala saíram dando sonoras gargalhadas. Ele então parou-a e colocou o colar de ametista.
- Todas as pedras preciosas do mundo eu daria a você.
Eles se abraçaram longamente e juntos resolveram sentar-se à beirada de uma das fontes da praça. Namoraram um pouco até que Kala se levantou e anunciou, contente:
- Ah, preparei uma surpresinha para você. Espere aqui que eu vou pegá-la.
Pepelu a viu sair correndo, com o colar recém-conquistado a balançar no pescoço, e adentrar novamente naquele mar de gente.
Solitário, o arqueiro pôs-se a pensar na vida. Logo mais seria pai e estava realmente esperando que o momento chegasse logo. A única coisa que o preocupava no momento eram as consequências da sua batalha com Arieswar, mas se esforçava para pensar positivamente. Inclinou-se um pouco mais para dentro da fonte lá observou seu reflexo na água. Olhava profundamente dentro de seus próprios olhos, admirando o homem no qual havia se tornado, até que algo o chamou a atenção.
A água dentro da fonte começou a ondular. Pepelu observou-a, curioso, e viu que a cada instante as vibrações aumentavam. Então ele sentiu o chão tremer um pouco e o medo tomou conta de si. O que estaria acontecendo? Um outro reflexo, atrás do seu, revelou-lhe a verdade. A música parou.
Um demônio; um enorme demônio de cerca de dez metros de altura, vermelho, chifrudo e escamoso estava ali: no meio da festa. Seus olhos amarelos brilharam com intensidade e um sopro de fogo saiu de sua boca cheia de dentes pontiagudos.
··Hail the prince of Saiyans··
Última edição por Kamus re; 26-12-2009 às 22:39.
Bom rever uma história que fez tanto sucesso voltar.
Eu só tenho um trecho a reclamar. Ficou bem confuso, porque tu estava descrevendo um personagem e de repente tu volta à cidade.
No mais, não tenho muito a comentar. Eu gostei do que li, apesar de uns ter visto uns erros de escrita, repetições e outras coisas. Mesmo assim o texto está bom, e o enredo parece ter mudado em algum quesito pelo visto.Entretanto, havia pertencido a seus pais, mortos num naufrágio, e antes deles ao seu avô; todos cidadãos thaienses Sua ascendência histórica, inclusive, pertencera a cidade desde a época em que a capital do mundo era apenas um pequeno vilarejo.
De qualquer forma, eu acho que tu devia seguir tua idéia. Uma semana é um prazo razoável para dar tempo de todos lerem.
Estou esperando pela continuação da história que me atraiu até essa seção.
Primeiramente obrigado pelos elogios.
Sobre o tempo entre os posts, resolvi que o intervalo mínimo será de cinco dias e o máximo de uma semana.
Acho que assim fica legal pra todos, non?
Elementals
Não tinha a chave, não tinha Diogo, não tinha o Esperança e não tinha muita coisa que vai vir por aí!
Ah, mudei o 'traquinagens' :riso:
Hovelst
Vou ver se mudo alguma coisa nesse trecho. Pessoalmente não achei muito confuso não.
Yuuka
Sim, já tenho todos escritos, mas ainda estão em processo de revisão. Todos são mais ou menos do tamanho desse primeiro aí.
zack
Entendi o recado, espero melhorar isso mais adiante
··Hail the prince of Saiyans··
Capítulo 2 - Arieswar
Nossa vida é uma eterna espera por dias melhores do que aqueles que já são passado. Para o grande Aragorn Flynn Arieswar, que agora cavalgava tranquilamente por uma solitária estrada de terra que o afastava do Porto Norte e o levava até Thais, talvez não houvesse dias melhores do que os que já tinha vivido.
Por debaixo do corpo musculoso e do rosto inflexível coberto por uma bem-feita barba e cabelos curtos incrivelmente negros, havia uma alma cheia de sorte; talvez abençoada por uma estrela sagrada que brilhava nas horas em que precisasse de ajuda. Tal benção, creditada a Nornur, o deus do destino, tinha até então se provado em eficácia.
