Ao contrário do que meu reloginho de atualizações indica (não escrevo de quarta, educação fisica me desmotiva u.u) vim lhes presentear com esse meu lixo atômico enquanto tramo uma seita macabra pro meu próximo roleplay, que não há de demorar. =D
Ficou grandinho até =o
Capítulo XV
Faxina de Inverno
Onde ocorre uma fraterna festa de faxina, Ele volta a aparecer e Druid passa por momentos de crise de meia-idade
Eu odeio acordar cedo. De sério mesmo. Não há nada mais tedioso do que levantar-me de minha caminha, interrompedo meu merecido descanso para descer escadas e sentar-me com um monte de gente estranha, para comer. Que tosco isso não?
Mas na verdade nesse dia em especial, eu realmente não tinha a menor vontade de sair daquele bolinho confortável em que me encontrava. Acontece que na noite anterior, esqueci a janela aberta, e o desgraçado do sol me deu o ar de sua graça. Mais precisamente direto na minha cara...
Mas bem, cama não foi feita para morar (pois devia), mas sim para descansar. Então, ora ou outra, eu teria que erguer-me desse pecado tão bom. Decidi fazê-lo rápido, antes que entrassem com panelas e colheres de madeira para acabar meu conforto.
Já faziam duas emanas que eu estava morando no Salão Sangrento, e mesmo assim ainda não me adaptara inteiramente à rotina do lugar. Na verdade, creio que ninguém o fizera. Mas mesmo nesse meu humor matinal, era preciso continuar os rituais das segundas-feiras. Levantar cedo e correr para a cozinha receber as tarefas da semana. E seguir o cronograma de trabalho.
Levantei-me melancolicamente e cambaleei até um canto do meu humilde aposento (nem quarto era). Despi-me lentamente e joguei o pijama em algum canto sinistro que no momento não me recordo qual, e cheguei a uma cadeira ridícula para apanhar meu roupão e vesti-lo. Pronto para o massacre.
Colidi com aquela porta maldita, enganchando o roupão no trinco e caindo para o outro lado. Recompus-me e desci as escadas feito uma lesma em fuga, e me deparei com certo elemento com cara de quem comeu e não gostou.
- Hmm... Oi Samuca – Disse entre um bocejo e outro.
- Olá – Respondeu ele secamente – Já soube das últimas?
- Últimas? Acabo de levantar seu taipo!
- Erm, bem. Ders pirou de vez.
- Que que ela fez dessa vez?
- Não é bem o que ela fez – Samuca fez uma pausa – Mas sim o que ela há de fazer.
- Como assim?
- Parece que deu a louca nela. Ela está tentando organizar uma espécie de faxina da primavera.
- Mas estamos em pleno inverno!
- Diga isso para ela – Disse samuca fazendo cara de nojo e indo na direção das escadas – Não se demore – Completou.
***
Depois de melancólicas horas no banheiro, fazendo minha higiene, cheguei até a cozinha, ainda meio sonolento, e pus-me a sentar em uma das poucas cadeiras de madeira suja remanescentes. Todos os habitantes do casarão estavam reunidos em torno da enorme mesa de carvalho da cozinha, emburrados, esperando Ders falar.
Algumas pessoas mal haviam se vestido. Tinha gente de camisola, pijama, roupão (eu já me vestira). Mas de fato, todos estavam sonolentos e com um pouco de aflição perante o que iriam ouvir.
Ders não demorou a sair do bolinho de pessoas, usando uma camisola de seda vermelha, com os cabelos presos em um rabo-de-cavalo. Tropeçou nas próprias vestes enquanto caminhava, mas logo retomou a pose, e subiu, num salto, na mesa.
- Seus fracos – Gritou ela com entusiasmo – O advento já esta ai juntamente com as festas de fechar as estações. E não podemos saudar os deuses nessa imundice só, não é?
Alguns ruídos puderam ser ouvidos entre as pessoas. Levei aquilo como um “Sim” ou um “Cala a boca e vai dormir”.
- Diante dessa afirma... – Começou Druid.
