Capítulo II – Thais
Acordei, olhei para meus irmãos e ambos ainda dormiam, chacoalhei Tom que estava com o polegar na boca, ele acordou rapidamente, pedi para que ele acordasse Sarah enquanto eu iria procurar por comida, caminhei por pelo menos meia hora, até que encontrei um arbusto com muitas, mas muitas framboesas. Fui recolhendo-as o mais rápido que podia e enfiando tudo nos bolsos, faltavam poucas até que comecei a ouvir passos, mas não eram comuns e sim passos pesados e abafados. Eu esperei escondido atrás do arbusto de framboesas, estava curioso além de assustado, será que Sarah e Tom estariam bem? Espiei de leve pelo tronco, e vi uma imensa criatura peluda com um olhar medonho e penetrante fiquei em choque, não sabia se devia correr ou esperar pela minha morte, foi quando a criatura estava se aproximando de mim que uma outra coisa apareceu, muito pior. Era uma aranha, mas não uma das comuns, e sim uma gigante. Com apenas um golpe com suas presas, o urso tombou. A aranha seguiu seu caminho, deixando a carcaça para trás, sem nem me notar. Levantei-me, e sai correndo algumas das framboesas iam se esmagando em meus bolsos que já ficavam azuis. Cheguei ofegante, olhei para os lados, mas apenas vi Tom atrás de uma árvore, ele tremia pálido.
Peguei-o pelo colarinho e o prensei contra a árvore.
- TOM! ONDE ESTÁ A SARAH?! – Pronunciei gritando, enquanto o prensava contra a árvore.
- E... Eles a levaram! Eram Ca... Quatro homens! – Uma lágrima escorreu de seu rosto nesse momento.
- Vamos! Não há tempo!
Não tive tempo de pensar, arrumei as coisas que tínhamos às presas, dei um punhado de framboesas esmagadas e algumas inteiras para Tom, que as enfiou na goela sem nem perceber o que eram. Começamos a seguir a trilha, provavelmente os bandidos iam para Thais, tentar vender minha irmã como escrava, para algum burguês, nós íamos o mais rápido possível que conseguíamos com todas aquelas coisas que carregávamos, algumas até inúteis, mas não tinha tempo para pensar nisso, lembrei-me de um amigo de meu pai habitante de Thais, era Josh Bucker e ele poderia nos ajudar. Havíamos percorrido quase todo o caminho para Thais, mas Tom estava cansado e não agüentava mais. Eles provavelmente também iriam descansar pela noite para continuar o caminho a cidade. Demorei em conseguir dormir, o que meu pai estaria pensando de mim? O dia estava começando a clarear quando peguei no sono, Tom me acordou pouco depois, dizendo estar com fome. Senti-me desesperado, sem saber o que fazer, as framboesas haviam acabado durante o dia anterior.
- Tom, vamos pegar um coelho.
-Arty, sabe que não podemos, eles são rápidos de mais – Disse com as mãos na barriga, com fome.
- Só temos que fazer uma armadilha – Eu tinha um olhar confiante no rosto, tentando anima-lo.
Ele deu algumas idéias... Mas, prefiro não comentar.