Capítulo 6
A dupla continuava rumando sem destino pelas ruas, ocasionalmente parando para ver algo que chamasse a atenção. Era algo um tanto ridículo para eles ficar olhando lojas, dinheiro não era um problema para eles - por motivos que serão explicados mais tarde – o fato é que eles não precisavam de mais nada, eles tinham tudo que precisavam e ter mais do que o necessário não é uma coisa que combine com nenhum dos dois.
- Ei, vamos comer alguma coisa?
- Está com fome?
- Estou, isso não é meio obvio?
- Pode ser, pode ser – Ian deu um longo suspiro – o que acha daquele cara?
- Quero comer algo, não alguém.
Ian olhou para o nada por alguns instantes, depois começou a andar sem dizer nada, Ana ficou olhando ele se distanciar por um tempo, quando ele estava atravessando a rua ela o seguiu.
- Onde você está indo?
O garoto parou, apontou para frente e Ana notou que havia um restaurante italiano na frente deles.
A fachada do restaurante era toda de tijolos, com uma grande bandeira da Itália próxima a porta, por dentro ele era bem iluminado, era um restaurante bem típico, estava movimentado e os garçons estavam passando com presa levando diversos pratos e bebidas.
- Lugar para quatro?
Ian se assustou com o garçom que se aproximou.
- Quatro? – a voz do garoto era áspera e seu olhar se fixou nos olhos do garçom
- Sim, você sua irmã, e seus pais não?
Ian ficou com a cara séria e antes que pudesse dizer qualquer coisa Ana deu um passo à frente.
- Nossos pais não estão vindo, vamos jantar sozinhos – Ana abriu um meigo sorriso, o garçom não disse nada e os levou para uma mesa quase que exatamente no meio do restaurante.
Durante o jantar os dois ficaram em silencio, comiam sem presa, sem sentimento, depois de certo ponto a comida ficou até fria e os dois pareceram nem perceber.
Ian acabou de comer antes de Ana e ficou a observando, ela comia devagar e com menos emoção do que ele percebia. Quando a menina acabou de comer o garoto sorriu, ela não entendeu o porquê do sorriso e ficou o encarando. Ele esticou a mão e limpou o pouco de molho que restava em sua boca, depois a ficou encarando docilmente e chamou o garçom. ‘’A conta’’ e com um movimento seco mandou o homem embora.
- Quando sairmos daqui...
- Vamos.
O garçom trouxe a conta e antes que ele tivesse tempo de se virar Ian jogou a quantidade exata de dinheiro na mesa e foi saindo junto a Ana.
A rua estava mais escura que antes e menos pessoas circulavam por ali, os dois ficaram parados ali, em frente ao restaurante, aproveitando o vento frio que passava por ali.
- Podemos pegar um táxi...
- Achei que gostava de ir a pé.
- Depois podemos pegar o taxista.
- Ana, você é terrivelmente cruel às vezes.
- O que tem de cruel em matar a fome?
- Você não entenderia, mas desde que conseguiu esse par de dentinhos afiados ficou um pouco mais cruel.
Ana bufou, depois esticou o braço e chamou o primeiro táxi que estava passando pela rua.
Era um táxi um pouco novo, ele passou por eles e depois parou com um freio brusco, voltou um pouco e a porta se abriu, os dois entraram.
- IAN!
Ian deu um gritinho feminino de susto e olhou para o taxista que estava sério e já retomava sua direção. Foi ai que ele reparou que no táxi havia um terceiro passageiro, sua companheira de escola, Helena.
- Há quanto tempo Ian, você não aparece na escola faz quase duas semanas.
- Helena! Que coincidência...
A conversa fluiu de modo que Ana havia insistido para Helena visitar a casa deles naquela mesma noite, Helena por algum motivo desconhecido pelos dois vampiros aceitou imediatamente o pedido.
- Chegamos – o taxista deu uma freada forte e com uma voz sem sentimento continuou falando – Não precisam pagar. Agora por favor, saiam.
Helena estranhou a atitude do taxista, mas antes de fazer qualquer questionamento foi empurrada para fora do táxi por Ian que havia ficado um pouco irritado subitamente, Ana saiu com um sorriso na cara e os três entraram no prédio.
