(Cap IX) Confronto final??
Já de energias recuperadas, Lancelot ruma em direção à caverna em que as manoplas indicam ser a localização da sua espada, que tanto deseja recuperar. Mas sua principal motivação não é a recuperação da espada, e sim, vingar a morte de seu velho companheiro, parceiro de tantas e tantas viagens, o anão Ox.
Quando se deparou com a entrada da caverna, o clima ameno, a brisa gélida que rodeava o lugar, vegetação morta nas redondezas, tudo causava arrepios o um mero mortal. Quanto mais um atormentado por sentimentos como os que Lancelot sentia. Em certo momento, ele até hesitou entrar na caverna, pois começou a surgir em sua mente todos seus momentos de glória, as provas de honra as quais tivera sido submetido, seu mais profundo temor veio à tona, e fugiram de seu controle as imagens que em sua mente se propagaram, imagens de sua vida, de seu passado, como que num filme de toda sua vida.
Foi aí que se deu conta do perigo que corria... Enfrentar uma criatura aterradora como aquela que ali dentro o aguardava, pois ela estava ali, ele sentia isso. Mas já havia chegado longe demais para desistir agora. E, acima de tudo, ele sabia que, onde for que estiver, o espírito corajoso e guerreiro do nobre Ox, estava com ele.
Encheu os pulmões de ar, como que se estivesse aspirando a mais pura coragem, e adentrou a tenebrosa caverna. Depois de um pequeno complexo de túneis ter sido desvendado, ele encontrou uma porta, grande e de madeira. Ele sentia, pela temperatura que estava dentro da caverna, que o monstro estava atrás daquela porta, o esperando. Mas não havia mais tempo para arrependimentos. Abriu a porta e se deparou com a assustadora imagem da criatura:
-Ora essa! O que temos aqui! Se não é o velho Lancelot! O campeão dos humanos, o senhor da coragem, o mais nobre dos guerreiros! A que devo o prazer dessa ilustre visita? ? disse a monstruosidade, levantando-se de seu trono.
- Mas o que é isso Telchar? Ou pensa que esqueci seu nome, criatura pavorosa? Chega disso. Deixemos de lado as formalidades, afinal, ambos não as apreciamos não é mesmo? Vamos tratar dos negócios. Sabe muito bem o que vim fazer aqui, não? ?respondeu calmamente Lancelot.
- Como queira CLOUD! Façamos segundo a sua vontade! Não há mais ninguém aqui, há? Então, acho que não precisamos mais esconder de ninguém nossas identidades... Realmente... Agora, diga-me? O que achou de minhas novas habilidades? Ao contrário de você, eu venho as aperfeiçoando, maninho! Enquanto você brincava de esconde-esconde com seus novos coleguinhas, eu buscava poder, e consegui-o! ?disse Telchar, levantando a Espada Rubra, num gesto de provocação.
- Se eu me uni a eles, eu tenho meus motivos! E eles não interessam em nada a você! E agora, se me der licença, farei algo que meu pai deveria ter feito a muito tempo atrás!
Durante o proferir dessas palavras, Cloud parecia se concentrar em sua mente, que agora, cada vez mais, se contorcia em complexos pensamentos aparentemente sem sentido, mas que logo, mostrariam suas verdadeiras finalidades.
Em questão de segundos, todas as pedras que estavam ao chão da caverna começaram a flutuar, lentamente, à aproximadamente um metro e meio do chão, e foram violentamente arremessadas em Telchar, pelo poder da magia de Cloud.
Os inúmeros choques pareciam eminentes para Telchar, quando simplesmente, uma corrente fortíssima de vento ruma em todas as direções, partindo de Telchar, fazendo com que as pedras voassem em sentido contrário, algumas até atingindo Cloud.
Enquanto Cloud se recuperava das pancadas que recebera, Telchar recitava algumas palavras sem nexo em alto e bom tom, fazendo surgir em sua frente uma rajada de fogo, que queimariam Cloud, não fosse um bloco de terra que sobe do chão, semelhante a uma peça de xadrez.
Porém, Cloud não esperava que, logo que o bloco descesse ao chão, estaria Telchar esperando para golpeá-lo. A espada passa muito próxima da cabeça de Cloud, mas atinge de raspão o braço desse, e mesmo sendo um simples golpe em falso, fere gravemente o braço de Cloud, que dessa vez cai ao chão.
- É meu velho irmão, eu realmente estaria em maus lençóis agora, se você pudesse usar de todo seu potencial, afinal, magicamente, você é superior a mim, mas, como controlar a água, num lugar tão seco assim não é verdade? Mas não se preocupe, logo, logo, este lugar estará encharcado com o SEU nobre sangue! Obrigado por ter me proporcionado este formidável duelo, meu rapaz. Admiro muito sua coragem, mas, ?não só de pão vive o homem?, certo? E nem só de coragem faz-se uma batalha! Agora, você não tem mais saída! ? Telchar estava com os nervos á flor da pele.
Numa prova de sangue frio e resistência, Cloud põe sua mão no braço que lhe estava incapacitado, e faz algo, de certa forma, suicida, mas era o que parecia ser sua única saída. Ele simplesmente arranca seu próprio braço! Só conseguiu fazê-lo devido ao golpe que havia ali recebido, mas isso não significava que não sentiria dor! Dessa forma, muito sangue jorrou de Cloud, como Telchar tinha lhe dito, e todo esse sangue foi conduzido, pela magia de Cloud, até lâmina a Espada Rubra, apagando todo seu destrutivo fogo, tornando-a uma espada normal.
- Nãããão!! Seu imbecil! Você acabou com a espada! ?gritou furiosamente Telchar - Bom, mas mesmo assim, ela ainda servirá para cortar-lhe ao meio seu verme!
Dizendo isso, Telchar levantou a espada acima de sua cabeça, e desceu-a diretamente ao peito de Cloud, que nas condições que se encontrava, não esboçaria mais nenhuma reação, além da terrível experiência de ver sua própria morte, e nada poder fazer para impedi-la.
Era um fim cruel e doloroso, mesmo para um bravo e forte guerreiro como Cloud, mas talvez merecesse tal morte, pois para um homem com a honra que ele tinha, era, de certa forma, vergonhoso o fato de não ter medido conseqüências, movido pelo ódio, como aconteceu com ele. Mas seu fim, por incrível que pareça, ainda estava longe.
Enquanto assistia a horrível cena da espada vindo em direção de sua garganta, de repente, Cloud vê uma flecha atingir a cabeça de Telchar, tombando-o no chão. Cloud olha para o lado, e vê, como que se fossem dois anjos enviados por Deus, Neo e Lestak, aflitos, mas felizes em encontrarem seu amigo.
-Nós ouvimos o nome Cloud... ? diz Lestak, decepcionado pela ?traição? de seu companheiro.- O que isso significa?
-Teremos tempo para discutir sobre isso mais tarde Lestak. Agora me ajude aqui com esse braço! ? comenta Neo, mais preocupado com a saúde de seu amigo, que com um simples nome.
Cloud (ou devo dizer Lancelot?) ainda encontra energias para sorrir, embora talvez tivesse sido o seu mais pavoroso sorriso, pois o sangue lhe corria da boca. E com suas últimas energias, antes de começar a enxergar tudo preto, profere as seguintes palavras:
- Essa é outra história...







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