
Postado originalmente por
Locke Chere Cole
Relevemos. Agnósticos acreditam que, assim como os deístas não podem provar a existência de um ser superior, os ateístas não podem declarar a sua inexistência, até mesmo porque é impossível provar a não-existência de algo que não existe.
Aí entramos no dilema de Russel, que compara a crença em Deus na crença de que há uma xícara de chá entre a Terra e Marte, mas ninguém pode vê-la. Ambas as hipóteses seriam improváveis pois contrariariam as leis da natureza e seriam difícílimas de provar.
“Improváveis”, sim. O que é inapelavelmente diferente de “Impossíveis”. Onde há dúvida, ínfima que seja, não há certeza absoluta. Pode ser usada a navalha de occam neste caso? Deve-se. Mas eu acho que não justifica tomar um partido extremo, como o ateísmo. “Acho”, porque também sou novo, cara. Não sou nem tenho capacidade pra algum dia ser catedrático em filosofia. Estou aberto às diversas novas idéias, por isso to aqui. E reconheço que ainda vai demorar muito pra eu ter uma opinião consistente a este respeito. Enquanto não adquiro experiência de vida necessária, prefiro o comedimento à arrogância. Sempre desconfiado, até mesmo da desconfiança.

Postado originalmente por
Locke Chere Cole
A Ciência pode testar apenas o que é falseável. Podemos testar a radiotividade de uma molécula de urânio ou a expansão de uma barra de ferro sob alta temperatura. Mas não a existência de Deus. Porém, isto não importa para os estudiosos. As lacunas científicas nas quais Deus poderia se encaixar são cada vez menos numerosas. Afinal, o método científico jamais poderá considerar a possibilidade de aceitar como resposta algo que não pode ser demonstrado empiricamente.
Se a existência de alguma entidade criadora poderá ou não ser comprovada empiricamente no futuro, não temos bola de cristal pra prever, até porque elas não funcionam, não é mesmo? Quem é o falacioso que prevê os avanços ou retrocessos da ciência, do método científico? Quando Newton formulou toda a base do Cálculo, Teoria da Gravitação, teorias básicas de termodinâmica, mecânica dos fluidos e tudo aquilo mais que eu não lembro, se autodescreveu como “uma criança na praia brincando, achando uma ou outra pedra e concha mais redonda, enquanto o grande oceano da verdade estava todo a ser descoberto diante dela”.
Quanto mais a ciência evolui, mais dúvidas surgem. Acho que foi na Superinteressante do mês passado, uma matéria sobre a teoria de múltiplas dimensões, além das 4 já consagradas pela física. Quanto eu li, meu queixo caiu. Micropartículas em forma de corda. Membranas (“branas”) encapsulando cada universo (existiriam vários), os grávitons trespassando essas membranas, o que explicaria a “matéria escura” que deixa os cientistas malucos-beleza, por mais modernos e atualizados que sejam.
E o que dizer da física quântica, levantando possibilidades “absurdas”, por exemplo, múltiplas-dimensões. Se ainda não tiver assistido à “Quem somos nós?”, recomendo-lhe muito alugá-lo. Bom pra leigos como nós (estou mais uma vez aplicando minha “telepatia por leitura”, se não se incomoda, ehheheh), explica de um jeito bem MOBRAL. Quantas piadinhas Schrödinger (assim?) teve de ouvir por causa do seu gato meio-vivo, meio-morto?
Assim, quem sabe quais as limitações da física atual? Da matemática? Da química? Da filosofia? A própria filosofia se põe em xeque, a Gnosiologia também lida com possibilidades mais pessimistas de que o conhecimento científico que nós, meros mortais, insistimos em atribuir à Verdade Universal (essa sim, única e definitiva), é limitado pelo nosso sistema sensorial e nervoso, não condizendo com a realidade pura. O mundo ao redor é enxergado de uma forma particular, mas o mundo é o que é, não necessariamente o que a gente enxerga. Por exemplo: cor é só em função da freqüência de ondas irradiadas. O que a gente chama de vermelho, preto, azul, é só uma forma particular de interpretação humana. A própria ciência não admite que só entende 1% do funcionamento do cérebro? E se a nossa “inteligência” apenas nos engana? Deturpa dramaticamente o mundo “real”? Já neste caso, não podemos aplicar a Navalha de Occam, podemos? Então a gente tem um problema sério aqui.

Postado originalmente por
Locke Chere Cole
Ah, para encerrar a sua demonstração de leitura telepática, resolvesses me tachar de "pequeno-burguês". Nada contra eles... quero dizer, só um pouco... mas desta vez errasses feio.
foi mal

Postado originalmente por
Locke Chere Cole
O seu raciocínio desconsiderou duas coisas. Primeiro o fato de que a proporção de ateus e agnósticos nas esquerdas é bem maior que do que nas direitas. Ideologias como comunismo e anarquismo pregam a ausência da fé no Estado, bem ao contrário do neoliberalismo tucano.
Certamente. Mas eu não acho que tenha desconsiderado isto. Eu não defendi a fé em momento algum. Até postei, num outro tópico, contra a igreja católica, tanto da idade das trevas quanto atual, que proíbe uso de preservativos, empaca pesquisas sérias, etc. Citei Nietzsche e sua crítica da “moral de escravos” (moral cristã). Eu sei que eu sou idiota, mas tinha que ser mujito mais pra vir defender o fanatismo religioso... Se eu desconfio (só um pouco) do próprio método científico, a fé, pra mim, deve ser sumariamente ignorada. E o Estado deve ser laico.
Acho que os livros "sagrados", seja bíblia, corão, avesta, etc sejam instrumentos de dominação do povo por um grupo restrito. Que têm uma moral contestável.
Mas o que me instiga é a origem de todas as coisas e a limitação do conhecimento. O que me isntiga é a misteriosa Verdade Universal
Eu só respeito as pessoas simples (os arrogantes preferem chamá-las de “ignorantes”) que encontram nas rleigiões conforto espiritual. Só recomendo a elas não gastarem um tostão furado com igreja nenhuma, nem doarem sua força de trabalho pra essses exploradores vestidos de padres/ pastores/ guias espirituais. Mas acho que não precisamos nos achar muito fodões nem muito superiores só porque pensamos nessas coisas óbivas, o que seria prepotência e pedantsmo.

Postado originalmente por
Locke Chere Cole
E segundo: se você me acha um embrião burguês, pela maneira que escrevo, deveria lembrar que a maior e melhor parte da bibliografia política nacional foi escrita pelos revolucionários; e não pelos progressistas. Cristóvam Buarque, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado e José Marques de Melo não me deixam mentir.
Só achei estranho colocar o cristóvam no mesmo patamar do Sérgio Buarque de Hollanda e Celso Furtado.... Falou tanto em educação, mas quando foi ministro acabou sendo demitido por incapacidade administrativa... Não conseguia articualr as coisas.. Mas deixa, senão vou desvirtuar o assunto do tópico
Não tem ninguém querendo “ownar” ninguém aqui, aocntece que a discussão está acalorada. Eu só acho que respeito é bom e todo mundo gosta
edit: colocando o link, pra quem tiver interesse, do "Livro das religiões", relaciona ciência, religião e filosofia e nos ensina a respeitar.
http://www.************/file/3646459/...igies.html?s=1
depois coloco "O mundo assombrado pelos demônios" do carl sagan pra complementar