bro a portinhola pela qual havia entrado, ao colocar o primeiro pé fora do castelo, os dois guardas que me escoutavam deixaram-me sozinho. Restavam algumas pessoas na fila, a poeira ainda estava baixando, após a grande movimentação de pessoas e suas respectvas montarias.
Apoiei uma das mãos na cintura e a outra coloquei acima das sobrancelhas, para proteger minha vista do forte sol enquanto procurava por Amarante. Consegui identificar os dois alvos cavalos, e logo avistei Amarante e sua longa barba, conversando com o guia. Fui até ele em linha reta.
Ao me aproximar, percebi que o guia tinha me avistado, logo falou com Amarante e apontou para mim, Amarante, por sua vez, olhou onde o dedo do guia indicava, encontrando-me. Logo acenou, devolvi-lhe o cumprimento.
Decalquei um dos cavalos com a minha mão, no mesmo sentido em que seus pêlos eram organizados, a textura era áspera, mas era confortável de alisar.
- Gostou? - disse o guia.
- E... Eu? - procurei quem falara comigo - Sim... Sim, apesar de serem tão altos e fortes, são muito dóceis.
- São bem tratados... Amarante me fornece recurso para cuidar da melhor maneira possível desses dois, Riano e Riona, gêmeos.
Riano e Riona, cavalos gêmeos de Amarante.
- Gêmeos? Isso é interessante, nunca tinha avistado cavalos gêmeos. - Falei intrigado
- Vieram da Pérsia, troque-os por algumas dezenas de cabeças de gado com um xeique. - Disse Amarante, orgulhoso - Penedono, (...) podemos conversar na carruagem?
- Claro. - Seriamente.
Amarante fez sinal para o guia começar à nos levar devolta. Meu companheiro subiu e eu o acompanhei, após achar uma posição confortável, escutei os chicotes estalarem no lombo dos animais, acompanhados de grunhidos que o guia fazia, os cavalos logo entenderam e obedeceram o comando.
- Então... Penedono, o que o rei queria tratar com você de tal sigilância? - Falou curioso
- Bem... Amarante... Bem, é que...
- Diga logo! Sou seu amigo e você não tem motivos para esconder algo de mim! Ou tem?
- Claro que não! É que não sei se é uma boa notícia ou... má.
- Só saberei se me contar, oras!
- Claro que eu o contarei, apenas... apenas dê-me um tempo.
- Como? Deixe de besteiras, agora só por que ficamos alguns meses sem nos vermos, estás desconfiante de mim? (...) Sempre compartilhamos nossos segredos!
- Apenas peço até amanhã, amanhã de manhã.
- Tudo bem, mas não estou satisfeito com esta sua atitude.
Fomos por mais alguns minutos em silêncio, apenas escutávamos o cavalgar dos cavalos e algumas risadas de crianças que brincavam na estrada. Despidi-me friamente de Amarante, nem com o guia falei.
Fiquei por alguns segundos vendo a carruagem afastar-se, até sumir no meio da poeira e do meu campo de visão. Rotacionei lentamente o meu corpo até ficar de frente à minha porta. Peguei a chave enferrujada e girei-a dentro da fechadura, o som que a porta fazia ao movimentá-la era irritante, mas no momento não dei importância.
Nesta hora, a lua já dominava os céus, os grilos cantavam em busca de uma parceira, o matagal balançava ao vento. Eram as únicas coisas que podiam ser escutadas.
Abri o meu velho baú, o som ao abrí-lo era semelhante ao da porta, de lá tirei um pequeno caixote de mandeira com trancas de ferro. Retirei todos os papés que o continha, estes eram cartas e documentos de agradecimento à honra em defender o reinado. Abri cada uma. Cada palavra. Cada lembrança.
Deitei-me e levei uma delas comigo, a primeira de todas, quando era apenas um jovem em busca de aventura. Perguntava-me se ganharia mais alguma como aquela...
Fechei os olhos e refleti sobre o momento de insanidade que tive ao aceitar aquele desafio. Uma lágrima arrependida desceu.
----------x----------x----------
IV saindo quentinho do forno...
Acho que finalmente achei uma foto decente para um capítulo.
O que acharam do IV?
Publicidade:
Jogue Tibia sem mensalidades!
Taleon Online - Otserv apoiado pelo TibiaBR.
https://taleon.online







Curtir: 








Responder com Citação