Capitulo 4 : Que comece a guerra!
Oliver ficara parado como se estivesse congelado, não acreditava que aquilo era real. Guratz por sua vez chamou seus homens.
- Quantas baixas nós tivemos?- Falou em tom melancólico.
- 11 senhor! Os mais afetados foram os civis, foi um ataque surpresa, trabalhávamos enquanto alguns homens chegaram sem fazer barulhos e nos pegou desprevenidos e rapidamente saíram.
- Quero guarda montada com 10 homens em cada entrada da cidade, recolham os civis mortos, quero que reúna todos os membros da cidade no castelo do rei assim que o sol se por.
Os soldados limpavam a cidade o máximo que conseguiram, algumas paredes ainda estavam manchadas de sangue, o rei de Carlin era amigo de infância de Guratz, que o convenceu a fazer um recrutamento para o exército real, chegou então a hora da reunião da cidade e o rei pronunciou:
- Meus belos cidadãos de Carlin, uma cidade delirante e pacata, como os senhores e senhoras podem ver estamos sofrendo ataques, é o segundo em poucos dias e nós somos conhecidos por ser um povo de garra e determinação, nunca nós vamos abaixar a cabeça para ninguém e como podem ver, os que se auto intitulam Orcs Gloriosos desafiaram nossa cidade, nos ameaçaram, mais nós somos a poderosa Carlin, ninguém nos ameaça e sai impune da situação, já vencemos guerra e essa vai ser mais uma travada, com nossa força eliminaremos o mal que nos cerca! Viva Carlin!....Viva Carlin!... agora com vocês o capitão Guratz.
- Atenção, como o nosso grandioso rei disse, estamos para declarar guerra a esses elementos, então deixamos o convite a todos os jovens para se ingressar no exército! Os equipamentos serão distribuídos por nós, caso queiram se alistar procurar nosso quartel general, aqueles que podem que venham conosco para proteger seus familiares ou por qualquer motivo.
O povo ficara com um grande espírito de luta, as pessoas na rua gritavam bem alto “Viva Carlin!” e as inscrições para o exército estavam sendo bem eficientes, muitos jovens estavam se alistando, os mais experientes do exército já começavam ensinar táticas e golpes básicos, Guratz passava a teoria para os guerreiros que já sabiam manipular bem a sua arma, fazendo treinos táticos, Oliver não participou pois não gostava desse estilo de luta físico, esperou dar um intervalo na aula de Guratz e o puxou para um canto.
- Eu vou procurar aquele homem do livro você sabe por onde ele está?
- Ele deve estar na grande floresta onde há um belíssimo castelo, você ira precisar pegar o barco, a viagem durará 2 dias, tenha cuidado, alguns homens meus o acompanharão.
- Não! Deixa que eu vou sozinho. – Oliver disse com uma grande calma. – Eu vou, só preciso pegar alguns cogumelos e algumas poções.
- Garoto Você é mesmo filho de Oliver I, tem a mesma alma e tipo de personalidade dele, é corajoso e curioso. – disse Guratz dando um grande sorriso de satisfação. – Mas tenha cuidado! Aquela cidade é muito perigosa, vá então enquanto eu me encarrego de preparar esses jovens para guerra e você cuida da busca de Driol...ahh.. eu já ia esquecendo, lá a natureza se meche e ouve, um bicho ferido e a floresta reagirá.
- Tudo bem capitão, obrigado pelo conselho, daqui alguns dias eu estarei voltando acompanhado. – Sorriu com confiança e se virara rumo ao depósito.
Oliver arrumava suas coisas para sua viagem, pegou uma mochila do exército, era verde como a grama lisa em volta de Carlin e seu espaço interno era bem maior, visitou a loja de comida e pegou bastante cogumelos e depois foi para a de poção, onde se encheu de poções roxas e algumas pedras com um símbolo parecido como uma gota d’água q era conhecido como fonte da vida, sua mochila ficou muito pesada devido ao fato de que o rei dera o passe livre para ele pegar qualquer artefato dentro e nos arredores da cidade, então ele foi caminhando até o barco que partiria minutos depois, ele subiu no barco e ficou olhando pro céu, refletindo tudo aquilo que sentia.
O barco partiu rumo a cidade dos castelos, Oliver não estava acostumado com aquele movimento estranho e enjoativo, então foi para a beirada do barco, onde se apoiou num pequeno pedaço de madeira e começou a vomitar, o vento soprava forte e as águas respondiam com ondas gigantescas, nesse embalo marítimo Oliver vomitava sem parar, até ouvir uma voz em perfeita sintonia ao mar.