Nascido e criado no pobre vilarejo do Porto Norte, estratégica província thaiense por estar inserida numa área de influência da cidade de Carlin, o menino Arieswar parecia fadado à simplória vida de pescador como a grande maioria dos seus vizinhos, ou, com sorte, de colonizador de lugares distantes que haveriam de ser descobertos. Não era esse, porém, o plano de Nornur.
Sua habilidade para a luta, sempre acima da média, chamou a atenção do governo thaiense, ainda sob a tutela do falecido Yorik I. Afinal, graças a Arieswar boa parte dos cobradores de impostos mandados ao Porto Norte nunca retornaram do trabalho e então o Conselho Real decidira intervir para não perder de uma vez a soberania do lugar para Carlin.
Não foi preciso muito para descobrir que apenas a detenção daquele ainda muito jovem guerreiro resolveria o problema. No entanto o sábio Yorik teve uma idéia melhor. Contra quase todo o Senado resolvera “adotar” o menino para que este pudesse usar de suas habilidades em defesa de Thais.
Arieswar fora convidado a morar na capital e participar das suas academias militares, além de receber assistência educacional. Fora batizado em nome de Banor, o protetor dos humanos, e deixou para trás sua condição de forasteiro. Obviamente que sua majestade sofrera duras críticas por tal atitude, mas na sua cabeça estava óbvio que se tratava de um futuro combatente de elite, e que valia mais a pena ter alguém assim do seu lado do que como inimigo.
O tempo se encarregou de provar que, lapidado como um diamante, o menino tornar-se-ia um guerreiro completo. A decisão de Yorik I logo deixara de ser contestada e os críticos tiveram de dar o braço a torcer. Não por outro motivo senão mérito pessoal, Arieswar fora ascendendo socialmente e militarmente, até um dia ser convidado a fazer parte dos Guerreiros da Corte, título honorífico concedido àqueles responsáveis pela segurança particular do rei.
Sua nomeação viera de forma natural. Arieswar sempre fora um dos mais atuantes em qualquer posição militar que exercera anteriormente. Mesmo quando não era requisitado se escalava para participar de expedições e viagens. Não tendo família com a qual se preocupar, embrenhava-se nos mais inóspitos guetos para cumprir as missões da coroa. Não tinha também a tola utopia de submeter os povos que visitava aos seus costumes, o que garantia boa parte do seu sucesso. Respeitava para ser respeitado, e se um chefe tribal da floresta de Tiquanda tinha por costume comer serpentes e escorpiões, ele o acompanhava como quem desfrutasse do mel Darashiano; assim como assistia execuções humanas tradicionais na própria Darashia sem fazer objeções e, com tais atitudes, conquistava a admiração de todos.
Foi quando a morte de um dos quatro guerreiros da corte se mostrara como a oportunidade inadiável da convocação de Arieswar. Possuindo a confiança do rei e a cordialidade da maioria dos membros da administração thaiense, foi numa grande cerimônia que York I tocara-lhe o ombro esquerdo duas vezes com sua espada e promovera-lhe a um dos seus assistentes pessoais.
Ainda havia, porém, quem dissesse que não se podia confiar totalmente naquele que já mudara de lado uma vez, mas Arieswar não se deixava levar por esse grupo. Sua vida era um exemplo de superação através do trabalho forte. Do menino franzino do Porto Norte agora só restavam vagas lembranças, vivas em raras ocasiões como a que acabara de ocorrer, quando fora a seu antigo vilarejo depositar flores no túmulo dos seus pais. Agora estava ali o homem Arieswar; forte, vencedor, realizado e parte do grande Sistema que regia o mundo.
