Considerações Iniciais
- É a primeira história que escrevo aqui... Sempre leio este fórum e só muito recentemente animei de postar algo.
- Dou créditos ao TibiaWiki e ao próprio TibiaBR, pois tirei desses sites diversas informações usadas no texto.
- Ignorei muitos aspectos do jogo para tornar a história mais real.
- O jogador Banthor, knight level 23 de Danubia, nada tem a ver com o protagonista da roleplay. Apenas fui olhar se existia algum player com esse nome depois de escrever toda a Introdução e o Capítulo 1.
- Queria agradecer à Edgar Allan Poe, Dostoiévski e Tolkien por terem me ajudado a escrever (hehe).
- Boa leitura!
Introdução
Um tal Svyre Machado-Sangrento certa vez disse que as Ilhas Geladas, no Oceano Nórdico, não eram lugar para os fracos de corpo e espírito. Isso, vindo de um bárbaro nascido e criado na região mais gélida de todo Tibia, é algo a se recear, caso o leitor tenha alguma pretensão em se aventurar por tais terras.
Antes de começarmos nossa história, é bom saber algo sobre esse arquipélago: algumas das ilhas são grandes porções de terra, outras, meras ilhotas; são elas: Hrodmir, Nibelor, Grimlund, Hellheim, Tyrsung, Okolnir, Folda, Vega e Senja - será lembrado que as três últimas não tiveram os portos fechados para o resto de Tibia. A principal cidade, Svargrond, se encontra em Hrodmir - a maior ilha, diga-se de passagem. É uma localidade relativamente aprazível para viver, visto que, com a recente reabertura dos portos e, consequentemente, a religação com as demais partes do mundo, a população aumentou consideravelmente, assim como a qualidade de vida. Registraram-se várias viagens com destino à terra dos bárbaros, com intuito empresário, nos últimos tempos.
Os bárbaros que ali habitam não são hostis aos visitantes - pelo menos fisicamente-, porém, adentrando-se mais em Hrodmir, atravessando a colossal geleira Formorgar, que divide a ilha em leste e oeste, encontrar-se-á bárbaros extremamente agressivos, que atacarão qualquer intruso, chamados Norsir. Bem à sudoeste da ilha, existem assentamentos desses rufiões.
A fauna da ilha é razoavelmente diversificada; constitui-se de lebres, lobos e ursos polares, pingüins, focas, veados, diversos pássaros, cujos nomes me fogem à memória, trolls gelados, e até, pasmem, mamutes, julgados extintos há muito pelos zoólogos tibianos. A pesca é gigantescamente abundante, vivendo, pois, os habitantes dela.
A economia de Hrodmir, antes, era mineradoura - o subsolo de Formorgar abriga minas, homônimas. Contudo, o contigente de trabalhadores era pequeno, e um misterioso assédio de serpentes marinhas tornou o trajeto de Carlin - cidade que explorava as minas - até Hrodmir perigoso, fazendo com que os interesses econômicos da Rainha se esfriassem, no que concerne às atividades mineiras. Como já falado acima, a economia da cidade expandiu-se grandemente com a reabertura dos portos, e certos bárbaros trabalham agora como comerciantes de peles, dentre outros artigos.
Notem, caros leitores, que me deti especialmente nessa ilha pois a natureza da história que vos conto assim me obriga. Caso a descrição de outra ilha (ou qualquer espécie de localidade) se faça necessária para o entendimento ou enriquecimento da narrativa, assim o farei. Dói-me também ter que, de certa forma, "matar" o aspecto literário do relato para inserir dados e informações técnicas, porém, é algo que julgo necessário. Espero que os senhores não se melindrem com a palpável mudança de estilo na escrita, caso isso venha a ocorrer.
1.
A imensidão anil do Oceano Nórdico parecia engolir a singela embarcação que perseverava na peleja contra o agitado mar polar. Era um minúsculo barco (tão pequeno que poderia ser confundido com uma grande canoa com velas - algo entre vinte metros de comprimento por dois de largura - que, velas içadas, rumava com veemência para o sul, tendo como escolta a gigantez de Formorgar, na costa de Hrodmir, à oeste, as praias geladas de Tyrsung, à
leste, e as cadeias rochosas de Okolnir, à frente. Ao timão, estava um tipo estranho; usava, não obstante a temperatura negativa, apenas uma tanga, produzida a partir de um tipo de couro pesado e felpudo, tornozeleiras e botas do mesmo material, além de estranhas ombreiras metálicas. Seu cabelo era alvo e estava preso firmemente em um rabo-de-cavalo - se bem que, àquela altura, vários fios haviam se soltado e estavam a esvoaçar no vento. Uma grande mecha fora deixada propositalmente de fora do penteado, e caía displicentemente sobre seus olhos castanhos-escuro, quase negros. As bastas suíças juntavam-se suavemente à escassa barba, de cor mais escura que o cabelo. Seu torso, braços e pernas, nus, denunciavam muitos anos de mar: eram torneados e musculosos. Tinha feições duras e feias, coalhadas de cicatrizes, mas sua boca, naquele momento, estava rasgada em um sorriso despreocupado. Trazia na mão esquerda uma garrafa do melhor rum da Baía da Liberdade. O marujo cantava, a plenos pulmões, uma velha cantiga, da qual nada se entendia, devido ao seu avançado estado de embriaguez.
