Atualizando minha gente =D
Capítulo muuuuuuuuuuuuuuito importante! Graças a ele, ocorre uma coisa que desencadeia uma coisa muito maior e cretina u.u
Capítulo XIX
Vendo e Ouvindo
Onde Ele arma seu próximo golpe, Bruno reaparece e Ders ouve mais do que deveria...
O clima de tensão ainda permanecia no ar. Mas isso se devia ao fato da festa de fechar as estações estar próxima. Pra falar a verdade, ela seria amanhã. E quando se tem menos de 24h para fazer algo, é de costume colocar um esforço sobre-humano nas suas atividades.
Pois é, parece que Ders de Candia não foi avisada disso. Apesar de ser noite, penúltimo dia da estação e um dia que prometia nevascas intensas, a doida deu um jeito de reunir os três novamente. Como sempre.
Ders estava sentada em um banco da Praça de Thais. Quieta. Pensativa. Se encolhia em seu casaco púrpura, na fútil tentativa de escapar do frio. Um ruído discreto chamou sua atenção. O ruído ia ficando mais contínuo e forte à medida que se aproximava. Definitivamente, eram passos.
- Já achei que não iria vê-lo aqui hoje – Disse Ders, brincando com o cabelo – Então Mike, como vai?
- Em primeiro lugar, meu nome é Mi! – Praguejou ele, tornando-se nítido em meio as trevas – Vou bem, obrigado.
Ders encarou Mi. Ele parecia procurar alguma coisa. Virava-se para todos os lados em busca de algo.
- Druid ainda não chegou. Se é isso que você procura Mike.
- Pare de me chamar assim. E onde ele se meteu?
- Pra falar a verdade, eu estava aqui bem antes de vocês – Disse uma voz vinda do bar do Frodo, do outro lado da rua. Druid de Candia saiu pela porta e sorriu em frente aos amigos.
- Devemos ser breves.
- Naturalmente – Disse Ders. Virou-se e passou a encarar Mi – Então, conseguiu alguma coisa nessa sua viagem?
- Claro! – Disse Mi, animado – Sabe, tenho algumas poucas informações sobre o bispo.
- O bispo? – Falaram Druid e Ders ao mesmo tempo, pasmos – Fala!
- Parece que seu nome é Zivriddinoes Khraktônios Ptalohwe – Disse Mi consultando uma folha em seu bolso – O bispo Zivrid. Ele é visto perambulando por Thais a noite. Com freqüência.
- E daí? – Pediu Druid.
- E daí que da última vez que ele foi tão visto assim houve uma praga de ratos mutantes – Terminou Mi – Temo que ele esteja tramando alguma...
- Não me venha com asneiras Mi – Disse Ders, ficando em pé – Até onde sabemos, Zivrid obedece a alguém. Fala-se em Venore que cinco primaveras atrás ele foi visto na taverna com um homem todo de preto. O “mestre” dele, ao que tudo indica.
- Que seja.
- Temos que ser rápidos. Precisamos pegar esse cara antes que faça sei lá o que ele quer – Disse Druid – Só sei que se ele concretizar seus objetivos, coisa boa não vai acontecer!
- Tudo bem – Disse Ders – Mi, tente encontrar uns dados desse Zivrid. Druid continue com buscas na procura desse cara. Eu vou vigiar essa cidade - Ders encarou diretamente uma janela no segundo andar do bar do Frodo e piscou.
***
Escondido atrás de uma janela em um quarto no segundo andar do bar de Frodo, Zivrid observava os três vultos conversarem. Não podia ouvir o que diziam, só sabia que não era nada bom.
Zivrid correu até a escadaria e a desceu. Uma pontada de luxúria tomou conta de seu corpo e ele não resistiu. Tirou o pergaminho da batina e o leu. Certamente seu mestre ficaria muito feliz com aquilo. Zivrid guardou o mapa e saiu pela porta dos fundos, com destino à Baixa Thais.
***
O dia seguinte amanheceu ensolarado. O dia prometia ser perfeito! Eu estava doido para correr até os campos caçar, correr, aproveitar esse Sol. Mas para minha alegria, Druid tinha programado uma seção de treino para hoje.
Ele estava recostado à parede sul do Salão segurando um mochila que parecia levemente pesada. Eu caminhei até ele, lutando contra a neve. No que fiquei a uns dez metros de distância dele, Druid me jogou a mochila que atingiu-me a cara. Caiu um tombo lindo.
Pude ouvir Druid rindo alto.
- Vamos seu molenga – Ele gritava – Quero ver sua mira!
- Mira?
- É seu lerdo – Ele apontou para um boneco de panos, sujo e remendado suspenso no ar quinze metros sobre a cabeça dele – Atinja o boneco e o faça cair! Quero ver seu poder.
