Capítulo 9
Ian estava em frente ao apartamento cento e dois, estava vestindo roupas que claramente não combinavam, mas ele não ligava para isso, tocou a campainha, ninguém atendeu, tocou de novo, esperou um pouco, ia tocar a terceira vez quando a porta se abriu, uma mulher alta o olhava com ternura, estava bonita, usava um vestido preto, tinha os compridos cabelos loiros soltos e ainda um pouco molhados, sua pele era branca, parecia que usava pó de arroz por todo o corpo, seus seios grandes estavam empinados.
- Entre Ian – a mulher disse docilmente.
O apartamento era todo iluminado, a sala era espaçosa e arejada.
- Ana deve estar dormindo, ela está um pouco doente. Não é nada sério e não vamos demorar muito para voltar.
Ian mexeu a cabeça como se concordasse, olhou ao redor e notou que o pai de Ana saia do quarto com a cabeça baixa, ele era alto, deveria ter quase dois metros, era loiro e tinha grandes olhos azuis.
- Que bom que chegou, bem, estamos indo qualquer coisa ligue.
O homem olhou para Ian antes de sair e disse:
- Divirta-se, como sempre se divertiu. Ana está dormindo, mas acho que você consegue se divertir mesmo assim.
E deixando Ian confuso ele saiu do apartamento fechando a porta com força.
- Acho que ele ficou maluco.
E dizendo isso Ian foi ver Ana, era um quarto grande, ele acendeu a luz e viu a menina deitada na cama com os grandes olhos azuis olhando o teto, parecia estar se sentindo mal.
- Você está bem? – foi tudo que Ian conseguiu perguntar.
- Não, estou com fome – disse em tom sério.
- Quer que eu faça alguma coisa para você comer?
- A comida não tem gosto.
Ian andou até a cama, passou a mão pelo rosto da menina, ela fechou os olhos, ele passou a mão pelas bochechas dela, depois passou um dos dedos pela boca da menina. Agora passava as mãos pelo corpo da menina, apertava levemente os seios nem um pouco desenvolvidos da menina.
- Eu fui ao médico – a menina começou a falar levemente – ele fez vários exames em mim.
- É? – perguntou Ian sem interresse
- É – respondeu a menina com simplicidade e súbita perde de interresse em contar o que havia acontecido.
- Levante os braços – ele disse carinhosamente.
A menina levantou os braços e ele tirou a parte de cima do pijama verde que ela vestia.
- Depois ela perguntou se alguém já tinha colocado alguma coisa em mim.
Ian ouviu isso e ficou alguns segundos quieto.
- O que você disse?
- Nada, eu não falei nada.
Ian a deitou na cama, passou a língua pelo peitoral da menina, sentiu as pequenas mãos dela passando por seu cabelo.
Alguns minutos de bolinação se seguiram.
Ian resmungou alguma coisa enquanto tirava o resto da roupa da menina, e enquanto tirava a própria roupa resmungou novamente.
Ele a levantou, deitou na cama vazia e a deitou sobre ele, Ana estava quieta, seu rosto mais branco que o normal, seus olhos sem brilho, sua boca entreaberta.
Ela soltou um gemido baixo, Ian também. E depois os dois gemeram ao mesmo tempo.
Meia hora depois os dois estavam deitados na cama, Ian suado passava as mãos pelo rosto da menina, Ana estava quieta, com a cara apoiada no ombro dele.
- Você não chora mais – disse Ian sem prestar atenção nas próprias palavras – no começo você chorava o tempo todo.
Ana ficou quieta, seus olhos fechados. Sem ouvir o que Ian dizia, sem se mexer, apenas respirando. Os dois ficaram ali por alguns minutos.
Subitamente Ana mordeu Ian, uma mordida forte, doía todo seu pescoço, algo lhe penetrava a carne, sentiu seu sangue quente escorrendo.
Com um grito silencioso Ian acordou. Estava deitado no sofá, ao seu lado Ana dormia tranquilamente.
- Lembranças ruins.
E se xingando mentalmente por falar sozinho ele foi tomar um banho gelado.
Foi um banho calmo e demorado, a água fria batia em sua cabeça com força, mas ele só pensava no sonho que tivera, fazia muito tempo que não pensava em tudo aquilo, por que tudo voltava a sua mente agora?
Enquanto isso Ana acordava, seus olhos abriram devagar, não havia ninguém na sala, ela imaginou onde Ian estaria, ouviu o barulho do chuveiro e resolveu ir até a cozinha procurar algo para matar a fome. A cozinha a deixou enjoada, perfeitamente limpa e perfeitamente branca, a pia sem nenhuma louça suja, mesmo o escorredor estava vazio, ela abriu a geladeira preguiçosamente, estava cheia de pequenos potes transparentes cheios de sangue, cada pote tinha uma etiqueta, onde ela podia ler o tipo do sangue, a idade do dono daquele sangue e seu sexo, Ana notou que havia uma maioria esmagadora de sangue de jovens meninas.
- Um dia eu entendo essa obsessão dele – e abaixando pegou um dos pequenos potes transparentes.
Era do tipo A positivo, aparentemente a dona daquele sangue tinha doze anos, ela tirou a tampa do pote e sentiu o cheiro, era um cheiro doce, diferente de qualquer outro cheiro que ela já havia sentido, calculou que devia haver cerca de trezentos mililitros de sangue ali, começou a beber, saboreando cada gole, bebia devagar, mas prazerosamente, como se fosse a primeira vez que bebesse e a ultima vez que poderia beber.
- Nunca tinha provado sangue dessa idade?
Ian tinha surgido sorrateiramente na cozinha, abraçou a menina ainda com o corpo molhado e frio do banho recém tomado.
- Nunca – Ana respondeu com simplicidade – mas acho que é a melhor coisa que já provei.
Ian sorriu, depois abriu a geladeira e sem olhar para dentro pegou um pote, abriu e o bebeu com pressa.