GARRINCHA
Morria há 25 anos atrás, no dia 20 de Janeiro de 1983, um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, Manoel Francisco dos Santos.
"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."
Carlos Drummond de Andrade.
O apoiador Zito, da Seleção Brasileira, recebera a bola na intermediária e a entregara a Garríncha na ponta direita. O mulato de pernas tortas ficou alguns segundos parado diante de Gustavsson, beque da Seleção da Suécia. E estava dada a senha para a dança. "Eu parei quando ele parou".
Num movimento maroto, Garrincha encurtou a distância que o separava de Gustavsson e o zagueiro sueco entendeu que ali estava a sua chance. Chutou o vazio. O corpo inteiramente apoindo na perna direita, o ponteiro já disparara rumo à linha de fundo.
Tantas demonstrações de carinho, freqüentemente tocantes, às vezes induziam Garrincha a acreditar que era possível recuperar a alegria de viver. No dia 13 de janeiro, em sua última aparição pública, inaugurou uma escolinha de futebol em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, e comandou uma aula especialmente animada, cheia de lições sobre dribles, atentamente absorvidas por meninos pobres do lugar. Parecia o Garrincha que, ao receber a visita do amigo Arnaud Araújo numa clínica onde estava internado, fez uma frase esperançosa. "Depois da meia-noite a tendência é clarear", disse. "Estou sentindo que passou a minha noite e agora a vida vai clarear." Dias depois, contudo, Garrincha não apareceu para a segunda aula: a família avisou que ele se embriagara.
Na tarde de quarta-feira , aos 49 anos, depois de três casamentos e treze filhos, faltaram a Manoel Francisco dos Santos forças e mesmo frestas de lucidez para essas pequenas espertezas. Perto das 2 horas, Garrincha chegou bêbado e trôpego à casa do bairro de Bangu que dividia com a mulher, Vanderléia de Oliveira Vieira, 32 anos, a filha do casal, Lívia, de 2 anos, e Wendel, de 7, filho do primeiro casamento de Vanderléia com o ex-ponta-direita do Vasco, Jorginho Carvoeiro, morto de câncer em 1977. Vanderléia telefonou para a superintendência do Inamps e, pouco depois, uma ambulância estacionava na Rua dos Estampadores, diante de sua casa mais famosa, uma construção de bom aspecto, recém-pintada de amarelo e branco, com ar condicionado nos dois quartos.
Às 6 horas da manhã do dia de São Sebastião, feriado de sol no Rio de Janeiro, um anônimo funcionário da clínica constatou que ali jazia, só, há horas, um homem morto, vítima de extensas lesões no fígado e no pâncreas, causadas pelo consumo excessivo de álcool. "Ele estava há três dias sem se alimentar", lembra Vanderléia.
Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.
Garrincha, o anjo, escuta e atende:
Gooooool!
- Família -
- Garrincha e Pelé -
- Drible -
• BIOGRAFIA
Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, nasceu no distrito de Pau Grande, Magé, na Baixada Fluminense, em 18 de outubro de 1933. Garrincha teve uma infância pobre em Magé, mas mostrava seu repertório de jogadas no Esporte Clube Pau Grande, onde hoje está localizado um estádio que leva seu nome.
Mais tarde, foi levado por Arati, um ex-jogador do Botafogo, ao Alvinegro. Diz-se que o clube de General Severiano pagou cerca de 500 cruzeiros, o equivalente a US$ 27 - cerca de R$ 50 -, para ter o atacante. Foi aprovado após dar alguns dribles desconcertantes no lateral-esquerdo Nílton Santos, que pediu logo sua contratação.
De 1953 a 1965, Garrincha jogou no clube de General Severiano, tendo marcado 252 gols em 609 partidas. Conquistou o Campeonato Carioca das edições 1957, 1961 e 1962 e dois Torneios Rio-São Paulo, em 1962 e 1964), além de outros títulos internacionais de menor expressão.
Sua história na Seleção Brasileira também merece destaque. Na Copa do Mundo de 1958, foi um dos principais jogadores na conquista na Suécia. Na edição de 1962, no Chile, a estrela de Garrincha brilhou ainda mais e tornou-se o principal jogador, após a contusão de Pelé. Marcou quatro gols e foi um dos artilheiros.
Além de Botafogo e Seleção Brasileira, Garrincha também teve breves passagens por Corinthians (dois gols em 10 jogos, em 1966), Junior Barranquilla, da Colômbia (um jogo em 1968), Flamengo (15 jogos e quatro gols, entre 1968 e 1969) e Olaria (dez jogos e um gol, em 1972), além de outros clubes amadores.
A vida pessoal de Mané Garrincha foi cercada de polêmicas. Oficialmente, teve duas mulheres: Nair, com a qual teve oito filhos; e a cantora Elza Soares, com a qual teve apenas um filho, Garrinchinha, que morreu afogado. Teve mais dois filhos com a namorada Iraci e um filho sueco, fruto de um romance durante a Copa de 1958.
Com problemas com o alcoolismo, Garrincha morreu na miséria no dia 20 de janeiro de 1983, vítima de extensas lesões no fígado e no pâncreas. O ponta-direita não deixou dinheiro sequer para pagar seu enterro, que foi financiado pelo cantor e torcedor alvinegro Agnaldo Timóteo.
• NÚMEROS
Pelo Botafogo:
Partidas: 609
Gols marcados: 252
Partida de estréia: Botafogo 6 – 3 Bonsucesso (19 de julho de 1953)
Primeiro gol: Marcado na partida acima.
Última partida: Botafogo 2 – 1 Portuguesa do Rio (15 de setembro de 1965)
Último gol: Botafogo 1 – 0 Flamengo (22 de agosto de 1965)
Pela Seleção Brasileira:
Partidas: 60
Gols: 17
Partida de estréia: Brasil 1 – 1 Chile (18 de setembro de 1955)
Primeiro gol: Brasil 5 – 0 Corinthians (28 de maio de 1958) – Garrincha marcou 2 gols na partida
Última partida: Brasil 1 – 3 Hungria (15 de julho de 1966)
Último gol: Brasil 2 – 0 Bulgária (12 de julho de 1966, Copa do Mundo de 1966)
• TÍTULOS
Pelo Botafogo:
Campeonato Carioca (1957, 1961 e 1962)
Rio-São Paulo (1962 e 1964)
Quadrangular Interestadual (1954)
Quadrangular de Bogotá (1960)
Pentagonal do México (1962)
Torneio de Paris (1963)
Torneio Gov. Magalhães Pinto (1964)
Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol – La Paz (1964).
Pela Seleção Brasileira:
Copa do Mundo: (1958 e 1962)
Taça Bernardo O'Higgins: (1955, 1959 e 1961)
Taça Oswaldo Cruz: (1958, 1961 e 1962)
Copa Rocca: (1960)
• LINKS
Matéria do Globo Esporte: http://globoesporte.globo.com/ESP/No...5-4399,00.html
Livro: http://www.maisfutebol.iol.pt/notici...1477&id=475199
Filme: http://www.adorocinemabrasileiro.com...-solitaria.asp
Matéria da FIFA sobre a data: http://www.fifa.com/worldfootball/ne...ing+joy+people
Matéria da BBC Sports sobre a dataa: http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/7197754.stm
Fotos: http://msn.lancenet.com.br/hotsite/garrincha/fotos.stm
http://www.sosserve.com.br/garrincha/fotos.htm
"Eu digo: não há no Brasil, não há no mundo ninguém tão terno, ninguém tão passarinho como o Mané" (Nélson Rodrigues)
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