- Quieto – Sussurrou Ders – Eu falo aqui lembra? Você manda nessa pinóia? Não! Eu mando? É! – Ders fez uma pausa e bocejou – Como eu ia dizendo. Diante dessas afirmações, é óbvio que temos que arrumar as coisas não? Não quero dizer decoração! Mas sim limpeza dessa zona. Por isso, me dei ao trabalho de organizar uma lista de tarefas para cada morador hoje. Até o nascer da lua, quero tudo feito!
Algo como uma onda de horror e pânico invadiu a sala. Ninguém estava com vontade de trabalhar. Ders percebeu e pulou para sua lista.
- Tarefas – Gritou.
- Aí vem bomba – Disse Samuca, que estava ao meu lado – Espero não ter que trabalhar com a Jess Brinks.
- A ranhenta?
- Ela mesma.
- Samuel Hunter – Gritou Ders observando nossa conversa – Você vai limpar os banheiros com Jess Brinks
Samuca praguejou alto e não pude conter meu riso. Ders pareceu ter notado, e prosseguiu.
- Drago Aaril. Você vai varrer as folhas de todo o perímetro do jardim casa. Juntamente com Galeth Lemmengo.
- O que? – Gritei alto.
Galeth Lemmengo era simplesmente a pessoa mais nojenta que eu já tive o desprazer de conhecer. Ele era uma verdadeira pedra no sapato, enchia meu saco pra valer. Eu tinha vontade de cortar as tripas dele. E ainda por cima, eu teria que varrer folhas com ele. E eu detesto varrer folhas.
Druid se aproximou de Ders e cochichou algo em seu ouvido. Ela confirmou com a cabeça e continuou a ler.
***
O sol já estava muito forte, e ao que tudo indicava o trabalho na casa não parava. Parecia que ninguém ia comer naquele dia. Minha única sorte daquela manhã era que, como todos os dias naquela mesma hora, eu e Druid saímos da casa e nos dirigíamos para o riacho próximo para treinar. Fazíamos isso há umas três primaveras.
Quando cheguei lá, Druid esperava-me com uma caixa de madeira marrom, quadrada e não muito grande cheia de coisas estranhas. Encarava-me com uma cara de riso, como todo santo dia, simplesmente por me humilhar nos testes que aplicava.
- Hoje – Disse quando me aproximei um pouco – Vou te mostrar a arte do uso das clavas.
- E isso vai me ser útil?
- Possivelmente. Principalmente quando tiver experiências com o ato de caçar no corpo-a-corpo, para economizar poder mágico para usar nas runas, não nas varinhas mágicas. Ou, como vulgarmente dizem, na hora de “runar”.
- Claro que sim – Falei ironicamente – Vou usar o quê? Um martelo do trovão? Um cajado dos arcanjos? Ou uma clava?
- Não, não e... Não – Disse Druid rindo. Ele abriu a caixa e retirou de lá um pedaço de madeira estranho, fino, com uma enorme bola de ferro repleta de espinhos conectada a ele por uma corrente forte, mas enferrujada – Isto Drago, é uma estrela da manhã.
***
Como era de se esperar, o mal não para. Afinal, para os planos de certo alguém, todo tempo era crucial. E seus servos sabiam perfeitamente disso. Afinal, o plano da mutação dos ratos não fora feito da noite para o dia. E falando em planos, alguém tramava mais um golpe naquele dia, aproveitando a ausência dos únicos que poderiam o impedir.
- Mande Zifrid entrar – Disse gelidamente para um de seus guardas, que abriu a porta e chamou alguém.
O bispo Zifrid entro, arrastando sua batina como de costume. Andou pelo enorme saguão negro da mansão e cambaleou no tapete de pele de urso. Curvou-se perante o vulto e o fitou penetrantemente.
- Tevês noticias de Bruno? – Perguntou o vulto com pouca tolerância na voz.
- Naturalmente. Soube que está planejando algo com Aquarius. Devo alertá-lo?
- Não. Sabes que Bruno não é tolo. Deve ter algo em mente.