O Sistema era como se chamava a monarquia por quem a fazia funcionar. Nem todos que participavam do Sistema conheciam suas regras ou sequer sabiam do papel que nele desempenhavam; isso não seria interessante. A idéia era que cada um cumprisse sua parte de forma instintiva, fazendo a máquina girar objetivamente. O Sistema podia ser dividido em dois grupos: os ativos, que planejavam o Sistema, e os passivos, que o operavam. Esse último era composto basicamente da plebe e de nobres alienados. Na parte ativa estavam os altos membros do clero e grande parte da nobreza.
Novato no Sistema, mas amadurecido por anos a serviço do exército, Arieswar sabia bem qual era a sua função: proteger o coração da monarquia. Como guerreiro da corte deveria escoltar o rei em todas as situações a fim de garantir sua integridade. Além disso, ele poderia receber missões especiais, ordenadas exclusivamente por sua majestade. Não cabia a ele questionar essas missões. Fora convocado para agir e não para pensar. O Sistema não admite muitas cabeças pensantes.
Mas aquela não era a hora de pensar em tudo isso. O cavaleiro tentava concentrar-se apenas na Festa de Fechar das Estações, que tinha o incrível poder de restaurar os ânimos da cidade.
Às vésperas do evento, sempre era possível sentir no ar expectativa de um grande dia para ser lembrado por tempos e tempos graças ao sentimento coletivo de união e harmonia. De fato as desavenças e desigualdades deveriam ser esquecidas para que se comemorasse a vida, um bem que unia todos os presentes. E foi exatamente esse ar impregnado de esperança que sentiu Arieswar ao chegar a Thais.
Cruzando o magnífico arco de pedra que era o portão Norte da cidade, ele logo viu a agitação que já tomava conta das ruas. Pessoas corriam apressadas, algumas levando consigo roupas que deveriam ser retocadas de última hora, outras instrumentos musicais que precisavam de afinação. Donos de bares e seus empregados levavam de um lado para o outro grandes caixas contendo vinho, rum e cerveja enquanto se esbarravam com os voluntários que decoravam a cidade com bandeiras e faixas coloridas.
A cena, que pareceria corriqueira ou até mesmo agitada demais para um expectador qualquer, para Arieswar era a plena visão de casa, pois aquilo era parte da sua vida; a vida de um homem urbano.
- Senhor Arieswar. – Chamou uma voz atrás dele. Cortando por completo seus pensamentos, percebeu que se tratava de Grof, o guarda-chefe do portão Norte – É um prazer vê-lo novamente! Como foi de viagem?
- Tudo tranquilo, meu bom Grof. Penso que está muito atarefado, não?
- Nem me fale. Sabe como sofro nesse entra-e-sai de Fechar das Estações. Época boa para o contrabando... eu e meus homens precisamos de atenção redobrada! Porém só quero lhe informar que o senhor Hesperides está a esperar por você em sua residência.
Arieswar agradeceu o recado e se despediu do guarda. Érebo Hesperides era um dos outros três guerreiros da corte e que, além disso, acumulava também o cargo de Dux, ou Duce (Guia) da cidade de Thais. Com isso, além do dever de proteger privativamente o rei, ele deveria comandar regularmente uma legião de soldados, receber prestações de contas do clero e dos Edis, funcionários públicos inferiores hierarquicamente e encarregados da preservação da cidade, do abastecimento, da polícia, dos mercados e das ações penais correlatas. Para completar seu currículo ele estudara medicina em Edron, famosa por sua excelente variedade de formações acadêmicas e militares, onde adquiriu o título de Druida ao dominar os conhecimentos sobre a natureza e o homem. Hesperides, portanto, era uma figura crucial no Sistema.
A morada do druida situava-se na Praça dos Grandes Mestres, um reduto de paz e tranqüilidade entre tanto dinamismo urbano. Esquinando com tal praça, na Avenida dos Magos, estava a casa de Arieswar, já com uma visão frontal para toda a movimentação. Devido à proximidade entre os lares o guerreiro decidiu-se por passar primeiro no seu e lá deixar a muda de roupas que levara consigo para o Porto Norte e checar se tudo estava em ordem.
