...Virei e me deparei com um senhor. Trajes estranhos e negros como a noite, cabelos e barba compridos de um tom grisalho-prateado a fazer com que se desatacassem na penumbra da deserta rua. Embora estranho, o velho homem não me assustou, perguntei então:
- Posso ajudá-lo?
Ele apenas sorriu-me e disse:
- Apenas siga-me. – Sua voz era de um tom grave e altamente imponente, capaz de botar inveja em qualquer locutor de rádio.
Disse-me isso e saiu como se eu fosse segui-lo. Pensei comigo: “Deve ser algum bêbado louco, vou continuar meu caminho”, e quando me dei conta estava às pressas atrás do velho homem. “Como pode?” perguntei-me. Encontrei-o agora em uma rua mais movimentada e iluminada, suas roupas eram como de um empresário europeu com um detalhe: seu paletó mais parecia uma bata de um padre norte-americano, comprido e fino. Naquela noite estava muito frio. Cheguei até ele e perguntei:
- Onde estamos indo? – “Estamos?” pensei, “Por que eu disse isso?”.
- Verás. – Me responde ele friamente.
Continuei seguindo-o. Passamos por vários lugares, lugares pobres e lugares ricos, lugares barulhentos e lugares desertos, lugares cheios de vida e lugares simplesmente “mortos”. No caminho tentei conversar com o velho e ele sempre me respondia com uma frieza levemente soberana, a única coisa que consegui arrancar dele foi o seu primeiro nome: Lestat.
- Este nome me soa francês. Estou certo? – Falei para ele.
- Sim. – Me respondeu e não mais o atormentei.
Pouco tempo depois ele parou em frente, ao que me parecia ser, uma igreja, pequena, mas bem construída e velha. Seguimos até a lateral da “igreja” onde Lestat abriu uma velha porta de madeira que rangeu muito em relação ao silêncio mórbido da rua.
- Entre! E sinta-se à vontade. – Lestat me disse com sua voz imponente.
- Você me trouxe a uma igreja? Por que me trouxe aqui? – Retruquei ferozmente.
- Isto não é uma igreja. Entre e conversaremos mais calmamente. – Respondeu-me Lestat e virou-se adentrando a “igreja”.
Realmente, quando coloquei meu primeiro pé dentro da porta percebi que aquilo não era uma igreja. Embora sua estrutura externa fosse muito parecida com uma, internamente não lembrava nem um pouco, ela se parecia como uma casa normal, sala, cozinha, banheiro e tudo o mais que uma casa deve ter. Só uma coisa era estranha: a iluminação. A casa inteira era iluminada por velas e lampiões.
Entramos pela sala de estar. E assim que entrei veio até mim uma bela jovem e pediu minha blusa. Demorei um pouco para lhe entregar minha blusa, pois fiquei espantado com a sua beleza, cabelos longos, lisos e negros, seus olhos azuis brilhavam como estrelas, sua pele, branca como a neve, me parecia muito macia. Quando voltei a si fiquei meio sem graça e lhe entreguei, finalmente, a minha blusa, ela à colocou num cabide ao lado da porta.
- Muito bonita não? – Disse Lestat descendo as escadas do lado esquerdo da sala, com um cachimbo na boca, e sem a sua “bata-paletó”.
- Sim. Quem é ela? – Respondi de impulso.
- Minha filha mais jovem. Vamos, sente-se! – Disse-me ele.
Sentei e a jovem retirou-se para a cozinha. Lestat sentou-se em uma poltrona em frente ao sofá que sentei. - Pode perguntar. – Me disse ele espontaneamente.
- Como? Eu não estou entendendo?
- Você sabe por quê está aqui?
- Claro! Você me trouxe.
- E por que você me seguiu?
- Isto eu não sei.
- Você é muito curioso meu jovem. Você está aqui porque tem muitas perguntas da qual quer respostas, certo?
Meio desconfortável por não estar entendo o que ele queria, apenas disse: - Que tipo de perguntas e respostas?
- Perguntas do tipo “Para onde vamos após a morte?” ou “Por que existe a ‘VIDA’?” ou “Deus existe?” e respostas que conseguirá após a nossa conversa. Está me entendendo?
Ele conseguiu me deixar curioso. - Você tem as respostas para estas e outras perguntas que atormentam nós, seres humanos, sempre?
- Sim. Mas para obtê-las você precisa tomar uma decisão.
- Que tipo de decisão?
- Do tipo simples. Apenas me responda: Você realmente quer saber estas e outras respostas que lhe atormentam?
- Com certeza! – Respondi com convicção.
- Tem certeza?
- Toda!
- Certo, então me siga.
Levantamos e fomos em direção à cozinha, lá vi que a jovem estava cozinhando e lhe sorri, ela me retribuiu o sorriso. Lestat abriu uma porta que dava para uma escada que descia. E ele, empunhando um lampião desceu.
Segui-o. Não descemos muito, alguns lances de escada e estávamos em um porão escuro, iluminado apenas pelo lampião que Lestat empunhava. Pouco á pouco ele foi acendendo os castiçais que estavam em toda a parte do cômodo. E, assim, o porão escuro ficou mais iluminado do que a sala de estar onde estávamos. Ficamos ali, conversando por horas afim. Na verdade ele não falava muito apenas fazia perguntas que precisavam de grandes respostas, acho que ele gostaria de saber minha opinião sobre todos os tipos de coisas.
Finalmente, horas depois, eu acho, ele concretizou:
- Certo. Então você realmente quer obter as respostas?
- Claro! Quantas vezes eu vou ter que lhe responder isto?
- Só existe um jeito de você obter essas respostas.
- Como?
- Sabrina, por favor...
Olhei em direção a escada e vi a jovem descendo com um vestido branco e segurando alguma coisa que ela não queria que eu visse, pois ocultava suas mãos nas costas, pouco me importei. Ela veio em minha direção e me rodeou uma ou duas vezes. “Sabrina é seu nome então?” pensei. E fiquei como na primeira vez em que a vi: perdi os sentidos e a consciência, mas tinha certeza de que estava de pé ainda.
Pouco a pouco fui recobrando os sentidos. Primeiro a visão, e percebi que ela estava na minha frente. Depois o olfato e senti o doce cheiro de seu perfume misturado com um cheiro de mofo que o cômodo exalava. Assim fui recobrando todos os sentidos até chegar ao tato. Nesse senti uma dor imensa na barriga como se estivessem atravessado ela com uma espada. E realmente, olhei para Sabrina e vi e senti que ela tinha me atacado com uma espada. Ela estava linda, seu branco vestido manchado com o meu sangue a deixava mais sedutora do que já era, seu rosto com os olhos fechados. Senti uma dor imensa novamente na barriga e percebi que ela havia retirado a espada. Cai no chão. Olhei para Lestat, que com toda a sua altivez me disse:
- Esse é o único jeito de obter as respostas, meu jovem. Enquanto conversávamos você me disse com convicção: “Não, eu não temo a morte. Apenas a encaro com uma certa curiosidade.”
Espero q tenham gostado... xDDDDD... e postem ai hein!