Salve!
Já devem estar enjoados de mim... mas aqui vai mais uma do meu eu-narrador azarado..

Pois é, caros amigos. Já não faz muito tempo que eu lhes relatei minha história como um ser azarado (literalmente), e agora volto com uma história de mesmo tema, porém com diferente assunto. Conhecem aquelas frases de filmes de ficção? Do tipo “now the villain strikes back”. Isso se aplica perfeitamente a mim. Fazer o que, não é?
Uma semana após o infeliz acontecido no show, eu mal sabia que algo do gênero estava a me esperar. Minha féria já estava quase no final, quando tranqüilo em casa eu escuto o celular tocar. Era o bendito do Paulo me acordando novamente. Adivinhe só para que? Uma pequena micareta naquele mesmo lugar do show que eu passei, digamos, raiva (se este é um pequeno apelido para o sentimento que tive). Bem, como eu não sou de rejeitar festa, eu aceitei. “Vejamos se hoje tiro essa maré de azar”, eu pensei. Mal eu sabia o que me aguardava.
A micareta seria dois dias mais tarde, mas seria bom comprar logo o ingresso-camiseta, afinal, dinheiro não cresce em árvores (diretamente). Fui ao local de venda, sozinho. Não era longe de minha casa, coisa de 4 ou 5 quadras. Estava com meu mp4 ligado, ouvindo um clássico do rock, chamado Iron Man, da banda Black Sabbath. Ah, nada melhor que caminhar ao, digamos, “ar livre”. Paguei alguma quantia e me virei para ir embora.
Quando estava quase chegando em casa, me deparo com meu narigudo amigo Edílson. O desgramado era fanho, falava meio estranho... Pense numa pessoa esquisita. Agora multiplique por quatro. Misture algumas velhas caducas chupando limão. É, acho que não chegaria nessa esquisitice toda do meu amigo Dilsão. Ele tinha um nariz, digamos, “avantajado”. Olhos pequenos, com um olhar estranho, e um cabelo do tipo de arear panelas. Namorava a Catarina, uma menina que mora perto de minha casa.
Estava distraído, quando sinto que meu fone fora puxado para fora de meu ouvido. Já ia xingar um palavrão, quando vejo Dilsão me chamando pra ir comprar o ingresso da micareta com ele. Aceitei, estava sem nada pra fazer mesmo... Desliguei meu mp4 e dei meia-volta.
Dilsão é do tipo que fala muito e escuta pouco, e pra completar não consigo entender metade das palavras que lhe saem da boca. Estávamos conversando sobre o esporte que praticávamos, o venerado tênis-de-mesa. Sim, é esporte. E não, não é pingue-pongue, mas isso não vem ao caso. Chegamos ao ponto de venda, ele comprou dois ingressos e voltamos, conversando.
Me despedi dele, e fui para casa. Fui dormir mais cedo, teria aula no dia seguinte.
Acordei de mal-humor, fui pra aula normalmente e passei no ponto pra pegar minha camiseta. Paulo foi comigo. Não era feia, era até legal. Preta, com detalhes laranjas, a camiseta da área VIP. O que aconteceu depois, nesse mesmo dia, é irrelevante, portanto não gastarei palavras descrevendo o que aconteceu. Acredite, não é nada demais.
17h da tarde. Feriado. Estava chegando. Fui me arrumar, quando ia passar gel no cabelo noto que o pote acabara. “Ah nem”, eu já começara a pensar. É, o senhor azar já começara a sua tormenta. Pelo menos eu dei sorte (nunca pensei que palavras assim sairiam de minha boca), afinal o supermercado é perto de minha casa. Fui lá, comprei e passei o gel no cabelo. Minha mãe havia me oferecido carona para devolver uns DVD’s que eu havia alugado. Fui “numa boa”, e encontraria Paulo num local ali perto.
Eu esqueci de citar sobre a gripe que eu pegara um dia antes. Parece que a vida não me deixa em paz mesmo. Encontrei Paulo na locadora. Já ia entrando, quando notei uma bela fila. Ah... esperei. Não tinha jeito, não é?
