Essa parece a aporia da divisibilidade misturada com o exemplo da aporia do movimento de Zenão de Eléia, um pré-socrático.Postado originalmente por Slink
Postado originalmente por Aporia da divisibilidade
Você na verdade descreveu a aporia da divisibilidade usando um exemplo de flecha em vez do corredor. Vamos esquecer a aporia do movimento então.Postado originalmente por Aporia do movimento
Aporia vem do grego e significa algo como "dificuldade que não tem solução" e essa é uma daquelas que me dão aquela dor na nuca logo de começo, sabem? :triste:
Zenão usa a redução ao absurdo para defender as teses de Parmênides, entre as quais está "o ser é uno", que é a tese que o argumento apóia. Um ser divisível seria uma ilusão dos sentidos, notem que é a primeira vez que o pensamento é compreendido como algo que pode refutar a experiência sensorial.
Mesmo sendo muita pretensão tentar resolver essa questão, tenho em mente ao menos um esboço de como resolve-la.
Se assumo uma distância como algo infinitamente divisível, pressuponho uma distância infinita, pois posso compô-la com uma quantidade infinita de pontos. Logo, uma flecha (para utilizar o exemplo do Slink) não atravessaria uma distância infinita em um tempo finito.
Esse é o problema.
Porém, se posso dividir uma distância finita em infinitos pontos espaciais, posso também, por que não, dividir um tempo finito em pontos temporais infinitos.
Mas agora, como podemos admitir que uma distância infinita pode ser transposta em um tempo infinito, já que por definição eles não têm fim?
A resposta é um pouco complicada e tem a ver também, mas não somente, com relatividade, mas posso elucidar com um exemplo matemático.
:eek:
Com a ressalva de que é pouco rigoroso usar um exemplo matemático, mas é o único modo, temos:
0,99... = 1?
Juro que quando era mais novo (tipo ensino fundamental, saca?) discuti longamente com o professor em sala sobre o quão absurda era essa afirmação. Até hoje quando olho para isso... é, ainda acho um absurdo.
Convenhamos que a explicação "1/3*3 = 1" ou "...tantos noves quantos sejam os algarismos do período...", ou seja, 0,99... = 9/9 = 1, não convence.
Mas como filosofia é teórica, não preciso acreditar para entender.
Vou expor agora o único pensamento que chegou a trazer-me paz (não no sentido religioso, porque sou ateu). Ainda não consegui formular uma explicação convincente para esse pensamento, mas vou tentar algo.
Digo então que o que é infinito tem um valor absoluto, em outras palavras, é perfeito, inteiro. Perfeito no sentido de ser completo, completamente feito. Infinito, então, não tem um valor de incompletude, muito pelo contrário, é algo que não se pode pensar maior.
Esse pensamento do infinito relacionado à perfeição é usado na grande maioria dos argumentos que "provam" a existência de Deus. Mas eles todos tem erros, o que me mantém ateu.![]()
Voltando ao argumento de zenão,
posso definir então que os infinitos pontos em que foi dividida a distância formam um inteiro. Assim posso atribuir unidades e relações. Atribuo um valor em passos a essa distância e simplesmente a atravesso.
(...)
É, não esperava que ficasse muito claro. =/
(...)
Erkanos
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