- Assim espero. Mas então, já desenvolveste a próxima etapa do plano?
- Obviamente. Ao que tudo indica, estou sempre um passo a frente. Mas necessito das influências de Bruno! Achas que tem como contatá-lo?
- Claro – Disse Zifrid – Mas e o plano? Conte-me a respeito!
- De tempo ao tempo Zifrid, na hora certa saberá. Apenas fale com Bruno.
- Como quereis – Zifrid fez outra reverência e se retirou.
***
O treino já levava algumas poucas horas, e eu, naturalmente, encontrei o desprazer da derrota nas habilidosas mãos de meu mestre. Já havia me acostumado com a derrota, mas mesmo assim, sentia-me humilhado.
- Vamos Drago, sei que sabes mais!
- Como sabes?
- Eu te ensinei tudo que sabe.
- São meros detalhes – Ri enquanto brincava com a estrela da manhã.
- Atitude! Nunca vai ser alguém se não fizer nada direito! Seu fraco!
Nesse ponto me irritei. Me ergui e caminhei até Druid que sorriu.
- Vem pro papai – Disse ele.
Corri até ele fazendo movimentos esguios e rápidos, resvalando na grama feito um louco desembestado. Ele preparou a defesa dele. Mas peguei-o desprevenido. Deixei-me cair de bunda na grama humida e deslizar até passar por debaixo de suas pernas. Nesse ponto, enrolei a corrente da estrela no tornozelo de Druid e puxei com força, saindo de baixo dele no momento da queda.
- Quem é o papai agora? – Falei me levantando.
Druid riu. Achei estranho. Porque ele riria? Mas de repente notei que o riso passou a choro. Um choro tímido. De saudade.
- Estas bem?
Ele se ergueu. Exibia nos olhos lágrimas. Me abraçou com força e disse-me.
- Faz-me lembrar de Jack. Ele adora brincar assim. Comigo. Hoje fazem cinco anos...
Olhei para o horizonte. A terrível cena de cinco anos atrás voltara à minha mente. Senti um aperto rápido no coração, abafado pela queda de Druid, que apertava o peito com força.
- Druid! Calma! Socorro! – Gritei desesperado, temendo pela vida de meu amigo. Ders acudiu e veio correndo em nossa direção, felizmente já vestida. Segurou Druid e o ergueu.
- Druid... De novo! O que aconteceu?
- Estávamos treinando... Mandou atacar... Derrapei e fui... Ele caiu... Jack... Cinco Anos e... – Não pude prosseguir.
- Sim... Compreendo. Não se preocupe, eu cuido desse vovozinho aqui.
- Não sou tão velho – Praguejou Druid.
- Viu, ele está bem – Falou Ders – Foi só um susto. Drago, Galeth está esperando. Vá logo.
***
O tempo correra enquanto eu e Lemmengo varríamos as folhas caídas das árvores na frente do Salão Sangrento. Galeth lutava inutilmente contra o vento, que teimava em arremessar as folhas de seu monte a longas distâncias. Não pude conter o riso. Este foi sufocado quando um lobo saindo da floresta pulou sobre meu monte de folhas e passou a brincar com elas, acabando com tudo.
- Miserável! – Gritei. Agarrei minha vassoura de madeira e pulei sobre ele nas folhas, em uma luta pela honra. Galeth ignorou o vento e passou a rir da minha cara. Com razão.
***
Enquanto isso, no telhado, Ders e Druid viam tudo, rindo um pouco, numa fútil tentativa de animar o clima. Parece que Ders encontro as palavras certas justamente a me ver lutar com o lobo.
- Vê? Jack pode ter ido. Mas estamos em uma nova vida! Tens uma família aqui. Não se sinta mal. Jack não gostaria de vê-lo chorar.
Druid encarou a cena no jardim e falou cabisbaixo – Sim, é verdade. Tenho uma família aqui. Uma grande e louca família. – Ele e Ders se recolheram comentando coisas sobre folhas, druidas bobos, e lobos curiosos.