A casa de Arieswar, externamente, era impecável. Já por dentro nenhum dos seus poucos cômodos dispostos em dois andares era completamente arrumado; por onde quer que se andasse viam-se papéis ou peças de roupa, inclusive as das mulheres que levava para lá, jogadas pelos cantos. Coisa de homem solteiro, era seu argumento.
Já a caminho da casa do druida, Arieswar ficou a imaginar o que Hesperides teria para falar com ele. Assim como o cavaleiro, ele igualmente confidenciava certa desconfiança perante Tibiano. Isso por que sempre notara que Tibiano, mesmo antes de tornar-se rei, já propagava seus ideais de "cidadania thaiense" que aos olhos dos guerreiros pareciam xenófobos demais para uma cidade que vivia plena expansão. Contudo Arieswar e Hesperides evitavam conversar sobre o assunto até entre eles mesmos, apesar de que recentes capturas e aprisionamento de "bárbaros" que haviam sido considerados perigosos à sociedade reavivaram as discussões sobre sua política. Chamava a atenção de Arieswar inclusive o fato de que muitos dos seus atos, como as tais prisões, não virem à tona para a população, só tendo conhecimento aqueles que por alguma razão freqüentassem a fundo o Fórum Thaiense.
Chegando à Praça dos Grande Mestres, não pôde deixar de notar que, apenas a alguns metros de sua própria casa, entrara num ambiente completamente diferente. O local era quase um bosque de tão arborizado e silencioso. Uma verdadeira ilha de refugo na selva de pedras thaiense. Ainda levemente entorpecido pelo intenso cheiro das flores e da umidade do orvalho, batera levemente à porta do amigo.
- O que é uma árvore? – perguntou uma voz firme vinda de dentro da casa.
- Espírito cauteloso e consistente. – respondeu Arieswar.
- O que é uma flor? – tornou a perguntar a voz.
- Matéria vivaz e flexível.
- O que é um druida?
- Ambos.
O trinco da porta se abriu.
- Arieswar! – ninguém o chamava pelo primeiro nome – Que bom que chegou! Estava com medo que tivesse adiado sua volta! – falou um sorridente Hesperides recepcionando-o.
O druida era um homem alguns anos mais velho do que o cavaleiro,
o que ficava evidente pela grande quantidade de fios brancos que afloravam tanto dos seus cabelos quanto quanto da sua barba bem cuidada. Seus olhos verdes examinaram Arieswar de cima a baixo como numa rápida consulta médica antes de deixá-lo entrar.
- Aceita um café? Chá? – perguntou ele enquanto indicava uma poltrona ao lado da lareira.
- Prefiro licor. Mas não quero lhe dar trabalho, Érebo.
- Não, não. – riu ele – Na verdade eu já vou te dar trabalho demais no que tenho para te falar.
Arieswar se inquietou.
- Então fale logo, homem! Sabe que sou impaciente.
- Calma, não é nada demais. – tranqüilizou-o enquanto enchia uma caneca de licor – É que é um servicinho um tanto quanto...chato.
O cavaleiro sentou-se na poltrona ainda irrequieto. Correu os olhos pela casa e, como sempre que ali estava, reparou nos belos quadros, tapetes e vasos com os quais Hesperides decorava sua sala de estar. Uma porta à esquerda, sabia Arieswar, o levaria a uma enorme biblioteca particular onde o druida passava horas a fio estudando, trabalhando ou se divertindo com os mais variados livros.
- Tome aqui. – Hesperides entregou-lhe a bebida – Primeiro me diga como foi lá no Porto Norte.
- Nostálgico. – respondeu, tomando uma grande golada – Mas muito revoltante, sabe? Aquilo está cada vez pior. Carlin quer tomar a região e têm soldados nossos saindo pelo ladrão. Queria fazer alguma coisa para ajudar.
- Você já fez muito por aquele lugar, Arieswar. Se não fosse você aquela vila já teria se tornado uma bagunça há muito tempo.