Esperamos bem uns 30 minutos, quando a moça fechou o caixa. Meu medidor de raiva já havia começado a subir. Olhei para Paulo, e mudamos de caixa. Mais 30 minutos. Quando finalmente fui atendido, a moça me fala que eu não havia pago, sendo que havia. Fiz uma cara daquelas, mas seria difícil alguma coisa estragar meu dia. Pedi dinheiro emprestado ao Paulo, disse que o pagaria depois. Paguei. Saímos da locadora em direção à casa de Olinda, colega nossa que havia dito que ia conosco.
Distraído, vejo um carro preto passando. Sabe quando parece que tudo à sua volta perde os sons, e começa a ficar cinza? Isso acontecera comigo quando vi a Lisbela (uma paixão minha, atual; realmente) passar dentro do carro que citei. Com um homem dirigindo, e só os dois. Me deu vontade de enfiar a cabeça no vaso sanitário mais próximo, e dar descarga pra ver se eu descia. Paulo me deu um tapão nas costas e me chamou.
Chegando à casa de Olinda, ela nos diz que não iria conosco, pois além de esperar uma colega chegar, ela não poderia ir à pé conosco, pois estava de salto alto. É... havíamos desviado muito do caminho por nada. Mas fazer o que?
Eu e Paulo fomos andando. E como. A casa de shows era bem longe de onde estávamos. Eu já estava bocejando de sono. “Hoje não”, eu pensei. Paramos na primeira loja de conveniência que vimos. Comprei um refrigerante de noz de cola, e um daqueles potinhos com guaraná concentrado que levantam até defunto. Um real por 30 horas acordado, já dizia a embalagem. Também dizia para diluir em um copo d’água. Não acredito até agora na ignorância que eu fiz: “Que se dane”, eu pensei. Virei de uma vez o potinho, e tomei um gole de refrigerante. Paulo arregalou os olhos e começou a rir da minha cara.
Eu ficara meio vermelho. O gosto daquele negócio era horrível: muito amargo. Pagamos e fomos em direção à micareta. Chegamos bem, e eu já notara a infinidade de mulheres bonitas que estavam dançando na porta da casa de shows. “Ô beleza... é hoje que me dou bem”, exclamou Paulo. Já eu não podia dizer o mesmo. Senti uma reviravolta no estômago. Nossa, isso dói muito. Sentei na calçada e esperei o show começar. Paulo foi a um bar próximo e comprou duas doses duplas de rum e tomou-as, puras.
Arregalei os olhos e exclamei algo como um “eita”. Encontramos Dilsão. Já veio com os papos de tênis-de-mesa. Eu pratico este esporte, mas não é o típico assunto para se conversar na porta de uma micareta, não concordam? Paulo, que pensara o mesmo, me chamou para entrar. Entramos. Logo na porta vimos Valério, mais bêbado que ator desempregado, ou gambá com cachaça do lado. Ele começou a dançar alguma mistura de dança havaiana com country, e não agüentei. Comecei a rir sem parar. Só existe uma desvantagem quanto à isso: a boca de baixo não agüenta. Eu já estava com desinteria, imagine agora. Saiu um “grito pesado”, seguido de um palavrão que saiu da boca de cima. Me deu uma vontade de matar quem tinha feito o ser humano deuterostômio.
Corri para o banheiro me limpar. Quando contei o que acontecera ao Paulo. Ele rolou no chão de tanto rir. “Isso que é amigo”, eu pensei. Eu já estava pior do que antes, mas não o suficiente para não tentar uma azaração (desta vez em mulheres, não no sentido literal). Pra variar, sem sorte. E nunca tinha visto tanta mulher junta num lugar só. Apelei um pouco. Cheguei numa mulher que vendia cachaça em Paraopeba (olha que não era tão feia). “Tomei toco”, pra variar. Nisso, Paulo já tinha ficado com 12 meninas. Ai sim eu perdi a paciência (e a sanidade, pois já não agüentava mais aquela dor-de-barriga). Chamei Paulo pra ir embora. Ele concordou na hora. Quando noticiara isso a Valério, este quis me bater, falou que estava cedo, coisas do tipo. Mas fomos mesmo. Nos despedimos de Valério, e de seu colega Pablo Ramón (o argentino).
É... eu havia saído liso de uma micareta. Minha moral fora lá embaixo. O azar ataca novamente... Realmente eu não nasci pra existir. Mas não quero que o leitor tenha pena de mim, afinal tudo na vida tem motivo. E é por aqui que termino mais uma história.
Espero que gostem


YourS,
~~G~~