Minha vontade era de atirar nele, não no boneco. Encarei aquela coisa flutuante por um momento e cai na gargalhada.
- Esse boneco foi feito com as almofadas do quarto da Ders?
- Claro que não Drago. Agora apura.
Bom. Se aquelas não eram as almofadas de Ders, qual seria a explicação do nome “Ders” rosa bordado em uma delas?
Mas já era hora de acabar com aquilo. Abri a mochila e tirei uma runa vermelha, com um circulo negro marcado. Uma grande bola de fogo. Mirei o tiro bem nas fuças do boneco e disparei. E nem me toquei da grande bosta que eu havia feito. A bola de fogo passou rente à cara do boneco. Mas não o atingiu. Atingiu o quarto de Samuca. Que estava exatamente atrás dele.
***
- SEU IRRESPONSÁVEL! – Gritou Ders, fora de si – DRUID SUA BESTA! QUE IDÉIA FOI ESSA?
- Mas é que eu... – A voz dele parecia um sussurro
- POR CULPA DESSA SUA IDÉIA DE GERICO EU ESTOU SEM ALMOFADAS E TODAS AS COISAS DO SAM FORAM CARBONIZADAS!
- Na verdade eu tirei tudo quando limpei – Cochichou Alia no meu ouvido.
- COMO VAI SER HEIN? ESSA REFORMA VAI CUSTAR CARO, SABIA? E O SAM, ONDE VAI DORMIR?
- Ders, calma – Druid falou tranquilamente – Como foi o Drago que disparou, acho que o Sam podia dormir no quarto com ele, sei lá...
- ÓTIMO ENTÃO. Agora vamos descer e comemorar o fim das estações CIVILIZADAMENTE.
***
Nas entranhas da Baixa Thais, Zivrid escolheu certa porta de madeira para bater. Levara dias para descobrir que a porta que ele procurava era essa. Bateu três vezes até ser atendido. Quando a porta foi aberta, um homem alto, moreno, forte, de porte desajeitado e cara quadrado apareceu.
- Olá Bruno. Quanto tempo não? Onde você esteve?
***
A Casa da Rosa Vermelha estava misteriosamente silenciosa naquele momento. Ele estava encostado em uma parede, lendo um pergaminho que chegara pelo correio. O mapa. Ele sorriu. Com esse mapinha de nada, Ele poderia concretizar seu próximo passo.
- Tibianus me aguarde – Disse Ele, rindo.
***
Enfim, era o primeiro dia de uma nova estação. A comemoração no Hall fora muito intensa e animada, apesar de tudo. A festa durou até as matinas, quando Ders teve um ataque obrigando todo mundo à ir dormir.
Sam já estava instalado em meu quarto. Ele estava na minha querida e confortável cama, quase dormindo, e eu estava em uma cama de armar dura. Lendo.
- Posso te falar uma coisa? – Falou Sam, do nada.
- Erm... Claro... O que é?
- Você sabe controlar seus sentimentos?
- Como assim?
- Sabe, ocultar, controlar. Conter.
- Por que você ta me pedindo isso?
- Se eu te dissesse um segredo, você iria acreditar e não contar pra ninguém?
Enquanto isso, Ders subia as escadas animadamente. Sua camisola branca arrastava-se no chão. Ela quase tropeçava nela. E foi num desses tropeços, que Ders parou em frente a um quarto. A porta estava entreaberta e o quarto iluminado.
Ders não pôde se conter e se apoiou na parede, encostando o rosto da parte aberta da porta. Ela viu Drago Aaril e Samuel Hunter conversando. E não só isso: Ela podia ouvir!
- Pode falar – Disse Drago, fechando o livro que lia.
- Sabe... Desde que eu conheci a Ders, cinco anos atrás, nós somos bons amigos, certo? – Ders ouviu Sam falar.
- É.
- E se eu te falasse que o que eu sinto por ela não é apenas amizade?
- Eu ficaria surpreso. Você jamais me passou essa impressão.
- Pois é. Mas acontece que eu não sei o que fazer.
- Como assim, não me diga que essa suposição é verdade?
- É sim Drago. Eu amo a Ders!
***
Do lado de fora, Ders derrubou sua caneca de leite quente. Provocando um baque muito alto. Virou-se e saiu correndo escada a baixo, desesperada. Isso não poderia estar acontecendo! Não! Só ia piorar as coisas!
Ders corria pelos corredores sem destino. Tem que haver outra explicação pra aqueles olhares todos dele! Ders ia correndo mais e mais. E então, depois da negação, veio a luz. Essa era a brecha perfeita.