- Garoto, o enjôo vai passar logo, não tenha medo do mar, não tente quebrar o seu ritmo, apenas siga o seu ritmo e olhe pro horizonte e veja o sentido da imensidão. – Pegando no braço de Oliver e levantando-o. – O mar é a coisa mais bela que tem, quando ele esta calmo tudo é lindo, mais quando as ondas se agitam assim – apontando com o dedo o quebrar das ondas – algo lá embaixo está acontecendo.
- O que senhor?- disse Oliver curioso.
- Senhor não! Me chame de Capitão Dains! – Disse com uma voz forte e com um sorriso esverdeado. – Nas profundezas do mar existem muitas criaturas, criaturas poderosas como os grandes polvos. Quando era mais novo eu era o melhor caçador, ficava quase todos os dias em busca desses bichos, me sustentava vendendo a suas barbatanas que valem bastante. – Disse com ar de glória.
- Meu pai já me falou sobre essas criaturas, mas como você caçava em baixo do mar, nas profundezas?
- Há meu filho, eu tinha muitos capacetes que me permitiam ficar 15 minutos debaixo d’água, era pular no mar e voltar rápido, o dia inteiro. - Fazendo o gesto de mergulho.
- Muito interessante Dains, você deve ser um exímio nadador.
- Eu era, um dia eu fui caçar e caiu uma tempestade horrível, era inverno e caia algumas pedras de gelo no mar e com o poder do vento, aquilo era um tornado horrível, despedaçando o barco todo, então eu cai e fiquei sobre um pedaço de madeira, de repente apareceu 16 lulas gigantes, eu as derrotei em plena água em poucos segundos. – Disse com ar de herói.
- Incrível. – Dando um sorriso sem graça a Dains, pois no fundo sabia que aquilo era mentira, pois seu pai havia lhe dito que lulas e polvos eram muito raros de ser encontrados, pois viviam muito no fundo e quando eram encontradas chegava a retirar a vida de muitos guerreiros, pois era rápida e se escondia no grande oceano, com presas e tentáculos fortes matava facilmente muitos guerreiros, poucos homens eram conhecidos por terem sua preciosa barbatana, um desses donos era Guratz.
Passaram os dois dias e Oliver não vomitara mais, graças ao conselho de Dains, apesar de suas histórias serem bastante fantasiosas, chegaram então na cidade dos castelos, Oliver ao descer do barco ficou impressionado com os tamanhos das contruções.
Oliver andava distraído olhando ao seu redor, sem saber onde era a floresta, Oliver não hesitou em perguntar a um guarda da cidade;
- Senhor, você poderia me informar onde é a floresta?
- Menino, não vá a floresta é muito perigoso, até os soldados mais experientes saem com machucas de lá, isso porque esses ainda tem sorte. Há floresta é a sudeste, não vá.
Oliver então concordou com a cabeça como se não fosse pra lá que ele ia, deu a volta no quarteirão e foi para onde o guarda havia lhe dito não ir, encontrou uma ponte e olhou pelo que esperava e via apenas arbusto pequenos, andou a passos largos e de repente um morcego raspou por sua cabeça, era um morcego frutífero que acabou pousando em um arbusto repleto de pequenas frutinhas azuis, Oliver então avista uma grande floresta, muitas arvores, porem pequenas. Foi adentrando pela mata até que ficou completamente escuro, assustado Oliver tentou recuar mais não encontrava a saída, matos apertados não deixavam muito caminho a escolha, então ele se desesperou e saiu correndo, sem obter nenhum sucesso.
Ficou aproximadamente 5 horas sem êxito nenhum, já estava exausto e caiu de joelhos no chão, largou sua mochila e seu cajado e começou a chorar, pensou naquele instante que não ia conseguir achar Driol e que ia acabar com a esperança de seus amigos que contavam com ele, pensou no seu pai e pela primeira vez ele sorriu ao lembrar este fato, lembrara da alegria de seu pai ao andar pelas florestas, então juntou suas coisas e se levantou e logo se deparou com dois grandes olhos vermelhos na escuridão, Oliver encarou e preparou seu cajado, mas lembrou do que disse Guratz e logo jogou seu cajado no chão, os olhos encaravam e ouviu se um rosnar e uma face apareceu, era um grande lobo, com dentes totalmente brancos e afiados, e mais lobos menores apareceu do lado desse, eram 6 lobos que cercavam Oliver que falou calmamente
- Driol que bom que você esta aqui. – Sorrindo.
