Capítulo 5

Ian estava voltando para casa, o Sol forte estava começando a lhe fazer mal, tinha dado uma desculpa qualquer para a menina, enquanto voltava com certa pressa dava pequenos goles na garrafinha prateada, sem se importar com o resto do liquido vermelho que escorria pela boca.

A cada passo que dava se sentia pior do que antes, achava que estava de alguma forma morrendo, foi quando notou que morrer uma segunda vez seria algo banal.

- Precisa de ajuda? – Ana havia surgido praticamente do nada, tinha um olhar irônico e um sorriso mais irônico ainda.

Ian pensou em dizer algo sobre o vestido branco que ela vestia, mas deixou para lá e simplesmente avançou sobre o pescoço dela, cravou seus caninos e sentiu o sangue escorrendo, começou a sugar com toda a força que tinha, mas ainda não adiantava, ainda estava muito quente, e mesmo que sugasse todo o sangue da menina não adiantaria.

- Ei, vai com calma. Você está me machucando!

Ian ignorou. E quando deu conta de si estava caindo no chão.

Ele começou a escutar uma musica leve, o sentimento que passou por ele era algo indescritível, sentia uma pequena mão fria passando por seu rosto e por seu cabelo, contra sua própria vontade abriu os olhos, viu duas grandes esferas azuis sobre ele, tentou sorrir, mas não conseguiu. Fechou novamente os olhos e murmurou algo.

- Achei que você ia morrer – a voz de Ana tinha certa preocupação.

- Eu também – Ian abriu de novo os olhos e viu que a menina tinha se afastado – Bem, agora estamos quites.

Ana olhou para ele com cara de interrogação por alguns segundos, depois fez cara de quem entendeu depois de quem estava brava e depois pulou na cama.

Ian olhou para o quarto, as paredes brancas com as janelas bem fechadas com cortinas rubras cobrindo qualquer entrada do Sol. Ele não sabia onde estava.

- Era o quarto dos meus pais – Ana estava olhando para ele com um sorriso – Não costumo usar esse quarto, me trás lembranças ruins.

Ela continuava sorrindo. E ele olhava para ela, era sempre assim, um pouco depois do aniversario ela sempre ficava feliz e alegre.

- Vamos fazer alguma coisa hoje?

Ian sorriu, era raro ela o chamar para fazer qualquer coisa.

- Que tal a noite?

Ana concordou com a cabeça e o abraçou.

E eles ficaram assim.

Eles estavam dormindo fazia algumas horas, quando um toque de celular acordou os dois bruscamente, Ian tentou colocar as mãos no bolso da bermuda, mas notou que não a estava vestindo, Ana esticou o braço e pegou um celular preto no criado mudo. Sem nem levantar a cabeça direito ela lhe deu o telefone.

- Alo? – a voz de Ian fez um pouco de eco no fone.

- Alo. É você Ian? – uma voz feminina veio do outro lado.

- Sim, sou eu. Quem é?

- Sou eu, Helena.

- Helena? O que foi?

- Nada só queria saber o que você vai fazer a noite?

- Eu vou sair com... hã... Com minha irmã.

- Ahh entendo, bem então deixe para depois.

Ela desligou e Ian ficou um tempo mudo, Ana ao seu lado estava com a cara cansada. Ele se virou para ela e lhe deu um beijo na testa.

- Eu vou ao meu apartamento me vestir e te encontro lá em baixo daqui a meia hora, ok?

Ana fez que sim com a cabeça e deitou de novo.

Ian levantou, colocou sua bermuda e ignorando a presença (ou a não presença) de sua camisa foi até a sala, chegou à porta e notou que ela não tinha fechadura ou maçaneta.

- Só abre por fora? É por isso que a Ana nunca fecha a porta quando eu estou aqui.

Ele parou e pensou, depois enfiou o pé na porta para que ela se abrisse e saiu com pressa.


Ian levou vinte minutos para fazer tudo que queria e por fim desceu, ele estava praticamente com a mesma roupa que usou para ir ao parque, segundo ele esse era o ruim de ter roupas parecidas, para ser sincero a única diferença é que sua camiseta tinha um pequeno emblema de uma loja no peito, de resto estava igual, o cabelo preto e molhado despenteado, a bermuda preta com a garrafa prateada no bolso e o tênis preto e branco.

- Desculpe a demora – Ana apareceu por trás dele, usava uma minissaia preta e uma regata branca.

- Diferente do de sempre.

- O que está diferente?

- Nada, nada. Você desceu pela janela de novo?

Ana fez que sim com a cabeça e começou a andar na direção da portaria do prédio.

- Você sabe que eu deixei a porta aberta?

Ana não deu resposta e continuou andando, Ian a seguiu e eles saíram do prédio. Foram caminhando sem rumo pela cidade, passando sempre em lugares pouco iluminados e pouco movimentados, por fim pararam em frente a um cemitério.

- Que coincidência estranha não? – Ian estava realmente surpreso de como haviam acabado ali.

Ana sorriu e atravessou a rua, Ian ficou olhando ela atravessar e quando ela chegou do outro lado ele foi atrás dela.