- Não diga besteiras. Ela só existe atualmente pela sua importância estratégica, você sabe. Enfim...fale sobre o trabalho que tem para mim.
- Então... – e ele ajeitou-se na poltrona – Lembra-se que já há algum tempo existe uma cadeira de Tribuno livre no Senado, não? Desde a morte de Pedro Baltazar.
- Sei. – respondeu ele. Os Tribunos eram os representantes populares no Conselho, apresentando proposições de caráter político, administrativo e militar. Com os tribunos, os plebeus ficavam garantidos contra a arbitrariedade dos magistrados mais ricos uma vez que estes detinham o poder de intercessio, ou seja, podiam vetar, exceto durante guerras, ordens ou decisões dos tais magistrados. Eram, portanto, figuras extremamente importantes para a massa e para o Sistema.
- Pois bem. O Conselho decidiu então convocar para essa vaga o capitão Diogo Natarde, que chegou a cidade enquanto você estava fora.
- Acho uma ótima idéia! Natarde é um homem inteligente, viajado, justo. Além disso ele é conhecido pelo povo.
- Exato. Mas você sabe que não lhe agrada a idéia de residir fixamente aqui em Thais. Por isso vou pedir que você o leve amanhã ao Fórum para que ele possa conhecer melhor a administração pública e, quem sabe, despertar o interesse pela coisa.
- Amanhã? Mas amanhã é o dia da festa! Ah, Érebo, será que você não pode pedir pra outra pessoa fazer isso?
- Justamente por ser o dia da festa que preciso de você. O Fórum estará fechado e não posso confiar a qualquer um a chave dos templos.
O Fórum Thaiense era o principal centro comercial e administrativo da cidade. Ali, entre lojas, praças de mercado e de reunião estavam os principais prédios do governo, ou templos administrativos, como eram conhecidos.
- Não tenho mesmo opção? – insistiu Arieswar.
- Essa é uma missão dada não por mim, mas pelo Conselho. Como amigo estou te pedindo, mas como Dux, ou seja, seu superior, estou ordenando. Sinto muito cortar sua manhã de feriado, mas pense que isso é importante. Eu mesmo iria se não estivesse atarefado.
- Se é assim, que seja. Mas e quanto ao capitão? Já está sabendo de tudo isso?
- Acanthurus foi encarregado de informá-lo. Por sinal, neste exato momento ele deve estar pela casa dos Pepelu, onde Diogo está hospedado.
Arieswar resmungou alguma coisa indecifrável. Ele nunca fora muito simpático com Crispin Pepelu, que sempre lhe pareceu um boa-vida e preguiçoso. Passou um tempo em silêncio para então falar:
- Se é só isso, estamos acertados. Preciso descansar. Amanhã passo aqui e pego as chaves.
Hesperides e ele apertaram as mãos e trocaram umas últimas despedidas. Arieswar bateu a porta e voltou a contemplar a Praça. Mal sabia ele que o próximo dia seria o mais longo da sua vida.
****
Enquanto isso, Pepelu e Kala estavam no seu quintal à espera de que a pequena e inusitada reunião entre o guerreiro da corte Corleo Acanthurus e o seu hóspede, Diogo Natarde, se encerasse. O convite à uma vaga de Tribuno para o capitão pegou a todos de surpresa e Pepelu, que conhecia Diogo como ninguém, tinha dúvidas se ele aceitaria a proposta. A única certeza é que mesmo depois de tantos anos, bem ali em sua casa, um pouco do passado Diogo havia trazido com ele: ainda era o queridinho. Ainda era o centro das atenções.
- Amor, eles estão saindo. – mostrou Kala.
O capitão Natarde abria a porta dos fundos e agora cruzava o quintal para encontrar o casal. Acanthurus enconstou-se em uma árvore próxima para que o três pudessem conversar sozinhos.
- E então, Diogo? – perguntou Pepelu – Será que vamos ter o prazer de sua companhia na cidade?