Na mesma hora o lobo avançou sobre ele, num pulo rápido mordeu a mão de Oliver que nem tentou desviar, os dentes haviam cravado em sua mão direita e o lobo o chacoalhou para os lados, fazendo assim a mão de Oliver ficar com um grande aberto, o sangue caia no chão e fazia uma poça. Oliver sentira muita dor e sem entender nada, pois porque um amigo de seu pai ia lhe atacar, mesmo sem saber ele disse:
- Vejo que andou treinando. - Suando ao esperar uma resposta e já começando a ficar com medo.
Os lobos se aproximaram e começaram a lamber o sangue que havia sido derramado, enquanto o grande lobo apenas olhava e rosnava.
- Que sangue delicioso, só o sangue que o livro provou és aceito pela alcatéia. – Uma voz fina como de uma moça bem doce.
- Sou filho de Oliver I, vim aqui buscar você...a guerra vai começar.
Então o semblante de uma mulher bem formosa aparece do lado do lobo, acariciando-o.
- Hum, então era verdade tudo que os lobos me contaram, o filho de Oliver despertou. Bem eu sou Driol. – Colocando a mão no machucado do garoto que não parava de sangrar, suas mãos ganharam um leve brilho azul, aquele ritual estranho demorou 10 segundos, e ao passar aquele tempo o sangramento se cessou.
- Eu pensei que você era um homem!
- E eu pareço um homem? – Disse dando um sorriso bem encantador
Oliver apenas sorriu e entendeu que eles deviam partir, Driol fez um gesto para ele segui-la, foram andando escoltados pelo lobos, Oliver andava atrás de Driol e observava os movimentos de seu lindo corpo, sua pele era morena, cabelos negros e longos, tão lisos quanto um fio da rara e amarga aranha gigante, suas roupas eram de folhas verdes bem coladas ao seu corpo, era como a escama de um peixe, Oliver encantado não se quer olhava pro lado, somente na bela moça.
- Os lobos não estão gostando de você me olhar assim. – Disse dando um sorriso.
Oliver ficou vermelho e logo olhou para os lados, tentando controlar seu olhar um pouco maldoso, não havia outra explicação por ela saber que Oliver a olhara desse jeito, pois estava de costas para ele, então ele percebeu que ela havia mesmo uma grande “química” com a natureza. Conversaram e Driol falara que tinha um jeito melhor de ir até Carlin, mais rápido e seguro, chegaram na beira do mar, onde viu duas grandes tartarugas, Oliver sem hesitar subiu em cima de uma delas e partiram para o mar ao som dos uivos da alcatéia. Foi uma longa viagem, o mar estava mais calmo que tudo, nem sequer uma onda havia naquele mar sereno e calmo.
Chegaram em Carlin correndo e Driol se deparou com uma figura familiar.
- Guratz quanto tempo, é muito bom te ver. – Dando um beijo no rosto do capitão que ficou com rosto avermelhado
Ficaram conversando algum tempo depois de matar a saudades decidem treinar as tropas mais um dia. A noite as tropas continuaram a treinar incessantemente, Driol ficou no maior morro da cidade ensinando Oliver a treinar mentalmente.
- Pense em tudo que você esta sentindo, concentre no que você quer, você quer o poder, o poder da mágica, controle-a... esta vendo essa pedra? É uma pedra rara e misteriosa, tente a sorte com ela. – Jogou a pedra nas mãos de Oliver.- Agora se concentre.
Oliver segurava a pedra em suas mãos, começou a pensar na morte de seu pai e na traição de Drekas, refletiu sobre a guerra que iria começar. Passaram-se 3 horas e já era madrugada, Driol continuava sentada, estática sem se quer mexer um fio de seus belos cabelos, Oliver ainda pensara nas coisas terríveis que a guerra pode trazer, num certo momento ele atingiu o ponto transcendental e parecia estar em uma transe, seus olhos se viraram e adquiriram um tom avermelhado, suas mãos ganharam um leve brilho vermelho, as flores ao seu redor começaram a pegar fogo, Driol olhou espantada e não acreditou no que estava vendo, uma energia bem forte passava pelo corpo de Oliver, o calor tomou conta daquela paisagem, o cheiro das plantas queimando, Oliver de repente profere duas palavras sem sentindo nenhum, e a pedra que estava em sua mão se torna cor de fogo, e a paisagem é quase totalmente consumida pelo fogo, Oliver desmaia e Driol cria gotas como da chuva, só que bem geladas, apagando o fogo com dificuldade, pega o menino e o leva na cidade.
No outro dia, Guratz planeja um ataque aos Orcs Gloriosos, buscando o reconhecimento da habilidade inimiga e da recuperação do padre que havia sido raptado. Guratz, Driol, Oliver e o exército real se reúnem na quartel, na próxima horas eles mal sabem o que vão encontrar pela frente, mas com certeza será acontecera algo que vai surpreender todos!