- Pára com essa cantoria, por amor dos deuses, homem!
O capitão da embarcação virou a cabeça em direção à popa e viu um homem deitado de bruços sob os bancos do barquinho. Tomou um longo gole da garrafa e retomou sua ladainha, com força redobrada. O tripulante, então, arrastou-se até a borda da diminuta barqueta e vomitou no mar. Terminada a insólita tarefa, pôs-se sentado num dos bancos - com certa dificuldade, será lembrado -, indagando ao ébrio quanto tempo ainda tomaria para atingir o destino. Foi ignorado sumariamente, o que fez surgir certa ira em sua mente nauseada. Levantou-se de forma lenta e fez-se ver completamente. Era um sujeito de estatura imponente - media cerca de seis pés e meio* -, esguio, porém atlético. Apenas sua cabeça era visível - todo o corpo estava escondido por uma enorme capa enrolada em volta do tronco, de modo a se assemelhar a um sobretudo, feita do mesmo couro de que eram produzidas as peças do vestuário do bêbedo ao timão. A gigantesca capa ia da ponta das botas, também iguais às do capitão, ao queixo, terminando em uma gola extremamente felpuda. O rosto, de traços firmes e quadrados, era emoldurado por uma cabeleira singular, negra e rebelde, que se espalhava em todas as direções, caindo até pouco abaixo do ombro. Não aparentava ter mais de quarenta anos de vida, mas seus olhos, verdes qual esmeralda, denunciavam grande experiência e sabedoria não trazidas pela idade.
O passageiro transpôs a extensão do barquinho com poucas passadas e postou-se atrás do capitão, que continuava a cantar descontroladamente. Com a mão esquerda, tomou a garrafa de rum do fanfarrão, e com a direita agarrou sua nuca, puxando-o, sem dificuldade alguma, até a borda da embarcação. Forçou o ébrio a abaixar-se e mergulhou sua cabeça na água gelada, aos trancos e barrancos. Após deixar o pobre homem submerso por alguns segundos, livrou-o do aperto e voltou ao seu posto, sob o banco.
- Esses recém chegados de Além-Mar... - resmungou o capitão, quase ininteligivelmente - Sempre cheios de regras e normas...
- Cala-te, Buddel! - replicou o miserável - Sabes perfeitamente bem que, na concepção de Sven, sou tão cidadão de Svargrond quanto tu. Paguei o que me pedistes e quero que meus serviços sejam realizados competentemente, o que certamente não acontecerá caso insistires em beber feito um anão.
Buddel voltou sua atenção ao timão e resmungou algo sobre a tolerância excessiva do jarl. Não dando ouvidos ao bazofiador, o homem levantou-se de sua toca e rumou para a popa, onde jazia uma enorme mochila, de couro ordinário. Tirando de lá alguns instrumentos estranhos, um caderninho e um lápis, ele começou a fazer medições na água com uma espécie de termômetro e colheu alguns mililitros do gélido liquído em um pequenino frasco, que logo foi enfiado de volta na colossal mochila. Depois, ergueu-se e levantou o braço direito acima da cabeça, segurando outro insólito medidor, vagamente familiar a um catavento. Após um ou dois minutos, ele abaixou o braço e examinou o instrumento, retornando-o à mochila logo depois. A barqueta jogava muito naquele momento, impedindo o passageiro de fazer suas anotações. Ele então fechou os olhos por alguns instantes, como que memorizando as informações coletadas, e, guardando o caderninho e o toco de lápis na mochila, rumou em direção à Buddel.
- Agora, seu pinguço - disse ele -, será que podes me dizer quanto tempo é que falta para atingirmos as proximidades do maldito campo de Krimhorn?
- Não admito que tu profiras tamanho perjúrio acerca do capitão de tão augusta embarcação! - bradou Buddel, abragendo com os braços todo o miserável barquinho - Mas, uma vez que conseguiste minha amizade, perdoar-te-ei. Pois bem, saímos do meu nobilíssimo porto... - parou aqui para soluçar -, na bela cidade de Svargrond, anteontem ao alvorecer. Devemos estar bem perto, por agora. Olha, veja! Ali, a talvez dois ou três quilômetros à frente, a Formorgar já começa a descambar! Em no máximo três ou quatro horas já avistaremos terra - ou gelo... he... he! Acalma-te, nobre explorador Banthor, e prepara-nos a ceia de chegada!