- Creio que você vai morrer sem esse prazer. – comentou ele, bem-humorado – Eu não nasci pra isso. Acho que seria um desrespeito com o povo aceitar o cargo e abandoná-lo.
- Eu já esperava. E agora? Será que ele tem uma idéia de quem possa ser indicado?
- Ele não, mas eu estou olhando para o meu agora.
Pepelu tomou a resposta como brincadeira, mas o capitão insistiu:
- Não vejo nenhum empecilho para isso, Pepelu. Você é um homem sério, honesto e que certamente agradaria aos thaienses. Está construindo uma família e trará uma boa reputação para ela. Sem contar que a remuneração é de primeira.
- Ah...eu sei, mas...eu não estava esperando por essa, sabe?
- Isso não é desculpa. Algumas oportunidades na vida não pedem licença para passar e mesmo assim você tem que tratar de agarrá-las com força.
- Sim, mas...e o Armazém?
- Ora, Kala pode tomar conta dele. Talvez não de imediato por causa da gravidez, mas com certeza suas tarefas ainda terão um bom prazo para serem iniciadas.
Pepelu e a mulher trocavam olhares. Diogo sentiu que o que pesava na sua resposta era a surpresa da situação, mas que o tempo certamente o faria mudar de idéia.
- Vamos fazer assim. Amanhã pela manhã fui convidado a visitar ao Fórum. Você irá no meu lugar.
Pepelu olhou mais uma vez para Kala, que com um aceno de cabeça incentivou-lhe a aceitar. Olhando agora para dentro de si ele viu que a resposta era a mesma.
- Tudo bem.
- Ótimo. – falou o capitão com um largo sorriso – Vou repassar isso a Acanthurus então.
Pepelu estava a um passo de trocar seu papel de passivo à ativo no Sistema. Era, portanto, uma decisão capaz mudar sua vida; ele só não esperava que acontecesse tão imediatamente como seria.
··Hail the prince of Saiyans··
Última edição por Kamus re; 16-08-2009 às 21:42.
Ora ora, eu adoro esses acontecimentos inusitados e surpreendentes de tão previsíveis. Se Arieswar detesta Pepelu, o escritor sente-se tentado a juntar os dois em alguma hora. Eu confesso que não imaginei nesse último acontecimento, me pegou desprevenido e me deixou de certo modo ansioso pelo próximo capítulo. Se me lembro bem da versão original (o que significa que não lembro nada), esse foi um capítulo mais completo e "pomposo", criando situações interessantes e estimulantes. Já criamos um conflito logo de cara. Conflito esse que creio que vai infestar muitas e muitas linhas do texto que ainda vamos ler.
Impecável, posso dizer. Não reparei erros por estar muito mais interessado em ler, imaginar e compreender. E tirar conclusões, como sempre. Não sei se eu mudei ou se esse texto ficou melhor, mas ao ocntrário da última vez, estou até gostando de Arieswar. Mas tudo pode mudar.
Esperando ansiosamente pelo capítulo terceiro. E parabéns pela história, está crescendo muito bem
Manteiga.
Dezesseis anos depois, estamos em paz.
Apesar de ter sido um capítulo de transição (protagonizado por um personagem que ainda não tinha sido apresentado), fluiu ainda melhor que o primeiro.
Percebo que suas descrições são simples, apenas o suficiente para criar uma imagem mental dos personagens. Por outro lado, você trabalha muito bem na ambientação tibiana e explicação do cenário político. Estou apreciando o desenvolvimento, bastante sóbrio e aprofundado.
O final poderia ter sido morno, mas a antipatia de Arieswar por Pepelu criou um clima interessante de possível conflito. Foi o suficiente para instigar o leitor.
Você ainda utiliza o trema e escreve "ideia" com acento agudo. Talvez seja proposital, mas sempre vale a pena atualizar o texto.
Erro ortográfico e uma palavra comida.
Até o próximo.
Última edição por Emanoel; 16-08-2009 às 10:49.