Capítulo 13
O leitor pode se irritar nesse exato momento, por vários motivos, e realmente não tiro sua razão, afinal a narrativa é totalmente sem sentido, personagens aparecem do nada, o autor faz comentários que quebram todo o ritmo da historia, o sexo atingiu um patamar banal. Mas o pior vem agora, pois como você, leitor, vai perceber agora, um avanço temporal foi feito, alguns passos pro futuro, na verdade tudo que foi pulado não tem a menor graça, mas não se preocupe, tudo será explicado mais cedo ou mais tarde. Agora perdoem minha interrupção e continuem sua leitura.
***
- Vamos... Aqui – Douglas tomava cuidado para dizer o menor numero de vogais possíveis.
Douglas – pela primeira vez em cinco anos – não vestia suas roupas de vampiro, mas ainda era uma figura estranha de se ver, vestia roupas coloridas e rasgadas, em uma de suas mãos carregava uma lanterna apagada e sem baterias. Ian o seguia de perto, ainda atordoado com tudo que havia acontecido, sua visão ainda estava escurecida, suas pernas tremiam.
Os dois estavam se esgueirando dentro da antiga mansão de Agatha, o papel de parede amarelado pelo tempo tinha marcas de queimadura, o chão cheio de rachaduras, os cantos mais escuros serviam de ninhos para os ratos, as grandes janelas estavam sem vidro. Naquele momento os dois estavam na antiga biblioteca, prateleiras tombadas ainda continham livros cobertos de pó e cheio de traças, na lareira haviam algumas cinzas e paginas de papel parcialmente queimadas. Douglas fechou as portas de madeira – que começavam a apodrecer.
- Devemos ficar seguros aqui.
Ian concordou com a cabeça e se apoiou em uma das prateleiras tombadas.
- E se ele nos achar?
- Vamos ter que dar um jeito de matá-lo, você ainda tem suas habilidades de vampiro e eu ainda tenho... Duas balas – disse Douglas contando as balas de sua pistola.
Os dois ficaram em silencio, cada um olhando coisas diferentes, os dois pensando na mesma coisa.
- O que está acontecendo? O que são esses caras? O que eles querem?
- Não ficou bem claro o que eles são? – Douglas continuou ao perceber a cara de confuso de Ian – são elfos.
- Ah... Elfos. E por que eles tentaram nos matar?
- Não sei direito, mas é isso que eles querem.
- E onde entra aquele árabe, e aquelas outras coisas?
- Os elfos são uma raça muito inteligente e altamente capacitada com rituais e coisas mágicas. E acredite, eles são bons pra fazer essas coisas de trazer coisas mortas de volta e dar vida a coisas ridículas.
Ian refletiu, e sem entender o que o árabe que os persegui tinha a ver com aquilo resolveu ficar em silencio. Nenhum dos dois fez idéia de quanto tempo havia se passado quando eles ouviram algo arranhando a porta da biblioteca.
- Se prepare – cochichou Douglas para Ian enquanto apontava sua arma para a porta.
Ian em um pulo se levantou e fixou os olhos nas portas. Novamente o som de algo arranhando a porta, depois uma batida forte. Douglas sentiu o suor escorrendo por sua testa branca. A segunda batida rachou a porta, uma terceira batida a botou abaixo. Entre o som da porta batendo no chão e a figura alta de um homem surgindo à porta Douglas apertou o gatilho de sua pistola.
- AHHHH.
O som do grito parou subitamente, um homem de mais ou menos dois metros estava parado ali, sua pele morena com grandes veias bem demarcadas, uma de suas enormes mãos cobria um sangramento em sua barriga, o rosto era cheio de pelos com um queixo pontudo.
- Ian, faça alguma coisa, só tenho mais uma bala.
O vampiro olhou ao redor, precisava de algo para usar contra o enorme homem parado onde uma vez houve uma porta, se aproximou da lareira sem tirar os olhos do homem sangrando, ainda sem olhar tateou a procura de qualquer coisa dura que pudesse usar. O metal frio da pá de recolher pó fez com que Ian sentisse um arrepio. O homem sangrando havia tirado sua mão do ferimento e avançava em direção a Douglas, que apontava a arma sem vontade de dispará-la. Douglas foi atingido pelo encontrão do homem, seu corpo caiu no chão sem oferecer nenhuma resistência, nesse momento Ian bateu com força na cabeça do homem usando a pá. Um som meio oco abriu um tímido sorriso na cara suada de Douglas, o homem rugiu, sua cabeça sangrava, Ian continuou batendo até que a pá se entortou por completo e o homem estava caído no chão.
- Vamos sair daqui – disse Douglas saindo pela porta da biblioteca, logo sendo seguido por Ian.
- Será que tem outros arabes como ele?
- Não tenho certeza se eles são arabes. Da onde tirou essa idéia?
- Ele parecia ser árabe. Mas e então, existem outros como ele?
- Deve haver.
A porta da frente da mansão estava destruída, e foi por ela que os dois saíram, o jardim descuidado estava cheio de lixo, grandes arbustos disformes decoravam o local, o fino caminho para carros tinha marcas de pneus recentes.
- Melhor que o esgoto, não? – perguntou Douglas alegremente enquanto eles se aproximavam do portão de metal destruído.
O Sol estava se pondo, as poucas pessoas na rua mal olhavam para o vampiro e seu colega correndo com roupas sujas de poeira e sangue.
Os dois pararam em frente a uma estação do metrô, ofegantes da corrida, observando com os cantos dos olhos as pessoas que passavam por eles, notaram que a maioria tentava os ignorar, como se tivessem algum tipo de doença, mas é claro que as roupas rasgadas, sujas de pó, sangue e suor poderia afastar a maior parte das pessoas.
- Ouviu isso? – disse Ian olhado ao redor.
- O que?
- Uma espécie de assovio, parecia um chamado.
Douglas arregalou os olhos e procurou algo no céu, Ian ficou por alguns segundos o olhando e depois passou a imitar o movimento, ele ouviu um segundo assovio, e de repente viu. Cerca de cinco homens os olhavam do alto de prédios em volta da estação, todos tinham armas apontadas na direção do vampiro e de seu amigo cansado, Douglas também os havia visto, um terceiro assovio e o som das balas ecoou nos ouvidos de Ian, as balas acertaram os dois, Douglas caiu no chão como uma fruta cai de uma arvore, seu peito e seu pescoço sangravam, ele estava morto.
Ian por outro lado sentiu as balas atravessando seu peito, e ao ver o amigo caído no chão sentiu um vazio, tentou gritar, mas sua garganta não parecia ter forças, seu corpo pesou, estava cansado.
Ajoelhou-se ao lado do corpo do amigo, as pessoas corriam de volta para a estação procurando abrigo, esperando que a próxima bala fosse à direção de uma delas.
Por fim um quarto assovio, mais balas foram disparadas contra o vampiro de joelhos. Um quinto assovio, outros tiros, Ian caído no chão sentia seu corpo sendo furado e instantaneamente seu organismo curando as feridas, ouviu um sexto assovio, mas nada aconteceu, ouviu mais alguns disparos, mas não sentiu nada.
Fechou os olhos e tentou dormir ali mesmo, em uma poça de seu próprio sangue, no chão sujo da cidade.
Quatro mãos o agarraram e o levantaram.