O estado de espírito de Banthor melhorou consideravelmente depois da conveniente notícia, e ele caprichou na medida do possível na ceia - nacos de carne seca de veado, alguns cereais, um grande pedaço de presunto para cada, certas hortaliças (o caráter curto da viagem possibilitou alguns luxos como esse), um copo do fortíssimo hidromel de Svargrond (apenas para Buddel, já que o passageiro tomara o bastante desse liquído para a vida toda na ocasião em que Sven lhe aplicara certos testes tolos para que ele fosse aceito como cidadão da cidade gelada) e uma pequena caneca de vinho para si mesmo. Buddel travara o timão, e agora eles estavam sentados à mesinha que a embarcação possuía, ao centro, comendo e bebendo calma e copiosamente. O capitão, já novamente tomado pelo efeito do álcool, falava alegremente sobre suas viagens anteriores, sobre suas aventuras. Banthor escutava de bom grado, enquanto o manto sagrado da noite cobria o céu, e as estrelas começavam a pontilhá-lo. Seu coração amoleceu-se de vez quando ouviu Buddel dizer que sua amada esposa, Irvina, os aguardava com comida recém-feita e cama quente com lençóis limpos - a verdade era que a seca comida de bordo e as noites em cima da mal-cheirosa capa de couro de mamute não eram tão bem recebidas pelo organismo do viajante como eram em outros tempos. O capitão trabalhava em Svargrond, mas sua residência era no litoral de Krimhorn, onde obtia calma e sossego, segundo suas próprias palavras. Ele conhecera Irvina havia muito; ela era filha do jarl passado.
Terminada a refeição, Banthor lavou os talheres e copos no mar voltou ao seu recanto, embaixo do banco. Não sentia mais náuseas, e a maresia sobrepunha-se ao fedor da capa, na qual ele deitava, usando-a como um saco de dormir. Buddel encarregava-se dos preparativos para o ancoramento. O explorador olhava diretamente para as estrelas, matutando que, afinal, não seria tão ruim como ele outrora julgara. Quando o representante da Sociedade dos Exploradores da sua pequena vila, Porto do Norte, de nome Mortimer, o avisou que Lurik, um grande amigo, também da Sociedade, havia se mudado para Svargrond e o intimava a explorar os campos de Ragnir e Krimhorn, ele logo hesitara. Banthor fazia parte dessa Sociedade há muito tempo, e executava de bom grado qualquer missão que o incubiam. De fato, só sentira isso ao fazer os testes de ingressamento na organização, numa ocasião em que fora intimado a buscar um certo pedaço de gelo em Folda - nunca sentira tanto frio na vida. Agora, porém, ele usava agasalhos bem mais pesados do que os daquela vez, e sentia-se relativamente aquecido. Ainda mais agora, que Buddel informara-o do que o esperava em sua cabana... Afinal, não seria de todo ruim, essa expl...
Nesse momento, Banthor escutou tamanho alarido e furor por parte do capitão que ele duvidou que o pobre algum dia pararia de gritar. Levantou-se de um pulo e correu até a proa, parando de chofre ao lado de Buddel. Viu que a geleira de Formorgar já se extinguira e que uma extensa praia gelada mostrava-se à frente dos dois homens. À princípio, nada que justifica-se os gritos do marujo - que continuavam incessantemente - se revelou aos argutos olhos do explorador; mas, após alguns segundos, Banthor viu, horrorizado, uma cabana em chamas, talvez a um ou dois quilômetros à frente. O pobre Buddel correu desesperadamente aos remos, e pôs-se a remar de forma brutal, ainda aos brados ininteligíveis. Banthor precipitou-se em sua ajuda, e começaram a avançar em grande velocidade pelo mar gelado, enquanto as labaredas refletiam-se no espelho que era a água.
Ao chegarem perto o bastante para divisar detalhes na costa, e consequentemente, na cabana em chamas, a balbúrdia de um homem só dobrou de intensidade. Via-se, clara e horrivelmente, uma lança com o cabo fincado na neve e de ponta pra cima. Espetada na ponteira de metal, erguida a talvez um metro e meio ou dois do chão, encontrava-se uma cabeça de mulher, com os claros cabelos a esvoaçar no vento da noite polar.
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* - Um pé equivale a 30,5 centímetros. Sendo assim, Banthor media algo como 1,98 metros.
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Capítulo 2 em breve =)
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