- Sua irmã não parece muito com você.
- Nossas mães são diferentes – Ana falou forte – para dizer a verdade somos de pais diferentes até.
- Ian, sua irmã é muito fofa!
Ian deu um risinho e disse:
- Você não ia querer ficar sozinha em um quarto com ela.
Ian tirou as chaves do bolso da bermuda e empurrou a porta do elevador, apertou o botão do primeiro andar e esperou as duas acompanhantes entrarem.
- Sabe, eu estava pensando, vocês dois não estão com frio?
- Não sentimos frio – Ana falou antes que Ian pudesse dizer qualquer coisa.
Antes que Helena pudesse perguntar outra coisa o elevador parou e Ian saltou para fora, com um pouco de presa abriu a porta e deixou Helena entrar, Ana ficou parada a porta, olhando para dentro do apartamento, seus olhos azuis fixando Helena que zanzava pela sala com poucos moveis.
- Pode entrar – Ian disse empurrando Ana para dentro do apartamento.
- Ana, você está pálida!
- Não se preocupe comigo Helena, logo eu vou ficar bem.
Ian suspirou, foi em direção à cozinha branca e murmurou alguma coisa.
Helena ficou por um momento reparando nas paredes brancas e amarelas sem quadros nem algum outro tipo de decoração. Ana passou a língua vermelha pelos lábios claros, abriu a boca e agarrou Helena pelo pescoço, a vampira estava séria, sua língua percorria seu lábio mais rápido, sua mão apertava cada vez mais o pescoço de sua vitima, que por sua vez estava tentando respirar, seus olhos castanhos cheios de pânico, seu longo cabelo escuro balançava acompanhando os movimentos da cabeça que tentava se libertar das mãos da menina.
Ian apareceu na sala, seu olhar estava frio, Helena esticou um dos braços como pedindo ajuda para o garoto.
- Eu disse que você não gostaria de ficar sozinha com ela – sua voz era cruel, mas cansada - Ana vá logo.
A menina soltou o pescoço da vitima e em um pulo rápido avançou contra o pescoço de Helena, seus dentes fincaram com força a carne e ela chupou o sangue com agressividade e velocidade, saciando sua fome.
Ian se aproximou devagar e passou os braços pelo corpo pequeno da vampira, com calma ele passou a mão delicadamente pelos cabelos dela.
A menina levantou a cabeça, a boca e seu queixo cobertos de vermelho, contrastando com a pele branca.
- Aproveite antes que acabe – enquanto falava gotas de sangue escorriam e manchavam sua blusa branca.
- Pode ficar com tudo, vou apenas observar.
Ana sem pensar duas vezes voltou ao pescoço hemorrágico e continuou sugando.
‘’Ela é realmente cruel quando quer. Helena ainda está viva e pelo visto vendo e sentindo a mordida’’, Ian afastou os pensamentos e continuou passando as mãos pelo cabelo dourado da menina.
O olhar de Helena estava sem vida, de sua boca saia uma espécie de gemido de dor e agonia.
Depois de alguns minutos Ana soltou o pescoço da já sem vida Helena, Ian prontamente lhe deu uma toalha vermelha, ela limpou todo o sangue de sua boca e mostrou a língua para Ian que a olhava com certa ternura.
- Posso dormir aqui?
Ele fez que sim com a cabeça e a pegou no colo, abandonando o corpo sem vida no meio da sala foi até seu quarto e a deitou na cama desarrumada, fechou as cortinas claras e se deitou junto a menina.
Durante a noite Ian se levantou e foi até o corpo abandonado no chão, levantou o braço esquerdo frio e branco como as paredes, murmurou alguma coisa e deu uma mordida forte, sugou o pouco sangue que escorreu e com força arrancou parte da carne fria, mastigou um pouco e engoliu, fez isso novamente, e de novo e de novo, até que o braço esquerdo estava quase totalmente em ossos. Balançando um pouco foi até o quarto e voltou a se deitar na cama.
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Só pra variar, gostaria de ver alguns comentarios.
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